quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Elvis Presley no Cinema. Oito Performances Inesquecíveis do Cantor.


Indelevelmente, que Elvis Aaron Presley (1935-1977) é reconhecido como um dos principais símbolos da cultura internacional do século passado. Na metade dos anos de 1950 até o início da década de 1970, o eterno Rei do Rock protagonizou 33 filmes, em sua grande maioria musicais água com açúcar, sempre cercado de belas mulheres e tocando com seu violão ao redor delas - mas que ficou desgastante para o cantor. Contudo, a chegada de Elvis a meca do cinema é cercada de fatos e mitos.  Quando atingiu seu estrelato para o Rock, Elvis teria se manifestado em desejar ser astro de Hollywood. Seus primeiros filmes revelaram, de fato, que ele tinha potencial para se tornar um astro de primeira grandeza.


Ama-me com Ternura, A Mulher que eu Amo, Balada Sangrenta, e O Prisioneiro do Rock, foram estrelados por Elvis antes de ser convocado para o Exército e servir na Alemanha. É bom frisar que existe muita diferença nas qualidades de interpretação entre o Elvis antes de servir ao Tio Sam, e depois, e não somente na atuação do ator e cantor, como também na qualidade das produções, que ao longo de sua filmografia de 33 fitas, ora ou outra decaía.

Todavia, isso não se deve ao desempenho de Elvis, que em realidade, era bom ator e tinha tudo para desenvolver ainda mais seu potencial. Ele tinha pretensão em se tornar um astro de verdade e contracenar com celebridades de sua época, bem como em atuar em superproduções e trabalhar para os mais notórios cineastas de seu tempo. Queria ser dirigido por Nicholas Ray, sonho que nunca se concretizou. Mas parecia que Elvis estava, de um modo ou de outro, fadado principalmente para os musicais, fossem estes dramáticos ou cômicos, onde como ícone deste estilo figuraria ao lado de outros astros cantores, como Frank Sinatra, Dean Martin, Shirley MacLaine, Doris Day, e Carmen Miranda.


Mas aí perguntamos: o que deu errado na carreira cinematográfica de Elvis?

Elvis nunca deixou de ser um Pop-Star mesmo quando ao fim da década de 1960 sua carreira em Hollywood não ia bem (enquanto faço estes filmes, os Beatles estão tomando o meu lugar lá fora – dizia). O problema que o Rei se queixava de duas coisas: de não receber um bom script e também de não receber bons papéis. O que ocorre, em verdade, é que Elvis nunca aprendeu uma lição importantíssima em Hollywood, e bem básica por sinal para todos os artistas que por lá querem seu lugar ao sol: que atores e atrizes simplesmente não “ganham bons papéis”: eles EXIGEM bons papéis.  O que faltou também a Presley foram os conselhos e a orientação de um bom e experiente menager.

Com o tempo, Elvis poderia pegar todos os traquejos e experiências do ramo, mas isso não foi possível, já que não teve um bom empresário que pudesse orientar e o aconselhar, pois a ganância falava mais alto para aquele que deveria cuidar honestamente dos investimentos e interesses do cantor.


ESTE É O “CORONEL” TOM PARKER (1909-1997), o empresário de Elvis. Talvez o empresário musical mais controverso e conhecido nos últimos tempos.

Durante os anos de 1930, o coronel trabalhava com o Royal American Shows, um circo que viajava pelos Estados Unidos e até mesmo o Canadá em um trem particular que continha aproximadamente 70 vagões. Existem algumas divergências do que realmente ele fazia: alguns afirmam que o coronel vendia algodão doce e maçãs carameladas, no entanto, outros afirmam que ele era como um administrador da companhia, um trabalho de muita responsabilidade para alguém que na época tinha vinte e poucos anos. Podemos dizer que a escola de Tom Parker foi o circo, onde aprendeu, de certa forma, a manipular o público.


Antes de Elvis, Tom Paker cuidou da carreira do famoso cantor country americano Eddy Arnold, entre 1944 e 1953. A patente de "Coronel" é um título honorário, que lhe foi concedido por Jimmie Davis, então governador da Louisiana no ano de 1948. Segundo alguns historiadores e fãs de Elvis, o relacionamento dos dois era estritamente profissional e nada além disso, nunca foram íntimos, conversavam na maioria das vezes para falar da carreira artística de Elvis.


