sábado, 18 de maio de 2019

Lex Barker: Vida e Carreira do Mais Belo Tarzan das Telas.


Neste corrente ano de 2019, o ator Lex Barker (1919-1973) estaria completando seu centésimo aniversário. Alto, bonito, culto, e fluente em quatro idiomas, Barker foi também o protagonista de um dos escândalos mais famosos de Hollywood, envolvendo a atriz Lana Turner (1921-1995), sua então esposa, e a filha dela. Até hoje, não se sabe o que verdadeiramente aconteceu, pois os relatos biográficos são muito controversos. Mas certamente, é mais lembrado como um dos mais famosos e queridos intérpretes de TARZAN no cinema, e por muitas fãs, como o mais belo. Vamos relembrar um pouco da vida e da carreira de Lex Barker em Hollywood e também no cinema europeu. 

Por Paulo Telles.



Lex Barker aos 8 anos de idade. 
Lex Barker nasceu Alexander Crichlow Barker Jr em 8 de maio de 1919, em Rye, Nova York. Vindo de uma família abastada e proeminente, Barker era descendente direto do fundador de Rhode Island - o Cônsul Roger Williams. Lex foi excepcional nos esportes tais como o Futebol e Atletismo quando ainda cursava o ensino secundário e, posteriormente, a Universidade de Phillips-Exeter, em Fessenden. Foi a Princeton com a intenção de tornar-se ator, a contragosto de seus pais que o queriam nos negócios da família. Descoberto por um agente de talentos, este o convidou para ir a Hollywood fazer um teste na 20th Century Fox. A família não aprovou e acabou deserdando-o quando deixou bem claro suas pretensões na vida. 

O jovem Lex Barker.
Para bancar seus sustentos sem o apoio familiar, Barker trabalhava numa fábrica de aço de dia e a noite estudava engenharia. Realizado os testes na Fox, Lex atuou em pontas sem créditos. Em fevereiro de 1941, quase um ano antes do ataque japonês a Pearl Harbor, Barker adiou seus projetos como ator e se alistou no Exército dos Estados Unidos. Lutou na Sicília, onde foi ferido na cabeça e na perna. Tempos depois, foi promovido a Major de Infantaria. 

Voltando para os Estados Unidos, Barker recuperou-se em um hospital militar no Arkansas. Ao entrar para reserva, ele viajou para Los Angeles. Conseguiu ponta no filme Sonhos de Uma Estrela (Doll Face, 1945) musical de Lewis Seiler, com Vivian Blaine e Carmen Miranda. Não recebendo muitas propostas no estúdio da raposa, tentou melhor sorte na RKO


INTRODUÇÃO AO CINEMA
Barker malhando para encarar as câmeras, em seu papel mais famoso.
No novo estúdio, Barker teve mais oportunidades, mesmo ganhando papéis pequenos. Foi o que ocorreu em Ambiciosa (The Farmer's Daughter, 1947) de C. H. Porter, com Loretta Young e Joseph Cotten, e Rancor (Crossfire, 1947) de Edward Dmytryk, com Robert Mitchum e Robert Ryan. Em 1948, foi notado no faroeste A Volta dos Homens Maus (Return of the Bad Men, 1948) de Ray Enright, com Randolph Scott.
TARZAN


Com a saída de Johnny Weissmuller (1904-1984) no papel de Tarzan, o produtor Sol Lesser (1890-1980) acionou o diretor Lee Sholem (1913-2000) para promover um teste na busca pelo próximo Homem Macaco. Para isso, Sholem convocou uma reunião com agentes cinematográficos e introduziu dentro dos estúdios da RKO uma sala para a realização de testes com possíveis candidatos. Ele chegou a entrevistar cerca de cem atores e atletas para o papel, mas nenhum atendeu as expectativas. 



