quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Vida e Obra de Ingrid Bergman - Uma das Mais Belas e Talentosas Atrizes de Todos os Tempos


Nos dias de hoje, se questiona muito a combinação do talento e da beleza. Uns acreditam que tal combinação é impossível, mas outros acreditam que as duas coisas podem ser perfeitamente combinantes, e tal prova que isso é verdade que o cinema teve uma das mais brilhantes estrelas de sua constelação, a sueca Ingrid Bergman (1915-1982). Notável atriz de porte, ela não só exercia fascinação por seu talento como também por sua beleza. Contudo, sua vida foi cheia de desafios, e ousou em nome de sua felicidade enfrentar todos os protocolos e edifícios morais de sua época, enfrentando até mesmo o boicote de Hollywood e o ódio do público americano. Vamos lembrar Ingrid Bergman, uma das atrizes mais fascinantemente belas que a Sétima Arte teve o prazer de se render.

Por Paulo Telles

Ingrid Bergman nasceu a 29 de agosto de 1915, em Estocolmo, capital da Suécia. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas dois anos e seu pai, um fotógrafo que transmitiu a ela o amor pelo teatro, morreu quando ela tinha doze. Logo, Ingrid foi morar com um tio idoso. A mulher que seria uma das principais estrelas de Hollywood tinha decidido a se tornar uma atriz depois de terminar seu estudo colegial.


Ingrid aos catorze anos
Ingrid aos dezenove estreando no cinema sueco
Depois de algumas atuações no Teatro, estreou no cinema em 1934. Dois anos depois, ela já era uma estrela consagrada na Suécia, o que levou, em 1930, o lendário produtor David O’ Selznick (1902-1965) a convida-la para o cinema americano. Os filmes responsáveis pela transição da atriz do cinema europeu para o americano tinham o mesmo argumento e o mesmo título – Intermezzo. A primeira versão (1936), dirigida por Gustav Molander (1888-1973), e o remake americano (1939) dirigido por Gregory Ratoff (1897-1960).


Intermezzo - a versão sueca de 1936. Ingrid ao lado de Gosta Ekman
Intermezzo- Uma História de Amor, versão americana de 1939. Ingrid e Leslie Howard.
Ainda em sua pátria, em 1937, Ingrid se casou com o dentista Petter Aron Lindström, com quem teve uma filha no ano seguinte, Pia. Com Intermezzo, Uma História de Amor, de 1939, a real oportunidade hollywoodiana de Ingrid só veio em 1941, ao viver Ivy Peterson, mulher torturada por Mr. Hyde na versão de O Médico e o Monstro/Dr Jekill and Mr Hyde, de 1941, estrelado por Spencer Tracy e Lana Turner.


O Médico e o Monstro - Ingrid com Spencer Tracy e Lana Turner
Ingrid, entre Spencer Tracy e Lana Turner - O Médico e o Monstro, DE 1941
Entretanto, foi só em 1943 que ela tomou parte da película que seria o símbolo do Romantismo no Cinema, e talvez, o mais amado pela sua legião de fãs – Casablanca/Casablanca, dirigido pelo lendário Michael Curtiz (1886-1962), ao lado de Humphrey Bogart.



Casablanca – o ápice do sucesso de ingrid Bergman
Tudo começa quando um famoso produtor, Hall B. Wallis (1899-1986) tinha em mãos uma peça jamais encenada intitulada Everibody Comes to Rick’s, de autoria de dois dramaturgos desconhecidos, Murray Burnett e Joan Alison. Pouco antes da II Guerra estourar na Europa, estes dois autores visitaram uma boate no sul da França, onde se reuniam expatriados e um homem negro que tocava Blues no piano. Logo, isso serviu de inspiração para Murray e Joan comporem um enredo, transformando em um melodrama sobre Ricky Blaine, um típico valentão americano proprietário de um bar chamado “Casablanca”, tendo como personagens um simpático negro chamado Sam, seu pianista, além do chefe da polícia francesa capitão Louis Renauld, e claro, Ilsa Lund, ex-namorada de Ricky, envolvida com um líder da resistência tcheca, Victor Lazlo.


Com Humphrey Bogart - Casablanca, 1942
A princípio, vários estúdios recusaram a peça. Contudo, Jack Warner (1892-1978), um dos chefes da Warner Brothers, decidiu compra-la pela soma principesca de 20 mil dólares. O contrato padrão da Warner exigia que os autores transferissem para o estúdio todos os direitos de “todo tipo e espécie, para quaisquer fins”. Murray Burnett (que ainda vivia, contando com mais de 70 anos) começou a processar a Warner em 1983 na tentativa de reassumir os direitos sobre os personagens de Casablanca, contudo sem sucesso.


Bogart e Ingrid - símbolo do antigo romancismo hollywoodiano
Warner chamou os peritos para redigir o script e se voltou para a questão do elenco. Quem iria integrar nos personagens principais? Para viver Ricky, Wallis optou por ninguém menos que Humphrey Bogart (1899-1957), embora ficasse irritado por pegar um papel antes oferecido a George Raft, que rejeitou.



Mas quem seria a atriz principal para viver Ilsa Lund?


Paul Henreid, Ingrid, Bogart
Wallis tinha problemas para contratar Ingrid Bergman para o papel. Ele ficou impressionado com o desempenho da atriz como a pianista de Intermezzo, uma História de Amor, seu primeiro filme americano, mas Ingrid estava presa a um contrato com o mais possessivo dos patrões que se tem notícia na meca do cinema, o lendário David O’ Selznick. Selznick, sem dúvida, foi o único homem em Hollywood capaz de receber a radiante Ingrid Bergman dizendo “Meu Deus! Tire os sapatos!” Ela respondeu que não adiantaria nada, já que com ou sem sapatos ela media 1m75. 



