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domingo, 4 de maio de 2014

Montgomery Clift, o Ídolo Torturado.


Astro cadente no mundo estrelar de Holywood, Montgomery Clift (1920-1966) é um ator inesquecível: o Cowboy de Rio Vermelho e a represália que se pode justificar, o caça-dote de Tarde Demais, a vítima do segredo da confissão de A Tortura do Silêncio, O Medíocre arrivista de Um Lugar ao Sol, o soldado leal e amigo vítima da perseguição de A Um Passo da Eternidade, o desequilibrado de Os Desajustados...ente tantos. Sempre fazendo heróis vulneráveis e frágeis, ambíguos.

Teve um belo rosto (muito parecido com Tom Cruise, ou podemos dizer que Tom Cruise se parece com ele), belo rosto este que foi parcialmente desfigurado por um acidente automobilístico, aparentemente intencional, desfiguração esta que parece ter não atingido apenas seu rosto, mas também a sua alma, pois nunca mais foi o mesmo. Tornou-se desequilibrado, com mania de perseguição, e se tornava chato com frequência. Assim era Edward Montgomery Clift (seu verdadeiro nome), que apesar de todos os desajustes e problemas que enfrentou, era na realidade um homem sensível, versado em brincadeiras com seus amigos e colegas de profissão (como Elizabeth Taylor e Kevin McCarthy), e, sobretudo, um brilhante ator que deixou uma indelével marca na Sétima Arte.


Nascido a 17 de outubro de 1920, em Omaha, Nebraska, EUA, seus pais, William Brooks, um renomado banqueiro, e Ethel “Sunny” Clift, já tinham um filho de 18 meses. Clift era gêmeo de Roberta (depois chamada Ethel), que nascera horas antes dele. Podemos dizer que Montgomery Clift nasceu em berço de ouro e numa família abastada, e seu primeiro nome foi em homenagem ao seu bisavô paterno, que se chamava Montgomery Blair. Em maio de 1928, Monty (como era chamado), com a mãe, os irmãos e a governanta, viajou para a Europa, a bordo do IIe France. Brincando na piscina do navio, outro garoto o manteve por longo tempo sob a água e quase o afogou. Seriamente afetado pela brincadeira de mau gosto, a mãe o levou a um especialista que havia tratado o Kaiser, em Munique. Submetido a demorada e difícil operação, obteve sucesso, mas a cirurgia lhe deixou com enorme cicatriz, bem visível no lado direito do pescoço, nunca percebida nos filmes graças aos recursos dos maquiadores.


Com a queda da Bolsa de Valores do ano seguinte (1929), a situação da família e do seu patriarca, William Brooks, ficou muito abalada, mas a mãe de Monty estava decidida a fazer outra viagem pela Europa, e conseguiu meios de poder realizar, desta vez para a França e Alemanha, onde ficaram de junho a novembro de 1930. Antes de terminar 1931, o pai de Monty estava completamente falido e sem emprego, e foi obrigado a vender até sua casa em Highland Park e a maioria dos móveis que a guarneciam. E a família for morar num quarto mobiliado em Greenwich Village, tendo a mãe que trabalhar em dois empregos para sustento dela e dos filhos. Quando William finalmente encontrou emprego, era tarde: a família estava desagregada, morando na Flórida, onde a vida era mais barata. Moraram em Sarasota até 1933.

O NOVO TUTOR dos meninos, Walter Hayward, lhes ensinara a recitar Shakespeare. Amigo de um produtor teatral local, Hayward soube que ele estava procurando um menino de 12 anos para um papel em As Husbands GO. Pensando que Monty poderia gostar de fazer a parte, falou com Sunny sobre a peça. Ele aprovou a idéia e o adolescente se iniciou como ator profissional. Adorou trabalhar no palco, mas Ethel, a mãe, não estava bem segura acerca de uma carreira profissional para o filho, pois parecia ser pouco digno ser ator. Mas no ano seguinte, ela mudou de opinião. Em outubro de 1935, aos 15 anos, Monty conseguiu ser escalado como o Príncipe Peter, no musical Jubilee, de Cole Porter (1891-1964), que ainda é lembrado principalmente porque o score musical incuía “Begin the Beguine” e “Just One of Those Things”. Entre elogios e reparos, entre sucessos e fracassos, a carreira nos palcos durou até 1945, fazendo com que ele se impusesse como nome respeitável numa nova geração de atores. Muitos poucos sabem, mas Monty Clift também era fascinado pela Medicina. Anos mais tarde, um médico em Hollywood, Rex Kennamer, declarou sobre o ator: “ Tinha enorme conhecimento de Medicina. Com Monty, isso parecia uma extraordinária preocupação, pois tinha maiores conhecimentos de medicações, usos e efeitos do que qualquer pessoa que não fosse médico que jamais conheci”.


HOLLYWOOD estava de olho em Montgomery Clift desde 1941, e o belíssimo filme da Metro Goldwyn Mayer, com Greer Garson, Walter Pidgeon e Teresa Wright, sob inspirada direção do sempre competente William Wyler (1902-1981), Rosa da Esperança (Mrs. Miniver), poderia ter marcado sua estréia cinematográfica. Durante uma excursão de Monty com uma de suas peças teatrais, Louis B. Mayer (1884-1957) lhe ofereceu um papel no filme prestes a entrar em produção. Ele teria aceitado, se Mayer não insistisse no então contrato-padrão de sete anos. Receberia, a princípio, 750 dólares por semana, com aumentos progressivos automáticos. O pai de Monty quis se meter na negociação, insistindo que o filho assinasse o contrato, dizendo: “Você nunca mais terá outra oportunidade como esta”. Mas sabiamente, Monty acreditava que tudo era uma simples questão de tempo os estúdios lhe darem o que desejava. E o papel em Mrs. Miniver foi confiado a Richard Ney. Seu agente, Leland Hayward (1902-1971), sempre dizia que Clift era orgulhoso demais para ficar em Hollywood nas condições que ele queria. Hayward lhe pediu que ficassem em Los Angeles por alguns meses a fim de ter encontros com os chefões dos grandes estúdios. Com muita astúcia, lhe conseguiu um contrato de 6 meses com a MGM, apenas para que permanecesse na Califórnia. Os Big Bosses não podiam entender o desejo de Monty em manter sua independência, avisando-o que poderia “cometer enganos” se o fizesse. Monty respondia a eles: “Vocês não entendem. Quero ser livre para fazer isso”.


RIO VERMELHO (RED RIVER, 1947)

Para o público, o début cinematográfico de Montgomery Clift ocorreu com Perdidos na Tormenta, feito em 1948. Em 1947, porém, convidado por Howard Hawks (1896-1977), fez o papel do impetuoso jovem Matthew Garth, filho adotivo de Thomas Dunson (John Wayne, 1907-1979), em Rio Vermelho, seu primeiro filme, e terminado no mesmo ano.

Ao iniciar a produção do filme, Hawks assinara contrato de distribuição com a United Artist. Com o orçamento estourado em mais de um milhão de dólares, o diretor-produtor preocupou-se com as possíveis rendas do filme, e atrasou o lançamento por quase um ano, na esperança de conseguir outro distribuidor que pudesse lhe dar as garantias de rendas compensadoras. Conseguiu, mas a United recusou-se a liberar o contrato, certa de que poderia trabalhar o filme de maneira satisfatória para Hawks, e lançado somente em 1948, depois de Perdidos na Tormenta- os lucros internos de quatro milhões de dólares provaram que ela estava certa.
 


RED RIVER foi o único Western na filmografia de Clift, e ele atuou como um veterano no gênero, ao lado de “cobras” como John Wayne, Walter Brennan (1894-1974), John Ireland (1914-1992), e Harry Carey (1878-1947). Clift teve cenas espetaculares com o “Duke”, em especial a cena em que se enfrentam, em uma luta violenta usando braços e pernas. E Poética e romântica a cena de amor do filme, quando ele passa a noite com Tess Miller (Joanne Dru, 1922-1996), ao relento, sob uma árvore, com a chuva caindo impertinente.

