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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Quo Vadis (1951): O Colossal Épico da Marca do Leão.


QUO VADIS (Quo Vadis), de 1951, dirigido por Mervyn LeRoy (1905-1987) iniciou um rosário de épicos religiosos que percorreria quase que toda década de 1950 até meados da década seguinte, produtos como "O Manto Sagrado" (1953), e sua seqüência "Demétrius e os Gladiadores" (1954); "O Cálice Sagrado"(1954), que foi a estréia de Paul Newman, que considerava um "Lixo"; "David e Bethsabé" (1951); "O Filho Pródigo"(1955), estrelado por Lana Turner; "Os Dez Mandamentos"(1956), de Cecil B. DeMille; "Ben-Hur"(1959) de William Wyler, campeão absoluto dos Oscars até empatar com Titanic, em 1999; "Rei dos Reis"(1961), belíssimo filme sobre a Vida de Jesus Cristo dirigido por Nicholas Ray; e entre outros, "Barrabás"(1962), com Anthony Quinn numa impressionante interpretação.



QUO VADIS foi um estrondoso sucesso de bilheteria. No Brasil então, principalmente no Rio de Janeiro, invadiu as salas dos saudosos Cine-Metro durante meses, onde estreou em grande circuito a 25 de fevereiro de 1952. Uma superprodução realizada pouco depois do surgimento da Televisão nos EUA (que ameaçava às salas de cinema e que só veio a ser amenizada com a criação da técnica Cinemascope, para não perder a concorrência).

Henryk Sienkiewicz (1846-1916), o autor da obra literária
Poster da versão de 1924, com Emil Jannings como Nero


Extraído da obra literária publicada em 1897 pelo polonês Henryk Sienkiewicz (1846-1916), prêmio Nobel de Literatura em 1905, e anteriormente levada às telas três vezes na era do cinema mudo, sendo a mais famosa a de 1924, estrelado por Emil Jannings (1884-1950), como Nero. A primeira versão data de 1902, de Ferdinand Zecca (1864-1947), o mesmo pioneiro que dirigiu, em 1905, La vie et la passion de Jésus Christ, mas hoje a película esta perdida e não há maiores informações. A Segunda versão cinematográfica do romance de Sienkiewicz é de 1912.



Peter Ustinov. como o obscuro Nero, numa brilhante
performance do ator na versão de 1951.
Peter Ustinov como Nero (sentado), e seu conselheiro Petronius
(Leo Genn), e o comandante da Guarda Pretoriana Tigelino.
(Ralph Truman)
Na versão de Mervyn Leroy, Nero é interpretado de forma soberba por Sir Peter Ustinov (1921-2004), que foi indicado ao Oscar de ator coadjuvante junto com Leo Genn (1905-1978), que faz a parte de Petronius, seu conselheiro e autor da Obra Satyricon (não mencionada nesta versão a autoria da obra pelo personagem, mas abordado por Federico Fellini num filme homônimo).


Robert Taylor é o comandante e tribuno Marcus Vinicius
Marcus Vinicius (Robert Taylor) e sua amada Ligia (Deborah Kerr)
Na Roma do Século I, o oficial Marcus Vinicius (Robert Taylor, 1911-1969), sobrinho de Petronius (Leo Genn, 1905-1978), conselheiro de Nero (esplêndida performance de Ustinov), apaixona-se por uma ex-escrava cristã, Lygia (Deborah Kerr, 1921-2007), filha adotiva de um general e adepta do cristianismo emergente. Através dela, Marcus acata aos poucos a fé religiosa e indispõe-se com o regime de Nero e o paganismo romano. Sobre os detalhes técnicos, podem parecer muito pueris para os padrões cinematográficos de hoje as seqüências do martírio dos cristãos sendo devorados pelas feras no circo romano, devidamente mal feitas, mas o filme em si ainda consegue prender o espectador se souber também dar asas a sua imaginação, e sem contar aqueles que poderão também assisti-lo sob a ótica religiosa, e se emocionar pelo olhar da fé.


Marcus e Ligia presos nos ergástulos do circo de Nero
Trata-se, antes de qualquer coisa, de uma história de Amor, Intriga, Poder, Loucura, e é claro, Fé e Religião. O Incêndio de Roma e a loucura de Nero são retratados de forma convincente, e é impressionante a Marcha Triunfal do Palácio do Imperador, uma multidão de figurantes e extras bem organizados sob a supervisão dos diretores de Segunda Unidade (que controlavam tudo com tiros de pistola), pois não se sonhava sequer em computação gráfica ou coisas deste tipo que hoje proporcionam truques simples e menos custosos (mas não menos eficientes).

Ursus (Buddy Baer) luta com o touro para salvar sua
ama Ligia.
Destaque também para a luta do Gigante Cristão Ursus (interpretado pelo Lutador Buddy Baer, 1915-1986) contra um touro no Circo romano, para salvar Lygia, sua protegida, amarrada num tronco . Embora fascinante luta entre o gigante e o animal, esta versão de Quo Vadis foi a única a não respeitar o romance de Sienkiewicz, no tocante à cena em que Ursus enfrenta o touro na arena do circo de Roma.

Ligia (Deborah Kerr) em perigo
Ursus (Buddy Baer) preparado para confrontar o touro
na arena de Nero.