Quanto da ida de Elvis ao exército no ano de 1958, a qual teria sido uma ideia de Tom Parker, Elvis nunca foi visitado pelo seu empresário, tudo isso devido a sua controversa identidade. Tom Parker é criticado por alguns fãs por não permitir que Elvis fizesse shows fora dos Estados Unidos, com exceção de cinco shows em 1957 no vizinho Canadá. No entanto, outros afirmam que Parker foi importante na divulgação de Elvis para o mundo, para que assim, todos conhecessem o talento do menino do sul dos EUA que viraria um mito.


Tudo bem: Mas como o “coronel” empresaria seu Menino de Ouro no que tange ao seu trabalho no cinema? Como pegar bons papéis? Haveria bons papéis para Elvis? E se não como conseguir uma colocação para um papel digno de um astro de primeira? Ora, Tom Parker muitas vezes vinha com lances absurdos como contrapropostas, e Elvis deixou em atuar em alguns filmes sensacionais, como ocorreu com o que poderia ser o último filme de Elvis, a terceira versão de Nasce uma Estrela, onde o Rei do Rock atuaria com Barbra Streisand, mas o papel acabou sendo de Kris Kristoferson. O “Fabuloso Coronel” não queria que seu empresariado e protegido ganhasse um faturamento inferior a da verdadeira estrela do filme, Barbra Streisand.



Hal B. Wallis (1899-1986) , produtor de oito de seus filmes na Paramount, queria fazer um western com Elvis e John Wayne (1907-1979) , e pensou em pô-lo como segundo personagem principal em Bravura Indômita, em 1969, o clássico que deu a Wayne seu único Oscar. Advinhem? Novamente o “Coronel” não aceitou, porque o Rei do Rock ganharia menos que o Duke. O papel foi para Glenn Campbell.

O cineasta Robert Wise (1914-2005) pensou em Elvis para protagonizar junto com Natalie Wood no musical Amor Sublíme Amor, em 1961. Com certeza, Parker não aceitou por achar o filme bastante infantil e que além, não ganharia o suficiente.


Indicado para o papel que foi de Ricky Nelson (1940-1985) em Rio Vermelho, clássico do Cineasta Falcão, Howard Hawks (1899-1977), estrelado pelo Duke Wayne e Dean Martin (1917-1995), mas ao tempo em que as filmagens estavam se iniciando, Elvis foi convocado para servir o Exército na Alemanha, e por sugestão de quem? Tom Parker, é claro, que achou que seu protegido tinha que servir para divulgar uma imagem positiva e conservadora no jovem astro do Rock’n Roll como um modelo de ideal para os jovens americanos.


No filme Com Caipira não se Brinca (1964), Elvis interpretou dois papéis, de primos idênticos. Pelo fato de Elvis desempenhar duas partes, Parker achou que os produtores deveriam pagar o dobro para seu cliente, mas eles não foram na onda do “coronel”.

A ELVIS foi oferecido papéis em Lágrimas do Céu (1956, que acabou sendo de Earl Holliman), Acorrentados (1958, que acabou sendo de Tony Curtis), Gata em Teto de Zinco Quente (1958, em papel que acabou sendo de Paul Newman), Doce Pássaro da Juventude (1962, que foi também para Paul Newman), Perdidos na Noite (1969, que foi para John Voight), A Fantástica Fábrica de Chocolate (1971, papel que foi para Gene Wilder), e uma possível participação Nos Tempos da Brilhantina, lançado no ano seguinte de sua morte.


Certamente, as recusas de Elvis nos papéis nunca foi dele própria, mas o “engenhoso” coronel tudo fazia para aconselhar e dizer a seu cliente que papéis ele deveria pegar ou não. Nos anos de 1970, Elvis já ficava cansado de Parker e chegou a pensar em demiti-lo inúmeras vezes, contudo sem problemas e confrontos. Elvis dizia a seus amigos para que dessem o recado ao “coronel”: "Diga a Parker que ele está demitido." Em seguida, seus amigos voltavam com o recado de Parker para Presley: "Diga para Elvis me dizer pessoalmente isso". O cantor nunca o fez.


Seus atores favoritos eram James Dean , John Wayne , Clint Eastwood , Rod Steiger, Steve McQueen e Marlon Brando, embora este não gostasse pessoalmente do cantor. Seus quatro filmes prediletos eram: Juventude Transviada (1955, de Nicholas Ray), Uma Rua Chamada Pecado (1951, de Elia Kazan), Perseguidor Implacável (1971, de Don Siegel) e Bullitt (1968, de Peter Yates).

