domingo, 30 de julho de 2017

Horas de Desespero (1955): De William Wyler, Um Exercício de Suspense e Tensão Psicológica, com Bogart e March em Monumental Duelo de Interpretações.


Uma gang ou um só homem, fugitivos da polícia, apossam-se de um recinto fechado, geralmente ocupado por pessoas completamente alheias ao conflito estabelecido. Essa foi a fórmula usada, por exemplo, em Floresta Petrificada (1936, direção de Archie Mayo), que deu origem a outros filmes do gênero, mas que não passavam de variações em torno de uma mesma temática. Evidentemente com honrosas exceções, como Paixões em Fúria em 1948 e direção de John Huston, onde nunca conseguiram ultrapassar  a produção rotineira, limitando-se a oferecer ao espectador algumas emoções primárias, como assassinatos a sangue frio e torturas (com requintes de crueldade e sadismo), sem se preocupar com a análise humana e seus tipos, nem com suas reações  diante dos acontecimentos apresentados.

O Cineasta William Wyler.
O Diretor William Wyler, conversando com seu astro, Humphrey Bogart
HORAS DE DESESPERO (The Desperate Hours), produzido em 1955, extraída de uma peça de Joseph Hayes (1918-2006) - que também elaborou o roteiro - levou o produtor e diretor William Wyler (1902-1981) a partir de elementos basicamente semelhantes aos acima apontados, dando brecha ao estudo acurado do perfil psicológico daqueles que quebraram regras na sociedade e são obrigados a pagar sua dívida na prisão, e quando elas estão novamente a solta, elas tendem a repetir as mesmas más ações que a levaram presas. Com Horas de Desespero, Wyler abriu o caminho do thriller psicológico. 

William Wyler, ao lado de Bogart, dirigindo HORAS DE DESESPERO (1955).
O cineasta Wyler introduziu a partir daqui dois elementos que até então eram desconhecidos nos filmes criminais: o desprezo pela atmosfera realista, substituindo pelo que poderia se chamar de “realismo cinematográfico”, ou seja, a junção de elementos elaborados no sentido de obter uma atmosfera própria, independente ou não do que seria na vida real - e também, a valorização das reações psicológicas de cada personagem em vez de explorar visualmente os incidentes da trama. Indubitavelmente, a obra de Wyler foi extraordinariamente enriquecida do ponto de vista da pessoa humana, perdendo um pouco em elasticidade e ação, pela necessidade de retardar a movimentação não só dos atores, mas também da própria câmera, a fim de que esta pudesse obter concentração dramática na história, em um verdadeiro exercício de tensão e suspense psicológico.  

HORAS DE DESESPERO (1955) registrou o penúltimo trabalho de Humphrey Bogart nas telas.
Fredric March e Bogart: Duelo de Interpretações.
A TRAMA

Obviamente, este exercício de tensão não seria possível se não contássemos com atores de excepcional valor, em um magnífico duelo de interpretações: Humphrey Bogart (1899-1957) e Fredric March (1897-1975). HORAS DE DESESPERO registrou o penúltimo trabalho de Bogart no cinema, e versa sobre três presidiários em fuga – Glenn Griffin (Bogart), seu irmão Hal (Dewey Martin), e Sam Kobish (Robert Middleton, 1911-1977) – que acabam se refugiando numa casa de família classe média, os Hilliard, composto pelo pai, Dan (March), a mãe Eleanor (Martha Scott, 1912-2003), a filha Cindy (Mary Murphy, 1931-2011), e o filho pequeno Ralphie (Richard Eyer), fazendo todos de reféns e exigindo dinheiro suficiente para que possam prosseguir na fuga. 


