domingo, 21 de janeiro de 2018

A Revolta dos Escravos (1960): Rhonda Fleming Em Uma Versão Peplum da Obra Literária do Cardeal Nicholas Wiseman.


Em 1854, o Cardeal inglês Nicholas Wiseman (1802-1865) lançou seu romance Fabíola (também conhecido como A Igreja das Catacumbas) onde trata sobre a perseguição à igreja cristã primitiva e aos seus mártires, na visão de uma jovem e culta aristocrata romana. O livro foi adaptado três vezes para as telas de cinema. Em 1918, na Itália, com direção de Enrico Guazzoni, e na França em 1949 no auge do expressionismo, com direção de Alessandro Blasetti e estrelado por Michèle Morgan e Henri Vidal. 

Cardeal Nicholas Wiseman, autor do romance Fabíola, também intitulado A Igreja das Catacumbas, publicado em 1854.
A REVOLTA DOS ESCRAVOS (1960), adaptação peplum do romance do Cardeal Wiseman.
A REVOLTA DOS ESCRAVOS (La Rivolta Degli Schiavi), com direção de Nunzio Malasomma (1894-1974) foi a terceira adaptação do romance de Wiseman. Com roteiro de Stefano Strucchi, Duccio Tessari (1926-1994) e Daniel Mainwaring (1902-1977), que fez os diálogos em inglês, ainda fica distante de se considerar uma obra prima, onde oferece mais divertimento e expansão de músculos do que simplesmente apresentar uma história de cunho religioso, tal como procede tanto no livro como nas duas adaptações anteriores para o cinema. E também pudera, pois em 1960, época de sua produção, o cinema italiano introduziu o chamado cinema peplum, ou como aqui chamamos no Brasil de produção Espadas & Sandálias.

Rhonda Fleming, estrela de Hollywood, estrelando um épico Peplum. Ela interpreta Cláudia, uma dama da aristocracia romana, que vai se apaixonar por...
...Víbio, seu escravo, vivido por Lang Jeffries, que se tornaria marido de Rhonda Fleming na vida real.
Nessa época, o modismo dos filmes Espadas & Sandálias invadiam os cinemas pelo mundo. Eram produções com aventuras épicas geralmente baseadas em temas mitológicos ou bíblicos passados na Antiguidade, com heróis de força suprema, cujos intérpretes em sua grande maioria eram fisiculturistas norte-americanos, como Steve Reeves, Mark Forest, Gordon Scott, Gordon Mitchell, Reg Park, Ed Fury, Richard Harrison, e Dan Vadis. O cineasta Malasomma não buscou nenhum fortão para ser sua estrela, mas sim uma diva de Hollywood, a estonteante Rhonda Fleming, que desembarcou na Itália junto com quem seria seu terceiro marido, o inexpressivo Lang Jeffries (1930-1987), que seria seu galã na trama. 



Um dos personagens centrais é São Sebastião, vivido pelo italiano Ettore Manni. Sebastião é Oficial da Guarda Imperial e amigo de Cláudia, e junto com Agnes (Wandisa Guida), ele auxilia os cristãos oprimidos. 
Mas A REVOLTA DOS ESCRAVOS, salvo algumas situações, foge completamente da história original. No romance não existe o personagem Víbio, interesse amoroso da heroína (como também não existe o gladiador heróico na adaptação de Alessandro Blasetti em 1949). O cardeal Wiseman apresenta Fabíola como uma mulher independente e sem relacionamentos amorosos, culta e arrogante, uma dama que se apraz com festejos palacianos e que anda em alto estilo na sociedade de Roma. Contudo, aos poucos, ela vai cedendo seu espírito e compreendendo a fé cristã, principalmente quando um de seus amigos mais queridos, o Tribuno Sebastião, chefe da guarda pessoal do imperador Maximiniano, é morto por conta de suas convicções cristãs. 

