Mostrando postagens com marcador Marcartismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Marcartismo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 13 de junho de 2014

O Assassinato de um Presidente (1973): Complô para matar JFK.




Dalton Trumbo (1905-1976), uma das vítimas do Caça as Bruxas do Macartismo, escreveu O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE (Executive Action), obra política produzida em 1973, que buscou ser uma especulação plausível sobre os fatos secretos e um tanto misteriosos que desencadearam o tiroteio da Praça Dealey de Dallas, ao meio dia e meia do dia 22 de novembro de 1963, o cenário do assassinato do Presidente dos Estados Unidos John Fitzgerald Kennedy (1917-1963).


Segundo a versão de Trumbo, um grupo de ricos industriais e autoridades de extrema direita, compostas por Burt Lancaster (1913-1994), Robert Ryan (1909-1973), e Will Geer (1902-1978), planejaram e executaram o atentado, com a meticulosidade e a frieza de uma operação científica. Aliás, como diz literalmente o título original, orquestraram uma Ação Executiva. Vale destacar que os brilhantes Lancaster, Ryan, e Geer eram, na vida real, artistas filiados ao Partido Democrata Americano, o total oposto aos personagens que interpretam.




O tropismo pela violência é denunciado por Trumbo como um processo maligno no seio da história americana, embora venha a tratar, é claro, de mera hipótese ficcional com base em dados e dúvidas da realidade concreta. E a película busca revelar os desencantos da América contemporânea do mesmo modo que Trumbo traçou em Sua última façanha, estrelado por Kirk Douglas e produzida em 1963, um magnifico western moderno que ele escreveu para David Miller (1909-1992) e Edward Lewis, respectivamente diretor e produtor desta fita e que viriam a desempenhar as mesmas funções em  O Assassinato de um Presidente.



Não deixa de ser impressionante a liberdade de expressão que permitiu a confecção de uma obra como esta, investindo ostensivamente contra as verdades estabelecidas pelo Comitê Warren e oficializadas pelo governo de Washington. Um dos argumentistas do filme, Mark Lane, lançou em 1966 o livro  Rush to Judgment, famoso Best Seller da época, que defendeu a tese que que Kennedy foi alvejado por três tiros desfechados por franco-atiradores e não como reza o relatório de Warren, que Lee Harvey Oswald (1939-1963) teria sido demiúrgico e inocente bode expiatório para uma conspiração armada por um complexo industrial militar no reacionário meio sulista, e insatisfeito com o risco de uma dinastia Kennedy na Casa Branca, e com medidas inquietantes do presidente americano.



Tais medidas apontavam o tratado de interdição de testes atômicos, projeto de remoção de tropas do Vietnã, e a integração racial. O livro de Mark foi transformado em documentário homônimo, realizado em 1967 por Emilio de Antonio, e com texto e narração do próprio Lane. Logo, O Assassinato de um Presidente é um similar ficcional do livro Rush to Judgment, de Mark Lane.


Também imaginando um complô contra o presidente Kennedy, mas sem derramamento de sangue, Sete dias de Maio foi produzido pelo mesmo Edward Lewis (ainda vivo) e com o mesmo ator Lancaster (junto a Kirk Douglas), mas curiosamente a morte de John Kennedy obrigou Lewis, na ocasião, a protelar por alguns meses o lançamento do filme. Dez anos depois, O Assassinato de um Presidente, de 1973 trouxe as telas o último desempenho do notável ator Robert Ryan, que mesmo doente, já havia feito cinco filmes num curto espaço em seus últimos três anos de vida. Ator de envergadura e talento, Ryan brilhou no cinema até seu último suspiro, falecendo a 11 de julho de 1973, em Nova York.




Com O Assassinato de um Presidente, Mark Lewis estava ressurgindo com outra ficção política, tirando essa ou aquela suposição mais que discutível (como a mobilização de um sósia para incriminar Oswald, ligando seu nome peculiarmente a atividades subversivas) e a ausência de documentos disponíveis (faz falta o filme de 8 mm do alfaiate Abraham Zaprudor, decisivo para demonstrar que os disparos partiram também da frente da limusine presidencial). A versão aqui apresentada procura preencher as falhas do Relatório Warren, considerando não um, mas três franco-atiradores. E sem dúvida, concretiza na tela o pensamento da maioria dos espectadores que nunca aceitaram a versão oficial do crime em Dallas.



