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segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Manto Sagrado (1953) : O Primeiro Sucesso em Cinemascope.


Um dos primeiros filmes rodados no processo Cinemascope surgiu para botar a televisão para escanteio. Tudo porque este então novo veículo de comunicação ameaçava o cinema, e as salas de exibição tornavam-se cada vez mais vazias.O conforto de se ver televisão em casa provocava medo na industria de filmes, e donos de estúdios, produtores, cineastas, e artistas, se mobilizavam para não perderem concorrência com a telinha.



Parecia que a Sétima Arte estavam com seus dias contados. Os recursos que os grandes produtores encontraram para evitar a extinção do cinema e perder a concorrência com a TV foi expandir o formato de seus filmes. Devemos lembrar que, após o Cinemascope, ainda surgiram os processos Vistavision e Panavision (Câmera de 65mm, como foi rodado Ben-Hur), e ainda o Techinirama 70mm, ambos os formatos visavam transformar grandes produções em mega-espetáculos, e nada como filmes com temáticas históricas ou grandes épicos para fazer a alegria do público. Sem essas técnicas, jamais existiria o formato Widescreen, que percorre hoje a grande maioria dos DVDS lançados no Mercado.
Henri Chrétien, inventor do "Sistema Hypergonar", que daria origem 30 anos depois ao surgimento do CINEMASCOPE.

O curioso que o Cinemascope já era um processo antigo antes de seu lançamento oficial nos anos de 1950. Brilhantemente, Darryl F. Zanuck (1902-1979), o chefão da 20ª Century Fox, encontrou a solução para sobrepujar a concorrência com a telinha, quando se lembrou do invento do francês Henri Chrétien (1879-1956), patenteado em 1927, com o nome de Sistema Hypergonar, que consistia basicamente numa câmara de lente anamórfica, capaz de criar imagens destinadas a uma tela duas vezes maior que a tradicional. Aperfeiçoando e "estereofonizado", o processo criado por Chrétien ressurgiu com o nome de Cinemascope, e rendendo uma fortuna aos cofres da Fox.



Com esta vitória da Indústria Cinematográfica Hollywoodiana, que conseguiu com isto promover a volta do público para as grandes salas, O Manto Sagrado/The Robe ficou na história como o primeiro filme a ser lançado no formato Cinemascope, levando plateias no mundo inteiro aos cinemas, e um dos filmes mais exibidos nos feriados de Páscoa em muitos cinemas do Brasil (em alguns lugares, ficou em cartaz por quase 10 anos)- e também era filme garantido de toda Sexta-Feira Santa nas antigas "Sessão da Tarde" da televisão . No entanto, é justamente no televisor que o filme perde impacto visual, pois a telinha deforma o Cinemascope, perdendo os enquadramentos originais.

Richard Burton como o tribuno romano Marcellus Gallio.
Nos últimos anos do reinado de Tibério (Ernest Thesiger, 1879-1961), quando Roma era a "dona do mundo", Marcellus Gallio (Richard Burton, 1925-1984) é um tribuno que está sempre envolvido com jogos ou mulheres.

Além disto tem uma rixa pessoal com Calígula (Jay Robinson, 1930-2013), o herdeiro do trono. A situação se complica quando Marcellus oferece, em um leilão de escravos, a absurda quantia de três mil moedas de ouro por Demétrio (Victor Mature, 1913-1999), que também estava sendo disputado por Calígula.

Victor Mature como o escravo Demétrius de Corinto.
Jay Robinson como o insano imperador Calígula

Ao se ver derrotado por Marcellus, Calígula encara isto como uma afronta pessoal e então manda o tribuno ir servir imediatamente em Jerusalém, na Palestina, considerado o pior lugar do império. Entretanto, devido a motivos políticos, após pouco tempo em Jerusalém o tribuno é chamado de volta por Tibério. 


