domingo, 4 de junho de 2017

Relembrando Roger Moore em uma Retrospectiva de Seus Filmes como 007.



Roger Moore (1927-2017), que faleceu no último dia 23 de maio aos 89 anos, além de outros trabalhos no cinema e na televisão ao longo de cinco décadas, ficou imortalizado na pele do mais famoso agente secreto do cinema (sempre a serviço de Sua Majestade), o agente britânico 007 – James Bond, ícone da espionagem de ação extraído dos romances de seu criador, o escritor inglês Ian Fleming (1908-1964), outrora ele mesmo um espião da Inteligência Britânica. 


Sean Connery: Primus Inter Pares entre todos os intérpretes.
Ian Fleming, o criador de James Bond.
É verdade que Sean Connery é considerado o primus inter pares entre todos os intérpretes, contudo, Connery dava ao seu James Bond um ar de implacabilidade e virilidade para o papel. Não que Moore não fosse implacável como 007, e muito menos não fosse viril. Mas Moore dava mais sofisticação ao papel, e, além disso, o charme que encantou todas as mulheres se tornou uma marca imprescindível na atuação do ator para com o personagem. Se por sua vez Connery era irônico em certas situações, Roger assumia uma postura debochada, se tornando muitas vezes, um simpático fanfarrão.

Roger Moore como IVANHOÉ (1958-1959), série de TV
Roger Moore e Carroll Baker: O MILAGRE (1959)
Roger Moore e Lana Turner: DIANA DE FRANÇA (1956)

Mas há quem não se lembre de como entrou James Bond na vida de Roger Moore. O que poucos sabem é que mesmo antes da convocação de Sean Connery, Moore já estava numa lista de indicados para interpretar o espião por volta de 1961. Depois de vários testes com atores britânicos e irlandeses (entre os quais Stephen Boyd, que foi quase escolhido, mas teve que recuar por conta de um compromisso para um novo filme) – os produtores pensaram logo num jovem ator inglês, de boa estampa, que já havia feito alguns trabalhos na televisão, entre os quais como protagonista da série Ivanhoé (1958-1959), e em Maverick (1959-1961), ao lado de James Garner. Este inglês era Roger Moore, que no cinema já havia feito A Última Vez que Vi Paris (The Last Time I Saw Paris, 1954), de Richard Brooks, com Elizabeth Taylor e Van Johnson, e Melodia Interrompida (Interrupted Melody, 1955), de Curtis Bernhardt, com Eleanor Parker e Glenn Ford.  Ainda foi galã de Lana Turner (1921-1995) em Diana de França (Diane, 1956), de David Miller, e de Carroll Baker no fascinante O Milagre (The Miracle, 1959), de Irving Rapper.



Roger Moore como Simon Templar, em O SANTO (1962-1969), série de TV
Feita a escolha dos produtores, estes trataram de localizar Moore, entretanto, o ator não pôde pegar de imediato o papel de James Bond, pois na época estava preso também a um contrato na TV, personificando Simon Templar na série O Santo (The Saint), personagem que também lidava com espionagem. Nos próximos sete anos, entre 1962 a 1969, Moore se encarregou de viver O Santo, enquanto que Sean Connery entrou para a história como o primeiro intérprete de James Bond no cinema, atuando nos primeiros cinco filmes da franquia entre 1962 a 1967: O Satânico Dr. No (Dr. No, 1962), Moscou Contra 007 (From Russia with Love, 1963) – Os dois primeiros dirigidos por Terence Young (1915-1994) – 007 Contra Goldfinger (Goldfinger, 1964), de Guy Hamilton (1922-2016); 007 Contra a Chantagem Atômica (Thunderball, 1966), de Terence Young; e Com 007 Só se Vive Duas Vezes (You Only Live Twice, 1967), de Lewis Gilbert.


George Lazenby, mal sucedido como 007
Com o insucesso de George Lazenby para viver James Bond em 007 a Serviço Secreto de Sua Majestade (On Her Majesty's Secret Service, 1969), de Peter Hunt - por sinal considerado o melhor filme de toda a série apesar da falta de carisma do atleta e ex-modelo australiano Lazenby – e da saída de Sean Connery do papel, depois de reviver o personagem em 007, Os Diamantes São Eternos (Diamonds Are Forever, 1971), de Guy Hamilton – os produtores novamente voltaram suas atenções para Roger Moore.


Roger Moore assumindo o papel de James Bond
Em 1973, quando Moore assumiu o papel, a Guerra Fria, pano de fundo por excelência das histórias originais de 007, já estava degelando, e a União Soviética já não provocava tanto medo. Logo, os produtores precisaram reinventar James Bond e o foco de suas ações.  Moore havia saído de uma série televisiva de apenas uma temporada, The Persuaders, ao lado de Tony Curtis (1925-2010), um seriado criminal que tinha muito de teor humorístico e sofisticado (com Moore no papel de Lord Sinclair), ponto que seria marcante para Roger viver seu James Bond, que ao contrário de seu antecessor, ofereceu ao personagem um estilo inconfundivelmente debochado. 