Na obra de Sienkiewicz, a amada de Vinícius é amarrada ao corpo do animal, completamente despida. Para defendê-la, Ursus teria que lutar com o touro mas, ao fazê-lo, colocaria em risco a integridade física de sua protegida, o que tornava sua tarefa ainda mais difícil. Aliás, era essa a intenção de Popeia, esposa de Nero (no filme, interpretada pela exuberante inglesa Patricia Laffan) ao planejar o cruel espetáculo.

Nero (Peter Ustinov) e a imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
A Imperatriz Poppea (Patricia Laffan)
Todas as demais versões cinematográficas respeitaram esse detalhe (salvo quanto à nudez da personagem, que nem mesmo a versão polonêsa de 2001 ousou adotar), menos a de Mervyn LeRoy, que preferiu colocar Lígia (convenientemente trajada) atada a um tronco fincado na arena, assistindo Ursus enfrentar o touro.


Os Apóstolos Pedro (Finlay Currie) e Paulo (Abraham Sofaer),
realizando uma missa nos arredores do Coliseu.

São Pedro (Finlay Currie) e sua benção urbi et orbi

A expressão Quo Vadis? é latina, e significa uma pergunta: “Aonde Vais?". Quando estavam na Via Appia (principal via de acesso a Roma) já fora da cidade, São Pedro (no filme de LeRoy, interpretado pelo irlandês Finlay Currie, 1878-1968) que estava com seu jovem discípulo Nazarius, avistou um homem que vinha em sentido contrário. Quando este se aproximou, Pedro reconheceu que era Jesus (segundo a tradição, apenas Pedro o viu), e perguntou para Jesus: “Dominus quo vadis”, que quer dizer: “Para onde vais, Senhor?”. Jesus respondeu que estava voltando para Roma para morrer com seu povo e ser crucificado pela segunda vez.

São Pedro (Finlay Currie) abençoa a união de Ligia (Deborah
Kerr) e Vinicius (Robert Taylor), que acaba se convertendo a
fé de Cristo.
Quando Pedro ouviu o que Jesus disse, entendeu que precisava voltar para Roma. Mesmo contrariando a vontade de seus amigos e seguidores, era mais importante atender a vontade do Senhor. Logo depois deste fato, Pedro foi capturado e morto, crucificado de cabeça para baixo na Colina Vaticana. Por curiosidade, esta passagem da visão de Jesus para Pedro se encontra no Evangelho apócrifo “Atos de Pedro”, que é um texto não oficial da Igreja, mas que serviu de base para Henryk Sienkiewicz compor sua obra literária.


Petronio (Leo Genn) exige de Nero que este assine seu
decreto contra os cristão para perpetuar na História.
Destaque também para a cena do incêndio em Roma que não deixa a desejar. Anthony Mann (1906-1967) dirigiu parcialmente esta sequência, infelizmente sem os créditos que lhe eram devidos.


Leo Genn, como o inesquecível Petronius.
Leo Genn dá vida a Petronius (ou Petrônio), em verdade um personagem histórico (Marcus Vinicius e Lygia são fictícios). Seu nome verdadeiro era Caius Petronius, e tinha o título dado pela corte imperial como o “Árbitro da Elegância”, devido ao seus modos refinados e educação esmerada. Petronius era um dos conselheiros do Imperador Nero, mas não nutria de amores pelo tirano.
Petronius e sua amada escrava Eunice (Marina Berti)
Nascido de uma família aristocrática e abastada, mostrou toda sua competência política ao ocupar os cargos de governador e depois o de cônsul da Bitínia, na atual Turquia. Depois ocupou o cargo de conselheiro de Nero, sendo nomeado arbiter elegantiae (árbitro da elegância), em 63. Dois anos mais tarde, acusado de participar na conspiração contra o imperador e caindo em desfavor, acabou com sua estranha vida, uma mistura de atividade e de libertinagem, no ano de 66 d.C., cometendo um lento e relaxado suicídio, abrindo e fechando as veias, enquanto discursava sobre temas joviais, mandando para Nero um documento no qual detalhava seus abomináveis passatempos.
A bela atriz italiana Marina Berti como Eunice
Henryk Sienkiewicz deu a Petronius uma legenda romântica em sua obra. Para ainda mais humaniza-lo, criou uma personagem fictícia, uma escrava das províncias da Espanha chamada Eunice, que no filme de 1951 foi interpretada pela bela atriz italiana Marina Berti (1924-2002), por quem o conselheiro imperial se apaixona. Tanto no romance de Sienkiewicz quanto nas versões cinematográficas da obra, ela comete suicídio junto com seu amado amo e senhor.


Eunice e Petronius, um amor que vai além da vida.
Sobre Petronius, na famosa obra Anais, o historiador Tácito (55 – 120 d.C) traçou uma imagem viva, que vale a pena ser lembrada e transcrita:



Petrônio consagrava o dia ao sono, e a noite aos deveres e aos prazeres. Se outros chegam à fama pelo trabalho, ele adquiriu-a pela sua vida descuidada.



Não tinha a reputação de dissoluto ou de pródigo, como a maioria dos dissipadores, mas a de um voluptuoso refinado em sua arte. A própria incúria, o abandono que se notava nas suas ações e nas suas palavras, davam-lhe um ar de simplicidade, emprestando-lhe um valor novo.



