terça-feira, 1 de maio de 2012

Matar ou Morrer: Clássico do Western e uma alegoria politica com Gary Cooper.




Clássico que estabeleceu as bases do chamado Western Psicológico, Matar ou Morrer (High Noon), de 1952, dirigido por Fred Zinnemann (1907-1997), e estrelado por Gary Cooper (1901-1961), em verdade é uma alegoria politica de um período nefasto ocorrido nos EUA. Um western aqui levado a dimensão de tragédia grega, que os americanos (até hoje), sobretudo os democratas, consideram muito importante esta obra de Zinnemann, tanto que uma cópia foi depositada numa capsula do tempo para ser aberta no ano 2213.


Gregory Peck havia sido a primeira escolha para o papel do honrado xerife Will Kane, mas Peck desistiu da idéia porque havia recentemente participado de um outro western ao estilo psicológico, O Matador(The Gunfighter), em 1950 e dirigido por Henry King. Logo, ofereceram a Cooper que aceitou no ato e a produção custou apenas 750 mil dólares.


Zinnemann considerou Gary Cooper como um ator que “faz a diferença entre um filme mediano e um filme muito melhor que o mediano”, mas parece que o notável cineasta peca pela modéstia, afinal, High Noon figura em qualquer lista dos maiores westerns e comumente é apontado como seu trabalho mais expressivo, e Will Kane possui todas as características de um personagem de Zinnemann:

“A Consciência de um homem que julga não poder fugir de uma situação adversa. Aconteceu de ambientar-se num western, poderia tomar lugar em qualquer parte onde um homem enfrenta essa decisão. É uma situação intemporal.”


Percebemos como Kane é diferente dos mocinhos de outros westerns dirigidos por John Ford e Howard Hawks, onde o medo é utópico para eles. Ao invés, Kane tem suas cautelas, não deixa de ter seus medos. Mas ele não foge a luta e enfrenta tudo com dignidade.


Zinneman reparte com quatro colaboradores o sucesso deste magistral western, como o fotógrafo Floyd Crosby (1899-1985), o roteirista Carl Foreman (1914-1984), o montador Elmo Williams (nascido em 1913 e ainda vivo), e o compositor russo Dimitri Tiomkin (1894-1979). Com o fotógrafo Crosby, Zinnemann optou por uma imagem oposta ao usual no gênero:

Eu disse a ele que gostaria que o filme se assemelhasse a um cine-jornal. Não havia filtros e o céu era sempre muito branco. Tentamos fazer o mesmo, e não usamos nada, somente iluminação frontal. E além disso, não procuramos glamourizar Cooper. Nós o mostramos como um homem de meia idade, e ele não objetou.  A comparativa “imperfeição” técnica resultante funcionou de modo sublíme, e isto fez com que o público sentisse a coisa mais realisticamente. Na maioria dos westerns, belas formações de nuvens são consideradas obrigatórias, mas queríamos enfatizar a esterilidade da cidade, a inércia de tudo e todos. Para contrastar isto, como os movimentos do xerife, vestimos Cooper todo de preto. Assim, seu vulto solitário se agita pela resplandecente inércia de tudo, parecendo seu destino ainda ser mais pungente”.


O dinamismo da obra nasce desses contrastes – branco/preto, inércia/movimento – e se intensifica na vibração da montagem de Williams e na inventiva distribuição musical de Tiomkin, alicerces do crescente suspense. Na trilha sonora, o astro-cowboy Tex Ritter (1905-1974) entoa os versos de Ned Washington (1901-1976).



Todos os incidentes então concentrados entre as 10h40m e meio dia de um domingo de 1870, em Hadleyville. Nessa quase hora e meia, o xerife Will Kane (Cooper), então recém casado com Amy Fowler (Grace Kelly, 1928-1982), uma Quaker, tenta obter o auxílio da população, para enfrentar um famoso pistoleiro, Frank Miller (Ian MacDonald, 1914-1978), que anos antes, Kane havia mandado para cadeia e que agora chegará no próximo trem para se vingar.



Todos aconselham a Kane a partir para sua lua de mel com Amy e sair da cidade, e a própria esposa apela ao marido para esquecer Frank e seus asseclas. Porém, Kane é um homem consciente do seu dever, e não somente, ele acha que precisa fazer alguma coisa, ou se não, não terá paz.



