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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

A Saga de Audie Murphy - Última Parte


A Saga chega ao fim. Vimos os altos e baixos deste grande pequeno notável, herói americano da II Guerra Mundial e astro dos filmes de faroeste que foi AUDIE MURPHY (1924-1971).  A Década de 1960 não foi muito produtiva na área cinematográfica, mas em contrapartida, ele tinha outros investimentos e empresas, que o fez tornar-se um homem rico. Também investiu na TV, onde foi o astro de uma série de TV com apenas 26 episódios, intitulada Whispering Smith. Esta série não chegou ao Brasil.

Enfrentou a dependência de calmantes, tinha pesadelos, e dormia com uma pistola debaixo do travesseiro, pois sofria do que hoje é conhecido como síndrome pós-traumática, por conta de suas lembranças de guerra. Contudo, ele foi vitorioso e se livrou do vício do Placidyl, um poderoso sonífero que facilmente mal medicado causa dependência.

Seus westerns na década de 1960, apesar de bem badalados para seus fãs, não trouxeram repercussão da crítica, e Audie até arriscou um “macarrônico” levado pela moda dos faroestes europeus então em voga, Bandoleiro Temerário. Mas nada disso ajudou a alavancar sua carreira no cinema, e como se não bastasse seus negócios fora das telas também não iam muito bem.

Audie produziu um filme chamado A TIME FOR DYING, tendo como diretor seu amigo Budd Boetticher (1916-2001), que enfrentou diversos problemas para sua exibição e ele precisava de capital para levar o projeto adiante. Durante este tempo, enfrentou um processo judicial, quando foi acusado de tentativa de homicídio numa briga de bar. Audie foi absolvido sob o aplauso do juiz por conta de sua argumentação.

Contudo, o destino do ator estava encurtando.

Nesta última parte, vamos reproduzir os comentários do ator e dublê Neil Summers, retirado de seu prefácio no livro The Films and Career of Audie Murphy, de Sue Gossett, bem como também o convite para interpretar um vilão no filme de Don Siegel. Sua trágica morte, e seu legado para o povo americano.


Esta é a saga de AUDIE MURPHY.

Episódios anteriores desta saga:

PARTE 1

PARTE 2



AUDIE MURPHY POR NEIL SUMMERS

Ator, dublê, e escritor, Neil Summers (nascido em 1944, na Inglaterra) dedicou umas linhas no prefácio do livro The Films and Carerr of Audie Murphy, de Sue Gossett, publicado em 1996.  Aqui no artigo, será reproduzido este texto. Vamos a ela:


Em meus 30 anos como profissional, trabalhei em muitos dos filmes de Audie Murphy. Na realidade, foi em Arizona Raiders (Cavaleiros da Bandeira Negra), que eu consegui me associar ao Screen Actor’s Guild (Associação dos atores de Cinema) por fazer uma queda de escadas em uma filmagem no Apache Junction, no Arizona. Mesmo com o fato de Audie e eu não conversarmos muito entre as filmagens, eu mantive contato e recebi muitas propostas de trabalho em outros filmes; o ponto alto foi em um papel como membro de uma gang em A Time for Dying (Gatilhos da Violência), dirigido pelo grande amigo de Audie, Budd Boetticher. Outros filmes foram planejados, mas infelizmente esta foi a última aparição de Audie nas telas.


Durante minha vida em sets de filmagem, eu conheci e trabalhei com quase todas as grandes estrelas que existiram nas últimas três décadas, mas existia um sentimento muito especial enquanto trabalhei nas filmagens com Audie. Eu acredito que muita desta fascinação tem a ver com suas façanhas na guerra. Um companheiro e eu frequentemente discutíamos o que Audie havia passado durante a guerra...o que ele teria visto, o que teria vivido, e o que teria feito para sobreviver, enquanto todos os outros perto dele estavam sendo mortos. Tudo isso antes mesmo dele ter dezoito anos de idade. Todos nós sabíamos que ele foi profundamente afetado pela guerra, mas vendo ele brincar nos sets de filmagem, você jamais diria.


Todos na equipe, mesmo os outros atores, gostavam muito de Audie e tinham muito respeito por ele. Era uma pessoa amiga, ainda que naturalmente reservada com as pessoas que não conhecia, e não era um homem de se esquecer. Trabalhava duro em seus filmes e esperava que todos ao seu redor fizessem o mesmo. Audie conhecia suas armas, conhecia seu diálogo, conhecia seus limites, e acima de tudo, conhecia seus cavalos. Tudo isso é mostrado no produto final: seus filmes são muito bem reconhecidos até hoje, seja nas telas de cinema ou na televisão.


Muitas das pessoas que trabalharam com ele, assim como atores, diretores, e etc, já faleceram. Seu antigo dublê, Jim Sheppard, foi morto pulando um obstáculo em Comes a Horseman (Raízes da Ambição), alguns anos atrás.


Eu ainda me lembro exatamente onde eu estava quando recebi a notícia do trágico acidente em que Audie estava. Nós estávamos filmando em Tucson, Arizona, as cenas de Dirty Little Billy quando recebemos a notícia. Permaneceu um silêncio por algum tempo, e então toa a equipe começou a acordar para o que havia acontecido quando uma pessoa que conhecia Audie falou: “um miserável acidente de avião conseguiu fazer o que todo exército alemão nunca conseguiu.” Com isto, todos nós aplaudimos para Audie. Quando o dia de trabalho havia terminado, alguns de nós estávamos “tremendo” e então fomos para um bar falar das boas lembranças que tínhamos de Audie. Nós rimos muito de algumas de suas brincadeiras (uma de suas favoritas era colocar cobras de borracha nas bolsas ao lado das cadeiras dos atores) e falamos sobre como sentiríamos saudade de nosso verdadeiro herói americano.


Audie Murphy não era um ator tentando ser homem. Audie era um homem que já era ator. Infelizmente faltam homens como ele neste país, e jamais se passa um dia sem que eu pense nele, e em como ele me impressionava e como ele era uma ótima pessoa comigo. Audie Leon Murphy era verdadeiro e eu sou muito orgulhoso de tê-lo conhecido.

Neil Summers
Sherman Oaks, Califórnia.



O final trAGICO

Na metade de 1970, absolvido da absurda acusação de “tentativa de assassinato” quando apenas se defendia de seu agressor em uma briga de bar, Audie Murphy via que seus negócios não estavam indo bem, mas ele apostava tudo em seu último empreendimento: o filme Gatilhos da Violência (A Time for Dying), que ele produziu e que queria divulgar. Quando finalmente chegou as salas de cinema pouco depois de sua morte, o público se emocionou com o desempenho (embora de poucos minutos) de Audie como um velho Jesse James,e há quem diz que foi um dos melhores personagens que ele interpretou. Fãs e amigos sempre diziam que Audie era muito bom ator, mas infelizmente, nunca teve a chance de mostrar o quanto talentoso ele realmente era.


