sábado, 13 de dezembro de 2014

E o Vento Levou – Revisitando uma obra prima do Cinema.


“O Filme mais famoso e mais visto na História do cinema.  Foi assim que a Rede Globo exibiu na TV, em 1983, um especial as vésperas de seu lançamento pela televisão intitulado A História de E O VENTO LEVOU. Sem dúvida, sua estreia na TV brasileira (em duas partes) foi um evento inédito por aqui, mas não para aqueles que assistiram a este grande alicerce do cinema na grande tela, visto que este ano, esta grande obra prima da Sétima Arte completou em dezembro de 2013 seus 75 anos de lançamento, em Atlanta, Estados Unidos. Uma retrospectiva deste espetáculo se faz necessária, visto ser um dos mais esplendorosos e importantes filmes de todos os tempos, cuja saga de sua realização é tão épica quanto à própria fita.

Por Paulo Telles.


E O VENTO LEVOU, superprodução de David O’ Selznick (1902-1965), continua sendo até hoje um dos maiores campeões de bilheteria de todos os tempos. Desde 1939, o ano de seu lançamento, segundo cálculos à base do chamado Dólar Constante (que é corrigido monetariamente), a película já arrecadou o equivalente a 321 milhões de dólares, enquanto que Guerra nas Estrelas, o segundo colocado, aparece abaixo, com 272 milhões, pelo menos até 1983. Provavelmente hoje estes números estão defasados.

David O' Selznick
Ao ser transmitido pela primeira vez na TV americana, pela cadeia NBC de televisão, em 7 e 8 de novembro de 1976, tornou-se também o filme de maior audiência já registrada até então pela TV dos Estados Unidos: 47.7 pontos de rating, o ibope americano.



Ao ser lançado, há 75 anos, era a produção mais cara de sua época (4 milhões e 250 mil dólares) e também o filme mais longo do cinema até aquele momento, com suas 3 horas e 43 minutos de projeção.

MARGARET MITCHELL, a autora do Best Seller E O VENTO LEVOU
Vivien Leigh e Hattie McDaniel, numa cena de E O VENTO LEVOU
HATTIE McDANIEL, a primeira atriz negra indicada e premiada pela Academia de Hollywood.
Arquitetado a partir do estrondoso best seller  de Margaret Mitchell (1900-1949), lançado a 30 de junho de 1936, e vendeu até hoje 28 mil exemplares, sendo traduzido em 28 línguas (o romance foi escrito entre os anos de 1926 a 1929), E O VENTO LEVOU bateu ainda o recorde de Oscars conquistados, no total de oito: melhor filme, melhor atriz (Vivien Leigh, 1913-1967), melhor diretor (Victor Fleming, 1889-1949, sendo o único cineasta creditado, embora tenha dirigido apenas 45%¨das cenas. Os demais que também dirigiram mas não tiveram os créditos devidos foram Sam Wood, George Cukor, e William Cameron Menzies, além também do próprio David O’ Selznick), melhor roteiro adaptado (Sidney Howard, que morreu quatro meses antes do lançamento do filme, sendo o único creditado entre doze roteiristas, entre os quais incluíam F. Scott Fitzgerald), foto a cores, atriz coadjuvante (Hattie McDaniel, 1895-1952, a primeira atriz negra a ser indicada e a receber um premio da Academia de Cinema), melhor cenografia e melhor montagem.


E O VENTO LEVOU ainda ganhou três prêmios da Academia de Hollywood: O prêmio Irving Thalberg Memorial para David O’ Selznick, por sua coordenação para a produção dado a sua empresa, Selznick Internacional; e um premio especial a William Cameron Menzies (1896-1957) pelos desenhos de produção, e um prêmio especial para a britânica Vivien Leigh, recebendo ainda mais um prêmio de melhor atriz pela crítica de Nova York.


Sidney Howard
David O’ Selznick contratou o consagrado escritor Sidney Howard (1891-1939) para condensar as 1.037 páginas do estrondoso livro (precisando da colaboração de outros onze roteiristas), já que o romance é detentor do Prêmio Pulitzer de 1937. Outros membros vieram a compor a equipe: George Cukor, amigo pessoal de Selznick e o desenhista de produção William Cameron Menzies

A ESCOLHA DO ELENCO E A BUSCA PELA SCARLETT



Sellznick já estava martelando as ideias para saber quem poderia interpretar os papéis centrais. Para Rhett Butler, o personagem viril que arrebatava os corações femininos das moças do Sul, ele pensou inicialmente em Gary Cooper, Ronald Colman e Errol Flynn,  enquanto Basil Rathbone era o preferido da autora do livro, Margaret Mitchell. Contudo o escolhido pelo público foi Clark Gable (1901-1960). De fato, nenhum outro ator de sua época se encaixaria melhor do que ele como o cínico aventureiro Rhett Butler, amoral e sedutor, mas que ao mesmo tempo demonstrava humanidade.