Mas Jack Warner pensava em um jeito de como ele poderia tirar Ingrid de Selznick. Chamou os roteiristas que mal tinham começado o script, e mandou que fossem visitar e persuadir Selznick, contando-lhe que tinham escrito uma história excepcional para ela. Selznick não gostou nada do enredo que os homens de Warner estavam comentando com ele, se levantou e bateu na mesa dizendo – “Era o que eu queria saber! Podem levar a Bergman.

A única atriz com qualidade luminosa, a ternura e o calor necessário para viver Ilsa”, recordava Hal Wallis sobre Ingrid em seu papel em Casablanca. O Clássico dirigido por Michael Curtiz arrebatou o Oscar de melhor filme de 1943, ganhando também pela própria direção e roteiro adaptado (Julius J. Epstein, Phliph G. Epstein, e Howard Koch).

Humphrey Bogart e Ingrid Bergman- Casablanca
Durante as filmagens, Ingrid parecia preocupada com o fato de ninguém saber como o filme iria terminar nos bastidores, se Ilsa ficaria com Ricky (Bogart) ou viajaria com Lazlo (Henreid). Era problemático pois a perfeição de sua atuação dependeria desta informação, afinal, por quem Ilsa estava realmente apaixonada. Ela teve que seguir o conselho de Michael Curtiz – “Apenas interprete, bem, jogue um meio termo”. Ingrid mais tarde diria que isso não passava de uma situação ridícula – “todos tínhamos que filmar de improviso. Todos os dias nos entregavam diálogos e tentávamos por algum sentido naquilo. Ninguém sabia o rumo do filme”- dizia Ingrid.


Poster de Casablanca
Pode ser que a infelicidade de Ingrid e de todo o elenco de Casablanca tenha sido o sucesso do filme. A incerteza de Bergman em relação a qual dos dois varões devia amar não era problema, mas sim o aspecto essencial da personagem que interpretava. Ela estava louca para viver Maria em Por Quem Os Sinos Dobram a seguir, e a atriz Vera Zorina (1917-2003) inspirou Ingrid a retratar Ilsa com aquele ar maravilhosamente nostálgico. Paul Henreid se queixava que nenhum líder da Resistência desfilaria em Casablanca de Vichy de terno branco, mas se saiu bem exatamente em função da espiritualidade ligeiramente pretenciosa, implícita no tal terno branco. Até o compositor Max Steiner (1888-1971), encarregado de compor a trilha sonora, estava infeliz. Ele odiava As Time Goes By, mas mal soube ele que justamente esta canção se tornou o símbolo do romantismo cinematográfico. Outro problema foi a diferença de altura entre o par romântico Bogart & Ingrid. Ingrid media 1m75 enquanto Bogart media oficialmente 1m68, e para as cenas que reuniam os dois, Bogart precisava subir em uma plataforma para poder ficar equiparado ou mais alto que Ingrid. Seja como for, tudo foi superado, e Casablanca se tornou um dos títulos mais lendários da fase de ouro de Hollywood, o arquétipo do cinema romântico americano, se tornando um dos maiores clássicos do cinema mundial, consagrando Ingrid Bergman como estrela no cinema americano.


Como Maria, a revolucionária em Por quem os sinos dobram, 1943
Com Gary Cooper - Por Quem Os Sinos Dobram
Por quem os Sinos Dobram – OUTRO SUCESSO.
O primeiro filme colorido de Ingrid Bergman extraído do dramático livro de Ernest Hemingway (1899-1961), Por Quem Os Sinos Dobram de 1943, sobre um aventureiro americano chamado Robert Jordan, vivido por Gary Cooper (1901-1961), um especialista em explosivos que tenta ajudar uma guerrilheira, Pilar (Katina Paxinou) a destruir uma ponte estratégica na Espanha durante a Guerra Civil, vivendo um romance com Maria (Ingrid Bergman). 



Ingrid e Gary, posando para foto ao lado do diretor Sam Wood e da atriz grega Katina Paxinou, no intervalo de filmagem de Por Quem os Sinos Dobram
Com direção do impecável Sam Wood (1883-1949), com roteiro do renomado Dudley Nichols (1895-1960), e com a cenografia de William Cameron Menzies (1896-1957, o responsável pelos sets de E O Vento Levou), constitui exemplo acabado do romantismo hollywoodiano muito em voga nos anos de 1940. A imortal música de Victor Young (1900-1956) foi a segunda trilha sonora a ser gravada em discos, pela Decca (a primeira havia sido Mowgli, o Menino Lobo, de Miklos Rosza, lançado em discos de 78 rpm em 1942, sob o selo da RKO). Katina Paxinou (1900-1973) recebeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante de 1943.


Ingrid em A Meia Luz, 1944
Ingrid, apreciando seu primeiro Oscar
A MEIA-LUZ – O PRIMEIRO OSCAR
Sob regência de George Cukor (1900-1983), e baseado em peça teatral de Patrick Hamilton, A Meia Luz/Gaslight, de 1944 trouxe a Ingrid Bergman seu primeiro Oscar de melhor atriz.
Ela interpreta Paula Alquist, a esposa que o marido, o pianista Gregory Anton (Charles Boyer, 1899-1978), tenta fazer enlouquecer, para ficar com as joias deixadas pela tia dela, assassinada por ele mesmo alguns anos antes na mesma casa onde eles moram agora. A sanidade mental de Paula é salva pela simpatia e pelas investigações de um detetive, vivido por Joseph Cotten (1905-1994). O filme também foi a estreia da brilhante Angela Lansbury no cinema.