Richard Boone como Pôncio Pilatos
Mas, antes de partir, recebe de Pôncio Pilatos (Richard Boone, 1917-1981) a missão de supervisionar a execução de uma sentença: a crucificação de Jesus Cristo. Finda a tarefa, ele e outros soldados disputam em um jogo de dados próximo à cruz a posse do manto vermelho usado pelo mártir. Marcellus vence mas o manto fica com Demetrius, pois quando Gallio tentou usar o manto algo o afligiu de forma indescritível. Demétrius, que já tinha se tornado um cristão, lhe tirou o manto e disse que jamais o serviria novamente, pois ele tinha crucificado seu mestre. Em seu retorno Gallio fala frases sem sentido, como se algo muito forte o atormentasse.

Jean Simmons como Diana, a amada de Marcellus.

Já em Capri, onde estava o imperador e Diana (Jean Simmons, 1929-2010), que Gallio ama e é correspondido, alguns membros da corte e o próprio Tibério, vendo que Gallio se portava de modo estranho, ouvem por horas o que aconteceu com o tribuno em Jerusalém. Tibério acha que o tribuno pode ter perdido a razão, mas quando Gallio atribui que a aflição que sente só aconteceu após se cobrir com o manto de Jesus, então o adivinho da côrte conclui que o manto estava enfeitiçado e precisa ser destruído. Isto parece lógico tanto para Tibério como para Marcellus, então o tribuno irá retornar à Palestina para destruir o manto e descobrir os nomes dos cristãos, mas esta viagem irá afetar profundamente sua vida.


Burton e Michael Rennie como São Pedro.
Pedro (Michael Rennie), o "Grande Pescador" e líder da Igreja, recebe Marcellus, ao lado de Justus (Dean Jagger)

Uma vez lá, em sua procura pelo manto, Marcellus vai ter à pequena vila de Caná, onde conhece Justus (Dean Jagger, 1903-1991) e Miriam (Betta St John), dois exemplos de vida cristã.  Embora não acredite em algumas coisas que lhe falam, como a ressurreição de Cristo, o tribuno começa a ter dúvidas sobre suas crenças.  Justus lhe diz que conhece sua identidade e lhe informa que todos já o perdoaram, assim como Jesus o perdoou.  Logo depois, ao tentar convencer Marcellus do amor de Jesus, Miriam lhe diz que um dos seus discípulos, Simão Pedro (Michael Rennie, 1909-1971), conhecido como “O Grande Pescador”, acaba de chegar em companhia de seu companheiro grego.



Ao pedir o manto para ser queimado, Marcellus ouve de Demetrius que o problema dele não está no manto e sim em sua consciência, em seu coração, por ter crucificado o Messias.  Receoso, em princípio, mas encorajado por Demetrius, o tribuno termina abraçando o manto sagrado e se livrando de todas as suas angústias.

Diana e Marcellus
Em seguida, Marcellus é levado à presença de Pedro e termina convertendo-se ao cristianismo, passando a seguir o apóstolo.  Tempos de depois, Pedro e seus seguidores chegam à Roma e passam a viver nas catacumbas.  Com a morte de Tiberius, Caligula é o novo imperador e inicia uma perseguição implacável aos cristãos.  Quando Demetrius é preso e torturado, Marcellus decide libertá-lo, o que consegue com a ajuda de um grupo de homens.  Entretanto, durante a fuga, eles são perseguidos e, em benefício da liberdade do grupo, Marcellus atrai seus perseguidores, a quem se entrega. Demetrius, que estava alquebrado e prestes a morrer devido as consequências da tortura, é curado por São Pedro.

Demetrius (Victor Mature) se apossa do Manto Sagrado e se torna seu guardião...
...a ponto de quase sacrificar sua vida, mas é curado milagrosamente por Pedro (Michael Rennie).
Depois que Marcellus é capturado, Diana o visita em sua cela e lhe implora para que renegue Jesus, a fim de salvar a si próprio, mas ele fala pra ela sobre o povo de Caná, que nunca renegou Jesus, apesar do perigo de ser seu seguidor.


Marcellus e Diana na côrte de Calígula (Jay Robinson).
Marcellus jura lealdade ao Império Romano, mas não abjuga Cristo
Marcellus é então levado a julgamento por traição, oportunidade em que confessa ser um cristão. Calígula ridiculariza as afirmações do tribuno de que o seu rei é o Rei do Céu, que acredita em amor, compaixão e caridade acima de tudo. Irritado por que Diana ainda prefere Marcellus a ele, Calígula faz com que a assembléia exija a morte do tribuno.

