segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Revisitando Rastros de Ódio: Um Western de épicas proporções.


Um destes artistas que jamais utilizam a palavra Arte, e um destes poetas que jamais falam de poesia – assim o grande cineasta francês François Truffaut (1932-1984) se referiu a John Ford (1895-1973).

Recentemente, o Cinemark andou reprisando em suas salas dentro de uma maratona de clássicos que a empresa vem relançando, uma das obras primas deste grande mestre da Sétima Arte. Naturalmente, não temos hoje em dia as telas para as projeções em Vistavision, formato original deste grande espetáculo, contudo, o Cinemark recepcionou muito bem para sua plateia este monumento fordiano, que ocorreu nesta semana de folias, nos dias 14, 15, e 18 de fevereiro último. Rastros de ódio (The Searchers) ainda detém o poder e a majestade de ser um dos maiores clássicos do cinema, ainda sob aplausos de espectadores das mais variadas idades, passados quase 60 anos de seu lançamento. 


John Ford é tido como o Mestre do gênero Western, o verdadeiro pai deste estilo cinematográfico. Um autêntico contador de Histórias vindas de um filho de imigrantes irlandeses. Durão, brigão, turrão, ele nasceu a 1º de fevereiro de 1895 em Cape Elizabeth, Maine, na fazenda de seus pais. Mais tarde, a família se mudaria para Portland, onde Jack (como Ford seria chamado até 1923), passou a infância e a adolescência, e seu verdadeiro nome era Sean Aloysius O’Feeney.


Sean seguiu diretamente dos bancos escolares para Hollywood, onde lidou com problemas de direção desde 1916 (apenas dois anos depois da estreia cinematográfica de outro gênio, Charles Chaplin). Por esta razão que é perfeitamente compreensível a ausência de intelectualismo nas obras do diretor, numa trajetória tão ampla e substanciosa de Westerns, que formam no conjunto, sua contribuição mais rica e monumental. Por esta carência de intelectualismo em seus filmes é que é considerado também como um cineasta direto, prático, e objetivo, simplesmente JOHN FORD.

RASTROS DE ÓDIO, produzido em 1956, apresenta John Wayne (1907-1979) talvez na maior interpretação de sua carreira, digna de um prêmio da Academia (com desempenho superior mesmo ao seu Rooster Coburn, por Bravura Indômita, em 1969, filme que lhe deu sua única estatueta de melhor ator), e onde esbanja uma performance clássica, na pele de Ethan Edwards, Ex-Confederado que se empenha obstinadamente na procura de sua sobrinha, Debbie (Natalie Wood, 1938-1981), raptada pelos comanches. Na fase infantil da personagem, quem a interpreta é Lana Wood, irmã mais nova de Natalie.


Não é de desconhecimento que grande parte da obra de Ford no gênero western teve como cenário o Monument Valley, no Arizona, onde fora rodada toda sua trilogia sobre a Cavalaria Americana (Fort Apache, Legião Invencível, Rio Grande), além de Audazes e Malditos (1960) e Crepúsculo de uma Raça (1964). Com isso, tendo mais uma vez por décor a fascinante e esplendorosa beleza do local, no Estado de Utah, Rastros de ódio conserva os elementos dramáticos do faroeste tradicional, por seu estilo peculiar, épico e lírico, onde o cineasta descreve a odisseia de Ethan e de seu sobrinho adotivo, o meio índio Martin Pawley (Jeffrey Hunter, 1926-1969), na perseguição aos comanches que raptaram a pequena Debbie, e isto tudo num relato de tensão ininterrupta e de grandeza plástica e cromática, segundo as palavras do finado crítico carioca Paulo Perdigão – ainda tendo a  fotografia impecável de Winton. C Hoch (1905-1979), originariamente em Vistavision, que se situa entre as mais belas e expressivas do gênero.

Ethan Edwards (John Wayne) e seu Sobrinho adotivo Martin Pawley (Jeffrey Hunter) - Uma relação conflituosa.
Apenas três anos depois de terminada a Guerra Civil Americana, Ethan volta ao seu lar no Texas.  Reencontra a mulher por quem ele era apaixonado, Martha (Dorothy Jordan), casada com seu irmão Aaron (Walter Coy, 1909-1974), ao passo que foi por este exato motivo que demorou tanto tempo para voltar para casa após o fim da guerra. Solitário, taciturno, fechado, parece mesmo só ter afeto pela cunhada e pela sobrinha Debbie (Lana Wood), então com 7 anos.  Contudo, apesar da aparente tranquilidade e da vida familiar feliz, principalmente com a chegada do tio Ethan, o Texas vive cercado com a ameaça dos índios comanches, que estão roubando e matando o gado dos rancheiros.