 

PERDIDOS NA TORMENTA (THE SEARCH, 1948)

Fred Zinnemann (1907-1997) falou-lhe sobre The Search- que veríamos com o título de Perdidos na Tormenta- quando ele ainda estava filmando Red River, e prometeu-lhe, desde que pudesse fazê-lo, 75 mil dólares pelo filme todo, trabalho planejado para seis semanas em locações na Alemanha e na Suíça. Lazar Wechsler (1896-1971), o produtor, lhe deu consentimento verbal para proceder a alteração nos próprios diálogos. Monty preparou-se maravilhosamente para o papel do engenheiro militar Ralph Stevenson, que serve na zona de ocupação americana, na Alemanha do pós-guerra. Ele encontra um menos abandonado, faminto e andrajoso, perambulando por uma Alemanha em ruínas. Karel Malik (Ivan Jandi, 1937-1987), a quem socorre, leva para casa e passa a tratar como filho.

A interpretação que Montgomery Clift deu ao personagem foi extremamente sincera e feliz, valendo-lhe a primeira indicação para o prêmio da Academia, na categoria de melhor ator. E Ivan Jandi (que faleceu em 1987, aos 50 anos, por complicações do diabete) ganhou um Oscar na categoria especial de ator juvenil, pela destacada performance que teve no filme.


TARDE DEMAIS (THE HEIRESS, 1949)

Unanimemente considerado como a mais nova sensação masculina das telas, Monty foi escolhido por William Wyler, em 1949, para a parte de Morris Townsend, o namorado sem escrúpulos da rica herdeira Catharine Sioper (Olivia de Havilland), na adaptação cinematográfica da peça de Ruth e Augustos Goetz The Heiress, baseado no romance Washington Square, de Henry James- que no Brasil se chamou Tarde Demais. E ele foi um convincente caça dotes, um jovem charmoso e irresistível que subjuga a herdeira tímida, recatada e reprimida.

No ano seguinte, Clift quase que repete praticamente o mesmo papel que fizera de Tarde Damais, pois ele foi seriamente indicado para interpretar Joe Gillis em Crepúsculo dos Deuses (Sunset Boulevard), mas acabou indo para William Holden (1918-1981), que declarou: “Não consegui o papel pelo fato de Billy Wilder estar louco de que eu trabalhasse no filme. Consegui porque Montgomery o recusou”.

Billy Wilder (1906-2002) recordou anos depois certos fatos sobre Montgomery Clift e sua recusa de estrelar Sunset Boulevard: “A Parte do roteirista Joe Gillis, que se torna gigolô, foi escrita para Montgomery Clift. Duas semanas antes do início das filmagens, nos chega o agente de Monty, nos informando que não faria o filme, com receio do que poderia pensar suas fãs se ele tivesse um caso com uma mulher com duas vezes a idade dele? Bom, eu esperava isso de um ator de Hollywood, mas não de um ator sério que julguei acreditar. Diante disso, William Holden foi escolhido, e ele teve sua primeira indicação pela Academia como melhor ator”.



UM LUGAR AO SOL (AN AMERICAN TRAGEDY, 1951)

Baseado na obra prima de Theodore Dreiser (1871-1945), An American Tragedy – que já havia sido filmado em 1931 pela mesma Paramount, e dirigido por Josef Von Sternberg (que substituiu Sergei Eisenstein), com Sylvia Sidney, Phillip Holmes e Frances Dee e quando lançado no Brasil recebeu o título literal de Uma Tragédia Americana.

Um Lugar ao Sol foi dirigido pelo grandioso George Stevens (1904-1975), e é um dos dois filmes definitivos de Montgomery Clift, junto com A Um Passo da Eternidade.

George Eastman (Clift) nega-se a oportunidade da escolha. Ele é impelido pela sociedade, pelo materialismo americano, pelas mulheres, e por quaisquer outras razões. Ambicioso e impulsivo, é este impulso que o encoraja, até que sua namorada grávida (Shelley Winters, 1920-2006) morre, e perde para sempre a mulher que verdadeiramente ama (Elizabeth Taylor, 1932-2011), acabando penalizado pela lei.

Mas George age por motivos que ele mesmo próprio não compreende. Durante o julgamento, tenta justificar seus atos, mas é tarde demais. Simpático, gentil, enigmático- como se desejável por essas razões, como Ângela Vickers (Elizabeth Taylor) o é por sua beleza e riqueza- chega as raias de incorporar a personalidade cinematográfica de Clift.

UM LUGAR AO SOL ganhou 6 prêmios da Academia, mas Montgomery Clift, na categoria de melhor ator, não ganhou o Oscar, perdendo para Humphrey Bogart (1899-1957) por Uma Aventura na África/The África Queen. Segundo palavras de Charlie Chaplin (1889-1977), Um Lugar ao Sol é "o melhor filme jamais saído de Hollywood". Este filme inspirou a novelista brasileira Janete Clair (1925-1983) a escrever SELVA DE PEDRA, lançado em 1972 na TV brasileira, onde o personagem de Francisco Cuoco, Cristiano Vilhena, era um facsimile  do personagem feito por Monty.


A TORTURA DO SILÊNCIO (I Confess, 1953)


MONTGOMERY CLIFT foi uma escolha perfeita de Alfred Hitchcock (1899-1980) para o papel do Padre Michael William Logan em I Confess, roteiro de George Tabori e William Archbald, baseado na peça Nos Deux Consciences, escrita em 1902.

Otto Keller (O.E. Hasse, 1903-1978) confessa ao Padre Logan (Clift) que havia cometido um homicídio, na pessoa do advogado corrupto Villete (Ovila Legare, 1901-1978). Para praticar o crime, Keller tinha usado uma batina, obtida na igreja do Padre Logan, em Quebeck, onde ele era sacristão. Logan e uma mulher casada, Ruth Grandfort (Anne Baxter, 1923-1985), tiveram um love affair antes de ele ter se ordenado padre e estavam sendo chantageados pela vítima do crime, que sabia do caso. Por isso, recaíram sobre ele a suspeita e a acusação da autoria do crime.

O segredo da confissão não lhe permitia revelar o nome do verdadeiro assassino, nem mesmo ao seu advogado. Mas tarde, a esposa de Keller, o verdadeiro assassino, acaba denunciando o marido. A Polícia o persegue e Keller é baleado ao tentar fugir. Caído na rua, moribundo e cercado por curiosos, faz a confissão final ao Padre Logan, que lhe dá a extrema unção e ele morre em seus braços.


A UM PASSO DA ETERNIDADE (From Here to Eternity, 1952)


Pelos direitos de filmagem do Best Seller de James Jones (1921-1977), sobre a vida na base militar em Pearl Harbor às vésperas da entrada dos Estados Unidos na II Guerra Mundial, Harry Cohn (1891-1958) pagou 82.000 dólares, sabendo que resultaria num grande filme para a sua Colúmbia Pictures. Mas ele não tinha idéias dos problemas terríveis que enfrentaria para levar adiante seu projeto de levá-lo as Telas. O livro de Jones se estendia pelas 860 páginas, e adaptá-lo sem ferir o espírito da obra não era tarefa nada fácil. Além disso, o romance de Jones guarda elementos quase impossíveis de serem filmados, sem ofender os brios do Exército ou ferir o vigente hiper Código de Produção de Hollywood, o famoso Código Hays, ainda bem vigente em 1952.

Finalmente, quando Daniel Taradash (1913-2003) o presenteou com um roteiro, Cohn sentiu que não era só exeqüível como também fiel ao espírito do romance From Here to Eternity.

Para o papel do soldado Robert Lee Prewitt, um corneteiro que é boxeador, o big shot da Colúmbia queria John Derek ou Aldo Ray, ambos contratados pelo estúdio. Mas Fred Zinnemann queria Montgomery Clift, que foi contratado por 150.000 dólares.

Eli Wallach originalmente foi escolhido para ser o tenaz e sofrido Ângelo Maggio, mas devido a outros compromissos assumidos na Broadway, ele acabou desistindo. Frank Sinatra (1915-1998), com a carreira em declínio, se interessou pelo papel, e embora endividado, ofereceu-se em fazer, trabalhando praticamente de graça. De início, Cohn nem queria saber dele, nem mesmo com uma falada interferência da Cosa Nostra. Somente depois, que Ava Gardner (1922-1990), então mulher de Sinatra, fez uma súplica pessoal por ele que o relutante magnata acabou concordando em testar o ídolo romântico de outros tempos e ex-astro da Metro.O teste impressionou Zinnemann, e a carreira de Sinatra, então em declínio, voltou a espeta, recuperada por menos de 8.000 dólares. E de quebra, ganhou o Oscar de melhor ator coadjuvante pelo seu papel.