O criminoso Glenn Griffin (Bogart) rende uma família inteira dentro de sua própria casa após fugir da prisão com seus comparsas.
Para não despertar desconfianças na vizinhança, os criminosos permitem que a família mantenha sua rotina na maior normalidade.
Para evitar desconfianças, os três foragidos permitem que Cindy encontre o noivo, Chuck Wright (Gig Young, 1913-1978), e Dan a continuar trabalhando em seu escritório normalmente, enquanto que Eleanor e Ralphie são mantidos na casa como reféns. Dan tem a preocupação de atender aos pedidos dos meliantes, pois teme ver sua família ferida, mas Ralphie não aceita a submissão do pai e vê isto como um sinal de covardia. Mas Dan acaba enfrentando a situação de cabeça erguida, enquanto Glenn e seus capangas se mantêm na casa aguardando o dinheiro para continuarem a fuga. É quando Chuck, desconfiado do comportamento da namorada Cindy, avisa a polícia, entrando em ação o inspetor Jesse Bard (Arthur Kennedy, 1914-1990) com uma diligência para poder livrar a família do terror e capturar os criminosos
Os Hilliard: O patriarca Dan (Fredric March), a esposa Eleanor (Martha Scott) e a filha Cindy (Mary Murphy).
Dan e o filho caçula, Ralphie (Richard Eyer), explicando para o menino o perigo que rondeia. 
Sam Kobish (Robert Middleton), um dos criminosos a postos, durante a visita de Chuck (Gig Young) à sua namorada Cindy (Mary Murphy) na casa.

HORAS DE DESESPERO é um filme surpreendente que comprova a extraordinária habilidade do diretor William Wyler em concentrar o suspense praticamente num único espaço (como fizera antes em Chaga de Fogo, com Kirk Douglas, em 1951), e fazer dele um ambiente rico na construção das relações humanas. Isto porque em seu prólogo já assistimos o menino que quer ser tratado como homem maduro (esbraveja ao ser chamado de Ralphy, no diminutivo), recusando o beijo do pai e exigindo-lhe um aperto de mão, e isso tudo durante o rotineiro café da manhã. O que é brilhante na direção de Wyler é a contraposição logo em seguida ao “infantilizar” a própria filha que pretende se casar: “Ela é só uma menina“, afirma Dan em uma das sequencias. 


Da esquerda para a direita: Os bandidos Glenn Griffin (Bogart), seu irmão caçula Hal (Dewey Martin), Sam (Robert Middleton) - e os Hilliard.

O ELENCO

A atuação de Humphrey Bogart como um frio e cruel assassino que arrisca sua volta à prisão apenas pelo desejo de se vingar de um policial que o prendeu e sua firme determinação tem sido considerada como uma das mais marcantes interpretações de sua carreira. Fredric March, sempre um ótimo ator e um dos mais brilhantes talentos cinematográficos de seu tempo, superou seus trabalhos anteriores no papel do pai que se vê na contingência de confessar ao filho (Richard Eyer) seu medo diante da brutalidade dos criminosos.

Martha Scott como Eleanor Hilliard.
Richard Eyer como Ralphie Hilliard.
O Inspetor de Polícia Jesse Bard (Arthur Kennedy) que aciona diligências para entrar na casa e salvar os Hilliard.
Os demais que merecem destaques são: Robert Middletton como o criminoso mais  perverso do bando; Dewey Martin no papel do irmão mais moço do líder (Bogart), como um jovem inexperiente que sente-se atraído por Cindy; O sempre ótimo Arthur Kennedy, impecável como o inspetor de polícia que investiga a ameaça na casa dos Hilliard.;  a admirável Martha Scott como Eleanor, e a jovem Mary Murphy como Cindy, minuciosamente trabalhadas pelo diretor William Wyller, que sabia valorizar ao máximo os atores, chamam a atenção para suas interpretações.

Robert Middleton como o mais cruel do bando.
Gig Young como o namorado de uma das vítimas. Ele percebe o perigo e avisa aos policiais.
Dan vira a mesa, e domina Glenn Griffin e todo o seu bando.
A fotografia de Lee Garmes (1898–1978), num preto & branco rico de tonalidades, e a música de Gail Kubik (1914–1984), estão em harmonia com um filme que se impõe como um dos mais perfeitos thrillers de todos os tempos. Vinte e cinco anos depois, em 1990, a mesma história teria um remake na direção de Michael Cimino, com nomes de personagens alterados, e tendo Mickey Rourke e Anthony Hopkins nos papéis vividos respectivamente por Bogart e Fredric March na versão original. Entretanto, mesmo com a presença marcante destes dois grandes atores, a refilmagem não teve sucesso. HORAS DE DESESPERO estreou nas salas do Rio de Janeiro em outubro de 1956, repetindo o êxito de crítica e público do mercado norte-americano. 


