sábado, 27 de dezembro de 2014

O Editor do Blog “Filmes Antigos Club” encontra o editor do Blog “Eugenio em Filmes”. O Início da série “Encontros” no espaço. Considerações Finais para o fim do ano de 2014.


A partir deste artigo, inicio a série Encontros, que destina registrar um encontro, um evento, com o editor do blog Filmes Antigos Club, eu, Paulo Telles, com uma persona ligada a Sétima Arte, seja ele um profissional, um cineasta de curtas, um blogueiro, ou simplesmente qualquer pessoa envolvida com a chamada Sétima Arte que merece destaque neste espaço, ou mesmo um amigo ligado ao editor.

O CINECLUBE pela ECR WEB e o meu convidado ilustre: Prof. José Eugênio Guimarães, editor do blog EUGÊNIO EM FILMES
No último dia 17 de dezembro, o editor do Filmes Antigos Club, em seu programa CINECLUBE, transmitida pela Escola de Rádio Web, através da Internet as dez da manhã, programa este destinado aos amantes do cinema e voltada para as mais inesquecíveis trilhas sonoras do cinema, recebeu um convidado ilustre em seu programa: O professor universitário, agrônomo, e sociólogo José Eugênio Guimarães, que é o editor do blog de cinema Eugênio em Filmes, que pode ser acessado em: http://cineugenio.blogspot.com.br/.

BLOG "EUGÊNIO EM FILMES"- Acesse: http://cineugenio.blogspot.com.br/
O professor Eugênio e o radialista Paulo Telles estavam há muito tempo com vontade de se conhecerem pessoalmente, visto que se conheceram pelo facebook em tantas comunidades e grupos ligados ao cinema que perceberam uma afinidade mútua por conta de tantos gostos relacionados à Sétima Arte. Além disso, ambos passaram a divulgar espaços um do outro em diversas destas comunidades, tarefa prazerosa esta que voltaremos a partir do próximo ano, visto que o blog Eugênio em Filmes é um espaço fantástico, primoroso, didático, e eclético.  Este encontro foi finalmente possível durante uma das edições de CINECLUBE, apresentado por mim, Paulo Telles.

O Editor deste espaço com o Professor Eugênio, nos estúdios da Escola de Rádio, no Catete.
Além de conversarmos ao longo de 90 minutos de programa a respeito de seu trabalho relacionado a sua devoção pela Sétima Arte, o Prof.Eugênio ainda falou sobre os motivos que o levaram a erguer tamanho monumento a cultura e a informação, com base em análises pessoais em escritos que vinha separando ao longo de 40 anos e que, por fim, resolveu dividir com leitores e amantes de todo o cinema. Ele aprendeu a amar o cinema graças aos seus pais, que o levaram para assistir na tela grande o clássico Marcelino Pão e Vinho (1955), filme espanhol dirigido por Ladislao Vajda e estrelado pelo menino Pablito Calvo. Eugênio tinha apenas dois anos de idade. 

John Ford
Com isso, o Professor Eugênio contou para o ouvinte do CINECLUBE como originou sua trajetória ao amor pelo cinema, onde ele traçou num bate papo descontraído com o apresentador suas referências cinematográficas principais, onde foi mencionado um dos maiores cineastas de todos os tempos: o Mestre John Ford (1895-1973), diretor favorito do convidado, que ainda realçou Orson Welles, Luchino Visconti, e o nosso Glauber Rocha. Como o programa de rádio web Cineclube é principalmente voltado para trilhas de cinema, foi perguntado ao ilustre convidado qual era seu compositor de cinema favorito, onde citados foram Max Steiner, Alfred Newman, Miklos Rozsa, e Bernard Herrmann, este último, músico favorito do Mestre do Suspense Alfred Hitchcook (1899-1980).

Satyajit Ray
O professor Eugênio, demonstrando muita simpatia durante toda a entrevista, falou também de seu passado de cineclubista. Foram também abordadas muitas de suas publicações no espaço EUGENIO EM FILMES, como o filme A Esposa Solitária, do cineasta indiano (já falecido)  Satyajit Ray, e suas impressões sobre o filme Casa de Bambu, de Samuel Fuller, produzido em 1955 e estrelado por Robert Ryan (1909-1973), que na percepção do convidado de Cineclube, é um dos atores mais fenomenais de todos os tempos.

