sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Rock Hudson – A Vida e a Obra de um dos maiores Ídolos das Telas.


Morto há 30 anos, Rock Hudson (1925-1985) foi um dos maiores astros da Sétima Arte. Com seu aspecto simplório e o sorriso apático nos primeiros anos de sua carreira, ele conquistou o coração de fãs do sexo feminino, e a simpatia de inúmeros outros admiradores. Ao longo de seus anos de carreira, ele se revelou um ótimo ator, com inesquecíveis interpretações nos clássicos Almas Maculadas e Sublime Obsessão, ambos de Douglas Sirk, além de ter uma ótima veia cômica, testificado em Confidências a Meia Noite, de Michael Gordon, registrando o primeiro encontro com Doris Day, sua parceira cômica-romântica em mais dois filmes. Também foi um dos bons Man of The West, onde o vimos nos faroestes dirigidos por Budd Boetticher (Seminole, Império do Pavor) e como o heroico índio Taza, o Filho de Cochise, em Herança Sagrada, também de Douglas Sirk.

Talvez seu filme mais famoso seja Assim Caminha a Humanidade, de George Stevens, onde ao lado de James Dean e Elizabeth Taylor firmou-se em definitivo como astro de primeira grandeza. Em celebração do 90º aniversário de seu nascimento, vamos relembrar um pouco de seus filmes e de sua trágica vida, sendo a primeira celebridade vítima da AIDS. Após sua morte, se intensificaram mais as pesquisas sobre a doença.

Por PAULO TELLES


Rock Hudson nasceu como Roy Scherer Jr, a 17 de novembro de 1925, em Winnetka, Illinois, EUA. Quando tinha quatro anos, seu pai saiu de casa no auge da Grande Depressão e nunca mais voltou. Sua mãe voltou a se casar, desta vez com um ex-oficial da Marinha, chamado Wallace Fitzgerald. Logo, o menino Roy acrescentou o sobrenome do padrasto ao seu nome.


Rock aos oito anos
Rock durante o Serviço na Marinha
Roy se diplomou no New Trier Hogh SchoolCom 18 anos, em 1943, trabalhou como transportador de malas postais e motorista de caminhão. Em 1944, serviu na Marinha dos Estados Unidos, onde combateu nas Filipinas como mecânico de aviões, onde deu baixa em 1946.


O INÍCIO EM HOLLYWOOD
Em 1946, Roy se mudou para Los Angeles com o objetivo de tentar a carreira de ator, e se candidatou no programa de dramaturgia da Universidade do Sul da Califórnia, mas foi rejeitado devido as baixas notas. Ele trabalhou novamente como motorista de caminhão por algum tempo, ansiando por ser ator, mas sem sucesso em entrar em Hollywood. Depois de mandar ao caçador de talentos Henry Willson uma foto sua de 1947, Willson assumiu Roy como cliente e mudou seu nome para Rock Hudson, apesar do ator mais tarde ter admitido que odiava o nome artístico que tão bem o mundo reconheceu. Devido ao porte de Hudson, com 1m90cm de altura, e ombros largos, Willson batizou o então Roy Schearer como Rock (inglês de rocha) Hudson, por identificar a figura e o porte hercúleo do ator as rochas do Rio Hudson.

Rock atrás de Robert Stack, e Edmond O'Brien, em SANGUE, SUOR, E LÁGRIMAS, 1948
Rock foi apresentado ao cineasta lendário Raoul Walsh (1887-1980) por Henry Willson durante uma festa. Walsh gostou da figura de Rock e o escalou para seu primeiro papel, no bélico Sangue, Suor, e Lágrimas/Fighter Squadron, em 1948, onde viveu por breves momentos um dos heroicos combatentes da esquadrilha aérea americana durante a II Guerra Mundial. Foram necessários 38 takes para filmar corretamente a única fala de Rock no filme, já que a errava constantemente.

Com Bruce Bennett - SANGUE ACUSADOR, de 1949
Seguiu-se então mais duas breves aparições, desta vez em filmes policiais – Sangue Acusador/Undertow, de 1949, dirigido por William Castle (1914-1977), e Larápios/I Was a Shoplifter, em 1950, dirigido por Charles Lamont (1895-1993).

Rock com Julie London - O CRIME DO CIRCO, 1951
Após oito filmes em papéis secundários, Rock tem a oportunidade de ser um dos principais, tendo como sua primeira leading lady Julie London (1926-2000) no detetivesco O Crime do Circo/The Fat Man, em 1951, dirigido por William Castle, onde a trama versa sobre uma investigação de assassinato.


Westerns na decada de 1950
Com Arthur Kennedy e James Stewart - E O SANGUE SEMEOU A TERRA, 1952
Rock como índio, ao lado de Shelley Winters e Charles Drake- WINCHESTER 73
O primeiro filme de qualidade em que apareceu, dando início a percepção do público perante a figura do novo astro, foi o Western Classe A E O Sangue Semeou a Terra/Bend of The River, faroeste produzido em 1952,  narrado com toda pujança expressiva por Anthony Mann (1906-1967) na direção e tendo James Stewart (1908-1997) como astro, onde Rock vive um jogador e pistoleiro que se une ao protagonista vivido por Stewart para combater o inescrupuloso vilão vivido por Arthur Kennedy (1914-1990). Um dos cinco grandes westerns em série da famosa parceria Stewart e Mann. Em 1950, Rock já havia participado de outra dobradinha entre o grande astro Stewart e o cineasta Anthony Mann – o clássico Winchester 73, em um papel pequeno, porém significativo, como um pele-vermelha que também cobiça o valoroso rifle.

Com Robert Ryan, em IMPÉRIO DO PAVOR, 1952
Em Luta com Robert Ryan - IMPÉRIO DO PAVOR
Em 1952 e 1953, entre as dezenas de participações, filma outro Western, desta vez em um dos papéis centrais, dirigido por um mestre do gênero, Budd Boetticher (1916-2001), Império do Pavor/Horizons West, em 1952, excelente faroeste onde aborda a trama de dois irmãos (Rock, e Robert Ryan, 1909-1973) em lados opostos da lei, em que há uma antológica sequencia – o massacre de uma expedição americana em território índio por inimigos invisíveis, cuja presença se descobre devido ao movimento da câmera à medida que eles passam.

Com Barbara Hale - SEMINOLE - 1953
Um novo encontro se estabelece entre Rock e Boetticher no ano seguinte, no ótimo Seminole/Seminole, onde Hudson vive um major que comanda o Forte King e está determinado a expulsar os Seminoles do Estado da Flórida e os enviar ao Oeste - e perseguir ferozmente aqueles que resistirem. O filme conta com as presenças de Barbara Hale e Anthony Quinn (1915-2001).

