Mostrando postagens com marcador Clint Eastwood. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Clint Eastwood. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Saga de Audie Murphy - Última Parte


A Saga chega ao fim. Vimos os altos e baixos deste grande pequeno notável, herói americano da II Guerra Mundial e astro dos filmes de faroeste que foi AUDIE MURPHY (1924-1971).  A Década de 1960 não foi muito produtiva na área cinematográfica, mas em contrapartida, ele tinha outros investimentos e empresas, que o fez tornar-se um homem rico. Também investiu na TV, onde foi o astro de uma série de TV com apenas 26 episódios, intitulada Whispering Smith. Esta série não chegou ao Brasil.

Enfrentou a dependência de calmantes, tinha pesadelos, e dormia com uma pistola debaixo do travesseiro, pois sofria do que hoje é conhecido como síndrome pós-traumática, por conta de suas lembranças de guerra. Contudo, ele foi vitorioso e se livrou do vício do Placidyl, um poderoso sonífero que facilmente mal medicado causa dependência.

Seus westerns na década de 1960, apesar de bem badalados para seus fãs, não trouxeram repercussão da crítica, e Audie até arriscou um “macarrônico” levado pela moda dos faroestes europeus então em voga, Bandoleiro Temerário. Mas nada disso ajudou a alavancar sua carreira no cinema, e como se não bastasse seus negócios fora das telas também não iam muito bem.

Audie produziu um filme chamado A TIME FOR DYING, tendo como diretor seu amigo Budd Boetticher (1916-2001), que enfrentou diversos problemas para sua exibição e ele precisava de capital para levar o projeto adiante. Durante este tempo, enfrentou um processo judicial, quando foi acusado de tentativa de homicídio numa briga de bar. Audie foi absolvido sob o aplauso do juiz por conta de sua argumentação.

Contudo, o destino do ator estava encurtando.

Nesta última parte, vamos reproduzir os comentários do ator e dublê Neil Summers, retirado de seu prefácio no livro The Films and Career of Audie Murphy, de Sue Gossett, bem como também o convite para interpretar um vilão no filme de Don Siegel. Sua trágica morte, e seu legado para o povo americano.


Esta é a saga de AUDIE MURPHY.

Episódios anteriores desta saga:

PARTE 1

PARTE 2



AUDIE MURPHY POR NEIL SUMMERS

Ator, dublê, e escritor, Neil Summers (nascido em 1944, na Inglaterra) dedicou umas linhas no prefácio do livro The Films and Carerr of Audie Murphy, de Sue Gossett, publicado em 1996.  Aqui no artigo, será reproduzido este texto. Vamos a ela:


Em meus 30 anos como profissional, trabalhei em muitos dos filmes de Audie Murphy. Na realidade, foi em Arizona Raiders (Cavaleiros da Bandeira Negra), que eu consegui me associar ao Screen Actor’s Guild (Associação dos atores de Cinema) por fazer uma queda de escadas em uma filmagem no Apache Junction, no Arizona. Mesmo com o fato de Audie e eu não conversarmos muito entre as filmagens, eu mantive contato e recebi muitas propostas de trabalho em outros filmes; o ponto alto foi em um papel como membro de uma gang em A Time for Dying (Gatilhos da Violência), dirigido pelo grande amigo de Audie, Budd Boetticher. Outros filmes foram planejados, mas infelizmente esta foi a última aparição de Audie nas telas.


Durante minha vida em sets de filmagem, eu conheci e trabalhei com quase todas as grandes estrelas que existiram nas últimas três décadas, mas existia um sentimento muito especial enquanto trabalhei nas filmagens com Audie. Eu acredito que muita desta fascinação tem a ver com suas façanhas na guerra. Um companheiro e eu frequentemente discutíamos o que Audie havia passado durante a guerra...o que ele teria visto, o que teria vivido, e o que teria feito para sobreviver, enquanto todos os outros perto dele estavam sendo mortos. Tudo isso antes mesmo dele ter dezoito anos de idade. Todos nós sabíamos que ele foi profundamente afetado pela guerra, mas vendo ele brincar nos sets de filmagem, você jamais diria.


Todos na equipe, mesmo os outros atores, gostavam muito de Audie e tinham muito respeito por ele. Era uma pessoa amiga, ainda que naturalmente reservada com as pessoas que não conhecia, e não era um homem de se esquecer. Trabalhava duro em seus filmes e esperava que todos ao seu redor fizessem o mesmo. Audie conhecia suas armas, conhecia seu diálogo, conhecia seus limites, e acima de tudo, conhecia seus cavalos. Tudo isso é mostrado no produto final: seus filmes são muito bem reconhecidos até hoje, seja nas telas de cinema ou na televisão.


Muitas das pessoas que trabalharam com ele, assim como atores, diretores, e etc, já faleceram. Seu antigo dublê, Jim Sheppard, foi morto pulando um obstáculo em Comes a Horseman (Raízes da Ambição), alguns anos atrás.


Eu ainda me lembro exatamente onde eu estava quando recebi a notícia do trágico acidente em que Audie estava. Nós estávamos filmando em Tucson, Arizona, as cenas de Dirty Little Billy quando recebemos a notícia. Permaneceu um silêncio por algum tempo, e então toa a equipe começou a acordar para o que havia acontecido quando uma pessoa que conhecia Audie falou: “um miserável acidente de avião conseguiu fazer o que todo exército alemão nunca conseguiu.” Com isto, todos nós aplaudimos para Audie. Quando o dia de trabalho havia terminado, alguns de nós estávamos “tremendo” e então fomos para um bar falar das boas lembranças que tínhamos de Audie. Nós rimos muito de algumas de suas brincadeiras (uma de suas favoritas era colocar cobras de borracha nas bolsas ao lado das cadeiras dos atores) e falamos sobre como sentiríamos saudade de nosso verdadeiro herói americano.


Audie Murphy não era um ator tentando ser homem. Audie era um homem que já era ator. Infelizmente faltam homens como ele neste país, e jamais se passa um dia sem que eu pense nele, e em como ele me impressionava e como ele era uma ótima pessoa comigo. Audie Leon Murphy era verdadeiro e eu sou muito orgulhoso de tê-lo conhecido.

Neil Summers
Sherman Oaks, Califórnia.