Uma prova disso esta no convite feito pelo cineasta Don Siegel (1912-1991) para Audie interpretar o vilão Scorpio em Perseguidor Implacável/Dirty Harry, em 1971, estrelado por Clint Eastwood como implacável investigador Harry Callahan, o “sujo”.  Siegel e Audie já haviam trabalhado juntos em Onde Impera a Traição/ The Duel at Silver Creek, em 1952, e em Contrabando de Armas/Gun Runners, em 1959.. Siegel achou que seria irônico um verdadeiro herói de guerra e um astro dos faroestes americanos interpretar um assassino psicopata. O diretor ofereceu o papel a Audie, mas este nunca pôde lhe dar uma resposta ou dar uma decisão, devido ao seu fim trágico. Logo, o papel acabou nas mãos de Andrew Robinson.



No final de uma viagem de negócios, Audie Murphy morreu em um desastre de avião a 28 de maio de 1971, devido a uma grande tempestade perto de Galax, Virginia, a umas vinte milhas a oeste de Roonoke. Por ironia do destino, ele morreu no dia do aniversário de sua mãe.



PAMELA ARCHER, viúva do Herói, abraçada a bandeira dos EUA que cobriu o caixão do marido, ao lado do filho Terry
GRANDE ENCONTRO: JFK e AUDIE MURPHY.
Devido ao isolamento do local, levou alguns dias para que o avião e passageiros fossem achados. Audie Leon Murphy, o Herói Nacional da II Guerra Mundial, o astro dos filmes de faroeste, o querido cowboy com cara de menino que a tantos cativou, foi sepultado no Cemitério Nacional de Arlington, destinado a heróis de guerra como ele e a personalidades ilustres da memória americana, como o Presidente John Kennedy. Audie recebeu todas as honras militares. Dentro das celebridades presentes ao funeral estava o ex-presidente americano George Bush, na época embaixador dos Estados Unidos. Sua esposa Pamela recebeu do soldado a bandeira americana que estava sobre o caixão do marido, e ao lado dela seus filhos Terry e James, que prestaram uma emocionante despedida para o pai. A primeira esposa de Audie, a atriz Wanda Hendrix, também compareceu ao sepultamento.




A ÚLTIMA MORADA DO GUERREIRO.
O Túmulo de Audie é o segundo mais visitado no Cemitério Nacional de Arlington, só perdendo para o túmulo do Presidente John Kennedy. Na lápide, se encontra escrito: Audie L. Murphy, Texas, Major de Infantaria, Segunda Guerra Mundial, 20 de junho, 1924 – 28 de maio, 1971, medalhas de honra: DCS-SS & OLC; LM-BSM & OLC; PH & 2 OLC (DCS Distinguished Services Cross; SS – Silver Star; LM-Legion of Merit; BSM – Bronze Star Medal; OLC- Oak Leaf Cluster; PH – Purple Heart).


Desde a morte de Audie Murphy, muitas homenagens foram atribuídas a ele. A mais marcante de todas foi dedicada a 17 de novembro de 1973: o Audie L. Murphy Memorial Veteran Hospital, em San Antonio, Texas. Uma estátua de uma tonelada de bronze e oito pés de Audie, trabalhado pela escultora Jimilu Mason, que era uma de suas admiradoras.



INSTITUTO REGIONAL DE TREINO MILITAR AUDIE MURPHY - TEXAS
Dentro do hospital que leva seu nome, existe um museu que relata a vida de Audie Murphy, além de objetos pessoais como uniformes, livros e fotos. O museu foi remodelado com o passar dos anos e definitivamente vale uma visita. Mesmo antes da homenagem do hospital, já existiam vários memoriais, estátuas, poemas, e letras de músicas em sua honra.



A 16 de março de 1996, o National Cowboy Hall of Fame e Western Heritage Center, localizados na cidade de Oklahoma, deram grande reconhecimento a Audie por sua fabulosa contribuição aos filmes de faroeste. Após sua morte, Murphy foi reconhecido no Hall of Fames Westerns Performers, a galeria da fama dos atores do gênero. Sua foto na galeria da fama esta junto com a de tantos outros ícones fabulosos das telas, ao lado de John Wayne, Gregory Peck, Barbara Stanwyck, e outros mais.



Este reconhecimento se dá principalmente ao fato de seus fãs terem escrito pedindo para que ele fosse homenageado. O Western Heritage Center mantém viva as lembranças e homenageia as mais ricas heranças do faroeste americano e honra aqueles indivíduos que suas vidas foram baseadas em valores como: honestidade, integridade, e auto suficiência.

NADENE MURPHY, com o quadro de seu famoso irmão
Com isso, no 35º anual de prêmios para heranças do faroeste, as irmãs de Audie, Billie Murphy Tindol e Nadene Murphy receberam o prêmio. Audie conseguia fazer chorar até mesmo olhos de vidro – relatou a irmã de Audie em seu discurso. Isto provocou risos na plateia e reconheceram que Murphy tinha um ótimo senso de humor. Em que lugar sem ser na América, um jovem sem educação básica pode ir para a guerra, se tornar um herói mundial e uma estrela de cinema, sem ser aqui neste maravilhoso Estados Unidos? – concluiu Nadene.




Audie encenou papéis de muita força em sua carreira no cinema. Sua aparência como um homem seguro, mesmo com cara de menino, e na maior parte das vezes sempre ao lado da justiça, mostrado em seus westerns, foi parte da história do faroeste americano. Ele manejava difíceis e complexas situações com autoconfiança e segurança que ele mesmo explorava nos campos de batalha. Seus oficiais companheiros de luta o rotularam como “o soldado dos soldados”. Murphy tinha tanto amor pelo exército que em meados da década de 1950, ele fez um pronunciamento público, promovendo um programa de seis meses para todos os jovens garotos que se interessassem e fossem aptos para tal.




Audie era uma pessoa reservada e modesta que não revelava seus sentimentos mais íntimos. Uma vez, ele disse o seguinte sobre si próprio: Fui abençoado com uma super abundante sorte”.



Decerto, tanto o povo norte americano, militares, e os fãs de seus westerns, irão manter o nome de AUDIE MURPHY vivo, de geração a geração, e os Estados Unidos nunca se esqueceu deste homem que tanto fez por seu país. Se uma única só pessoa lembra dele, esquecido jamais será.