O Tribuno Sebastião (Ettore Manni) apesar de participar das badalações sociais dos aristocratas, não esquece seu dever de ajudar os irmãos na fé. Ele tem o apoio...
...da amiga Agnes (Wandisa Guida), mulher rica e prima de Cláudia.
Cláudius (Gino Cervi) enfrenta o Imperador Maximiniano (Dario Moreno).
Até o nome da personagem central na versão de Malasomma é alterado, de Fabíola para Cláudia. Mas o diretor não tinha nenhuma preocupação em realizar um trabalho profundo, mas de rotina, embarcando no modismo dos Peplums.  A história passa-se na Roma do terceiro século da Era Cristã, durante o império de Maximiniano (Dario Moreno, 1921-1968). A perseguição aos cristãos se alastra na grande metrópole e a segurança pessoal do imperador já não era o suficiente para se proteger de ataques e traições. Era ainda preciso confiar em soldados que vinham da África para garantir a proteção do imperador, onde se destaca Iface (Vanoye Aikens, 1922-2013), que acompanha Maximiniano sempre em sua rotina no palácio.

Corvino (Serge Gainsbough), Chefe da Polícia do Imperador, é detido pelo gigante Cátulo (Burt Nelson) durante tentativa de espionagem.
Enquanto Sebastião dribla os homens de Corvino...
...Víbio lidera a Revolta dos Escravos.
Cláudia (Rhonda Fleming), dama da sociedade romana de caráter fútil, filha de Cláudius (Gino Cervi, 1901-1974), um dos mais poderosos homens de Roma, ganha do pai um escravo como presente de aniversário, Víbio (Lang Jeffries). Ela intenciona transformar o escravo em gladiador para se divertir com ele, mas Víbio não cede aos caprichos de sua dama, que manda açoita-lo. Contudo, o escravo é salvo por Sebastião (Ettore Manni, 1927-1979), respeitado comandante da Guarda Pretoriana e amigo de Cláudia, e pela prima desta, Agnes (Wandisa Guida). Ambos ocultamente cristãos resolvem ajudar o escravo sem conhecimento de Cláudia.



Os métodos bárbaros de Corvino (Serge Gainsbough) para torturar cristãos ou qualquer outro que atravesse seu caminho.
Quando o cerco aos cristãos se aperta por obra de Valério (Fernando Rey, 1917-1994) e do chefe da polícia secreta, Corvino (Serge Gainsbough, 1928-1991), Agnes e Sebastião são presos. Cláudia, com intenção de salvar a prima, acompanha Víbio, que pretende resgatar os cristãos liderando uma revolta de escravos, juntamente com seu parceiro de luta Cátulo (Burt Nelson, 1932-1998), um gladiador  de forte temperamento que também segue o cristianismo. Mas Víbio e sua dama acabam nas masmorras. Durante os acontecimentos, o pai de Cláudia é assassinado por conspiração de Maximiniano e Corvino. Quando conseguem fugir do ergástulo, Víbio e Cláudia passam a liderar uma rebelião contra Maxminiano e seu império. 


O martírio de São Sebastião em A REVOLTA DOS ESCRAVOS (1960).
Este foi o dia de um Império Ameaçador.
Aos poucos, Cláudia vai compreendo o significado da fé cristão junto com Víbio, que agora nutrem sentimento de amor um pelo outro. Como último recurso para salvar sua prima Agnes e seu amigo Sebastião, Cláudia tenta interceder junto a Maximiniano para que poupe a vida dos dois, mas em vão. Sebastião é levado a um bosque para ser flechado pelos arqueiros de Iface, enquanto Agnes é morta no Coliseu. Víbio e seus homens irrompem com violência contra todos os homens de Corvino, sem se preocupar em não dar a outra face.

