sexta-feira, 18 de maio de 2012

O Dia em que a Terra Parou – O Original: A Obra Utópica de Robert Wise.


Robert Wise (1914-2005) era um cineasta promissor desde que ficou conhecido como o montador de Cidadão Kane, de Orson Welles, iniciando sua carreira na direção em 1944, mas foi em 1949, com Punhos de Campeão (The Set-Up), considerado o melhor filme sobre a máfia do boxe na história do cinema, e estrelado por Robert Ryan, que Wise conseguiu sua consagração inicial. 


Como sabemos, em seu currículo há obras primorosas de admiração pública, como A Noviça Rebelde (The Sound of Music), Amor sublime Amor (West Side Story),  O Enigma de Andrômeda (The Andromeda  Strain), e Jornada nas Estrelas, o filme (Star Trek – The Motion Picture). Portanto, a obra em tópico aqui apresentada não é menos primorosa, pelo contrário, pois de maneira inteligente e em forma de utopia, aborda a questão nuclear de forma muito séria e competente: O DIA EM QUE A TERRA PAROU (The Day The Earth Stood Still).


Sem sombra de dúvidas, a década de 1950 foi a mais fértil para a ficção científica. Monstros atômicos e invasões interplanetárias refletiam nas telas a paranoia do governo norte-americano com sua fobia de comunismo e sua corrida nuclear armamentista. Mas mesmo assim, em meio a todo este transloucado Marcartismo doente, Wise lança em 1951 esta que é considerada a obra mais importante da Ficção Científica, estampando a defasagem entre as aspirações pacifistas da opinião pública, os riscos do militarismo americano, os riscos na era nuclear, a necessidade do desarmamento atômico, e a atmosfera do medo que assolava então os EUA.


Um emissário do espaço chega à Terra num disco voador e aterrissa em Washington. Klaatu (Michael Rennie, 1909-1971), o alienígena recém chegado, vem com o objetivo de prevenir os habitantes de nosso planeta a pararem de usar armas nucleares, pois isso pode afetar todo o universo. Se os líderes políticos e militares insistirem nisso, as consequências poderão ser as piores possíveis, culminando com a destruição total do nosso planeta.




Auxiliado por Gort, um implacável robô policial programado para desintegrar toda fonte de violência, Klatu tenta dar seu recado de forma pacífica, mas é alvejado por um tiro e pela histeria coletiva. Levado para um hospital, ele foge e mistura-se a classe média, sendo ajudado por uma viúva de guerra, Helen Benson (Patricia Neal, 1926-2010) e um professor, o físico Jacob Barnhardt (Sam Jaffe, 1891-1984).



A única forma que ele encontra de impressionar o povo da Terra é através de um efeito choque, pois durante meia hora, ele neutraliza a eletricidade no mundo todo. Depois disso, Klaatu é descoberto, perseguido, e morto, mas o robô Gort consegue ressucita-lo a fim de que possa, finalmente, anunciar a mensagem antibelicista (em verdade a mensagem que o filme de Wise expressa) para os Povos da Terra.




Muito respeitado pelos críticos, O Dia em que a Terra Parou foi não somente um marco na Ficção Científica, como também na Sétima Arte em geral. Além disso, foi a primeira vez que um extraterrestre não era apresentado como uma ameaça à vida na Terra, mas sim como um conselheiro pacifista. A fotografia de Leo Tover (1902-1964) procura realçar os contrastes de luz e sombra, como nos filmes do Expressionismo Alemão. Outro ponto alto são os diálogos, com frases brilhantes de Klaatu:

Minha missão não é resolver seus mesquinhos problemas de política internacional. Não falarei com nenhuma nação ou grupo de nações. Não pretendo trazer minha contribuição aos seus ciúmes ou suspeitas infantis”.

Ou, ainda, ao responder ao secretário- geral americano, quando este lhe diz que todos os líderes do mundo não se sentariam a mesma mesa:

A Burrice me deixa impaciente. Meu povo aprendeu a viver sem ela”.



O Dia em que a Terra Parou é um clássico que vem a provar que a ficção científica tem muito mais coisas a dizer e a mostrar do que batalhas galácticas ou monstros devastadores.  O filme retrata, sem subterfúgios, o conflito entre a ciência e o militarismo, e como uma fábula política, é um dos exercícios mais fascinantes já realizados no gênero, com o impactante comentário musical de Bernard Herrmann (1911-1975), o compositor preferido do Mestre do Suspense Alfred Hitchcock.