Para o papel de Ashley Wilkes, Selznick tinha apenas um ator em mente, Leslie Howard (1893-1943). Howard só aceitou a parte quando lhe foi assegurada uma participação como produtor associado em Intermezzo, uma História de Amor / Intermezzo, a Love Story / 1939. A contratação de uma atriz para Melanie não tardou, pois Olívia de Havilland (a única ainda viva do cast principal) logo ganhou o papel, sucedendo a Maureen O’ Sullivan, Janet Gaynor, Marsha Hunt, Geraldine Fitzgerald, Priscilla Lane, Dorothy Jordan, Frances Dee, Ann Shirley, e a irmã de Olívia, Joan Fontaine, na lista de candidatas.


Faltava apenas escolher a intérprete de Scarlett O’ Hara. A primeira cogitada, Norma Shearer, recusou o convite. A seguir, uma constelação de estrelas (Bette Davis, Tallulah Bankhead, Miriam Hopkins, Joan Crawford, Claudette Colbert, Margaret Sullavan, Carole Lombard, Jean Arthur, Loretta Young, Katharine Hepburn, Ann Sheridan Joan Bennett, e Paulette Goddard, esta quase escolhida), algumas novatas, como Lucille Ball e Doris Davenport, fizeram testes para o papel da indomável personagem.



A fim de conseguir Clark Gable, Selznick teve de entrar em acordo como seu então sogro, Louis B. Mayer. A Metro cederia o seu astro, entraria com uma participação no valor da metade dos dois milhões e 250 mil dólares e, em troca, seria responsável pela distribuição e receberia 50% dos lucros. Em 1944, a marca do leão adquiriu direitos totais sobre o filme.





Para a trilha sonora de E O VENTO LEVOU, Selznick recorreu ao compositor vienense Max Steiner (1888-1971), verdadeiro precursor da utilização de partituras sinfônicas como acompanhamento de diálogos e a ele confiou o departamento musical do seu estúdio. O ano de 1939 foi o mais ativo da carreira de Steiner, pois ele criou nada menos que doze partituras para filmes, inclusive a de…E O Vento Levou, uma das mais longas já concebidas para uma película (apenas 30 dos 222 minutos não possuem comentário musical). Cada personagem mereceu um tema, o mesmo acontecendo com os três relacionamentos amorosos. Algumas canções sulistas e hinos patrióticos foram adicionados mas, predominante, é o “Tema de Tara”, motivo central da trama.



As filmagens começaram bastante tumultuadas a 10 de dezembro de 1938, nos velhos estúdios da RKO-Pathé, em Culver City, mas não havia ainda a atriz para Scarlett O’ Hara. Sob a direção de William Cameron Menzies, encenou-se diante das câmeras Technicolor a sequência do incêndio de Atlanta, com a utilização de antigos cenários (de King Kong / King Kong / 1933, Jardim de Alá / Garden of Allah / 1936, etc.), disfarçados com falsas fachadas. Sete câmeras Technicolor fotografaram os dublês dos personagens de Rhett e Scarlett em planos médio e geral com o fogo ao fundo. Foi necessário filmar esta cena antes do verdadeiro início da produção, a fim de limpar a área para a construção do cenário de Tara, partes de Atlanta e vários outros exteriores.




David O' Selznick, em reunião com Leslie Howard, Vivien Leigh, e Olivia De Havilland
A imprensa e a sociedade local estavam presentes e Selznick aguardava ansioso a vinda do irmão Myron, que chegou acompanhado do ator Laurence Olivier e sua namorada Vivien Leigh, uma jovem e promissora atriz inglesa. A apresentação de Vivien por Myron tornou-se célebre: “Quero que conheça Scarlett O’Hara”. A busca por Scarlett O’ Hara chegara ao fim.




A escolha de Vivien Leigh para o papel não podia ser mais certeira; Scarlett se tornou inesquecível. arrogante, fútil, vaidosa, mas também era uma mulher de uma força inquebrantável, capaz de tudo, até enfrentar soldados inimigos para defender sua família e sua casa da fazenda Tara. Tão corajosa até mesmo de se casar três vezes sem amor. Mas, mesmo sendo tão esperta, chega a ser burra, não sendo capaz de reconhecer e conservar o verdadeiro amor de sua vida, Rhett Butler.

O INÍCIO DAS FILMAGENS
George Cukor
As filmagens propriamente ditas após a escolha da atriz principal começaram a 26 de janeiro de 1939. George Cukor (1900-1983) deu início às filmagens, mas foi dispensado a pedido de Clark Gable, que teria se incomodado com o fato de Cukor ser homossexual e ser conhecido como grande diretor de mulheres, contudo o cineasta continuou assessorando Vivien e Olivia secretamente.





Cukor só dirigiu cerca de 5% do filme, incluindo as seguintes cenas: a de abertura com Scarlett e os gêmeos Tarleton (um deles vivido por George Reeves, o futuro Superman da TV dos anos 50); Mammy amarrando o espartilho de Scarlett antes do churrasco; Rhett visitando Scarlett com o chapéu parisiense; Scarlett ajudando o parto de Melanie; Scarlett enfrentando o desertor nortista; Scarlett sentada na escada ao lado de soldados sulistas sobreviventes dos campos de batalha.
Victor Fleming
Vivien Leigh, Clark Gable, e Victor Fleming
Com a finalidade de agradar Clark Gable, Selznick forneceu-lhe uma lista de nomes de diretores disponíveis para ocupar o lugar de Cukor: King Vidor, Jack Conway, Robert Z. Leonard e Victor Fleming. Sem vacilar, o astro da Metro optou por Fleming, que estava ocupado com O Mágico de Oz / The Wizard of Oz / 1939 e teve de deixar as últimas duas semanas de trabalho aos cuidados de King Vidor, responsável pela sequência de Judy Garland cantando Over the Rainbow.