Marcellus e Diana levados para o pátio dos arqueiros, onde serão martirizados (cena deletada).
Marcellus e Diana, a caminho da Eternidade.
Diana, movida pela crença apaixonada de Marcellus e repugnada pela tirania de Calígula, escolhe morrer com o homem que realmente ama. Enquanto eles caminham juntos, Marcellus é reconhecido por seu pai, arrependido, e Diana entrega o manto ao empregado de Marcellus, a quem pede para levá-lo até Pedro. Em seguida, continuam a caminhada em direção...a vida eterna.

O Manto Sagrado foi indicado para cinco categorias do prêmio Oscar em 1953, incluindo Melhor Filme e Melhor Ator para Richard Burton, e permanece um dos maiores épicos religiosos de todos os tempos, ao lado de Quo Vadis e Ben-Hur.

LLOYD C. DOUGLAS, autor do romance que originou o filme
A fita, dirigida por Henry Koster (1905-1988) , foi baseada no romance escrito em 1942 por Lloyd C. Douglas (no Brasil, o romance foi publicado com o título de O Manto de Cristo).  A trilha sonora foi encarregada por Alfred Newman (1901-1971), de A Canção de Bernadete.Os direitos do romance, publicado em 1942, chegou a ser comprado pela RKO, que no início dos anos de 1950, vendeu para 20ª Century Fox, como veículo para Tyrone Power que interpretaria Marcellus, mas ele recusou o papel.

Victor Mature e Mae Marsh.

O Filme foi um estrondoso sucesso e foi ocasião ímpar em toda História da Cinematografia, pois todas as salas de cinema tiveram que ser reformadas para recepcionar o lançamento deste êxito das telas.  A Fox, que detinha os direitos do livro de Douglas, não sabia o que fazer com as demais 200 páginas do romance, e aproveitando o embalo do sucesso de The Robe, o estúdio resolveu fazer uma sequência da obra, em 1954. 


DEMÉTRIUS E OS GLADIADORES

Victor Mature repete o papel de Demetrius em DEMETRIUS E OS GLADIADORES. Aqui com Ernest Borgnine.

Sob a direção de Delmer Daves (1904-1977) especialista em dramas e westerns (Galante e sanguinário), e repetindo Mature (Demetrius), Michael Rennie (São Pedro) e Jay Robinson (Calígula) nos seus respectivos papéis em O Manto Sagrado. Produzida por Frank Ross (1904-1990), que havia também produzido a obra anterior, realizou juntamente com o diretor Delmer Daves uma fita superior, porque substituiu a religiosidade melodramática de The Robe por exuberante ação física e estimulantes aspectos aventurescos.



Susan Hayward como Messalina. Na foto, com Mickey Simpson.
Michael Rennie volta a interpretar São Pedro em DEMETRIUS E OS GLADIADORES (1954).

Escrito por Philip Dunne (1908-1992) com base nos personagens de Lloyd C Douglas, o filme transcorre após o martírio de Marcellus (Richard Burton) e Diana (Jean Simmons), ocorrida no desfecho de O Manto sagrado. O cristão Demétrius, perseguido pelo imperador por ter escondido o Manto de Cristo, é preso e feito gladiador na arena, comandada por Strabo (Ernest Borgnine, 1917-2012).


Demetrius perde a fé cristã e se submete aos caprichos de Messalina.
Demetrius e sua amada Lucia (Debra Paget).
Quando sua amada Lucia (Debra Paget) entra em estado de choque ao risco de ser violentada por um dos gladiadores, Dardanius (Richard Egan, 1921-1987), Demetrius perde a fé e sucumbe aos encantos de Messalina (Susan Hayward, 1918-1975). Trilha sonora de Franz Waxman (1906-1967), com base no repertório de Alfred Newman.

