sexta-feira, 12 de maio de 2017

Jake Grandão (1971): John Wayne em uma Aventura Cheia de Contagiante Ação, ao Velho e Bom Estilo "Fordiano", Sem Ser um Filme de John Ford.


Considerado o mais animado e genuíno Western dentre os quais estrelou, John Wayne (1907-1979), após sua conquista com o Oscar de melhor ator no ano anterior por Bravura Indômita, optou por fazer uma espécie de homenagem ao bom e velho estilo de seu compadre e amigo, o Mestre John Ford (1895-1973), ao estrelar JAKE GRANDÃO (Big Jake), em 1971. Muito mais superior do que Jamais Foram Vencidos (1969), Chisum (1970), e Rio Lobo (1971), a aventura da vez ancorada pelo Duke é traçada em linha reta e cheia de ação, contagiada por bom humor e às vezes por lirismo rústico, bem aos moldes dos grandes trabalhos do diretor Ford. E o melhor de tudo isso, é que Jake Grandão tem, de fato, o clima festivo que tão bem caracterizou o trabalho deste cineasta, como se fosse uma "reunião de família", tirando férias em passagem pelo México (onde o filme foi inteiramente rodado). 


John Wayne como Jacob "Big Jake" McCandles
Big Jake volta por uns instantes ao lar, para rever sua esposa Martha (Maureen O' Hara), que requer sua ajuda.
E também não é para menos: O produtor-executivo Michael Wayne (1934-2003) – filho mais velho de John que agora comandava a Batjac, a velha empresa de seu pai -Patrick Wayne, e até mesmo John Ethan Wayne, filho caçula de Duke, então com oito anos, estiveram envolvidos na produção de Jack Grandão. E é importante dizer que velhos companheiros de John Wayne na Ford’s Stock Company, como sua amiga Maureen O’ Hara (1920-2015), com quem o ator fez os clássicos Rio Bravo (1950), Depois do Vendaval (1952), Asas de Águia (1955), e Quando um Homem é Homem (1963) – e também Harry Carey Jr (1921-2012), Hank Worden (1901-1992), John Agar (1921-2002), o fotógrafo William Clothier (1903-1996), e o diretor de segunda unidade Cliff Lyons (1901-1974) – todos antigos colaboradores do Mestre em muitos de seus grandes e inesquecíveis clássicos, fizeram parte desta empreitada. Logo, podemos dizer que Big Jake, assim como outros westerns estrelados por Wayne, como Caminhos Ásperos (1953), Fúria no Alaska (1960), e Os Comancheros (1961), é um dos mais “fordianos” faroestes que o cineasta John Ford não dirigiu.


Maureen O' Hara é Martha McCandles, disposta a pagar o resgate pelo neto raptado, mas para isso, ela pede ajuda à um "desagradável homem"...
...o marido, Jacob McClandles, conhecido como Big Jake (John Wayne).
Aos 65 anos de idade, o bom e velho Duke retoma a pista legendária dos justiceiros do Oeste que tão bem o consagrou. Wayne, no papel do aventureiro Jacob “Big Jake”  McCandles, em realidade um rico barão do gado, afastado de sua casa no Texas, da mulher Martha (Maureen O’ Hara), e dos filhos James (Patrick Wayne, também filho do “Grande John”), Jeff (Bobby Vinton), e Michael (Christopher Mitchum, filho do lendário ator Robert Mitchum, com quem Wayne contracenou em El-Dorado, em 1967. O papel havia sido oferecido à Jeff Bridges, que se recusou a trabalhar com Wayne), é chamado pela esposa, que a contragosto, por achar o marido uma pessoa “desagradável demais”, vai precisar de sua ajuda. O neto que Jake ainda não conhece, chamado de “Pequeno Jake”, foi raptado pelo bando de John Fain (Richard Boone, 1917-1981), um renegado que agora provoca pânico nos arredores do Rio Grande com sua quadrilha de facínoras. Boone, formidável vilão no cinema e herói como o Paladino do Oeste na TV, foi um amigo querido de John Wayne na vida real, com quem havia contracenado em O Alamo (1960), e ainda contracenaria em 1976 no último trabalho de Duke, no derradeiro O Último Pistoleiro, de Don Siegel. 