Divulgação do filme pelos jornais do Rio de Janeiro, durante sua estreia nas salas cariocas em outubro de 1956.
FICHA TÉCNICA


HORAS DE DESESPERO
(The Desperate Hours)
País – Estados Unidos
Ano de Produção – 1955
Direção - William Wyler
Gênero – Drama/suspense criminal
Produção – William Wyler, para a Paramount Pictures.
Roteiro – Joseph Hayes, baseado em sua peça teatral.
Fotografia – Lee Garmes, em Preto & Branco.
Figurino – Edith Head
Música - Gail Kubik
Metragem – 112 minutos.



ELENCO
Humphrey Bogart  - Glenn Griffin
Fredric March  - Dan C. Hilliard
Arthur Kennedy - Inspetor Jesse Bard
Martha Scott - Ellie Hilliard
Dewey Martin - Hal Griffin
Gig Young   - Chuck Wright
Mary Murphy   - Cindy Hilliard
Richard Eyer     - Ralphie Hilliard
Robert Middleton - Sam Kobish
Alan Reed   - Detetive
Bert Freed  - Tom Winston, auxiliar de Bard
Ray Collins - Xerife Masters
Paul Salata - Xerife
Whit Bissell - Agente Carson do FBI
Ray Teal - Tenente da Polícia Estadual Fredericks
Michael Moore - Detetive
Don Haggerty   - Detetive
Walter Baldwin - Patterson
Ann Doran  - Sra. Walling
Edmund Cobb - Sr. Walling
Beverly Garland -   Srta. Swift

Por Paulo Telles
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domingo, 9 de julho de 2017

A Face Oculta (1961): O Excêntrico Western de Marlon Brando.



O romance The Authentic Death of Hendry Jones, de autoria de Charles Neider (1915-2001) serviu de base para a produção do excêntrico western A FACE OCULTA (One –Eyed Jacks, 1961), tendo no roteiro  Calder Willingham (1922-1995)  e Guy Trosper (1911-1963), onde se conta o destino de dois ladrões de bancos que após praticarem um assalto em Sonora, no México, se separam porque só havia um cavalo.  O argumento ainda teve como roteiristas Rod Serling (de Além da Imaginação) e o cineasta Sam Peckinpah, mas estes acabaram não recebendo crédito pelo trabalho. Entretanto, o maior interessado no projeto era o ator Marlon Brando (1924-2004) que ambicionava levar avante uma produção assinada pela sua empresa. Em 1957, Brando havia fundado a sua produtora, a Pennebaker, e esta produziu De Mãos Dadas com o Diabo (Shake Hands with the Devil) em 1959, dirigido por Michael Anderson.

Stanley Kubrick e Marlon Brando.


Marlon Brando, depois da saída de Stanley Kubrick, assume a direção de
A FACE OCULTA (1961)
Acertado com roteiristas e produção, faltava para Marlon encontrar um diretor. No início, queria Stanley Kubrick na direção, e Marlon viveria o “mocinho” da trama, o bandoleiro Rio. Contudo, não demorou e houve divergências entre Kubrick e o astro da fita. Kubrick queria Spencer Tracy para um dos papéis centrais, o do xerife Dad Longworth, e Brando como dono da produtora não concordou, querendo que Karl Malden (1912-2009) vivesse o personagem. Malden tinha contrato firmado com a Pennebaker e visto que Brando jamais admitiria Tracy no papel de Dad Longworth, Stanley Kubrick saiu da direção após sérios desentendimentos com Marlon. Assim, Brando assumiu a direção, e Malden, a parte de Longworth.