Sam Wood
Fleming teve um colapso nervoso durante as filmagens e foi substituído por Sam Wood (1883-1949), que assumiu a direção a 1º de maio, iniciando seus 15% de participação no filme. Quando Victor Fleming recuperou-se e voltou, os dois diretores continuaram na direção, mas em horas e sets diferentes.



Somente Fleming recebeu crédito pela direção o que, curiosamente, acarretou-lhe certa antipatia, sobretudo por ter aceitado substituir Cukor.  O roteirista John L. Mahin, um dos colaboradores do Script, desmentiu que eles não se dessem bem, lembrando que ouvira Fleming dizer várias vezes: “George poderia ter realizado um trabalho tão bom quanto o meu. Ele provavelmente faria melhor as cenas intimistas. Acho que me dei bastante bem com o material mais espetaculoso”.





As filmagens terminaram a 1º de julho de 1939, e Selznick tinha diante de si uma montanha de celulóide revelado – cerca de 60.000 metros de filme, equivalente a 28 horas de projeção. Trancado dia e noite com o editor Hal C. Kern e seu assistente James Newcom, o produtor montou o filme sem consultar nenhum dos diretores que nela tomaram parte e ordenou a filmagem de cenas adicionais, como aquela em que Scarlett se esconde debaixo da ponte numa tempestade, enquanto uma tropa da União passa sobre a mesma. Sob o comando de Victor Fleming, a cena de abertura foi mais uma vez encenada. A montagem final redundou em 4 horas e 25 minutos de projeção. Efetuaram-se novos cortes e o filme terminou com a duração de 3 horas e 43 minutos.



Em novembro do mesmo ano, Selznick convenceu o chefe da censura, Will Hays, a deixar passar a famosa frase final de Rhett Butler (“Frankly, my dear, I don’t give a damn” – Francamente querida, eu pouco me importo”). A palavra damn era considerada pesada na época, mas o produtor conseguiu sua liberação.


A Noite de Gala de E O VENTO LEVOU, em sua première a 15 de dezembro de 1939, em Atlanta.

Vivien Leigh, Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do romance), David O' Selznick e Olivia De Havilland.
A première teve lugar em Atlanta na noite de 15 de dezembro de 1939, com a frente do cinema Lowe’s Grand decorada como a mansão de Twelve Oaks. O Governador da Geórgia, E. D. Rivers, decretou feriado estadual em virtude do lançamento de um filme. Para não ficar atrás, o Prefeito de Atlanta, William B. Hartsfield, programou três dias de festividades, substancialmente patrocinadas pela Metro. A imprensa estimou em um milhão o número de pessoas aglomeradas na cidade – então habitada por 500 mil cidadãos – no dia da estreia de…E O Vento Levou.



Clark Gable chega a estreia em Atlanta acompanhado por sua bela esposa, a atriz Carole Lombard
Ronald Colman e senhora, acompanhados por Vivien Leigh e seu marido Laurence Olivier.

Clark Gable, Margaret Mitchell (autora do Best Seller) e Vivien Leigh na noite de gala de estreia do grande épico, a 15 de dezembro de 1939.

E O VENTO LEVOU NO BRASIL

Segundo informações do notável Mestre A. C Gomes de Mattos em seu blog HISTÓRIAS DE CINEMA, E O VENTO LEVOU estreou na Cidade Maravilhosa a 12 de setembro de 1940, às 20h45m, no Cine Metro do Rio de Janeiro (na ocasião só existia o da Rua do Passeio), numa avant-première de gala, sob o patrocínio da Sra. Darcy Vargas, em benefício da Cidade das Meninas.


Divulgação de um jornal na época de sua estreia no Brasil.
Com os 1.400 lugares inteiramente ocupados, no único intervalo da sessão, às 23 horas, o príncipe D. João de Orleans e Bragança, auxiliado pelas Srtas. Perla Lucena e Maria da Penha Affonseca e pelo Sr. Carlos de Laet, coordenou o leilão de exemplares da obra de Margareth Mitchell, autografados pelos astros principais e em rica encadernação oferecida pela Casa Vallele.

Na plateia, conforme um jornal da época, “a mais brilhante representação do nosso oficialíssimo Corpo Diplomtático e a elite patriota”, além do galã John Boles que, de passagem pela cidade, fez questão de participar da festa. No mesmo dia, diretamente de Hollywood, numa transmissão da A Hora do Brasil, servindo de locutor Luis Jatobá, Clark Gable, Vivien Leigh, e o produtor Selznick saudaram D. Darcy e contaram alguns detalhes da filmagem.


Relançamento do filme em São Paulo, nos anos de 1970

E O VENTO LEVOU ainda foi levado em cartaz as salas de exibição por quase 40 anos em reprises nos extintos cinemas de rua em todo Brasil, numa época em que ainda não tinhamos videocassetes (ou pelo menos muitos ainda não tinham acesso), locadoras de vídeo, DVDS ou TVS por assinatura.



