quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Burt Lancaster e suas Três Performances Atléticas no Cinema de Aventura.


Não é novidade dizer que o notável Burt Lancaster (1913-1994) além de um ator inigualável a altura de seu próprio talento, também em seus bons tempos foi um notável atleta, e não foi à toa que em seus primeiros papéis veio a desempenhar heróis de porte viril, como o atleta campeão olímpico Jim Thorpe em O Homem de Bronze (Jim Thorpe – All American), de Michael Curtiz, em 1952.




Burt viveu sua infância no Spanish Harlem, um bairro pobre da cidade de Nova York e os seus pais eram descendentes de protestantes Irlandeses. Seus dotes atléticos certamente vieram na juventude, quando foi craque no basquete e tinha um físico musculoso e 1m88 de altura.  Mais tarde, como é sabido por muitos, começou no picadeiro como acrobata e durante dez anos se apresentou em feiras, circos e em shows de variedades com o Ringling Brothers.




Estreou no cinema em 1946, trabalhando com o diretor Robert Siodmak (1900-1973), com quem faria ao todo três filmes. Atuando em filmes de ação, thrillers e westerns, e movendo-se gradualmente para papéis mais exigentes e sérios, sendo introduzido brilhantemente para o cinema europeu, à medida que ia ganhando prestígio. Participou em dezenas de filmes dos anos 1940 aos anos 1980 e seu talento foi reconhecido quando ganhou o Oscar de melhor ator em 1960 pela interpretação de um caixeiro-viajante e ex-estudante de Teologia no filme Entre Deus e o Pecado. Nesse mesmo ano, trabalhou com John Huston em O Passado não Perdoa.


Mas como o assunto são as três performances atléticas mais notáveis de Burt Lancaster no cinema, quero dizer que nestas três películas o nobre astro não precisou de dublês para as cenas de acrobacias e nas lutas, muito embora não demostrou ser um bom espadachim em O Gavião e a Flecha. Em todas as três atuações, Lancaster demonstra sagacidade, virilidade, e ousadias combinadas, seguidas de um sorriso mercenário e convidativo para as mulheres. O físico privilegiado seguido de muita malhação (onde o termo sequer existia em seu tempo), combinando com seu talento nato de ator, revelaram neste grandioso ator seu merecido reconhecimento e respeito artístico.
Vamos lá


     O GAVIÃO E A FLECHA (1950)
The Flame and the Arrow- Dir: Jacques Tourneur

Dardo (Burt Lancaster) lidera os camponeses na luta para encontrar o filho raptado pelos invasores do rei Frederico. Dono de uma flecha certeira, Dardo faz de tudo para vencer seu principal inimigo, o Conde Ulrich (Frank Allenby, 1898- 1953), chamado de Gavião e responsável pelo rapto de seu filho. Entre uma batalha e outra, Dardo também anseia conquistar a linda donzela Anne (Virginia Mayo, 1920-2005), que está aprisionada no castelo do inescrupuloso Conde.




Com seu humor inigualável e acrobacias malucas, Dardo e sua trupe deixam o inimigo completamente enlouquecido. Neste ambiente heróico, repleto de grandes batalhas, cenários gigantescos e palácios colossais, Dardo revive as aventuras de capa-e-espada de um modo mais irreverente.



Destaque para o ator e também acrobata Nick Cravat (1912-1994) amigo de longa data de Lancaster, amizade esta conservada até a morte de ambos, em 1994, e juntos vieram do picadeiro. Cravat media apenas 1m63 de altura, mas era forte como um touro, e quando perdia do sério, levava muitos homens para segura-lo. Burt convidou o amigo a desempenhar Piccolo, o amigo mudo de Dardo.


Dirigido por Jacques Tourneur (1904-1977), notável cineasta de "Sangue de Pantera" e "Farsa Trágica”. 



O PIRATA SANGRENTO (1952)
 The Crimson Pirate- Dir: Robert Siodmak

Mais um exemplar de capa & espada, desta vez em ritmo contagiante e humorístico, considerado um dos mais sensacionais espetáculos do gênero que Hollywood produziu. Com ele, o diretor Robert Siodmak (1900-1973) explorou o filão aberto por O Gavião e a Flecha  em 1950, além de repetir a dupla Burt Lancaster & Nick Cravat numa aventura de pirataria acrobática e tom de comédia pastelão. 




Cravat novamente desempenha um parceiro mudo, chamado Ojo. Isto porque Nick tinha um sotaque fortemente carregado do Brooklyn, e para não abalar uma trama de época, resolveram novamente “calar a boca” de Cravat.


Lancaster é Vallo, um pirata audaz que, auxiliado por um acrobata surdo-mudo (Cravat) desafia as forças de um tirânico agente do Rei de Espanha, o Barão Gruda (Lesley Bradley, 1907-1974), apoiando assim o revolucionário Sebastian (Frederick Leister 1885–1970) e sua filha Consuelo (Eva Bartok, 1927- 1998), numa ilha do Caribe, em 1750. O próprio Lancaster, com sua arte circense, concebeu e encenou muitas das cenas atléticas de perseguição e combate em galeras, verdadeiramente antológicas, nesta produção rodada em locação na Itália. Uma obra prima do gênero.

SUA MAJESTADE O AVENTUREIRO (1953)
His Majesty O’ Keefe – Dir: Byron Haskin

O capitão David O'Keefe (Lancaster) parte em busca de uma fortuna no século 19 em terras do Pacífico Sul. Decide alistar nativos da ilha para a missão, mas enfrenta vários problemas culturais. A aventura foi rodada boa parte em locações no sul do Pacífico. Outra parte na Austrália, e contou com atores locais no elenco.



Nas cenas, o aventureiro tenta seduzir a população com presentes. A história mostra a ação de um colonialista simpático, que conta com o auxílio de um dentista chinês para conseguir que os nativos trabalhem barato para extrair óleo de copra. Mais um exemplar de cinema aventura protagonizada por Lancaster, que não só demonstra ser um verdadeiro artista, como também demonstra ser um autêntico galante herói das telas, aos moldes de Douglas Fairbanks.  Destaque para a luta entre Lancaster e Charles Horvath (1920–1978), que interpreta o lendário e real pirata dos 7 mares  Bully Hayes. Dirigido por Byron Haskin (1899-1984)


Todos estes três exemplares são, sem dúvida, protagonizadas por Burt Lancaster em boa forma física e artística, caracterizando uma de suas fases mais marcantes nas telas.


Outras Matérias

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...