O resultado de todo o trabalho de produção, o restante do elenco- Burt Lancaster (1913-1994) no papel do complacente Sargento Milton Warden; Ernest Borgnine (1917-2012) como o sádico sargento “Fatso” Judson, que fez do pobre Ângelo Maggio como vítima de sua perversidade; Deborah Kerr (1921-2007), na pele da pouco recatada esposa do comandante da base, Karen Holmes (papel que estava destinado para Rita Hayworth, que recusou, seguida de Joan Crawford) cujo aparente frescor e serena delicadeza britânica intensificaram a colisão das ondas que se encresparam pelas telas dos cinemas do mundo, quando ela e Lancaster usam a praia para uma das mais famosas cenas de amor jamais vistas num filme, ousadíssima para época;

E Donna Reed (1921-1985), no papel da prostituta Alma Lorene, interesse amoroso de Prewitt (Clift), que apesar de não ter sido a primeira escolha de Zinnemann (que queria Julie Harris, mas Harry Cohn achou a aparência da atriz muito “Família” para um papel que exigia muita sensualidade) é uma das grandes responsáveis pelo sucesso do filme que vem atravessando décadas, ganhando 8 Oscars - todo elenco, todos os atores desempenhando muito bem seus papéis.

Mas...e Montgomery Clift?

Mais uma vez, como tantas e tantas outras (e sempre será, afinal, nada é perfeito), a Academia falhou em não premiar Monty como melhor ator, na sua terceira indicação, e talvez, pela melhor performance de esta carreira.


O ACIDENTE
Hoje, sabe-se que Montgomery Clift era homossexual. Talvez para preservar sua imagem de galã, muitos de seus primeiros biógrafos afirmavam que o grande amor de sua vida fosse Elizabeth Taylor (1932-2011). Esta, sempre soube da orientação sexual de Clift, mas as barreiras e empecilhos da época- e fora a Indústria Cinematográfica que não aceitava que seus astros fossem “gays”, algo inaceitável e imperdoável tanto para o público que ia aos cinemas quanto para os padrões e sistema da época- impedia que ele assumisse sua condição.

Monty e Liz ficaram muito amigos, e durante as filmagens de Um Lugar ao Sol, Monty sempre desabafava com Liz. Houve sempre entre os dois uma amizade mútua, baseado sobretudo na confiança.

Na noite de 12 de maio de 1956, Liz, então casada com o ator Michael Wilding (1912-1979), seu segundo marido, ligou para Monty, que morava bem próximo a casa dela, a fim de convidá-lo para jantar. Kevin McCarthy (1914-2010) estaria presente, assim como Rock Hudson (1925-1985- outro homossexual muito amigo de Liz, amizade esta que durou até a morte do ator), e secretária Phyllis Gates.

Monty aceitou o convite. Ele havia tomado decisão de não dirigir mais carro, pois ele ficava amedrontado no volante, e por isto, tinha contratado um motorista particular. Nesta noite, ele estava tão cansado que decidira ficar em casa, dando noite livre para o motorista. Não dirigia a meses, mas, assim mesmo, pegou o carro e tomou o rumo da casa de Liz, aonde chegaria em 4 a 5 minutos.

Durante o jantar, apenas tomou um pouco de vinho e nada mais bebeu durante toda noite. Por volta da meia noite e meia, despediu-se e saiu com McCarthy, deixando a luxuosa mansão, localizada bem do alto de uma colina, com a expressa recomendação de Liz para que seguisse de perto o carro de Kevin, para sua maior segurança. E ele prometeu que assim ele faria, para ela não se preocupar.

De repente, ouvi um terrível estrondo”, contou Kevin (foto). “Parei meu carro e dei marcha a ré dentro da noite, para encontrar o dele, destruído contra um posto telefônico. Senti cheiro de gasolina e procurei desligar a ignição, mas estava tãoescuro que não podia ver nada, nem mesmo Monty. Aterrorizado, voltei rápido para a casa dos Wildings, batendo forte na porta e gritando para que chamassem uma ambulância, sem saber se Monty estava vivo ou morto”.

Tanto Kevin como Michael tentaram impedir Elizabeth Taylor de descer a colina e ir até o local do acidente em eles, mas, como acrescentou Kevin: “Ela estava desesperada, ela lutou conosco como um tigre e desceu correndo a colina”.

E LIZ TAYLOR diria: “O rosto de Monty escorria sangue e mal podia vê-lo. Mas me arrastei para dentro do carro e coloquei-lhe a cabeça no meu colo. Finalmente, ele voltou a si e começou a tentar puxar um dente solto. E Pediu-me para puxar outro e eu o atendi. Tive que me controlar para não passar mal”.

Chega o Dr. Rex Kennamer, que auxiliado por Rock Hudson, consegue retirá-lo do carro. Liz entrou na ambulância com ele, e chegaram ao Hospital Cedros do Líbano. Quando Clift foi levado para a sala de operações, Liz entou em forte crise de histerismo.

O Dr. Kennamer detalhou os estragos na face e no corpo de Monty: lacerações no lado esquerdo da face, com um nervo cortado, deixando aquele lado entesado e a boca torta; nariz quebrado e esmagamento da cavidade óssea; ambos os lados do maxilar quebrados, três dentes frontais perdidos; grave concussão cerebral; deslocamento do pescoço.

Clift recuperou-se por algum tempo no hospital, onde depois de três semanas, os médicos descobriram que um lado do maxilar havia sido engastado incorretamente. Tiveram de quebrá-lo e reengastá-lo.

Com o rosto sensivelmente desfigurado, evitaram de lhe dar papéis que pediam rostos bonitos e perfeitos, e desde aquele momento ele passou a fazer personagens sofridos, que iam de acordo com seus novos traços faciais, seu novo visual. Montgomery Clift, que já tinha tendências depressivas, nunca mais foi o mesmo. A alma também fora profundamente atingida e ele se transformou num homem amargurado e triste. Um homem torturado.




A ÁRVORE DA VIDA (Raintree County, 1957)

Em abril de 1956, a MGM havia iniciado a produção de A Árvore da Vida, com status de superprodução, tendo como principais destaques do enorme elenco Montgomery Clift, Elizabeth Taylor, e Eva Marie Saint. Preocupado de Clift estar bebendo exageradamente (mesmo antes do acidente), o produtor (e depois chefe da MGM) Dore Schary (1905-1980) fez um seguro do filme, o que nunca havia acontecido antes por 500.000 dólares, para cobrir qualquer problema que pudesse ocorrer durante a produção. Estavam as filmagens em meio quando aconteceu o acidente com o carro do ator, e elas foram interrompidas por nove semanas.

Recebendo alta dos médicos, Clift apresentou-se prontamente aos estúdios para o reinício das filmagens. Em dores constantes e tomando regularmente codeína e um sortimento de pílulas que trazia numa sacola. Clift sentia que devia aos colegas e ao estúdio a imediata volta ao trabalho. Era cedo ainda, mas os sensos de responsabilidade e coleguismo prevaleceram. O rosto ainda estava inflamado. O perfil direito foi menos danificado e, assim, ele foi mais fotografado por este ângulo, com mais freqüência. Os olhos- sempre o melhor de sua imagem- nem sempre estavam claros e limpos. Mesmo com o uso contínuo de colírios, mostravam-se muito irritados e vermelhos, redobrando os cuidados de Robert Surtees (1906-1985), diretor de fotografia (Ben-Hur).


Pela extrema dedicação de Monty e seu amor ao filme, Edward Dmytryk (1908-1999) conseguiu terminá-lo; o lançamento ocorreu a 4 de outubro de 1957, com 165 minutos de projeção condensando o massudo romance de Ross Lockridge Jr (1914-1948), que são de 1.066 páginas. Com o roteiro de Millard Kaufman (1917-2009), seguindo muito perto a obra em que se baseia, acontecimentos históricos e personagens matizados, cujos diálogos dão vida a trama que se inicia em 1859, quando o “Professor” Jerusalém Webster Stilles (Nigel Patrick, 1913-1981) fala aos alunos John Wicklift Shawnessy (Clift) e Nell Gaither (Eva Marie Saint), formandos em curso secundário, em Fairhaven, Indiana, da existência de uma árvore dourada, que representa a verdade e a realização, oculta em algum lugar do condado- e eles logo se põem a procurá-la.