Kane dá meia volta em sua carroça e volta a cidade, deixando Amy num posto. Como Quaker, Amy é pacifista e não concorda com a decisão do marido em pegar em armas e enfrentar Miller, já que este havia prometido a ela não mais ser um Homem da Lei.  Aos poucos, Kane vai percebendo a solidão, a partir do momento em que a população, para quem muitas vezes serviu, se recusa a ajudar num momento crucial. Onde estão os amigos nesse momento?  Afinal, o povo se esqueceu dos serviços do xerife que tão bem cuidou da cidade e a manteve em ordem?




A hipocrisia e o medo são imperantes.  Todos querem ver Kane fora da cidade, não porque gostam dele ou querem protege-lo, mas porque ele traria ainda mais o temor à população com o duelo com Miller. Na hora fatídica,  Kane sabe dos riscos e deixa uma carta caso ele morra no combate, e todos se recolhem para suas casas. Quem se ofereceu para ajudar, na última hora foge porque Kane não conseguiu reforços. É o cúmulo, mas o herói parte para a luta e enfrenta. Consegue liquidar dois dos capangas de Miller, e um deles é morto pela esposa de Kane, Amy, que estava decidida a sair da cidade, mas volta quando percebe o perigo.




Miller consegue capturar Amy, mas ao fim, Will Kane consegue liquida-lo. O momento clímax, além do duelo do homem solitário, é também quando tudo já esta sob o controle, o povinho sai das suas casas e fica em volta de Kane e da esposa. Numa magnífica interpretação de Gary Cooper, que merecidamente arrebatou seu segundo Oscar de melhor ator (o primeiro havia sido em Sargento York, de Howard Hawks, em 1941), Kane olha para aquele pessoal com total desprezo e joga ao chão a sua estrela de xerife, como se dissesse: “retribuo a vocês por toda "ajuda", fiquem com isso”, e parte com sua carroça e vai embora com sua amada e fiel Amy, sem olhar para tras.




MATAR OU MORRER funcionou como uma verdadeira metáfora sobre o Caça as Bruxas de Hollywood. O script de Foreman é “uma investigação da anatomia do medo; uma destilação de encontro com parceiros, associados e advogados”. A ênfase foi conferida em meio a construção do texto, quando Foreman teve de depor perante a nefasta, louca, neurótica, e absurda comissão de investigações do Senador Joseph McCarthy. Depois, Carl Foreman caiu na “lista negra”, só voltando a assinar o próprio nome em 1958.


Enfim, um verdadeiro clássico, do gênero Western Classe A, que é ao mesmo tempo um dos retratos mais pungentes que o cinema já produziu sobre a solidão humana, onde exprime o comportamento de toda uma sociedade paralisada pelo medo, arrebatando assim mesmo, três Oscars – de montagem (Elmo Williams), ator (Gary Cooper, merecido) e música e canção (Dimitri Tiomkin).


FICHA TÉCNICA – MATAR OU MORRER (High Noon)
Diretor: Fred Zinnemann
Elenco: Gary Cooper, Grace Kelly, Thomas Mitchell, Lloyd Bridges, Katy Jurado, Otto Kruger, Lon Chaney Jr., Harry Morgan, Ian Macdonald, Lee Van Cleef..
Produção: Carl Foreman, Stanley Kramer
Roteiro: John W. Cunningham, Carl Foreman
Fotografia: Floyd Crosby
Trilha Sonora: Dimitri Tiomkin
Duração: 85 min.
Ano: 1952
País: EUA
Gênero: Faroeste
Cor: Preto e Branco

BASE PARA ESTE ARTIGO: Livro Huston, Lubitsch e Zinnemann – edições Cinemin- ano 1985- Autores: A. C. Gomes de Mattos e Sérgio Leemann.

Produção e pesquisa de Paulo Telles


34 comentários:

  1. Bem melhor o resultado atual do layout novo, caro Paulo: mais limpo e bonito, sem dúvida!

    Parabéns também pela ótima postagem (como sempre) sobre este clássico absoluto, um dos melhores filmes de todos os tempos! Adendo somente para duas "falhas" suas: não mencionaste o excelente desempenho de Lloyd Bridges, injustamente lembrado somente pelas comédias pastelão do fim de carreira; e acho que deverias ter falado mais sobre o "tempo real" do filme - toda a trama se desenvolve durante aproximadamente uma hora e meia, sempre com relógios a enfatizar o suspense da "hora H" chegando... Um primor, acho até que usado pela primeira vez no Cinema tal recurso, corrija-me se estiver errado.