O LANÇAMENTO DE “O MANTO SAGRADO” NO RIO DE JANEIRO

O MANTO SAGRADO foi lançado nos Estados Unidos em 24 de setembro de 1953, no Chinese Theatre, em Hollywood, inaugurando definitivamente o Cinemascope. Não demorou muito, a novidade chegou ao Brasil, repetindo o mesmo sucesso de Los Angeles. Não diferente também como ocorrido nas salas de cinema nos EUA, algumas salas aqui tiveram também que ser adaptadas para  a estreia de The Robe no Brasil, inclusive no Rio de Janeiro, a então Cidade Maravilhosa, que recebeu de braços abertos, tal qual o Cristo Redentor, a sacra película estrelada por Richard Burton, Jean Simmons, Victor Mature, e Michael Rennie.

O MANTO SAGRADO - OCASIÃO DE GALA TAMBÉM NO RIO DE JANEIRO,
CONFORME ANÚNCIO  NOS JORNAIS DA ÉPOCA DE SEU LANÇAMENTO
NAS SALAS CARIOCAS


O CINE-PALÁCIO no Centro do Rio de janeiro, teve suas instalações alteradas para a estreia, e finalmente, a 15 de abril de 1954, estreou O MANTO SAGRADO nas salas cariocas.



FICHA TÉCNICA
O MANTO SAGRADO
(The Robe)

País – Estados Unidos

Ano – 1953

Gênero – Épico/Religioso

Direção – Henry Koster

Produção – Frank Ross, para a 20th Century Fox

Roteiro – Phillip Dunne e Gina Kaus (adaptação), com base no livro de Lloyd C. Douglas.

Música – Alfred Newman

Fotografia – Leon Shamroy, em Cores

Metragem – 135 minutos


elenco

RICHARD BURTON – Tribuno Marcellus Galio

JEAN SIMMONS – Diana

VICTOR MATURE – Demetrius de Corinto, o escravo

MICHAEL RENNIE – São Pedro, o “Grande Pescador”

JAY ROBINSON – Calígula

TORIN THATCHER – Senador Galio

DEAN JAGGER – Justus

RICHARD BOONE – Pôncio Pilatos.

BETTA St. JOHN – Miriam

JEFF MORROW – Paullus, o centurião

ERNEST THESIGER – Imperador Tibério

DAWN ADDAMS – Junia

LEON ASKIN – Abidou

MICHAEL ANSARA – Judas Iscariotes

FRANK DeCOVA – Escravo

JOHN DOUCETTE – Soldado da esquadra

SAM GILMAN – Capitão da esquadra

MAE MARSH – Mulher idosa de Jerusalém que ajuda Demetrius

JAY NOVELLO – Tiro

HAYDEN RORKE – Callus, licitante do leilão de escravos.

HARRY SHEARER – o pequeno Davi

PERCY HELTON – Caleb, o mercador de vinhos.

DONALD  C. KLUTE – Jesus Cristo

SALLY CORNER – Cornelia, mãe de Marcellus

PAMELA ROBINSON – Irmã de Marcellus

ROSALIND IVAN – Julia, esposa de Tibério

E
CAMERON MITCHELL – A Voz de Jesus no Calvário.

Produção e Pesquisa
PAULO TELLES
Matéria revista em 28/09/2018

terça-feira, 9 de julho de 2013

Hi Yooo Silver!!! O Cavaleiro Solitário esta de Volta!


Este Artigo foi publicado originalmente em 9 de Julho de 2013, durante o embalo do lançamento do filme O CAVALEIRO SOLITÁRIO (THE LONE RANGER, 2013), com Johnny Depp e Armie Hammer respectivamente como o índio Tonto e o Cavaleiro Solitario (ou Zorro, se preferir). O presente artigo foi atualizado em 23 de fevereiro de 2017.


O Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger) percorre a imaginação de crianças e adultos ao longo de 80 anos desde que surgiu na rádio, passando para o cinema em forma de seriado, e posteriormente, para uma famosa série televisiva produzida entre 1949 a 1957, estrelada por Clayton Moore (1914-1999) e que fez muito sucesso. The Lone Ranger também foi bem sucedido nos livros e nos quadrinhos, e aqui no Brasil, foi terrivelmente confundido com ZORRO, cujo personagem nada tinha a ver, embora ambos fossem heróis mascarados.