Ethan e os demais Searchers partindo para a missão
O excêntrico Capitão dos Texas Rangers, reverendo Samuel Clayton (Ward Bond, em soberba interpretação) reúne um grupo de homens e batedores para pega-los. Ethan, que odeia os índios, se surpreende que o menino que havia salvo anos atrás de um ataque indígena, crescera e se tornara um mestiço, Martin Pawley (Jeffrey Hunter). Ethan trata o jovem Martin muitas vezes com desdém, mesmo sabendo que ele não tem culpa pelas suas origens, e sabe também que mesmo não sendo seu sobrinho de sangue,  sua cunhada e seu irmão o tratam como um filho.

Ethan se despede de sua cunhada Martha (Dorothy Jordan), sob os olhares observadores e suspeitos do Capitão Sam Clayton (Ward Bond). Ethan ama em segredo Martha.
Martin Pawley (Jeffrey Hunter), discípulo de Ethan.
O Capitão dos Texas Rangers e reverendo Samuel Clayton (Ward Bond) e Ethan.

Durante uma jornada da Patrulha do Capitão Clayton na perseguição aos Comanches, onde acompanham Ethan e Martin, a fazenda dos Edwards é invadida pelos Comanches.  Todos são mortos, chacinados, e apenas Debbie é salva, sendo raptada pelo chefe da tribo, Cicatriz/Scar (Henry Brandon), que com os anos, acaba sendo uma de suas Squaw, interpretada por Natalie Wood. É presumível a nefasta e terrível visão que Ethan teve ao ver o corpo da mulher que ama, violentada e morta brutalmente, tão logo chegam ao rancho todo destruído e saqueado.

O Chefe Comanche Cicatriz (Henry Brandon)
CARA A CARA, Ethan desafia Cicatriz: "Não gosto de falar aos ventos"
Ethan e Martin: Uma busca dramática e indômita.
A partir de então, Ethan e Martin buscam no Texas e no Novo México a sobrinha raptada numa caçada implacável e sem fim, indômita marcha que consome anos sem esmorecimento ou desistência, muito embora os dois já saibam que passado tantos anos, a garota já não pertence mais à cultura branca.


Brad (Harry Carey Jr), Martin e Ethan:
Debbie (Natalie Wood): A menina branca raptada agora virou uma comanche.
Mal recebido na época de seu lançamento (e muito mal interpretado por alguns críticos), Rastros de Ódio só veio a ser reconhecido como obra prima quase duas décadas depois, após ser incluso numa lista importante entre os dez melhores filmes de todos os tempos, quase no fim na década de 1970. Talvez pela mensagem aparentemente racista do filme, não veio inicialmente a ter uma boa impressão, mas o cineasta francês Jean -Luc Godard, conhecido por seus trabalhos polêmicos, anárquicos e vanguardistas, assistiu esta obra de John Ford e reconheceu a esplendorosa atuação de John Wayne, que politicamente Godard o odiava, mas acabou se rendendo e se derretendo as lágrimas pela atuação de Duke. Godard  reconheceu, pela “Magia do Cinema”, ser humilde o suficiente para se ajoelhar perante o grande ator John Wayne, mesmo com todas suas diferenças políticas.  



Martin (Jeffrey Hunter) protegendo Debbie (Natalie Wood) do próprio tio Ethan, que odeia os índios.

Ethan odeia os comanches, mas fiel ao mandamento militar de "conheça seu inimigo", se mostra um conhecedor do modo de vida dos nativos. Algumas "lições":

1) Ethan diz que os comanches amarram as montarias a si próprios, quando dormem, evitando que seus inimigos espantem os cavalos.

2) Ethan diz que um comanche em fuga, ao contrário de um homem branco que desmonta quando o cavalo está cansado, continua a cavalgada até escapar ou o cavalo morrer. E depois disso, come o cavalo.

3) Ethan atira nos olhos de cadáveres de índios. Explica que é uma vingança, pois segundo a crendice comanche isso é uma das piores coisas que podem acontecer, pois eles acreditam precisarem dos olhos intactos para se guiarem no "outro mundo".