Em particular, causam impacto dois letreiros inseridos a título de informação complementar. O primeiro, na introdução da fita: Antes de sua morte, o Presidente Lyndon Johnson deu entrevista filmada de três horas à TV, em 2 de maio de 1970. Quando transmitida em rede nacional nos EUA, incluía mensagens de que certas partes tinham sido suprimidas à pedido do Presidente Johnson. Foi revelado que na parte censurada da entrevista, Johnson tinha demonstrado apreensão a respeito da afirmação de que Lee Harvey Oswald teria agido sozinho, e de que de fato, ele suspeitava de que teria havido uma conspiração no assassinato de John F Kennedy.


E o filme se encerra com outro letreiro: Nos três anos que se sucederam aos assassinatos de JFK e Lee Harvey Oswald, 18 testemunhas materiais morreram. Seis foram mortas a tiros, três em acidentes de carro, duas suicidaram-se, uma foi degolada, uma foi morta a golpe de Karatê no pescoço, três de ataque cardíaco, e duas de causas naturais. Um relatório feito pelo “London Sunday Times” concluiu que, no dia 22 de novembro de 1963, as chances dessas testemunhas estarem mortas até fevereiro de 1967, eram de 160 mil trilhões, para uma.

Passados mais de 40 anos de sua realização, O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE ainda influencia o espectador a uma opinião quanto à trama conspirativa sobre a morte de JFK, aliás, diversos filmes e livros ainda exploram muito bem sobre o tema.

Produção e Pesquisa de
Paulo Telles.

O ASSASSINATO DE UM PRESIDENTE
(EXECUTE ACTION)
Ano: 1973
País: EUA
Direção: David Miller
Produção: Edward Lewis
Roteiro: Dalton Trumbo
Fotografia: Robert Steadman (cores)
Metragem: 91 minutos

ELENCO:
Burt Lancaster- James Farrington
Robert Ryan    - Robert Foster
Will Geer    - Harold Ferguson
John Anderson -Halliday
Paul Carr    -Atirador
Ed Lauter    - Chefe de Operação
Walter Brooke- Smythe
Lee Delano - Atirador 2

sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Dia em que a Terra Parou – O Original: A Obra Utópica de Robert Wise.


Robert Wise (1914-2005) era um cineasta promissor desde que ficou conhecido como o montador de Cidadão Kane, de Orson Welles, iniciando sua carreira na direção em 1944, mas foi em 1949, com Punhos de Campeão (The Set-Up), considerado o melhor filme sobre a máfia do boxe na história do cinema, e estrelado por Robert Ryan, que Wise conseguiu sua consagração inicial. 


Como sabemos, em seu currículo há obras primorosas de admiração pública, como A Noviça Rebelde (The Sound of Music), Amor sublime Amor (West Side Story),  O Enigma de Andrômeda (The Andromeda  Strain), e Jornada nas Estrelas, o filme (Star Trek – The Motion Picture). Portanto, a obra em tópico aqui apresentada não é menos primorosa, pelo contrário, pois de maneira inteligente e em forma de utopia, aborda a questão nuclear de forma muito séria e competente: O DIA EM QUE A TERRA PAROU (The Day The Earth Stood Still).


Sem sombra de dúvidas, a década de 1950 foi a mais fértil para a ficção científica. Monstros atômicos e invasões interplanetárias refletiam nas telas a paranoia do governo norte-americano com sua fobia de comunismo e sua corrida nuclear armamentista. Mas mesmo assim, em meio a todo este transloucado Marcartismo doente, Wise lança em 1951 esta que é considerada a obra mais importante da Ficção Científica, estampando a defasagem entre as aspirações pacifistas da opinião pública, os riscos do militarismo americano, os riscos na era nuclear, a necessidade do desarmamento atômico, e a atmosfera do medo que assolava então os EUA.


Um emissário do espaço chega à Terra num disco voador e aterrissa em Washington. Klaatu (Michael Rennie, 1909-1971), o alienígena recém chegado, vem com o objetivo de prevenir os habitantes de nosso planeta a pararem de usar armas nucleares, pois isso pode afetar todo o universo. Se os líderes políticos e militares insistirem nisso, as consequências poderão ser as piores possíveis, culminando com a destruição total do nosso planeta.