SEM DÚVIDA, E O VENTO LEVOU É um clássico imortal da antiga Hollywood, o filme mais famoso e o mais popular da história do cinema, símbolo da usina de sonhos em seus dias de fausto e glória, a maior prova viva do poder mágico da Sétima Arte, capaz mesmo de arrebatar multidões até os dias de hoje, conquistando cinéfilos da nova geração. Enfim, uma turbulenta história de amor que enferveceu e vem enfervecendo plateias de todo mundo.



FICHA TÉCNICA
E O VENTO LEVOU-
GONE WITH THE WIND
Pais:  Estados Unidos
Ano: 1939
Gênero: Romance, Guerra Civil
Direção: Victor Fleming
Roteiro: Sidney Howard
Produção:   David O. Selznick
Design Produção: William Cameron Menzies
Música Original:   Max Steiner
Fotografia:  Ernest Haller, Ray Rennahan
Edição: James E. Newcom, Hal C. Kern
Direção de Arte:   Lyle R. Wheeler
Figurino: Walter Plunkett
Guarda-Roupa: Edward P. Lambert, Michi Okubo, Edward Maeder
Maquiagem: Sydney Guilaroff, Monte Westmore
Efeitos Sonoros:   Fred Albin , Arthur Johns, Thomas T. Moulton e outros
Efeitos Especiais: Jack Cosgrove, Lee Zavitz
Efeitos Visuais: Haller Belt, Jack Shaw, Clarence Slifer e outros


ELENCO
Clark Gable- Rhett Butler
Vivien Leigh-Scarlett O'Hara
Olivia de Havilland -Melanie Hamilton
Hattie McDaniel- Mammy
Thomas Mitchell- Gerald O'Hara
Leslie Howard- Ashley Wilkes
Evelyn Keyes - Suellen O'Hara
Jane Darwell -Sra. Dolly Merriwether
Barbara O'Neil- Ellen O'Hara
Ward Bond -Tom, Capitão ianque
Ann Rutherford-Carreen O'Hara
Harry Davenport   Dr. Meade
Victor Jory-  Jonas Wilkerson, o capataz
Lillian Kemble Cooper- Cathleen Calvert
Laura Hope Crews -Tia Pittypat Hamilton
George Reeves- Stuart Tarleton
Ona Munson- Belle Watling
Mary Anderson- Maybelle Merriwether
Leona Roberts- Sra. Meade
Mickey Kuhn- Beau Wilkes
Butterfly McQueen- Prissy
Howard C. Hickman- John Wilkes
Alicia Rhett- India Wilkes
Rand Brooks- Charles Hamilton
Carroll Nye- Frank Kennedy
Cammie King- Bonnie Blue Butler
Fred Crane- Brent Tarleton
Oscar Polk- Pork
Eddie Anderson- Tio Peter
Robert Elliott-Major ianque.

DISTRIBUÍDO PELA METRO GOLDWYN MAYER

Produção e Pesquisa de PAULO TELLES

14 comentários:

  1. Nos anos oitenta os grandes e as minisséries eram exibidas na tv aberta como atrações principais das emissoras. Eram grande eventos que davam enorme audiência.

    Com a popularização do VHS, depois do DVD e agora a internet, a tv aberta perdeu sua força em relação a exibição de filmes.

    Abraço

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    1. Olá Hugo
      Realmente! Os anos de 1980 foram muito promissores em matéria de lançamentos de filmes então INÉDITOS na TV, como foi o caso de E O VENTO LEVOU. Nesta época, estrearam SETE HOMENS E UM DESTINO, OS DOZE CONDENADOS, CANTANDO NA CHUVA, O MÁGICO DE OZ, OS DEZ MANDAMENTOS, REI DOS REIS, INFERNO NA TORRE, e muitos outros, num tempo que o videocassete e as locadoras de vídeo estavam dando seus primeiros domínios e as TVS por assinatura ainda não existiam, muito embora não demorasse a entrarem em ação. O VHS terminou e entrou o DVD e o Blu Ray.

      Hoje, se uma TV aberta divulga um “filme inédito”, soa quase que ridículo, visto que a TV por assinatura já exibe um determinado filme lançado no cinema depois de cinco ou seis meses (e contando com seus lançamentos em DVD), e a grande maioria já assistiu ou reassistiu. Definitivamente, eram OUTROS TEMPOS...OUTROS VENTOS!

      Abraços do editor.

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  2. MEU NOBRE AMIGO, SOU MUITO SUSPEITO PARA ESCREVER SOBRE O ÉPICO...E O VENTO LEVOU, O QUAL, COM A DEVIDA VÊNIA, CONSIDERO O MAIOR FILME DE TODOS OS TEMPOS. ESTE FILME ME MARCOU TANTO, QUE A MINHA FILHA SE CHAMA VIVIEN SCARLETT...