Com Charles Boyer - A Meia Luz
A emoção de Ingrid na noite do Oscar de 1945
Depois da premiação, um bate papo com Jennifer Jones
A 15 de março de 1945, e sob a primeira transmissão de uma cerimonia do Oscar por uma cadeia de Rádio- a ABC-  Ingrid Bergman recebeu a estatueta de Jennifer Jones (que havia ganhado no ano anterior pela Canção de Bernadete), derrotando atrizes de peso como Claudette Colbert (por Desde que partistes), Barbara Stanwyck (por Pacto de Sangue), Bette Davis (por Vaidosa), e Greer Garson (por Senhora Parkington, a Mulher Inspiração), que concorriam também ao Oscar para melhor atriz do corrente ano.



OUTROS SUCESSOS
Após o sucesso de A Meia Luz e com seu primeiro Oscar arrebatado, Ingrid foi uma freira em Os Sinos de Santa Maria/The Bells of St Mary, em 1945, contracenando com Bing Crosby (1904-1977), e dirigido por Leo McCarey (1896-1969). 


Com Bing Crosby - Os Sinos de Santa Maria - 1945
Com Gregory Peck - Quando Fala o Coração - 1945
Novamente com Gary Cooper -A Mulher Exótica - 1946
Ainda no mesmo ano, um exercício de suspense e primeira parceria entre Ingrid e o Mestre do Suspense, Alfred Hitchcock (1899-1980), em Quando Fala o Coração/Spellbound, ao lado de Gregory Peck, com trilha sonora marcante de Miklos Rozsa (1907-1995). No ano seguinte, Ingrid repete parceria com Gary Cooper na atuação e Sam Wood na direção em A Mulher Exótica/Saratoga Trunk, aventura boa de época. 


Ao lado de Cary Grant - Interlúdio - 1947
Com Cary Grant em Interlúdio
"Amavelmente vulgar" em O Arco do Triunfo - 1948
Ainda em 1946, Ingrid se une novamente a Hitchcock em Interlúdio/Notorious, tendo como seu galã Cary Grant (1904-1986). Na cerimônia de entrega do Oscar de 1946, Grant declarou – “Acho que a Academia deveria reservar um prêmio especial para Ingrid Bergman todos os anos, faça ela filmes ou não”.Contudo, nem tudo foi sucesso para a atriz, que angariou seu primeiro fracasso em O Arco do Triunfo/Arch of Triumph, em 1948 e direção de Lewis Millestone (1895-1980).  



joana d’arc
Ingrid Bergman sempre sonhou em interpretar Joana D’Arc (1412-1431), heroína, mística, guerreira, e mártir da França, entretanto por ironia o papel parecia se esquivar da atriz. Tão logo ela embarcou para os Estados Unidos em 1939 a convite de David O’ Selznick, este telegrafou recomendando que dissesse à imprensa em Nova York que Ingrid estava chegando para interpretar Santa Joana, mas um assessor de publicidade de Selznick foi espera-la no cais e avisou: “Não fale muito sobre Joana D’Arc, por favor!”. O projeto de Selznick em produzir um filme sobre a santa nunca se concretizou. Contudo, seis anos depois, o dramaturgo Maxwell Anderson (1888-1959) telefonou para Ingrid, perguntando se ela não estaria interessada em fazer uma peça na Broadway.
-Sua peça é a respeito de que? – perguntou Ingrid
- Joana D’Arc – respondeu Maxwell


Ingrid, Santa Joana D'Arc
Ela concordou na lata, sem ter lido a peça. E depois de ter lido, foi dar um passeio com Anderson na praia de Santa Mônica e ali assinou o contrato. Na semana seguinte após o primeiro ensaio para a peça em Nova York, ironicamente David O’ Selznick anunciou a imprensa que ia fazer um filme sobre Joana D’Arc, estrelada por Jennifer Jones (sim, a “Santa Bernadete”!), entretanto, tal projeto não seguiu.




Joan of Lorraine, de Maxwell Anderson, não era exatamente sobre a vida de Joana D’Arc, mas sobre uma companhia teatral que ensaiava uma peça sobre Santa Joana. Mas não satisfeita, a indômita Ingrid incitava o dramaturgo a escrever mais sobre a heroína e ele a atendia. A peça estreou espetacularmente na Broadway em 1946, rendendo grandes elogios para a atriz.



Entre Richard Deer e Ray Teal - Joana D'Arc - 1948
Victor Fleming (1889-1949), que tinha dirigido Bergman em O Médico e o Monstro em 1941, estava insistindo que a atriz filmasse com ela a peça. Juntos, montaram uma companhia produtora independente, com Walter Wanger (1894-1968) como produtor. Em 1948, é lançado Joana D’Arc/Joan of Arc, onde além do brilho da estrela de Ingrid, despontam nomes famosos como Jose Ferrer, Ward Bond, George Coulouris, Gene Lockhart, J. Carrol Naish, Ray Teal, Hurd Hatfield, Morris Ankrum, John Ireland, entre outros, em uma verdadeira superprodução que obteve os Oscars de melhor foto a cores e vestuário a cores, além de um Oscar especial para Walter Wanger por sua “contribuição de estatura moral dada ao mundo”. O filme também registrou o último trabalho do diretor Fleming, que morreu em 1949.



Poster de Joana D'Arc - 1948
Observando Jose Ferrer, durante intervalo de Joana D'Arc - 1948
Joana D’Arc fez sucesso de público, até na Europa, apesar de desprezado pela crítica. Anos mais tarde, em 1970, Ingrid assistiu ao filme em uma reprise pela televisão, e reavaliou o seu trabalho e a obra, descobrindo o quanto era artificial: ”Tinha aquele aspecto homogêneo e polido de Hollywood” – disse ela – “Todas as cenas de batalha foram feitas em estúdio: as torres de Chinon e as cidadezinhas francesas eram panos de fundo pintados. Não me achei nem um pouco parecida com uma camponesa. Parecia só uma atriz de cinema fazendo o papel de Joana. Rosto limpo, penteado, bonito (...) Ao pensar nisso, suponho que começaram aí minha rebelião e ressentimentos instintivos.