    Desculpe as "intromissões" no texto: coisa de fã ardoroso deste filme genial!

    Os Morcegos estão de partida: aproveite para pôr a leitura (e os comentários, fazendo favor, rs) em dia por lá! Até a volta! Abração!

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    1. Salve, Dil. De fato, não fiz menção nem de Lloyd e nem da Katy Jurado, não por menosprezo, mas que os dois não são figuras centrais da fita, mas sem dúvida, se não fosse o suporte deles, a obra não teria todo este encaminhamento, não é verdade?

      E por favor, nobre amigo, as vezes eu deixo de "falar tudo" justamente para dar abertura a tão brilhantes comentaristas como vc, portanto não peça desculpas.

      Sim, foi uma coisa que esqueci de falar, que toda a trama se passa em tempo real como no filme, isto sem intervalos comerciais, rsrs.

      Amigo, acho uma pena vc estar de partida, mas vou dar um pulo o mais rápido possível no "morcegos". Até a volta e se cuida. Um forte abraço!

      Paulo

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  2. O novo visual ficou muito bom, Paulo. Votei na enquete em Clássico, mas o meu gênero de verdade é o Policial Noir. Como não tem na listagem...
    MATAR OU MORRER é perfeito, a sua abertura é sensacional. Peck fez uma besteira em ter recusado o filme.

    O Falcão Maltês

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    1. Salve Nahud, realmente me esqueci de um gênero que deveria ter colocado na opção, o POLICIAL, mas ainda dá tempo de despontar. Sem dúvida, Peck também ficaria muito bem no papel, mas fico feliz de ter dado a brecha para Gary Cooper, que arrebatou com isso mais um Oscar.

      Paulo

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  3. Bela homenagem e visão sobre essa pequena joia do cinema.

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  4. Grande Paulo,
    Parabéns pelo novo visual do Blog, mudanças sempre são necessárias só que eu tenho uma dificuldade tão grande de aceitar esse ditado, kkkk já tentei mexi e remexi na minha página mas sempre acabo voltando atras, mas logo logo também irei aplicar algumas mudanças lá.... já comecei pela foto da capa, depois observe lá...

    Quanto seu artigo sobre Matar ou Morrer, Parabéns, completa como sempre e repleta de informações precisas e interessantes. Eu sou suspeito em falar desse filme pois é um de meus faroestes preferidos. Gosto muito de Cooper, e acho as interpretações de Bridges e Jurado sensacionais, enfim.... Ótima escolha...

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    1. Salve Jeff (que não é o Chandler)! Agradeço de imenso o apoio, amigo, mas eu tive que explorar muita coisa no blogger até o acerto final. Recomendo sim que quando puder faça mudanças, e vou lá verificar o seu começo, nobre.

      Quanto ao filme e as interpretações, todos do elenco sem dúvida se sairão bem. O próprio Bridges, que era um excelente ator, formado em ciências políticas, foi interrogado e boicotado em Hollywood. Por isso que recorreu a TV que o colocou na série de TV AVENTURA SUBMARINA, onde certamente é mais conhecido como o destemido mergulhador Mike Nelson, personagem que certamente cativou a geração de 40 a 50 anos.

      Abraços

      Paulo

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  5. É um ótimo western, um dos meu favoritos.

    O roteiro mostra bem como todos estamos sozinhos no mundo, principalmente na hora dos problemas.

    Sobre a enquete, faltou o gênero policial, o meu favorito.

    Abraço

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    1. É um dos meus TOP-TEN WESTERNS, Hugo. Acho que é o western que mais soube explorar o lado da solidão do homem com toque de realismo, ao invés do lirismo tão costumeiro em outros clássicos ao estilo.

      Quanto a enquete, eu já fiz agora mesmo uma observação Post Scriptum, pedindo para votar na opção OUTRO, onde saberei que, além de do gênero criminal, o leitor esta sugerindo qualquer outro gênero não enquadrado na enquete. Lapso do editor, peço desculpas a todos.

      Grande abraço

      Paulo

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  6. Sou um comentarista que tem o hábito de escrever muito, de comentar de fato.