O final trAGICO

Na metade de 1970, absolvido da absurda acusação de “tentativa de assassinato” quando apenas se defendia de seu agressor em uma briga de bar, Audie Murphy via que seus negócios não estavam indo bem, mas ele apostava tudo em seu último empreendimento: o filme Gatilhos da Violência (A Time for Dying), que ele produziu e que queria divulgar. Quando finalmente chegou as salas de cinema pouco depois de sua morte, o público se emocionou com o desempenho (embora de poucos minutos) de Audie como um velho Jesse James,e há quem diz que foi um dos melhores personagens que ele interpretou. Fãs e amigos sempre diziam que Audie era muito bom ator, mas infelizmente, nunca teve a chance de mostrar o quanto talentoso ele realmente era.


Uma prova disso esta no convite feito pelo cineasta Don Siegel (1912-1991) para Audie interpretar o vilão Scorpio em Perseguidor Implacável/Dirty Harry, em 1971, estrelado por Clint Eastwood como implacável investigador Harry Callahan, o “sujo”.  Siegel e Audie já haviam trabalhado juntos em Onde Impera a Traição/ The Duel at Silver Creek, em 1952, e em Contrabando de Armas/Gun Runners, em 1959.. Siegel achou que seria irônico um verdadeiro herói de guerra e um astro dos faroestes americanos interpretar um assassino psicopata. O diretor ofereceu o papel a Audie, mas este nunca pôde lhe dar uma resposta ou dar uma decisão, devido ao seu fim trágico. Logo, o papel acabou nas mãos de Andrew Robinson.



No final de uma viagem de negócios, Audie Murphy morreu em um desastre de avião a 28 de maio de 1971, devido a uma grande tempestade perto de Galax, Virginia, a umas vinte milhas a oeste de Roonoke. Por ironia do destino, ele morreu no dia do aniversário de sua mãe.



PAMELA ARCHER, viúva do Herói, abraçada a bandeira dos EUA que cobriu o caixão do marido, ao lado do filho Terry
GRANDE ENCONTRO: JFK e AUDIE MURPHY.
Devido ao isolamento do local, levou alguns dias para que o avião e passageiros fossem achados. Audie Leon Murphy, o Herói Nacional da II Guerra Mundial, o astro dos filmes de faroeste, o querido cowboy com cara de menino que a tantos cativou, foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, destinado a heróis de guerra como ele e a personalidades ilustres da memória americana, como o Presidente John Kennedy. Audie recebeu todas as honras militares. Dentro das celebridades presentes ao funeral estava o ex-presidente americano George Bush, na época embaixador dos Estados Unidos. Sua esposa Pamela recebeu do soldado a bandeira americana que estava sobre o caixão do marido, e ao lado dela seus filhos Terry e James, que prestaram uma emocionante despedida para o pai. A primeira esposa de Audie, a atriz Wanda Hendrix, também compareceu ao sepultamento.




A ÚLTIMA MORADA DO GUERREIRO.
O Túmulo de Audie é o segundo mais visitado no Cemitério Nacional de Arlington, só perdendo para o túmulo do Presidente John Kennedy. Na lápide, se encontra escrito: Audie L. Murphy, Texas, Major de Infantaria, Segunda Guerra Mundial, 20 de junho, 1924 – 28 de maio, 1971, medalhas de honra: DCS-SS & OLC; LM-BSM & OLC; PH & 2 OLC (DCS Distinguished Services Cross; SS – Silver Star; LM-Legion of Merit; BSM – Bronze Star Medal; OLC- Oak Leaf Cluster; PH – Purple Heart).


Desde a morte de Audie Murphy, muitas homenagens foram atribuídas a ele. A mais marcante de todas foi dedicada a 17 de novembro de 1973: o Audie L. Murphy Memorial Veteran Hospital, em San Antonio, Texas. Uma estátua de uma tonelada de bronze e oito pés de Audie, trabalhado pela escultora Jimilu Mason, que era uma de suas admiradoras.



INSTITUTO REGIONAL DE TREINO MILITAR AUDIE MURPHY - TEXAS
Dentro do hospital que leva seu nome, existe um museu que relata a vida de Audie Murphy, além de objetos pessoais como uniformes, livros e fotos. O museu foi remodelado com o passar dos anos e definitivamente vale uma visita. Mesmo antes da homenagem do hospital, já existiam vários memoriais, estátuas, poemas, e letras de músicas em sua honra.



A 16 de março de 1996, o National Cowboy Hall of Fame e Western Heritage Center, localizados na cidade de Oklahoma, deram grande reconhecimento a Audie por sua fabulosa contribuição aos filmes de faroeste. Após sua morte, Murphy foi reconhecido no Hall of Fames Westerns Performers, a galeria da fama dos atores do gênero. Sua foto na galeria da fama esta junto com a de tantos outros ícones fabulosos das telas, ao lado de John Wayne, Gregory Peck, Barbara Stanwyck, e outros mais.



Este reconhecimento se dá principalmente ao fato de seus fãs terem escrito pedindo para que ele fosse homenageado. O Western Heritage Center mantém viva as lembranças e homenageia as mais ricas heranças do faroeste americano e honra aqueles indivíduos que suas vidas foram baseadas em valores como: honestidade, integridade, e auto suficiência.

NADENE MURPHY, com o quadro de seu famoso irmão
Com isso, no 35º anual de prêmios para heranças do faroeste, as irmãs de Audie, Billie Murphy Tindol e Nadene Murphy receberam o prêmio. Audie conseguia fazer chorar até mesmo olhos de vidro – relatou a irmã de Audie em seu discurso. Isto provocou risos na plateia e reconheceram que Murphy tinha um ótimo senso de humor. Em que lugar sem ser na América, um jovem sem educação básica pode ir para a guerra, se tornar um herói mundial e uma estrela de cinema, sem ser aqui neste maravilhoso Estados Unidos? – concluiu Nadene.




Audie encenou papéis de muita força em sua carreira no cinema. Sua aparência como um homem seguro, mesmo com cara de menino, e na maior parte das vezes sempre ao lado da justiça, mostrado em seus westerns, foi parte da história do faroeste americano. Ele manejava difíceis e complexas situações com autoconfiança e segurança que ele mesmo explorava nos campos de batalha. Seus oficiais companheiros de luta o rotularam como “o soldado dos soldados”. Murphy tinha tanto amor pelo exército que em meados da década de 1950, ele fez um pronunciamento público, promovendo um programa de seis meses para todos os jovens garotos que se interessassem e fossem aptos para tal.