ROBERTO ROSSELLINI
Ao período que Ingrid Bergman esteve na Broadway, caminhou sozinha pelas ruas quando viu um cartaz com o filme Paisà, de 1946, dirigido pelo cineasta italiano Roberto Rossellini (1907-1977), trabalho este que realizou depois do clássico Roma-Cidade Aberta (1945). Ingrid entrou e assistiu ao que considerou “outro grande filme”. No entanto, o cinema estava praticamente vazio. Ela própria estava cansada dos “valores de produção hollywoodiana”, com cenários elaborados, penteados sempre perfeitos, música orquestral surgindo no fundo, e entre outras coisas. Tão logo ela assistiu o último trabalho do renomado diretor italiano, ela decidiu que queria fazer um filme com Rossellini. Sendo a mulher teimosa e indômita que ela, resolveu escrever uma carta para Rossellini: “Caro Sr. Rossellini, vi seus filmes “Roma : Cidade Aberta” e “Paisà” e gostei muito deles. Se precisar de uma atriz sueca que fale inglês muito bem, não esqueceu o alemão, e ainda não é muito inteligível em francês, e de italiano só sabe “ti amo”, estou pronta para fazer um filme com o senhor”.
Ingrid falava fluentemente cinco idiomas: inglês, Sueco, Francês, Alemão e Italiano.


Ingrid e Roberto Rossellini, durante as filmagens de Stromboli.  O Início de um rumoroso caso de amor fora das telas.
Qualquer diretor no mundo teria telefonado imediatamente para convida-la para pegar o primeiro avião. A bela estrela de Casablanca e Por Quem os Sinos Dobram, e ganhadora do Oscar por A Meia Luz, estava entusiasmada. Rossellini, que recebeu a carta de Ingrid no dia de seu aniversário, respondeu com um telegrama a atriz na seguinte caixa alta: “ACABEI DE RECEBER COM GRANDE EMOÇÃO SUA CARTA QUE CHEGOU NO DIA DO MEU ANIVERSÁRIO COMO O PRESENTE MAIS PRECIOSO”....



Apesar do detalhe coquete do “ti amo”, parece que Ingrid, de início, não tinha ideias românticas para com Rossellini, contudo, em sua vida pessoal, a atriz era inquieta. Seu casamento com o médico sueco (ou dentista segundo outras fontes) Petter Lindstrom vinha tendo problemas algum tempo. O marido gerenciava a carreira dela, pechinchava os contratos e dava ordens no geral. Isso era bastante comum na época, mas muito embora Ingrid gostasse da imagem de mulher bem casada e supostamente feliz, havia limites. Era regra de Petter não admitir que fotógrafos fossem à sua casa. Numa dessas ocasiões, Ingrid achou conveniente ser fotografada em casa do que no estúdio. O marido então ficou furioso quando viu as fotos publicadas.
Ao telegrama de Rossellini seguiu-se uma longa carta onde ele explicava seus métodos: “Devo dizer que minha maneira de trabalhar é extremamente pessoal. Não preparo um cenário, que considero uma limitação terrível ao campo de ação. Venha que conversaremos”.


Com Michael Wilding - Sob o Signo de Capricórnio - 1949
Ingrid aceitou com entusiasmo o convite de Rossellini, muito embora a atriz estivesse comprometida com um filme de Hitchcock, Sob o Signo de Capricórnio/Under Capricorn, num verão em Londres. Quem sabe pudesse ela dar uma escapada e ir à Itália discutir o assunto? Combinaram em encontrar-se em Amalfi, onde Rossellini estava com a amante (e não menos talentosa atriz) Anna Magnani, a tempestuosa estrela de Roma: Cidade Aberta. Embora Magnani jamais tivesse se encontrado com Ingrid, ela tinha suas suspeitas. Quando um porteiro recebeu o telegrama anunciando o desembarque de Ingrid, ele achou que a atual amante do diretor italiano não pudesse ouvir. O porteiro foi ao restaurante onde Rossellini e Anna Magnani estavam almoçando, e esta pondo molho no espaguete, ouviu a seguinte frase do porteiro para com o diretor, num sussurro teatral:


Roberto Rossellini e Anna Magnani
-O senhor me pediu que se recebesse um telegrama de Londres eu devia entrega-la particularmente ao senhor. Aqui esta.
-Ah, Grazie!!! – disse Rossellini, de modo casual que pôde, enfiando o telegrama no bolso, sem ler, como assunto sem importância. Anna Magnani (1908-1973), futura ganhadora do Oscar como melhor atriz pelo seu brilhante desempenho em A Rosa Tatuada, de 1956, dirigido por Daniel Mann (1912-1991) – continuou misturando o molho de espaguete, mas falou:
-Então? Esta bom, Roberto? – perguntou Anna segurando a travessa de espaguete.
-Ah si Grazie! – respondeu o diretor todo inocente.
-Ótimo! Então pode ficar com tudo!!! – disse Anna atirando a travessa cheia de espaguete na cara de Rossellini.



BOICOTE EM HOLLYWOOD
Roberto Rossellini talvez nem precisasse ir aos Estados Unidos para contratar Ingrid Bergman para seu novo filme, mas em janeiro de 1949, os Críticos de Filmes de Nova York escolheram Paisà como o melhor filme estrangeiro do ano anterior, e convidaram o diretor italiano para ir a Nova York receber o prêmio. Antes de deixar Roma, segundo um correspondente de um jornal de Los Angeles, Rossellini disse: ”Vou por chifres no Sr. Bergman”. De Nova York, ele telegrafou para Ingrid: “ACABO DE CHEGAR COMO AMIGO”. Ela respondeu: “ESPERANDO POR VOCÊ NO OESTE SELVAGEM”.