As palavras finais de Klaatu, no seu ultimato dos humanos, são bem mais significativas e devastadoras do que qualquer arma laser de algum herói intergaláctico. Um clássico que há exatos 61 anos vem demonstrando ao mundo sua durabilidade, o que torna ainda ser bem atual devido a muitos confrontos políticos e sociais que ainda vivemos. A refilmagem, de 2008, dirigido por Scott Derrickson e estrelado, por Keanu Reeves, além de ter sido um fracasso de bilheteria, foi imperdoável para os fãs do cinema antigo e seus apreciadores. Ainda bem que Robert Wise não viveu para tomar conhecimento, pois falecera três anos antes.

FICHA TÉCNICA
O Dia em que a Terra Parou - (The Day the Earth Stood Still)
Ano: 1951. Direção: Robert Wise.

Elenco:
·         Michael Rennie …. Klaatu/Carpenter
·         Patricia Neal …. Helen Benson
·         Hugh Marlowe …. Tom Stevens
·         Sam Jaffe …. Prof. Jacob Barnhardt
·         Billy Gray …. Bobby Benson
·         Frances Bavier …. Sra. Barley
·         Lock Martin …. Gort
·         H.V. Kaltenborn …. H.V. Kaltenborn
·         Elmer Davis …. Elmer Davis
·         Drew Pearson …. Drew Pearson
·         Gabriel Heatter …. Gabriel Heatter
·         
·         Título no Brasil: O Dia em que a Terra Parou
·         Título Original: The Day the Earth Stood Still
·         País de Origem: EUA
·         Gênero: Ficção
·         Tempo de Duração: 92 minutos
·         Ano de Lançamento: 1951

·         Direção: Robert Wise

25 comentários:

  1. Um filme incrível, Paulo. Tão simples e tão atraente. Já o remake com Keanu Reeves é um lixo.

    O Falcão Maltês

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    1. O Remake só fiz um breve comentário no fim, e sem dúvida, foi um gasto de tempo e dinheiro desnecessário. Mas o pior é que acabam ofendendo a obra original, seu diretor, e seus intérpretes.

      Na época deste lançamento, só a Patricia Neal ainda estava viva e até chegou a declarar (e já bastante doente)que não tinha comentários a tecer sobre a refilmagem, pois sabia muito bem que o filme original em que ela atuou é Marca Registrada.

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    2. João de Deus "Netto"27 de maio de 2012 15:53

      Como se consegue fazer um remake lotado de tecnologias e irritantemente chato? Putz, passei admirar e a gostar mais ainda desse primeiro!

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  2. Uma coisa que mais me põe em angustia é o meu semelhante.
    Não sei por que, talvez até possa imaginar, mas o homem só pensa em matar.

    Se um tubarão ataca um ser humano, saem à caça do tubarão para mata-lo. Se um urso ataca um homem, lá correm todos para tirar a vida do pobre animal, se um...bem, se um tudo, se qualquer coisa acontecer contra o homem, ele quer matar.

    Jesus! Que sanha de matar é esta? Porque somos assim tão mais animais irracionais que os próprio animais irracionais, se nos intitulamos de animal racional?

    Tenho uma resposta. Simples, mas que pode explicar tudo isso: nossa origem. Nosso passado. Nossa retaguarda, onde era cada qual por si. Cada um lutava por sua sobrevivencia

    Mas evoluimos e deveriamos tomar como exemplo os próprios animais, independente de nos intitularmos de o unico animal que pensa, que tem idéias, que sabe o que faz.
    Como é que nós sabemos o que fazemos se s pensamos em matar?!
    Eles, os ditos irracionais, que somente matam, ou tentam fazer isso, para se defender ou para se alimentar!

    É o que ocorre com esta pérola de fita. Chega num local bonito, bem frequentado, dito como restrito à lei do país, um objeto estranho. A expectativa de todos é angustiante, mas todos com um único pensamento; matar algo que saia daquilo ali!

    Num segundo toda força de defesa do país está de prontidão, super armados, prontinha para matar, para disparar, para aniquilar aquilo estranho, sem nem se preocupar primeiro do que se trata, quem é, por que está ali, a que vem e porque pousa ali aquilo tão estranho.