Audie era uma pessoa reservada e modesta que não revelava seus sentimentos mais íntimos. Uma vez, ele disse o seguinte sobre si próprio: Fui abençoado com uma super abundante sorte”.



Decerto, tanto o povo norte americano, militares, e os fãs de seus westerns, irão manter o nome de AUDIE MURPHY vivo, de geração a geração, e os Estados Unidos nunca se esqueceu deste homem que tanto fez por seu país. Se uma única só pessoa lembra dele, esquecido jamais será.




Pamela Archer Murphy, a viúva de Audie, sobreviveu a memória do querido marido por quase 40 anos e não casou novamente, e ao longo destes anos, ela, os filhos, e os parentes sobreviventes de Murphy, foram forças motrizes para a perpetuação de sua memória. Pamela faleceu a 8 de abril de 2010, aos 86 anos.




DECLARAÇÃO DE CORAGEM E FÉ


Audie recebeu várias condecorações por sua bravura, inclusive a Cruz de Honra, da Bélgica, e a Cruz de Guerra da França, que eram símbolos de vitória. Apesar do peso e do valor destas medalhas, Audie sempre declarou que “os verdadeiros heróis são aqueles com cruz de madeira”, declarando com isso, que os verdadeiros combatentes são aqueles que creem em Deus e em Jesus Cristo, e que além de tudo, possuem fé. 


FILMOGRAFIA

GRANDES ENCONTROS: AUDIE MURPHY, ROY ROGERS E EDDIE ARNOLD
1948: Código de Honra (Beyond Glory)
1949: Caminho de Perdição (Bad Boy)
1950: Serras Sangrentas (Sierra)
1950: Cavaleiros da Bandeira Negra (Kansas Raiders)
1950: Duelo Sangrento (The Kid from Texas)


1951: A Glória de um Covarde (The Red Badge of Courage)
1952: Onde Impera a Traição (The Duel at Silver Creek)
1953: Jornada Sangrenta (Column South)
1953: A Morte tem seu Preço (Gunsmoke)
1953: Ronda da Vingança (Trumblewed)


1954: Tambores da Morte (Drums Across the River)
1954: Traição Cruel (Ride Clear of Diabolo)
1954: Antro de Perdição (Destry)
1955: Terrível como o Inferno (To Hell and Back)
1956: Honra de Selvagens (Walk the Proud Land)
1956: O Mundo entre Cordas (World um My Corner)


1957: O Renegado do Forte Petticoat (Guns for Fort Petticoat)
1957: A Rosa do Oriente (Joe Butterfly)
1957: Passagem da Noite (Night Passage)
1958: Na Rota dos Proscritos (Ride a Crooked Trail)
1958: Contrabando de Armas (The Gun Runners)
1958: Um Americano Tranquilo (The Quiet American)


1959: Antro de Desalmados (The Wild and the Innocent)
1959: Um Homem Contra o Destino ou A Sombra do Mal (Cast a Long Shadow)
1959: Balas que não Erram (No Name on the Bullet)
1959: Whispering Smith (Série de TV com 26 episódios)
1960: Com o Dedo no Gatilho (Hell Bent for Leather)


1960: O Passado Não Perdoa (The Unforgiven)
1960: Matar por Dever (Seven Ways from Sundown)
1961: Sangue na Praia (Battle at Bloody Beach)
1961: Quadrilha do Inferno (Posse from Hell)
1962: Gatilhos em Duelo (Six Black Horses)


1963: War is Hell (como narrador)
1963: Abatendo Um a Um (Showdown)
1964: Pistoleiro Relâmpago (The Quick Gun)
1964: Batalha em Riacho Comanche (Título da TV) ou Fúria de Brutos (Gunfight at Comanche Creek)


1964: Balas para um Bandido (Bullet for a Badman)
1964: Rifles Apaches (Apache Rifles)
1965: Bandoleiros do Arizona (Arizona Raiders)
1966:  Bandoleiro Temerário (The Texican)
1966: Matar ou Cair (Gunpoint)


1966: Missão Secreta no Cairo (Trunk to Cairo)
1967: Os Rifles da Desforra (Forty Guns to Apache Pass)

1970: Gatilhos da Violência (A Time for Dying)


AGRADECIMENTOS
A ESTRELA DE AUDIE NO CALÇADÃO DA FAMA, EM HOLLYWOOD

A SAGA DE AUDIE MURPHY chega ao fim com sensação de dever cumprido, e na certeza que o biografado tem muitos admiradores no Brasil, o espaço não poderia deixar de lhe prestar este tributo, através do editor e do parceiro
JORGE LUIS DO NASCIMENTO

Amigo de longa data do redator deste blog, que teve um papel fundamental para a construção deste artigo em quatro partes, emprestando para o editor material de seu acervo particular para as pesquisas. Graças a sua admiração por Audie Leon Murphy desde menino. que fez ele sugerir compor uma matéria especial  sobre este consagrado herói e ídolo do faroeste americano.
PAULO TELLES - EDITOR


As quatro partes atualizadas em 28 de maio de 2019

**********************************************


sexta-feira, 31 de maio de 2013

Tributo a Clint Eastwood pelo seu aniversário.

FOTO AUTOGRAFADA DEDICADA PARA EDIVALDO MARTINS, do
CINECLUBE DOS AMIGOS DO WESTERN. FOTO PUBLICADA SOB LICENÇA DO PROPRIETÁRIO



Uma das grandes lendas VIVAS do cinema completa hoje mais um ano de vida, e uma vida cheia de lutas e glórias. Um profissional que não se deixou abater pelo avanço da idade e que continua firme e forte em seus projetos, um exemplo para seus amigos, colegas de profissão, e fãs.  Uma sincera homenagem a CLINT EASTWOOD, ator, produtor e diretor.


******************************************************************************************************


Seu nome verdadeiro é Clinton "Clint" Eastwood, Jr, nascido a 31 de maio de 1930, em São Francisco , Califórnia, filho de Margaret Ruth (1909-2006) e Clinton Eastwood (1906-1970), um operário metalúrgico. De ascendência escocesa, inglesa, alemã e irlandesa, sua família era de classe média e protestante.