Cláudia colabora com os cristãos e enfrenta Corvino e Iface (Vanoye Aikens)
Cláudia e Vibio nutrem uma intensa paixão.
E não dar a outra face parece o mérito maior de A Revolta dos Escravos, que foge da espiritualidade dando lugar para uma aventura exuberante de músculos, suor, e sangue. Os “escravos” do título original são cristãos de força e luta que mesmo desobedecendo a lei de amor ao próximo e amor ao inimigo conforme os princípios básicos da fé cristã, estão unidos para salvar uns aos outros. Mas como é cinema, os produtores resolveram levar um enredo aventuresco, justificando a ação e ignorando ao máximo o romance de Wiseman, que segue em seu original a história do sacrifício dos mártires cristãos. Mesmo com a gratuidade da violência, A REVOLTA DOS ESCRAVOS nos fornece alguns momentos de reflexão, principalmente através dos personagens Agnes e Sebastião (São Sebastião e Santa Agnes ou Inês, canonizados pela Igreja Católica e celebrados em liturgia respectivamente nos dias 20 e 21 de janeiro). 


Ettore Manni esta muito bem como São Sebastião, valente e destemido tal como se imagina de um militar romano em defesa dos oprimidos da fé. Rhonda Fleming uma radiosa patrícia romana. Lang Jeffies, um ator inexpressivo, não convence como um herói a liderar uma rebelião. Dario Moreno, um ator mais voltado para comédias cha cha cha, faz um Maximiniano que estereotipa os imperadores da Roma Antiga, afetado que se coça e arranha o tempo todo. E Serge Gainsbough emoldura a máscara sádica e meio efeminada de um Corvino que foi intrigante na corte do imperador.

Cláudia é encarcerada junto com sua serva Liubaia (Dolores Francine)

Víbio depara-se com o corpo de Agnes e dos demais cristãos mortos no Coliseu.
A Revolta dos Escravos faz parte de um time de filmes que não tem qualquer compromisso com a História ou com o livro do qual saiu sua adaptação. Um espetáculo onde a grandiosidade e o uso da força bruta são seus méritos maiores. Apesar das falhas, é valorizada pela presença e beleza de Rhonda Fleming, e pela trilha musical de Angelo Francesco Lavagnino (1909-1987), mestre italiano que se inspirou em missas para fazer suas composições. No Brasil, A Revolta dos Escravos chegou às salas cariocas em novembro de 1961.  

Divulgação do filme nas salas de cinema do Rio de Janeiro pelos jornais em fins de 1961.

Ficha TECNICA

A REVOLTA DOS ESCRAVOS
(La Rivolta Degli Schiavi)
PAÍS - ITÁLIA
ANO – 1960
GÊNERO – ÉPICO/AVENTURA/RELIGIÃO
DIREÇÃO: NUNZIO MALASOMMA
ROTEIRO: STEFANO STRUCCHI, DUCCIO TESSARI, E DANIEL MAINSWARING, COM BASE NO ROMANCE “FABÍOLA” DE NICHOLAS WISEMAN.
PRODUÇÃO: PAOLA MOFFA, EM DISTRIBUIÇÃO PELA UNITED ARTIST
FOTOGRAFIA: CECILIO PANIAGUA, EM CORES
MÚSICA – ANGELO FRANCESCO LAVAGNINO
METRAGEM – 98 MINUTOS

ELENCO
RHONDA FLEMING – CLÁUDIA
LANG JEFFRIES – VÍBIO
GINO CERVI – CLÁUDIOS
DARIO MORENO – IMPERADOR MAXIMINIANO
ETTORE MANNI – SÃO SEBASTIÃO
WANDISA GUIDA – SANTA AGNES
FERNANDO REY – VALÉRIO
SERGE GAINSBOUGH – CORVINO
JOSE NIETO – SEXTO
BRENNO HOFFMAN – PRETORIANO
ANTONIO CASAS – TORTULIO
JULIO PENA – TORQUATO
RAFAEL RIVELLES – BISPO RUTILIO
VANOYENS AIKENS – IFAGE
DOLORES FRANCINE – LIUBAIA
BURT NELSON -  CÁTULO

Produção e pesquisa de 
PAULO TELLES


As Maiores Trilhas Sonoras da Sétima Arte, e em todos os tempos!
Você somente encontra no 
CINE  VINTAGE..
Todos os domingos, às 22 horas.
SINTONIZE A WEB RÁDIO VINTAGE: 
REPRISE DO PROGRAMA NAS
QUINTAS FEIRAS (22 horas)
SÁBADOS (17 HORAS

domingo, 14 de janeiro de 2018

Batman, o Homem Morcego (1966): O Escapismo e a Diversão Em Uma Obra Cinematográfica Adaptada da Série de TV.