O último filme que Elvis assistiu no cinema foi 007, o Espião que me amava, estrelado por Roger Moore, em 1977. Na véspera de sua morte (segunda, 15 de agosto de 1977), ele tentou obter uma cópia de Guerra nas Estrelas (1977), para mostrar a sua filha, Lisa Marie, contudo, infelizmente, não houve o tempo.



A INTRODUÇÃO DE ELVIS NO CINEMA

Quando Elvis Presley  estreou no cinema em 1956, os estúdios de Hollywood enfrentavam uma profunda crise financeira, provocada por um vasto conjunto de fatores socioculturais, entre os quais se destacam a perda de espectadores para a televisão e a alienação forçada das suas cadeias de exibição.

A emergência da televisão como fonte privilegiada de entretenimento dos norte-americanos teve como consequência imediata uma alteração dos hábitos de lazer, colocando os estúdios de Hollywood numa maior dependência em relação ao público adolescente.

Este fator levou a que os produtores cinematográficos se vissem obrigados a alterar as suas estratégias de produção e marketing com vista a enfrentarem uma nova realidade de mercado.

É neste contexto que surge uma nova geração de atores, liderada por Marlon Brando e James Dean, mas da qual faziam parte também ídolos de matiné, como Tony Curtis, Robert Wagner, Jeffrey Hunter, Natalie Wood, Tab Hunter, John Saxon e Sandra Dee, e aos quais se juntaram cantores pop-rock bastante populares como Pat Boone, Bobby Darin, Frankie Avalon e Fabian, que protagonizaram dezenas de comédias musicais dirigidas ao publico juvenil.


No começo de 1956, Wallis capturou por acaso uma atuação de Elvis em um dos episódios do programa Stage Show. O efeito eletrizante que Elvis provocou nas mulheres da plateia no estúdio rendeu movimentos mágicos nos olhos aguçados do produtor. Sem perder tempo, ele chamou Coronel Parker na manhã seguinte a fim de realizar um teste de câmera para o jovem cantor controverso.

No dia 1° de abril de 1956, Elvis fez o teste de câmera com o ator especializado Frank Faylen (1905-1985). Eles fizeram uma cena da peça de N. Richard Nash, The Rainmaker (O Homem Que Fazia Chover), que logo em seguida foi transformado em um filme de sucesso, estrelado por Burt Lancaster e Katharine Hepburn, Lágrimas do Céu, onde a parte atuada por Elvis no teste foi desempenhada no filme por Earl Holliman. Embora tenha sido feito no Primeiro de Abril, o teste de câmera de Elvis foi levado muito à sério. Sua presença de cena foi poderosa o suficiente para Wallis propor um contrato para três filmes.


AS OITO PERFORMANCES INESQUECÍVEIS DE ELVIS NO CINEMA.

Sabemos que Elvis realizou outros 25 filmes, sendo que dois em estilo semi-documentário sobre seus shows em Las Vegas e Estados Unidos: Elvis é Assim (1970), e Elvis Triunfal (1973), mas são estes oito aqui mencionados na matéria que ele obteve melhor desempenho e registro de seu verdadeiro talento como ator perante as telas de cinema.



Ama-me com Ternura (Love-me Tender, 1956)




     Love Me Tender estreou em Nova Iorque em Novembro de 1956, no Paramount Theater. Um cartaz enorme de Elvis estava colocado na parte da frente do cinema. Nessa altura também foi exibido o filme Montanhas de Fogo,  um western com Tab Hunter e Natalie Wood nos principais papéis. Trinta e cinco polícias e vinte arrumadores adicionais tiveram de ser contratados para a estreia. As filas nas bilheteiras começaram logo às 8 da manhã.




    Durante a produção de Love Me Tender, Elvis manteve uma rápida paixão com a estrela Debra Paget, iniciando um longo hábito de flertar com suas parceiras de cena. Neste caso, todavia, seus interesses não foram notados porque Debra não estava interessada. Dois anos mais velha que o cantor, Paget estava dedicando-se a sua carreira na ocasião. Sua mãe, que estava frequentemente no estúdio, tinha grandes planos para Debra, e nenhum deles envolvia Elvis. Mais tarde, em 1963, Debra largou o cinema para se casar com um multimilionário japonês, de quem se divorciou em 1980, e hoje vive em Houston, Texas, rica e fora da mídia. Debra fora casada anteriormente com o diretor Budd Boetticher (1916-2001).