Contudo, procônsul na Bitinia e depois cônsul, deu prova de vigor e de capacidade. Voltando aos seus vícios ou à imitação calculada dos vícios, foi admitido entre os poucos íntimos de Nero e tornou-se na corte o árbitro do bom gosto: nada mais delicado, nada mais agradável do que aquilo que o sufrágio de Petrônio recomendava ao príncipe, sempre embaraçado na escolha.


Nero e sua corte, com uma maquete da "nova Roma".

Nasceu daí a inveja de Tigelino, o prefeito do pretório e poderoso conselheiro de Nero, que receava um concorrente mais hábil do que ele na ciência da volúpia. Conhecendo a crueldade do imperador, sua qualidade dominante, insinuou que Petrônio era amigo do conjurado Flávio Scevino; em seguida comprou um delator entre os escravos do acusado, sendo-lhe vedada qualquer defesa e mandando prender membros da sua família. O imperador encontrava-se então na Campânia e Petrônio tinha-o acompanhado até Cumes, onde recebeu ordem de ficar.



Ele, sabendo que o seu destino já estava marcado, repeliu tanto o temor quanto a esperança, mas não quis se afastar bruscamente da vida. Abriu as veias, fechou-as depois, abrindo-as novamente ao sabor da sua fantasia, falando aos amigos e ouvindo por sua vez, mas nada havia de grave nas suas palavras, nenhuma ostentação de coragem; não quis ouvir reflexões sobre a imortalidade da alma, nem sobre as máximas dos filósofos: pediu que lhe lessem somente versos zombeteiros e poesias ligeiras. Recompensou alguns escravos e mandou castigar outros; chegou a passear, entregou-se ao sono a fim de que sua morte, ainda que provocada, parecesse natural.


Não adulou no seu testamento Nero ou Tigelino ou qualquer outro poderoso do dia, como fazia a maioria dos que pereciam. Mas, em nome de jovens impudicos ou de mulheres perdidas, narrou as davassidões do príncipe e os seus refinamentos; mandou o escrito a Nero, fechado, imprimindo-lhe o sinete de seu anel, que destruiu a fim de que não fizesse vítimas mais tarde.”

Era esse o ambiente da corte de Nero. Porém havia nela um personagem desse mundo cheio de contrastes – Petrônio. A maioria de seus críticos admite que foi ele o “arbiter elegantiarum” da época, o autor do “Satiricon”.



E entre os muitos estudiosos interessados no assunto houve inclusive opiniões divergentes, mas o parecer mais acertado parece ter sido o do estudioso italiano Marchesi: “Petrônio, nos últimos momentos da vida, teria acrescentado alguma página ao seu romance, enviando-a ao imperador, feroz e desequilibrado, como presente de uma vítima aristocrática e refinada.

O filósofo Sêneca enviou alguma página de moral; Petrônio, a pintura e a descrição daquele mundo terrivelmente corrupto”. O Satiricon não nos chegou íntegro e sim fragmentário. Mesmo assim, o que ficou do mesmo basta para considerar as páginas de Petrônio como um monumento literário de incomparável beleza artística e de inestimável valor para a reconstrução da vida particular da antiga Roma.


Elizabeth Taylor chegou a ser Ligia nos primeiros takes de John Huston.
Gregory Peck, já escalado por John Huston, seria Marcus Vinicius.
Rodado nos estúdios de Cinecittá (o primeiro filme colorido saído desse estúdio), em Roma, pela Metro Goldwyn Mayer, então a mais poderosa Empresa de Cinema de Hollywood e a sua “Marca do Leão”, a versão cinematográfica de 1951 levou 12 anos em preparativos e começou a ser filmado em 1949, sob direção de John Huston, e os astros principais eram Gregory Peck (como Marcus Vinicius) e Elizabeth Taylor (como Lygia). Custou no total sete milhões de dólares, o mais caro filme produzido até então (E O Vento Levou, também da MGM, custou 4,5 milhões de dólares em 1939).  Porém, o Chefão da Metro, Louis B. Mayer (1884-1957), não gostou do roteiro, que queria um épico religioso aos moldes de Cecil B. DeMille, e não um tratamento moderno, no então momento, para Nero, assemelhando-o a Adolf Hitler em sua obstinada perseguição aos Cristãos, seu protótipo parceiro de loucura.


O lendário Louis B. Mayer, o chefão da MGM
B.Mayer chamou Huston à casa dele para uma reunião no café da manhã, e já que costumava buscar todos os argumentos nos bons tempos passados, começou a contar a Huston como tinha ensinado a fabulosa atriz e cantora Jeannete MacDonald a cantar “Oh, Sweet Mystery of Life” cantando “Eli, Eli” para ela. Em hebraico. Ela chorou. Mayer entoou aquela triste canção para o cineasta. Mais tarde, John Huston contou que Mayer havia dito que se ele pudesse dirigir Quo Vadis daquela maneira, que ele viria rastejando de joelhos e beijar suas mãos. Huston abandonou a direção, após uma série de diferenças com Louis B. Mayer, e gastos em Roma começaram a ficar dispendiosos (cerca de 2 milhões de dólares já haviam sido gastos e nada). Logo, Gregory Peck também abandonou o barco (acabou contraindo uma infecção nos olhos) e Liz Taylor (que alegou outros projetos mas acabou numa ponta de multidão no filme, com outra atriz que se tornaria famosa, Sophia Loren).