Laurie (Vera Miles), a namorada de Martin Pawley
Charlie McCory (Ken Curtis) que corteja Laurie perto da mãe dela (Olive Carey)

RASTROS DE ÓDIO foi citado pelo ex-crítico do Time, Jay Cocks, como o “mais admirável filme já produzido na América”, conquistou o prêmio de “melhor Western da década de 1946/1956, que foi atribuído a Western Historical Society, entidade responsável por preservar a cultura do Oeste Americano..


JOHN WAYNE em seu personagem "mais perfeito"
A Redenção de Ethan: Vamos para casa, Debbie
Como não podia deixar de acontecer, velhos colaboradores de Ford participam da aventura, como Ward Bond (1903-1960), este em desempenho fenomenal como o engraçado Capitão dos Texas Rangers Samuel Clayton; além de Bond, Harry Carey Jr (1921-2012) filho do lendário Cowboy do Silent Movie Harry Carey;  também  Ken Curtis (1916-1991), Hank Worden (1901-1992), Dorothy Jordan (1906-1988) e Antonio Moreno (1887-1967) – a chamada Ford’s Stock Company – e um elenco onde figuram ainda Vera Miles (no papel de Laurie Jorgensen, a namorada de Martin) e Henry Brandon (1912-1990), notável vilão do cinema, que desempenha um dos mais famigerados peles vermelhas da história dos Western’s Movies, o Chefe comanche Cicatriz (Scar).

MOMENTO DE DESCONTRAÇÃO, Onde se vê todo o elenco num  Relax durante as filmagens, e entre eles, John Ford, John Wayne, Jeffrey Hunter, Harry Carey Jr, e Ken Curtis
LUZ, CÂMERA, AÇÃO!!!! Mais um clássico do Cinema!
Interessante contar que o script foi redigido por Frank S. Nugent (1909-1966), Ex-Crítico do New York Times (que escreveu o roteiro em plena viagem em alto mar), a partir do romance de Alan Le May (1899-1964), sendo um dos grandes responsáveis pela permanência desta obra que figura como uma das mais expressivas de todos os tempos, um marco do faroeste moderno , seguramente em pé de igualdade com outras obras de Ford , como No Tempo das Diligências, Paixão dos Fortes, e O Homem que Matou o Facínora, criações máximas da grande obra fordiana. A Trilha sonora é de Max “Casablanca” Steiner (1888-1971). Pura e simplesmente, The Searchers é uma obra inesgotável, que perdurará ainda por gerações que aplaudirão de pé em qualquer das reprises nas salas de exibição.


Ficha Técnica:
Título no Brasil: Rastros de Ódio
Título Original: The Searchers
País de Origem: EUA
Gênero: Western
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento: 1956
Estúdio/Distribuição:  Warner Brothers
Direção:  John Ford

ELENCO:
JOHN WAYNE – Ethan Edwards
JEFFREY HUNTER – Martin Pawley
WARD BOND – Capitão Samuel Clayton
NATALIE WOOD – Deborah (Debbie)
VERA MILES – Laurie Jorgensen
HENRY BRANDON – Chefe Cicatriz/Scar
HARRY CAREY JR – Brad Jorgensen
DOROTHY JORDAN - Martha Edwards
WALTER COY – Aaron Edwards
HANK WORDEN – Mose Harper
KEN CURTIS – Charlie McCory
JOHN QUALEN – Lars Jorgensen
OLIVE CAREY – Senhora Jorgensen
BEULAH ARCHULLETA – Look
LANA WOOD – Debbie na infância
ANTONIO MORENO – Emilio Gabriel Fernandez y Figueroa


Divulgação de RASTROS DE ÓDIO em jornal carioca na época de seu lançamento no Brasil, 7 de janeiro de 1957
Curiosidades:
Making-of público
- Um dos primeiros filmes a fazer auto-propaganda através de um documentário do making-of que passou na TV. Gig Young apresentou o programa, com Jeffrey Hunter como convidado.

Homenagem à Harry Carey
- O astro do gênero faroeste Harry Carey morreu em 1947. O diretor John Ford incluiu no filme a esposa de Carey, Olive Carey, como a Senhora Jorgensen e também o seu filho, Harry Carey Jr, como um dos filhos, Brad. Essa foi a sua forma de prestar uma homenagem ao ator. Na cena final com John Wayne na porta, Wayne segura o seu cotovelo direito em uma pose que os fãs de Carey reconheceriam como sendo bem específica dele. Wayne depois declarou que ele fez o gesto como uma homenagem à Carey.