     O enredo trata do destino de uma família de fazendeiros após a Guerra Civil. Elvis interpreta o filho mais novo, Clint Reno, que se casa com a garota (Debra Paget) de seu irmão primogênito, Vance Reno (Richard Egan, 1921-1987). Todos acham que o irmão mais velho havia sido morto na guerra, mas ele retorna inesperadamente. A família é separada pelas consequências do matrimônio e no final, Clint é baleado e morto.



    Originalmente a ser exibido com o título de The Brothers’s Reno (Os Irmãos Reno), foi mudado para Love-me Tender para embalar com o estrondoso sucesso da música que estava entre as primeiras na parada de sucesso. No elenco, James Drury, o futuro astro da série televisiva O Homem de Virginia, fazendo um dos irmãos de Elvis, William Campbel, Bruce Bennett (ex Herman Brix, outrora um dos Tarzans do cinema), e Neville Brand (1920-1992), que entrou para a história da filmografia do Rei do Rock como o vilão que matou Clint Reno.


Os produtores de Love Me Tender se preocuparam com a possibilidade dos fãs de Elvis terem uma reação negativa quanto ao final do filme. Disseram que a mãe de Elvis na vida real, Gladys, ficou chocada com a morte dele no filme. Ninguém sabia se as pessoas se afastariam dos cinemas uma vez que vazara o fato de que o personagem de Elvis morreria em uma das últimas cenas.


Elvis foi chamado de volta no sentido de realizar um outro final para a película. Nessa versão, seu personagem sobrevive. Contudo, o final utilizado realmente na versão definitiva da fita representa um compromisso entre os dois. Clint Reno é morto, mas a face de Elvis é sobreposta em cima da cena final com ele cantando Love Me Tender. Essa versão se identifica com o roteiro original, mas os fãs são deixados com uma imagem mais positiva de seu ídolo. A Direção é de Robert D. Webb (1903-1990).



       A Mulher que eu Amo (Loving You, 1957)

Elvis Presley está mais confortável no papel de Deke Rivers em A mulher que eu amo do que Clint Reno já que o papel foi baseado nas experiências da sua própria carreira. O drama musical começa com Deke - um caminhoneiro com um talento natural para a música - se unindo a uma agente de imprensa Glenda Markle (Lizabeth Scott, ainda vivérrima), na esperança de ser a próxima sensação da música.



Deke começa sua nova carreira abrindo as apresentações de uma banda de country/wester liderada pelo ex-marido de Glenda, Tex Warner (Wendell Corey, 1914-1968) . Logo fica claro que as mulheres da plateia não queriam só ver Deke no palco ou fora dele. Glenda destacou o apelo sensual de Deke com roupas personalizadas e muita publicidade.



Deke se divide entre a atração que ele sente por Glenda e o amor verdadeiro que sente pela cantora da banda, Susan (Dolores Hart, atriz que mais tarde viraria freira. Hoje ela é Madre Superiora de um convento em Connecutt, EUA). Quando Deke descobre que Glenda o estava manipulando pessoal e profissionalmente, ele fica confuso e foge. Um Deke mais esperto e maduro volta bem em tempo de se apresentar na TV em um grande programa, o que serve como uma introdução aos bons tempos.

A atuação de Elvis melhorou muito até o final do papel de Deke Rivers. Em parte porque ele estava mais experiente, mas também porque esse papel foi feito especialmente para o jovem cantor.


OS PAIS DE ELVIS, Gladys e Vernon, durante as filmagens.
O filme mostrava os melhores talentos musicais de Elvis e a história era solta e se baseava na sua própria vida - uma prática que o produtor Hal Wallis continuaria no futuro.

Na época, esta prática era importante para a carreira de Elvis. Como Elvis era uma figura maligna para a imprensa, cheia de controvérsia e rebeldia, as pessoas responsáveis pela sua carreira tentaram remodelar a sua imagem.

Ao contar partes da vida de Elvis de uma maneira familiar em Hollywood, as pessoas mais velhas veriam que o cantor não era tão assustador assim. O filme também registra a primeira briga do Rei do Rock nas telas, algo que ficaria muito caracterizado mais tarde nas fitas do cantor. A Direção é de Hal Kanter (1918–2011).