    ....E O VENTO LEVOU

    ENTRE OS MAIORES - NO ANO GLORIOSO DO CINEMA ESTUNIDENSE - ...E O VENTO LEVOU, É O MAIOR DE TODOS.
    Espetacular, Esplendoroso, Monumental, Fantástico, com estes adjetivos, podemos afirmar e reafirmar que ...E O VENTO LEVOU, é o Primus Inter Pares, bem como podemos afirmar e reafirmar que a performance de Vivien Leigh é a melhor e a maior performance da Sétima Arte. Vivien Leigh, como Scarlett O'Hara está simplesmente soberba - uma maravilha. Pela primeira vez o cinema pôde nos mostrar e apresentar a mulher como sujeito na ação e não como mero objeto, como até então era mostrado...
    O elenco de ...E O VENTO LEVOU é sensacional, onde podemos destacar as atuações marcantes de Clark Gable, Leslie Howard, Olivia de Havilland, Thomas Mitchell, Hattie McDaniell e Butterfly McQueen.
    ...E O VENTO LEVOU é mais valorizado ainda porque teve concorrentes de alto quilate. Alias o ano de 1939 foi denominado pela crítica cinematográfica como o ano glorioso do cinema estadunidense, pois foi um dos anos mais rico da criação cinematográfica em toda a história de Hollywood. ...E O VENTO LEVOU teve como concorrentes na categoria de melhor filme: Adeus, Mr. Chips(Goodbye, Mr. Chips) de Sam Wood, Carícia Fatal( Of Mice and Men), Lewis Milestone, Duas Vidas(Love Affair), de Leo McCarey, O Mágico de Oz(The Wizar of Oz), de Victor Fleming, O Morro dos Ventos Uivantes(Wuthering Heights), de William Wyler. A Mulher Faz o Homem(Mr. Smith Goes to Washington), de Franck Capra. Ninotchka(Ninotchka), de Ernst Lubtsch. Vitória Amarga(Dark Victory), de Edmund Gouldin. No Tempo das Diligências(Stagecoach), de John Ford. O mais curioso ainda, é que até os dias de hoje, são considerados como clássicos da Sétima Arte. É o caso específico de No Tempo das Diligências, que, a par de ser um dos maiores westerns de todos os tempos, ainda teve o mérito de introduzir no gênero o estudo do caráter humano. Isso graças ao excelente roteiro de Dudley Nichols que ousou apresentar como personagem central feminina uma prostituta, interpretada por Claire Trevor. Além de catapultar a carreira de John Wayne, tornando-o um astro de primeira grandeza. Após esse trabalho John Wayne tornou-se símbolo da virilidade do homem estadunidense e um nome freqüente nas listas dos atores campeões de bilheteria, especializando em filmes de ação, aventuras e westerns.

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    1. Fala nobre Coronel Lancaster!

      Realmente o ano de 1939 foi muito produtivo na saga das produções em Hollywood. Todos os filmes que vc mencionou e concorreram ao Oscar foram brilhantes, mas a “menina dos olhos” naquele momento era E O VENTO LEVOU, tanto que nem John Wayne e John Ford puderam sobrepuja-lo, visto que também é um grande filme, sendo um estudo acurado como vc bem disse sobre o caráter humano e a hipocrisia da sociedade.

      Abraços nobres do editor ao Coronel!

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  3. Telles,

    Imaginar que vi a ...E O Vento Levou tão cedo em minha vida que jamais poderia imaginar que todo aquele conteúdo se dava em razão da mais sangrenta guerra civil que a Historia conhece, segundo minha visão.

    Assistia o filme porque tinha grandes astros, pelo titulo, por não perder nada que o cinema passava e por sua beleza, e não por seu conteúdo, ou por sua historia baseada num acontecimento triste e por demais sangrento.

    Imaginar que em 1940 haviam cinemas com 1400 lugares!
    Mas ainda alcancei, lá pelos meados dos anos 1950, quando vi ...E O Vento Levou num dos cinemas locais, cinemas com bastante assentos (coisa de 600 poltronas), fato hoje reduzido apenas a pequenas salas de shopíngs e com reduzidíssimos números de lugares.

    Realmente o filme do Fleming foi, é, e continuará sendo um divisor de águas na cinematografia mundial, já que as novas gerações o seguirão assistindo e amando do mesmo modo que nós, que também não somos da geração do nascimento da pelicula.

    Um fato que me chamou a atenção nesta bela leitura, foi o fato da Margareth Mitchel viver apenas 49 anos, assim como seu romance ter sido concluido em 1929 e somente em 1936, sete anos depois, vir a ser publicado.

    Um outro detalhe que captei na dissertação do amigo Telles foi que, na primeira versão que vi o final era dito assim pelo Gable (Reth); "A mim, minha querida esposa, você não interessa mais".

    Desde então nunca mais percebi esta mesma frase no final do filme, o que credito às dublagens diferentes e os termos que colocam ao seus bel prazer, porque a frase que citas eu jamais tornei a ouvir em qualquer das vezes que voltei a assisti à pelicula.

    De qualquer modo falamos de um estrondoso sucesso mundial e filme que, se hoje ainda causa impactos, podemos muito bem imaginar como foi recebido em 1939.

    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Salve nobre baiano!

      De fato, as traduções variam devido a livre interpretação. Na verdade, o termo “damn”, considerada pesada pelo código de censura hollywoodiana em 1940, é “dane-se” em nossa tradução, mas visto que a tradução mais fiel seja : “querida, francamente pouco me importo”, também pode ser vista como: “querida, francamente estou me danando”.