Entre irmãs
- Lana Wood interpretou Debbie Edwards pequena, e Natalie Wood, a irmã mais velha de Lana, interpretou Debbie Edwards adolescente.

Um dublê para Worden
- Hank Worden (Mose Harper) estava terminando as filmagens de The Indian fighter e não pode gravar algumas cenas do filme. Na cena em que os Rangers fogem em Monument Valley, "Old Mose Harper" quando está em grupo, é interpretado por outro ator, que se mantém escondendo o rosto. As cenas de Harper sozinho foram feitas depois quando Worden já estava livre de outras ocupações.

Da escola para o set de filmagens

- Natalie Wood ainda era uma estudante do ensino médio quando o filme estava sendo feito, e em diversas ocasiões, tanto John Wayne quanto Jeffrey Hunter tinham que buscá-la na escola, quando a menina estava sendo requerida no set de filmagens. Isso causava uma enorme empolgação nas colegas de classe de Natalie.

Produção e Pesquisa: 
Paulo Telles.




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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Lutador de Rua – Um Pungente Retrato da Depressão Americana.


Um eloquente perfil da América da Depressão da década de 1930. Assim se trata a obra de Walter Hill Lutador de Rua (Hard Times), produzida em 1975 e estrelada por Charles Bronson (1921-2003), que aos 54 anos, esbanja plena forma física (e também uma ótima atuação) na pele Chaney, um dos tantos desafortunados que embarcam num trem para Nova Orleans. Lá, no lado mais pobre da cidade, ele tenta ganhar dinheiro rápido da única maneira que conhece, com os seus punhos demolidores. Chaney se aproxima de um empresário fracassado, Speed (James Coburn, 1928-2002) e o convence que pode ganhar um bom dinheiro para ambos.

Charles Bronson é Chaney, o Lutador
A Depressão construiu um país de homens desempregados (havia nos Estados Unidos mais 16 milhões de desempregados só em 1933, 27% de toda força de trabalho do país). A América do Norte, a então conhecida "Terra da Oportunidade", era um lugar de ilusões perdidas e sonhos impossíveis. Para sobreviver, era preciso ser cínico e verdadeiramente pessimista, recorrendo às malandragens e ao cambalacho para tirar vantagem dos indigentes e fracassados.

Chaney (Bronson) e seu empresário Speed (James Coburn)
Chaney pronto para a luta!
O cineasta Walter Hill estreou na direção desta fita que retrata um país com clima de impiedade e desencanto de uma nação, sem ideais ou esperanças. Logo, cada homem deveria sobreviver a sua maneira, e se debruçar sobre as mais primitivas formas de lutar pela vida, uma luta desesperada ante a violação dos direitos humanos por uma engrenagem social aviltante (Paulo Perdigão, sobre o filme em sua coluna para a Revista da Tv, em 19/12/1982).


O cenário do filme é a América decadente, e o local, os cortiços imundos onde se apresentavam os "lutadores de rua", produto de uma sociedade sem expectativa, com homens fracassados e derrotados que pelo meio se convertiam em heróis, e na maioria das vezes, sem saber fazer qualquer outra coisa na vida, executavam as maiores façanhas, que eram atos vãos aos olhos dos espectadores e admiradores do pugilato. Aliás, estes, recorriam às apostas, e como num verdadeiro circo romano, pediam ação e sangue.

Speed, um empresário inescrupuloso e apostador

Eram combates aparentemente gratuitos e carregados de violência e sadismo que assumiam proporções homéricas. Entretanto, é desta pungente ação que vem a nascerem os heróis sem compostura, que não ligam para o bem ou o mal, o certo e o errado, e que tudo que tiver que acontecer, aconteceu e pronto. Não creem em nada, e só o que basta é viver o presente. Heróis como Chaney, vivido energicamente por Bronson, que conseguem proferir palavras desiludidas e cometem atitudes desacerbadas, onde é arrancado um sopro de odisseia sombria e de realismo profundamente trágico.


Chaney, e seus punhos demolidores.
"Não há razão para isso, é apenas dinheiro!" - diz Chaney, um lutador de meia idade vivido por Charles Bronson com seu peculiar semblante monolítico. Aliás, o ator esta perfeito no papel principal, graças a sua fama de taciturno e vigorosa presença, que foi desenvolvendo em diversos thrilers dirigidos por Michael Winner (Renegado Impiedoso, 1971; Assassino a Preço Fixo, 1972; Jogo Sujo, 1973; Desejo de Matar, 1974).