Mas a finalidade desta matéria, além de esclarecer estas e outras curiosidades a mais sobre este fascinante herói que voltou as telas em um filme dirigido por Gore Verbinski (e não bem sucedido) -  é também fazer conhecer as origens do Cavaleiro Solitário e sua criação.  O novo filme conta com o astro Johnny Depp no papel do parceiro de aventuras do herói mascarado, o índio Tonto, personagem imortalizado na antiga série televisiva por Jay Silverheels (1912-1980). Por isto vamos lá!


O CAVALEIRO SOLITÁRIO: RÁDIO, CINEMA E TELEVISÃO.

HI YOOOO SILVER! Avante!!! – é o grito que ecoa pelas pradarias cada vez que uma aventura do Cavaleiro Solitário chega ao fim de mais uma aventura. Porém, suas origens remontam na Rádio.



O CAVALEIRO SOLITÁRIO (The Lone Ranger) foi criado para uma série radiofônica por George Washington Trendle (1894-1972) e teve suas primeiras histórias escritas por Fran Striker (1903-1962). Sua estreia foi a 30 de janeiro de 1933, quando o primeiro de seus 2.956 episódios foi ao ar pela rádio WXYZ (que mais tarde se tornou a Mutual Broadcasting Network). A série foi transmitida com episódios inéditos até 1954. George Seaton e Jack Deeds foram os dois primeiros atores a interpretar o herói no rádio. Earle Graser foi à terceira voz do Cavaleiro Solitário, sendo substituído por Bruce Beemer após sua morte. Vários elementos da série de rádio ficaram fazendo parte da mitologia do herói. A frase "Hi Yo Silver, away!" e o tema musical do herói, que é um trecho da ópera Guilherme Tell – escrita por Gioacchino Rossini (1792-1868), são alguns dos exemplos mais marcantes.


Tudo começa em 1933 numa pequena emissora de Detroit, que iniciou uma série radiofônica onde relatava as aventuras de um misterioso mascarado que combatia o mal no Velho Oeste. O sucesso foi tamanho que passou a ser transmitido através de uma grande rede de emissoras. A partir de então, O Cavaleiro Solitário e seu fiel amigo e companheiro, o índio Tonto, não pararam mais, e passaram a ganhar vida nova em cada veículo de comunicação. Chegou até mesmo a ganhar uma versão brasileira nas rádios daqui, numa imitação chamada “O Vingador”, de Péricles Amaral, em 1944.



Assim com o estrondoso sucesso na Rádio, foi à vez do CINEMA materializar o famoso personagem. A Republic Pictures, a produtora dos saudosos seriados das antigas matinês, realiza em 1938, O Grande Vingador (The Lone Ranger), onde The Lone Ranger era interpretado por Lee Powell (1908-1944). Powell foi o primeiro a retratar o herói nas telas da Sétima Arte, mas teve uma vida breve, já que morreu em 1944 enquanto lutava durante a II Guerra Mundial (serviu como fuzileiro naval), mas há controversas se morreu mesmo em combate ou por intoxicação.




O Sucesso estava destinado ao Cavaleiro Solitário sem sombras de dúvida, e do fenomenal sucesso do 1º filme, veio a sequencia de mais um seriado: A Volta do Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger Rides Again), onde desta vez, o personagem foi interpretado por Robert Livingstone (1904-1988). Nos dois primeiros filmes, o parceiro de aventuras do herói, o índio Tonto, foi interpretado por  Chief Thundercloud (1899–1955), um legítimo índio cherokee.



Nos anos de 1950, O Cavaleiro Solitário surge numa superprodução em cores e em Cinemascope: O Justiceiro Mascarado (The Lone Ranger), e Zorro e a Cidade do Ouro Perdido (The Lone Ranger and The Lost City), também exibido em nossos cinemas brasileiros como Zorro e o Ouro do Cacique, ambos estrelados por Clayton Moore e Jay Silverheels, respectivamente como o Cavaleiro solitário e seu parceiro Tonto, que foram os astros da série televisiva iniciada em 1949 até 1957. 