Pamela Archer Murphy, a viúva de Audie, sobreviveu a memória do querido marido por quase 40 anos e não casou novamente, e ao longo destes anos, ela, os filhos, e os parentes sobreviventes de Murphy, foram forças motrizes para a perpetuação de sua memória. Pamela faleceu a 8 de abril de 2010, aos 86 anos.




DECLARAÇÃO DE CORAGEM E FÉ


Audie recebeu várias condecorações por sua bravura, inclusive a Cruz de Honra, da Bélgica, e a Cruz de Guerra da França, que eram símbolos de vitória. Apesar do peso e do valor destas medalhas, Audie sempre declarou que “os verdadeiros heróis são aqueles com cruz de madeira”, declarando com isso, que os verdadeiros combatentes são aqueles que creem em Deus e em Jesus Cristo, e que além de tudo, possuem fé. 


FILMOGRAFIA

GRANDES ENCONTROS: AUDIE MURPHY, ROY ROGERS E EDDIE ARNOLD
1948: Código de Honra (Beyond Glory)
1949: Caminho de Perdição (Bad Boy)
1950: Serras Sangrentas (Sierra)
1950: Cavaleiros da Bandeira Negra (Kansas Raiders)
1950: Duelo Sangrento (The Kid from Texas)


1951: A Glória de um Covarde (The Red Badge of Courage)
1952: Onde Impera a Traição (The Duel at Silver Creek)
1953: Jornada Sangrenta (Column South)
1953: A Morte tem seu Preço (Gunsmoke)
1953: Ronda da Vingança (Trumblewed)


1954: Tambores da Morte (Drums Across the River)
1954: Traição Cruel (Ride Clear of Diabolo)
1954: Antro de Perdição (Destry)
1955: Terrível como o Inferno (To Hell and Back)
1956: Honra de Selvagens (Walk the Proud Land)
1956: O Mundo entre Cordas (World um My Corner)


1957: O Renegado do Forte Petticoat (Guns for Fort Petticoat)
1957: A Rosa do Oriente (Joe Butterfly)
1957: Passagem da Noite (Night Passage)
1958: Na Rota dos Proscritos (Ride a Crooked Trail)
1958: Contrabando de Armas (The Gun Runners)
1958: Um Americano Tranquilo (The Quiet American)


1959: Antro de Desalmados (The Wild and the Innocent)
1959: Um Homem Contra o Destino ou A Sombra do Mal (Cast a Long Shadow)
1959: Balas que não Erram (No Name on the Bullet)
1959: Whispering Smith (Série de TV com 26 episódios)
1960: Com o Dedo no Gatilho (Hell Bent for Leather)


1960: O Passado Não Perdoa (The Unforgiven)
1960: Matar por Dever (Seven Ways from Sundown)
1961: Sangue na Praia (Battle at Bloody Beach)
1961: Quadrilha do Inferno (Posse from Hell)
1962: Gatilhos em Duelo (Six Black Horses)


1963: War is Hell (como narrador)
1963: Abatendo Um a Um (Showdown)
1964: Pistoleiro Relâmpago (The Quick Gun)
1964: Batalha em Riacho Comanche (Título da TV) ou Fúria de Brutos (Gunfight at Comanche Creek)


1964: Balas para um Bandido (Bullet for a Badman)
1964: Rifles Apaches (Apache Rifles)
1965: Bandoleiros do Arizona (Arizona Raiders)
1966:  Bandoleiro Temerário (The Texican)
1966: Matar ou Cair (Gunpoint)


1966: Missão Secreta no Cairo (Trunk to Cairo)
1967: Os Rifles da Desforra (Forty Guns to Apache Pass)

1970: Gatilhos da Violência (A Time for Dying)


AGRADECIMENTOS
A ESTRELA DE AUDIE NO CALÇADÃO DA FAMA, EM HOLLYWOOD

A SAGA DE AUDIE MURPHY chega ao fim com sensação de dever cumprido, e na certeza que o biografado tem muitos admiradores no Brasil, o espaço não poderia deixar de lhe prestar este tributo, através do editor e do parceiro
JORGE LUIS DO NASCIMENTO

Amigo de longa data do redator deste blog, que teve um papel fundamental para a construção deste artigo em quatro partes, emprestando para o editor material de seu acervo particular para as pesquisas. Graças a sua admiração por Audie Leon Murphy desde menino. que fez ele sugerir compor uma matéria especial  sobre este consagrado herói e ídolo do faroeste americano.
PAULO TELLES - EDITOR


As quatro partes atualizadas em 28 de maio de 2019

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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

A Saga de Audie Murphy – Parte 3


Continuando a trajetória de Audie Murphy (1924-1971), herói americano da II Guerra Mundial que virou ídolo das telas e um dos mais memoráveis cowboys da Sétima Arte. Se na primeira parte traçamos seus feitos no front e no campo de combate, na segunda falamos de seus feitos no cinema e como ele se impôs como um dos mais valentes e destemidos cowboys das telas, fosse um mocinho, fosse um anti-herói, ou mesmo um protagonista com perfil vilânesco, como o fez em BALAS QUE NÃO ERRAM, em 1958.

Mas parece que Audie não queria apenas partir para um único gênero de fita, já que ingressou em outros estilos, como o bélico TERRÍVEL COMO O INFERNO, em 1955, que reproduziu sua vida no campo de batalha e que se baseou em sua autobiografia, fazendo ele mesmo seu próprio papel – e no drama de Boxe O MUNDO ENTRE CORDAS, em 1956, ou ainda em uma comédia como A ROSA DO ORIENTE (1957), e uma obra intelectual como O AMERICANO TRANQUILO, em 1958. Mas a crítica e o público pareciam ser unanimes em acreditar que Audie era mesmo carimbado para os westerns.

Atuou em duas obras importantes do diretor John Huston (1906-1987). A GLÓRIA DE UM COVARDE foi o momento vital na carreira cinematográfica de Audie Murphy, onde sua atuação foi elogiada tanto pela crítica quanto pelo cineasta. Mas a obra teve problemas e acabou sendo mutilada pelos estúdios da Metro. O PASSADO NÃO PERDOA foi mais um exemplar em que Audie tentou provar que poderia ser mais do que um estiloso cowboy com cara de menino. Mas talvez pela época de transição que passava o fim dos anos de 1950, a mensagem antirracista de O PASSADO NÃO PERDOA não foi bem compreendida pelo público ou pela crítica, mas se firmou como um dos mais bem vistos westerns de todos os tempos.