    Só que estranho, mas lindo, diferente, potente, quase que fenomenal.

    Este filme pode até ser imaginado como uma utopia. Mas que ele traz um sem numeros de verdades, quando o homem explica a razão de sua estada ali, que precisávamos parar, pensar e por termos em nossa selvageria, isso é um fato.

    Wise, um diretor que NUNCA fez um filme sem qualidade, NUNCA mesmo, nos oferece esta joia preciosa, com o intuito de mostrar, exatamente, nossa irracionalidade. Aquilo ali nunca irá acontecer, mas o filme tenta mostrar o quanto inumanos somos, como somos brutos e fracos.

    Uma fita que tenho gravada e que vejo vez em quando, de tão limpa em termos de fotografia, de tão perfeita em termos de direção, de tão bem protagonizada (claro que do Rennie é que falo) e de muitas qualidades de uma forma geral.

    Adoro esta fita e sei que ela não é adorada apenas por mim. Ela é linda, bem feita, tem conteudo, desenrolar, direção e uma atuação de Ronnie como quase sempre ele se comporta.

    Para a época em que foi feito, este filme sobrevive, ensina como é se fazer cinema para um sempre e não para uma degustação imediada somente.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, pior que as coisas não são diferentes como eram a 61 anos atras, pois se analisarmos, muitas brutalidades em nome da chamada "civilização" ainda ocorrem. O remake foi uma tragédia, porque não emplaca nem mesmo ao espírito da proposta original. Sim, é muito discutível entre os cinéfilos se é válido ou não refilmar um clássico. Na minha opinião, não.

      Michael Rennie era um ator inglês notável, atuava com elegância britânica em qualquer papel, mas infelizmente, mesmo com o sucesso que atravessa por décadas esta grande obra de Wise, poucos se lembram dele. Uma tremenda injustiça.

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  3. Nahud/Nery;

    Nahud;
    O remake, com Reeves, simplesmente não existe.
    Aquilo ali não tem nada a ver com o que estamos comentando.
    O mais preciso e essencial, é que não falemos dele nem o comparemos com nada deste classico de 61 anos atrás.
    jurandir Lima

    Nery;
    O cinema amrericano vive muito de nomes, de títulos, de achar que se fizer uma versão nova de um filme antigo, o povo abraçará, contanto que o titulo se mantenha.

    O povo, que não é burro, pode até abraçar. Porem, aqueles que somente vêm filmes atuais, que vão ao cinema apenas como passa tempo. Mas, a critica cai em cima de porrete. Como caiu, como o Nahud se mostra e como nós o vemos e classificamos. Aquela versão é uma inexistencia!

    Sim, porque esta versão, do Scott Derrickson, chega a ser uma afronta à obra de Wise. Não sei como gastam tanto dinheiro para fazer aquilo!

    O Reeves já não é lá estas coisas que se perca tempo para vê-lo.
    Juntando isso tudo a uma historia totalmente absurda e diferente do original. Mais uma incognita na direção, não poderia resultar em outro fiasco senão no que resultou. Erra também os produtores que aceitaram um roteiro daqueles com um titulo merecedor de respeito como o de Wise.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, pode até acontecer de calhar um sucesso através de um remake, mas isso não significa que venha a superar um clássico. Vc já imaginou, meu nobre, se um pintor tivesse que refazer uma Monalisa, por achar que esta ultrapassado ou que não tem nada a ver com os nossos dias? seria muito gozado, já que DaVinci é insuperável. O mesmo se aplica aos clássicos do cinema.

      Ao que se tem informação, o único remake que deu certo foi o KING KONG de 2005, e ainda assim, nunca superou o clássico.

      Evidente que a nova geração que não tem hábito ainda de ver o cinema sob ótica cultural vai achar que a refilmagem tem tudo a ver, com efeitos especiais avançados e tudo muito moderninho, porém não aprendeu a dar valor ao cinema como arte, e a valorizar os grandes clássicos que deram seu brilho na História. São pouco desta nova geração que podem reconhecer os méritos de grandes cineastas como Robert Wise, William Wyler, Nicholas Ray, George Stevens, entre outros, a menos que se aprofundem e leiam muito sobre a Sétima Arte e sua História.