Curiosamente, Roger Moore foi o ator mais velho a personificar 007 (era dois anos mais velho que Sean Connery), e o que mais perdurou no papel do agente secreto britânico, ao longo de doze anos e sete filmes, entre 1973 a 1985. Vamos relembrar alguns trabalhos onde Roger Moore foi o astro desses sete filmes, com breves sinopses e ficha técnica.




007
FILMES COM ROGER MOORE




007 – VIVA E DEIXE MORRER
(Live and Let Die)


Inglaterra. Ano: 1973. Direção: Guy Hamilton. Elenco: Roger Moore, Yaphet Kotto, Jane Seymour, Clifton James, Bernard Lee, Lois Maxwell, Geoffrey Horder, David Hedison, Brad Dexter. 121 minutos. United Artists.


007(Roger Moore) e sua parceira (Jane Seymour) nas garras de um perigoso chefão, vivido por Yaphet Kotto
James Bond enfrenta as forças da magia negra nesta aventura cheia de adrenalina que o leva das ruas de Nova York à Louisiana. Com charme, inteligência e uma autoconfiança mortal. Roger Moore interpreta o Agente 007 e impede um poderoso chefão das drogas (Yaphet Kotto) de concluir seu plano diabólico para conquistar o mundo. Oitava aventura no cinema do Agente 007 e o primeiro com Roger Moore no estrelato. Em meio a todos os truques, uma sequencia divertida: James Bond escapa de crocodilos, correndo sobre eles, sem afundar na água. Trilha sonora: Live e Let Die, composta por Paul McCartney e Linda McCartney e interpretada por Paul McCartney e Wings.



007  CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO
(The Man with the Golden Gun)

Inglaterra. Ano: 1974. Direção: Guy Hamilton. Elenco: Roger Moore, Christopher Lee, Britt Ekland, Maud Adams, Hervé Villechaize, Clifton James, Richard Loo, Marc Lawrence, Bernard Lee, Lois Maxwell, Desmond Llewelyn. 125 minutos. United Artists.

Maud Adams e Britt Ekland, as Bond Girls de 007 CONTRA O HOMEM DA PISTOLA DE OURO (1974)
007 e o vilão, vivido por Christopher Lee
James Bond está marcado para morrer e precisará de seus instintos mais letais aliados a seu charme irresistível para sobreviver a esta ação ininterrupta! Roger Moore assume o papel de Agente 007 e participa de um jogo mortal de gato-e-rato com o assassino Francisco Scaramanga (Christopher Lee, 1922-2015). Com uma fantástica perseguição automobilística por Bangcoc e com o eletrizante momento em que Bond enfrenta toda uma equipe perita em artes marciais. A partir desta produção, o produtor Albert R. Brocolli (1909-1996) se desligou de seu sócio Harry Saltzman (1915–1994) e continuou sozinho com os direitos do personagem. Música de John Barry (1933-2011), com a canção The Man With The Golden Gun, interpretada por Lulu.



007 – O ESPIÃO QUE ME AMAVA
(The Spy Who Loved Me)

Inglaterra. Ano: 1977. Direção: Lewis Gilbert. Elenco: Roger Moore, Barbara Bach, Curd Jurgens, Caroline Munro, Lois Maxwell, Bernard Lee, Desmond Llewelyn, Richard Kiel. 125 minutos. United Artists.

Barbara Bach, Curd Jurgens, e Roger Moore: 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA (1977)
Roger Moore e Barbara Bach em pré-estreia de 007, O ESPIÃO QUE ME AMAVA, a 20 de maio de 1977
Uma bela agente Russa, Anya Amasova (Barbara Bach), se une a James Bond Para impedir que o megalomaníaco Stromberg (Curd Jurgens, 1915-1982) leve cabo um terrível plano para dominar e destruir o mundo. O diretor Gilbert (O Proscrito de Hong Kong e Afundem o Bismarck) faz ironia com os outros filmes da série, levando tudo na mais pura gozação. Para começar, a abertura do filme, quando Bond salta de um precipício e abre o paraquedas com a bandeira da Inglaterra. O tema Nobody Does It Better, foi composta por Marvin Hamlisch e interpretada por Carly Simon.




007 – CONTRA FOGUETE DA MORTE
(Moonraker)

Inglaterra. Ano: 1979. Direção: Lewis Gilbert. Elenco: Roger Moore, Lois Chiles, Michael Lonsdale, Richard Kiel, Corinne Cléry, Bernard Lee, Geoffrey Keen, Desmond Llewelyn, Lois Maxwell. 126 minutos. United Artists.