Vamos continuar a saga deste pequeno notável e abordar seus filmes na década de 1960, onde também traçaremos seu declínio nas telas e outras empresas que o ator queria ingressar.

Esta é a saga de AUDIE LEON MURPHY.

Episódios anteriores desta saga:
PARTE 1

PARTE 2



   AUDIE NA TV

Audie deixou um pouco de lado sua agenda lotada no cinema e foi tentar algumas produções para a televisão, afinal, este era um veículo que estava então em franca ascensão. No início da década de 1960, Audie apareceu em três produções. Em 1958, ele já tinha estrelado no G.E. Theater, encenando o episódio The Incident, e em 1959 The Flight.


Em 1959, a TV norte-americana produzia cerca de 48 séries semanais do gênero faroeste. E foi exatamente em 1959, que a NBC convidou Audie para estrelar a série Whispering Smith,  acreditando que Murphy, um legítimo vencedor da guerra e astro genuíno do gênero nas grandes telas, venceria também na telinha. Em realidade, Whispering Smith foi um personagem interpretado anteriormente no cinema por Alan Ladd no western Abutres Humanos/ Whispering Smith, de 1948, dirigido por Leslie Fenton, e foi um dos maiores êxitos comerciais de Ladd, outro “pequeno notável”.


Em 1961, Audie Murphy foi o astro de 26 episódios de Whispering Smith, série televisiva ao lado de Guy Mitchell (1927-1999). No entanto, somente treze deles foram exibidos e uma vez que os planos de produção foram cancelados, Audie voltou ao cinema.
Tom ‘Whispering’ Smith (Murphy) é um detetive da Estrada de Ferro de Denver que a cada episódio se defronta com bandidos assaltantes de trem. O que diferenciava Whispering Smith de outros mocinhos e cowboys da TV é que ele usava técnicas modernas de investigação para solucionar alguns crimes.

Whispering Smith estreou na noite de 8 de maio de 1961 pela NBC,  com o episódio The Blind Gun. Nos dias seguintes teve início uma polêmica quanto à violência do episódio, discussão que acabou no Senado Norte-Americano, no Comitê de Delinquência Juvenil.


A Comissão deu um parecer afirmando que a série era péssima não só para os jovens, mas também para o público americano em geral. Audie Murphy, não somente um astro do cinema, mas também um respeitado herói para os norte-americanos, respondeu:

Aparentemente algumas pessoas ficaram chocadas com a violência do primeiro episódio de “Whispering Smith”, deixando de observar o alto valor moral desse episódio no qual Whispering Smith arrisca sua vida para reabilitar um jovem delinquente”.


A emissora mudou a série de dia e horário por duas vezes até que após a exibição do 26.º episódio retirou a série do ar, cancelando-a. A atitude da NBC abalou Audie, pois a atitude da emissora de cancelar a série significou um fracasso pelo qual ele jamais passou como ator. A série já foi lançada em DVD nos Estados Unidos, e pode ser conferida as participações especiais de Richard Chamberlain, Harry Carey Jr, Marc Lawrence, James Best, Patricia Medina, Henry Brandon, Forrest Tucker e Marie Windsor.



AUDIE E OS NEGOCIOS

Audie tinha muito amor pela natureza, que era particularmente mostrada fora das telas. Animais e crianças pareciam estar sempre perto dele, na maior parte do tempo. Após a guerra, ele começou a criar cavalos de raça. Seu cavalo mais fabuloso era chamado de Joe Quenn. Audie gostava de montar bons cavalos em seus filmes para que ficassem conhecidos.


Ele tinha outros cavalos interessantes que também trabalhavam com ele, assim como seu cavalo no filme Tumbleweed, uma criatura muito desajeitada que acaba se tornando um salva-vidas e herói deste filme. Ele era capaz de andar por montanhas e penhascos, achar água no deserto, e se fingir de morto para índios tolos.

Audie Murphy se tornou um bem sucedido criador de cavalos de raça e também empresário proprietário de inúmeros ranchos no Texas, afastando-se do cinema para ter mais tempo para se dedicar aos seus negócios e aumentar sua fortuna pessoal.


Battle at Bloody Beach UMA AVENTURA de guerra

Um crítico disse: O que dá maior força ao filme, no que se trata da bilheteria, é a presença de Audie Murphy. Ele leva sua reputação ao personagem principal.

As sequencias de combate eram, de fato, dignas de vários elogios.

Diferente de Terrível como o Inferno, trata-se de uma história bélica ajuntada a um drama romântico.  Audie se encontra completamente tranquilo nas cenas desta escola de sangue e coragem. Sua autentica interpretação como Craig Benson, um civil trabalhando com guerrilheiros durante a batalha das Filipinas, a procura de sua esposa Ruth (Dolores Michaels, 1933-2001), de quem ele foi separado durante o ataque japonês.


Craig se encontra com outro americano, Marty Sackler (Gary Crosby, 1933-1995), que lhe conta que dois grupos de guerrilheiros rivais estão na Ilha das Filipinas. Não esta claro que grupo eles devem dar suporte contra os japoneses. No entanto, Craig logo percebe que M’Keever (William Mims, 1927-1991) esta jogando nos dois lados e, portanto, não pode ser de confiança.

Benson e Sackler são salvos pelo líder rival, Julio Fontana (Alejandro Rey, 1930-1987). A família de Fontana tem colaborado com os japoneses, mas Julio se afastou e tem ajudado americanos desamparados. Logo, Fontana leva os dois homens para o grupo onde Craig encontra sua esposa.

O encontro deveria ser doce e emocionante, mas teve suas complicações, pois Ruth estava convencida de que os japoneses haviam capturado seu marido e o matado, e desde então, ela havia iniciado um romance com o próprio...Julio.

Os americanos caminham até a praia onde Julio receberia os suprimentos escondidos no barco de Craig e o resto poderia ser levado pelo submarino. Enquanto esperam pelo submarino, são brutalmente atacados por soldados japoneses. Bem supridos com armamentos, eles acabam com o ataque, mas ficam encurralados na praia. Benson, já muito conhecido pelos japoneses, sabe muito bem que eles querem pega-lo, então propõem uma oferta ao mercenário Julio: Benson deveria ser entregue a eles e o resto seria liberado, mas ele recusa a oferta.


Enquanto os japoneses recomeçavam o ataque, um pedido de socorro foi mandado para o principal grupo de guerrilheiros de Julio. Alguns americanos foram mortos antes mesmo que o grupo de salvamento de guerrilheiros finalmente derrotassem o inimigo. Ruth deveria escolher entre os dois homens, e ela escolhe Craig, seu marido, que continuará na missão até que os japoneses sejam completamente derrotados.