    Porém, depois de ler o texto, procuro o que dizer que ainda não tenha sido dito no conteudo desta postagem, porém não encontro nada de novo, não vejo o que acrescentar, já que é uma matéria por demais criativa, explicita e de um delineamento como poucas vezes vi.

    Porém vou acrescentar a esta magnifica obra dois momentos que considerei de qualidade unica no filme.
    São dois momentos que captei com minha mania de detalhista e que considero fundamental para a composição da historia e pelo jeito como ela nos foi transmitida no filme com uma realidade impressionante.

    1 - a cena da luta, magnificamente coreografada para se mostrar um combate normal, natural, realista entre Cooper e Bridges naquele curral.
    Aquilo ali foi um instante que não existe espectador que respire alto no cinema enquanto a degusta, tal o grau de realismo e disparidade na cena brutal e bem arregimentada. PERFEITA.

    2 - no escritório de Kane (Cooper) ele, suado, preocupado, pensativo, sentado em sua mesa a imaginar de que forma ocorreriam os minutos vingentes, já que o trem já dera sinal de vida com seus apitos.
    Eis que entra o unico homem que estava disposto a ajuda-lo. E quando ele pergunta a Cooper quantos auxiliares ele conseguiu e ele responde NENHUM, a fisionomia do homem se altera de forma estarrecedora , e seu rosto, antes conotador de uma valentia sem par, ganha um significado vertiginosamente oposto ao anteriormente, dando lugar a um semblante quase que caótico, onde o medo o ilumina sem deixar resquicios de sua acentuada covardia.
    Então ele retira a estrela que Cooper lhe havia dado e a coloca na mesa alegando que tinha familia e que não poderia ajuda-lo.
    O olhar de Cooper para ele é um dos mais significativos momentos do cinema. Foi um olhar de um desprezo contido, de um nojo por aquele sujeito que somente se observa nos seus olhos acesos, reluzentes e tomado de uma muda decepção, enquanto o homem, quase correndo, deixa a sala seguido pelo olhar descrente na humanidade do solitário xerife.

    Dopis grandes momentos que osbservo a todos que já assistiram a esta magnifica fita, atentarem para eles, especialmente, já que o filme é todo composto de instantes marcantes.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Nobre Jurandir, vc praticamente deu o filme todo, mas sem dúvida, é verdade que, para começar, estes dois itens são de extrema importância para a manutenção da trama. A luta entre Bridges e Cooper foi algo que Zinnermann aperfeiçoou de modo realista, e por que digo isso? Ora, Cooper era o galã e mocinho costumeiro de inúmeras fitas, quase imbatível sempre numa boa briga. Mas aqui, vemos Cooper apanhar muito de Bridges, afinal, bem mais atlético e jovem do que ele, mas por fim, mesmo com dificuldade, Cooper se torna vencedor.

      Outra análise, que deixou de ser comentada no artigo, é sobre o personagem de Lloyd Bridges (Harvey), talvez entre toda aquela gente, talvez fosse o mais sincero, porque ele queria Kane fora, pois Harvey estava apaixonado pela mexicana interpretada por Katy Jurado, que havia sido amante do herói. Logo, o medo de Harvey era pela concorrência com a mexicana, e não da situação de enfrentar o perigo com a chegada do bandidão Frank Miller.

      Quando disse no artigo que “quem poderia ajudar e depois veio pular fora”, era justamente este camarada, que ao ser informado se Kane havia conseguido reforços, temeroso alegou ter uma família para cuidar, o profundo protótipo do pessoal que acabou entregando muitos membros na comissão do Caça as Bruxas.

      Sem dúvida, tudo por aqui fica perfeito com a atuação de Cooper, que vivifica um homem só e descrente como bem disse nos valores humanos. Mas mais impactante, é a cena final, quando tudo já estava resolvido, onde Kane só teve a ajuda inesperada da bela esposa, o povinho circula envolta dos dois, e não resta ao digno herói olhar para este pessoal com desprezo e nojo, e só se despede de um menino, que lhe traz a carroça e até se ofereceu a lutar ao lado de Kane, mas claro que este não deixou, afinal, nosso herói não é um corruptor de menores. O resto, é um verdadeiro F**da-se que o nobre Will Kane envia para aquele povoado.