Jacob e seu filho James McCandles, vivido por Patrick Wayne, filho de John Wayne.
Jacob e seu filho Michael McCandles, interpretado por Christopher Mitchum.


Jacob e seus dois filhos na caçada aos raptores do menino

Um dos monólogos do personagem de Boone, direcionado ao capataz Bert Ryan (vivido por John Agar), é uma das mais sugestivas em um filme, quando ele saca de seu revólver e o mata, pronto para assaltar a casa dos McCandles:
“O Pior que quando se tem muito dinheiro, tem sempre alguém querendo tirar da gente” – É o que John Fain declara a Bert antes deste ser morto. Curiosamente, John Agar e Richard Boone já se defrontaram em um faroeste – Crimes Vingados, em 1956 – onde Agar interpretava um xerife que acaba liquidando em um duelo o bandido vivido por Boone. Em Big Jakeas situações entre os dois atores se invertem. 


Richard Boone é John Fain, renegado e líder de quadrilha, que raptou o neto de Big Jake.
Fain e sua quadrilha, que espalha pânico pelas fronteiras do Texas e México. 
John Wayne & Richard Boone: inimigos em Big Jake, amigos na vida real.
A aventura já começa com um verdadeiro massacre, onde Fain e seus homens matam a maioria dos rancheiros e ainda exige um milhão de dólares pelo resgate do menino. De prontidão, Jake cede aos apelos da esposa Martha, que não a via há anos. De primeira impressão, a narrativa sugestiona com que Jake Grandão seja até uma sequencia de Quando um Homem é um Homem, último faroeste que havia reunido Wayne e Maureen oito anos antes. 


Os McCandles em missão de resgate.
O "Pequeno Jake", neto de Jacob, vivido por Ethan Wayne, filho caçula do Duke.

John Doucette é Buck Dugan, chefe dos Texas Rangers, que também tenta salvar o menino, contudo sem sucesso.
A caçada a Fain e seus asseclas para resgatar o menino se processa sem a força trágica de Rastros de Ódio, clássico de John Ford estrelado por Wayne em 1956 – mas com vigor e rispidez que normalmente não seria esperado do diretor George Sherman. A trama se passa em 1909, portanto se torna distanciado da mitologia do Velho Oeste, onde Big Jake estabelece curioso paralelismo entre a vida selvagem dos últimos pistoleiros e o mundo exterior em completo desenvolvimento, com automóveis competindo até mesmo com os cavalos. Mesmo com estas diferenças, o cavalo de John Wayne é ainda muito mais eficiente do que os calhambeques e as motocicletas que começam a invadir a fronteira. Uma parábola da fábula “a tartaruga e a lebre” se faz pertinente nesta aventura, pois o bom e velho Duke, com sua montaria, chega mesmo na frente de tudo e todos para decidir todas as paradas, mesmo a base de socos, do palavrão, e do “tudo ou nada!”. Monólogos, nem pensar! É o que ordena o figurino do faroeste verdadeiro e do melhor da Sétima Arte no quesito das aventuras. Juntamente com dois de seus filhos, James e Michael, Jacob “Big Jake” parte para alcançar a quadrilha de Fain, e ainda tem o auxílio do amigo apache Sam Sharpnose (Bruce Cabot, 1904-1972, em seu último desempenho para o cinema). Jake passa a frente dos Texas Rangers, liderados por Buck Dugan (John Doucette, 1921-1994), que também buscam a quadrilha, levando uma mala cheia de dinheiro para o resgate. A partir daí, uma maratona movimentada de ação se processa em todo percurso da fita, até o menino ser resgatado pelo avô e os tios, liquidando Fain e toda a quadrilha. 


Bruce Cabot, em sua última atuação para o cinema, no papel de Sam Shapnose, ex-batedor e amigo de Jacob.