Entre as curiosidades behind in the scenes por trás deste filme é que, durante um intervalo de almoço, um dos morteiros disparou acidentalmente, atingindo um velho navio que estava perto, fazendo com que ficasse completamente destruído. Os carpinteiros do estúdio, os quais tinham uma fantástica experiência em trabalhar sob tremenda pressão e sabiam como poucos restaurar relíquias, trabalharam no navio durante vários dias remodelando-o para chegar a sua antiga forma. Consequentemente, durante este período todos tiveram breves férias.



Este filme foi todo rodado em Catalina, uma ilha no Oceano Pacífico, somente 20 milhas distante da Costa da Califórnia. O mais importante cenário de todo o filme foi um velho submarino de perseguição com o casco encalhado na praia, o qual foi adquirido pela marinha americana e rebocado até o local necessário. Enquanto a produção procurava na ilha pelo melhor lugar para filmar as cenas de batalha, o velho submarino afundou no oceano. A produção parou enquanto as operações de salvamento tentavam levantar o casco novamente a sua posição inicial. Como se isso não bastasse, após a tropa de salvamento ter conseguido levantar o casco, a próxima cena pedia pelo navio estar completamente destruído após um ataque japonês. 


AUDIE, O NARRADOR
Em 1963, Audie foi o narrador do filme War is Hell, sobre a vida de um condecorado sargento que faria qualquer coisa para melhorar seu currículo. Com teor de semidocumentário, este filme bélico foi exibido no Texas Theater a 22 de novembro de 1963, ocasião que Lee Harvey Oswald estava no cinema e foi preso pela polícia pouco após o assassinato do Presidente dos Estados Unidos John F. Kennedy.


MAIS... E MAIS WESTERNS. Audie sem duvida nasceu para ser um cowboy


MATAR POR DEVER/ Seven Ways from Sundown (1960)

Faroeste, dirigido por Harry Keller (1913-1987) e estrelado por Audie Murphy e Barry Sullivan (1912-1994). Nascido no Texas, esta é a primeira vez que Murphy encarna um personagem texano como ele (com exceção de Terrível como o Inferno, em que interpretou a si mesmo). Contudo, quem rouba o espetáculo é Barry Sullivan, no papel de um simpático assassino.


Seven-Ways-From-Sundown Jones, ou simplesmente Seven Jones (Murphy), acaba de ser admitido entre os Texas Rangers e recebe do Tenente Herly (Kenneth Tobey, 1917-2002) a dura missão de capturar Jim Flood (Sullivan), um charmoso facínora que tanto deixa um rastro de sangue por onde passa quanto faz bater mais forte o coração das mulheres que o conhecem. Ajudado pelo Sargento Hennessey (John McIntire, 1907-1991), que lhe ensina a atirar bem com o revólver, Seven prende Flood, que, entretanto, mata o sargento.


No caminho para a prisão, Flood tem várias oportunidades de liquidar Seven, porém não o faz. Os dois têm de enfrentar apaches, caçadores de recompensa e outros perigos, o que os leva a se conhecerem melhor e a se respeitarem.

No entanto, o desdobramento da morte de Two Jones, irmão de Seven e também um ranger, ocorrida anos antes, leva a história para outra direção.


A QUADRILHA DO INFERNO/ Posse from Hell (1961)

Quadrilha do Inferno, lançado em 1961, foi o 23.º western de Audie Murphy e o primeiro da década de 60. O filme começa com a chegada à cidade de Paradise de quatro foragidos (interpretados por Vic Morrow, Lee Van Cleef, Henry Wills e Charles Horvath), da Prisão de Sedalla. Na curta permanência em Paradise, o quarteto mata a sangue frio algumas pessoas, leva onze mil dólares do banco local e parte levando como refém a jovem Helen Caldwell (Zohra Lampert).


Antes ferem gravemente o xerife da cidade. Recém-chegado a Paradise, para atuar como assistente do xerife, Banner Cole (Murphy) se vê responsável pela perseguição e captura dos assassinos, conseguindo somente seis homens dispostos a acompanhá-lo. Após uma extenuante perseguição aos bandidos, com o grupo se reduzindo a Cole e ao inexperiente Seymour Kern (John Saxon), o bando de facínoras é liquidado e Helen Caldwell resgatada.


GATILHOS EM DUELO/ Six Black Horses (1962)

Faroeste, dirigido por Harry Keller (1913-1987) e estrelado por Audie Murphy e Dan Duryea (1907-1968). Mais uma vez, Duryea rouba o espetáculo como um sensacional vilão, no papel de um pistoleiro sentimental chamado Frank Jesse, e pela terceira vez, atuando ao lado de Murphy (anteriormente contracenaram juntos em Traição Cruel, em 1954, e A Passagem da Noite, em 1957).


Como era comum nos veículos de Murphy, antigos astros dos filmes B aparecem em pequenos papéis, para alegria dos nostalgistas. Aqui estão presentes Bob Steele (1907-1988), astro nos anos 1930/40, Roy Barcroft (1902-1969), bandido em incontáveis westerns das matinês e seriados de cinema, e George Wallace (1917-1995), o Commando Cody do seriado da Republic Radar Men from the Moon (1952).

Segundo Leonard Maltin, o roteiro de Burt Kennedy (1922-2001) é aparentemente resquícios da célebre série de faroestes realizada pela dupla Budd Boetticher & Randolph Scott na década anterior. Acusado falsamente de roubar um cavalo, Ben Lane (Murphy) é salvo da forca pelo pistoleiro Frank Jesse (Duryea). Quando chegam à cidade, são contratados por Kelly (Joan O’ Brien), uma jovem senhora, que lhes oferece mil dólares para que eles a escoltem até Del Cobre, onde deverá encontrar-se com o marido.

Para isso, eles devem atravessar o território cheio de perigos dos ferozes índios Coyoteros. Contudo, Kelly está a esconder a verdade do motivo de os ter contratado: ela sabe que seu marido está morto, assassinado por Frank, e agora deseja vingar-se.



ABATENDO UM A UM/ Showdown (1963)

Dirigido por R. G. Springsteen (1904-1989) e produzido em preto & branco. Nesta aventura situada numa cidade da fronteira mexicana, dois presos, Chris Foster (Murphy) e Bert Pickett (Charles Drake, 1917-1994), que estão acorrentados a uma estaca, de alguma forma pretendem fugir com outros prisioneiros.