   Balada Sangrenta (King Creole, 1958)

Geralmente considerado o melhor filme de Elvis(e o seu predileto), Balada Sangrenta se aproveita do talento de vários atores de Hollywood. O produtor Hal Wallis escolheu um dos seus amigos mais próximos, o lendário Michael Curtiz (1886-1962), para dirigir o filme.

Mais conhecido como o diretor de Casablanca e As Aventuras de Robin Hood, Curtiz era um cineasta que sabia lidar com qualquer estilo de filme devido a sua prolífera e gloriosa carreira ao longo de 30 anos.Durante as gravações em New Orleans, eram por causa de curiosos e fãs que Wallis teve que pedir uma segurança mais forte. Toda a cobertura do Hotel Roosevelt foi reservada para o elenco.O simples fato de voltar ao seu quarto no final do dia era difícil para Elvis porque sempre havia uma multidão para vê-lo no saguão do hotel. Para evitar a multidão, Elvis entrava no edifício ao lado, pulava a janela, cruzava o teto e entrava no seu hotel pela saída de incêndio.



Baseado no romance Uma Prece para Danny Fischer, de Harold Robbins (1916-1997), Balada Sangrenta é um drama musical que acontece em New Orleans. Danny (Elvis) não está satisfeito com a situação financeira de pobreza da sua família e culpa seu pai (Dean Jagger, 1903-1991) pelos problemas.


Ele vai até uma boate para ganhar algum dinheiro - um trabalho que coloca o jovem em companhia de alguns personagens desonestos. Um encontro com Ronnie (Carolyn Jones, 1930-1983), amante de um gangster local, faz Danny ser expulso da escola. Naquela noite, na boate, Danny encontra Ronnie e o gangster Maxie Fields (Walter Matthau, 1920-2000) que insiste que Danny cante uma música.



O talento natural de Danny chama a atenção do dono da boate, que oferece a ele um emprego. Danny está em dúvida. Ele está dividido entre o amor da mocinha Nellie (Dolores Hart) e sua atração pela fatal Ronnie. Danny também está dividido entre o seu desejo de ser cantor e a tentação de se juntar a uma gangue. Uma discussão violenta com o líder da gangue (Vic Morrow, 1929-1982) deixa Danny seriamente ferido.



Depois que Ronnie cuida dele, Maxie com ciumes a mata a sangue frio. Maxie é baleado por um membro da gangue que Danny conhecia e também caba sendo morto. Danny volta a cantar na King Creole, reconcilia-se com a sua família e com Nellie. Elvis chegou a mais perto de sua grandeza artística nesta obra valiosa de Michael Curtiz.




    O Prisioneiro do Rock (Jailhouse Rock, 1957)

O filme A Mulher que eu amo  tentou apresentar um Elvis sensível e incompreendido, mas em Prisioneiro do Rock a sua figura é de rebelde. O personagem de Elvis - Vince Everett - é egoísta, extremamente agressivo com as mulheres e um pouco ambicioso. Embora Vince mostre uma mudança durante o filme, é o seu comportamento sem regras e suas atitudes que mais são lembradas nesta película.



Em nenhuma outra cena, o seu comportamento agressivo é mais evidente do que quando ele agarra uma garota para beijá-la. "Como você se atreve a pensar que essas táticas baratas funcionam comigo", ela diz empurrando-o. "Não são táticas, querida, é apenas a fera que está dentro de mim" diz ele de um modo provocante que faz qualquer garota suspirar na plateia

Longe de ser grosso ou egoísta Elvis era conhecido por sua generosidade com os amigos, e até com estranhos. Depois de finalizada a fotografia de Prisioneiro do Rock, Elvis decidiu dar a cada membro da equipe um pequeno token como agradecimento.

Cada um dos 250 membros da equipe recebe um envelope escrito "Obrigado a todo o elenco e toda a equipe", e dentro de cada envelope havia uma foto autografada de Elvis e mais uma lembrancinha.




A sensibilidade de Elvis foi exposta a todo o país pouco depois da produção. Elvis ficou arrasado quando a atriz Judy Tyler, sua co-estrela na fita,  e seu marido Gregory Lafayette morreram num acidente de carro, perto de Billy the Kid, Wyoming. Quando soube do acidente, Elvis não se conteve e chorou. Sua reação foi revelada a um repórter que escreveu sobre isso no Memphis Commercial Appeal.