Brando supervisionando uma câmera VistaVision. A FACE OCULTA foi o último filme da Paramount a usar esta tecnologia.
Brando na direção de A FACE OCULTA (1961)
Marlon a supervisionar o roteiro.
Contudo, as histórias que cercam este Western Milionário não estão apenas nas discussões entre Marlon Brando e Stanley Kubrick. O projeto, originalmente, era mesmo para ser uma ambiciosa produção, que durariam cinco horas de projeção. E os investimentos foram extrapolados. Era para custar 1,8 milhão de dólares, mas acabou custando seis milhões de dólares, e era para ser rodado em seis semanas, mas levou sete meses para as filmagens serem concluídas, consumidos depois de dois anos de trabalhos. As rodagens começaram em dezembro de 1958 e concluídas em julho de 1959, e retomadas em dezembro de 1960 para cenas adicionais (incluindo um desfecho diferente exigido pela Paramount). Das 35 horas de filme impresso, o diretor e astro Brando selecionou material para cinco. Extremo perfeccionista, o ator gastou mais de 300 mil metros de filme virgem e editou tudo entregando A Face Oculta para a Paramount distribuir com cinco horas de duração. Ao término das montagens (que levou ainda dois anos), os produtores associados se tiveram na contingência de reduzir ainda mais a metragem da fita, que ao final, foram reduzidos para 2h e 21 minutos. Brando ficou furioso.

Brando e o produtor Walter Seltzer.


Brando, um extremo perfecionista.
Embora a edição final sacrificasse duas horas de filme, sendo comprometida a unidade geral da obra, o resultado é brilhante com sequências esplendidamente realizadas. Não muito bem aceito pela crítica à época de seu lançamento, após várias revisões, A Face Oculta tem hoje status de faroeste clássico. É esteticamente um dos mais belos westerns já filmados, com a excelente fotografia de Charles Lang (1902-1998), interpretações primorosas, e uma história perfeitamente bem desenvolvida, ainda que bastante violenta para a época. E vale destacar a música do veterano Hugo Friedhofer (1901–1981).

Karl Malden ficou com o papel do vilão, Dad Longworth. Stanley Kubrick queria Spencer Tracy para a parte.
ELENCO
Além das presenças centrais de Marlon Brando e Karl Malden, A Face Oculta é cercada de atores conhecidos e vistos nos westerns dirigidos por Ford, Hawks, ou Anthony Mann, o que vem a valorizar ainda mais a fita dirigida por Brando. Temos Ben Johnson (1918-1996), notório cowboy fordiano, embora tempos depois brigasse com o cineasta e nunca mais tivesse feito um filme para ele. A mexicana Katy Jurado (1924-2002), que já namorou Brando e já havia feito trabalhos no gênero, como Matar ou Morrer (1952), de Fred Zinnemann.  Outro grande destaque é o ótimo ator Timothy Carey (1929-1994), formado pela Actor’s Studio de Elia Kazan e um dos atores mais requisitados pelo diretor, que apesar de poucos minutos em One- Eyed Jacks, aparece no filme para levar uma surra de Brando e ser morto por ele. 


Katy Jurado no papel de Maria, esposa de Dad.
No panorama, podemos ver: a atriz e dançarina Margarita Cordova e Timothy Carey, encostados no balcão. Sentados, Larry Duran e Brando. Em pé, como garçom, Ray Teal.
Rio (Brando) em luta com Howard (Timothy Carey)
O notável Elisha Cook Jr (1903-1995), famoso por ter sido morto por Jack Palance em Os Brutos Também Amam (1953) de George Stevens, no papel de um empregado de banco - e ainda a despontar Rodolfo Acosta (1920-1974), Hank Worden (1901-1992), este outro ator da trupe de John Ford - Sam Gilman (1915-1985), Slim Pickens (1919-1983), Ray Teal (1902-1976), John Dierkes (1905-1975) – e destaque para a talentosa porto-riquenha Miriam Colon (1936-2017), também saída do Actor’s Studio.


A TRAMA
Trata-se de um western psicológico. Em Sonora, México, no ano de 1885, após assaltar um banco, o bandoleiro Rio (Marlon Brando) juntamente com seu comparsa e amigo, Dad Longworth (Karl Malden), são cercados pelos Guardas Rurales (os policiais ou vigilantes da fronteira entre o México e os Estados Unidos), e como ambos só têm um cavalo para poder escapar dos guardas, Dad se voluntaria para pegar montaria forte em uma aldeia próxima, enquanto Rio tenta driblar os policiais em pleno deserto. Chegando a aldeia, Dad, motivado pela ganância, consegue dois cavalos, levando todo o dinheiro do assalto e abandonando Rio para os Rurales. Rio é preso, capturado, e sentenciado a cinco anos na prisão local.