Embora Nell e John sejam namorados, ele se casa com a bela Susanna Drake (Liz Taylor), quando ela lhe revela esperar um filho dele. Susanna mentia para forçá-lo ao casamento. Em visita ao Sul, John fica sabendo do confuso estado mental de Susanna, envolvendo temores de miscigenação e um mistério cercando a morte dos pais num incêndio. Nasce um filho do casal. Irrompe a Guerra Civil Americana (1861-1865), e John fica em casa, dando aulas e cuidando de seu filho Jimmy e de sua esposa cada vez mais perturbada.

Um dia Susanna foge de casa com o menino e John se alista no Exército da União para tentar encontrar vestígios deles. Acaba por descobrir Jimmy abrigado por antigos escravos de Susanna e o leva consigo. Terminada a Guerra, localiza Susanna num hospício e volta para Indiana.

Aparentemente recuperada, mas acreditando que seu comportamento vem impedindo John de buscar a árvore fabulosa, Susanna foge uma noite à procura dela, sendo seguida por Johnny, que dera sua falta. No dia seguinte, é encontrada morta no pântano, e John e Nell, reunidos finalmente, encontram Jimmy (Mickey Maga) ao sopé de uma árvore dourada.


ÚLTIMOS FILMES

Entre 1958 e 1966, fez seus últimos seis filmes. Os Deuses Vencidos, como o insignificante e odiado soldado judeu Noah Ackerman. Em Paris, onde o filme estava prestes a ser rodado, Monty desapareceu, prejudicando toda equipe e atrasando as filmagens. Foi descoberto muitos dias depois, no Sul da Itália, em um bordel imundo.

De 1959, Por um pouco de Amor, fazendo um colunista sentimental, contracenando com Robert Ryan (1909-1973), a veteraníssima Myrna Loy (1905-1993, em 115º filme) e Dolores Hart. De Repente no Último Verão, baseado na peça de Tennessee Williams (1911-1993), roteiro de Gore Vidal e do próprio Williams, pela terceira e última vez contracenando com sua grande amiga Elizabeth Taylor, e pela primeira (e única) vez com a Diva Katharine Hepburn (1907-2003). 1960, um encontro com Elia Kazan (1909-2003) em Rio Violento, que dirigiu Clift em um drama estranhamente perturbador, contracenando com Lee Remick (1935-1991), Albert Salmi (1928-1990), e Jo Van Fleet (1914-1996).

No mesmo ano, John Huston (1906-1987) dirigiu Clift e um elenco all star no que é considerado um de seus piores filmes- Os Desajustados. Só elenco era de primeira, trazendo Clark Gable em seu último filme (ele morreria em novembro de 1960), e Marilyn Monroe (1926-1962), que como Clift, também andava dando problemas durante as filmagens, e como Gable, também se despediu das telas com este filme.

Julgamento em Nuremberg, como o esterilizado deficiente mental Rudolf Petersen, papel de 7 minutos. Stanley Kramer ofereceu 50.000 dólares (pelo filme Os Desajustados, Clift recebeu 200.000), mas os agentes do ator aconselharam a não aceitar, para não abrir um precedente, mas Kramer insistiu pessoalmente com ele e o contrato foi assinado por uma quantia mínima, a título simbólico, mas despesas. Pelos 7 minutos de presença na tela, teve pela quarta e última vez o nome indicado pela Academia para suas premiações anuais, desta vez como melhor ator coadjuvante. Dele disse Stanley Kramer (1913-2001): “Clift é um dos três ou quatro maiores atores que existem".

Voltou a ser dirigido por John Huston em Freud, além da Alma, filme difícil, de cujo elenco também participou Susannah York, Larry Parks (1914-1975), Susan Kohner e David McCalum. Do seu trabalho, Huston se recordaria: “Ao fim, penso que ele deu uma interpretação extraordinária. Freud era um homem torturado. Ao menos, conseguiu um ator torturado.”

Em outubro de 1965, foi recomendado pelo escritor Salka Viertel ao produtor-diretor Raoul Lévi (1922-1966) para fazer o papel principal de um thriller de espionagem que ele havia escrito com base num romance de Paul Thomas – The Defector. Inteiramente filmado em locações na Alemanha, o filme foi lançado em 1966 e marcou a despedida de Clift das telas.

As condições de saúde de Montgomery Clift se deterioravam ano após ano. Em janeiro de 1962, foi operado de uma hérnia e veias varicosas. Em dezembro do mesmo ano, à primeira de duas operações de catarata. O trabalho no Cinema, cada vez mais escasso, e com problemas de saúde e de bebida, tornou-se um ator pouco confiável. A memória, sempre considerada excelente, já não era a mesma.

Na manhã de 23 de junho de 1966, Montgomery Clift foi encontrado morto, às 6 horas da manha, por um amigo que cuidava dele em seus últimos anos. Levado para o necrotério da cidade, o legista fez a necropsia, e declarou que o ator tinha morrido de explosão da artéria coronariana. O ator esta sepultado em um cemitério Quaker, em Broklyn, Nova York(foto).


O TEATRO E O CINEMA- DECLARAÇÕES DE MONTGOMERY CLIFT


Não tenho medo de ser estereotipado. O maior perigo é demonstrar segurança, ser digno de confiança. A Mais forte motivação, em um ator é a prova, o experimento. Tudo o que nos desenvolve é digno de ser interpretado, mesmo se for um fracasso.”

Em muitos aspectos, a tela é um meio mais satisfatório do que o palco. A sinceridade chega melhor ao ator e há mais oportunidade para sutilezas, porque a câmara nos esta em cima o tempo todo”.

E SE CONTRADIZ:
O desafio de interpretar nos palcos é maior no que nos filmes. Não há policiamento diante de uma personalidade isolada. Se você tem um papel extenso, tem que agüentá-lo, e bem.

Criticado pela escassez do guarda-roupa, disse: “Tenho um terno de que gosto muito e pretendo mantê-lo enquanto as boas traças o pouparem”.

Reprodução de uma matéria de 17 de outubro de 2010, mais atualizada, com base em artigo de João Lepiane, da Revista Cinemim nº 82- março/abril de 1993.


PRODUÇÃO E PESQUISA: PAULO TELLES.
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segunda-feira, 17 de junho de 2013

Os 15 Maiores e Inesquecíveis Compositores do Cinema Antigo


O que seria da Sétima Arte sem o acompanhamento musical? É inegável que o cinema e a música são duas artes que caminham juntas, pois a trilha sonora de um filme fornece o clímax  ideal no desenrolar de uma trama. Todas as expressões apresentadas num acorde de Trilha Sonora (ou como chamam os portugueses lá na terrinha, de Banda Sonora) realçam aventura, grandeza, tristeza, romance, amor e ódio no teor de uma obra cinematográfica. Sem a música, o cinema não seria uma arte completa a luz das plateias.

O que seriam estas cenas de ação sem o score dos grandes compositores? Pois o cinema antigo foi abençoado por muitos deles, que fizeram encantar o público com seus acordes. Cada um exercia seu repertório, cada um tinha seu estilo único e sua originalidade, e para os amantes das trilhas sonoras clássicas do cinema, dificilmente tal estilo passa desapercebidamente.  Podemos reconhecer em cada um destes Mestres o seu estilo próprio, deixando um legado não somente importante para a Sétima Arte, mas também para a História da Música.

Aqui traçamos os 15 (quinze) maiores e inesquecíveis compositores do cinema antigo americano e internacional, que deram a Tela Maior sua imensa contribuição, levando ao público de cinema sentimento e emoção, dando ainda mais vida as superproduções grandiosas da Sétima Arte. Clássicos como Casablanca, E o Vento Levou, Ben-Hur, Sete Homens e um Destino, entre outros e outros mais, tem a marca indelével destes grandes Mestres da Música. Vamos aqui, apontar, um por um destes grandes maestros:


ALFRED NEWMAN (1901-1970)

Nascido a 17 de março de 1901, em New Haven, Connecticut - Estados Unidos, e vindo de uma família de poucas posses, Alfred Newman foi sem dúvida um dos maiores músicos, compositores, e arranjadores do Cinema, uma das grandes expressões que fizeram a grande música da Sétima Arte. Ele tinha um estilo essencialmente lírico, operístico, e expressivo. Seu método de compor era a colocação da atmosfera, a música se contrapondo à ação do filme. Tinha uma reputação de perfeccionista extremo e ser quase obsessivamente auto-crítico. Além disso, era um fumante compulsivo.