Arquétipo do herói americano por excelência é um solitário sem raízes e sem rumo, errando de cidade em cidade em busca de empresários que queiram testar seus punhos de aço.

O empresário "de luxo" Gandil (Michael McGuire) e seu lutador, o Homem Macaco Jim Henry (Robert Tessier)
O "bom vigarista" Poe (Strother Martin), um "médico sem diploma"
O diretor Walter Hill havia sido roteirista, e desenvolveu um drama de magnífica densidade e rigorosa simetria, e Chaney chega a Nova Orleans com toda garra afirmando ser o maioral, convencendo Spencer "Speed" Weed (Coburn), seu empresário, que é imbatível. Speed é acessorado por um "médico sem diploma", Poe (Strother Martin, 1919-1980), que passa a arranjar lutas para Chaney. Mas Gandil(Michael McGuire), poderoso empresário, que administra Jim Henry (Robert Tessier, 1934-1990), campeão local, exige três mil dólares em aposta de Speed para que Chaney enfrente Henry na arena, disputando o título.

Chaney num combate romano contra Jim Henry. Chaney é o vencedor.
Entretanto, Speed, um apostador nato, vai comprometer seriamente sua própria vida, ao recorrer à ajuda do gangster Le Beau (Felice Orlandi, 1924-2003), que lhe empresta dinheiro para que Speed aposte contra Gandil.


A última luta, contra Street (Nick Dimitri), para salvar Speed
Quando chega a noite do grande espetáculo, Chaney parte com tudo para cima do musculoso Jim Henry, sem a técnica e a agilidade do maduro pugilista, que derrota o campeão local. A contragosto, Gandil paga a Speed a aposta. Entretanto, este se dedica a gastar em mesas de jogos os dólares produzidos pela invencibilidade de Chaney, e a máfia liderada por Le Beau começa a perseguir o empresário. Mas no fim, caberá a Chaney decidir pela salvação de Speed, numa ação extrema, quando tem de lutar pela última vez com Street (Nick Dimitri) , um homem de extrema força em uma luta sem regras ou juiz.


Em situação paralela, corre uma efêmera ligação amorosa entre monossilábico e saudoso Bronson (que ganhou um milhão de dólares por sete semanas de filmagem, e preparação física para o papel em cinco meses) e sua mulher na vida real, Jill Ireland (1936-1990)no papel de uma mulher solitária e sem afeto, Lucy Simpson. Originariamente em Panavision.


FICHA TÉCNICA
LUTADOR DE RUA
Titulo Original: Hard Times
Gênero: Ação / Drama
Ano/Pais: 1975 / USA
Duração: 88 Minutos
Direção: Walter Hill 
Elenco:
Charles Bronson ... Chaney
James Coburn ... Speed
Jill Ireland ... Lucy Simpson
Strother Martin ... Poe
Margaret Blye ... Gayleen Schoonover (as Maggie Blye)
Michael McGuire ... Gandil
Felice Orlandi ... Le Beau
Edward Walsh ... Pettibon
Bruce Glover ... Doty
Robert Tessier ... Jim Henry
Nick Dimitri ... Street
Frank McRae ... Hammerman
Maurice Kowaleski ... Caesare (as Maurice Kowalewski)
Naomi Stevens ... Madam
Lyla Hay Owen ... Waitress

Produção e pesquisa: Paulo Telles

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Em Tempo
In Memorian
 
ODETE LARA
(1929-2015)

Morreu no Rio de Janeiro no dia 4 de fevereiro, aos 85 anos, a atriz Odete Lara. Musa do cinema novo, Odete trabalhou em dezenas de filmes, além de lançar um disco com músicas de Vinicius de Moraes e três livros autobiográficos. Filha de imigrantes italianos, a atriz nasceu em São Paulo, em 1929, como Odete Righ, herdando o sobrenome da mãe, devido ao fato de seu pai já ser casado.


Odete também foi escritora, tendo publicado três livros autobiográficos, Eu Nua, Minha jornada interior e Meus passos na busca da paz, além de haver traduzido várias obras do budismo.

Foi também atriz de teatro, iniciando no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), mas dizia não gostar do teatro por não suportar sua timidez. Estreou nos palcos com Santa Marta Febril S/A, contracenando com Walmor Chagas.