Barker entra em ação como o Rei das Selvas.
Os testes já estavam no fim quando Lex Barker, então com 28 anos e aspirante a ator na RKO, foi reparado pelo diretor em um dos corredores da companhia. Sholem o convidou para ir a seu escritório e logo foi perguntando:
- Onde você esteve todo este tempo, rapaz? Você é bem alto.

Barker prontamente respondeu:
- Tenho 1m93.

Sholem não perdeu tempo e foi logo objetivo:
- Você gostaria de ser Tarzan? Um corpo atlético é que não lhe falta.
- Gostaria sim – respondeu Barker.
-Ótimo! – Exclamou felicíssimo Sholem – O papel é seu.


Brenda Joyce (em seu último papel como Jane), a macaca Chita, e Barker, em foto publicitária para
TARZAN E A FONTE MÁGICA (1949) - O primeiro filme de Lex Barker como Tarzan.
Barker e o escritor Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan.
O diretor tratou de ligar rapidamente para Lesser, comunicando que a busca pelo novo Tarzan havia chegado ao fim na descoberta por Lex Barker. Quando o produtor viu o jovem ator, concordou prontamente com a escolha de Sholem, e Barker foi contratado após os devidos testes. Como Tarzan, seu primeiro trabalho foi em Tarzan e a Montanha Secreta (Tarzan's Magic Fountain, 1949), com Lee Sholem na direção e roteiro de Curt Siodmak (1902-2000) e Harry Chandlee (1882-1956). Como nas produções anteriores, os roteiristas procuraram usar algumas peculiaridades dos livros de Edgar Rice Burroughs (1875-1950). Avaliado por alguns críticos como jovem demais para viver o Homem Macaco, Barker chegou a declarar: Se meus músculos aguentarem, e minha cintura estiver baixa, eu posso interpretar Tarzan até aos 50 anos.


Poster de TARZAN E A MONTANHA SECRETA (1949)
Cartaz de TARZAN NA TERRA SELVAGEM (1952), levado na TV
brasileira como TARZAN EM PERIGO.
Lançado em janeiro de 1949, Tarzan e a Montanha Secreta foi bem recepcionado. O The Hollywood Reporter escreveu: A história poderia reivindicar uma substância dramática mais completa, mas suas deficiências são amplamente compensadas em fundos de produção e em imagens de animais em cenas surpreendentes.  E Lex Barker recebeu críticas positivas: Quanto ao Tarzan de Barker, é igual a qualquer um dentro da memória deste crítico, e temos medo de que o personagem volte para Elmo Lincoln. O belo físico de Barker se encaixa na descrição de Burroughs, e ele é ator suficiente para tornar o Homem da Selva mais animado do que ele já foi.


Poster de TARZAN E A MULHER DIABO (1953)
Com Denise Darcel, em TARZAN E AS ESCRAVAS (1950)
Entre 1950 a 1953, Barker ainda atuou em mais 4 (quatro) produções como Tarzan: Tarzan e a Escrava/ Tarzan and the Slave Girl (1950, direção de Lee Sholem); Tarzan na Terra Selvagem / Tarzan's Peril (1951, direção de Byron Haskin): Tarzan e a Fúria Selvagem/ Tarzan's Savage Fury (1952, direção de Cy Endfield); Tarzan e a Mulher Diabo/ Tarzan and the She-Devil (1953, direção de Kurt Neumann).


DEPOIS DE TARZAN, NOVOS PAPÉIS

Após cinco filmes estrelando como o personagem de Edgar Rice Burroughs, Barker desfez contrato com Sol Lesser e partiu para outros trabalhos em diversas companhias cinematográficas, realizando uma variedade de papéis heroicos, principalmente em faroestes, como Torrentes de Vingança (Thunder Over the Plains, 1953) de Andre De Toth, onde o astro briga com Randolph Scott pelo amor de Phyllis Kirk. A seguir vieram também O Morro da Traição (The Yellow Mountain, 1954) de Jesse Hibbs, A Caravana da Morte (The Man from Bitter Ridge, 1954) de Jack Arnold, e A Mestiça do Mississipi (Duel on the Mississippi, 1955) de William Castle - todos do gênero Western.