Alfred foi uma criança prodígio na idade de oito anos. Ele começou como acompanhante ao piano em um vaudeville, e nas covas de orquestra nas salas de cinema, quando estes ainda exibiam os filmes mudos, e graças ao seu talento nato no piano, ganhou uma bolsa de estúdios. Newman trajetou seu caminho até a escalada do sucesso, ao realizar sua primeira orquestra com a idade de dezessete anos, e consequentemente, foi rotulado como  o 'menino maestro'. Em 1917, se dirigiu para Nova York, começando a compor na Broadway, e sua primeira composição foi Escândalos de George White.



Por iniciativa de Irving Berlin (1888-1989), que o indicou ao chefe da United Artists, Joseph M. Schenck (1878-1961) , Newman foi convidado para Hollywood em 1930, com o objetivo de organizar uma composição para a comédia de Berlim Reaching for the Moon (1930). Ele então foi contratado pela United Artists, trabalhando principalmente para Samuel Goldwyn (1874-1979), para um período dede sete anos, entre 1931 a 1938. Produtor Darryl F. Zanuck (1902-1979) se encantou tanto com o trabalho de Newman, que o persuadiu para se juntar a sua recém-formada 20th Century Fox. Seu mandato subsequente na Fox, tanto como compositor e diretor musical, atravessou os anos de 1938 a 1959. Durante este tempo, ele se tornou o mais prodigioso vencedor do Oscar do estúdio. A partir de 1940, até sua partida, ele detinha o título de o maior diretor de música do cinema.



Em 1940, Newman assumiu a direção musical da Fox, onde criou o tema de abertura até hoje usado nas aberturas de suas produções. Ali, além de compor, fez a direção musical dos seguintes filmes:

A EPOPÉIA DO JAZ/ALEXANDER REGTIME BAND/1936- A VIDA É UMA CANÇÃO/TIN PAN ALLEY/1940- SUA EXCELÊNCIA A EMBAIXATRIZ/CALL ME MADAM/1953-  O REI E EU/THE KING AND I/1956

Destacam-se entre suas maiores composições A Marca do Zorro/ The Mark of Zorro (1940), Almas em chamas/Twelve o' Clock High, a dramática música de apresentação do western de Henry King O Matador/The Gunfighter, e a partitura de O Capitão de Castela/Captain from Castile, de 1952, e O Manto Sagrado/The Robe (1953), a angustiante música que acompanha Cristo carregando a cruz ao Calvário.

Outros trabalhos deste talentoso músico:



NO TURBILÃO DE METRÓPOLIS/STREET SCENE/1931 - O MORRO DOS VENTOS UIVANTES/Wuthering Heighst/1939 - GUNGA DIN/Gunga Din/1939 -COMO ERA VERDE MEU VALE/How Green Was My Valley/1942- AS CHAVES DO REINO/THE KEYS OF THE KINGDOM/1944- O FIO DA NAVALHA/The Razor's Edge/1949- DAVID E BETSABÁ/David and Bethsabá/1951- O MANTO SAGRADO/The Robe/1953- O EGÍPCIO/The Egyptian/1954-  SUPLÍCIO DE UMA SAUDADE/Love is a many Splendored Thing/1955- O DIÁRIO DE ANNE FRANK/ The Diary of Anne Frank/1959- A CONQUISTA DO OESTE/How the West was Won/1962-  A MAIOR HISTÓRIA DE TODOS OS TEMPOS/ The Greatest Story Ever Told/1965- NEVADA SMITH/1966

Pouco antes de morrer de enfisema, a 17 de fevereiro de 1970, Alfred Newman ainda compôs a trilha de AEROPORTO, seu último trabalho. Enfim, um dos grandes mestres da Música do Cinema que não deve jamais ser esquecido. 


VICTOR YOUNG (1899 – 1956)

Nascido a 8 de agosto de 1899 (outras fontes citam 1900) em Chicago, estudou no conservatório de Varsóvia e viajou pela Europa como violonista com a Filarmônica de Varsóvia. Nos anos de 1920, se tornou um mestre em concertos, e foi maestro de artistas de renome como Al Jolson (1886-1950) nos anos de 1930. Entre seus sucessos estão Who’ s Afraid of the Big Bad Wolf  e Mona Lisa.



Quando já havia se estabelecido no cinema, sua orquestra acompanhou Judy Garland (1922-1969) em O Mágico de Oz, e em sua famosa canção Over the Rainbow, e Bing Crosby (1904-1977) em Too Ra Loo ra Loo ra no clássico O Bom Pastor, de 1944.




O Começo de fazer trilhas sonoras começou, de fato, em 1936, e entre mais de 300 executadas de acordo com sua filmografia (e discografia) , encontram-se as de Por Quem os Sinos Dobram (1943), Rio Grande (1950), Scaramouche (1952), e Os Brutos também Amam/Shane (1953).


Seu talento chamou a atenção da Paramount Estúdios, onde foi assinado um contrato de um ano em 1936. Ele trabalhou para o estúdio novamente entre 1940 e 1949, mas, nesta altura, sua reputação tornou-se tão formidável que ele chegou a ser considerado como o maior compositor do cinema em sua época, e atribuiu a maior parte de seu sucesso devido ao seu alto grau de instrução.


Sua música sutil é perfeitamente integrada em dramas como Vendaval de Paixões (1942), Alma Negra (1948),  e no retumbante clássico do Mestre John Ford (1895-1973) DEPOIS DO VENDAVAL, em 1952.


Young compôs para muitos filmes sonoros dirigidos por Cecil B. DeMille (1881-1959), o Papa dos filmes épicos e religiosos de Hollywood, entre os quais se destaca Sansão e Dalila, de 1949 (estrelado por Victor Mature e Hedy Lamarr), onde compôs para obra sacra de DeMille a famosa Canção de Dalila, tema da personagem de Lamarr. Em 1955, o cineasta convidou Young para compor a trilha sonora de seu então novo e mais bem sucedido épico bíblico, Os Dez Mandamentos (1956), contudo a saúde impediu o compositor a aceitar o convite, e em seu lugar entrou o jovem (e revelador) Elmer Bernstein (1922-2004).

Victor Young detém o recorde de número de indicações ao Oscar recebidas antes mesmo de receber um, em definitivo em 1956, pelo delicioso score de A Volta ao Mundo Em 80 Dias (1956). Contudo, Young faleceu a 10 de novembro de 1956, aos 57 anos de idade, de um Acidente Vascular Cerebral, meses antes a premiação que lhe imputou e que foi ganha postumamente. O volume de sua obra e sua popularidade duradoura na música fez garantir a Victor Young sua imortalidade entre as fileiras dos grandes compositores do cinema no século XX.


MIKLOS ROZSA (1907-1995)

Miklos Rozsa nasceu em Budapeste a 18 de abril de 1907,  e desde cedo demonstrou a mesma afinidade com sua mãe para a música (Sua mãe tinha treinado ele como um pianista, na Academia Liszt.). Miklos aprendeu o violino, a viola, e piano, e foi publicamente executar Mozart com a idade de 7 anos.

Com a carreira musical esperada, ele foi sendo inspirado por Bartok, Kodaly, entre outros músicos, e compartilhou o seu gosto pela música folclórica húngara. Ele estudou formalmente na Universidade de Leipzig e lá compôs várias obras clássicas, incluindo o seu primeiro Concerto para Violino. Ele continuou a compor depois de se mudar para Paris e ganhou a atenção de Richard Strauss e Dohnanyi.


Ele estudou em mais de Trinta colégios em Londres, e uma de suas composições foi o primeiro para um filme do cinema europeu, dirigidos pelos diretores Jacques Feyder e Alexander Korda. Quando irrompeu a guerra na Europa, Rozsa mudou-se para os Estados Unidos, onde sua trilha O Ladrão de Bagdá (O Livro das Selvas, fita estrelada por Sabu) trouxe-lhe a atenção imediata e uma indicação ao Oscar.


Ele continuou seu trabalho em Hollywood e com uma prolífica carreira distinta marcando vários filmes bem conhecidos. Entre estes estão vários exemplos do clássico Film Noir, como Brutalidade/Brutal Force (1947) e Baixeza/Criss Cross (1948) (ambos estrelados por Burt Lancaster) antes que ele conquistasse a reputação de estilista em filmes épicos ou bíblicos, como Ben-Hur,  Quo Vadis e El Cid.  Rozsa também foi professor de música de Jerry Goldsmith.