Com John McIntire e Mary Castle - BANDO DE RENEGADOS, 1953
Com Donna Reed - IRMÃOS INIMIGOS, 1953
Bando de Renegados/The Lawless Breed, ainda de 1953, e sob direção de Raoul Walsh, conta a vida do lendário pistoleiro John “Wes” Wesley Hardin (1853-1895), com Hudson vivendo o famoso Outlaw. Irmãos Inimigos/Gun Fury, onde Hudson tem novo encontro com o cineasta Walsh, tendo como sua parceira romântica a bela e talentosa Donna Reed (1923-1986), onde Rock viveu um ex- combatente da Guerra Civil Americana no limite de sua resistência.



TAZA, O FILHO DE COCHISE
Rock como Taza, o Filho de Cochise - HERANÇA SAGRADA, 1954
Especialmente dirigido por Douglas Sirk e rodado em 3-D, Herança Sagrada/Taza, Son of Cochise, traz Hudson num de seus mais famosos papéis – o do líder apache Taza, filho de Cochise, que assume a liderança de sua tribo após a morte de seu pai (vivido por Jeff Chandler, em participação sem crédito. O ator já havia interpretado o mesmo papel em Flechas de Fogo, em 1950. Chandler morreu em 1961).  Taza aceita a incumbência de suceder o pai, mas seu irmão, Naiche (Rex Reason), resiste e pensa em se unir ao rebelado Gerônimo (Ian MacDonald, 1914-1978), que continua em guerra contra os brancos.

Rock e Barbara Rush - HERANÇA SAGRADA
Quando Naiche e outros guerreiros atacam uma família de pioneiros, o General Crook (Robert Burton, 1895-1962),  quer que eles sejam julgados pelo Exército mas Taza não aceita e insiste que os índios tem suas próprias leis. Com o apoio do Capitão Burnett (Gregg Palmer, 1927-2015), o General se convence e aceita que Taza escolha os guerreiros para atuarem como uma "Força Policial Indígena" dentro da reserva, usando o uniforme da cavalaria. Mas quando Geronimo é capturado e vai para a reserva, ele logo conspira com Naiche e Águia Cinzenta (pai de Oona, disputada como esposa por Taza e Naiche, e vivida por Barbara Rush) para atacar os brancos e eliminar Taza e seus policiais.


Douglas Sirk realizou um dos melhores westerns da safra dos anos de 1950 junto a Rock Hudson, que acabou se firmando também como um dos grandes representantes do gênero nas telas.

DOUGLAS SIRK
Rock e Jane Wyman - SUBLIME OBSESSÃO - 1954
Douglas Sirk (1897-1987) foi um cineasta especialista em melodramas da Universal (estúdio de Hudson) muito populares na década de 1950. Rock foi o astro preferido desse diretor, que o dirigiu nas fitas que veremos a seguir. 

Sublime Obsessão/Magnificent Obsession, de 1954, traz Rock em papel vivido por Robert Taylor na versão cinematográfica de 1935, onde contracena com a experiente Jane Wyman (1917-2007), repetindo o papel de Irene Dunne no remake. Baseado no livro de Lloyd C. Douglas (o mesmo autor de O Manto Sagrado), conta o drama de um homem, vivido por Rock, que se devota a uma mulher que acidentalmente a deixou cega, vivida por Wyman. O sucesso e o reconhecimento de Rock vieram nesse filme, onde o ator recebeu críticas positivas, com a revista Modern Screen Magazine citando Hudson como o ator mais popular do ano.

Com Barbara Rush - SANGUE REBELDE - 1955
Sangue Rebelde/Captain of the Lightfoot, de 1955, onde evoca a luta entre irlandeses e ingleses no século XIX, realizando um dos trabalhos mais notáveis do diretor, realizando uma fita irônica, sutil, e de uma beleza plástica apreciável.

O HINO DE UMA CONSCIÊNCIA - 1956
Premiere de O HINO DE UMA CONSCIÊNCIA
O Hino de uma Consciência/Battle Hymm, em 1956, também outro encontro de Sirk com o astro Hudson, onde este vive um padre que ajuda coreanos e órfãos de guerra.

Com Lauren Bacall - PALAVRAS AO VENTO- 1956
Com Robert Stack e Lauren Bacall - PALAVRAS AO VENTO
Palavras ao Vento/Written on the Wind, ainda de 1956 é considerado um dos mais elevados dramas do cineasta Sirk, estrelado por Rock Hudson no papel de um engenheiro que vê a autodestruição de seu amigo, vivido por Robert Stack (1919-2003), que acaba se casando com a mulher que ele verdadeiramente ama, vivida por Lauren Bacall (1924-2014). O amigo, que tem um comportamento neurótico, vai se distanciando de sua esposa, cada vez mais amparada por Rock. As últimas sequencias da fita representam o ponto ápice dos melodramas dirigidos por Douglas Sirk. Desencadeadas num ritmo incessante, as ações engendram resultados indefinidos, e os atores se convertem autômatos perdidos num mundo cujo controle lhes escapa. Dorothy Malone ganhou o Oscar de melhor atriz pelo papel da irmã de Stack, apaixonada por Hudson que não a corresponde, entregando-se por isso a bebida.

Entre Robert Stack e Jack Carson - ALMAS MACULADAS - 1957
Almas Maculadas/The Tarnished Angels, de 1957, traz Rock se unindo com o mesmo diretor Sirk e com os atores Robert Stack e Dorothy Malone, que atuaram juntos em Palavras ao Vento no ano anterior. Stack interpreta Roger Schumann, herói da Primeira Guerra Mundial, que ganha a vida fazendo acrobacias aéreas, enquanto sua família passa necessidade. Uma revista quer fazer uma reportagem sobre Schumann, mas o jornalista escolhido para isso, vivido por Hudson, acaba se interessando pela mulher do piloto, vivida por Malone.



ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
GIANT
A popularidade de Rock Hudson chegou ao auge em 1956, com a obra máxima do diretor George Stevens (1904-1975), Assim Caminha a Humanidade/Giant, baseado no épico livro de Edna Ferber (1887-1968), a mesma autora de Cimarron. O filme, ao longo de suas quase quatro horas de projeção, conta a vida de três gerações de texanos, a conquista do petróleo, e o preconceito racial.


Elizabeth Taylor, Rock Hudson, e James Dean - ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE, obra máxima de George Stevens, 1956
GIANT compõe com Um Lugar ao Sol (1961) e Shane (1953) a trilogia que o cineasta George Stevens analisou os fundamentos e contradições da América do Norte. Obteve o Oscar de melhor direção de 1956 (para Stevens, óbvio), além de concorrer à melhor filme, e candidatar para melhores atores Rock Hudson e James Dean (1931-1955), este em seu último desempenho.