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  4. PAULO SÓ ME RESTA DIZER PARABÉNS, POIS O SEU POST ESTÁ ESPETACULAR. E PARA COMPLETAR O GRANDE JURA DISSE TUDO QUE EU GOSTARIA DE DIZER...
    ASSIM SÓ ME RESTA ACRESCENTAR QUE, ALÉM DA GRANDE INTERPRETAÇÃO DE MACHAEL RENNIE E SAM JAFFE, TAMBÉM ENFATIZO A PERFORMANCE DE PATRICIA NEAL, POR QUEM GARY COOPER ERA APAIXONADO...
    COMO VOCÊ DISSE A DÉCADA DE 50 FOI A MAIS FÉRTIL EM FILMES DE FICÇÃO CIENTÍFICA, PORÉM, ENTRE OUTROS, DESTACO, ALÉM DESTE CLÁSSICO, MAIS DOIS FILMES QUE MERECEM SER LEMBRADOS: O PLANETA PROIBIDO E O INCRÍVEL HOMEM QUE ENCOLHEU...
    PARA TERMINAR UMA FRASE MINHA: AS GUERRAS DIFICILMENTE TERMINARÃO, POIS O HOMEM, EM SI, JÁ NESCE BELICOSO!

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    1. Eddier, todos estes filmes como bem mencionou são obras B que realmente merecem todo crédito. O homem não é somente um animal político, mas também bélico, não é mesmo? bem refletido este ponto,nobre Eddie.

      A Patricia Neal teve um caso tempestuoso com Gary Cooper, e ambos eram apaixonados um pelo outro. Gary foi a paixão, o verdadeiro amor de Patricia, que nunca o esqueceu. Dizem que quando Cooper morreu, ao saber, ela chorou dizendo "meu amor".

      Abraços, Eddie.

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  5. Nery;

    Fiz um comentário, acho que no Mania, respondendo a um comentário de Edson Paiva.
    Ele dizia, mais ou menos assim; que deviamos não apenas engrandecer aqueles grandes diretores, mas enleva-los acima do patamar de bons, porque eles nos premiaram com um mundo de sonhos~, informações e ensinos como não imaginamos.

    E eu disse, reforçando ao que ele dissera, o seguinte, mais ou menos;
    "Nós que vemos estes belos filmes e que saimos do cinema com uma outra cabeça, com a imaginação borbulhando de tantas coisas belas e quase inacreditáveis que vimos, podemos considerar que tudo o que somos hoje, muito o devemos aos grandes filmes e diretores, talvez até muito mais do que o que aprendemos na escola.

    O cinema foi um educador precioso para nossas formações, nos moldando as mentes, nos ensinando historia, nos dirigindo a não ser clandestinos na vida, forjando nosso caráter, nos ensinando a nos comportar decentemente e nos mostrando o correto caminho do futuro.
    Porque, nos filmes que viamos, a marginalização sempre foi punida. E isso é ensino, é escola, é diretriz.

    Enfim; o cinema, com sua grandeza, com toda sua beleza, com seus ensinamentos, foi fundamental para nosaa formação como homens. E até nos tornando mais sábios do que se tudo o que sabemos fosse aprendido na escola.

    Portanto, devemos a homens como De Mille, Ray, Mann, Walsh, Preminger, Wyler, Daves,Stevens, Ford, Huston, Wise e muitos outros, o que somos hoje, porque nossa primeira linha de educação e aprendizado vieram das telas dos cinemas.

    Isso pode parecer um exagero mas, pensem bem e imaginem, àqueles cinéfilos, suas formações e vidas sem a escola mágica e proveitosa do cinema.

    Então, caro amigo, aquilo foi sim, educação, ensino, diretriz. Somos o que somos porque vimos muito cinema. E cinema do bom, cinema daquele que nos deixavam algo.

    Os remakes, caro amigo, eles já são criados em cima do que permeia no seio da nova geração. Não apenas na geração que os assiste, como na nova geração que os criam.

    O cinema de hoje é muito oposto ao que deve ser o cinema.
    Ao invés dele semear ensinos, espalham deseducação. Só vemos lutas, brigas, tiros, explosões,roubos com sucessos, a marginalização triunfando, mentiras tão trágicas quanto trágicas são as mentes que a estas coisas assistem, e ao que serão estas pessoas no futuro.
    Tudo isso salvo algumas excessões.