Trabalhou em várias profissões, assim como seu pai, por toda a costa oeste dos Estados Unidos. Durante sua adolescência, morou em Piedmont, uma pequena cidade californiana, e em 1949 realizou seu sonho de se formar na Universidade de Oakland. Após o término da faculdade, trabalhou como atendente em um posto de gasolina, foi bombeiro e tocou piano em um bar de Oakland.


Foi convocado ao exército em 1950, mas seu avião caiu em São Francisco. Ele escapou gravemente ferido e ficou por meio ano prestando depoimentos para a investigação da causa da queda. Este acidente fez com que não fosse para a Guerra da Coreia. Eastwood começou sua carreira como ator, fazendo pequenas aparições em filmes pequenos, como Revenge of the Creature, Tarantula e Francis in the Navy. Em 1958, ele conseguiu seu primeiro papel oficial no filme, Ambush at Cimarron Pass, o qual considerou um filme muito fraco. Em 1959, ele trabalhou com James Garner em um episódio da série Maverick.



Após isso, Eastwood se dedicou somente a trabalhar na TV com a série de western Couro Cru - Rawhide, na qual interpretava o personagem Rowdy Yates, que Eastwood na época descrevia seu papel como "O idiota das Planícies". Ele dividia a Série ao lado de Eric Fleming (1925-1966), cujo papel era mais importante do que o de Clint, embora este seja o segundo nome no elenco. A série foi ao ar até 1965.


Mas foi graças a esta série televisiva que a estrela de  Clint acabaria de encontro com o cineasta Sergio Leone (1929-1989), que introduziria o chamado Western Spagheti, um novo estilo de se fazer faroestes bem diferentes dos americanos. Em 1964 Sergio Leone tinha conseguido 200 mil dólares para rodar seu primeiro western que se chamaria Por um Punhado de Dólares. Pensou em Henry Fonda, James Coburn, e Charles Bronson para o papel principal, mas os três recusaram.

ERIC FLEMING, PARCEIRO DE CLINT NA SÉRIE DE TV COURO CRU

Indicaram então Leone a Eric Fleming, o astro principal da série de TV  Couro Cru.  Mas Eric pediu 50 mil dólares para participar do filme, mas Leone recusou a pagar seu preço. Por sua vez, Leone ofereceu o papel a Clint Eastwood, o companheiro de Eric Fleming, com a oferta de 15 mil dólares, quantia esta que foi aceita por Eastwood, que acabou virando um grande astro. Eric Fleming, por sua vez, saiu da série Couro Cru, e foi filmar no Peru, onde acabou morrendo tragicamente em um acidente de filmagem, afogado num rio da floresta amazônica, aos 41 anos de idade. 




Daí, Eastwood começou a ter destaque após interpretar o misterioso Homem sem nome na trilogia dos dólares de Sergio Leone. Os filmes Por um punhado de dólares (1964), Por uns dólares a mais (1965), e Três Homens em Conflito (1966) foram um verdadeiro sucesso em terras italianas e norte-americanas, em especial o último, que fez Clint Eastwood se tornar famoso mundialmente.

Eu gosto do Clint Eastwood porque ele tem somente duas expressões faciais. Uma com o chapéu e outra sem ele. –Palavras de Sergio Leone.



Solidado como um astro americano destacado  nos westerns europeus, Clint resolveu produzir e estrelar, em 1968 e de volta aos Estados Unidos, uma fita inspirada em Sergio Leone, mas para dirigir a obra, chamou o diretor Ted Post, (ainda vivo, aos 95 anos), um velho conhecido que chegou a dirigir com Clint alguns episódios da série Couro Cru. A Marca da Forca/Hang’ em High veio a se tornar o mais spaghetti dos westerns americanos, e com uma sensacional trilha sonora de Dominic Frontiere.


Em O Desafio das Águias/Where Eagles Dare , em 1968, ele dividiu o papel principal com Richard Burton (1925-1984). Seu salário chegou a US$ 800 000. Dirigido por Brian G. Hutton (ainda vivo, e também ex ator), por traz das filmagens houve histórias interessantes: Antes das filmagens começarem, Richard Burton estava passando uma semana no mesmo hotel em que estava Clint Eastwood hospedado, e Burton o convidou, 10 da manhã, para beber.


Burton, já inchado de tanto álcool, bebeu até a noite três ou quatro garrafas de scotch e fumou mais de três maços de cigarro. Considerado um dos atores mais caros daqueles tempos, marido de Elizabeth Taylor, Burton, enquanto bebia, ria muito, contava piadas e recitava, de fogo, trechos imensos de Shakespeare.


No mesmo ano, Clint se uniu pela primeira vez ao cineasta Don Siegel (1912-1991), em Meu nome é Coogan/Coogan’s Bluff. Neste, Clint desempenhava um xerife de uma pequena cidade que tentava colocar a lei na grande Nova Iorque. O filme foi controverso por sua apelação à violência, mas iniciou uma parceria que duraria por mais de dez anos com Siegel.


Em 1969, Clint trabalhou em um western musical, chamado Os Aventureiros do Ouro/Paint Your Wagon, ao lado de Lee Marvin (1924-1987) e Jean Seberg (1938-1979).  Foi um fracasso de bilheteria, mas que acabou lucrando tempos depois após ser vendido em VHS e DVD.



No começo dos anos de 1970, o filme de guerra Os Guerrilheiros Pilantras/Kelly's Heroes,  e o western dirigido por Don Siegel Os Abutres tem Fome/Two Mules for Sister Sara, ao lado de Shirley Maclaine, combinaram comédia com ação. 


Em O Estranho que nós amamos/The Beguiled, novamente com direção de Siegel, Clint interpreta um soldado da união durante a Guerra Civil, gravemente ferido que é salvo à beira da morte por uma adolescente. A garota leva-o para a escola onde mora, um internato feminino, fazendo com que as professoras e as colegas entrem em pânico pelo perigo de manter um inimigo em casa. À medida que o rapaz se recupera, a vaidade das moças se aguça, provocando intrigas e transformando o ambiente. 


Mas o principal passo para Eastwood se tornar uma estrela de Hollywood veio em 1971 quando ele montou sua companhia de filmes, a Malpasso, e decidiu dirigir seu primeiro filme.  Perversa Paixão/Play Misty for Me foi um suspense sobre um radialista que vivia perseguido por uma fã. 