BATMAN, O HOMEM MORCEGO (Batman, The Movie), produzido em 1966, é um longa-metragem planejado justamente para anteceder a famosa série de TV (1966-1968), que fez muito sucesso na década de 1960. Como não deu tempo, o filme foi lançado no final da primeira temporada para atrair o público de outros países e vender mundialmente a série. As mesmas cenas com a Bat-Lancha e o Bat-Cóptero, feitos especialmente para o longa, seriam usadas também na série, para economia das filmagens.


Leslie H. Martinson, diretor.
Os quatro arqui-inimigos de Batman: Pinguim (Burgess Meredith), Charada (Frank Gorshin), Mulher Gato (Lee Meriwether) e o Coringa (Cesar Romero).
O filme foi dirigido por Leslie H. Martinson (1915-2016), conceituado diretor de televisão, e muito embora não consiga manter o mesmo ritmo da série de TV, ele tem como atrativo maior os quatro grandes vilões em cena: a Mulher Gato (Lee Meriwether, que substitui Julie Newmar, a gata original da TV. Meriwether é mais conhecida na telinha como a Doutora Ann, da série Túnel do Tempo, 1966); o Coringa (Cesar Romero, 1907-1994); o Pinguim (Burgess Meredith, 1907-1997); e o Charada (Frank Gorshin, 1933-2005).


Lee Meriwether é a Mulher Gato, que se disfarça da...
...jornalista russa Kitika, que tem intenção de...

...seduzir e raptar o milionário Bruce Wayne (Adam West), sem saber que ele é o Batman.
Os vilões se reúnem com o propósito de unirem forças para dominar o mundo. Mas como eles farão isso? Simplesmente desidratando e transformando em pó colorido todos os membros das nações do mundo durante uma reunião na sede da ONU em Gotham City, com o auxílio de uma pistola especial. Enquanto isso, a Mulher Gato, disfarçada de uma jornalista russa, seduz o milionário Bruce Wayne/Batman, em cenas no mínimo quentes para os padrões da série de TV. Aliás, era a primeira vez que se via no cinema uma relação mais íntima entre o herói e a vilã. 


William Dozier, Produtor.

Bob Kane, o criador de Batman, entre Adam West e Frank Gorshin.
O seriado de cinema BATMAN, de 1943, com Lewis Wilson (Batman) e Douglas Croft (Robin).

BATMAN, O HOMEM MORCEGO já pretende ser desde início uma aventura escrachada. O personagem criado de forma dramática e séria em 1939 por Bob Kane (1915-1998) e Bill Finger (1914-1974) para a revista Detective Comics, já havia sido adaptado duas vezes para o cinema, nos seriados Batman (Batman, 1943) e Batman e Robin (Batman and Robin, 1949).  Em 1965, os direitos de filmagem do personagem pararam nas mãos de William Dozier (1908-1991), que nunca leu uma aventura em quadrinhos do Homem Morcego, cuja familiaridade com Batman estava justamente nos seriados do cinema dos anos 40. Com o roteirista Lorenzo Semple Jr (1923-2014), Dozier concebeu BATMAN como uma série de aventuras ao estilo dos velhos seriados das matinés, com um humor anárquico e auto-ridicularizador, com um herói obsessivo defensor dos valores impostos pela sociedade americana.