    E já podemos ver, claramente, estes resultados no dia a dia que presenciamos nos jornais, radios e TV.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Nobre amigo Jurandir, penso o mesmo, pois toda arte é aquela que educa.

      O cinéfilo, em especial, tem referência nos filmes. Tudo poderá ser muito complexo, tendo em vista que o espectador pode tirar proveito das mensagens que cada espetáculo prega. O cinema antigo tinha por traz de cada fita uma mensagem do bem prevalecendo sobre o mal. Os malfeitores, realmente eram punidos ao fim, e fosse qual o gênero, evitando a pieguice, haviam de fato mensagens importantes de generosidade, coleguismo, e amizade. Um exemplo disso mesmo são os filmes de John Ford, o qual o amigo não tem muita admiração. Se notar, havia este momento “mágico” onde fosse a patota de Ford se reunir em um filme, esta amizade de equipe era refletida nas telas, e das telas para o público, que aprendia com isso os elevados valores de companheirismo e sinceridade. Os sentimentos eram os mais verdadeiros possíveis.

      Certamente, hoje o cinema, com muitos cineastas que apesar de conhecerem todos estes diretores do passado, eles não reverenciam e nem tem nenhum como referencial. Os remakes em boa grande parte são uma verdadeira tragédia, e o que vc diz é correto, porque não foram feitos como comparativos (e nem tem como comparar, óbvio), mas foram feitos justamente para a nova geração sob a ótica dos valores de hoje, que são bem diferentes daqueles de 61 anos atrás. A nova geração, segundo o cinema de hoje, não precisa de ensinos, e tudo se move de acordo com as situações, sem com isto se preocupar com as consequências. Logo, a deseducação impera e reina.

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  6. Nery;

    Adorei "a elegancia britanica, do Rennie". Um termo lindo e bem apliado a um ator que era tudo isto que diz.

    Remakes, amigo? Para que faze-los? Se o fizessem sempre, no minimo, como Os Indomáveis/07, de Mangold, nos aborreceríamos menos.

    Mas fazer um remake da qualidade do de Keanu Reeves, isso é cutucar Polifeno, o filho de Netuno (segundo o filme Ulisses, com Douglas), com uma vara curtissima. Aliás, chega a ser um insulto ao ego de Wise e sua obra.

    Por isso que não vejo nos cinemas um remake de, por exemplo; Ben Hur, de Os 10 Mandamentos, de O Maior Espetáculo da Terra, de Da Terra Nascem os Homens,e etc.

    Sabe porque não fazem isso? Porque os gestores das obras sabem que nunca farão nada como os originanais.
    Então, mesmo perdendo dinheiro não vendendo, ou cedendo os direitos para um remake, devem se sentir melhores assim.
    Que desastre se tornou o nosso atual cinema!
    Sim, verdade o que digo. Porque, quando desejamos ver um grande e bom filme, temos que ir buscar em DVD's que preservam as grandes obras primas da sétima arte.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  7. Nobre baiano, nem tenho palavras para lhe responder porque sinceramente vc tem razão. Vc citou, por exemplo, BEN-HUR e os DEZ MANDAMENTOS, que tiveram ambas suas primeira e segundas versões - Ben Hur em 1925 e 1959, e The Ten Comandments em 1923 e 1956, e ambos os remakes estrelados por Charlton Heston.

    E pergunto: Por que estes remakes realizados na década de 1950 deram certo? simplesmente porque os gestores sabiam o que faziam. Havia sim a ambição de arrecadar nas bilheterias, o que é bem compreensível, o problema é saber investir e saber lidar com todo um procedimento, desde a produção e a confecção de um roteiro que prenda o espectador, e claro, um diretor renomado tão gabaritado como aqueles que admiramos muito, não é meu caro?

    Daí digo que fora as únicas exceções de acontecer que um remake pudesse até superar a 1º versão de uma obra cinematográfica. Tanto Ben Hur de 1959 como OS Dez Mandamentos de 1956 são obras cults que praticamente quase ofuscam as versões de 1925 3 1923 respectivamente.

    Mas o pior esta por vir...