Eles são liderados pelo cruel bandido Lavalle (Harold J. Stone, 1913-2005), que rouba 12.000 dólares em títulos. Mais tarde, os dois fugitivos tentam roubar os títulos do bandido. Infelizmente, eles são capturados por Lavalle. Ele mantém refém Foster e envia Pickett a cidade para descontar os valores mobiliários. O fugitivo dá a pilhagem resultante para sua ex-namorada Estelle (Kathleen Crowley), e retorna sem nada. Lavalle enfurecido então deixa Foster ir para recuperar o dinheiro. 


BATALHA EM RIACHO COMANCHE/ Gunfight at Comanche Creek (1963)


Faroeste dirigido por Frank McDonald (1899-1980) e estrelado por Audie Murphy e Ben Cooper. Filmada em pouco mais de duas semanas, este é o primeiro remake de Enredo Sinistro/Star of Texas (1953), dirigido por Thomas Carr e estrelado por Wayne Morris e Paul Fix, e o segundo em 1957, Império de Balas/Last of the Badmen, estrelado por George Montgomery e Keith Larsen, dirigido por Paul Landres. No elenco está DeForest Kelley (1920-1999), que três anos mais tarde ficaria famoso eternamente no papel do Dr. Bones McCoy, na cultuada série clássica Jornada nas Estrelas.



Uma quadrilha age sempre da mesma forma: liberta um preso, coloca-o em alguns assaltos, e mata-o para ficar com a recompensa quando esta sobe. Para desmascarar os criminosos e levá-los à prisão, a Agência Nacional de Detetives designa o detetive Bob Gifford (Murphy). Bob assume a identidade de Judd Tanner, um bandido inventado pela agência. Ele consegue infiltrar-se no bando e participa dos crimes com o rosto descoberto, de forma que o prêmio por sua captura aumenta sempre. Contudo, Amos Troop (DeForest Kelley), o chefe visível da quadrilha, começa a suspeitar que um dos membros é um agente encoberto.


PISTOLEIRO RELÂMPAGO/ The Quick Gun (1964)



Faroeste, dirigido por Sidney Salkow (1909-2000) e estrelado por Audie Murphy e Merry Anders (1932-2012). O pistoleiro Clint Cooper (Murphy) retorna à sua cidade natal, depois de um tempo fora por ter matado em duelo dois filhos do rancheiro Tom Morrison (Walter Sand, 1906-1971).


No caminho, ele se depara com a quadrilha de Jud Spangler (Ted de Corsia, 1905-1973), pronta para assaltar o banco local. Quando chega à cidade, Clint vê que a maioria dos homens está fora, conduzindo um rebanho, mas ainda assim decide ajudar o xerife Scotty (James Best), seu amigo. Clint também deseja retomar seu romance com Helen Reed (Anders) e reaver o rancho da família.



BALAS PARA UM BANDIDO/ Bullet for a Badman (1964)

Condenado por assassinato, Sam Ward (Darren McGavin, 1922-2006) foge, disposto a matar Logan Keliher (Murphy), seu antigo colega de Texas Ranger, hoje casado com a ex-mulher de Sam, Susan (Beverley Owen).



Após assaltar um banco, Sam é perseguido por uma patrulha da qual participa Logan. Este consegue captura-lo. Mas alguns de seus homens cobiçam o dinheiro roubado e a recompensa pela captura, e ocorre um ataque dos apaches, piorando a situação quando Sam escapa, ajudado por uma mulher, Lottie (Ruta Lee). Dirigido por R.G. Springsteen (1904–1989).


RIFLES APACHES/ Apache Rifles (1964)


Faroeste dirigido por William Witney (1915-2002), outrora um cineasta de seriados de cinema (Tambores de Fu-Manchu, Legião do Zorro, Rei da Polícia Montada) e estrelado por Audie Murphy e Michael Dante. Rodado em dezoito dias na região de Mojave, este é o primeiro dos três filmes que Witney e Murphy fizeram juntos.


Território do Arizona, 1879. Apaches saem da reserva para atacar colonos e mineradores. O Capitão Jeff Stanton (Murphy) consegue capturar Falcão Vermelho (Dante), filho do chefe Vitorio, e tenta uma trégua. Todavia, seus planos são sabotados por brancos que desejam o ouro das terras indígenas. A situação piora quando eles matam o novo agente e a culpa recai sobre os índios. Jeff, com a ajuda de Falcão Vermelho, de quem se tornou amigo, procura castigar os maus de ambos os lados e levar a paz à reserva. Para isso, ele conta ainda com Dawn Gillis (Linda Lawson), a mestiça por quem se apaixonou.



BANDOLEIROS DO ARIZONA/Arizona Raiders (1965)


BUSTER CRABBE

Faroeste dirigido por William Witney (1915-2002), e estrelado por Audie Murphy, Ben Cooper, e Buster Crabbe (1908-1983), o eterno Flash Gordon dos seriados antigos das matinês.



Dois membros da quadrilha de Quantrill, Clint Stuart (Murphy) e Willie Martin (Ben Cooper), são presos e sentenciados a 20 anos de trabalhos forçados. Quando o Capitão Tom Andrews (Crabbe), que os prendera, vem a liberar os Rangers do Arizona, e os dois recebem uma proposta: em troca da liberdade, terão de ajudar os homens da lei na caça e captura de seus ex-colegas de bando.



Clint aceita pois quer se vingar de Montana (George Keymas, 1925-2008), chefe da gangue desde a morte de Quantrill.


MATAR OU CAIR/ Gunpoint (1966)


Dirigido por Earl Bellamy (1917-2003) e estrelado por Audie Murphy e Joan Staley. Rodado de 02 a 17 de junho de 1965, o filme marca o fim da parceria entre Murphy e a Universal, depois de vinte e seis realizações em dezesseis anos. Os veteranos Edgar Buchanan (1903-1979), como a parte cômica, e Denver Pyle (1920-1999), como o dissimulado ajudante do xerife, são os destaques da fita.


O xerife de Lodgepole, Colorado, Chad Lucas (Murphy), tenta impedir que um trem seja assaltado, quando recebe um tiro de seu ajudante Cap (Pyle). Cap tem ligações com os bandidos, liderados pelo cruel Drago (Morgan Woodward), e pensa que Chad está morto. Entretanto, Chad recupera-se da ferida e, sem saber quem o atacara, volta para a cidade. Daí, ele forma uma patrulha bastante heterogênea para ir atrás dos criminosos.