      As antigas salas eram uma ocasião de gala nas grandes cidades, e exibir um filme do porte como E O VENTO LEVOU não poderia deixar de passar despercebida. Hoje, graças ao “progresso”, os cinemas foram para os shoppings, e os áureos tempos de gala só deixou saudades.

      Abraços do editor carioca.

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  4. EDDIE LANCASTER- CONTINUANDO...

    Apesar da grande concorrência não foi surpresa nenhuma ...E O VENTO LEVOU ganhar o Oscar de melhor filme. O filme tornou-se um dos maiores recordistas de bilheteria da história, permanecendo o seu recorde até o surgimento do filme A Noviça Rebelde. Todavia se levarmos em conta a inflação e a desvalorização do dólar, ...E VENTO LEVOU continua imbatível...

    Grande parte da glória de ...E O VENTO LEVOU deve ser creditada ao produtor David O'Selznick que foi sua figura central.

    Para levar avante o projeto de ...E O VENTO LEVOU, David O'Selznick teve que se associar a Metro Goldwin Mayer. Afinal tudo saiu mais caro daquilo que fora estimado, desde os direitos autorais do livro, no valor de 50 mil dólares, pagos em 1936 à escritora Margareth Mitchell, até as despesas de realização do filme no processo Tecnicolor, até então pouco explorado e muito dispendioso. Igualmente a escalação de Clark Gable para o papel de Rhett Butler pesou sobremaneira na associação da Selznick International com a MGM de Louis B. Mayer, pois Selznick sabia de antemão que o público queria Clark Gable para o papel, e que a Metro não estava disposta apenas emprestá-lo.

    As filmagens foram muito complicadas. Duraram cerca de cinco meses e foram iniciadas sob a direção de George Cukor, todavia após 18 dias de trabalho o diretor pediu demissão, pressionado pela insatisfação de Clark Gable, que o acusa de dar mais atenção e destaques às atrizes. George Cukor, na realidade, era conhecido como um grande diretor de atrizes. A Metro deu apoio total a seu contratado, exigindo a saída de Cukor. Para substituir Cukor, Louis B. Mayer sugeriu Victor Fleming que estava terminando a direção de O Mágico de Óz, na própria MGM. Esse diretor que a par de ser muito respeitado por Gable, era um diretor de homens, ao contrário de Cukor que dizem era homossexual. Mesmo assim às escondidas Vivien Leigh e Olivia deHavilland visitavam Cukor, para que este pudesse orientá-las...
    Desta forma Selznick suspendeu as filmagens de ...E O Vento Levou por duas semanas para que Fleming terminasse o seu trabalho. No dia 02 de março de 1939, ele já estva à frente da direção...E O Vento Levou. Porém o trabalho era árduo e Fleming sofreu um colapso nervoso durante as filmagens dessa grande produção, o que lhe exigiu um afastamento temporário. Selznick então chamou Sam Wood, para filmar algumas cenas enquanto Fleming estivesse ausente. Isso fez com que Fleming voltasse em seguida para dar continuidade ao seu trabalho. Mas como a produção estava bem atrasada, Sam Wood foi mantido para dirigir algumas sequências secundárias, enquanto Fleming dirigia as grandes cenas.

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  5. EDDIE LANCASTER- CONTINUANDO

    Quem sofreu a maior surpresa da noite foi Clark Gable, que compareceu à cerimônia do Los Angeles Abassador Hotel acompanhado de sua deslumbrante esposa Carole Lombard, certo de que ganharia o seu segundo Oscar, o primeiro foi por Aconteceu Naquela Noite. Pudera ele tinha sido escolhido por unanimidade para fazer o papel do cínico e apaixonado Rhett Butler de ...O Vento Levou. Infelizmente para ele e para surpresa geral o premio de melhor ator foi para o inglês Robert Donat. O mesmo ocorreu com Laurence Oliveir. Todavia a decepção deste parece mais acentuada no momento em que a sua amada Vivien Leigh foi anunciada como ganhadora do Oscar de melhor atriz de 1939 por ...E O Vento Levou. O mais curioso é que Vivien Leigh uma inglesa nascida na India e batizada como Vivian Mary Hartley foi, praticamente a última a chegar a cirrada luta pelo papel de Scarlett O’Hara que foi aclamada com a mais festiva caça de talentos femininos da história de Hollywood.Estrelas consagradas, tais como:Bette Davis, Katharine Hepburn, Norma Shearer, Joan Crawford, Jean Arthur, entre outras, já tinham sido cogitadas para o papel, mas Selznick as considerava ultrapassadas para fazer a personagem, além de não querer que estrelas tão famosas fizessem o ambicioso papel, para evitar que mais tarde dissessem que era mais um filme de Bette Davis ou Norma Shearer, por exemplo. Entretanto testes não se limitaram apenas a Hollywood, mas por todo o pais, especialmente no Sul. Como curiosidade, Alicia Rhett, uma candidata ao papel de Scarlett, acabou ganhando o papel de India Wilkes, irmã de Ashley.
    A escolha já estava chegando ao seu final e Selznick estava indeciso entre Susan Hayward, Joan Banett e Paulette Goddard. Esta última estava praticamente contratada, quando, como um golpe de mágica, surgiu, com todo seu esplendor, Vivien Leigh, uma ilustre desconhecida que tinha ido a Hollywood para acompanhar Laurence Olivier com quem mantinha um romance, e este iria fazer o principal papel no filme O Morro dos Ventos Uivantes.