Morador de Niterói/Rj, o Professor José Eugênio Guimarães atravessou a baía de Guanabara aceitando o convite deste apresentador e editor do blog Filmes Antigos Club, para o programa Cineclube, nos estúdios da ESCOLA DE RÁDIO WEB, que fica na Rua Pedro Américo, 147, Loja A – Catete, Rio de Janeiro, e dirigido pelo radialista Ruy Jobim. Alegremente, amigos em comum deixaram suas mensagens pelo facebook com relação à entrevista do professor e amigo, que muito nos satisfez e que, em primeira mão, serão mencionados neste tópico, como a Sandra Brito Paiva, Miquito Mendes Ziembinsk, Samir de Araujo, Edivaldo Martins (CAW), Ary Ximendes, entre tantos, que nos deram o prazer de sua audiência.


Eu e o professor, no almoço no Amarelinho, Cinelândia
Este primeiro encontro (em breve com certeza teremos outros), após o final do programa, terminou com um almoço no tradicional bar e restaurante Amarelinho, na Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro. Falei Cinelândia? Pois é! No caminho eu e o ilustre professor falávamos sobre isto, afinal, só restou o nome, visto que o último cinema que fechou foi o ODEON, lugar onde vi meu primeiro espetáculo cinematográfico, King Kong, de 1977, versão com Jessica Lange, e entre outros, Os Imperdoáveis, de 1992, com Clint Eastwood, e  A Paixão de Cristo, em 2004, de Mel Gibson.

O "Tchau" em frente as Barcas para Niterói, a "Terra" do Professor e do Araribóia
Despedimos-nos a caminho das barcas, afinal o professor mora na Terra do Araribóia.
Professor Eugênio! Muito obrigado por permitir este encontro, pois além da amizade realça a interligação de nossos espaços que nos faz interagir com todos os amantes do cinema, e em especial, seus grandes clássicos.  Obrigado mais uma vez, meu amigo José Eugênio Guimarães! Sucesso para você em 2015 e para seu requintado blog, que por mim, já é considerada uma das dez melhores páginas pela internet sobre cinema no Brasil!

Paulo Telles


EM TEMPO

A PRIMEIRA MATÉRIA para 2015 será sobre a vida e a obra do sensacional RICHARD WIDMARK (1914-2008), que completaria neste fim de ano de 2014 seu centenário. Tudo sobre sua carreira, filmes, e filmografia principal serão destacados em um artigo especial sobre este ator.

O Próximo ano estará cheio de novidades no blog Filmes Antigos Club. Também será reeditada algumas matérias antigas, visto algumas curiosidades novas a respeito de cada uma delas.  Além disso, o editor tem propostas de interagir com os comentaristas. No próximo ano, em junho, o Filmes Antigos Club completará cinco anos on line

Homenagens serão feitas a ANTHONY QUINN, FRANK SINATRA, RITA HAYWORTH, que estariam fazendo seu centenário. MAUREEN O' HARA será também homenageada EM FEVEREIRO. LEE VAN CLEEF , que completaria 90 anos no próximo ano, será abordado pela colaboradora Sandra Brito Paiva. Enfim, muitas novidades esperam pelos leitores no ano vindouro.


Mensagem de fim de ano
Todo o dia é ano novo.
Todo dia é ano novo
Entre a lua e as estrelas
num sorriso de criança
no canto dos passarinhos
num olhar, numa esperança...
Todo dia é ano novo
na harmonia das cores
na natureza esquecida
na fresca aragem da brisa
na própria essência da vida.
Todo dia é ano novo
no regato cristalino
pequeno servo do mar
nas ondas lavando as praias
na clara luz do luar...
Todo dia é ano novo
na escuridão do infinito
todo ponteado de estrelas
na amplidão do universo
no simples prazer de vê-las
nos segredos desta vida
no germinar da semente.
Todo dia é ano novo
nos movimentos da Terra
que gira incessantemente.
Todo dia é ano novo
no orvalho sobre a relva
na passarela que encanta
no cheiro que vem da terra
e no sol que se levanta.
Todo dia é ano novo
nas flores que desabrocham
perfumando a atmosfera
nas folhas novas que brotam
anunciando a primavera.
Você é capaz, é paz
É esperança
Todo dia é ano novo
no colorido mais bel
odos olhos dos filhos seus...
Você é paz, é amora alegria de Deus.
Não há vida sem volta
e não há volta sem vida
no ciclo da natureza
neste ir e vir constante
No broto que se renova
na vida que segue adiante
em quem semeia bondade
em quem ajuda o irmão
colhendo felicidade
cumprindo a sua missão.
Todo dia é ano novo...portanto...feliz ano novo todo dia!