Nero mata sua esposa Poppea
As cenas principais foram todas rodadas em 1950, já com outros atores e diretor (Mervyn LeRoy), entretanto sequências adicionais e a montagem final retardaram a estreia nos cinemas americanos até novembro de 1951. Só Peter Ustinov e seu Nero foram mantidos. Mudados roteiro, diretor e atores centrais, a produção seguiu seu curso em Cinecittá durante 7 meses. 

O Diretor Mervyn LeRoy.
Assumindo Mervyn LeRoy a direção, este contratou 60 mil figurantes e os dirigiu com tiros de pistola, do alto de um guindaste sobre os estúdios de Cinecittá. Arranjou mais de 50 leões, todos que o pessoal da MGM conseguiu nos circos da Europa. LeRoy era um cineasta competente e admirado por Louis B. Mayer, que tinha supervisionado sucessos bem cuidados, como Alma do Lodo (Little Caesar), em 1931, o filme que decolou Edward G. Robinson ao estrelato.


Marcus Vinicius (Robert Taylor) alerta para o povo sobre
a corrupção de Nero.
Os Cristãos na arena, prontos para os leões.
Voltando a parte técnica da produção, foi dito que os efeitos da ação na sequência do martírio dos cristãos na arena sendo devorados pelos leões não é considerada das mais bem realizadas, o que é bem compreensível. O próprio diretor LeRoy, anos mais tarde, admitiu esta falha. Ele não conseguia fazer com que os leões simulassem a carnificina esperada, logo, ele teve que recorrer às mais antigas tradições de tapeação de Hollywood. Assim ele disse: “Enrolei, mandando os homens da equipe rechearem roupas com carne crua, de maneira que parecessem cristãos caídos no chão, então trouxemos os leões à força e eles comeram aqueles ‘corpos’. Reforcei com close-ups falsos de leões, feitos pelos técnicos, pulando sobre as pessoas de verdade. Funcionou, embora eu nunca tenha conseguido a cena exatamente como queria”.

Papa Pio XII
Mervyn LeRoy visitou o Papa Pio XII(1876-1958) e chegou a pedir para que benzesse o roteiro de Quo Vadis, que foi escrito por John Lee Mahin (1902-1984), S. N Behrman (1893-1973), e Sonya Levien (1888-1960)- e que por acaso, tinha levado consigo, e o papa pôs suas mãos sobre o script, murmurou algumas palavras em latim e disse em inglês: “Que seu filme tenha muito sucesso”. E foi profética tal afirmação do Papa.


Ligia (Deborah Kerr), com Ursus (Buddy Baer), Nazarius (Peter
Milles), e sua mãe Miriam (Elspeth March).
Mesmo sendo um tanto opressor para conquistar Ligia, esta ama
Marcus Vinicius.
Um superespetáculo produzido por Sam Zimbalist (1904-1958), que produziria também 8 anos depois outro retumbante épico, Ben-Hur, produção definitiva esta que o talentoso Sam não pôde acompanhar o sucesso e a glória de seus louros, pois pouco antes de terminadas as filmagens do monumental épico de William Wyler (1902-1981) e estrelada por Charlton Heston, Zimbalist teve um fulminante ataque do coração, vindo a falecer, em Roma, a 4 de novembro de 1958.


O Apóstolo Paulo (Abraham Sofaer) e Marcus Vinicius (Robert
Taylor).
Marcus e Ligia: Um amor a desafiar todo o Império Romano.
Peter Ustinov, numa performance imortal como Nero.


A partitura musical célebre de Miklos Rozsa (1907-1995) foi a primeira trilha sonora do cinema que obteve grande vendagem de discos, inclusive no Brasil, e ajudou a garantir a extraordinária popularidade desta refilmagem para o cinema contemporâneo.

QUO VADIS em grande circuito nos cinemas METROS do Rio
de janeiro em 1954.
Indicado para os Oscars de melhor fotografia, figurino, direção de arte, ator coadjuvante (para dois, Leo Genn e Peter Ustinov), montagem, e filme. O Romance ainda seria levado a tela por mais duas vezes. Em 1985, para a RAI, a Tv Italiana, em forma de minissérie, dirigido por Franco Rossi, tendo Klaus Maria Brandauer como o Imperador Nero, e Francesco Quinn, filho do ator Anthony Quinn, como Marcus Vinicius; e em 2001, na Polônia, terra natal do autor da obra literária, numa superprodução cinematográfica dirigida Jerzy Kawalerowicz e fidelíssimo ao livro, com 274 minutos de duração e exibida especialmente para o Papa João Paulo II e sua comitiva quando visitou a Polônia no mesmo ano.




A opulência deste superespetáculo reflete a qualidade do cinema hollywoodiano em seu período de ouro, contendo uma das mais grandiloquentes passagens já  registradas em filme épico, com a marcha triunfal das legiões romanas, os mártires cristãos do circo de Nero (baseado no Coliseu, onde Cinecittá reconstituiu com capacidade para 30.000 extras), e o incêndio de Roma.


FICHA TÉCNICA

QUO VADIS

(Quo Vadis)

País – Estados Unidos (filmado nos estúdios de Cinecittá, em Roma).

Ano: 1951

Gênero - Épico/Religioso

Direção: Mervyn Leroy, Anthony Mann (não creditado)

Produção: Sam Zimbalist, para a Metro Goldwyn Mayer.