Sua coreografia composta por ele mesmo para a cena em que Elvis tem que dançar e cantar para um show ao vivo pela TV dentro da penitenciária em que ele esteve preso, se tornou antológico, e sem querer, acabou se tornando o 1º vídeoclip da história, na época que ainda não existia sequer esta definição.




Depois de matar acidentalmente um homem numa briga de bar, Vince paga pena na penitenciária do Estado, o que o torna cínico e egoísta, além de ser brutalmente espancado. Quando Vince está na prisão, o ex-cantor country Hunk Houghton (Mickey Shaughnessy, 1920-1985) ensina o jovem a tocar guitarra. Depois de ser solto, Vince lança um novo estilo de cantar. Com a ajuda da divulgadora de discos, Peggy Van Alden (Judy Tyler, 1932-1957), ele estoura na indústria de entretenimento.



Mais tarde, Hunk se junta a Vince e o ambicioso cantor chega ao sucesso. Infelizmente, Vince deixa Peggy para trás, apesar do amor que ela sente por ele. Tentando dar uma lição no jovem arrogante, Hunk fere Vince na garganta e machuca suas cordas vocais. Surge um arrependido Vince, que se dá conta do seu amor por Peggy, e sua voz é milagrosamente recuperada. Direção do veterano Richard Thorpe (1896-1991), que dirigiu os primeiros filmes de Tarzan com Johnny Weissmuller e outros inúmeros clássicos.



 Estrela de Fogo (Flaming Star, 1960)

Considerada talvez a melhor interpretação de Elvis Presley segundo alguns críticos (não podemos esquecer também em Balada Sangrenta), o papel de Pacer Burton, um jovem mestiço hostilizado pelos brancos, foi inicialmente planejado para Marlon Brando, e que acabou nas mãos do Rei do Rock.



Elvis Presley fez um dos seus poucos papéis dramáticos. Um western com excelente elenco de apoio de alguns dos mais notáveis atores de Hollywood conta a história da intolerância racial contra os nativos norte-americanos no Velho Oeste.



Sua interpretação é muito simplista do que realmente aparece em termos de roteiro para um western. Em 1958, a 20ª Century-Fox comprou os direitos do último livro de Clair Huffaker (1926-1990) que ainda não estava completo. Com o título inicial de The Brothers of Broken Lance, a história enfocaria dois personagens em vez de um.



Os papéis foram oferecidos para Marlon Brando (Pacer) e Frank Sinatra (como Clint Burton, papel que acabou nas mãos de Steve Forrest, que se tornaria famoso pela série de TV Swatt como o destemido Tenente Dan 'Hondo' Harrelson. O ator morreu em maio deste ano) e eles aceitaram fazer os irmãos Burton. Mais tarde, as negociações não deram certo e os dois deixaram de lado os papéis.




Pacer, filho de pai branco e mãe Kiowa, vivia em paz com a sua mistura racial até que os membros da nação de Kiowa massacram as redondezas de Burtons. A lealdade de Pacer se divide entre o mundo civilizado dos brancos e a liberdade dos Kiowas.Quando os brancos assassinam sua mãe (Dolores Del Rio, 1904-1983), Pacer se une aos Kiowas. Mas o jovem confuso não fica em paz na tribo, principalmente depois que mataram seu pai (John McIntire, 1904-1983) e ferindo gravemente seu irmão (Steve Forrest, 1925-2013).



Pacer abandona os Kiowas para resgatar o seu irmão e mandá-lo de volta à cidade, e se prepara para combater os índios. Na manhã seguinte, ferido Pacer volta para se despedir de seu irmão porque ele viu a estrela flamejante da morte e sabe que deve ir para as montanhas onde enfrentará seu destino final.



No elenco ainda despontam Barbara Eden (Jeannie é um Gênio), que faz Roslin Pierce, que faz o interesse amoroso do herói, neste western Classe A escrito por Nunnaly Johnson (1897-1977). Foi o segundo trabalho de Elvis como ator após seu serviço militar na Alemanha (o primeiro, Saudades de um Pracinha, no mesmo ano, fita esta que o cantor não gostou). A Direção é de Don Siegel (1912-1991).