Autor Desconhecido


De repente num momento fugaz,
os fogos de artifício anunciam
que o ano novo está presente
e o ano velho ficou para trás.

De repente, num instante fugaz,
as taças se cruzam
e o champagne borbulhante anuncia que o ano velho se foi e o ano novo chegou.

De repente, os olhos se cruzam,
as mãos se entrelaçam
e os seres humanos,
num abraço caloroso,
num só pensamento,
exprimem um só desejo
e uma só aspiração:
PAZ e AMOR.

De repente , não importa a nação;
não importa a língua,
não importa a cor,
não importa a origem,
porque sendo humanos e descendentes de um só Pai,
lembramo-nos apenas de um só verbo: AMOR.

De repente, sem mágoa, sem rancor, sem ódio,
cantamos uma só canção,
um só hino:
o da LIBERDADE.

De repente, esquecemos e lembramos do futuro venturoso,

e de como é bom VIVER.

Autor Desconhecido


Desejo para todos os amigos, leitores, comentaristas, e seguidores, que o ano de 2015 seja repleto de realizações para todos, com muita saúde, paz e prosperidade. Abraços e até o ano que vem!


Votos de PAULO TELLES- EDITOR

sábado, 20 de dezembro de 2014

Revisitando "Os Dez Mandamentos", o esplendor de um clássico bíblico do mestre De Mille.


Uma revisita a grande obra prima de Cecil B. De Mille, realizada há  mais de 60 anos, que de fato, levou multidões as salas de cinema em todo mundo.

OS DEZ MANDAMENTOS (1956)
Uma das maiores superproduções da Sétima Arte dirigida por um dos grandes cineastas do século XX, ganhadora do Oscar de efeitos especiais, e com direito a curiosidades nunca antes reveladas.

Por Paulo Telles
“Um outro filme...ou outro mundo.”

Cecil B. DeMille
O diretor Cecil B. DeMille (1881-1959)

Por que gosto de filmar dramas bíblicos? Bom, a Bíblia sempre foi um Best Seller ao longo dos séculos, logo, por que eu iria desperdiçar dois mil anos de publicidade gratuíta?” – de fato, Cecil B. DeMille (1881-1959) não estava blefando quando divulgou isso em suas memórias. Seu último grande espetáculo épico, OS DEZ MANDAMENTOS (The Ten Commandments), em 1956, arrecadou somente nas bilheterias americanas 43 milhões de dólares.

A Primeira versão de OS DEZ MANDAMENTOS, dirigida pelo mesmo cineasta CECIL B. DeMILLE, em 1923
É correto dizer que com o cinema de Cecil B. De Mille, a Sétima Arte descobriu como a fé além de remover montanhas, também poderia produzir o milagre da multiplicação de renda. Em verdade, o mesmo diretor em 1923 já havia produzido e dirigido a mesma saga da libertação dos hebreus rumo a Terra Prometida, com Theodore Roberts (1861-1928) no papel de Moisés. Entretanto, esta versão era mais voltada para o tema moral do título, tanto que é dividida em duas partes: um prólogo contando brevemente a história de Moisés, desde as pragas do Egito, a morte do primogênito do Faraó, até o recebimento das Tábuas da Lei, e tudo isso num espaço de uma hora de filme; e um conto moral nos tempos contemporâneos, uma parábola sobre o bem e o mal, personificado por dois irmãos, numa clara alusão de Caim e Abel da Bíblia.


DeMille entrou para a História como sinônimo de espetáculo no sentido literal da palavra. Há muito, o cineasta sonhava em realizar o remake de Os Dez Mandamentos de maneira esplendorosa, mas para isso, precisava de ajuda dos executivos da própria Paramount, estúdio este que o próprio diretor ajudara a fundar. Um belo dia, DeMille se dirigiu à mesa dos “cartolas” da Paramount, e disse: “Vejam bem, eu faço o que me pedem durante anos. Já trouxe boa bilheteria para esta empresa, e agora é minha vez de vocês me ajudarem. Vou fazer um novo filme sobre os Dez Mandamentos e será filmado no Egito, e não sei quanto vai custar, mas quero que me deem cada centavo a investir ou nunca mais faço um filme para este estúdio”.



E novamente, o veterano cineasta não estava blefando. Cumprido o trato por parte da Paramount, DeMille começou a por mãos na massa, superando seus habituais excessos. Tornou-se o filme mais caro da história da Paramount, custando 13,5 milhões de dólares, mas acabou se tornando o maior êxito comercial do estúdio, que faturou 43 milhões de dólares só no mercado norte-americano.