Roteiro: John Lee Mahin, Sonya Levien, e S.N. Behrman, com base no romance de Henry Sienkiewicz.

Música: Miklos Rozsa

Fotografia: Robert Surtees, William V. Skall, em cores

Metragem: 168 minutos.

ELENCO:

Robert Taylor – Comandante Marcus Vinicius
Deborah Kerr – Ligia
Leo Genn –Petronius
Peter Ustinov – Nero, o Imperador
Patricia Laffan – Poppea
Finlay Currie – Apóstolo Pedro
Abraham Sofaer – Apóstolo Paulo
Marina Berti – Eunice
Buddy Baer – Ursus
Felix Aylmer – Plautius
Nora Swinburne – Pomponia
Ralph Truman – Tigelinio
Norman Wooland – Nerva
Peter Miles – Nazarius
Nicholas Hannen- Seneca
Rosalie Crutchley – Acte
Arthur Valge – Croton
Elspeth March – Miriam
Pietro Tordi – Galba
Walter Pidgeon – Narrador.

PRODUÇÃO E PESQUISA DE
PAULO TELLES
Matéria atualizada em 11 de fevereiro de 2017.

sábado, 6 de agosto de 2011

Nicholas Ray - Vida e Obra de um Cineasta.


Nicholas Ray tornou-se um cineasta de grande repercussão quando tratou da rebeldia dos adolescentes da década de 1950. Afinal, o rock and roll estava no auge, e grandes mitos dos jovens estavam começando a surgir, como Marlon Brando, James Dean, e Elvis Presley, que eram os referênciais de rebeldia, e num tempo em que isso era considerado um tabu no cinema norte-americano. Se por um lado não era tão admirado pela crítica hollywoodiana, pelo outro os europeus, sobretudo os franceses, o admiravam. Transparente e polêmico, seus trabalhos são reconhecidos graças a sua temática sobre os desajustados e os incompreendidos da Sociedade.

Contudo, Raymond Nicholas Kienzle, seu verdadeiro nome, nasceu a 7 de agosto de 1911, em Galesville, Wisconsin, e de início seu interessou em arquitetura e seu mestre foi o renomado Frank Lloyd Wright (1867 - 1959). Mas logo foi se interessar pelo teatro, atuando como ator em várias peças dirigidas por futuros cineastas que fariam história, como Elia Kazan (1909-2003) e John Houseman(1902-1988).

Começou a fazer cinema depois do término da Segunda Grande Guerra e seu primeiro filme data de 1948. Tornou-se rapidanmente um diretor com marcas distintivas fortes: heróis frágeis, palpáveis, que tentam sobreviver num mundo cuja chave de decifração eles não detêm. Nesse mundo, a onipresente violência física e mental convive com a possibilidade de uma paixão arrebatadora e irrestrita.


Seus primeiros filmes frequëntemente focalizavam tipos marginalizados como heróis. Em seu primeiro filme como diretor, o lírico Amarga Esperança, de 1948, Farley Granger (1925-2011) fazia o papel de uma asaltante de bancos indeciso em sua fuga com a namorada. Em No Silêncio da Noite, de 1950, Humphrey Bogart (1899-1957- foto) era um roterista auto-destrutivo acusado de assassinato. Em Cinzas que Queimam, de 1951, Robert Ryan (1909-1973) era um policial amargo, e Johnny Guitar, de 1954, trazia Joan Crawford (1905-1977) como uma conivente dona de saloon.


Em Cinzas que Queimam, a estrutura básica de Juventude Transviada estava montada: um policial (Robert Ryan), nitidamente afetado pelo desencanto e pelo ambiente em que vive, passa a agredir violentamente os criminosos que persegue. Depois do enésimo caso de violência acima do aceitável, ele é conduzido a uma investigação no campo onde encontrará uma mulher cega (Ida Lupino), por quem se apaixonará, mesmo que isso implique reconsiderar sua relação com a violência e seu poder auto-destrutivo. O talento e a fluência de Nicholas Ray para filmar essas cenas extremas, tanto os arroubos de violência quanto os delicados momentos da paixão nascente, não fascinou de primeira a crítica norte-americana, mas encantou os então jovens críticos da revista Cahiers du Cinéma, que trataram de classificá-lo como o mais importante cineasta do pós-guerra (Éric Rohmer, em sua crítica sobre Juventude Transviada, que em Portugal se chamou Fúria de Viver, Cahiers nº59). Jean-Luc Godard acreditava ser Ray a expressão pura do cinema.


Johnny Guittar foi outro ápice do grande cineasta. Não tendo boa receptividade nos EUA na época do lançamento (e foi lançado por um estúdio classe B em Hollywood, a Republic, responsável por muitos seriados de Cinema e pelos primeiros filmes B estrelados por John Wayne), mas aplaudido na França, o conflito central é em cima de duas mulheres fortes, que se odeiam. Joan Crawford e Mercedes McCambridge (1916-2004, premiada com o Oscar de Coadjuvante por "A Grande Ilusão", em 1949).

Ray sempre declarou que o sub-texto era lésbico, que elas haviam sido amantes e agora se enfrentam como inimigas. Somente o espectador poderá conferir e tirar suas próprias conclusões para julgar esta declaração.