Um dos maiores sucessos da carreira de Clint viria com o inspetor policial Harry Callahan em Perseguidor Implacável/ Dirty Harry, que é considerado o melhor filme de Siegel. O amargo e mal-humorado Callahan (papel este destinado anteriormente a Frank Sinatra)  fez com que o filme fosse um sucesso absoluto de bilheteria nos Estados Unidos. Dirty Harry originou várias sequências, sempre com altos lucros: Magnum 44/Magnum Force (1973),  Sem Medo da Morte/The Enforcer (1976), Impacto Fulminante/Sudden Impact (1983) e Dirty Harry na Lista Negra/The Dead Pool (1988).



Eastwood fez dois importantes filmes de western durante esta década. O Estranho Sem Nome/High Plains Drifter (1973) e Josey Wales, o Fora da Lei/The Outlaw Josey Wales (1976). O primeiro trazia um personagem estranho e sem nome, o qual muitos acreditam que seria uma reencarnação do homem sem nome da Trilogia dos dólares, nos filmes de Sergio Leone. Além disso, tinha os mesmo hábitos e costumes.




Breezy de 1973 foi o primeiro filme em que Eastwood dirigiu mas não atuou como ator. A estrela principal foi William Holden (1918-1981). Em 1975, Clint dirigiu e fez o personagem principal em Escalado para Morrer/The Eiger Sanction. Eastwood estrelou no filme Rota Suicida/The Gauntlet, produzido em 1977. Clint interpretava um policial que deveria escoltar uma prostituta de Las Vegas até Los Angeles para testemunhar contra um assassino.





Em 1978, Clint estrelou Doido para Brigar, Louco para Amar/Every Which Way But Loose uma comédia em que Clint, aos 48 anos, esbanjava ótima forma física ao interpretar um caminhoneiro e lutador. O filme teve enorme sucesso e foi aclamado por críticos de todo mundo. Com a popularidade em alta, ganhou uma sequência, Punhos de Aço/ Any Which Way You Can. Entre estes dois filmes, foi produzido o western moderno  Bronco Billy .





Em 1982, Eastwood estrelou, produziu e dirigiu o filme Firefox, a Raposa de Fogo/Firefox,  que tratava da guerra fria.  1983, Um agente na Corda Bamba/Tightrope, onde interpretava um policial não muito durão, ao contrário de Dirty Harry, que estava caçando um assassino de prostitutas em New Orleans. No ano seguinte, ao lado de Burt Reynolds e Rip Torn em Cidade Ardente/City Heat, um criminal humorístico passado em Chicago na época da Lei Seca.


Em 1985, Eastwood reviveu o gênero western dirigindo e estrelando o filme O Cavaleiro Solitário/Pale Rider, interpretando um pregador cujo passado de pistoleiro vem a tona quando resolve ajudar uma família, uma reminiscência de Shane,  de George Stevens (1953). 



Em 1986, dirigiu e atuou no polêmico O Destemido Senhor da Guerra/Heartbreak Ridge, onde interpreta um sargento veterano condecorado na Guerra da Coréia e no Vietnã, que a beira da reforma, não conseguia se adaptar em tempos de paz, mas ao ser escalado para treinar soldados para invasão de Granada (fato ocorrido em 1983), ele impõe sua experiência de guerra a seus recrutas.  Apesar da linha apolítica adotada, que a muitos críticos sugeriu uma apologia velada da política intervencionista e do espírito militarista americano, o departamento de Defesa e a Marinha dos EUA (Que colaborou na produção do filme), fizeram campanha contra a fita de Clint, alegando “profanação” (há uma cena em que o personagem de Eastwood mata um inimigo ferido pelas costas).



O último filme da série Dirty Harry foi feito em 1988, com o título Dirty Harry na Lista Negra/The Dead Pool. Este não se comparou com o sucesso dos filmes anteriores em termos de bilheteria. 



Eastwood alternou entre filmes de comédia como Cadilac Cor de Rosa/Pink Cadillac e Um Profissional do Perigo/The Rookie, este, com Charlie Shen, Raul Julia (1940-1994) e a nossa Sonia Braga, e ainda fez longas com assuntos pessoais como em Bird, de 1988,  a história do saxofonista Charlie “Bird” Parker (1920-1955), que lhe deu uma indicação para Palma de Ouro no Festival de Cannes. Em 1989, Clint estrelou e dirigiu o filme Coração de Caçador/White Hunter Black Heart, no qual fazia um papel inspirado em John Huston. O filme recebeu boa aceitação dos críticos.




No início dos anos de 1990, Eastwood dirigiu e estrelou seu último western, Os Imperdoáveis/Unforgiven, onde teve o papel de um pistoleiro viúvo até então regenerado, que para poder sustentar seus filhos, volta a pegar em armas. O filme foi co-estrelado por Gene Hackman, Morgan Freeman e Richard Harris (1930-2002).Clint dedicou o filme a memória de Sergio Leone (falecido em 1989) e Don Siegel (que faleceu em 1991) nos créditos finais, que foram seus grandes mentores e amigos, que lhe deram muitas experiências de direção. Após um imenso sucesso de bilheteria, esta obra de Clint (que resgatou o gênero western por um certo período) foi indicada a nove Oscars e ganhou quatro, incluindo os de melhor filme e melhor diretor (para Clint Eastwood). A partir daí, Hollywood se rendeu ao talento do nobre ator e diretor. 


Em 1993, Clint fez o papel de um ex-agente do FBI no longa Na Linha de Fogo/In the Line of Fire dirigido por Wolfgang Petersen. O filme foi um dos dez mais vistos do ano na época.


Eastwood dirigiu e co-estrelou com Kevin Costner Um Mundo Perfeito/A Perfect World. Ele continuou a expandir seus conhecimentos em Hollywood após o A Ponte de Madison/The Bridges of Madison County (1995), onde ele atuava com Meryl Streep. Baseado em um best-seller (de Robert James Waller), foi também sucesso de bilheteria.


No início do ano 2000 lançou o filme Cowboys do Espaço/Space Cowboys, que também estrelava Tommy Lee Jones, James Garner, e Donald Sutherland. Clint interpretava Frank Corvin, um ex-engenheiro da NASA que é chamado para uma última missão.