    VC SABIA, JU, que BEN-HUR e O DEZ MANDAMENTOS foi refilmado recentemente? Logo, tem uma terceira versão de ambos, e produções de TV, em forma e minisérie? e que os DEZ MANDAMENTOS foi transformado em musical?

    Fica com esta e depois me responda, nobre.

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  8. Um clássico insuperável da história do cinema. A refilmagem com Keanu Reeves nem chega a seus pés.

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    1. Vc disse tudo Gil. A obra de Wise é insuperável, assim como era um cineasta insuperável.

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  9. Nery;

    Sabia sim. Sabia de tudo isso. E "foram tão importantes que nem eu e quase ninguém fala deles".
    Olha, rapaz Nery; não há comparação, não tem como nem se discutir algo sobre isso. E até que foram inteligentes, fazendo diretamente para a TV tais trabalhos.
    Mas, fizeram o mesmo com Spartacus e com Sansão e Dalila. Sei de tudo, mas não conta. Nunca foram exibidos em circuitos comerciais, porque eles não são loucos. Tem tudo de ficar restrito à TV.

    Outra coisa; quando falei de Ben Hur e Os 10 Mandamentos, nem sequer pensei nas versões primeiras do cinema ainda mudo. Considerei apenas as versões de 56 e 59. Esses eles nunca ousarão remakear (que termo fui buscar, Nery!!! Remakear? Já ouviu algo assim?) Estou brincando e sei que o amigo entendeu o que desejei dizer com remakear.

    Grande abraço
    Jurandir Lima

    Nery? tenho feito uns comentários e não sei o que está acontecendo. Já perdi dois deles quando mando PUBLICAR. De repente tudo fica branco e o comentario desaparece. Fico na expectativa dele aparecer no blog. Mas ainda ontem entrei lá e nem os anteriores que fizera apareceram. Será que está havendo algum problema na Internet ou na transmissão dos dados? Sabe de alguma coisa?

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    1. Nobre baiano Jurandir, fiz apenas menção não para elaborar algum comparativo, mas apenas para informar que elas existem. Os produtores destes trabalhos até que foram inteligentes, visto que fizeram uso restrito da TV, ao invés de lança-los em circuito aberto, com risco de afundarem nas bilheterias, e pior, as salas de exibição.

      Vc não é o único que quando menciona estes dois clássicos épicos, um de 1956 e outro de 1959, não se lembra que ainda houveram uma versão anterior, cada um, na fase dos Silents. O próprio Cecil B. DeMille realizou a versão de 1923 dos 10 MANDAMENTOS que já foi matéria em dezembro aqui do blog. Logo, foi um caso a parte tais remakes fazerem sucesso, e “Remekear” seria um sacrilégio.

      Quanto ao problema eu não sei o que há, mas eu copiei e colei seu comentário que me mandou por email. Logo mais vejo que problema será este e lhe dou o retorno. Um forte abraço do editor.

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  10. Belíssimo artigo!
    Somente a obra original me fascina por tratar do assunto naquele período negro das bombas atômicas e da Guerra Fria exatamente paranoica na década de 50 com tudo que acontecia nos Estados Unidos e na União Soviética e como você bem aponta, Hollywood fez nascer os melhores filmes B de monstros, os atômicos!

    Meu amigo, a refilmagem é um erro tão grave, ridículo, que me deixou, além de entediado com o chatíssimo do Keanu Reeves, enojado! rs

    Prefiro esta pérola do artesão Robert Wise!

    Forte abraço!

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    1. Nobre amigo Rodrigo. A obra de Wise é até uma referência histórica de um período nefasto não somente nos EUA, mas atingiu todos os princípios básicos da Democracia.

      É como tenho dito para o Jurandir baiano, remake tem tudo para ofender a primazia da obra original, e quem perde com isso, pode acreditar, são mais os produtores do que o público, que muitas vezes por curiosidade, que comparar, o que é um ledo engano, pois não existe comparações, impossível.

      Grande abraço

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  11. Nery;

    Logo vi que alguma coisa estava fora do compasso.
    Não havia feito este ultimo comentário que consta aqui e sim o tinha enviado por email.

    De repente ele aparece no blog e então disse para mim; Puxa vida! Está mesmo tudo errado! Por isso o apagão do que escrevo.