Coração Rebelde (Wild in the Country, 1961)*

O papel de Glenn Tyler em Coração Rebelde representou o último papel sério de sua carreira, dirigido por um competente diretor, Philip Dunne (1908-1992) . A história começa com Glenn, um rapaz pobre do sul que acaba de sair do reformatório. O centro do personagem de Glenn é que o triste e misterioso rapaz está numa dúvida em sua vida, e ele deve escolher o caminho mais adequado para ele. As suas escolhas estão representadas em três mulheres. A sensual Noreen (Tuesday Weld), sua prima, que quer que ele não mude. Ela oferece paixão e bons momentos, mas a liberalidade da relação não mostra muito futuro.



Irene Sperry (Hope Lange, 1931-2003), a psiquiatra indicada para o caso de Glenn, que reconhece o seu talento nato de ser um grande escritor. Ela o encoraja a ir à escola, mas causa escândalo entre seus colegas e amigos quando se apaixona por ele.



E, por fim, sua namorada de infância Betty Lee (MIllie Perkins), que pensa mais no futuro de Glenn do que no seu, tenta convencê-lo a deixar a cidade e estudar. Ela está preparada para perdê-lo para que ele tenha uma educação e um futuro seguro. Glenn segue o conselho de Betty Lee e pede que ela espere por ele.

*Nota do Editor – Lançado nos cinemas brasileiros sob o título de CORAÇÃO REBELDE, foi exibido nas TVS brasileiras como A HERANÇA DE UM FORÇADO, já que este título nacional, em verdade, é de um outro filme americano lançado nos nossos cinemas, cujo título original é The Way To the Gold, de 1957, dirigido por Robert D. Webb, e estrelado por Jeffrey Hunter e Sheree North.




Talhado para Campeão (Kid Galahad, 1962)

Para o papel do boxeador Walter Gulick, Elvis começou a treinar duro antes de começar a gravar. Ele se preparou para as cenas de luta como um profissional. Ele fez exercícios, seguiu uma dieta rígida de proteínas, treinou socos, passou horas com profissionais e perdeu uns 5 kg nesse período.



TALHADO PARA CAMPEÃO, versão de 1937.
Elvis treinou com Mushy Callahan, campeão de peso médio de 1926 a 1930. Callahan andou mostrando suas habilidades por Hollywood por algum tempo, treinando os atores Kirk Douglas e Errol Flynn e outros em filmes de boxe. Callahan sabia como treinar um ator, assim as habilidades do boxe cairiam bem no personagem. O treinador elogiou as habilidades atléticas naturais de Elvis - pelo menos, na promoção do filme. "Ele tem um bom físico e a coordenação é excelente", disse o profissional em uma entrevista. "Ele nunca tinha lutado boxe, mas pegou rápido por causa das aulas de Karatê". Remake de 1937 com o mesmo título, com Edward G. Robinson, Bette Davis, e Humphrey Bogart, Talhado para Campeão apresenta Elvis em uma de suas melhores performances cênicas.




Mesmo não sendo um grande boxeador, Walter tem um gancho de direita poderoso e pode dar vários golpes. Willy Grogan (Gig Young, 1913-1978) é um apostador, dono do local de treinamento onde Walter treina com outros boxeadores, e sob supervisão do ex lutador Lew Niack (Charles Bronson, 1920-2003), que abandonou os ringues após um acidente que lhe deixou coxo.


Willy decide treinar Walter para ser um lutador profissional pensando em ganhar dinheiro para pagar suas dívidas de apostas ao gangster Otto Danzig (David Lewis, 1916-2000). A relação de Will com Walter muda quando ele se apaixona pela irmã de Willy, Rose (Joan Blackman - que já trabalhou com Elvis em Feitiço Havaiano) que não quer que Rose se envolva com Walter, então ele deixa Walter ser vencido na sua próxima luta.



Pouco antes da grande luta, Willy descobre que comprometeu sua integridade moral. Ele e Walter se livram de Danzig e seus negócios e Walter ganha a luta.  Dirigido por outro grande diretor, Phil Karlson (1908-1985).



     Amor a Toda Velocidade (Viva Las Vegas, 1964)

Considerado um dos verdadeiros clássicos da filmografia do Rei do Rock, se tornando um dos maiores êxitos comerciais de sua carreira em Hollywood, Elvis finalmente encontrou uma parceira que cantava e dançava tão bem quanto ele. Afinal, este musical se torna cult graças a um mestre dos antigos musicais da Metro, George Sidney (1916-2002), que também dirigiu filmes de aventuras como Os Três Mosqueteiros (1948, com Gene Kelly) e Scaramouche (1952, com Stewart Granger), para o mesmo estúdio.