Teste de figurino de Rock para o filme
Num intervalo das filmagens, comemorando o aniversário de Liz junto a James Dean.
Clássico absoluto do cinema que recapitula, com extraordinário esplendor visual, fulgurante romantismo e poderoso libelo anti-racista, 25 anos de vida do Texas, onde Rock viveu o prepotente pecuarista Bick Bennedict, rancheiro texano que vai a Maryland comprar um cavalo premiado e se apaixona por Leslie (Elizabeth Taylor, 1931-2011), a filha do proprietário da fazenda (Paul Fix, 1901-1983), uma jovem de índole humana. Eles se casam imediatamente e ele retorna com a mulher para o Rancho Reata, Texas, onde Leslie vê apenas uma mansão no deserto no meio de 600 mil acres.

George Stevens, o diretor, ao lado de seus astros Elizabeth Taylor e Rock Hudson
Rock e Jimmy, treinando a cena em que Bick e Jett brigam, sob os olhares de um cansado George Stevens
Contudo, o empregado de Bick, o rebelde Jett (vivido por Dean), apaixona-se pela esposa do patrão, mas ela o trata com educação e humanidade, pois o jovem empregado tem traumas que não consegue superar mesmo depois de sua ascensão social, pois de um simples peão dos Bennedict passa a ser um magnata do Petróleo a ponto de competir com Bick, que é um magnata da Pecuária.

Rock, Bick, a desferir um soco em Mickey Simpson, Sarge
Através da devotada esposa Leslie, Bick aos poucos vai se humanizando, ao contrário de Jett, que mesmo mudado em seu status social, entra em um processo autodestrutivo por não se sentir valorizado por Leslie. Nos momentos finais desta grande saga de George Stevens, Bick já assume posições humanitárias iguais a da esposa, e viajando de carro, para em uma lanchonete de beira de estrada, junto com a esposa, a filha (Carroll Baker), a nora mexicana (Elsa Cardenas), e seu neto mestiço que o acompanhavam - e logo são abordados pelo dono da lanchonete, Sarge,um grandalhão interpretado por Mickey Simpson (1913-1985), que questiona Bick ao ver o neto mestiço. Em seguida, o dono da lanchonete parte em direção de um casal de idosos mexicanos, e os tenta expulsar do estabelecimento na presença de Bick e de sua família, entretanto, o veterano pecuarista não gosta e parte para cima de Sarge, indo para as vias de fato.

Mas perde a luta para o grandalhão Sarge
A luta livre entre Bick e Sarge, mais forte e mais jovem, é uma das sequencias inesquecíveis e mais marcantes da obra de Stevens, e tudo ao som da canção folclórica The Rose of Texas tocada no Junkbox da loja. Mesmo perdendo a luta para o dono do estabelecimento, Bick não perdeu a dignidade aos olhos de sua Leslie, que sentiu orgulho do marido por defender o casal de mexicanos idosos.

Bick e Jett num último confronto, onde o primeiro percebe que "não vale a pena".
Assim Caminha a Humanidade é um marco na filmografia de Rock Hudson, que o imortalizou para sempre na história da Sétima Arte.



ADEUS ÀS ARMAS, 1957 – FRACASSO COMERCIAL
Rock, com a estrela Jennifer Jones, e o diretor Charles Vidor - ADEUS ÀS ARMAS, 1957

Segunda versão do dramático livro de Ernest Hemingway (1899–1961) já levada às telas em 1932 com Gary Cooper, Helen Hayes, e Adolphe Menjou, Adeus as Armas/A Farewell to Arms parecia ser um veículo perfeito para Rock Hudson então em franca carreira em ascensão. Em 1957, o lendário produtor David O’ Selznick (1902-1965), um dos grandes responsáveis pelo maior êxito da história do Cinema, E O Vento Levou, quis levar as telas um remake do livro de Hemingway, estrelada por sua esposa Jennifer Jones (1919-2009) no papel que fora de Helen Hayes na primeira versão, e tendo Rock Hudson como seu galã e fazendo a parte que coube a Gary Cooper.

Rock, com Vittorio de Sica e Jennifer Jones - ADEUS ÀS ARMAS
Rodada na Itália e na França, a nova versão de Adeus às Armas trazia uma metragem maior (157 minutos) e roteiro do respeitado Ben Hecth (1894–1964) e direção de Charles Vidor (1900-1959), mas mesmo com todos os requintes de Selznick (e ainda tendo o auxílio de John Huston na direção durante a convalescença de Vidor, mas sem ser creditado), o talento de Jennifer Jones, e a fascinante participação de Vittorio de Sica (1901-1974) no papel vivido por Adolphe Menjou na primeira versão, o resultado se tornou monótono, melancólico, e lento, tornando-se um fracasso de crítica e bilheteria.

Rock e Jennifer Jones
Selznick queria fazer de seu filme um sucesso como fora E O Vento Levou e Duelo ao Sol (este estrelado pela esposa Jones), contudo os tempos já eram outros, e as plateias dos anos de 1950 eram um público bem diferente daqueles dos anos de 1940 quando foram produzidos estes dois sucessos do produtor. Logo, as pessoas saíram das salas de exibição com sensação de vazio. A carreira de Jennifer Jones nunca mais foi a mesma desde então, fazendo apenas mais quatro filmes e se enviuvando de Selznick em 1965. Quanto a Rock Hudson, apesar desse fiasco em sua careira, ainda se ergueria pelo final da década de 1950, prosseguindo na década seguinte. 



QUASE BEN-HUR

Para fazer o papel no remake de Adeus às Armas, Rock Hudson teve que recusar os papéis principais nos filmes Sayonara, em 1957, e em A Ponte do Rio Kwai, no mesmo ano. Respectivamente, as partes foram para Marlon Brando e William Holden. Em fins de 1957, Hudson recebeu indicação para interpretar o herói do dramático Best Seller escrito pelo General Lew Wallace (1827-1905) em 1880 e anteriormente levada ao cinema em 1907 e depois em 1925 pela Metro e estrelada por Ramon Novarro na fase SilentBen-Hur.


Não deu para Rock, mas deu para Charlton Heston, o beneficiado pelo papel.
O Estúdio da “marca do leão” que estava quase em declínio e enfrentava uma bancarrota daquelas perto do fim da década de 1950, viu um meio de recuperar o prestígio refilmando um de seus gloriosos sucessos do passado, agora com a tecnologia que possuía e que era inexistente em 1925, quando foi lançada a versão dirigida por Fred Niblo e estrelada por Novarro. Entretanto, alguns dos maiores nomes de Hollywood na ocasião recuaram do convite para o papel do aristocrata e vingador Judah Ben-Hur, entre eles...Rock Hudson. Burt Lancaster, Paul Newman, e Marlon Brando, recusaram o papel, e Hudson quase aceitou, onde teria Charlton Heston no papel do vilão Messala. Entretanto, ele tinha contrato para mais dois filmes em seu estúdio e não puderam libera-lo. Logo, Charlton Heston foi o beneficiado, pois pegou o papel do herói de Wallace, e o estrondoso espetáculo épico foi lançado com sucesso retumbante em 1959, arrebatando onze prêmios da Academia, entre eles, o de melhor ator para Heston em 1959.