    Porém, logo vi que o amigo fez o que falou ter feito.
    Tudo bem. Não tem importancia, já que tudo se refere mesmo a assuntos do blog.

    Fica atento, companheiro. Caso note algo estranho ou qualquer outra reclamação ou contato de algum novo comentarista sobre o assunto, veja o que está ocorrendo.

    Grande abraço
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Pois é, Ju, eu achei mais prático tendo em vista a importância de seu comentário, mas valeu pelo alerta, não sei mesmo o que se passa, mas vou tentar chegar. Abração, meu nobre!

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  12. Caro Paulo,

    O DIA EM QUE A TERRA PAROU, de Robert Wise, ainda mantém a aura de clássico insuperável. O mais incrível, para mim, é o lugar singular que este filme ocupa na história do cinema, particularmente na ficção científica - se bem que é, também, um filme de ficção política.

    Os anos 50 foram repletos de filmes de ficção científica. Considerável parte das realizações transferia para os confins siderais os conflitos ideológicos que aconteciam aqui em baixo. Então, Marte, o PLANETA VERMELHO (olha a cor!) assumia, muitas vezes, a condição de inimigo preferencial. Mas também tivemos criaturas vindas de Vênus etc. A exceção, nesse imbróglio todo, é O PLANETA PROIBIDO, com muita liberdade extraído de A TEMPESTADE, de Shakespeare.

    Mas o bom de O DIA EM QUE A TERRA PAROU - praticamente um ponto zero no gênero (no momento, estou sem maiores informações) - é a humanidade dos personagens, tanto em gestos como em aparências. Não é um filme que apela aos temores que se ocultam no imaginário dos espectadores. Ao contrário. Denuncia - pode-se utilizar essa palavra - a nossa natureza bélica e lança alertas quanto a nossa inquietação diante do desconhecido. É um filme que, ainda hoje, convida à reflexão. Em termos tecnológicos, pode ter ficado pobre, se comparado ao que é feito hoje. Mas muito do que é feito hoje é, em sua maioria, apenas pirotecnia, fogo de artifício. O DIA EM QUE A TERRA PAROU, não, é astutamente sóbrio.

    Abraços.
    José Eugenio Guimarães
    http://cineugenio.blogspot.com

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    1. Sem dúvida, O DIA EM QUE A TERRA PAROU não é apenas um clássico da ficção científica como também é uma obra de alusão política, visto que foi realizado numa época MACABRA para os americanos: o Macarthismo.

      O filme, sem dúvida, além de denúncia, é também uma reflexão quanto ao egoísmo e a ambição desmedida dos governantes e das autoridades mundiais. Frases elaboradas com um roteiro brilhante fazem deste clássico um dos mais renomados e respeitados de todos os tempos, e certamente, artesanato por um dos gênios do cinema, Robert Wise, e considero absolutamente uma profanação a memória deste grande cineasta terem a ousadia de fazer um remake tão imbecil como esta estrelado por Keanu Reeves, que sem dúvida, não é nenhum Michael Rennie, que deu ao papel um primor único para seu alienígena. Por isso, meu amigo Eugênio, vale parafrasear uma fala do próprio Rennie, melhor dizendo, Klaatu:
      “A Burrice me deixa impaciente. Meu povo aprendeu a viver sem ela”.

      Quem sabe, Klaatu já prevenira sobre o risco de um remake, não é mesmo?

      Abraços do editor!

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  13. Caro Paulo,

    Informou-me o Klaatu, numa das poucas visitas que me fez em imaginação, que "Klaatu barada nikto" também pode ser traduzido por isso que você destacou: "A burrice me deixa impaciente. Meu povo aprendeu a viver sem ela". Mas não tenho muitas esperanças quanto a nós, não dentro do tempo histórico que tenho a viver e pelos próximos muitos anos que ainda virão após a minha partida. Hehehe!

    Abraços.

    José Eugenio Guimarães
    http://cineugenio.blogspot.com

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    Respostas
    1. Na verdade, Caro Eugenio, ninguém tem mais esperança de nada, e a burrice tão bem abordada por Klaatu não se deve apenas ao perigos iminentes da chamada Humanidade, mas aos perigos de alguns "cineastas" de insistirem em mexer com aquilo que já é intocável e consagrado como obra prima. A burrice também me deixa impaciente, rsrsrs. Abraços!

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