Se no teatro Odete não se dava, nos cinemas ela se destacou. Fez 32 filmes entre 1956 e 1979. Estreou ao lado de Mazzaropi até se tornar musa do cinema novo, com destaque para o polêmico Noite vazia (1964), de Walter Hugo Khouri, e o premiado O dragão da maldade contra o santo guerreiro (1969), de Glauber Rocha. Odete foi premiada no Festival de Gramado por sua contribuição ao desenvolvimento do cinema brasileiro e ganhou o prêmio APCA em 1975 pelo conjunto da obra.



Ela estava no auge da carreira cinematográfica quando decidiu abandoná-la protagonizando o movimento que sentiu ser vitima durante sua vida. Exilou-se em Nova Friburgo, onde passou a se dedicar ao budismo, ocupando seu tempo com meditação, ioga, leituras, tradução de livros e escrita. Seu último longa-metragem, em 1979, foi O principio do prazer.




LIZABETH SCOTT
(1922-2015)
  
Com Humphrey Bogart: CONFISSÃO (1947)

Morreu a atriz Lizabeth Scott, uma das mais perigosas femme fatales do cinema noir, estrela de clássicos do gênero como “Confissão” (1947), “Estranha Fascinação” (1948) e “Cidade Negra” (1950). Ela morreu de insuficiência cardíaca em 31 de janeiro, aos 92 anos em Los Angeles.


Lizabeth Scott nasceu em 29 de setembro de 1922, na cidade de Scranton, Pensilvânia, com o nome de batismo Emma Matzo. Ela estudou atuação na escola Alvienne School of Drama em Nova York, mesmo contra a vontade dos pais. A jovem escolheu o nome artístico Elizabeth Scott e logo depois tirou a letra “E”, para ter um nome mais distinto em meio a tantas atrizes que tentavam a sorte como ela. A sua beleza chamava atenção. Loira, com sobrancelhas escuras, feições compenetradas e voz rouca, Scott lembrava uma combinação de duas divas do cinema noir, a provocante Lauren Bacall (“À Beira do Abismo”) e a loiraça Veronica Lake (“A Dália Azul”). Sua carreira foi marcada por essa comparação, arrastando-a para as sombras do gênero, vivendo mulheres perigosas demais para si mesmas.

Com Robert Mitchum: A ESTRADA DOS HOMENS SEM LEI
Em “Confissão” (Dead Reckoning, 1947), a atriz trabalhou com o maior nome do noir, o astro Humphrey Bogart, marido de Bacall. Na trama, ele interpreta um militar veterano que investiga a morte de um amigo e acaba se envolvendo com a amante do falecido (Scott). Numa reviravolta, ela se prova mais fatal que a encomenda, tentando matá-lo num final trágico.

Com Charlton Heston e Dean Jagger: CIDADE NEGRA
Entre Van Heflin, Barbara Stanwyck e Kirk Douglas: O TEMPO NÃO APAGA.
Lizabeth era considerada uma das musas do cinema noir, dos anos de 1940 e 1950, onde atuou em clássicos como O Tempo Não Apaga (The Strange Love of Martha Ivers, 1946), ao lado de Barbara Stanwyck , Kirk Douglas (em seu primeiro filme) e Van Heflin , onde viveu uma mulher sedutora presa por engano. Ainda atuou nas obras A Filha da Pecadora (Desert Fury, 1947), ao lado de Mary Astor e Burt Lancaster; Tormento de uma Glória (Easy Living, 1949), onde fez uma “maria chuteira” que abusava de seu marido Victor Mature; Cidade Negra (Dark City, 1951), onde foi registrado o primeiro filme de Charlton Heston. A Estrada dos Homens Sem Lei (The Racket, 1951), onde ela interpretou uma cantora que enfrenta o chefe do crime organizado vivido por Robert Ryan, ao lado de Robert Mitchum.

Com Elvis Presley: A MULHER QUE AMO 
Nos demais gêneros, Lizabett atuou no Western O Último Caudilho (Red Mountain, 1951), ao lado de Alan Ladd; na comédia Morrendo de Medo (Scared Stiff, 1953) que foi um dos filmes que mais gostou de fazer, ao lado da dupla Dean Martin & Jerry Lewis; novamente com Charlton Heston em Ambição que Mata (Bad for Each Other, 1953), como uma milionária divorciada que deixava os homens sem direção; e até um filme com Elvis Presley, o clássico A Mulher que amo (Loving You, 1957), dirigido por Michael Curtiz, ao lado de Wendell Corey e Dolores Hart, onde Lizabeth era a empresária do novato cantor vivido por Elvis e que também o amava.

Lizabeth Scott em 2011, aos 89 anos.

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