Cesar Romero como Coringa.
Burgess Meredith como o Pinguim.
Frank Gorshin como o Charada.
Batman e seu parceiro Robin se envolveriam em situações absurdas onde combatem vilões ultrajantes. As brigas cheias de onomatopeias (Pow! Booom! Capow! Biff! Kayo! Rip! Sock! Zap! Crás!), com alusão as histórias em quadrinhos. Os diálogos, embora muitas vezes pudessem parecer ridículos, era um reflexo dos acontecimentos que então vingavam na sociedade entre os americanos. O Batman da TV era um assíduo moralista sem qualquer hipocrisia, a ponto de muitas vezes falar aos vilões que o crime não compensa ou o Bem Sempre Triunfa sobre  Mal. Não era um Batman com gratuidade para a violência e excessivamente implacável como se veria tempos depois no cinema e nos quadrinhos, mas um herói a ponto de ainda acreditar na reabilitação do ser humano. O alter ego do morcegão, Bruce Wayne, é um milionário filantropo que preside além da Fundação Wayne, instituições para recuperação de criminosos (que eram apenas mencionados na série). Mas nem todos os criminosos querem se regenerar, uma vez que os arqui-inimigos do herói o veem como um ser patético e careta, e constantemente são presos e depois voltam à vida criminosa. 




Adam West (BATMAN) e Burt Ward (ROBIN) em BATMAN, O HOMEM MORCEGO (1966).
Apesar da mensagem moral para os americanos que a série de TV do BATMAN transmitia, o programa era recheado de humor camp, a começar pela fotografia em cores berrantes e ângulos bizarros (no filme para o cinema, o responsável é o especialista Howard Schwartz, 1919-1990), e um vestuário bem carnavalesco. Para apimentar ainda mais o escracho, vários astros e estrelas de Hollywood foram recrutados para o time de vilões, como Vincent Price (Cabeça de Ovo), George Sanders e Eli Wallach (Sr. Gelo), Roddy McDowall (O Traça) e Joan Collins (A Sereia). O cineasta Otto Preminger ainda fez uma participação também como o Sr. Gelo.

Adam West como Batman
Burt Ward como Robin, o "Menino Prodígio".


Em BATMAN, O HOMEM MORCEGO, a mensagem moral também não passa despercebida.  Batman e Robin são venerados pelo povo de Gotham, que se sente aliviada logo no início da projeção quando o Bat-Cóptero sobrevoa a cidade. Os comentários de cada cidadão transpiram satisfação e alegria por saberem que a Dupla Dinâmica esta no encalço dos criminosos e eles não permitirão que a tranquilidade lhes seja roubada. Tal atitude bem revela a frustração humana ao sublimar a sua segurança numa figura mítica e fantasiosa. Isto não ocorre naturalmente somente com Batman, como também com outros Super-Heróis.



A verdadeira identidade de Batman (Bruce Wayne), o Bat-Móvel, e o Bat-Cóptero, são dos muitos pontos na produção BATMAN, O HOMEM MORCEGO (1966).
Batman e Robin são frutos do tempo da imaginação e do medo que sempre acompanharam a História da Humanidade. Era preciso criar a ilusão da segurança para que o homem gozasse da inércia e fugisse do mundo real em que vive, onde a injustiça e a fome superam os crimes e os desajustamentos individuais. Como tantos heróis (seja no cinema ou nos quadrinhos) que cativaram a imaginação do público, BATMAN é a necessidade de uma metamorfose humana, imposta ou aceita, que muitas vezes tem a tendência de conduzir o homem mais para um estado de inércia do que propriamente em participar e ir à luta. Assim é o escapismo.


Batman, O Homem Morcego, começa dedicando o filme aos “Amantes da Justiça, da Aventura, do Escapismo puro, e do Ridículo”. E ainda pedem desculpas a “algum amante que porventura tenha sido esquecido”. Certamente, um tipo de amante não mencionado e não esquecido são os fãs da série de TV e de seus famosos protagonistas: BATMAN/Adam West (1928-2017) e ROBIN/Burt Ward.