A série era semanal e fez muito sucesso, dando popularidade a Moore como um autêntico The Lone Ranger (muito embora Clayton saísse por um período da série, sendo substituído por John Hart, mas o público amava tanto Moore que fizeram protestos pela sua volta, e ele voltou), e a Silverheels, um legítimo índio moicano, nascido em uma reserva do Canadá, a ser um carismático Tonto.



Em 1981, a Sétima Arte voltou a dar vida ao personagem, com o longa A Lenda do Cavaleiro Solitário (The Legend of the Lone Ranger), protagonizado por Klinton Spilsbury como o herói mascarado, Michael Horse como Tonto, e o futuro astro Christopher Lloyd como o vilão Cavendish. Ainda nos anos de 1980, o herói e seu parceiro ganharam versão em desenho animado para a TV.



Em 2003, uma tentativa de levar o herói de volta a uma série televisiva em um piloto que não decolou sob o título de The Lone Ranger para a Turner Network Television (TNT), foi estrelado por Chad Michael Murray (Lone Ranger) e Nathaniel Arcand (Tonto), contudo não houve êxito.


O CAVALEIRO SOLITÁRIO NOS GIBIS – A CONFUSÃO COM O CAVALEIRO SOLITÁRIO E O ZORRO

Foi nas Histórias em Quadrinhos que o personagem ganhou mais terreno para sua cavalgada interminável, mas ao fim, teve uma vida limitada. Nos Estados Unidos, o sucesso da série na Rádio levou a King Features, em 1938, a lançar uma tira diária com o famoso cowboy mascarado e seu parceiro índio. Desenhada inicialmente por Ed Kreesay, a tira passou logo a ter outros desenhistas, pois Kressay foi considerado muito ruim pelos leitores. Um ano depois, a King Features entrega a tira para Charles Flanders, um desenhista experiente, que logo passou a ter seu trabalho associado à figura do Cavaleiro Solitário.



Em fins de 1947, sai, finalmente, a primeira revista dedicada ao herói, publicada pela Dell Publishing, e os primeiros autores de histórias originais para os comics são Paul S. Newman e Tom Gill. Alguns anos depois, a revista é cancelada, mas volta através de outra editora, a Golden Key, que fez uma publicação irregular até 1977.



NO BRASIL, O CAVALEIRO SOLITÁRIO surge um ano depois de ser publicado nos jornais americanos, nas páginas da revista GIBI TRI-SEMANAL, sendo saudado como o “Campeão do Oeste” e “O Mais famoso mocinho das Histórias em Quadrinhos”. Contudo, foi cometido um erro que atravessou anos e gerações de leitores. O personagem foi batizado de ZORRO.

ESTE SIM, É ZORRO
ZORRO É UM HERÓI CAPA & ESPADA CRIADO POR JOHNSTON McCULLEY   
O  “Zorro" do faroeste, O CAVALEIRO SOLITÁRIO, que tem como companheiro o índio Tonto, nunca teve nenhuma relação com o Zorro oficial criado pelo escritor Johnston McCulley (1883-1958) em sua célebre obra "A Maldição de Capistrano" cujo herói capa & espada foi levado às grandes telas inúmeras vezes, e cujas personificações mais famosas são as de Douglas Farbainks e Tyrone Power, além de uma série de TV produzida pelos estúdios Disney com Guy Williams, e um remake do clássico estrelado por Power, que aqui acabou sendo substituído por Frank Langella. Don Diego de La Vega nada tem a ver com John Reid, a verdadeira identidade de The Lone Ranger.




Com o passar do tempo, O Cavaleiro Solitário passa a ser publicado em várias revistas, todas da Rio Gráfica e Editora, e durante 15 anos, The Lone Ranger, comumente conhecido por nós brasileiros de “Zorro”, cavalga de uma revista diferente para outra, até encontrar o seu lar definitivo (por 30 anos, encerrando suas publicações em janeiro de 1985), quando em 1954, a EBAL- Editora Brasil-América, que resolve dar uma revista própria ao herói, apesar de já publicar em quadrinhos as famosas histórias do Zorro Capa & Espada (Don Diego), baseadas nas histórias de Johnston McCulley (em Portugal, The Lone Ranger é conhecido como O Mascarilha). A Editora do saudoso Adolfo Aizen (1907-1991) manteve em Cavaleiro Solitário o nome de Zorro, e a empresa manteve DOIS ZORROS em seu circuito de publicações. E desde então, muitos passaram a confundir os personagens, cujas características bem diferem.