SANGUE SOBRE A TERRA, 1957 - Com Sidney Poitier
O VALE DAS PAIXÕES - Com Jean Simmons
Enquanto isso, o trabalho de Hudson prossegue. Em 1957, filma Sangue Sobre a Terra/Something of Value, dirigido por Richard Brooks (1912-1992), um drama muito lúcido sobre as atividades da seita Mau Mau, no Quênia, onde Rock tem uma atuação magnífica no papel de um fazendeiro da colônia britânica que entra em conflito com Sidney Poitier, ambos anteriormente amigos de infância, mas agora em lados opostos.
O Vale das Paixões/This Earth is Mine, em 1959, e dirigido por Henry King (1886-1982), narra a vida de uma família de proprietários de vinhedos na Califórnia, na década de 1930.



DORIS DAY
CONFIDÊNCIAS A MEIA NOITE - Com Doris Day, 1959
Hudson embarcou na década de 1960 em uma onda de comédias românticas. Ele interpretou personagens humorísticos em Confidências à Meia-Noite/Pillow Talk, em 1959, a primeira de três atuações lucrativas com sua parceira cômica-romântica, Doris Day. Nesta deliciosa fita, Hudson corteja Day, sofrendo interferência de Tony Randall (1920-2004), apoiados em excelentes diálogos, muito luxo e movimentação. Por este trabalho, Hudson é indicado ao Oscar. Dirigido por Michael Gordon (1909-1993).

VOLTA MEU AMOR - Com Doris Day, 1961
Volta, Meu Amor/Lover Come Back, em 1961, dirigido por Delbert Mann (1920-2007), segundo filme  da dupla Rock Hudson-Doris Day, mostrando uma divertida guerra de sexos. Uma comédia com brilhantes diálogos e direção, com situações muito hilariantes.

NÃO ME MANDEM FLORES, 1964
Com Tony Randall - NÃO ME MANDEM FLORES
Não me Mandem Flores/Send me no Flowers, em 1964, terceiro e último filme de Doris-Hudson, um dos mais engraçados e com uma sólida direção de Norman Jewison. Rock está hilariante como um obcecado hipocondríaco que ouve, sem querer, um comentário de seu médico sobre a iminente morte de um paciente. Acreditando que a pobre vítima seja ele, Hudson pede ajuda ao amigo e vizinho, Tony Randall, para achar um novo marido para sua esposa. Randall, embriagado o tempo todo, não pode fazer muita coisa. Preocupada com o comportamento cada vez mais estranho do marido, Day fica mais frustrada ainda quando um antigo namorado aparece no clube de campo e Hudson encoraja suas atenções em direção a ela.

A DÉCADA DE 1960
Rock com Dorothy Malone, Carol Lynley, e Kirk Douglas - O ÚLTIMO PÔR DO SOL - 1961
Em 1961, Rock voltou ao gênero Western no curioso O Último Pôr do Sol/The Last Sunset, dirigido pelo competente Robert Aldrich (1918-1983), que relata a cobiça de dois homens, Rock e Kirk Douglas, pela mesma mulher, vivida por Dorothy Malone. No mesmo ano, atuou com Gina Lollobrigida na comédia romântica Quando Setembro Vier/Come September, dirigido por Robert Mulligan, onde Rock vive um milionário americano que sem aviso retorna à Itália, e descobre que sua Villa foi transformada em um Hotel de Verão pelo Caseiro.

QUANDO SETEMBRO VIER - Com Gina Lollobrigida
LABIRINTO DE PAIXÕES, 1962
Em 1962, Rock atua em Labirinto de Paixões/The Spiral Road, dirigido por Robert Mulligan (1925-2008), um bem narrado drama sobre um médico, vivido por Rock, nas selvas da Batávia, e as descobertas científicas que o impelem à cura de leprosos.

O ESPORTE FAVORITO DOS HOMENS - Com Paula Prentiss
As comédias ainda eram o grande investimento do ator, e o lendário “cineasta falcão”, Howard Hawks (1899-1977) se lembrou bem disso quando resolveu dirigir Rock no hilário O Esporte Favorito do Homens/Man’s Favorite Sport?, em 1964, onde o ator interpreta um colunista de esportes que resolve viver de acordo com as teorias que ele mesmo escreveu em seu livro.

O SEGUNDO ROSTO - Com Richard Anderson
Com George Peppard - TOBRUK
O Segundo Rosto/Seconds, de 1966, dirigido por John Frankenheimer (1930-2002) uma espécie de Ficção Científica com drama, onde conta a história de um homem de negócios de meia idade que resolve se operar, a fim de trocar de corpo, rosto, voz, e profissão. Filia-se a uma organização secreta que lhe dará a segunda chance de vida. Após uma cirurgia e orientação psiquiátrica, o personagem vivido por Rock aparece mais jovem. Apesar da direção segura de Frankenheimer, o filme amargou um dos grandes fracassos do ator. O filme fracassou, mas posteriormente ganhou status de cult e a performance de Hudson é frequentemente mencionada como uma das melhores de sua carreira.

Com Ernest Borgnine - ESTAÇÃO POLAR ZEBRA
Com John Wayne - JAMAIS FORAM VENCIDOS
Rock também tentou a sorte no gênero bélico com Tobruk/Tobruk de 1967 e dirigido por Arthur Hiller, atuando com George Peppard (1928-1994); e o thriller de espionagem Estação Polar Zebra/Ice Station Zebra, de 1968, dirigido por John Sturges (1910-1992), em um papel pelo qual ele lutou ativamente e que permaneceu como seu favorito. Em 1969, Rock atuou a lado de John Wayne (1907-1979) em um Western dirigido por um perito em ação, Andrew V. Mclaglen (1920-2014) – Jamais Foram Vencidos/The Undefeated, onde Rock vive um oficial confederado, que com o término da Guerra Civil Americana (1861-1865) parte com sua família para novos horizontes, mas acaba se unindo a um oficial da União, vivido por Wayne, para defender sua família contra o exército mexicano. 


A DÉCADA DE 1970
 Com Julie Andrews - LILI, MINHA ADORÁVEL ESPIÃ
A popularidade de Rock Hudson nas telonas foi diminuindo no fim dos anos de 1960.  Em 1970, ainda contracenou com Julie Andrews no misto de espionagem, guerra, e musical – Lili, Minha Adorável Espiã/Darling Lili, dirigido pelo marido de Julie, Blake Edwards (1922-2010). Em 1970, ele gravou um LP como cantor.

Com Susan Saint James - O CASAL McMILLAN - Série de TV
Durante os anos 1970 e 1980, ele estrelou em uma série de filmes para TV e séries televisivas. Sua série de televisão de maior sucesso foi O Casal McMillan/McMillan and Wife, ao lado de Susan Saint James, que ficou no ar entre  1971 a 1977. Hudson fez o papel do comissário de polícia Stewart "Mac" McMillan, com Saint James como sua esposa Sally, e sua química na tela ajudou a tornar o programa um sucesso.