Rio (Brando) não poupa nem as senhoras de um assalto a banco.
Rio e seu comparsa e amigo, Dad Longworth, fugindo dos policiais rurales...
...mas Rio não contava que seria traído pelo melhor amigo.
Depois de cinco anos, Rio consegue fugir com um companheiro de cela, o mexicano Modesto (Larry Duran, 1925-2002), tendo em mente se vingar de Dad por sua traição. Depois de várias buscas pelo paradeiro de Longworth, Rio se alia a dois outros fora-da-lei: Bob Amory (Ben Johnson) e Harvey Johnson (Sam Gilman), que pretendem assaltar um banco de um vilarejo de Monterrey, cujo xerife é Dad Longworth. Assim, Rio se dirige ao vilarejo e encontra Dad como um respeitável homem da cidade, casado com Maria (Katy Jurado) e com uma filha adotiva, Louisa (Pina Pellicer, 1934-1964).

Rio escapa da prisão depois de cinco anos, acompanhado pelo companheiro de cela, o mexicano Modesto (Larry Duran).
Harvey Johnson (Sam Gilman) e Bob Amory (Ben Johnson): Sócios de Rio mais interessados em roubar um banco.
Depois de muitas buscas, Rio encontra o ex-comparsa e traidor Dad Longworth (Karl Malden), agora como um respeitável xerife de um vilarejo.
Rio simula refazer amizade com Longworth para melhor executar seu plano de vingança, mas o que ele não contava é que ele terá um sério relacionamento com Louisa, e se apaixonará pela moça. Sabendo que Rio andou saindo com Louisa, Dad convoca seus homens e capturam Rio, para que este seja açoitado por Dad em público. 


Dad apresenta a Rio sua esposa Maria (Katy Jurado) e sua filha adotiva, Louisa (Pina Pellicer).
O grandalhão Lon (Slim Pickens), auxiliar de Dad, que cobiça Louisa e persegue Rio.
Rio, dominado por Lon, será chicoteado em público por Dad Longworth.




Mais tarde, Louisa descobre estar grávida de Rio, e este ainda mantém seus planos de vingança para matar Dad Longworth, contudo, antes que isso ocorra, Rio é preso e está prestes a ser enforcado. O bandoleiro faz questão de lembrar ao ex-amigo que, mesmo sendo um homem da Lei respeitável de um vilarejo, ninguém conhece sua verdadeira Face Oculta e revela que esteve preso nos últimos cinco anos por culpa de Dad e que decidira se vingar de sua traição. Com a ajuda de Louisa, Rio consegue escapar da prisão e, por fim, liquida Dad, executando a vingança tão almejada.

A tortura imposta por Dad fará Rio ainda mais implacável com seu desejo de vingança.


MARLON E PINA ROMANCE DENTRO E FORA DAS TELAS

A Face Oculta
estava previsto para ser rodado em 60 dias, mas demorou 190 dias para terminar as filmagens. Como se sabe, Brando despediu Stanley Kubrick e ele mesmo assumiu a direção. Entretanto, no elenco havia uma atriz mexicana de 24 anos chamada Pina Pellicer, que fazia justamente o interesse amoroso de Marlon no filme. Contudo, o romance que era apenas para ser no script, foi também levado para fora dos bastidores. Brando começou a namorar Pina, iludindo-a ao mesmo tempo em que reatava um antigo caso com uma atriz chamada Movita Castenada, que seria mais tarde sua segunda esposa (Brando oficialmente casou três vezes).