Auxiliado por Gort, um implacável robô policial programado para desintegrar toda fonte de violência, Klatu tenta dar seu recado de forma pacífica, mas é alvejado por um tiro e pela histeria coletiva. Levado para um hospital, ele foge e mistura-se a classe média, sendo ajudado por uma viúva de guerra, Helen Benson (Patricia Neal, 1926-2010) e um professor, o físico Jacob Barnhardt (Sam Jaffe, 1891-1984).



A única forma que ele encontra de impressionar o povo da Terra é através de um efeito choque, pois durante meia hora, ele neutraliza a eletricidade no mundo todo. Depois disso, Klaatu é descoberto, perseguido, e morto, mas o robô Gort consegue ressucita-lo a fim de que possa, finalmente, anunciar a mensagem antibelicista (em verdade a mensagem que o filme de Wise expressa) para os Povos da Terra.




Muito respeitado pelos críticos, O Dia em que a Terra Parou foi não somente um marco na Ficção Científica, como também na Sétima Arte em geral. Além disso, foi a primeira vez que um extraterrestre não era apresentado como uma ameaça à vida na Terra, mas sim como um conselheiro pacifista. A fotografia de Leo Tover (1902-1964) procura realçar os contrastes de luz e sombra, como nos filmes do Expressionismo Alemão. Outro ponto alto são os diálogos, com frases brilhantes de Klaatu:

Minha missão não é resolver seus mesquinhos problemas de política internacional. Não falarei com nenhuma nação ou grupo de nações. Não pretendo trazer minha contribuição aos seus ciúmes ou suspeitas infantis”.

Ou, ainda, ao responder ao secretário- geral americano, quando este lhe diz que todos os líderes do mundo não se sentariam a mesma mesa:

A Burrice me deixa impaciente. Meu povo aprendeu a viver sem ela”.



O Dia em que a Terra Parou é um clássico que vem a provar que a ficção científica tem muito mais coisas a dizer e a mostrar do que batalhas galácticas ou monstros devastadores.  O filme retrata, sem subterfúgios, o conflito entre a ciência e o militarismo, e como uma fábula política, é um dos exercícios mais fascinantes já realizados no gênero, com o impactante comentário musical de Bernard Herrmann (1911-1975), o compositor preferido do Mestre do Suspense Alfred Hitchcock.



As palavras finais de Klaatu, no seu ultimato dos humanos, são bem mais significativas e devastadoras do que qualquer arma laser de algum herói intergaláctico. Um clássico que há exatos 61 anos vem demonstrando ao mundo sua durabilidade, o que torna ainda ser bem atual devido a muitos confrontos políticos e sociais que ainda vivemos. A refilmagem, de 2008, dirigido por Scott Derrickson e estrelado, por Keanu Reeves, além de ter sido um fracasso de bilheteria, foi imperdoável para os fãs do cinema antigo e seus apreciadores. Ainda bem que Robert Wise não viveu para tomar conhecimento, pois falecera três anos antes.

FICHA TÉCNICA
O Dia em que a Terra Parou - (The Day the Earth Stood Still)
Ano: 1951. Direção: Robert Wise.

Elenco:
·         Michael Rennie …. Klaatu/Carpenter
·         Patricia Neal …. Helen Benson
·         Hugh Marlowe …. Tom Stevens
·         Sam Jaffe …. Prof. Jacob Barnhardt
·         Billy Gray …. Bobby Benson
·         Frances Bavier …. Sra. Barley
·         Lock Martin …. Gort
·         H.V. Kaltenborn …. H.V. Kaltenborn
·         Elmer Davis …. Elmer Davis
·         Drew Pearson …. Drew Pearson
·         Gabriel Heatter …. Gabriel Heatter
·         
·         Título no Brasil: O Dia em que a Terra Parou
·         Título Original: The Day the Earth Stood Still
·         País de Origem: EUA
·         Gênero: Ficção
·         Tempo de Duração: 92 minutos
·         Ano de Lançamento: 1951

·         Direção: Robert Wise