Ingrid Bergman e Roberto Rossellini
Rosselini não precisou de mais nada para tomar o trem para a Califórnia e se registrar no hotel Beverly Hills. Ingrid logo o convidou a poupar e hospedar na própria casa da atriz, na Benedict Canyon Drive. Também começou a levantar dinheiro para o filme dele. A princípio, a atriz telefonou para o lendário Samuel “Sam” Goldwyn (1879-1974), e mesmo ainda não tendo um roteiro acertado, ela conversou com Sam, perguntando se poderia produzir um filme italiano com Rossellini na direção.  Sam aceitou, mas só veio a ler o esboço escuro do roteiro que Rossellini havia enviado para Bergman depois. Ele considerou a história muito “artística”. Depois, Sam reuniu a imprensa para ver Goldwyn e Rossellini assinarem o contrato.


Stromboli - primeiro filme de Ingrid dirigido por Rossellini
Conseguindo o financiamento para o filme chamado Stromboli, primeiro filme de Ingrid com o cineasta, Rossellini embarcou para Roma no fim de fevereiro, enquanto que Ingrid e seu marido Petter foram esquiar em Aspen. Os jornais e tabloides já tinham publicado boato sobre os passeios de Ingrid e de Roberto já tinham feito, mas tanto os dois quanto o terceiro envolvido, o marido de Ingrid, não davam ouvidos, seguindo normalmente com suas vidas. Contudo, isso não passava de um disfarce, muito passageiro até a chegada de Ingrid a Itália.



Ingrid foi recebida por uma multidão de fãs no aeroporto de Roma, que lhe desejou boas vindas. Rossellini surgiu no meio da aglomeração com um imenso buquê. Beijou-a nas duas faces e sussurrou em francês: Je T’Aime. Depois levou-a em seu carro esporte vermelho para o Hotel Excelsior, onde outra multidão a aguardava.



Isso foi apenas o começo. Rossellini e sua estrela partiram numa viagem sem pressa ao longo da costa, passando por Monte Cassino, Capri, e Amalfi. Ingrid logo se encantou por Rossellini. Para ela, ele era um homem cativante, culto, conhecedor da beleza e da arte, conhecia História, os monumentos, lendas. Ao subirem de mãos dadas uma escadaria em direção a uma torre circular que guardam a estrada costeira, foram surpreendidos por um fotógrafo que os seguia, e a foto apareceu numa página inteira da Revista Life. Editoriais de jornais começaram a mostrar sinais de desaprovação, mas Ingrid ignorou com toda classe de uma verdadeira dama, e uma mulher de espírito superior. E não fica só por ai: de Amalfi, a atriz escreveu para o Dr. Lindstrom que ia deixa-lo para viver com Rossellini. Dizia a carta: “Não era minha intenção me apaixonar e ficar na Itália para sempre. Mas o que é que posso fazer para mudar as coisas?”.



O romance entre Ingrid e Rossellini era tratado como o maior acontecimento do ano pelos jornais. Todos já tinham esquecido de que a talentosa atriz havia interpretado a decaída Ivy Peterson de O Médico e o Monstro, e outra decadente em O Arco do Triunfo; a adúltera de Casablanca e outra em Interlúdio; só se lembravam, por incrível que pareça da freira sorridente de Os Sinos de Santa Maria, ou de seu mais recente filme em cartaz, Joana D’Arc, vivendo uma santa. Não havia privacidade para Ingrid, pois repórteres alugavam barcos para ir a ilha espreitar e fazer perguntas aos nativos sobre as condições que vivia a atriz. A medida que as notícias sobre o romance iam chegando aos Estados Unidos, os executivos de Hollywood começavam a ficar nervosos. A reação da opinião pública iria obriga-los a boicotar os filmes dela, passados e recentes.



Joseph I Breen, antigo diretor de administração do Código de Produções, ocupando posição executiva da RKO, escreveu a Ingrid pedindo-lhe que negasse os boatos de que pretendia deixar o marido, alegando que isso poderia destruir sua carreira no cinema: “Podem ocasionar tanta raiva no público americano que seus filmes passem a ser ignorados e você venha a perder o valor como sucesso de bilheteria” – assim dizia a carta de Breen para a atriz.



Walter Wanger, financiador de Joana D’Arc, gostava de se considerar um produtor intelectual com ousadas participações sociais, e ele também escreveu para Bergman, um telegrama que parecia refletir o mais puro pavor. Assim ele escreveu: “Histórias maliciosas sobre seu comportamento devem ser imediatamente desmentidas por você. Se você não pensa na sua família ou não se preocupa consigo mesma, deve ao menos pensar que, porque acreditei em você e em sua honra, investi grandes somas pondo em risco o meu futuro e o de minha família, que esta sendo ameaçada. Não se iluda pensando que o que esta fazendo tem dimensões corajosas ou artísticas que dispensem a opinião do homem comum”.
O marido de Ingrid, embora chocado com todo este alvoroço, não queria o divórcio. Ele a queria de volta, mas ela não, além disso, ela tinha que terminar Stromboli. Chegou a um ponto dele e Ingrid se encontrarem num hotel de Messina, para desespero de Rossellini, que tinha medo de que Lindstrom persuadisse Ingrid de voltar. Depois de horas, Ingrid disse a Rossellini que ela e o marido “resolveram a situação”, e voltou para o diretor italiano, para Stromboli, e para a bagunça da filmagem.



Três dias depois, Henry Steele, o agente de publicidade da atriz convocou uma entrevista com a imprensa para anunciar que Ingrid estava anunciando o divórcio.
“Instrui meu advogado a iniciar imediatamente o processo de divórcio. Com a conclusão do filme, minha intenção é me retirar da vida pública”.
Dessa declaração, o Gionalle dela Sera tirou uma conclusão audaciosa e noticiou que Ingrid Bergman estava grávida.  Os guardiões da “moralidade” receberam esta notícia como o pior dos ultrajes. Divórcios eram normais em Hollywood, adultério poderia ser negado, mas uma mulher casada engravidar de outro homem, era demais.