Barker com Jeff Chandler, durante um intervalo de
BARCOS AO MAR (1956)

Encarando Randolph Scott, e Phyllis Kirk:
TORRENTES DA VINGANÇA (1953)
Em 1956, elencou no clássico bélico Barcos ao Mar (Away All Boats, 1956) de Joseph Pevney, contracenando com Jeff Chandler, Julie Adams, George Nader, Richard Boone, e Jock Mahoney, que mais tarde também seria um famoso intérprete de Tarzan.


A VIDA PESSOAL E UM ESCÂNDALO. 

Lex Barker foi casado cinco vezes, sendo duas com as atrizes Arlene Dahl (que mais tarde se casaria com o ator Fernando Lamas) e Lana Turner (1921-1995). Ficou também casado por sete anos com a atriz espanhola Carmen Cervera, que fora Miss Espanha e de quem se divorciou em 1973. Lex teve dois filhos do primeiro casamento com Constanze Thurlow, e outro de sua união com Irene Labhart, que morreu em 1962. Irene descobriu que tinha Leucemia, e veio a falecer. Com todos os cuidados, Barker demonstrou ser um marido dedicado e esteve com ela até o seu fim.


Com Lana Turner, uma de suas cinco esposas.
A relação com sua terceira esposa, Lana Turner, foi polêmica e até hoje é controversa. De acordo com alegações detalhadas em um livro escrito pela filha da atriz, Cheryl Crane, publicado quinze anos depois da morte de Barker, Lana ordenou que o ator saísse de sua casa com uma arma apontada para ele. Cheryl, que tinha apenas 13 anos na época, acusou Lex de molesta-la sexualmente durante três anos. O divórcio entre Lana e Barker seguiu rapidamente, e muito embora a acusação de assédio não tenha sido arquivada, o registro de divórcio (ocorrido em 1957) não alude à alegação.


Com a atriz espanhola Carmen Cervera, outra de suas esposas.
Muitas biografias são controversas quando se trata de Lana Turner. Linda e talentosa, Lana também era uma mulher que encontrava nos romances proibidos uma excitante emoção. Ela mesma admitia que não conseguisse viver para um só homem. Todavia, também foi criticada por suas escolhas, que incluíam até mesmo Lex Barker.

CARREIRA NA EUROPA E BRASIL
A partir de 1957, a carreira de Barker em Hollywood ficou abalada. Sendo fluente em quatro idiomas (francês, espanhol, italiano e alemão), e com dezesseis trabalhos em seu currículo, o ator mudou-se para a Europa, onde por lá encontrou enorme popularidade, estrelando mais de 40 filmes europeus.


Como o ciumento marido de Anita Ekberg em A DOCE VIDA (1962).
obra de Federico Fellini.
Com a recém falecida Chelo Alonso, em A ESPADA DO SARRACENO (1959).
Na Itália, ele teve um papel curto, mas convincente como o noivo ciumento de Anita Ekberg na obra prima de Federico Fellini (1920-1993) A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960). Curiosamente, Barker interpreta um personagem que parece fazer alusão a ele, pois no momento em que os paparazzi estão a postos para presenciar algum rompante entre ele e a noiva, um deles dispara um comentário dirigido ao personagem de Lex:

- ... E pensar que já foi Tarzan!

Nos estúdios de Cinecittà, Lex protagonizou aventuras Capa & Espada, como A Espada do Sarraceno (La Scimitarra del Sarraceno, 1959) de Piero Pierotti, Os Piratas da Costa (I Pirati della Costa, 1960) de Domenico Paolella, e Robin Hood e os Piratas (Robin Hood e i Pirati, 1960) de Giorgio Simonelli.       