Como Rusty Martin, a dinâmica Ann-Margret complementou perfeitamente o personagem de Elvis, Lucky Jackson. Lucky, um corredor cujo carro precisa desesperadamente de um novo motor, chega a Las Vegas para o Grand Prix. Ele e seu companheiro Conde Elmo Mancini (Cesare Danova, 1926-1992) são rivais na pista e fora dela, competindo pelo amor de Rusty.

Ela trabalha no mesmo hotel que Lucky, que durante o filme está tentando conseguir dinheiro para arrumar o seu carro. Rusty reluta em se envolver seriamente com Lucky por causa dos perigos da sua profissão.

Por fim, ela muda de ideia e ajuda-o nos últimos esforços dele para terminar os reparos. Lucky faz o melhor, ganha a corrida, e os dois se casam.

Elvis não estava restrito a trabalhar somente para Hal Wallis e a Paramount, desde que assinaram um contrato sem exclusividade.



O cantor também trabalhou para outros produtores em outros estúdios, como MGM, United Artists e Allied Artists. Interessante que os produtores desses outros estúdios costumavam seguir a fórmula de comédia musical desenvolvida por Wallis para Elvis e às vezes, até as melhorava.

Embora Viva Las Vega. siga a fórmula familiar do Rei, a inclusão da dinâmica Ann-Margret o fez melhor que os outros. Rodado todo em Las Vegas, o filme usou muito bem as locações dos hotéis Flamingo e Tropicana e as pistas em Henderson, Nevada.

Viva Las Vegas talvez seja a melhor lembrança do romance entre Elvis e Ann-Margret. O romance foi estampado na primeira página dos jornais depois que os dois foram vistos juntos em restaurantes e boates da região.



A publicidade em volta do romance era tudo o que os produtores do filme queriam. Até o jornal da cidade de Elvis, o Memphis Press-Scimitar, contou histórias com manchetes sensacionalistas como "Parece um romance para Elvis e Ann-Margret" e "Elvis ganha o amor de Ann-Margret".

Ironicamente, Elvis não tinha gostado, no começo, de fazer par com Ann-Margret, embora ele soubesse que ela era conhecida como "Elvis Presley de saias"; supostamente, alguém da equipe de produção a encontrou durante o início da filmagem e ficou fascinado pelo seu charme e pela sua beleza.



Este membro da equipe ajudou na iluminação de Viva Las Vegas e parecia favorecer Ann-Margaret com os melhores ângulos de luz e câmera.

Quando Elvis reclamou com o Coronel, os poderosos resolveram o caso e o funcionário foi muito criticado. Finalmente, Elvis se deu conta de que não era culpa de Ann-Margret e os dois acabaram se aproximando bastante.


A química óbvia entre eles ajudou muito a atuação dos dois na tela. Eles geraram uma eletricidade durante os números musicais raramente alcançados nos últimos filmes de Elvis.



Ann-Margret tinha muitas coisas em comum com Elvis, inclusive as pressões de uma carreira do show business. Os dois tinham atividades parecidas, como andar de moto e ela se deu muito bem com os amigos-guarda-costas de Elvis. Eles a chamavam de Rusty Ammo, ou Ann-Margrock..

O romance entre as duas estrelas não sobreviveu à produção do filme. Dizem que eles terminaram, quando Elvis declarou à imprensa que estava noivo de Priscilla Beaulieu . Embora a relação não tenha durado muito, Elvis e Ann-Margret ficaram amigos até a morte do cantor, em 16 de agosto de 1977, aos 42 anos de idade.

Elvis se casou com Priscilla Beaulieu e Ann-Margret casou com o ator Roger Smith. De acordo com Ann-Margret, Elvis enviava flores em forma de guitarra na noite de abertura de cada um dos seus compromissos em Las Vegas.


Fonte Bibliográfica para pesquisa: Site Família Elvis: http://familiaelvis.webnode.com.br/
Parte textual de Jorge Carrega no artigo : Elvis Presley e o Cinema Musical de Hollywood: site: http://www.academia.edu/

Produção e pesquisa de Paulo Telles.


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