Em 2004, Clint estrelou, produziu e dirigiu Menina de Ouro/Million Dollar Baby. Com 74 anos, foi a celebridade mais velha a receber o prêmio de melhor diretor. No mesmo filme, Eastwood foi indicado para melhor ator, mas o prêmio foi para Jamie Foxx. No ano 2006, dirigiu dois filmes sobre a batalha de Iwo Jima na Segunda Guerra Mundial. O primeiro foi A Conquista da Honra, focado no homem que ergueu a bandeira dos Estados Unidos no topo do monte Suribachi. O segundo, Cartas de Iwo Jima, tratava das táticas japonesas, e as cartas que escreviam às suas famílias. Os dois filmes foram bem recebidos pelos críticos, e foram indicados ao Oscar, incluindo melhor diretor e melhor filme por Cartas de Iwo Jima.


Em 2008, Eastwood dirigiu o filme Changeling, que trazia Angelina Jolie no papel principal. No ano seguinte, estrelou o filme Gran Torino. Além de ser o protagonista, Clint dirigiu e produziu o longa. Foi lançado em janeiro de 2009, obtendo mais de 30 milhões de dólares na primeira semana de exibição nos Estados Unidos, fazendo de Clint o ator mais velho a conseguir um primeiro lugar em bilheterias. A fita ainda arrecadou mais de 245 milhões até abril de 2009, e é o filme com maior sucesso comercial da carreira de Eastwood, onde resgata seus velhos tempos de Durão, tal qual como o mundo o conheceu em muitos de seus personagens e filmes de sucesso. 


O DIRETOR

Eastwood tem conquistado grandes elogios dos críticos como diretor. Seu primeiro trabalho foi no filme Perversa Paixão/Play Misty for Me em 1971. Ele tentou dirigir um episódio da série americana Couro Cru/ Rawhide, mas seus pensamentos não combinavam com os do dono do estúdio, que acabou desistido da oferta. Aliás, quando Eastwood passou a dirigir, havia um certo preconceito contra ele. "Mas como, diziam as pessoas, o diretor é aquele cowboy?".


Clint Eastwood tornou-se popular por dirigir grandes filmes que já podem até ser considerados grandes clássicos do cinema, tais como Os Imperdoáveis, Um Mundo Perfeito, Menina de Ouro.e  Cartas de Iwo Jima. Algumas de suas escolhas para dirigir um filme foram pessoais, outras comerciais.


Eastwood produziu a maioria de seus filmes, e destacou-se por quase todos serem de orçamento baixo. Ao longo dos anos, desenvolveu relações com outros diretores e produtores. Clint prefere trabalhar sempre com a mesma equipe de produtores, editores e técnicos. Tem uma longa relação com a Warner Bros, estúdio que financia a maioria de seus filmes. Mesmo assim, em 2004, Eastwood declarou ao The New York Times que tem certa dificuldade para fazer a Warner aceitar alguns de seus projetos, como aconteceu com Menina de Ouro/Million Dollar Baby.

Enquanto está dirigindo, Clint evita conversar, e somente usa as palavras "OK", "Ação" e "Corta".


PRÊMIOS E INDICAÇÕES

Eastwood tem um total de oito indicações  ao Oscar. Venceu como melhor diretor e melhor filme em Os Imperdoáveis e Menina de Ouro. Suas outras nomeações foram para Mystic River e Cartas de Iwo Jima. Também foi indicado para melhor ator em Os Imperdoáveis e Menina de Ouro. É a única pessoa a ser indicada duas vezes a melhor diretor e ator no mesmo filme  (no caso, estes dois últimos) É um dos cinco diretores em vida (junto com Ang Lee, Miloš Forman, Oliver Stone e Steven Spielberg) a ter ganho dois Oscars por melhor diretor.

Ele dirigiu dois atores, Tim Robbins e Morgan Freeman, que receberam o Oscar de melhor ator (coadjuvante/secundário) em dois anos seguidos. Robbins ganhou em 2003 por Mystic River e Freeman em 2004 pelo seu papel em Menina de Ouro.


Em 6 de dezembro de 2006, o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, indicou Clint ao Hall da fama da Califórnia. No início de 2007, Eastwood foi condecorado como cidadão de honra na França. Na época, o presidente francês, Jacques Chirac, disse que Eastwood era "O melhor de Hollywood".

Em 22 de setembro de 2007, Clint Eastwood foi premiado como músico de honra no Berklee College of Music, em Monterey. Após receber o prêmio, ele discursou, e disse: "É uma das maiores honras que já tive".

Em janeiro de 2009, Eastwood recebeu o prêmio de melhor ator por seu papel em Gran Torino pela National Board of Review. No dia 29 de abril de 2009, o governo do Japão anunciou que Eastwood irá receber a Ordem do Sol Nascente

Em novembro de 2009, Clint recebeu a Ordem Nacional da Legião de Honra.


VIDA PESSOAL

Eastwood foi casado duas vezes e tem cinco filhas e dois filhos, de cinco mulheres diferentes. Kimber (nascida em 1964), com Roxanne Tunis; Kyle (nascido em 1968) e Alison (nascida em 1972), no casamento com sua ex-esposa Maggie Johnson; Scott (nascido em 1986) e Kathryn (nascida em 1988), com a aeromoça Jacelyn Reeves; Francesca Ruth (nascida em 1993), com a atriz Frances Fisher (que atuou com Clint em Os Imperdoáveis), e Morgan (nascida em 1996), com sua atual esposa Dina Ruiz. Viveu com a atriz Sondra Locke de 1976 a 1988, sem terem filhos.

CLINT E FRANCES FISCHER
CLINT E SONDRA LOCKE
Eastwood possui um campo de golfe, localizado em Carmel. O clube possui somente 300 membros, e a entrada custa $500 000 dólares americanos. É vice-presidente do mundialmente famoso Pebble Beach Golf Club. Eastwood também possui um rancho, um hotel e um restaurante na cidade de Carmel.

ATUAL ESPOSA: DINA RUIZ

AS FILHAS MAIS NOVAS

Eastwood é um audiófilo, conhecido pelo seu amor pelo jazz. Tem uma grande coleção de LPs. Seu interesse pela música, motivou seu filho Kyle a ser músico de jazz. Participa do instituto de defesa aos animais. Clint tem dois netos: Clinton (filho de Kimber) e Graylen (filha de Kyle).