Ingrid com Hedda Hopper
De Hollywood, vem a mais ridícula fofoqueira, Hedda Hopper, exigindo uma entrevista com a atriz. Rossellini quis barrar Hedda, mas o agente de Ingrid, Henry Steele, achou melhor que Ingrid deveria atender a imprensa. Portanto, foi concedida para uma das maiores mediocridades de Hollywood uma entrevista de uma hora de duração, na qual o ponto principal foi evitado o tempo todo.
-“Mais uma pergunta e depois eu saio, Ingrid. O que é isso que andam dizendo de você estar grávida?”- Perguntou maliciosamente Hedda.
-“Meu Deus, Hedda, eu pareço grávida?”- respondeu Ingrid despreocupada e rindo.



Henry Steele, o agente de publicidade de Ingrid, até então acreditava que os boatos da gravidez da atriz eram falsas. Ele até sugeriu a Rossellini que movessem um processo contra o Gionalle dela Sera, e o diretor disse que iria acionar. Os jornalistas de todos os Estados Unidos continuavam a indagar sobre o estado de Ingrid Bergman, e quando Steele perguntou a ela o que deveria fazer, ela decidiu escrever a verdade: “Se alguém perguntar de novo se eu estou grávida, não acione como queria fazer com tanta coragem aqui em Roma, pois certamente, Henry, você perderá. Caríssimo Henry, talvez você já desconfiasse. A pergunta sempre esteve em seus olhos, mas não consegui dizer a verdade”.



Steele ficou chocado, contudo, ele decidiu alertar a atriz: “Nenhuma das grandes distribuidoras permitirá o lançamento ou a exibição de “Stramboli”. Organizações como a Liga da Decência, clubes de mulheres, grupos de igrejas, etc, se levantarão com toda sua fúria. A Imprensa levantará editoriais, farão discursos. Na verdade, não é exagero supor que os próximos filmes de Roberto, com ou sem você, também serão banidos dos Estados Unidos”. Steele implorou que ela mantivesse em segredo o nascimento do bebê, mas ela só lhe deu notícias acerca do novo filme de Roberto.


Ingrid e suas filhas gêmeas, Isolla Ingrid e Isabela
Repórteres e fotógrafos fizeram cerco ao hospital de Roma, onde ela deu à luz em fevereiro de 1950. Só podia legitimar o bebê através do expediente legalmente duvidoso de um divórcio por procuração no México, e posteriormente casamento, também no México, e foi isso que Ingrid e Roberto fizeram um mês depois.



Não demorou e o Senado Americano promoveu um plenário para denunciar a atriz como “poderosa influência maligna, sugerindo que poderia estar sofrendo de temida doença mental chamada de esquizofrenia”. O Senador Edwin Johnson deu ênfase ao fato de Ingrid ser estrangeira, assim como a maioria das figuras controversas de Hollywood (o ex marido de Ingrid havia se naturalizado cidadão americano). Assim disse o Senador Johnson:
“Sob nossas leis, nenhum estrangeiro culpado de imoralidade pode colocar de novo os pés em solo americano. A Senhora Petter Lindstrom deliberadamente exilou-se do país que a tratou tão bem”.


Extremamente sensual em Europa 51, de Rossellini, 1951
filmes NA Itália e a crise conjugal
Afastada de Hollywood, Ingrid conciliava sua carreira de cinema na Itália, ao lado do marido Robert Rossellini, e a vida materna, dando à luz as gêmeas Isolla Ingrid e Isabela (mais tarde a atriz Isabela Rossellini), e um ano depois, a Roberto, que o casal chamava de “Robertino”.  Ingrid e Roberto Rossellini fizeram juntos seis filmes.


Com George Sanders - Romance na Itália - 1954
Com George Sanders - Romance na Itália
Novamente como Joana D'Arc - Joana D'Arc de Rossellini - 1954
Stromboli/Stromboli, em 1950; Europa 51/Europa 51, em 1951; Nós, as Mulheres/Siamo Donne, em 1953; Romance na Itália/Viaggio in Italia, em 1954; O Medo/Non credo più all'amore (La paura), em 1954; e Joana D’Arc de Rossellini/Giovanna d'Arco al rogo, de 1954, onde ela repetiu o papel da Santa mártir e guerreira da França, desta vez sob a regência do marido Rossellini, um filme sem comparativos com a obra de Victor Fleming de 1948, tratando-se de um teatro filmado.


Com Mel Ferrer - Estranhas Coisas de Paris - 1956
Com Mel Ferrer em Estranhas Coisas de Paris
Em 1956, Ingrid filma na França o sensacional Estranhas Coisas de Paris/Elena et les homme, dirigido por Jean Renoir (1894-1979), onde ela exercita também seu lado cômico.


O Medo, de Rossellini, 1954
Neste período, embora a carreira da atriz tenha sido de sucesso na Europa, a vida conjugal já não ia nada bem para ela e Rossellini. O cineasta já não parecia ter tanto interesse por ela como no início, mas ela seguia de pé com a carreira em elevação, subindo aos palcos para representar Ibsen, Shaw, e O’ Neill.



A VOLTA A HOLLYWOOD e o segundo oscar
Em 1956, o amigo Humphrey Bogart a convidou para filmar em Hollywood. Embora cheia de receios, ela aceitou desde que fosse filmar na Europa um filme americano. Este filme revolucionou de vez a carreira cinematográfica de Ingrid, após seis anos fora do cinema americano devido ao boicote promovido pela própria Indústria do Cinema.