O Homem Morcego tentando se livrar de uma bomba e a luta do herói contra um tubarão são os momentos mais memoráveis em BATMAN, O HOMEM MORCEGO (1966).
O momento mais hilário e divertido acontece logo no início, quando Batman (Adam West, morto em junho do ano passado), pendurado na escada do Bat-Cópetro pilotado por Robin (Burt Ward), é mordido por um tubarão (visivelmente de borracha) que fica agarrado em sua perna. O Menino Prodígio deixa o Bat-Cópetero no piloto automático e desce para entregar um Bat-spray anti-tubarão ao herói. Robin, como um ex-trapezista de circo, entrega o spray para Batman de cabeça para baixo, que tasca a providencial arma no animal, que... explode! Como diria Robin: “Santa Cascata Submarina!”. 



Como na série de TV, o filme para o cinema não podia faltar o Bat-Móvel, a Bat-Lancha, e as Bat-Lutas, cheias de onomatopeias.
Outra sequencia memorável é quando Batman, desesperado, corre pelo cais do porto tentando se livrar de uma ridícula bomba ao estilo de desenho animado (preta redonda e com o pavio fumegante). O herói não consegue se livrar do trambolho, pois por onde quer que vá esbarra com freiras, namorados, e até uma inocente família de patinhos (uma mensagem de preocupação com a ecologia). Robin chega a questionar Batman porque pegou o artefato para salvar aquela “gentinha do cais”. A resposta do herói atende o tom moral com mensagem simplista do personagem, na clássica série de TV:

- Também são seres humanos Robin. E um dia eles podem se arrepender.

Podemos ver também a dupla sendo salva da morte certa por uma liquidação de colchões, e os heróis correndo lado a lado pela cidade, numa descarada cena de fundo azul.

Além dos heróis, participam do longa Stafford Repp (Chefe O' Hara) e Neil Hamilton (Comissário Gordon).
Alan Napier (o mordomo Alfred) e Madge Blake (Tia Harriet).
Em BATMAN, O HOMEM MORCEGO, ainda tem atores que são parte integrante da série de televisão, como Neil Hamilton (1899-1984) como o Comissário Gordon, Alan Napier (1903-1988) como o mordomo Alfred, Stafford Repp (1918-1974) como o Chefe O’Hara, e Madge Blake (1899-1969) como Harriet Cooper, tia de Dick Grayson/Robin. A trilha sonora é de Nelson Riddle (1921-1985), que também colaborou (junto com Neal Hefti) na série televisiva. A película chegou às salas do Rio de Janeiro em dezembro de 1966.


Divulgação do filme pelos jornais e panfletos do Cine-Palácio, Rio de Janeiro, em 1967.

Ficha TEcnica


O HOMEM MORCEGO
(Batman)
País – Estados Unidos
Ano de Produção – 1966
Gênero - Aventura
Direção – Leslie H. Martinson.
Produção – William Dozier e Charles B. Fitzsimons, para a 20ª Century Fox.
Roteiro – Lorenzo Sample Jr, baseado nos quadrinhos de Bob Kane e Bill Finger.
Fotografia - Howard Schwartz (em Cores).
Música – Nelson Riddle.
Metragem – 105 minutos.



ELENCO
Adam West – Batman/Bruce Wayne
Burt Ward – Robin/Dick Grayson
Lee Meriwether – Mulher Gato/Kitika
Cesar Romero – Coringa
Burgess Meredith – Pinguim
Frank Gorshin – Charada
Alan Napier – Alfred
Neil Hamilton – Comissário Gordon
Stafford Repp – Chefe O’ Hara
Madge Blake – Tia Harriet Cooper
Reginald Denny – Comodoro Schmidlapp
Milton Frome – Vice Almirante Fangschliester
Gil Perkins – Bluebeard
Dick Crockett – Morgan
George Sawaya – Quetch

Produção e pesquisa
Paulo telles
As Maiores Trilhas Sonoras da Sétima Arte, e em todos os tempos!
Você somente encontra no 
CINE  VINTAGE..
Todos os domingos, às 22 horas.
SINTONIZE A WEB RÁDIO VINTAGE: 
REPRISE DO PROGRAMA NAS

QUINTAS FEIRAS (22 horas)
SÁBADOS (17 HORAS)