Em uma localidade do Novo México, portanto fora de sua jurisdição, Chad encontra Drago e também a dançarina Uvalde (Joan Staley), seu antigo amor. Drago escapa, levando Uvalde como refém. Nate Harlan (Warren Stevens, 1919-2012), dono do saloon, também ama Uvalde e junta-se à patrulha. Esta é atacada por apaches, que causam seu esfacelamento. Chad e Nate sobrevivem e têm de enfrentar ladrões de cavalos antes de chegar a Drago.


RIFLES DA DESFORRA/ 40 Guns to Apache Pass (1967)


Faroeste, dirigido por William Witney e estrelado por Audie Murphy e Michael Burns. Este foi  o último western em que Murphy foi o protagonista.



As filmagens foram feitas um ano antes do lançamento nos cinemas e duraram apenas onze dias, de 17 a 27 de maio de 1967.


Arizona, 1868. O Capitão Bruce Coburn (Murphy) está empenhado em prender Cochise, o chefe apache, que está na trilha da guerra contra os brancos. Coburn lidera seus homens na perigosa missão de buscar quarenta rifles de repetição, com os quais espera capturar o guerreiro indígena. Porém, além de emboscadas e ataques dos inimigos, Bruce ainda tem de enfrentar o traidor Bodine (Kenneth Tobey, 1917-2002), um soldado que deseja apoderar-se das armas para vendê-las a Cochise.


BANDOLEIRO TEMERARIO/

THE TEXICAN (1966)

O WESTERN EUROPEU DE AUDIE.

A partir de 1964, o mundo veio a conhecer um gênero de western que não foi concebido pelos cineastas americanos, mas sim pelos europeus. O faroeste americano, apesar de algumas inovações para ganhar a concorrência com a televisão, já estava desgastando o público. Nesta época, muitas mudanças culturais estavam ingressando na sociedade. Pareciam que os westerns americanos já eram clichês passados. Mas a Itália veio inovar o gênero estritamente americano, e o público mundial gostou dos exemplares, como a trilogia de Sergio Leone (Por um Punhado de Dólares, Por uns Dólares a Mais, Três Homens em Conflito) e as fitas de Sergio Corbucci (Django, Os Violentos Vão para o Inferno).


Não havia a exaltação romântica e nem a legenda áurea dos foras da lei, e muito menos eram limpinhos e barbeados como os cowboys interpretados pelos americanos, entre os quais, se destacava o próprio Audie Murphy. A princípio, Murphy não queria mudar seu estilo, mas vendo que estava sendo prejudicado pela nova tendência em se fazer Westerns, decidiu protagonizar um rodado inteiramente na Espanha, mas dirigido pelo americano Lesley Selander (1900-1979), que também dirigiu Audie em Bandoleiros do Arizona no ano anterior. 


Ambos partiram para a Europa e realizaram este faroeste, onde Murphy interpreta Jess Carlin, um outrora homem da lei que anos atrás fora difamado pelo dono de um saloon e chefão de uma cidade, Luke Starr (Broderick Crawford, 1911-1986).


Jess vive refugiado numa aldeia mexicana onde recebe o apelido de “texicano” (mestiço). Ao saber da morte do irmão dono de um jornal, Jess volta a cidade de Starr e descobre que a a vítima denunciara em seu jornal os ator ilegais cometidos por Luke. Logo, Jess tenta procurar provas da culpabilidade de Luke no assassinato do irmão. 



A bela atriz espanhola Diana Lorys (cujo verdadeiro nome é Ana Maria Cazorla) é Kit O’ Neal, a garota por quem tanto Jess quanto Luke se interessam, tornando-se o pivô de um conflito armado. Destaque para a bela trilha sonora de Nico Fidenco, compositor italiano que compôs vários soundtracks para muitos westerns europeus. Destaque também para a participação do notável ator espanhol Aldo Sambrell (1931–2010), como o capanga de Luke, que leva uma surra inesquecível de Audie Murphy.


MISSAO SECRETA NO CAIRO-
AUDIE MURPHY NO GENERO DA ESPIONAGEM.


A última ingressão de Audie no gênero fora do faroeste foi na aventura de espionagem Missão Secreta no Cairo/Trunk to Cairo, em 1966, rodado em locações na Alemanha e Israel. Dirigido e produzido pelo recém-falecido cineasta israelense Menahem Golan (1929-2014), que ficaria ainda mais notório na década de 1980 com fitas similares como Comando Delta (1986) e Expresso para o Inferno (1985), foi rodado entre junho e julho de 1965, mas o filme estreou somente ano seguinte, em junho na Áustria e em dezembro nos Estados Unidos (portanto, depois de Bandoleiro Temerário, feito três meses mais tarde). O objetivo do produtor/diretor Menahem Golan era, evidentemente, aproveitar o sucesso alcançado pelas aventuras de James Bond, então em franca ascensão e estreladas por Sean Connery.


A missão do agente Mike Merrick (Murphy), que trabalha para uma nebulosa organização internacional, é encontrar-se com o Professor Schlieben (George Sanders, 1906-1972) na cidade do Cairo. Ele descobre que o professor está desenvolvendo um foguete nuclear, cujo destino é a Lua.


Mike desconfia que o veículo pode ser usado como arma e destrói suas instalações. Emboscado por radicais islâmicos, ele foge para Roma, levando consigo Helga (Marianne Koch, de Por um Punhado de Dólares, de Sergio Leone), a bela filha do professor. Mas seus problemas estão apenas no começo, pois são perseguidos e capturados por agentes egípcios.


GATILHOS DA VIOLENCIA (1969
GATILHOS DA VIOLÊNCIA/A TIME FOR DYING com seu profético título foi o último filme de Audie e o único como produtor. Como tema, Audie aderiu sobre a trajetória de um jovem pistoleiro do Velho Oeste que ele mesmo já havia interpretado várias vezes nos seus anos de cinema, no entanto, seria um jovem pistoleiro sem qualquer legenda romântica, que viveria e morreria sem deixar renome. De certa forma, o personagem representava os inúmeros cowboys jovens que viveram e morreram pelas armas, mas que não deixaram lenda atrás deles. Nenhuma história cobriu suas proezas.

Neste western, o jovem pistoleiro encontra vários homens de má reputação, que eram homens lendários do Velho Oeste americano, e entre eles estavam Jesse James, Frank James, e o juiz Roy Bean.