Com Yul Brynner- Anastasia, a Princesa Esquecida - 1956
Yul Brynner e Ingrid Bergman
Anastasia, a Princesa Esquecida/Anastasia, dirigido pelo competente Anatole Litvak (1902-1974) em 1956 e baseada em peça de Marcelle Maurette (a princípio escrita para a televisão) traz Ingrid no papel de Anastasia, descoberta em Paris em 1928 por um grupo de russos exilados, liderados pelo general Bounine (Yul Brynner, 1915-1985, que ganhou o Oscar de melhor ator pelo papel), que sabem que se trata da filha do Czar Nicolau II, que se supôs fuzilada com a família imperial.



Anúncio do filme de um jornal carioca, março de 1957
A cerimônia para a entrega do Oscar de 1956 foi realizada a 27 de março de 1957, cujo grande acontecimento foi justamente o prêmio de Melhor Atriz ganho por Ingrid, marcando sua volta definitiva para as telas americanas. Ela derrotou Deborah Kerr (por O Rei e Eu); Carroll Baker (por Boneca de Carne); Katharine Hepburn (por Lágrimas do Céu); e Nancy Kelly  (por A Tara Maldita). Com sua volta a Hollywood em grande estilo e o segundo Oscar conquistado, Ingrid reconquistou novamente o público americano e seu lugar no coração dos fãs e nas bilheterias dos cinemas americanos.


O FIM DO CASAMENTO COM ROSSELLINI
Em 1957, Roberto Rossellini vai a Índia e conhece a indu Somali Das Gupta. Os rumores do romance entre os dois põe fim a união de nove anos entre Rosselini e Ingrid Bergman. Ainda negando a separação, Ingrid parte para Paris, a fim de representar, no teatro, Chá e Simpatia. O produtor da peça era Lars Schimidt, um rico industrial. 


Ingrid e seu terceiro marido, Lars Schimidt, de óculos a esquerda
Novamente par de Cary Grant, em Indiscreta, 1958

Depois de confirmado o divórcio com Rossellini, no dia 23 de dezembro de 1958, Ingrid casa-se pela terceira vez com Lars Schimidt e afirma: "Se fui infeliz na primeira e na segunda experiência, posso tentar uma terceira". Nesse mesmo ano sua reabilitação em Hollywood foi confirmada no filme Indiscreta/Indiscret, comédia romântica dirigida por Stanley Donen, reunindo novamente Ingrid e Cary Grant.


A Morada da Sexta Felicidade
OUTROS FILMES E O TERCEIRO OSCAR
Com sua volta triunfal a Hollywood, Ingrid se entregou de corpo e alma ao seu trabalho e as suas interpretações. Em 1958, estrelou ao lado de Curd Jürgens (1915–1982) e Robert Donat (1905–1958) A Morada da Sexta Felicidade/The Inn of the Sixth Happiness, dirigido por Mark Robson (1913–1978), onde ela viveu uma missionária inglesa na China.


Com Yves Montand - Mais uma vez, Adeus - 1961
Com Omar Sharif - O Rolls-Royce Amarelo - 1964
Com Walter Matthau -Flor de Cacto - 1969
 Em 1961, embarcou na comédia Mais uma Vez, Adeus/Goodbye Again, novamente sob a direção de Anatole Litvak, contracenando com Yves Montand (1921–1991). Em 1964, ela integrou no mega elenco de O Rolls-Royce Amarelo/The Yellow Rolls-Royce, dirigido por Anthony Asquith (1902–1968). Encerrando a década de 1960, atuou na comédia Flor de Cacto/Cactus Flower, em 1969, uma comédia hippie dirigida pelo recém-falecido Gene Saks (1921–2015), contracenando com Walter Matthau (1920–2000) e Goldie Hawn em sua estreia no cinema.


No badalo com Goldie Hawn - Flor de Cacto
Com Anthony Quinn em Caminhando sob a Chuva de Primavera - 1970
Quinn e Ingrid - Caminhando sob a Chuva de Primavera
Iniciando a década de 1970, Ingrid contracena com outra lenda das telas, Anthony Quinn (1915–2001), no drama romântico Caminhando Sob a Chuva de Primavera/ A Walk in the Spring Rain, sob direção de Guy Green (1913-2005). 



Ingrid em Assassinato no Expresso Oriente - 1974
Ingrid e seu terceiro Oscar, desta vez como coadjuvante 
Em 1974, Bergman, aos 59 anos, integra o grande elenco de Assassinato no Expresso Oriente/ Murder on the Orient Express, baseado na obra detetivesca de Agatha Christie (1890-1976) e dirigido por um estilista, Sidney Lumet (1924–2011). Um elenco formado com nomes como Albert Fynney (como Hercule Poirot) , Lauren Bacall, Martin Balsan, Jacqueline Bisset, Richard Widmark, Sean Connery, Vannessa Redgrave, entre outros, figuram este grande espetáculo que deu a Ingrid o seu terceiro Oscar, desta vez como atriz coadjuvante, no papel de Greta Ohisson, uma solteirona sueca e tímida que esta entre vários suspeitos de assassinar um rabugento milionário, vivido por Richard Widmark, no interior de sua cabine no Expresso Oriente, o trem que viaja entre Istambul e Paris. Na noite de 8 de abril de 1975, Ingrid, a vencedora da categoria, salvou o evento com um discurso “delicioso”, pedindo até mesmo desculpas a atriz italiana Valentina Cortese, cuja interpretação por Noite Americana achava merecedora do prêmio. Bergman ainda derrotou as atrizes Diane Ladd (por A Noite Americana), Talia Shire (por O Poderoso Chefão, 2ª parte), e Madeline Kahn (por Banzé no Oeste).



ÚLTIMOS ANOS
Ao mesmo tempo em que lhe veio o terceiro Oscar após seu brilhante desempenho em Assassinato no Expresso Oriente em 1974, Ingrid descobriu que estava com câncer. Contudo, nessa época, ela não se rendeu a doença e esteve dividida entre o teatro, o cinema, e a TV. Em 1º de fevereiro de 1978, Ingrid se divorciou também de seu terceiro e último marido, Lars Schmidt. No mesmo ano, Ingrid atuou ao lado de Liv Ullmann, sob direção de Ingmar Bergman (1918–2007, nenhuma relação com a atriz Ingrid) em Sonata de Outono/Höstsonaten.