Com Susan Clark e Dean Martin - INIMIGOS A FORÇA
O EMBRIÃO
No cinema, ainda atuou em Garotas, lindas aos Montes/Pretty Maids All In a Row, de Roger Vadim, onde vive um professor viciado em sexo; Inimigos à Força/Showdown, em 1973, dirigido por George Seaton, um western de humor onde contracena com Dean Martin (1917-1995); O Embrião/Embryo, de Ralph Nelson, em 1976, misto de ficção científica com horror, onde vive um médico estilo Dr. Frankenstein. 


Casamento COM PHYLLIS GATES
Enquanto a carreira de Rock Hudson estava se desenvolvendo na década de 1950, ele e seu agente Henry Willson mantiveram sua vida pessoal fora das manchetes. Em 1955, a revista Confidential ameaçou publicar uma matéria sobre a vida homossexual secreta de Hudson. Para acabar com os rumores, Willson resolveu arranjar um casamento de fachada para o ator.

Na foto, Jack Warner, Natalie Wood, Henry Willson, Phyllis Gates, e Rock Hudson
Hudson se casou com a secretária de Willson, Phyllis Gates. Gates mais tarde escreveu que ela namorou Hudson por vários meses, viveu com ele por dois meses antes de sua proposta de casamento surpresa, e casou-se com Hudson por amor e não (como mais tarde foi relatado) para evitar a exposição da orientação sexual de Hudson. A cobertura da imprensa do casamento citou Hudson como tendo dito: "Quando faço uma lista das minhas bênçãos, o meu casamento está no topo da lista”.

Rock, Phyllis, e Lauren Bacall, durante um intervalo de PALAVRAS AO VENTO
O casamento com Phyllis durou três anos, e ela pediu o divórcio em abril de 1958 alegando crueldade mental. Hudson não contestou, e Gates recebeu pensão de US$250 semanais durante 10 anos. Após a morte de Phyllis por câncer de pulmão em janeiro de 2006, alguns informantes teriam afirmado que ela era, na verdade, lésbica e que se casou com Hudson pelo seu dinheiro, sabendo desde o início de seu relacionamento que ele era gay. De fato, Phyllis não se casou novamente. 


DÉCADA DE 1980 E A DOENÇA
Entre Kim Novak e Elizabeth Taylor - A MALDIÇÃO DO ESPELHO, 1980
Em 1980, Rock se reuniu a um elenco de astros veteranos dos anos de 1950 – a amiga Elizabeth Taylor, Kim Novak, e Tony Curtis (1925-2010), e Angela Lansbury, em A Maldição do Espelho/The Mirror Crack’d, baseado na obra de Agatha Christie (1890-1976). Direção de Guy Hamilton.

OPERAÇÃO DEVLIN - TV
No início dos anos 1980, após anos de consumo excessivo de álcool e tabagismo, Hudson começou a ter problemas de saúde que resultaram em um ataque cardíaco em novembro de 1981. Uma emergencial quíntupla cirurgia de ponte de safena deixaram de molho o ator e sua nova série de TV, Operação Devlin, por um ano. O programa foi cancelado em dezembro do ano seguinte. Hudson se recuperou da cirurgia cardíaca, mas continuou a fumar.

O EMBAIXADOR, 1984
Ele, no entanto, continuou a trabalhar, fazendo participações em vários filmes para a TV. Ele estava com problemas de saúde durante as filmagens do drama de ação O Embaixador/Ambassador, drticipações em vários filmes de________________________________________________________________________________________________irigido por Lou Antonio e rodado no inverno em Israel, entre 1983 a 1984. Dizia-se que ele não se dava bem o astro Robert Mitchum, pois este tinha um sério problema com a bebida, e muitas vezes entrava em conflito fora das câmeras com Hudson e outros membros do elenco e da equipe de produção.

Com Sharon Stone - A GUERRA DO JOGO, 1984
Durante 1984, enquanto filmava o drama para televisão A Guerra do Jogo/The Vegas StripWars, atuando com Sharon Stone, a saúde de Hudson piorou e surgiram rumores de que ele sofria de câncer de fígado (entre outras doenças), por causa de seu rosto e porte cada vez mais magros.

Com Linda Evans - DINASTIA - TV
De dezembro de 1984 a abril de 1985, Hudson integrou na novela do canal ABC Dinastia/Disnaty, como Daniel Reece, o par romântico de Krystle Carrington (Linda Evans) e pai biológico de Sammy Jo Carrington (vivida por Heather Locklear). Enquanto há muito se sabia que ele tinha dificuldade em memorizar falas, o que resultou no uso de cartões com as falas escritas, foi a própria fala de Hudson que visivelmente começou a deteriorar-se na série. Ele foi originalmente escalado para aparecer na quinta temporada, no entanto, devido à progressiva debilitação de sua saúde, seu personagem foi abruptamente retirado do programa e morto fora da tela.


O CALVÁRIO DE HUDSON –
A MORTE
Desconhecido do público, Hudson tinha sido diagnosticado com HIV a 5 de junho de 1984. Durante a maior parte de 1984 e 1985, Rock manteve sua doença em segredo, continuando a trabalhar e ao mesmo tempo viajar para a França e outros países em busca de uma cura, ou pelo menos um tratamento para retardar o avanço da doença.

Última aparição pública de Rock Hudson, ao lado de Doris Day, em 1985
A 16 de julho de 1985, Hudson se juntou à sua velha amiga Doris Day para uma conferência de imprensa para anunciar o lançamento de seu novo programa na TV a cabo,  Doris Day's Best Friends, no qual Hudson foi filmado visitando o rancho de Day em Carmel, Califórnia poucos dias antes. Sua aparência esquelética e padrão de fala quase incoerente foram tão chocantes que o encontro foi transmitido repetidamente nos noticiários nacionais naquela noite e por vários dias seguintes.

Tabloides americanos falando sobre a doença de Hudson
Os meios de comunicação especularam sobre a saúde do ator.  Depois que Hudson teve um colapso no Hotel Ritz em Paris, a 21 de julho, seu agente, Dale Olson, divulgou um comunicado afirmando que Hudson tinha um câncer de fígado inoperável. Olson negou relatos de que Rock tinha AIDS e disse apenas que ele estava passando por testes para "tudo" no Hospital Americano de Paris.

A extinta revista "Manchete", no Brasil, divulgando sobre a doença de Rock Hudson
A 25 de julho de 1985, a agente de Hudson confirmou que o veterano astro tinha AIDS e havia sido diagnosticado há cerca de um ano. Em outro comunicado à imprensa, um mês depois, Hudson especulou que pudesse ter contraído o HIV através de transfusão de sangue de um doador infectado durante as várias transfusões de sangue que ele recebeu durante sua operação de ponte de safena em novembro de 1981. Ele voou de volta para Los Angeles em 30 de julho. Hudson estava tão fraco que foi removido de maca do Air France Boeing 747 que tinha alugado e no qual ele e seus médicos assistentes eram os únicos passageiros.