James Bond em uma terrível luta com o gigante Jaws (Richard Kiel) em cima do bondinho do Pão de Açúcar, no Rio de Janeiro

Moore entre as Bond Girls Lois Chiles e Corinne Cléry
James Bond entra em órbita nesta ágil aventura que o leva de Veneza ao Rio de Janeiro e ao espaço sideral! Roger Moore interpreta o Agente 007 pela quarta vez e une forças com a cientista Holly Goodhead (Lois Chiles) da NASA para impedir um industrial obcecado pelo poder (Michael Lonsdale) de destruir toda a vida humana na face da Terra. Esta foi a 11ª aventura do agente britânico no cinema, onde conta com uma cena antológica: a luta do gigante com dentes de aço, Jaws (Richard Kiel, 1939-2014) contra Bond em cima do bondinho do Pão de Açúcar. As sequencias do carnaval, ainda no Rio de Janeiro, deixa a desejar (realizados próximos da Marquês de Sapucaí, antes do surgimento  do Sambódromo, que só seria erguido em 1983). Vale conferir também a presença cameo do saudoso comediante brasileiro Carlos Kurt (1933-2003) como um guarda alfandegário que tem o terrível dever de revistar Jaws em pleno aeroporto do Galeão. O personagem de Kiel já havia integrado no filme anterior de Bond, O Espião que me Amava. A canção Moonraker foi composta por John Barry (1933-2011) e interpretada por Shirley Bassey.

Com Carole Bouquet: 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS (1981)
007 – SOMENTE PARA SEUS OLHOS
(For Your Eyes Only)

Inglaterra. Ano: 1981. Direção: John Glen. Elenco: Roger Moore, Topol, Carole Bouquet, Lynn-Holly Johnson, Julian Glover, Cassandra Harris, Michael Gothard, Lois Maxwell, Desmond Llewelyn, Geoffrey Keen. 127 minutos – United Artists.

Com o vilão Julian Glover: 007 SOMENTE PARA SEUS OLHOS (1981)
Quando um navio britânico é afundado em águas estrangeiras, as superpotências mundiais começam uma corrida desesperada para achar sua carga: um sistema submarino de controle nuclear. James Bond é lançado a uma de suas mais eletrizantes aventuras ao participar da busca e evitar a devastação mundial. São emocionantes as sequencias de alpinismo nesta 12ª aventura de Bond no cinema, onde enfatiza constante ação sem muito uso de efeitos especiais. For Your Eyes Only foi composto por Bill Conti e interpretada por Sheena Easton. 




007 CONTRA OCTOPUSSY
(Octopussy)

Inglaterra. Ano: 1983. Direção: John Glen. Elenco: Roger Moore, Maud Adams, Louis Jordan, Kristina Wayborn, Kabir Bedi, Steven Berkoff, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Lois Maxwell. 127 minutos – United Artists.

Louis Jourdan e Maud Adams, os vilões de 007 CONTRA OCTOPUSSY (1983)
O Agente James Bond vai à Índia e a África Central para frustrar os planos de um príncipe afegão (Louis Jourdan, 1921-2015) e de sua cúmplice (Maud Adams), que saqueiam tesouros do último Czar da Rússia espalhados pela Europa. Por trás deles manobra um general soviético (Steven Berkoff) que quer destruir Berlim com a Bomba Atômica. A canção All Time High, de John Barry, foi interpretada por Rita Coolidge. 

Com Tanya Roberts: 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985), último filme de Roger Moore no papel de James Bond.

007 NA MIRA DOS ASSASSINOS
(A View To a Kill)

Inglaterra. Ano: 1983. Direção: John Glen. Elenco: Roger Moore, Christopher Walken, Tanya Roberts, Grace Jones, Patrick Macnee, Patrick Bauchau, Fiona Fullerton, Alison Doody, Desmond Llewelyn, Robert Brown, Lois Maxwell . 127 minutos – United Artists.

Christopher Walken e Grace Jones, os vilões de 007 NA MIRA DOS ASSASSINOS (1985).
Max Zorin (Christopher Walken) elabora um plano para aniquilar o mercado mundial de microchips, e destruir o vale do silício, próximo a San Francisco, justamente com o intento de dominar o mercado de informática nos Estados Unidos. Mas o vilão terá James Bond em seu caminho, em sua 14ª aventura para o cinema (sem contar 007- Nunca mais Outra vez, em 1983 com Sean Connery, que não foi produzido por Albert Brocolli, então detentor dos direitos do personagem de Ian Fleming). Roger Moore confere humor, elegância e charme letal à sua última interpretação como o personagem. Com pouca agilidade (afinal, Moore já contava 58 anos de idade e já se iniciava a próxima “caçada” para o novo Bond, ocupado dois anos depois por Timothy Dalton), mas sem perder qualquer brilho. Destaque para a cantora Grace Jones, como a hercúlea e mortal parceira de Zorin, e para a beleza de Tanya Roberts. A trilha A View to a Kill, interpretada pelo grupo Duran Duran, definitivamente foi um marco nos filmes de 007, indo parar nas Paradas de Sucesso de todas as rádios em 1985. 

Roger Moore - Um 007 para ninguém botar defeito.
Paulo telles
Produção e Pesquisa. 


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