Nicholas Ray vivia dentro de uma aparente contradição. Sob as poderosas e milionárias asas de Howard Hugues (1905-1976), ele passava ileso pela perseguição do Senado Americano aos comunistas (muito embora todos em Hollywood soubessem de suas tendências esquerdistas). Em contrapartida, o preço da liberdade era alto: Ray era obrigado a realizar trabalhos sob encomenda, de temáticas que pouco ou nada lhe diziam. Pertencem a essa fase filmes como Alma Sem Pudor (1950), estrelado por Joan Fontaine, amante da vez de Howard Hugues, e Horizonte de Glória (1951), veículo para John Wayne e cuja abordagem de extrema direita era diametralmente oposta às convicções políticas de Ray e de Robert Ryan, também astro do filme. Como uma espécie de funcionário de confiança da chefia, Ray também dirigiu vários trabalhos sem crédito para cineastas como Irving Reis, Chester Erskine, John Cromwell e Josef Von Stenberg.

Em Juventude Transviada, Nicholas Ray encontrou um ator perfeito para designar todos os estados de espírito com os quais mais gostava de trabalhar; James Dean (1931-1955) é ao mesmo tempo um rosto de criança abandonado pela vida e, inversamente, a possibilidade de uma explosão de violência quando menos se espera. Mal ou bem, os protagonistas mais importantes de Nicholas Ray, de 1949 a 1955, são adultos abandonados, como Sterling Hayden, Humphrey Bogart ou Robert Ryan, aliás, estes dois últimos eram os atores prediletos do diretor. Ray era um dos poucos cineastas que se dava bem em trabalhar com jovens e adolescentes, e tão poucos eram os diretores que tentaram conpreendê-los. Desde seu primeiro filme, Amarga Esperança" /They Live by Night, com Farley Granger e Cathy O’Donnell (1923-1970), não exatamente adolescentes, mas já se defrontando com a inadequação em um mundo adulto. E veio Juventude Transviada, em que Nicholas Ray tentou tão inteiramente compreender os jovens que até manteve um tórrido relacionamento amoroso com Natalie Wood, não respeitando nem a berrante diferença de 27 anos entre suas idades. Ele tinha 43 e ela 16. Dennis Hopper (1936-2010) queria matá-lo pois Natalie era, então, sua namorada, e ela tinha um temperamento volúvel.


O mais curioso e estranho nesse affair, é que Ray não procurou compreender o jovem e já incompreendido e violento Dennis Hopper, mas se entendeu bastante bem com James Dean e com Sal Mineo (1939-1976), dos quais se tornou grande amigo e mentor e Juventude Transviada/Rebel Without a Cause, deu o que falar e praticamente abriu as portas do cinema para analisar o comportamento dos jovens.


Por falar em análises, um ponto curioso é que o renomado cineasta quis fazer um close-up em cima de uma lenda do Velho Oeste, nada mais e nada menos do que Jesse James (1847-1882), tema que já havia levado às telas por Henry King em Jesse James, tempos de uma era sem Lei, de 1939, estrelado por Tyrone Power e Henry Fonda.


Quem foi Jesse James?/The True Story of Jesse James, filmado em 1956 e lançado em 1957. Ray pretendia que James Dean interpretasse Jesse James, uma vez que o diretor queria dar um tom de rebeldia à vida do lendário fora-da-lei. Contudo, Dean morreu tragicamente em 30 de setembro de 1955 com apenas 24 anos de idade num acidente automobilístico fatal, logo, Robert Wagner, sem o carisma de Dean acabou protagonizando Jesse James, enquanto seu irmão Frank foi vivido por Jeffrey Hunter (1925-1969).

Na versão de Jesse James de 1939, estrelada por Tyrone Power (Jesse) e Henry Fonda (Frank), os irmãos James tornaram-se malfeitores devido aos acontecimentos sócio-econômicos que ocorriam nos estados do Sul derrotados pelas forças nortistas americanas na Guerra Civil. Em Quem foi Jesse James?, Ray tentou mostrar que os irmãos foram atraídos para a criminalidade por não conseguirem se enquadrar num mundo em que os jovens não tinham vez, restando a eles apenas obedecer. Portanto Ray descobriu uma causa para os irmãos sulistas jovens e rebeldes.


A 20th Century-Fox, que produzira a versão de 1939 dirigida por Henry King, também produziu esta nova versão da vida do bandoleiro apresentada por Ray, que antes de Juventude Transviada já havia chamado bastante a atenção da crítica, especialmente com western Johnny Guitar. Mas a Fox não ficou satisfeita com o trabalho de Nicholas Ray nesta nova releitura sobre Jesse James, e drasticamente editou o filme, tirando do mesmo a interpretação psicológica que Ray havia dado ao filme sobre os personagens interpretados por Wagner e Hunter. A Fox reduziu esse western de 105 minutos originais para 92, o que fez com que o diretor nunca aceitasse The True of Story Jesse James como um filme seu e o relegasse a um plano inferior na sua cinematografia. Uma pena.