Tornou-se também o mais longo filme da carreira de DeMille, 220 minutos (a versão de 1923 tinha 136 minutos), e o último de sua longa trajetória. E de quebra, o remake concorreu a sete Oscars (inclusive de melhor filme), mas acabou somente ganhando por efeitos especiais, obra do competente John P. Fulton (1902-1966), que curiosamente, já havia colaborado com  DeMille na versão de 1923, onde repetiu com os mais modernos efeitos especiais possíveis para 1956 a proeza de dividir o Mar Vermelho para que o grande líder Moisés (Charlton Heston) pudesse escapar com seu povo do exército do faraó Ramsés (Yul Brynner, 1915-1985) e atingir o Monte Sinai.



No seu “canto de cisne”, Cecil B. DeMille, contando com mais de 70 anos de idade, investiu em uma grande aventura ao ingressar pelos escaldantes desertos do Egito e escalar montanhas com seu superelenco e seus 25 mil extras. Durante a filmagem de uma das cenas no deserto, o cineasta sofreu um enfarte, mas não largou a produção. Em verdade, foi o sucesso de outro espetáculo bíblico do diretor, Sansão e Dalila, realizado em 1949 que motivou DeMille a uma remontagem da saga de Moisés.



Charlton Heston, sua esposa Lydia, e o pequeno Fraser, filho do ator, brincando com Cecil B. DeMille.
A primeira escolha para interpretar Moisés na segunda versão de DeMille foi o astro cowboy William Boyd (1895-1972), velho amigo do diretor e famoso por ser o destemido herói cowboy Hopalong Cassidy em dezenas de faroestes B das décadas de 1930 a 1950, entretanto ele recusou. Logo, veio a ideia do diretor em escolher um jovem e promissor ator com quem trabalhara dois anos antes, em um outro espetáculo que rendeu a ele não somente boa bilheteria, mas também o Oscar de melhor filme de 1952: O Maior Espetáculo da Terra (The Greatest Show on Earth). Este jovem era Charlton Heston, no esplendor de sua forma física aos 30 anos, casado e com um filho recém-nascido (que fez participação no filme como sendo o "bebê Moisés" encontrado pela filha do faraó, e que se tornaria o diretor Fraser Clark Heston). Além disso, Heston já era um ator contratado pela Paramount.


DeMille e o compositor ELMER BERNSTEIN
Inicialmente, o responsável pela trilha sonora de Os Dez Mandamentos seria Victor Young (1899-1956), que trabalhava com Cecil B. DeMille desde 1940, e para ele, compôs a bela trilha de Sansão e Dalila, em 1949. Entretanto, Young não pôde aceitar o convite para este novo trabalho, por motivos de saúde (pouco tempo depois, ele morreria por problemas de um acidente vascular cerebral), o que abriu espaço para a contratação do jovem Elmer Bernstein (1922-2004), que ficaria célebre em muitas outras composições para a Sétima Arte.



CHARLTON HESTON é MOISÉS

DeMille e sua equipe fez um estrondoso trabalho de estudo e pesquisa para a elevação desta obra cinematográfica, pois foram analisados 1.900 livros, colecionando 3.000 fotos, além de pesquisas em mais de 30 bibliotecas nos Estados Unidos, Europa, África e Austrália. DeMille ainda visitou o Vaticano para algumas pesquisas e avistou a famosa estátua de Moisés, de autoria de Michelangelo. Ele viu uma ligeira semelhança entre a famosa escultura renascentista com a fisionomia do ator Charlton Heston, e de fato, chega a ser verdadeiramente impressionante.