Ele foi levado de helicóptero para o Centro Médico Ronald Reagan, onde ficou quase um mês passando por mais tratamentos. Sem mais nada para se fazer pela vida do ator, ele foi liberado do hospital no final de agosto de 1985 e voltou para sua casa, "The Castle" (O Castelo), em Beverly Hills.



Enquanto isso, mesmo em seus derradeiros dias, Rock decide escrever um livro autobiográfico, cuja renda reverteria para a fundação que leva seu nome e que foi presidida pela atriz e amiga Elizabeth Taylor. Desde o caso do ator, se preocupou em se fazer pesquisas mais avançadas sobre a cura da doença, e a renda desse livro seria destinada as pesquisas sobre a AIDS e a sua cura. Antes de falecer, Rock destina uma doação de 250 mil dólares para a instituição.

Rock num jantar na Casa Branca, com o então presidente Ronald Reagan e sua esposa Nancy, em 1984.

O Cenotáfio de Rock Hudson, no Forest Lawn Cemetery, Los Angeles, onde parte de suas cinzas repousam
A 2 de outubro de 1985, Rock Hudson morreu durante o sono devido a complicações relacionadas à AIDS em sua casa em Beverly Hills. Conforme seu expresso desejo pediu que nenhum funeral fosse realizado, e seu corpo foi cremado horas depois. Um cenotáfio foi estabelecido mais tarde no Forest Lawn Cemetery, Cathedral City, Califórnia.A revelação da condição soropositiva de Hudson provocou uma generalizada discussão pública sobre sua a orientação sexual do ator. Na sua edição de 15 agosto de 1985, a revista People publicou uma história que debatia sua doença no contexto de sua condição sexual. O artigo altamente benevolente continha comentários de famosos colegas do show business como Angie Dickinson, Robert Stack, e Mamie Van Doren, que alegaram que sabiam sobre a orientação sexual de Rock e expressaram seu apoio a ele. Naquela época, a People tinha uma circulação de mais de 2,8 milhões de cópias, e, como resultado desta e de outras histórias, teorias sobre a orientação sexual de Rock Hudson tornaram-se totalmente público.

Rock e Marc Christian
MARC CHRISTIAN – PROCESSO
Após a morte de Rock Hudson, Marc Christian, ex-amante do astro, entrou com um processo contra seu patrimônio em razão da "imposição intencional de sofrimento emocional". Christian afirmou que Hudson continuou a ter relações sexuais com ele até fevereiro de 1985, mais de oito meses depois do ator saber que tinha HIV. Embora ele tenha obtido repetidamente resultado negativo para HIV, Christian afirmou que sofreu de "estresse emocional grave" depois de saber através de um noticiário que Rock tinha morrido de AIDS.
Christian também processou o secretário pessoal de Hudson, Mark Miller, em US$10 milhões porque Miller teria mentido para ele sobre a doença de Rock. Em 1989, um júri concedeu a Christian 21,75 milhões de dólares em danos, mais tarde reduzidos a US$5,5 milhões. Christian morreu em junho de 2009.

Rock cumprimenta Michael Jackson, em visita de set de filmagem junto com Marc Christian
No livro Rock Hudson, Amigo Meu, escrito por seu agente Tom Clark, o autor acreditava que Hudson tinha adquirido o HIV por transfusões de sangue durante sua emergencial quíntupla cirurgia de ponte de safena em 1981.O livro de Clark traçou o perfil de Marc Christian como "um criminoso, um ladrão, uma pessoa impura, um chantagista, um psicótico, um extorsionário, um falsificador, um perjuro, um mentiroso, um prostituto, um incendiário e um invasor." Christian então processou Clark. Christian estava vivendo na casa de hóspedes depois que Clark, que tinha saído em 1983, voltou para a casa de Hudson em 1985 para cuidar dele, a pedido do assistente de Mark Miller.




Entre Liza Minnelli e Liz Taylor, no Oscar de 1983
Em 2010, Robert Mills, o advogado que representava o patrimônio de Rock Hudson contra Christian no tribunal, lançou um livro intitulado Between Rock and a Hard Place: In Defense of Rock Hudson. No livro, Mills discute detalhes do julgamento e também questiona as alegações de Christian contra Rock. 


O legado de um grande ÍDOLO das telas

A carreira de Rock Hudson durou 36 anos, e durante esta trajetória, o vimos em desempenhos magníficos nas telonas de todo mundo. Dificilmente, um astro de grandeza tão enobrecida quanto Hudson tenha feito filmes ruins, pois em sua grande maioria, foram fitas e trabalhos marcantes deste belo ator, que segundo seus amigos mais chegados e colegas de trabalho, era uma excelente pessoa, profissional exemplar, e ótimo amigo e colega de trabalho. Jamais o público de cinema, principalmente aqueles que o acompanharam ou mesmo as gerações posteriores que o seguiram pelas matinês pela TV, esquecerão de suas atuações, como Taza, o Filho de Cochise/Herança Sagrada, Bando de Renegados, A Espada de Damasco, Seminole, O Último pôr do Sol, Palavras ao vento, Confidências a Meia Noite, O Esporte Favorito do Homem, e claro, Assim Caminha a Humanidade, talvez seu trabalho mais popular.

Rock deixou um legado de filmes brilhantes, agraciado de ótimos diretores, e como não se deve deixar de despontar, interpretações sensacionais desta grande lenda do cinema mundial. Assim é ROCK HUDSON.
Frases do ator
“Se você não pode falar bem de um homem, não fale nele.”
Do Filme Volta Meu Amor
“Eu tinha que superar o nome de Rock. Se eu tivesse sido tão hippie como sou agora, eu nunca teria consentido em ser chamado Rock”.
‘Eu sou conhecido por dar uma má entrevista. Eu sou um ator e eu não posso ajudar, mas sinto que sou chato quando sou eu mesmo’.