Pacto de Sangue (1944),  Sangue sobre o Sol (1945), Quando fala o Coração(1945) e Os Assassinos (1946), são suas primeiras obras musicais para o cinema americano. Ganhou seu primeiro Oscar como compositor, em 1946, pela trilha de Quando Fala o Coração, obra dirigida por Alfred Hitchcock (1899-1980) e estrelada por Gregory Peck e Ingrid Bergman.


Em 1949, Miklos foi contratado pela Metro Goldwyn Mayer (MGM) para ser um dos compositores do estúdio. Foram momentos altamente produtivos para o compositor húngaro. No ano seguinte, sua primeira trilha para MGM, Quo Vadis, fita dirigida por Mervyn Le Roy (1905-1987) e estrelada por Robert Taylor e Deborah Kerr (e baseada na obra literária de Henrik Sienkiewicz, publicada em 1896) marcou o início de uma nova fase para o músico e maestro, que saiu do estilo psicológico e do submundo dos filmes policiais dos anos de 1940, para o estilo épico e ora religioso, inspirado num estilo greco-romano clássico.




Rozsa ainda realizou outras trilhas sonoras para o Estúdio do leão, como Todos os Irmãos eram Valentes(1953), O Veleiro Da Aventura(1951), Ivanhoé, O Vingador do Rei (1953), Os Cavaleiros da Távola Redonda (1954), O Vale dos Reis (1954),  Júlio César (1955), Sede de Viver (1957) e um western, Tributo a um Homem Mau(1958).




Recebeu 17 indicações para o Oscar, tendo recebido em sua carreira apenas três: Quando fala o Coração /Spellbound (1945),  Fatalidade/A Double Life(1947), e Ben-Hur (1959).



BEN-HUR foi um marco memorável na sua carreira, no final da década de 1950. Na década seguinte, com o Oscar conquistado por esta esplendorosa fita épica (que também deu o Oscar ao seu diretor, William Wyler (1902-1981) e ao astro Charlton Heston, numa atuação vibrante) seu contrato com a Metro já estava em fase de expiração.



Nesta época, Louis B. Mayer (1884-1957) não era mais o chefão do estúdio, pois havia falecido, e Rozsa ainda compôs as trilhas de mais dois épicos espetaculares: Rei dos Reis/ King Of Kings (1961), sacra película recontando a Vida e a Paixão de Jesus Cristo dirigida por Nicholas Ray (1911-1979), e foi sua última composição para a MGM, e El-Cid, épico dirigido por Anthony Mann (1906-1967) para a Allied Artist, estrelado Por Charlton Heston e Sophia Loren. Tais filmes com suas composições acabaram por firmar o artista húngaro como um mestre definitivamente estilista no gênero épico.  Encerrando seu contrato com a MGM, Miklos se tornou independente e disponível para outros estúdios que quisessem contratá-lo. Em 1967, compôs para a Warner a trilha de Os Boinas Verdes/The Green Barett, película de Guerra estrelada e dirigida por John Wayne (1907-1979). Nos anos de 1970, quando os filmes épicos e bíblicos saíram da moda em Hollywood, Rozsa produziu trilhas para outros gêneros, como Providence(1977),  Fedora(1978), e Um Século em 43 minutos(1979).



Em 1982, Rozsa compôs sua última trilha sonora para um filme de Hollywood: Cliente Morto Não Paga, estrelado por Steve Martin. O Filme era uma paródia dos clássicos filmes noir da década de 1940. O compositor, então com75 anos de idade, foi chamado para executar e resgatar os arranjos que ele mesmo compôs e produzir a trilha do filme. Vivendo o restante da vida nos Estados Unidos com sua família, com sua aposentadoria, e ainda se apresentando publicamente como convidado em palestras sobre a arte da música, o grande compositor faleceu a 27 de julho de 1995, aos 88 anos de idade.


BERNARD HERRMANN (1911-1975)

Nascido a 29 de junho de 1911, este nova-iorquino compôs, entre 1955 e 1964, trilha sonora para todos os filmes de Hitchcock, incluindo Um Corpo que Cai (1958), Intriga Internacional (1959), e Psicose (1960).  Capaz de criar uma atmosfera grandiosa com poucos recursos, Bernard Herrmann desenvolveu o violino como eficaz ferramenta dramática, especialmente na lendária cena do chuveiro, onde a personagem de Janet Leigh (1927-2004) é esfaqueada por Anthony Perkins (1932-1991), em Psicose. 




Aos 20 anos de idade, fundou e conduziu a New Chambler Orchestra , e cinco anos depois, escreveu músicas para o Mercury Playhouse Theater de Orson Welles (1915-1985).



Compôs a impressionante e inovadora música de Cidadão Kane (1941), obra prima do cinema (reconhecida como tal apenas tempos depois, mas mal recebida na época de seu lançamento) dirigida pelo grande Welles, embora naquele ano o Oscar de melhor Score tenha ido para outra trilha sua composta, para o filme O Homem que Vendeu a Alma/All that Money Can Buy (1941).


Também contribuiu com uma memorável trilha sonora para Soberba (1942), de Orson Welles, e recebeu a quinta indicação ao Oscar (póstuma) pela música de Taxi Driver- Motorista de Taxi (1976), de Martin Scorcese. Um compositor de múltiplos talentos, Herrmann ainda compôs músicas para Balé, uma ópera, uma sinfonia, uma cantata, e um concerto para violino. Morreu na véspera de natal, a 24 de dezembro de 1975, de um fulminante ataque do coração pouco depois de gravar uma pontuação para Taxi Driver.



MAX STEINER (1888-1971)

Nascido em Viena, a 10 de maio de 1888, e filho de músicos proeminentes, Max Steiner foi uma criança prodígio sob a tutela de Gustav Mahler (1860-1911). Para se ter uma ideia da capacidade deste espírito evoluído, completou em apenas um ano um curso de oito anos na Academia Imperial Vienense de Música, e aos 14 anos de idade, compôs sua primeira opereta, tornando-se maestro profissional com 16.


Após compor várias sinfonias, regeu comédias musicais em Berlim, Paris, e Londres, emigrando depois para os Estados Unidos a convite de Florenz Ziegfied (1867-1932), trabalhando no seu 6th Avenue Theater.


Com o advento do cinema sonoro, Steiner mudou-se para Hollywood, dando a musica um tom mais dramático, com suas trilhas melódicas e arrebatadoras, estabelecendo um padrão de composição para cinema.




Sua marca incomparável esta presente em obras como King Kong (1933), E O Vento Levou (1939), Casablanca (1942), e O Tesouro de Sierra Madre (1948).



Em 42 anos de carreira, Max Steiner compôs a trilha de mais de 200 filmes, e foi indicado 26 vezes ao Oscar, recebendo três deles, por O Delator (1935), A Estranha Passageira (1942), E Desde que Partiste (1944), e Tambores Distantes (1952).  Steiner morreu a 28 de dezembro de 1971.


FRANZ WAXMAN (1906 –1967)

Um dos compositores mais universais e criativos durante três décadas, a partir dos anos de 1030, seu repertório formidável abrangia as loucas palhaçadas dos Irmãos Marx em Um dia nas Corridas, de 1937, assim como na comédia estrelada por Katharine Hepburn, Cary Grant, e James Stewart, Núpcias de Escândalo, de 1940 e dirigido por George Cukor (1899-1983), e também ni suspense noir A Vida por um Fio, de 1948.


Nascido a 24 de dezembro de 1906,  na Polônia, depois de trabalhar como bancário, tocou piano em bandas que se apresentavam em cafés para pagar seus estudos no Conservatório de Berlim e na Academia de Música de Dresden.

Entrando para o cinema em 1930, com o arranjo musical para O Anjo Azul (1930), e fazendo em seguida para diversas trilhas para filmes alemães. Saiu da Alemanha quando os nazistas passaram a atacar os judeus.



Em Hollywood, chefiou o departamento de música da Universal Estúdios, e mais tarde, foi contratado como maestro da MGM. Em 1942, foi diretor de música da Warner e lá permaneceu até 1946, quando criou o festival de música de Los Angeles.


É mais lembrado por suas trilhas  para Rebeca, a Mulher Inesquecível (1940), Suspeita (1941) e Janela Indiscreta (1954), ambos de Alfred Hitchcock. Compondo inúmeras trilhas sonoras até sua morte, a 24 de fevereiro de 1967, ganhou o Oscar por seu trabalho em Crepúsculo dos Deuses (1950) e Um Lugar ao Sol (1951).