AUDIE NO MEIO DE SEUS DOIS FILHOS, TERRY E JAMES, DURANTE A PRODUÇÃO DE GATILHOS DA VIOLÊNCIA.
Murphy apresentou seus dois filhos, Terry e James, como atores, e como era típico de seu humor negro, Audie como produtor, deu a Terry um papel em que ele seria enforcado por ladrões de cavalos antes do fim do filme. O próprio Audie voltou a interpretar Jesse James, como havia feito em Cavaleiros da Bandeira Negra/Kansas Raiders, quase 20 anos antes, mas um Jesse James já maduro e de barba.

A Time for Dying, ou  Gatilhos da Violência foi sustentado financeiramente por dois homens: Jerry Spellman e Rick Clinton, que eram empreendedores que faziam parte da FIPCO, uma organização de negócios liderada por Spellman.

Audie esperava receber 25% dos lucros do filme, ou seja, queria dizer que nenhum lucro poderia ser obtido até que “os custos dos negativos” e os custos de distribuição tivessem sido diminuídos.

Os custos dos negativos incluíam todo o dinheiro investido no filme, desde o 1º dia até a edição final. A fita então estaria pronta para ser exibida nos cinemas. Mas muitas cópias do negativo principal podiam ser feitas, assim o filme seria exibido em vários lugares diferentes.


Murphy produziu o filme em parceria com seu velho amigo, o cineasta Budd Boetticher (1916-2001), que o dirigiu em O Último Duelo/The Cimarron Kid, em 1954, e ambos tiveram problemas com as filmagens, mas incrivelmente, deram a volta por cima, pois era um longa metragem com pouco e corrido tempo para rodar. Audie acreditou que o filme necessitava de mais de 20 minutos. Com este tempo a mais, ele pretendia esticar seu pequeno ( mas importante e bem atuado papel) e fazer crescer a história. Ele também tentava conseguir dinheiro para completar o filme na ocasião de sua morte.


$800.000 Dólares foram investidos nos custos de filmagem. Spellman e Clinton, em bases estranhas e sem familiaridades, deixaram a maior parte da produção para Murphy e Boetticher. Eles fizeram o filme sem a garantia de liberação para o lançamento por parte do estúdio principal. Isto foi um jogo bastante selvagem. Se o filme fosse bem, eles seriam capazes de pedir um alto preço. Mas se o filme fosse mal, os estúdios provavelmente não iriam se interessar em permitir a liberação para as salas de cinema.  Até naquele então momento, os negativos estavam armazenados e nada estava sendo feito para aumentar a duração do filme. Spellman e Clinton eram incapazes de conseguir do estúdio a liberação da obra.

AUDIE MURPHY EM SEU ÚLTIMO PAPEL NO CINEMA, REPETINDO JESSE JAMES
Um representante da Universal Studio estudou o filme A Time For Dying, mas não foi recomendado pela empresa para sua liberação. Suas objeções principais foram: muito pouco de Audie, e uma trama que não levava a parte alguma e sem o menor sentido.

Gatilhos Da Violência foi exibido em pouquíssimas salas no Brasil só em 1982, mas já havia sido exibido para críticos em Paris. Um deles fez um excelente comentário, datado de 30 de setembro de 1971, quatro meses depois da morte de Audie Murphy.  O Daily Variety, em Hollywood, também comentou favoravelmente do filme, na sua edição de 23 de abril de 1970.

SINOPSE:
Cass Bunning é um pistoleiro à procura de glória. Quando chega a Silver City, as pessoas dizem que somente Billy Pimple tem permissão de usar armas ali. No entanto, elas ficam tão impressionadas com os malabarismos de Cass com o revólver, que até se esquecem disso. Cass acha que suas habilidades credenciam-no a capturar famosos foras-da-lei, como os irmãos Jesse e Frank James, Billy the Kid etc. Mas decide começar por Billy Pimple, que ainda não é muito conhecido.


Já casado com a bela Nellie Winters em Vinegaroon, ele empreende a volta a Silver City. No caminho, o casal é dominado por bandidos, um dos quais diz a Cass que para se sair bem em um duelo, suas mãos não podem estar suarentas. Antes de partirem, ele se apresenta como Jesse James, para espanto dos dois. Na cidade, Cass ajuda os moradores a matar vários membros de uma outra gangue. Billy Pimple, sabedor de sua destreza, desafia-o para um tira-teima. Cass tem, então, a oportunidade que queria para começar a escrever seu nome na História.


O PROCESSO E A VOLTA POR CIMA

A carreira cinematográfica de Audie Murphy sofreu reveses no fim da década de 1960, bem como também a de homem de negócios. Em 1968, o ator declarou falência de sua empresa. Para piorar, no mesmo ano se envolveu numa briga de bar, de propriedade de um amigo. Audie, que era não só bom de briga nos faroestes que atuou, mas também na vida real tinha noções de luta e técnicas de combate corpo a corpo, aprendidas durante seus treinamentos no exército durante a II Guerra Mundial. O oponente agredido por Murphy alegou que o ator tentou mata-lo, mas Audie não portava nenhuma arma de fogo ou arma branca. Só usou as mãos e os punhos.

AUDIE MURPHY E UM REPÓRTER, EM 1970
Devido ao histórico de guerra e sua contribuição aos Estados Unidos, Murphy respondeu o processo em liberdade, mas só em 1971 foi declarado absolvido da acusação de tentativa de homicídio. Durante a audiência no Tribunal, Audie ao ser interrogado pelo juiz se era mesmo verdade que ele tentou matar o homem que o processava, respondeu da seguinte forma:

Meritíssimo, se fosse verdade que quisesse matar este homem, eu carregaria uma arma e não perderia um tiro sequer.Eu sei atirar e sou bom de mira.

O Juiz cumprimentou Audie pela resposta e ele o absolveu.

AUDIE COM MAIS UMA VITÓRIA, SAINDO DO TRIBUNAL ABSOLVIDO E CONCEDENDO SIMPATICAMENTE ENTREVISTA AOS JORNALISTAS.
Audie, que além dos sofrimentos que passou no front de batalha na II Guerra, e dos traumas que ele adquiriu que incluíam ataques de insônia e depressão, que levaram o ator a se tornar viciado em Placidyl, um poderoso sonífero. Quando conseguia dormir, ele tinha pesadelos. Mas em longo prazo, Audie conseguiu vencer a dependência do Placidyl.

Por isso, ainda em fim dos anos de 1960, ele fez campanha para que o governo americano gastasse mais tempo em cuidar dos soldados que retornavam da Guerra do Vietnã. Ninguém mais do que o grande herói de guerra americano sabia com tanta exatidão dos tipos de sequelas que estes jovens combatentes iriam enfrentar no futuro.

O lado HUMANO deste grande herói real e das telas, que foi AUDIE LEON MURPHY!