Insatisfeito, Ray se sentia cada vez mais boicotado pelo cinema norte-americano, e possivelmente, como muito de seus heróis jovens ou maduros incompreendidos. Após rodar Jornada Tétrica (1957, com Christopher Plummer, foto) e A Bela dos Bas-Fond (1958), resolver fazer empreendimentos na Europa, e seus dois últimos filmes foram duas superproduções rodadas na Espanha, dos quais não teve o controle total da direção:


Rei dos Reis/King of Kings, de 1961, é um belo filme sobre a vida de Cristo, cujo ponto culminante é a cena do Sermão da Montanha, e que Ray dirigiu com muita competência, locomovendo, além dos atores, sete mil figurantes. O diretor posicionou uma postura cênica hierática e comovedora cuja projeção é de 168 minutos e tendo Jeffrey Hunter (com quem trabalhou em Quem foi Jesse James) no papel de Jesus, e curiosamente Robert Ryan, um de seus atores favoritos, como João Batista. Com um roteiro político (escrito pelo politizado Philip Yordan, amigo de Ray), colocando Jesus e outros personagens bíblicos do Novo Testamento em seu verdadeiro cenário , dando enfâse à dominação romana na Judéia nos tempos de Jesus Cristo. Na película bíblica de Ray, a figura de Cristo é posta de forma solene e até reverêncial, tendo como objetivo exaltar a figura do Filho de Deus. Mas Nicholas Ray, já um veterano na arte da direção e da análise de seus personagens, fazia questão de que estes tivessem uma força rebelde, buscando seu próprio destino. Então poderíamos esperar o Cristo de Ray um rebelde com causa (opostamente ao personagem de James Dean em Juventude Transviada) pela busca do amor ao próximo e pela Redenção, ou digamos, um Jesus com sangue, suor e lágrimas.


Contudo, apesar do cineasta fazer algumas pesquisas em bibliotecas e catedrais de Madrid e Espanha para compor o seu “Cristo”, se deixou levar pelos trâmites do produtor Samuel Bronston (1908-1994), que mais tarde iria falir seus estúdios em terras espanholas, e pelo amigo e roteirista Philip Yordan (1914-2003- que foi seu colaborador em outras obras), com quem se desentendeu durante as filmagens, rompendo definitivamente a amizade. O resultado acabou convencional, e muito embora o público tenha gostado (a trilha sonora de Miklos Rozsa garantiu a popularidade do filme) e algumas entidades católicas também, a crítica americana malhou cruelmente o filme apelidando como eu fui um Jesus adolescente.



55 Dias em Pequim/55 Days at Peking, de 1963, sobre a ocupação dos ingleses e norte-americanos na China, na época dos boxers. A narrativa constrói-se em torno nos três personagens centrais, interpretados por Charlton Heston, David Niven, e Ava Gardner. O soldado (Heston) é, homem de ação; o diplomata (David Niven, 1909-1983), um negociador; e a condessa russa (Ava Gardner, 1922-1990), uma condessa decadente. A condessa se sacrifica e Heston se humaniza ao estender a mão para receber uma menina chinesa. Em suma, esta última película dirigida pelo diretor foi mais uma produção conturbada (também por Samuel Bronston) filmada na Espanha com capital bloqueado pela lei de Remessas de Lucro. Houve problemas com falta de dinheiro, dificuldades para recrutar centenas de figurantes asiáticos por toda a Europa, e pela total falta de afinidade do elenco (causada em especial pelas bebedeiras de Ava Gardner, em papel para o qual Charlton Heston queria Jeanne Moureau).

Cansado das pressões do excêntrico Bronston, Ray abandonou a direção da fita após sofrer um ataque cardíaco durante as filmagens, deixando a finalização para os não-creditados Andrew Morton, o diretor de segunda unidade, e o fotógrafo Guy Green. O Resultado foi pior do que com o Rei dos Reis, não agradando nem crítica e nem público, e não demoraria muito tempo o excêntrico e dispendioso Samuel Bronston fecharia seus estúdios em Madrid (mesmo com sucessos como El-Cid e A Queda do Império Romano, que apesar de boas arrecadações nas bilheterias, não fez Bronston recuperar a perda com 55 dias em Pequim) e voltaria para o Estados Unidos, onde viveu em seus últimos anos de vida em Sacramento, na Califórnia, e sem as excentricidades de outrora, onde faleceu em 12 de janeiro de 1994, aos 86 anos.


NA VIDA PESSOAL, Nicholas Ray se casou 4 vezes. A primeira com Jean Evans, entre 1930 a 1940, de quem se divorciou.jovem escritora com quem já vivia desde o início da década. No ano seguinte, nasceu Anthony, o primeiro filho do casal. Ray, no entanto, não conseguia ser o protótipo do marido fiel. Durante o casamento, Evans se habituou a ver seu marido envolvido em inúmeros casos amorosos (e nem sempre com o sexo feminino). O casamento durou até 1940. Segundo Casamento foi com a atriz Gloria Grahame (1923-1981, na foto), sua estrela de O Silêncio da Noite, entre 1948 a 1952, de quem também se divorciou.


Vale a pena contar para registro a relação entre Ray e Grahame.Tanto e tão imensamente Ray entendia os adolescentes que, quando encontrou seu filho do primeiro casamento, Anthony Ray (que se tornaria produtor), então com 13 anos, na cama com Gloria Grahame, Nicholas Ray não tomou nenhuma atitude passional, como teria tomado o personagem de Lee Marvin em Os Corruptos/The Big Heat que jogou café fervendo no rosto de Glória e deteriorou todo seu rosto.