ERICH WOLFGANG KORNGOLD (1897- 1957)

Nascido a 29 de maio de 1897, na Morávia, foi uma criança prodígio, cuja primeira cantata, “gold”, levou o compositor Gustav Mahler (1860-1911) a declara-lo um gênio.. Escreveu músicas, composições para orquestra e óperas para os salões de Viena e Berlim, bem como trilhas sonoras de cinema para o diretor Max Reinhardt (1873-1943).  Este o levou para a Hollywood, para os estúdios da Warner, para escrever a trilha de Sonho de Uma noite de verão (1935), cujo o arranjo foi feito a partir da música de Mendelssohn.


Impedido de voltar a Viena para apresentar sua ópera (a quinta de sua carreira), deu continuidade ao que se tornaria uma grande parceria com a Warner, durante a qual suas ricas melodias realçaram diversos filmes de época, com destaque para os estrelados por Errol Flynn (1909-1959).


Suas trilhas sonoras para Meu Reino por Amor (1939) e O Gavião do Mar (1940) foram indicadas para o Oscar.  Conquistou o Oscar pela trilha sonora de Adversidade (1936), mas seu grande marco foi para composição da trilha do delicioso clássico dos filmes de Aventura, AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD (1938), estrelado por Flynn e Olivia de Havilland, onde também foi agraciado com o prêmio da Academia.

Uma das mais perfeitas combinações de som e imagem jamais conseguidas num filme, pois cerca de dois terços da duração de As Aventuras de Robin Hood  são apoiadas pela musica de Korngold, que é praticamente um libreto de ópera menor. Os resultados valeram ao compositor austríaco o Oscar pela Melhor Música original de 1938, e pensar que estava a recusar a compor por não se tratar de um estilo seu. Caso recusasse, Erich voltaria a Viena, onde certamente teria sérios problemas para fugir à perseguição dos nazistas, que o declararam persona non grata . Até o fim de sua vida, em 1957, Korngold sempre declarava que fora Robin Hood que lhe salvara a vida.


Outras músicas memoráveis deste grande compositor de cinema foram: Em Cada Coração um Pecado (1942), O Lobo do Mar (1942), e Que o Céu a Condene (1946). Em 1943, Korngold se tornou cidadão americano, trabalhando e vivendo o resto de seus dias nos Estados Unidos, onde morreu a 29 de novembro de 1957.


DIMITRI TIOMKIN (1894- 1979)

Atuando em Hollywood por 40 anos, ele nasceu na Russia, a 10 de maio de 1894 (outras fontes mencionam 1899), e teve formação clássica. Indicado para 22 Oscars, ganhou quatro, sendo dois por MATAR OU MORRER(1952), clássico do Western estrelado por Gary Cooper e Grace Kelly,  e dirigido por Fred Zinnemann (1907-1997), e os outros por Um fio de Esperança (1954) e O Velho e o Mar (1958).



Tiomkin era pianista concertista e maestro quando emigrou para os Estados Unidos em 1925. A música balé composta por ele para o curta ainda da era do cinema mudo, The Devil's Cabaret, de 1929, rapidamente conduziu a trilhas sonoras completas, começando com Ressurreição, em 1931.




Qualquer menção a suas trilhas sonoras para o cinema teria de incluir Horizonte Perdido (1937), de Frank Capra; O Galante Aventureiro (1940), de William Wyler; Duelo ao Sol (1946), de King Vidor; A Felicidade não se Compra (1947), de Capra; Disque M para Matar (1954), de Alfred Hirchcock; Sua Majestade, o Aventureiro (1953),de Byron Haskins; Assim Caminha a Humanidade (1956), de George Stevens; Sem Lei e Sem Alma (1957), de John Sturges; Os Canhões de Navarone (1961), de J. Lee Thompson; O Álamo (1960), de John Wayne; Sublime Tentação (1956), de William Wyler; A Queda do Império Romano (1964), de Anthony Mann; 55 Dias em Pequim (1962), de Nicholas Ray; e Gigantes em Luta (1967), de Burt Kennedy.




Tiomkin ainda é muito lembrado pela composição para inúmeros Westerns, além de Matar ou Morrer (1952) e Sem Lei e sem Alma (1956)compôs também para Rio Vermelho (1947), de Howard Hawks; O Passado não Perdoa (1960), de John Huston; A Passagem da Noite (1957) de  James Neilson;  Duelo de Titãs (1957), de John Sturges; e Onde Começa o Inferno (1958) de Howard Hawks, o “ Cineasta Falcão”.


Aposentou-se em 1970 e viveu o resto de seus dias na Inglaterra, falecendo a 11 de novembro de 1979.


ALEX NORTH (1910-1991)

Com formação clássica, o Americano nascido em Pensylvania a 4 de dezembro de 1910 contribuiu com trilhas marcantes para diversos filmes, do épico ao excêntrico, como Uma Rua chamada Pecado (1951), Papai Pernilongo (1955), Spartacus (1960), Os Desajustados (1961), Cleópatra (1963), Agonia e Êxtase (1965), Quem Tem Medo de Virginia Woof? (1966), As Sandálias do Pescador (1968), e A Honra do Poderoso Prizzi (1985). Escreveu até uma música para Ghost, do Outro lado da Vida, pouco antes de falecer, a 8 de setembro de 1991, aos 80 anos de idade.




Apesar de 15 indicações para o Oscar, teve de esperar até 1986 para receber um Oscar por sua honrosa contribuição durante toda a vida. Seu grande repertório de composições inclui três sinfonias. Colaborou também com Benny Goodman (1909-1986), e escreveu músicas para Balé, para coreógrafos americanos.


ELMER BERNSTEIN (1922 – 2004)

Nascido a 4 de abril de 1922, , Bernstein colaborou com alguns dos maiores cineastas de todos os tempos, de Cecil B. DeMille a Martin Scorsese.  Antigo bailarino e pianista concertista, Elmer deixou as rádios de Nova York e seguiu para Hollywood em 1950. Sua obra compreende trilhas sonoras para filmes de aventura, dramas, comédias, e westerns.



Sua revelação aconteceu em 1956, quando foi chamado pelo lendário Cecil B. DeMille (1881-1959) para compor a trilha sonora do épico religioso OS DEZ MANDAMENTOS, retumbante sucesso de bilheteria e crítica estrelado por Charlton Heston, que levou a muitos para as salas de cinema pelos quatro cantos da Terra, e tal sucesso também se deveu a composição de Bernstein, que substituiu outra lenda das trilhas sonoras, Victor Young, que estava cotado para escrever o tema. Mas Young estava doente, e veio a falecer pouco tempo depois.




Bernstein musicou cerca de 200 filmes, muitos dos quais lembrados por suas composições: Sete Homens e um Destino (1960), que acabou também sendo a trilha do comercial dos cigarros Marlboro; Fugindo do Inferno (1963); e O Sol é para Todos (1962). Em 1991, adaptou a partitura musical de Cabo do Medo (Cape Fear), de seu mentor Bernard Herrmann, de 1962, para a refilmagem de Martin Scorsese.



Além de Sete Homens e um Destino, Bernstein também escreveu trilhas vibrantes para muitos bons Westerns (e muitos destes protagonizados por John Wayne em fim de carreira), como A Volta dos Sete Homens (1966, sequencia de Sete Homens e um Destino), Irmão Contra Irmão (1958), Nas Trilhas da Aventura (1965), Os Filhos de Katie Elder (1965), Revanche Selvagem (1968), Bravura Indômita (1969),  Jake Grandão (1970), Cahill, O Xerife do Oeste (1973), e O Último Pistoleiro (1975), que acabou se tornando o último filme de John Wayne. Bernstein ainda compôs trilha para a série de TV The Big Valley, protagonizada por Barbara Stanwyck e Lee Majors, entre 1967 a 1968.




Outros grandes trabalhos musicais para o cinema deste requintado Mestre: O Homem do Braço de Ouro (1957), Lafitte, o Corsário (1958), Os Insaciáveis (1964), Havai (1966), A Sombra de um Gigante (1968), A Ponte de Remagem (1969),  Canhões para Córdoba (1970), Houve uma vez um Verão (1972), Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (1980), Os Caça Fantasmas (1984), e O Anjo Malvado (1993).



Bernstein gravou seleções de seu trabalho e o de Herrmann com a Real Orquestra Filarmônica de Londres e recebeu um Oscar pela música de Positivamente Millie, em 1967, e um Emmy pela versão para a TV de The Making of a President.  Elmer Bersntein morreu a 18 de agosto de 2004, aos 82 anos de idade.


