segunda-feira, 13 de maio de 2013

Gary Cooper: Sua conversão ao Catolicismo e a luta contra o Câncer.


Exatamente hoje, dia 13 de maio, é o aniversário de  falecimento de um dos Reis de Hollywood, o incomparável Gary Cooper (1901-1961). Sua carreira na meca cinematográfica se estendeu por 35 anos, despontando numa fascinante lista de clássicos, como Matar ou Morrer (Fred Zinnemman, 1952), Por quem os Sinos Dobram (Sam Wood, 1947), Beau Geste (William Wellman,1938), Sargento York (Howard “Falcão” Hawks, 1941), O Galante Mr Deeds (Frank Capra, 1936), entre outros, diversificando sua parceria com os mais notáveis cineastas de seu tempo.



Cooper também teve numerosos casos dentro e fora das telas, sendo que o mais famoso foi com a atriz  Patricia Neal (1926-2010), 25 anos mais nova do que ele. Cooper era casado e tinha uma filha, mas chegou a sair de sua casa para viver com Patricia, mesmo enfrentando as barreiras morais de seu tempo e arriscando sua bela estampa de um herói íntegro com destacada honestidade. Afinal, Cooper jamais interpretou um vilão em sua carreira e era contra seus princípios. Ganhador de dois Oscars da Academia, foi o ator mais bem pago de Hollywood, chegando inclusive a ganhar até mais que o próprio presidente dos Estados Unidos, Franklin D. Roosevelt.



Contudo, com o avançar dos anos, e com os primeiros problemas de saúde com o peso da idade chegando, o veterano ator passou a ter reflexões em sua vida. Não se sabe exatamente como se deu o passo definitivo para Gary entrar para a Igreja Católica, muito embora sua esposa, Veronica Balfe (1913-2000) fosse católica extremosa, o fato que Cooper dispensou Patricia Neal para voltar para mulher e a filha, Maria. Fazia anos que Cooper era amigo de Bing Crosby e Irene Dunne, que eram católicos e membros do movimento intitulado The Christophers, cuja finalidade era introduzir o catolicismo no ambiente de Hollywood. Afinal, não devemos esquecer que os EUA tem como religião predominante o protestantismo.


A conversão de Cooper ao catolicismo abriu uma grande onda de comentários dentro da capital do cinema, muito embora Cooper antes de abraçar a religião já demostrava interesse em assuntos religiosos, e o apoio e a vida exemplar de sua esposa o ajudaram a tomar o passo decisivo e entrar na Igreja Católica. No ano de 1953 foi recebido em audiência, por Pio XII, e pouco depois, no ano de sua conversão, foi de novo recebido em audiência pelo Papa, juntamente com sua esposa e filha. Ele mesmo admitiu que antes de tomar a decisão tinha refletido longamente.



Gary Cooper não era grande somente como cowboy e como ator querido e amado pelo público em Hollywood, mas pelas plateias dos quatro cantos do Universo, e mostrou-se grande pela maneira especial como enfrentou o câncer que o acometera. Quando o médico lhe fez os testes, Gary Cooper lhe disse: “Doutor, não fique escondendo; eu sou homem suficientemente vivido para ter a coragem de enfrentar os problemas da vida. Minha esperança não repousa neste mundo; eu tenho uma fé que me dá claras convicções acerca da vida futura, futuro que não pertence a esta vida”.


Durante sua convalescença, ele recebeu diversas vezes os sacramentos conforme os ritos litúrgicos. Nos últimos dias de sua vida, quando recebeu seu terceiro Oscar, um Oscar especial, ele acompanhou a cerimônia pela TV, em sua casa, e viu James Stewart homenageá-lo, muito comovidamente. Cooper disse: “Eu tive muitas satisfações em minha vida; agora só uma coisa almejo: ‘ter uma boa morte’”. Depois virou para sua mulher e lhe disse: “Gostaria de morrer uma morte boa, seja como homem, seja como cristão”.


FUNERAL DE GARY COOPER. NA FOTO, A VIÚVA, VERONICA BALFE, E A FILHA DO ATOR, MARIA.
Três dias antes de morrer, pediu e recebeu a Extrema Unção (hoje, Unção dos Enfermos). Quando viu o Padre Sullivan perto de sua cama, apesar do atroz sofrimento que tinha, abriu seus lábios num sorriso tímido: quando era feliz por ter um sacerdote para assisti-lo. Um pouco antes de morrer, completamente conformado, disse: “Seja feita a vontade de Deus”. Nos momentos finais, com as poucas forças que sobraram, mexeu com seus lábios e rezou: “Senhor ajuda-me a morrer sem medo”.


Cary Cooper havia completado 60 anos de idade apenas 6 dias antes, e entregou sua alma, deixando multidões de admiradores pelo mundo, que choraram com sua passagem. No cemitério de Holy Cross,  uma quantidade de fãs, fora autoridades e colegas de Hollywood, foram prestar suas últimas homenagens não somente ao verdadeiro campeão e galã que sobrepujava o mal nas telas e seduzia as mulheres, mas ao se despedir também do homem, que tal qual grande parte de seus personagens, enfrentou tudo com igual coragem e integridade.



Em 1974, o corpo de Cooper foi trasladado do cemitério de Holy Cross, California, para o cemitério Sacred Hearts of Jesus & Mary R.C. Cemetery, em Southampton, Long Island (Cemitério do Sagrado Coração de Jesus e Maria).

Paulo Telles.


Baseado em trecho do do livro “Itinerário a Deus do homem moderno” de Don Giovanni Barra (Edições Paulinas) p. 206. Lehen is-Sewwa, 19 de outubro de 2002, Malta.


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