O Príncipe Moisés (Heston) e seu irmão adotivo, e inimigo, o Príncipe Ramsés (Yul Brynner)
Teste de visual de Heston para compor Moisés em sua fase de Príncipe do Egito. DeMille sugeriu que fosse raspada a cabeça do ator conforme a cultura egípcia, contudo não foi avante.
"Chuck" levantando seu filho Fraser, que se prepara para viver o bebê Moisés aos três meses de idade
Rodado no Egito e em estúdios de Paris e Hollywood, a também no México, as filmagens começaram em outubro de 1954 no Sinai e a montagem consumiu nove meses. Só um ano foi à preparação do roteiro, escrito a seis mãos. O fotógrafo Lloyal Griggs (1906-1978), o mesmo de Shane (Os Brutos Também Amam, de George Stevens, 1953), movimentou quatro câmeras Panavision frente a doze mil extras para a sequência do Êxodo. Além disso, foram usados doze estúdios em Paris e outros dezoito em Hollywood antes que todo filme rodado ainda ficasse nove meses nas salas de montagem até que pudesse estrear, enfim, a 5 de outubro de 1956, nos Estados Unidos.
A Noite de Estreia de OS DEZ MANDAMENTOS, em outubro de 1956- Charlton Heston e Cecil B. DeMille recepcionam Clark Gable e Senhora.
CECIL B. DeMille junto a seus dois astros principais: Yul Brynner e Charlton Heston.
SAL MINEO visita Yul Brynner no set de filmagem, em Hollywood
OS DEZ MANDAMENTOS foi uma ocasião de grande evento em seu lançamento nos Estados Unidos. Os jornalistas ansiosos e extasiados perante tal monumento a cinematografia mundial logo perguntaram a DeMille qual seria seu próximo projeto. O diretor, de 75 anos de idade, respondeu: “Um outro filme...ou outro mundo!”.

Debra Paget e um..."extra"
DONALD O' CONNOR visita Charlton Heston durante as filmagens em Hollywood
John Derek e Charlton Heston, malhando numa academia aos fundos do estúdio em Hollywood, durante as filmagens.
De fato, De Mille projetava em 1958 realizar o remake de um de seus grandes sucessos, Lafite, o Corsário (1938, com Fredric March), mas problemas cardíacos impediram-no de prosseguir, entregando a direção da refilmagem ao seu então genro, o ator Anthony Quinn.  Cecil B. DeMille morreria a 21 de janeiro de 1959, aos 77 anos de idade, e sua história mesmo se confunde com a própria origem do cinema.


Moisés (Charlton Heston) ainda na côrte egípcia
Ramsés, já como o Faraó, numa brilhante e imortal atuação de Yul Brynner
Este grande espetáculo se inicia quando o Faraó Ramsés I (Ian Keith, 1899-1960), ordena a matança dos meninos recém-nascidos para evitar o nascimento de um libertador. Uma mulher, Yochabel (Martha Scott, 1912-2003) salva seu filho que é adotado pela irmã do faraó, Bitiah (Nina Foch, 1924-2008), e cresce como herdeiro do trono.


Sentado, o faraó Sethi (Sir Cedric Hardwicke) observa os filhos em competição.
Sephora (Yvonne DeCarlo), a esposa de Moisés
Moisés e seu sogro, o pastor e sacerdote Jethro (Eduard Franz)
Moisés enfrenta Ramsés
Torna-se este menino Moisés (Charlton Heston), braço-direito de Sethi (Cedric Hardwicke, 1893-1964), enciumando o filho legítimo deste, Ramsés (Yul Brynner, em um desempenho fantástico). Descoberta sua origem hebraica graças às conspirações de Ramsés, Moisés é banido da corte. Casa-se com Séphora (Yvonne De Carlo, 1922-2007), filha do pastor Jethro (Eduard Franz, 1902-1983). Anos depois, Moisés recebe do Sinai a missão divina de voltar ao Egito e libertar o povo hebreu da escravidão.

A Rainha Nefretiri e o Faraó Ramsés

Moisés, o Legislador
H. B. Warner
A Abertura do Mar Vermelho - Oscar de efeitos especiais
Apesar de todas as excentricidades, DeMille era generoso com colegas e amigos de profissão, e chamou muitos deles para participar da refilmagem de seu filme, como a atriz Julia Faye (1893-1966), que participou na primeira versão no papel desempenhado por Anne Baxter  na segunda – como também o ator H.B.Warner (1876-1958), que desponta em seu último filme. Warner interpreta um senhor de idade que pede para morrer durante a sequência do êxodo dos hebreus pelo deserto. Ele foi o Cristo de O Rei dos Reis (The King of Kings), outra obra do cineasta realizada em 1926.

Edward G. Robinson é Dathan, o vilanesco renegado hebreu
Nefretiri (Anne Baxter) - apaixonada por Moisés
Josué (John Derek) e sua amada Liliam (Debra Paget)
Vincent Price é Baka, engenheiro egípcio, morto por Moisés
Woody Strode, como o Rei da Etiópia
Elenco all-star em que despontam ainda Edward G. Robinson (1893-1973) como o renegado Dathan; Vincent Price (1911-1993) como Baka, que é morto por Moisés; Anne Baxter (1923-1985) como a Rainha Nefretiri; John Derek (1924-1998), no papel de Josué;  Debra Paget, como Liliam, esposa de Josué; A Dama do Teatro americano Judith Anderson (1897- 1972), como Memnet; John Carradine (1906-1988) como o irmão de Moisés, Aaron; Douglass Drumbille (1889-1974) como o sacerdote egípcio Jannes; e Olive Deering (1918-1986) no papel de Miriam, irmã de Moisés. Detalhes para as participações de Woody Strode (1914-1994, este em dois papéis, um como o Rei da Etiópia e outro como um escravo), Robert Vaughn e Clint Walker.