FILMOGRAFIA
Carregando Doris Day
1948 – Sangue, Suór, e Lágrimas/Fighter Squadron
1949- Sangue Acusador/Undertow
1950 – Larápios/Was a Shoplifter
1950- Nem o Céu Perdoa/One way Street
1950 – Peggy/Peggy
1950- Winchester 73/Winchester 73
1950- O Gavião do Deserto/The Desert Hawk


Como Boxeador em O DEMOLIDOR, 1951
Poster de O CRIME DO CIRCO
Com Arthur Kennedy e James Stewart - E O SANGUE SEMEOU A TERRA
1950-Extorsão/Shakedown
1951- Coração Selvagem/Tomahawk
1951- O Demolidor/Iron Man
1951- Escola de Bravos/Air Cadet
1951- O Crime do Circo/The Fat Man
1951- Só Resta a Lembrança/Bright Victory
1952- E O Sangue Semeou a Terra/ Bend of The River
1952 – O Anjo Escarlate/Scarlet Angel


Poster de IMPÉRIO DO PAVOR
A ESPADA DE DAMASCO
Looby Card de A ESPADA DE DAMASCO
GIGANTES EM FÚRIA
Com Yvonne De Carlo - GIGANTES EM FÚRIA
Looby Card de GIGANTES EM FÚRIA
Looby Card de HERANÇA SAGRADA
1952- Sinfonia Prateada/Has Anybody Seen my Gal?
1952- Família do Barulho/Here Come the Nelsons
1952- Império do Pavor/Horizons West
1953- Seminole/Seminole
1953-Gigantes em Fúria/Sea Devils
1953- A Espada de Damasco/The Golden Blade
1953-Irmãos Inimigos/Gun Fury
1953- Choque de Paixões/Back to God’s Country
1953- Bando de Renegados/The Lawless breed
1954-Herança Sagrada/Taza, Son of Cochise


Jantando com Barbara Rush e o marido Jeffrey Hunter, durante a premiere de HERANÇA SAGRADA

Looby de RIFLES PARA BENGALA
Poster de SEMINOLE
Com Lucille Ball e Desi Arnaz, durante as gravações de um dos episódios de I LOVE LUCY com participação do ator
1954-Sublime Obsessão/Magnificent Obsession
1954-Rifles Para Bengala/Bengal Brigade
1955-Sangue Rebelde/Captain Lightfoot
1955-Seu único desejo/One Desire
1955- I Love Lucy in Palm Springs - TV


Looby de ASSIM CAMINHA A HUMANIDADE
Looby Card de SANGUE REBELDE
Looby Card de PALAVRAS AO VENTO
Com Lauren Bacall - PALAVRAS AO VENTO
Looby Card de SANGUE SOBRE A TERRA
1956- Tudo que o Céu Permite/All That Heavens Allows
1956-Nunca Deixei de te Amar/Never Say Goodbye
1956-Assim Caminha a Humanidade/Giant
1957-Palavras ao Vento/Written on The Wind
1957-Hino de uma Consciência/Battle Hymn
1957-Sangue Sobre a Terra/Something to Value
1957-Adeus às Armas/A Farewell to Arms
1958-Almas Maculadas/The Tarnished Angels
1958-Turbilhão de Paixõs/Twllight for the Gods
1959-O Vale das Paixões/The Earth is Mine


Looby Card de O ÚLTIMO PÔR DO SOL
Rock, abraçado a Marilyn Monroe, sob os olhos de Charlton Heston, no Globo de Ouro de 1960
Looby Card de LABIRINTO DE PAIXÕES
1959-Confidências a Meia Noite/Pillow Talk
1961-O Último Pôr do Sol/The Last Sunset
1961-Quando Setembro Vier/Come September
1962-Volta meu Amor/Lover come Back
1962-Labirinto de Paixões/The Spiral Road
1963-Marilyn/documentário- tribute a Marilyn Monroe narrado pelo ator
1963-Águias em Alerta/A Gathering of Eagles
1964-O Esporte Favorito do Homem/Man’s Favorite Sport?
1964-Não me Mandem Flores/Send me no Flowers
1965-Amor a Italiana/Strange Bedfellow


Com Claudia Cardinale - DE OLHOS VENDADOS
Poster de VOLTA MEU AMOR
TOBRUK
1965-Um Favor Muito Especial/A Very Special Favor
1966- De Olhos Vendados/Blinford
1966-O Segundo Rosto/Seconds
1967-Tobruk/Tobruk
1968-Estação Polar Zebra/Ice Station Zebra
1968-A Gatinha que eu quero/Ruba al Prossimo
1969- Jamais Foram Vencidos/The Undefeated
1970- Lili, Minha Adorável Espiã/Lili


Com o diretor Andrew V. MacLaglen e o ator Edward Faulkner, numa parada nas filmagens de JAMAIS FORAM VENCIDOS
Com Susan Saint James - O CASAL MAcMILLAN - TV
Poster de A MALDIÇÃO DO ESPELHO
Poster de O EMBAIXADOR
1970-Ninho de Vespas/Hornet’s Nest
1971-Garotas lindas aos montes/Pretty  Maids All in a Row
1971- O Casa McMillian – Série de TV de 1971 a 1977
1973-Inimigos a Força/Showdwn
1976-O Embrião/Embryo
1978- Avalanche/Avalanche
1978-Arthur Hailey’s Wheels – Minisérie de TV
1980-A Maldição do Espelho/The Mirror Crack’sd
1981- Operação Devlin/ The Devlin Connection- Série de TV, de 1981 a 1982
1982- A Terceira Guerra Mundial/World War III – Minisérie para TV
1984- O Embaixador/Ambassador
1984- A Guerra do Jogo/ The Vegas StripWars
1984- Dinastia/Dinasty – Série de TV



Produção e Pesquisa de Paulo Telles

9 comentários:

  1. Telles,

    Vou falar um pouco aqui da vida no cinema deste muito bom ator, mas nunca tocarei no tema morte ou a doença que o tirou de nós.

    Quando Robert Mulligan faz um filme, é muito recomendável assisti-lo. Podemos ilustrar alguns feitos seus como;(A Noite da Emboscada/68, Houve Uma vez um Verão/71 e O Sol é Para Todos/62).
    E este diretor fez mais de um filme com Rock Hudson, dentre eles "Labirinto de Paixões/62", fita que assisti no seu lançamento, que não consigo esquecer da mesma até hoje e que recomendo ao mais exigente dos cinéfilos sem qualquer receio de sua rejeição.
    Este filme, além de ter a mão célebre deste magnifico cineasta, contou ainda com uma interpretação extraordinária e de merecedora de prêmio deste magnifico ator Rock Hudson.

    Este ator, este grande homem do cinema, do qual muitos podem lhe por as pechas negativas que desejarem, mas jamais o poderão intitular de um ator de classe pequena ou um canastrão, porque eu o considero, por tudo que assisti do mesmo, do inicio de sua carreira à fase mais decadente de sua vida, o mesmo grande interprete, o mesmo Rock Hudson mais curtido, mais profissional, mais adequado à sua vida no cinema, mais cônscio do seu trabalho. Enfim, um dos mais grandiosos interpretes que vi atuar, sem estar aqui elogiando-o à toa.

    Rock Hudson sabia fazer comédias, dramas, westerns, filmes de aventura, de guerra, o que fosse, e tudo dentro do mesmo patamar de qualidade interpetativa. Era um homem que interpretava sem que fosse notado que ele fazia isso naquele momento. Parecia que ele se portava como no seu dia a dia, fazendo sua rotina diária como todos fazem.