Brando e Pina Pellicer: Romance dentro e fora das filmagens.
Pina Pellicer e Marlon Brando: A FACE OCULTA (1961).
Katy Jurado, Marlon Brando, Karl Malden, e Pina Pellicer:
A FACE OCULTA (1961).
Terminada as filmagens, Brando deixou bem claro para Pina que o namoro entre ambos terminara junto com o filme, o que ela não aceitou com facilidade. O filme entrou então para a fase de edição daquela tonelada de negativos filmados. No duelo final entre Rio (Brando) e Dad (Karl Malden), ambos morriam. Mas a direção da Paramount não aceitou esse final acreditando que ele seria rejeitado pelo público e a fita poderia fracassar. Assim, em dezembro de 1960, a Paramount reuniu Brando e Pina Pellicer para rodarem outro final, com a cena em que Rio e Louisa aparecem a cavalo. Ele está apenas ferido, e ambos se despedem à beira-mar, jurando amor eterno. A despedida para Pina Pellicer era real, pois Brando já engravidara Movita e seu novo filho com ela estava para nascer. Foi quando ele viajou para o Taiti para conhecer as locações onde seria rodado O Grande Motim. No Taiti, Marlon conheceu uma linda  nativa, chamada Tarita. Jornais e revistas, e em especial as fofoqueiras Louella Parsons e Hedda Hopper, davam bastante destaque para a vida particular do ator, levando a esperançosa Pina ao desespero. Tempos depois,  Pina Pellicer cometeu suicídio com apenas 30 anos de idade, a 4 de dezembro de 1964. E não faltou quem culpasse Marlon Brando pela sua morte.

Pina e Marlon, comemorando juntos o aniversário durante pausa das filmagens de A FACE OCULTA, em 1959. Nascidos na mesma data, 3 de abril, Marlon comemorava seus 35 anos, enquanto Pina completava 25.
Marlon e Pina, em passeio durante uma pausa de filmagem.
Brando e Pina Pellicer, o casal romântico de
A FACE OCULTA (1961)
Devido às duras críticas da época de seu lançamento, A Face Oculta foi a única experiência de Marlon Brando como cineasta, e lamenta-se que o ator nunca mais optou em dirigir  outro filme. A Face Oculta foi lançado nos cinemas americanos em março de 1961. Décadas mais tarde, a crítica mudou de opinião, e encontrou evidentes qualidades no western dirigido pelo astro. Foi também o último filme produzido pela Paramount usando a tecnologia  VistaVision. Entretanto, no Brasil, e em especial no Rio de Janeiro, A FACE OCULTA estreou em grande circuito, em abril de 1962, onde teve melhor receptividade por grande parte do público. Segundo Marlon Brando, seu Western pretendia ser um "assalto frontal ao templo dos clichês". 



Divulgação do filme pelos jornais do Rio de Janeiro, em abril de 1962.
FICHA TÉCNICA
A FACE OCULTA
(ONE- EYED JACKS)

PAÍS – Estados Unidos
ANO: 1961
DIREÇÃO: Marlon Brando
PRODUÇÃO: Walter Seltzer, Georges Glass, e Frank P. Rosenberg, para Pennebaker produções em distribuição da Paramount Pictures.
ROTEIRO: Guy Trosper e Calder Willingham, com base na novela The Authentic Death of Hendry Jones, de Charles Neider.
FOTOGRAFIA: Charles Lang, em Cores
MÚSICA: Hugo Friedhofer
METRAGEM: 141 MINUTOS




ELENCO
MARLON BRANDO – RIO
KARL MALDEN – DAD LONGWORTH
KATY JURADO – MARIA LONGWORTH
PINA PELLICER – LOUISA LONGWORTH
BEN JOHNSON – BOB AMORY
SLIM PICKENS – LON DEDRICK, AUXILIAR DO XERIFE
LARRY DURAN – CHICO MODESTO
SAM GILMAN – HARVEY JOHNSON
TIMOTHY CAREY – HOWARD TETLEY
MIRIAM COLON – RUIVA
ELISHA COOK JR – CARVEY
RODOLFO ACOSTA – CHEFE DOS RURALES
RAY TEAL – BARNEY, O BARMAN
JOHN DIERKES – CHET
PHILIP AHN – TIO
HANK WORDEN – DOC
MARGARITA CORDOVA – DANÇARINA DE FLAMENCO

Por PAULO TELLES
As Maiores Trilhas Sonoras da Sétima Arte, e em todos os tempos!
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QUINTAS FEIRAS (22 horas)
SÁBADOS (17 HORAS)