Dathan pronto a sacrificar Liliam no "Bezerro de Ouro"
Anúncio de OS DEZ MANDAMENTOS num jornal carioca
No Brasil, OS DEZ MANDAMENTOS ficou em cartaz por quase 20 anos seguidos em salas de cinema por todo o Brasil (estreou no Brasil a 4 de janeiro de 1957 e em 1983 foi exibido no extinto Cine Vitória, no centro do Rio de janeiro), sempre em reprises nas épocas de Semana Santa, Páscoa ou Natal. Uma fita eletrizante que chama a atenção até os dias de hoje, graças ao esplendor de um grande cineasta, um roteiro inteligente, e um elenco que celebra o glamour da época dourada de Hollywood.


Ficha tecnicA

OS DEZ MANDAMENTOS 
(The Ten Commandments)

Pais: Estados Unidos

Ano: 1956

Gênero: Épico Bíblico

Direção: Cecil B. DeMille

Roteiro: Aeneas MacKenzie, Jesse Lasky Jr., Jack Gariss, Fredric Frank

Produção: Cecil B. DeMille, para a Paramount Pictures

Música: Elmer Bernstein

Coreografia: LeRoy Prinz, Ruth Godfrey

Fotografia: Loyal Griggs

Edição: Anne Bauchens

Direção de Arte: Hal Pereira, Walter H. Tyler, Albert Nozaki

Guarda-Roupa: Edith Head, Charles Davies e outros

Maquiagem:  Wally Westmore, Frank McCoy, Frank Westmore

Efeitos Sonoros:  Harry Lindgren, Gene Garvin, Louis Mesenkop

Efeitos Especiais: William Sapp, Charles Davies e outros

Efeitos Visuais: Farciot Edouart, John P. Fulton

ELENCO
Charlton Heston - Moisés
Yul Brynner - Ramsés II
Anne Baxter - Nefretiri
Edward G. Robinson - Datã
Yvonne De Carlo - Séfora, filha de Jetro e esposa de Moisés
Debra Paget - Lilia
John Derek - Josué
Cedric Hardwicke - Seth
John Carradine - Aarão, irmão de Moisés
Nina Foch - Bítia, filha do faraó que adota Moisés
Martha Scott - Jocabed, mãe de Moisés e Aarão
Judith Anderson - Memnet, serva de Bítia
Vincent Price - Baka
Olive Deering - Miriam, filha de Jocabed
Eduard Franz - Jetro, sogro de Moisés
Lisa Mitchell - Filha de Jetro
Noelle Williams - Filha de Jetro
Joanna Merlin - Filha de Jetro
Pat Richard - Filha de Jetro
Tommy Duran - Gershom
Ian Keith - Ramsés I
Woody Strode - Rei da Etiópia/escravo
Donald Curtis - Mered
Lawrence Dobkin - Caleb
H.B. Warner - Aminadab
Julia Faye- Elisheba
Kathy Garver- Raquel
Francis McDonald – Simão
Douglass Dumbrille - Jannes
Henry Wilcoxon - Pentaur
Frank Wilcox - Wazir
Robert Vaughn - Hebreu
Frank DeKova - Abiron
Paul De Rolf - Eleazar
Ramsay Hill - Korah
PREMIOS

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood.

Oscar de Melhores Efeitos Especiais
  
INDICAÇÕES

Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA

Oscar de Melhor Fotografia

Oscar de Melhor Filme

Oscar de Melhor Direção de Arte

Oscar de Melhor Edição

Oscar de Melhor Figurino

Oscar de Melhor Gravação de Som

Prêmios Globo de Ouro, EUA

Prêmio de Melhor Ator em um Drama 
(Charlton Heston)
  
Círculo dos Críticos de Cinema de Nova York, EUA

Distribuído pela PARAMOUNT PICTURES- a Marca das Estrelas.

Paulo Telles
Produção e Pesquisa
Revisto em 2 de outubro de 2018
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