    E Douglas Sirk descobriu isso dele, fazendo não menos que 5 fitas com o ator, e cada uma mais clássica que outra, mais bem feita que outra, mais densa que outra. A postagem está
    aí não me deixando faltar à verdade.

    Não podemos falar desta maravilha de ator sem citar Giant/56, sem citar O Ultimo Por de Sol/61, sem enumerar Adeus Às Armas/57 e muito, muito mais. Porém, sua atuação em Giant eu considero o marco de sua carreira no cinema.
    E digo, com a honestidade que me permeia nas minhas falas (comentários); duvido de algum critico, cineasta ou qualquer pessoa que ame o cinema, de fato, que não me envolva de razões sobre o trabalho deste homem sob o comando de George Stevens em Assim Caminha a Humanidade.
    E esta é uma fita para se ter em casa e que "cedo a qualquer companheiro que a deseje rever e tê-la em definitivo". Basta ver meu email no rodapé e me mandar seu endereço.

    Portanto, muito pouco de regular este ator fez. Era principio de carreira e mesmo assim Anthony Mann lhe premiou com duas belas oportunidades. Foram em Winchester 73/50, e no delicioso E O Sangue Semeou a Terra/52.
    E note-se: um novato como ele se infiltrar entre James Stewart, Arthur Kennedy, Julia Adams e outras grandes feras, não era tarefa para quem imaginava parar por ali.

    E ele se deu tão bem nos filmes acima, que em 1952 fez, com muita qualidade e sob a égide de Boetticher, o recomendável e imperdível "Imperio do Pavor", ao lado de um "As" das telas, o senhor Robert Ryan.
    E ainda em 1953 Raoul Walsh o escalou no movimentado e muito querido faroeste "Irmãos inimigos/53", ao lado da linda demais Donna Reed, um filme perfeito e filmado em cinerama, se não me engano.

    Eis neste trecho alguma pouca coisa deste ator que pude falar, tendo de me conter demais para não escrever mais de um comentário.
    Ele foi marcante, simpático, atuante, querido e, acima de tudo, um ator de alto status.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    Respostas
    1. Olá amigo!

      Em realidade, vc disse tudo sobre Rock Hudson e praticamente não tem como lhe fazer uma réplica, visto que concordamos quase que por inteiro (98% diria) sobre este grande ídolo das telas.

      Canastrão??? Jamais!!!

      Desde seu início, Rock mostrou que levava para interpretação. Era um ator bem natural, sem fazer qualquer tipo de esforço para atuar. O engraçado que, segundo um filme sobre sua biografia (baseado no filme de Phyllis Gates), Rock se apresentou para seu futuro empresário, Henry Wilson, que observou que ele não se vestia bem e era meio desajeitado. Nesse momento, Wilson perguntou o que ele queria no seu escritório:

      - Quero ser um astro do cinema.

      Wilson olhou para Rock de maneira debochada, e o futuro ator percebeu:

      - Olha Sr. Wilson – disse Rock – me desculpe se fiz o senhor perder tempo.

      Wilson se virou para Rock e replicou:

      - Teria feito perder meu tempo se quisesse ser um ator. Mas astro do cinema??? Isso é coisa bem diferente!

      E assim aconteceu. Rock não só se tornou um dos mais prolíferos astros de Hollywood como também um dos grandes atores de talento de seu tempo. Uma carreira que durou pouco mais de trinta anos, sempre com bons desempenhos.

      Abraços do editor.



      Excluir
  2. Telles,

    Muito boa esta do Wilson. Quase perfeita, não fosse uma frase que ouvi num documentário que diz mais ou menos assim: " Tal qual o Carvalho, que deixa seu odor no machado que o derrubou". Não lembro bem, mas foi algo assim. Belo não? Aliás, muito belo!

    Podem até achar bobagem, mas valorizo coisas bem ditas, bonitas, frases com efeito. E vi nesta algo assim, tal qual o dito profético do Wilson.

    A vida faz das pessoas simples, mas que merecem ter triunfo nela, coisas como fez com o Hudson. Parecia que ele vivia à espera de alguém que o desse a chance de ser o grande ator que se escondia no seu eu.

    Por falar nisso, e coisa que não disse no meu comentário, o primeiro filme que vi do Hudson foi Sangue Sobre a Terra/57, do qual pouco recordo mas me parece algo sobre a KU KLUX KLAN, e logo, e do mesmo ano, Hino de Uma Consciência.

    Ele, o Hudson, parecia ter magia em sua pessoa. Era assisti-lo em uma fita e logo ele ficava memorizado e nunca mais se perdia nada com ele. De forma que vi quase tudo que ele fez, tanto comédias, onde se saía maravilhosamente, como fitas tipo O Último Por De Sol/60, e o ponto alto de sua vida no cinema, que foi Giant.

    No meu ver, amigo editor, tudo que se diga deste ator fica pouco para tudo que ele nos deu e mostrou.

    Ví um homem interpretanto no cinema e que me pareceu ser o maior ator que o cinema criou, que foi o Laurence Oliver.
    Porém, vi outros também de portes enormes, como o Ryan, o Laughton, o Burton, o Bogart, o Heston, o Douglas, e muitos mais outros. Mas vi também o Rock Hudson no seu trabalho. E astro que permeio no seio destes todos aí e nunca sentiria vergonha ou remorso de citar o que cito.

    É muito fácil se falar de ROCK HUDSON, fácil demais!

    jurandir_lima@bol.com.br

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    Respostas
    1. Ju!

      Rock sem dúvida era um brilhante ator, ou melhor, um ator extremamente nato. Foi só moldado e esculpido, pois talento ele sem dúvida já tinha. Não há um papel que ele não tenha se ajustado com perfeição, pudesse ser herói ou anti-herói, ou mesmo um vilão, ele convencia sempre. Quase poderia ter ele brilhado no maior dos épicos, BEN-HUR (1959), que deu a Charlton Heston seu único Oscar. Rock nunca ganhou um, mas brilhou nas telas e foi um dos maiores campeões de bilheteria no cinema, e sem contar que exercia uma energia extremamente carismática.

      O EDITOR.

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  3. Muito bom saber de toda esta história !!

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  4. Belíssimo Ator , talentoso fez parte de uma Época linda , é muito gratificante para nós leitores poder desfrutar dos trabalhos belíssimos que vcs nos presenteiam . Parabéns a Equipe e aos Diretores . Obrigado .

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    1. Saudações Luy! Agradeço sua participação e seu parecer. Grande abraço!

      Paulo Telles
      Editor.

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  5. Quisera ter o dom de escrever coisas maravilhosas, tantas quantas foram ditas por profundos conhecedores da vida e do trabalho do ator Rock Hudson.Só posso dizer que me emocionei e vibrei em grandes filmes que assistir desde 1955, quando não perdia uma matinée ou soirée. Como bem citou o meu amigo Paulo Telles, a frase atribuída a Buda, Seja como o Sândalo que perfuma o machado que o fere.

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