    Foi aí que o irmão de David Selznick, Myron Selznick, resolveu levar Olivier e Vivien para assistirem às filmagens iniciais de ...E O VENTO LEVOU. Eram planos gerais do incêndio de Atlanta, sem os atores principais, e tinham como dublês Yakima Canutt e Dorothy Fargo, no lugar de Rhett e Scarlett na carroça em fuga.
    Foi quando Myron resolveu apresentar Vivien para o irmão: David, esta é a sua Scarlett. Selznick estupefato olhou para Vivien e...a procura tinha finalmente chegado ao seu término. Entretanto foram muitas vozes que se levantaram contra esta escolha, uma vez que a luta pela personagem tinha ganho farto espaço na imprensa. A colunista Hedda Hopper, uma das maiores fofoqueiras de Hollywood, ficou escandalizada com o fato de uma inglesa interpretar uma heroína do sul dos Estados Unidos. Vivien, que ficaria casada com Laurence Olivier de 1940 a 1960, não se deixou abalar e dedicou-se à personagem de corpo e alma, mas se quer imaginava que seu desempenho iria ter as mesmas e amplas ressonâncias do filme. Consta que em certa ocasião exasperada com as inúmeras repetições, que não eram tão freqüentes no cinema inglês, ela reclamou para o operador de câmera, Art Arling. Este, para acalmá-la disse que tudo isso seria esquecido no momento que ela recebesse o Oscar. Vivien não acreditando ri, mas a profecia se concretizou e, na competição ela acabou derrotando tanto a novata Greer Garson, por Adeus Mr. Chips, bem como deusas do porte de Irene Dunne, por Duas Vidas, de Bette Davis, por Vitória Amarga, e de Greta Garbo, por Ninotchka. Vivien então se tornou uma estrela de fama internacional. Mas apesar disso a sua filmografia não é uma extensa, posto que ela se dedicava mais ao teatro, mormente os espetáculos com textos de Shakespeare, que fazia com Laurence Olivier.

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  6. EDDIE LANCASTER - CONTINUANDO

    Entre seus desempenhos mais marcantes, podemos citar: A Ponte do Waterloo, com Roberto Taylor, Uma Rua Chamada Pecado, com Marlon Brando, que muitos julgam a sua maior interpretação, quando abiscoitou o seu segundo Oscar, Em Roma Na Primavera, com Warren Beatty, e A Nau dos Insensatos, ao lado de Simone Signoret e Lee Marvin.
    Outra surpresa da noite foi a academia ter premiado pela primeira vez uma atriz negra. Os palpites favoreciam Olivia de Havilland por ...E O VENTO LEVOU. Ela estava certa da vitória, afinal, na luta pelo papel da doce e altruísta Melanie, havia derrotado estrelas do prestígio de Mirian Hopkins. E, após o lançamento do filme, os elogios por sua atuação foram muitos.
    Mas Olivia perdeu a estatueta para sua colega de elenco, a gorda Hattie McDaniell, como a fiel e dedicada Mummy. Emocionada, Hattie recebeu o troféu das mãos de Fay Bainter, consciente do momento histórico que vivia, já que era a primeira atriz negra a receber tamanha honraria. Foi também o coroamento de uma carreira de rádio, onde também foi a primeira negra a cantar num programa radiofônico nos Estados Unidos. Estreando em 1932, Hattie fez cerca de 100 filmes, incluindo Zenobia, com Oliver Hardy.
    ...E O VENTO LEVOU ganhou 10 premios da academia, a saber: melhor filme, melhor diretor, melhor atriz, melhor atriz coadjuvante, melhor fotografia em cores, pela primeira vez conferida, entregue a Ernest Halleer e Ray Renaham, melhor montagem, dado a Hal C. Kern e James E. Newcom, direção de arte, para Lyle Wheller e melhor roteiro. Este acabou sendo um prêmio póstumo, já que seu autor, Sidney Howard, havia falecido pouco tempo antes da entrega. E, embora não conste dos créditos, a adaptação cinematográfica de Margareth Mitchell contou com a colaboração de gente famosa, com Ben Hech e Scott Fitzgerald e de intervenções do próprio David Selznick.
    No total ...E O VENTO LEVOU levou naquela cerimônia apresentada por Bob Hope, caso se compute o Oscar especial dado à William Cameron Menzies pelo uso dramático da cor, nada mais, nada menos, que 10 Oscares.
    Por tudo que foi dito ...E O VENTO LEVOU é um filme imbatível em todos os sentidos, por isso mesmo deve ser visto e revisto, pois é tão grande, que jamais envelhecerá... É uma pena que os cinemas do Brasil não exibem reprises, pois a nova geração deveria assistir ao filme em tela grande, pois assim valorizaria muito mais o maior filme de todos os tempos...

    EDIVALDO MARTINS - CAW
    Cineclube dos Amigos do Western

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  7. Ao amigo e comentarista Edivaldo Martins, o Eddie Lancaster do CAW!