Com Liv Ullmann - Sonata de Outono - 1978
Ingrid em seu último filme - Golda - 1982, para TV.
Com Leonard Nimoy - Golda
Em 1982, após terminar seu último trabalho, para TV, sobre a vida de Golda Meier, Golda/A Woman Called Golda, dirigido por Alan Gibson (1938-1987), onde Ingrid viveu a fundadora do Estado de Israel e Embaixadora israelense, seu braço direito começou a inchar até ficar de tamanho monstruoso. O braço pesava quase trinta quilos e ficava coberta por um xale.

Estou enfrentando meu dragão, meu braço, não posso me livrar dele, isto é, não posso amputa-lo, então luto com ele. Mas, com bom humor. Chamo-o de meu cachorro, brinco com ele. Digo a ele – você não é dragão, você é um cachorro, um cachorro doente. Vamos dar uma volta” – escreveu ela certa vez para um amigo.


Ingrid em sua última aparição pública, com o neto, em Nova York - 1982

O Túmulo da atriz e de seus familiares, Suécia
Imortalmente bela
Ingrid Bergman morreu no dia em que estava completando 67 anos, a 29 de agosto de 1982, em sua casa em Londres. Ela que sobreviveu aos insultos de Hollywood e ao preconceito da sociedade americana, sobrepujou tudo isso, graças a ousadia, ao talento, e a sua inteligência. Enfrentou com dignidade e cabeça erguida todos os obstáculos e falsos moralismos de seu tempo, mas ao fim, se tornou uma verdadeira campeã, tanto nas telas de cinema como na vida, deixando um legado de grandes filmes e grandes atuações, marcadas indelevelmente por sua beleza majestosa e um talento sublime e inconfundível. 



FILMOGRAFIA
1934 - The Count of The Monk's Bride
1935 - Branningar
1935 - Munkbrogreven
1935 - Ocean Breakers''
1935 - Swedenhielms
1935 - Valborgsmassoafton
1936 - Pa Solsidan


Poster de Intermezzo, uma História de Amor
1936 - Intermezzo (Intermezzo)
1938 - Die 4 Gesellen
1938 - Dollar
1938 - En Enda Natt
1938 - Juninatten
A jovem e bela Ingrid em A Mulher que Vendeu a Alma, filme sueco de 1938
1938 - A Mulher que Vendeu a Alma (En Kvinnas Ansikte)
1939 - Intermezzo, uma História de Amor (Intermezzo, a Love Story)
1941 - Fúria No Céu (Rage in Heaven)
1941 - O Médico e o Monstro (Dr. Jekyll and Mr. Hyde)
Poster de O Médico e o Monstro
Ingrid em A Meia Luz
Ingrid em Interlúdio. 
1941 - Os Quatro Filhos de Adão (Adam Had Four Sons)
1942 - Casablanca (Casablanca)
1943 - Por Quem os Sinos Dobram(For Whom The Bell Tolls)
1944 - Swedes in America
Poster de Por Quem Os Sinos Dobram
Com Katina Paxinou e Gary Cooper - Por Quem Os Sinos Dobram
Com Charles Boyer - Arco do Triunfo - 1949
Poster de Os Sinos de Santa Maria
1944 - À Meia-Luz (Gaslight)
1945 - Mulher Exótica (Saratoga Trunk)
1945 - Os Sinos de Santa Maria (The Bells of St. Mary's)

Com Gregory Peck deliciando um sorvete, durante o intervalo de Quando Fala o Coração
Com Gary Grant - Interlúdio
Ingrid com Alfred Hitchcock
1945 - Quando Fala o Coração (Spellbound)
1946 - Interlúdio (Notorious)
1948 - Joana d'Arc (Joan of Arc)
1948 - O Arco do Triunfo (Arch of Triumph)
Looby Card alemão de Joana D'Arc, de 1948
Nós e as Mulheres
1949 - Sob o Signo de Capricórnio (Under Capricorn)
1949 - Stromboli (Stromboli, terra de Dio)
1951 – Europa'51
1953 - Nós, as Mulheres (Siamo Donne)
1953 - Viagem pela Itália (Viaggio in Italia)


Poster de Anastasia
1954 - Joana d'Arc de Rossellini (Giovanna d'arco al rogo)
1955 - o Medo (La Paura)
1956 - Anastácia, a Princesa Esquecida (Anastasia)
1956 - As Estranhas Coisas de Paris (Elena et les hommes)
1958 - A Morada da Sexta Felicidade (The Inn of the Sixth Happiness)
1958 - Indiscreta (Indiscreet)
Com Cary Grant e Alfred Hitchcock, durante as filmagens de Interlúdio
1961 - Mais uma Vez Adeus (Goodbye Again)
1964 - A Visita (Visit, The)
1965 - O Rolls-Royce Amarelo (The Yellow Rolls-Royce)
1967 – Stimulantia
1969 - Flor de Cacto (Cactus Flower)
1970 – Langlois
Com Walter Matthau, durante o intervalo de Flor de Cacto. Notem na capa da revista que esta nas mãos de Matthau a foto de Ingrid e Humphrey Bogart.
1970 - Caminhando sob a Chuva da Primavera (Walk in the Spring Rain)
1973 - A Aventura da Descoberta (From the Mixed-Up Files of Mrs. Basil E. Frankweiler)



1974 - Assassinato no Expresso do Oriente
1976 - Questão de Tempo (A Matter of Time)
1978 - Sonata de Outono (Hostsonaten)
1982 - Golda/A Woman Called Golda (TV)
Produção e Pesquisa de Paulo Telles

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