Enfim, o encontro entre avô e neto, em momento de perigo.
O "Pequeno Jake" é salvo pelo avô, o "Grande Jake".
Para os amantes dos faroestes, Jake Grandão tem certamente um significado muito especial, principalmente para os amantes do cineasta John Ford. Na época da realização de Big Jake, o lendário diretor já estava aposentado (seu último filme, 7 Mulheres, foi realizado em 1966), doente e quase cego, entretanto, sua aposentadoria afastou o homem de seus trabalhos, mas não afastou e nem impediu a transferência de seu espírito inconfundível a sobrevivência de seu universo cinematográfico. Ele continuou dando vida aos filmes de Wayne e aos dirigidos pelo seu afilhado, o diretor Andrew V. McLaglen, discípulo do Mestre. Para aqueles que se privam da intimidade do universo fordiano, Big Jake já começa antes mesmo do filme começar, pois em realidade, é apenas mais uma peça monumental, cuja saga começou em 1939 e tem o título de Stagecoach, por nós aqui intitulado de No Tempo das Diligências.


O Diretor George Sherman
A Família McCandles
Patrick Wayne e Maureen O' Hara, brincando com o filho de Patrick em um intervalo das filmagens.
John Wayne convocou um bom especialista em westerns, o veterano e experiente George Sherman (1908-1991) para cuidar de todos os detalhes técnicos da direção. Artesão impessoal, mas correto e conhecedor da linguagem do gênero, Sherman deu conta da missão, adornando a narrativa com firmeza no que se trata com a violência, deixando Wayne livre para cuidar do que diz respeito a John Ford. Jake Grandão foi o último filme dirigido por Sherman para o cinema (chegou a dirigir alguns trabalhos para TV até 1978), que na época das filmagens não se encontrava bem de saúde. Filmar no México foi difícil para o cineasta e ele teve que se afastar em alguns momentos de suas funções, e John Wayne assumiu a direção. Quando o filme foi concluído, Wayne, que era amigo de longa data de Sherman, não quis ser creditado como diretor, passando total crédito a George Sherman. JAKE GRANDÃO foi a 26ª maior bilheteria nos Estados Unidos em 1971, colocando John Wayne ao topo dos astros campeões de renda no mesmo ano. O filme foi lançado nos cinemas do Rio de Janeiro em maio de 1972. A trilha sonora é de Elmer Bernstein (1922-2004). 


John Wayne & Maureen O' Hara, pela última vez parceiros nas telas.
Por breves momentos, o Duke aposentou o cavalo e aderiu à uma motocicleta, em uma folga das filmagens de JAKE GRANDÃO.

Divulgação do filme nos cinemas cariocas, em maio de 1972.
FICHA TECNICA


JAKE GRANDAO

(Big Jake)

País – Estados Unidos

Ano: 1971

Gênero: Western

Direção: George Sherman, e John Wayne (não creditado)

Produção: Michael Wayne, para Batjac Produções e Cinema Center Films (John Wayne como Produtor Executivo)

Roteiro: Harry Julian Fink e Rita M. Fink

Fotografia: William Clothier, em cores

Música: Elmer Bernstein

Metragem: 110 minutos



ELENCO
John Wayne – Jacob “Big Jake” McCandles

Richard Boone – John Fain

Maureen O’ Hara – Martha McCandles

Patrick Wayne – James McCandles

Christopher Mitchum – Michael McCandles

Bobby Vinton – Jeff McCandles

Bruce Cabot – Sam Sharpnose

Ethan Wayne – Pequeno Jake

Glenn Corbert – O’Brien

John Doucette – Buck Dugan

Harry Carey Jr – Pop Dawson

Jim Davis – Líder de Linchamento

John Agar – Bert Ryan

Gregg Palmer – John Goodfellow

Dean Smith – Kid Duffy

Hank Worden – Hank

Roy Jenson – Homem de Fain

PRODUÇÃO & PESQUISA

PAULO TELLES

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