JERRY GOLDMISTH (1929- 2004)

Nascido a 10 de fevereiro de 1929, em Passadena, na Califórnia, foi aluno notável de Miklos Rozsa, e após algum tempo na TV compondo para algumas séries televisivas como Gunsmoke e Agente 86, compôs a trilha de filmes de grande sucesso do cinema, como Freud, Além da Alma (1962), O Expresso de Von Ryan (1965),  O Planeta dos Macacos (1968), A Hora da Pistola (1966),  Patton, Rebelde ou Herói? (1970), e Os Meninos do Brasil (1978).





Ganhou o Oscar pela composição de A Profecia (1976), onde admitiu sua adoração por Stravinsky (pela maneira como movimenta os ritmos), e também por Rozsa (que foi seu mestre). Goldsmith sempre declarava ser “ele mesmo, embora sendo escravo do filme”. Morreu em 21 de julho de 2004.


HENRY MANCINI (1924-1994)

Henry Mancini nasceu em Cleveland, Ohio, a 16 de abril de 1924. Além do tema de A PANTERA DOR DE ROSA (1964) e BONEQUINHA DE LUXO (1961), com a famosa balada Moon River. Mancini gravou mais de 90 discos, recebeu 20 Grammies dentre as suas 72 indicações e quatro Oscars dentro de 18. Filho de imigrantes italianos estudou música na Juilliard antes de entrar para a Orquestra de Glenn Miller como pianista e arranjador.




Entrou para o cinema como arranjador de Música e Lágrimas (1954), fita que contra a trajetória de seu mentor, Glenn Miller, e dirigida por Anthony Mann (1906-1967) estrelada por James Stewart (1908-1997) – e por este arranjo obteve sua primeira indicação ao Oscar, e depois trabalhou em The Benny Goodman Story (1956).


Criou a música intensa e percussiva para A Marca da Maldade(1958), Obra Prima de Orson Welles (1915-1985), estrelada por Charlton Heston, além de fazer a trilha sonora para Peter Gunn, do mesmo ano, dirigida por Blake Edwards (1922-2010). A mesma trilha também serviu para a série televisiva homônima estrelada por Craig Stevens (1918-2000).





Com Blake Edwards, Mancini iniciou uma parceria que iria engoblar 26 filmes, incluindo as trilhas de Vício Maldito (1962), A Corrida do Século (1965), e Mulher Nota 10 (1979). Seu maior sucesso foi alcançado com o solo instrumental do tema romântico de Romeu e Julieta (1968), de Franco Zeffirelli, e escreveu as inesquecíveis músicas de Hatari (1962, e o famoso “passos do elefantinho”), Charada (1963), Arabesque (1964), Um Caminho para Dois (1967), e Um Convidado bem Trapalhão (1968). Henry Mancini morreu de câncer, a 14 de junho de 1994.


MARIO NASCIMBENE (1913-2002)

Nascido a 28 de novembro de 1913, em Milão, Itália, foi o primeiro compositor italiano contratado para trabalhar em Hollywood, em 1953, abrindo o mercado norte-americano para outros compositores conterrâneos seus, como Nino Rota, Ângelo Francesco Lavagnino , entre outros. 



Em Hollywood, a produção musical de Nascimbene foi bastante intensa, tendo composto trilhas verdadeiramente notáveis como A Condessa Descalça (1954), Adeus as Armas (1957), Vikings, os Conquistadores (1958), Salomão e a Rainha de Sabá (1959), Constantino e a Cruz (1961), Barrabás (1962), São Francisco de Assis (1962), e DR. Faustus (1967), entre outros.  Na Itália, Nascimbene era o compositor predileto do diretor Valério Zurlini (1926-1982). Foi através da trilha sonora de Um Verão Violento (1959) que ele ganhou o Nastro d'Argento de 1960.


Em 1991 o compositor Nascimbene foi premiado com o David Donatello, que é uma espécie de Oscar da Itália, pelo conjunto da sua realização como compositor de trilhas sonoras. Faleceu em 11 de janeiro de 2002, em Roma.


MAURICE JARRE (1924- 2009)

Maurice-Alexis Jarre nasceu a 13 de setembro de 1924, em Lyon, França. Considerado um dos principais compositores da história do Cinema, suas canções para grande parte de muitos dos sucessos das telas estão entre as mais conhecidas o TEMA DE LARA de Dr. Jivago (1965), bem como suas magníficas trilhas para os filmes O Mais Longo dos Dias (1962), Lawrence da Arábia (1962), Os Profissionais (1965), e a Filha de Ryan (1970), que são melodias reconhecidas instantaneamente para os amantes da Sétima Arte.




Jarre estudou no conservatório de paris antes de se juntar à orquestra de Jean-Louis Barrault Theatre Company. Compôs sua primeira trilha sonora em 1951, para a produção teatral de Le Prince de Hambourg, de Jean Vilar.


Compôs para diversos curtas antes de musicar seu primeiro longa-metragem em 1959. Apesar de trabalhar em mais de 165 filmes, é mais popularizado por seu trabalho com o cineasta David Lean (1908-1991), para quem compôs quatro trilhas sonoras. Era pai do compositor Jean-Michael Jarre. 




Outras nobres composições de Maurice para o cinema e para TV incluem: Vila, o Caudilho (1967), A Noite dos Generais (1968), Topázio (1969), El- Condor (1970), Sol Vermelho (1971), Roy Bean, o Homem da Lei (1972), O Último Magnata (1976),  Jesus de Nazaré (minissérie para TV-1977), Shogum (minissérie para TV- 1980), A Raposa de Fogo (1982), Passagem para a índia (1984), Nas Montanhas dos Gorilas (1989), e Ghost, do Outro lado da Vida (1990).


Casado quatro vezes, a primeira esposa do compositor foi France Pejot, que foi heroína da Resistência Francesa durante a II Guerra, e era dez anos mais velha que Maurice. Se casaram em 1946 e se divorciaram em 1951, e desta união, tiveram um filho. Foi também casado com as atrizes Laura Devon (1931-2007) e  Dany Saval. Maurice Jarre faleceu a 29 de março de 2009, em Malibu, Califórnia, Estados Unidos.


ENNIO MORRICONE (1928)

Lenda viva dos soundtracks, Morricone nasceu a 10 de novembro de 1928, em Roma. Estudou música no Conservatório de Santa Cecília, em Roma, e trabalhou na trilha sonora de mais de 350 filmes desde 1961.



Ficou famoso com sua música marcante para os westerns de Sergio Leone (1929-1989), incorporando coros, solos, e assobios em Três Homens em Conflito (1966), Por um Punhado de Dólares (1964), e Por uns Dólares a Mais(1965), e Era Uma Vez no Oeste (1968).


Seus trabalhos importantes com diretores italianos importantes, entre eles Bellochio, Petri, Pasolini, e os Travianis, incluem Ginger e Fred (1985) para Federico Fellini (1920-1993),  o épico de quase 6 horas de duração 1900 (1977), de Bernardo Bertolucci, e Cinema Paradiso (1988) de Giuseppe Tornatore.




Fez a trilha sonora do divertido A Gaiola das Loucas (versão de 1978), e o documentário de Pontecorvo A Batalha de Argel (1965), enquanto seus filmes americanos incluem Moisés, o Legislador (1975, para a TV Italiana), O Exorcista II – O Herege (1977), Caninos Brancos (1982), de Samuel Fuller (1912-1997), A Missão (1986), e suas ricas trilhas sonoras indicadas para o Oscar, que foram Cinzas no Paraíso (1978), de Terence Malick, e Os Intocáveis (1987), de Brian de Palma.


Em 2007, Morricone recebeu um merecido Oscar especial pelo conjunto de sua obra, e também pelas suas magníficas e multifacetadas contribuições musicais ao cinema, e entregue pelas mãos de Clint Eastwood, que o serviu de tradutor na cerimônia.  Ainda em atividade, seu último trabalho honroso foi para a trilha de Bastardos Inglórios, de Quentin Tarantino.

PENSA QUE ACABOU? NÃO! MAIS COMPOSITORES SEGUEM A LISTA. LEIA A CONTINUAÇÃO DESTE ARTIGO PUBLICADO A 19 DE NOVEMBRO DE 2016.

http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com.br/2016/11/outros-15-maiores-e-inesqueciveis.html


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