POLÍTICA

Eastwood foi prefeito da cidade americana de Carmel, no estado da Califórnia. A população era na época de aproximadamente 4000 pessoas e totalmente destinada a comunidade artística. No dia da eleição, 8 de abril de 1986, com o dobro de eleitores da votação passada, Eastwood obteve 72,5% dos votos. Seu salário era de $200 dólares americanos. Durante seu mandato, ele tentou ponderar os direitos de instituições de preservação do meio ambiente contra o desenvolvimento da cidade por empresas locais. Eastwood decidiu não concorrer para um segundo mandato em virtude do importante número de decisões necessárias para um prefeito de uma pequena cidade. Durante seu mandato, ele produziu os filmes O Destemido Senhor da Guerra e Bird. 

COM RONALD REAGAN (ENTÃO PRESIDENTE DOS EUA) E JUNTO O ATOR LOUIS GOSSETT JR, EM UM EVENTO REPUBLICANO DE 1987.

Clint é membro do partido republicano, ao qual é filiado desde 1951. Ajudou na campanha de Richard Nixon à presidência de 1968, e se autodescreve como libertário. Votou em Arnold Schwarzenegger para governador da Califórnia em 2003 e 2006. Nas eleições presidenciais nos Estados Unidos da América em 2008, Clint fez campanha para John McCain.


CLINT & CHARLTON HESTON

Eastwood certa vez fez uma piada com Michael Moore, no jantar anual da National Board of Review em Janeiro de 2005. Clint disse: "Michael Moore e eu temos muito em comum, nós dois apreciamos viver em um país com grande liberdade de expressão. Mas Michael, se você chegar na frente da minha casa com uma câmera, eu irei matar você". Isso foi uma referência à controversa entrevista do amigo de Clint, Charlton Heston, no filme documentário Tiros de Columbine/Bowling for Columbine, realizado por Moore em 2004, na qual, mesmo sendo bem recebido pelo veterano ator em sua casa, então com 82 anos e ex-presidente da Associação Nacional do Rifle, O "Sr". Michael Moore o abusou de perguntas e praticamente invadiu o lar e a privacidade de Heston, que nesta época já estava com sua saúde debilitada. 

CHARLTON HESTON CUMPRIMENTANDO CLINT (JUNTO, WALTER MATHAU) EM UM VERNISAGE.  ANOS DE 1980

Heston e Clint eram bastantes amigos. Na cerimônia do Oscar de 1972, Heston, que era um dos quatro anfitriões da noite (os outros eram Carol Burnett, Michael Caine, e Rock Hudson), chegou atrasado 15 minutos, e foi substituído por um Clint Eastwood que estava nervoso, que declarou: “Aqui tem referências de Chuck (apelido de Heston) como Moisés e Ben-Hur, mas não entendo muito bem destes filmes, pois foram escolher um sujeito que mal falou 12 palavras em 12 filmes”- disse falando dele mesmo. Quando Charlton chega a cerimônia, ele sobe ao palco e cumprimenta sorridente o amigo Clint, que da mesma forma o faz reciprocamente.

Em 1983, Clint Eastwood pensou em produzir um remake de Pistoleiros do Entardecer, obra Western de Sam Peckinpah, estrelada por Joel McCrea e Randolph Scott. Eastwood ofereceu ao amigo Heston o papel que foi de Randy e Clint faria o papel que foi de McCrea, contudo, infelizmente o projeto não foi avante.


CLINT & JOHN WAYNE

No decorrer de 1973, Clint Eastwood enviou uma carta a John Wayne (1907-1979) sugerindo que fizessem um Western juntos, que seria dirigido e estrelado pelo próprio Clint, mas após assistir O Estranho sem nome, Wayne não gostou nem um pouquinho do estilo revisionista e violento daquele Western. Duke não só recusou o convite  como também aproveitou a chance para criticar o trabalho do companheiro de profissão. A parceria não aconteceu e o maior prejudicado foi, sem dúvida, o público, ou, quem sabe, o próprio John Wayne.

ACIMA, AO MEIO, JOHN WAYNE, ENTRE YVE MONTAND (DIREITA) E ROCK HUDSON  (A ESQUERDA). ABAIXO VEMOS LEE MARVIN (A ESQUERDA) E CLINT EASTWOOD (A DIREITA). FESTA DE ANIVERSÁRIO DA PARAMOUNT - 1969

Em 1989, dez anos após a morte do Duke, uma pesquisa realizada por uma revista de cinema apontou Clint Eastwood como o novo sucessor de John Wayne. No entanto, este apesar de admira-lo, jamais quis se comparar ou sequer substituir o grande astro. Na verdade, Clint tinha como ídolo o ator Gregory Peck (1916-2003), do qual considera sua melhor atuação em O Matador/The Gunfighter. As performances vindas de Clint para compor seus durões, segundo ele, se inspiravam em Gregory Peck nesta película.


 LEGADO PARA POSTERIDADE

Não gosto de filmes tremidos, com câmera na mão. Há exceções, é claro, quando a tremedeira faz parte da própria concepção estética como nos casos dos filmes de Lars von Trier, entre poucos notáveis. E a coisa piora quando, além de tremidos, os filmes são picotados com tomadas curtas. Não dando, com isso, tempo para se absorver o que se encontra dentro da tomada. Mas parece que o público gosta. E a estética do videoclipe já se incorporou aos filmes mais comerciais. Se compararmos a produção comercial (repito: comercial) de Hollywood de trinta anos atrás com a atual a diferença qualitativa é enorme. Antes, havia filmes com temas adultos, espalhados nos gêneros.  Podia-se ir ao cinema todos os dias e a programação era bem regular. Atualmente é impossível, pois reina o lixo, com as raras exceções de praxe. E o cinema nacional, salvando também as sempre honrosas exceções de praxe, está praticando a apologia da marcha a ré. Viram E aí, entendeu?

Clint Eastwood.


Não resta a menor dúvida que ele é um dos mais autênticos cineastas do cinema americano (e por que não dizer um de todos os tempos?), além de um ator carismático, afinal, Clint segue a tradição dos grandes mestres e nunca quis incorporar, em seus filmes, firulas e floreios estilísticos. Sua narrativa sempre é bela, ainda que direta e quase muscular. Ao longo de quase 60 anos de carreira, Clint demostrou ser de tudo um pouco como ator: Foi Soldado, policial, detetive, aventureiro, lutador, cowboy, presidiário – mas talvez tenha sido como diretor que ele definitivamente pôde expandir sua sensibilidade e sua visão sobre o Mundo. 