Ray separou-se da inquieta atriz, e por felicidade ninguém saiu mortalmente ferido do escândalo. Contudo, podemos imaginar o quanto foi difícil para Ray ser trocado pelo filho já que Anthony Ray casou-se com Gloria Grahame em 1960 e com ela viveu por 14 anos, enquanto Gloria e Nick Ray ficaram casados apenas quatro anos. Gloria era uma madura mulher de 37 anos e o filho de Nicholas Ray mal tinha completado 20 anos quando se casaram. A única atitude de Nicholas foi pedir a guarda do filho Timothy que ele tivera com Gloria, para garantir sua segurança.

Terceira núpcias com a dançarina e coreógrafa Betty Utey, com quem se casou em 1958 e foi sua colaboradora também para alguns trabalhos do diretor que requeriam a dança, como A Bela do Bas Fond, de 1958, em que também atuou como atriz, e Rei dos Reis (1961) que coreografou a dança de Salomé, interpretada por Brigid Bazlen (1944-1989). Mais um casamento que acabou em divórcio. Sua última esposa foi Susan Ray, com quem se casou em 1969 e com quem viveu até o seu falecimento.

Abandonando a direção e Hollywood, Ray dedicou-se ao ensino universitário, lecionando Cinema e Direção até meados dos anos 70, quando descobriu que tinha câncer.

O antigo desafeto Dennis Hopper foi quem ajudou Nicholas Ray conseguindo que ele passasse a ministrar aulas na Universidade de Nova York. O homem que deu espaço para os jovens e seus problemas nas telas, era agora professor de cinema de alunos como Jim Jarmusch (diretor do controvertido western Dead Man, com Robert Mitchum). Como professor, Ray pedia aos seus alunos que fumassem maconha durante as aulas para melhor interpretar suas teorias. Aliás, drogas e cigarros foram minando cada vez mais a sua saúde ao longo do tempo.

Wim Wenders, que o admirava, o colocou em seu filme O Amigo Americano, de 1977, como ator, e co-dirigiu com ele o documentário Lightning Over Water, editado em 1980, e que reflete os últimos momentos de Nicholas Ray e sua luta contra o câncer, que finalmente o sucumbiu, em 16 de junho de 1979, aos 67 anos.Foi sepultado perto de sua mãe, em Wisconsin, Estados Unidos.

FRASES DO DIRETOR

Acredito que isso vem do sentimento segundo o qual nenhum ser humano, homem ou mulher, é sempre bom ou mal. O essencial em toda representação da vida é que o espectador, quando assiste, tenha o sentimento de que, nas mesmas circunstâncias, faria a mesma coisa que o personagem faz se estivesse na pele dele, sejam esses atos bons ou maus. As fraquezas do personagem devem ser humanas, pois se elas o são, os espectadores podem reconhecer nelas suas próprias fraquezas.

- sobre o mal existir em cada ser humano, em entrevista concedida a Charles Bitsch, Cahiers du Cinéma 89, novembro de 1958.

Existe violência em todos os meus personagens. Em todos nós, ela existe em potência. É por isso que eu prefiro os não-conformistas: o não-conformista é muito mais sadio do que aquele que por toda sua vida regula seu cotidiano, pois é aquele mais apto, no momento menos previsível, a explodir e matar o primeiro que aparecer.

- falando sobre a violência de seus personagens, em entrevista concedida a Charles Bitsch, Cahiers du Cinéma 89, novembro de 1958.



"O cinema é a melodia do olhar".
Nicholas Ray




FILMOGRAFIA
Segundo Wikipedia

1948 - They Live by Night (br: "Amarga esperança" / pt: "Filhos da noite")
1948 - A Woman’s Secret (br: "A vida íntima de uma mulher" / pt: "O íntimo segredo de uma mulher")
1949 - Knock on Any Door (br / pt: "O crime não compensa")
1950 - In a Lonely Place (br: "No silêncio da noite" / pt: "Matar ou não matar")
1950 - Born to Be Bad (br: "Alma sem pudor / pt: "A deusa do mal")
1951 - Flying Leathernecks (br: "Horizonte de Glórias" / pt: "Inferno nas alturas")
1951 - On Dangerous Ground (br: "Cinzas que queimam" / pt: "Cega paixão")
1952 - The Lusty Men (br: "Paixão de bravo" / pt: "Idílio selvagem")
1954 - Johnny Guitar (br / pt: "Johnny Guitar")
1955 - Run for Cover (br: "Fora das grades" / pt: "O fugitivo")
1955 - Rebel Without a Cause (br: "Juventude transviada" / pt: "Fúria de viver")
1955 - Hot Blood (br: "Sangue ardente" / pt: "Sangue cigano")
1956 - Bigger Than Life (br: "Delírio de loucura" / pt: "Atrás do espelho")
1956 - The True Story of Jesse James (br: "Quem foi Jesse James?" / pt: "A justiça de Jesse James")
1956 - Amère victoire (br: "Amargo triunfo" / pt: "Cruel vitória")
1958 - Wind Across the Everglades (br: "Jornada tétrica" / pt: "A floresta interdita")
1958 - Party Girl (br: "A bela do bas-fond" / pt: "A rapariga daquela noite")
1960 - The Savage Innocents (br: "Sangue sobre a neve" / pt: "Sombras brancas")
1961 - King of Kings (br: "O rei dos reis")
1963 - 55 Days at Peking (br / pt: "55 dias em Pequim)



Bibliografia: Revistas sobre cinema, site Cineplayers, Cinema de Hoje na TV com Paulo Perdigão, Site Wikipédia


Produção e pesquisa de Paulo Telles.