ROBIN HOOD E OS PIRATAS (1960)
O INVISÍVEL DR. MABUSE (1962).
Entretanto, foi na Alemanha que ele obteve maior sucesso, estrelando dois filmes com base nas histórias do Dr. Mabuse (anteriormente filmadas por Fritz Lang): Nas Garras do Dr. Mabuse (Im Stahlnetz des Dr. Mabuse, 1961) e O Invisível Dr. Mabuse (Die unsichtbaren Krallen des Dr. Mabuse, 1962), ambos de Harald Reinl (1908-1986).


Como Old Shatterhand, ao lado do índio Winnetou (Pierre Brice):
A LEI DOS APACHES (1963), uma das sete aventuras em série em
que participou, rodadas na Alemanha.
Barker, implacável como Old Shatterhand, com base nos romances
de Karl May.
Ainda na Alemanha, estrelou uma série treze filmes ao lado do francês Pierre Brice (1929-2015) com base nos romances do escritor alemão Karl May (1842-1912), com as aventuras do índio Winnetou e seu amigo Old Shatterhand, que fez muito sucesso ao longo da década de 1960. Filmou no Brasil Folia de Assassinos (Gern hab' ich die Frauen gekillt, 1966), de Alberto Cardone e Robert Lynn, uma trama de espionagem com vários episódios onde Barker é um agente americano que investiga um crime no Rio de Janeiro em pleno carnaval carioca.


Registro de Lex Barker no Rio de janeiro, onde filmou FOLIA DE ASSASSINOS (1966),
passeando pelo Aterro do Flamengo de carro e encontrando com Klaus Kinski no Pão de Açúcar.
Em 1966, Lex recebeu o Prêmio Bambi como “Melhor Ator Estrangeiro” na Alemanha. Ele voltava aos Estados Unidos de vez em quando e fazia participações especiais pela TV, como nas séries O Rei dos Ladrões (It Takes a Thief, 1968-1970) com Robert Wagner, e F.B.I (1965-1974) com Efrem Zimbalist Jr. Mas a Europa, especialmente a Alemanha, foi seu lar profissional  e artístico pelo resto da vida. Entretanto, voltou a fixar moradia nos Estados Unidos em 1972. 

INFARTO: THE END.
Com a noiva Karen Kondazian, poucos dias antes de sua morte.

Em 11 de maio de 1973, três dias depois de seu 54º aniversário, Lex Barker morreu de um ataque cardíaco fulminante enquanto caminhava por uma rua de Nova York. O ator estava indo se encontrar com a jovem atriz Karen Kondazian, de quem estava noivo e tinha planos para casar. Seu funeral foi restrito para família e amigos mais chegados. Lex Barker foi o décimo ator oficial a caracterizar Tarzan nas telas, e sua bela aparência e físico ajudaram a torna-lo como um dos mais populares intérpretes do herói na Sétima Arte.



Filmografia Parcial
Ambiciosa (1947)
Dick Tracy versus Gruezone (1947)
Lar, Meu Tormento (1947)
Rancor (1947)
Tarzan e a fonte mágica (1949)
Tarzan e as escravas (1951)
Tarzan em perigo (1952)
Tarzan e a fúria selvagem (1952)
Tarzan e a mulher diabo (1953)
O morro da traição (1953)
A Mestiça do Mississipi (1953)
Tambores chamam para a guerra (1957)
A garota das meias pretas (1958)
La dolce vita (1960)
Piratas das Costas (1960)
O Terror do Máscara Vermelha (1961)
Robin Hood e o pirata (1961)
O invisível Dr. Mabuse (1962)
A Lei dos Apaches (1963)
Old Shatterhand (1963)
Winnetou (1964)
O Tesouro dos Renegados (1964)
Winnetou e a Mestiça (1965)
Aoom (1970)


Paulo Telles

Produção e Pesquisa.



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Um comentário:

  1. Foi um Tarzan muito bom. Só o fato de ter vivido um tempo com Lana Turner, já valeu a vida.

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