A ORIGEM DO LONE RANGER

A Trajetória do Cavaleiro Solitário começa no Texas, depois da Guerra Civil Americana (1861-1865). Seguindo as pegadas do irmão mais velho, Daniel Reid, que era capitão dos Texas Rangers, o jovem John Reid (verdadeiro nome do personagem) ingressa na organização que tinha a finalidade de manter a Lei e a Ordem ao longo do Rio Grande.


A origem deste Justiceiro Mascarado remonta a um ataque da famigerada quadrilha de Butch Cavendich contra 6 rangers comandados pelo Capitão Reid. Emboscados numa ravina estreita e de paredes altas, o único sobrevivente é exatamente o irmãos mais novo do capitão, John Reid. Abandonado para morrer no local, em agonia, é encontrado por um índio. Dias depois, ao recuperar os sentidos, o jovem se vê no interior de uma caverna, sendo tratado por Tonto.Enquanto convalesce, John sabe que fora o único sobrevivente do massacre (e é assim que surge a origem do seu nome. Tonto lhe diz: “Você é o único ranger que escapou” – “The Lone Ranger” em inglês: mas a palavra lone também significa “Solitário”).


Após dias de recuperação, John Reid e Tonto enterram os mortos, e para enganar a quadrilha de Cavendish, fazem uma sepultura a mais. E, ali, diante das seis sepulturas, John Reid passa a ser considerado morto, para sempre, pois ele resolve assumir um disfarce – uma máscara preta sobre os olhos feita com um pedaço do colete do irmão, exatamente a parte da roupa onde estivera pregada a estrela de prata de “defensor da lei”.


Daí em diante, o Cavaleiro Solitário e Tonto não descansam mais, percorrendo todo o Oeste em sua cruzada contra as forças do mal. As pausas são apenas para se reabastecer ou fazer visitas à mina de prata de um velho amigo ranger aposentado chamado Jum, que fornece o material para as famosas baças de prata que alimentam o revólver mais temido entre os bandidos.


O CAVALEIRO SOLITÁRIO, de vez em quando, viaja disfarçado, tirando a máscara preta, assumindo depois outra identidade. Contudo, jamais mostra o rosto, nem mesmo para o leitor dos quadrinhos, ou para o espectador das telas do cinema e da televisão.  Talvez seja essa  uma das características que mantém o personagem envolto em fascínio e mistério. Em todas as suas aventuras, conta sempre com a ajuda de Tonto, o seu amigo fiel que o chamava de “Kemo Sabay”, que significa “batedor de confiança”, e que também, na infância, teve a vida salva pelo Cavaleiro Solitário.


TONTO

TONTO, o fiel companheiro e amigo de The Lone Ranger, é da tribo potowatomi, Tal nome estranho significa “fazedores de fogo”, para lembrar a época remota em que se separaram dos Ojibwaya para fazerem sua própria fogueira do conselho, ou seja, se estabeleceram como tribo separada.


Embora filho do chefe, Tonto acompanhava a mãe em sua tarefa: colher o alimento principal da tribo, o arroz silvestre. Mal começou a andar, passou a acompanhar o pai no conselho da tribo e foi com ele que aprendeu tudo que sabe: ler uma pista, disparar uma flecha, etc.  Como os potawatomi eram hábeis remadores e nadadores, Tonto logo aprendeu a deslizar na canoa de casca de árvore do pai, para caçar e pescar. Mas a fogueira do conselho dos potawatomi se apagou e Tonto é agora o último de sua outrora orgulhosa tribo, dizimada por um ataque dois índios sioux.



Ao ver sua tribo liquidada, o menino Tonto corre para cima do chefe sioux, mas uma dúzia de guerreiros o segura para mata-lo.  De repente, um tiro. E mais outros. Os Sioux fogem apavorados com os disparos certeiros que atingiram alguns dos seus companheiros, e Tonto fica só, livre, para conhecer o seu salvador: um jovem texano que o destino ia tornar seu companheiro e amigo alguns anos mais tarde. Antes de partir, o futuro Cavaleiro Solitário tira uma pena vermelha do cocar do chefe morto e a coloca na faixa que Tonto usa em volta da cabeça, pois ele teve a coragem de um adulto e merece aquela honra.