    Eu devo me curvar perante tamanho conhecimento sobre E O VENTO LEVOU, fazendo valorizar ainda mais minha matéria sobre este que é um dos filmes mais populares de todos os tempos. Não bastou dizer que foi apenas um grande filme, nem que a saga de sua produção foi tumultuada, mas vc desenhou com detalhes requintados cada fase, cada etapa, da elevação desta grande obra da cinematografia mundial.

    Como todos sabem, o OSCAR é uma caixinha de surpresas tanto quanto uma copa do mundo. Clark Gable com seu perfeito papel de Rhett Butler, era o único ator daquele momento que poderia dar virilidade aquele personagem, que nenhum galã de sua época poderia encarnar. Errol Flynn, um dos grandes aventureiros de Hollywood, e Gary Cooper, sem dúvida eram viris com as mulheres. Mas não eram com os homens. E Gable sabia ser viril tanto com mulheres como com os homens. Gary Cooper não acreditou na potencialidade do filme, recusando o papel de Rhett, e declarou: “E O VENTO LEVOU SERÁ O MAIOR FRACASSO DA HISTÓRIA DO CINEMA. AINDA BEM QUE É CLARK GABLE QUE VAI SE DAR MAL E NÃO EU!”. Como sabemos, palavras tem efeito devastador na vida das pessoas, ao passo que E O VENTO LEVOU não foi um fracasso, e Gary Cooper se arrependeu de não ter aceitado o papel que acabou beneficiando Clark Gable a popularidade. Mas foi bom assim, porque não dá para ver o querido Gary no papel masculino principal de E O VENTO LEVOU.

    Entretanto, Gable não levou o que poderia ser sua segunda estatueta (a primeira ganha em ACONTECEU NAQUELA NOITE, em 1932), e quem se beneficiou com o prêmio foi o britânico Donat, que ao meu ver, é muito chato. Olivia De Havilland, indicada como coadjuvante junto a sua colega Hattie McDaniel, era a preferida, mas acabou perdendo para esta.

    A Noite das premiações ao Oscar de 1940 foi cheia de apostas.

    Uma das premiações mais dignas da Academia, que estava dando um de seus primeiros passos ao combate do racismo nos Estados Unidos foi premiar pela primeira vez, na história, uma artista negra. Hattie McDaniel infelizmente não pôde ir ao lançamento do filme em Atlanta, na noite de 15 de dezembro de 1939, porque ela estava com muito medo e foi ameaçada de morte pela Ku Klux Klan se pisasse no cinema onde o filme teria seu lançamento. A vida desta mulher merece até mesmo, quem sabe, uma matéria aqui no blog.

    Ela morreu aos 57 anos de idade e seu desejo era ser enterrada no Cemitério de Hollywood, juntamente com alguns de seus parceiros do cinema, mas o dono, Jules 'Jack' Roth, se recusou a permitir que uma negra fosse enterrada em seu cemitério. Então, Hattie veio a ser enterrada no Cemitério Angelus Rosedale, em Los Angeles. Somente em 1999, Tyler Cassity, o novo dono do Cemitério de Hollywood, que mudou o nome deste para Cemitério Hollywood Forever, queria consertar os erros do passado e propôs à família de McDaniel que ela fosse enterrada no cemitério. Os parentes de McDaniel não quiseram perturbar os seus restos após tanto tempo, e acabaram recusando a oferta. Então, o Hollywood Forever decidiu construir um grande memorial no campo em frente ao lago, dedicando-o a McDaniel. É, hoje, um dos lugares mais populares para os visitantes do cemitério.

    E O VENTO LEVOU não somente fez história por conta desta premiação e das demais, nem porque sua produção foi tumultuada e confusa, mas porque, indubitavelmente, abriu ala para as grandes superproduções do cinema, sendo uma referência de grande espetáculo que pouco hoje o cinema procura produzir. De resto, nada mais a se falar, pois tudo foi dito e bem registrado por vc, meu amigo Edivaldo.

    Grande abraço do editor, e obrigado por estas declarações.


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    Respostas
    1. Grande Paulo,grato por tudo que você disse a meu respeito, mas devo lhe dizer que foi apenas um anexo, a seu grande trabalho...
      Este comentário escrevi há algum tempo - cerca de 10 anos ou mais...
      Se me permitir,futuramente vou colocar algumas curiosidades a respeito do maior filme de todos os tempos - PRIMUS INTER PARES!

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    2. Eddie meu amigo.

      Tudo que se refere a este magnífico monumento a Sétima Arte é sempre bem vindo aos olhos dos amigos e leitores. Fique a Vontade. Cinema é cultura, e cultura é saber.

      Abraços do editor.

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  8. Grande estreia essa na TV Brasileira!! 09 Setembro de 1983!! Possuo em VHS gravado essa exibição. Na globo os filmes normalmente eram divididos em 4 partes para os comerciais... E O Vento Levou foi dividido em 10 partes!!! E sem falar da Fernanda Montenegro apresentando o filme, logo logo estarei postando em meu canal no youtube essa grande exibição :-) Comprei essa fita por míseros 2 reais, uma relíquia de um grande e majestoso filme <3

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  9. Paulo Telles e Eddie Lancaster,muito obrigada por todas as informações que nos passaram sobre esse clássico incontestável. Para os fãs dos filmes antigos,esse blog é um deleite só!

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