Para se ter uma ideia, o script  de  Os Imperdoáveis ficou engavetado por quase 20 anos pelo próprio Clint que detinha os direitos para filmagem e que só não realizou antes porque “queria amadurecer” mais para fazer o papel do ex pistoleiro Will Munny. Mas seria este um amadurecimento físico ou um amadurecimento interno, para não somente compor o personagem como também para apresentar às plateias a realidade das duras penas do sofrimento? Sim, com Clint nada é bonito somente, pois o belo tem que vir acompanhado da dor e da verdade, e de alguma maneira, o ser humano seguir atrás daquilo que ele acha justo e correto.  Clint se revela um poeta ao narrar a conquista do ser humano como também a perda, de um modo lírico sem ser florido. Daí que o Clint, do outrora filme de ação e dos magníficos westerns de Leone em sua trilogia, e dos policiais eletrizantes de Siegel, em sua interpretação frente às telas deu lugar ao diretor que escondia uma sensibilidade que até antes Hollywood e a Sétima Arte nunca tinham visto. O legado de Clint Eastwood certamente esta garantida e sua obra, imortalizada para sempre. Parabéns, Clint! Muita saúde e energia por longos anos, é o que eu desejo e seus demais admiradores!

Produção e Pesquisa de Paulo Telles
atualizado em 31/5/2014

FILMOGRAFIA
EM ORDEM DECRESCENTE.

Como Ator

2004 - Menina de Ouro (Million Dollar Baby)
2003 - Sobre Meninos e Lobos (direção)
2002 - Dívida de sangue (Blood work)
2000 - Cowboys do espaço (Space cowboys)
1999 - Crime verdadeiro (True crime)
1997 - Poder absoluto (Absolute power)
1996 - Wild Bill: Hollywood Maverick
1995 - Gasparzinho, o fantasminha camarada (Casper)
1995 - As pontes de Madison (Bridges of Madison County, The)
1994 - Don't Pave Main Street: Carmel's Heritage (voz - narrador)
1993 - Um mundo perfeito (A perfect world)
1993 - Na linha de fogo (In the line of fire)
1992 - Os Imperdoáveis (Unforgiven)
1990 - Rookie - Um profissional do perigo (Rookie, The)
1990 - Coração de Caçador (White hunter, black heart)
1989 - Cadillac cor-de-rosa (Pink cadillac)
1988 - Dirty Harry na lista negra (Dead pool, The)
1986 - O Destemido Senhor da Guerra (Heartbreak ridge)
1985 - O Cavaleiro Solitário (Pale rider)
1984 - Um Agente na Corda Bamba (Tightrope)
1984 - Cidade Ardente (City heat)
1983 - Impacto Fulminante (Sudden impact)
1982 - Raposa de fogo (Firefox)
1982 - Honkytonk man (Honkytonk Man)
1980 - Bronco Billy (Bronco Billy)
1980 - Punhos de Aço (Any which way you can)
1979 - Alcatraz - Fuga Impossível (Escape from Alcatraz)
1978 - Doido para brigar, louco para amar (Every which way but loose)
1977 - Rota suicida (Gauntlet, The)
1976 - Josey Wales, o fora-da-lei (Outlaw Josey Wales, The)
1976 - Sem medo da morte (Enforcer, The)
1975 – Escalado para Morrer (Eiger sanction, The )
1974 - Thunderbolt and Lightfoot
1973 - Magnum 44 (Magnum Force)
1972 - Joe Kidd (Joe Kidd)
1972 - O estranho sem nome (High plans drifter)
1971 - Perversa paixão (Play misty for me)
1971 - Beguiled, The
1971 - Perseguidor Implacável (Dirty Harry)
1970 - Os Guerreiros Pilantras (Kelly's heroes)
1969 - Os aventureiros do ouro (Paint your wagon)
1969 – O Desafio das Águias (Where eagles dare)
1969 - Os Abutres Têm Fome (Two mules for sister Sara)
1968 - Meu nome é Coogan (Coogan's bluff)
1967 - A marca da Forca (Hang 'em high)
1966 - Três Homens em Conflito (Good, the bad and the ugly, The)
1966 - The Witches
1965 - Por uns dólares a mais (For a few dollars more)
1964 - Por um punhado de dólares (A fistful of dollars)


1958 - Lafayette escadrille
1958 - Ambush at Cimarron Pash
1957 - Escapade in Japan
1956 - Away all boats
1956 - Never say goodbye
1956 - First traveling saleslady, The
1956 - Star in the dust
1955 - Francis in the Navy
1955 - Revenge of the creature
1955 - Lady Godiva
1955 - Tarantula


Como Diretor

. The Blues (2003) - série de TV, episódio 'Piano Blues'
. Sobre Meninos e Lobos (2003)
. Dívida de sangue (Blood work) (2002)
. Cowboys do Espaço (Space cowboys) (2000)
. Crime verdadeiro (True crime) (1999)
. Meia Noite no Jardim do Bem e do Mal (1997)
. Poder Absoluto (Absolute Power) (1997)
. As Pontes de Madison (The Bridges of Madison County) (1995)
. Um Mundo Perfeito (A Perfect World) (1993)


. Os Imperdoáveis (Unforgiven) (1992)
. Um Profissional do Perigo (The Rookie) (1990)
. Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart) (1990)
. Bird (1988)
. O Destemido Senhor da Guerra (Heartbreak Ridge) (1986)
. 'Amazing Stories' (1985) - série de TV Series, episódio 'Vanessa in the Garden'
. O Cavaleiro Solitário (Pale Rider) (1985)
. Impacto Fulminante (Sudden Impact) (1983)
. Honkytonk Man (1982)
. Raposa de fogo (Firefox) (1982)
. Bronco Billy (1980)
. Barreira de Fogo (The Gauntlet) (1977)
. Josey Wales - O Fora da Lei (The Outlaw Josey Wales) (1976)
.  Escalado para Morrer (The Eiger Sanction (1975)
. Breezy (1973)
. High Plains Drifter (1973)
. Perversa Paixão (Play Misty for Me) (1971)