Os dois se separaram, mas, anos depois, voltam a se encontrar em situação semelhante. Desta vez, é Tonto que salva a vida do jovem texano, como todos podem saber.


SILVER

A História deste belo cavalo branco é tão surpreendente quanto a de seu famoso dono. No início da perseguição do Cavaleiro Solitário a Butch Cavendish- o inimigo que irá enfrentar vezes sem contar – o bandido mata a sua montaria e o herói mascarado fica sem cavalo. Precisando urgentemente de outro animal, e tendo ouvido falar de um lendário garanhão no Vale dos Cavalos Selvagens, o Lone Ranger segue para lá, com Tonto. De fato, encontra-se o magnífico cavalo, só que chega no momento exato em que o garanhão branco luta contra um búfalo. Quase à morte, é salvo por uma bala de prata que matou o búfalo.


O Cavaleiro Solitário e Tonto, então, permanecem no vale e cuidam do cavalo, até ele se recuperar. Curado, o garanhão se prepara para deixar o vale e ganhar novamente a liberdade, mas para alguns metros adiante, hesita e volta para juntos de seus salvadores. Como os flancos do animal brilham à lus do sol, tonto fala: “é prateado” (Silver, em inglês), e assim é batizado.


SILVER já nasceu príncipe. Seu pai é o Rei Silvano, o chefe dos cavalos que vagam pelo Vale dos Cavalos Selvagens, e sua mãe, a bela Mousa. Do pai, Silver herda a valentia, pois sempre luta pela liberdade, nunca se deixa aprisionar. Da mãe herda a graça e a beleza. E é no vale, onde o homem nunca botou o pé e a relva é sempre verde que Silver aprende a andar, trotar, encontrar grama debaixo da neve e a livra-se do ataque do perigoso Puma.


O CAVALEIRO SOLITÁRIO 2013

Cavaleiro Solitário (The Lone Ranger, 2013é uma produção da Walt Disney Pictures, com orçamento de US$ 250 milhões, que leva ao cinema uma releitura deste personagem tão carismático e cativante ao longo de 80 anos de existência.


Na nova trama sobre o personagem, ele se envolve na conquista do Oeste e na construção de ferrovias por magnatas inescrupulosos. O espírito guerreiro do nativo americano Tonto (Johnny Depp) narra as histórias que transformaram John Reid (Armie Hammer, na difícil e impossível carga de substituir o carismático Clayton Moore), um homem da lei, em uma lenda da justiça – enquanto os dois heróis improváveis precisam aprender a trabalhar juntos e lutar contra a ganância e a corrupção.

O elenco contou ainda com William Fichtner, Tom Wilkinson, Barry Pepper, James Badge Dale, Helena Bonham Carter e Ruth Wilson. A direção ficou a cargo de Gore Verbinski, que já trabalhou com Depp e o produtor Jerry Bruckheimer nos três primeiros Piratas do Caribe. Apesar de todos os requintes e qualidades da produção e da direção, nada pôde salvar do fiasco e do fracasso de bilheteria esta releitura de The Lone Ranger, nem mesmo Johnny Depp que reviveu o índio Tonto, por um simples motivo: Transformar um herói nobre, de personalidade séria, moral, e dramática como era o Cavaleiro Solitário, para um patego sem noção que é esculachado por Tonto, não era o que o público, principalmente que acompanhou as aventuras com Clayton Moore, queria assistir. E se a intenção era agradar um público mais jovem, nem assim conseguiu. Assim, THE LONE RANGER, de 2013,se tornou um dos maiores desastres do ano. Certamente, Clayton e Jay Silverheels se reviraram de seus túmulos (pelo menos Clay, já que Jay foi cremado!)

Paulo telles
Atualizado em 23 de fevereiro de 2017.
Material de pesquisa e Bibliografia: Nostalgia dos quadrinhos Fanzine, com base em texto de Aymar Aguiar.