      Paulo Néry

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  7. Paulo Nery,

    Achei fantastico o novo visual de seu blog.
    Ele tem classe, elegancia, bom gosto e beleza.
    Parabens pela boa escolha.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Muito Obrigado, Nobre Jurandir Lima. Vc e os demais que participam sempre são responsáveis por estas mudanças. A vocês são dedicados.

      Néry

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  8. ...e o pessoal do futuro vai poder apreciar esta relíquia cinematográfica que nunca envelhecerá, rs! Faz parte de meus filmes de cabeceira. Ótimas curiosidades em mais um excelente artigo. Grace Kelly deu uma modificada na carreira com este faroeste e ao lado do grande Gary Cooper sob direção do artesão Zinnemann, não poderia estar melhor. Aqui ele sabe realmente imprimir um drama envolvente no cenário árido deste gênero fascinante. Também acho seus filmes mais do que fitas que ficaram no imaginário popular; Quem não se lembra da cena do beijo na praia em "A Um Passo Da Eternidade". O cara tem belas obras! Também gosto de alguns trabalhos do Stanley Kramer como diretor.

    Gostei do visual amigo. Ta bonito. Mudanças são sempre bem vindas. Irei voltar na enquete...

    Abração!!

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    1. Nobre amigo Rodrigo, agradeço o incentivo. Zinnermann era um cineasta a frente de seu tempo, e seus filmes quando analisados, são feitos com análise acurada. Realizou obras magistrais e indeléveis, e vc mesmo citou um, cuja antológica cena é o beijo (ou por que não dizer, sexo? a cena sugere bem isso) entre Burt Lancaster e Deborah Kerr?

      Valeu meu amigo, um forte abraço

      Paulo Néry

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    2. Um adendo Rodrigo, MATAR OU MORRER é um filme que, em todos os sentidos, não envelhece, pois o tema, apesar de ser uma alegoria de seu tempo, é bem pertinente em nossos dias, bem como em dias futuros. E certamente, o pessoal do futuro não somente apreciará esta relíquia como também entenderá a história de sua produção.

      Paulo Néry

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  9. MATAR OU MORRER NÃO É SÓ UM DOS MAIORES WESTERNS DE TODOS OS TEMPOS, COMO TAMBÉM UM DOS MAIORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS. SENDO INTERPRETADOS POR MUITOS COMO UMA METÁFORA DA CAÇA ÀS BRUXAS DO COMUNISMO;TODA PESSOA ACUSADA DE SER COMUNISTA FOI DELIBERAMENTE ALIENADA DA COMUNIDADE E ABANDONADA PELOS AMIGOS.
    PAULO, NÃO OBSTANTE VOCÊ PRATICAMENTE TER DITO TUDO, VOU APENAS ILUSTRAR O SEU BELO TRABALHO E FORNECER ALGUMAS INFORMAÇÕES E CURIOSIDADES A RESPEITO DESTE GRANDE WESTERN.
    ALÉM DE GREGORY PECK, TAMBÉM FOI COGITADO PARA O PAPEL DO MARSHAL WILL KANE, MONTGOMERY CLIFT, CHARLTON HESTON, KIRK DOUGLAS E MARLON BRANDO, QUE POR UMA RAZÃO OU OUTRA, O PAPEL ACABOU FICANDO COM GARY COOPER...
    PARA O PAPEL DE AJUNDANTE(DEPUTY MARSHAL) DE WILL KANE, NO FILME INTERPRETADO POR LLOYD BRIDGES, FOI CONTRATADO LEE VAN CLEEF, QUE POR NÃO QUERER “CONSERTAR” O SEU NARIZ, ACABOU FICANDO COM O PAPEL DE UM DOS CAPANGAS DE FRANK MILLER. POR FALAR EM CAPANGAS DE FRANK MILLER, OUTROS NOMES FORAM COGITADOS: ROYAL DANO, PETER GRAVES,;HUGH O’BRIAN; RON RANDELL; E, FESS PARKER.
    CONCERNENTE AO MEDO E ATÉ CERTO PONTO A COVARDIA DO MARSHAL WILL KANE, JOHN WAYNE DECLAROU À IMPRENSA QUE JÁMAIS FARIA O PAPEL INTERPRETADO PELO AMIGO GARY COOPER. HOWARD HAWKS TAMBÉM COMPACTUAVA DESTA OPINIÃO, COM RELAÇÃO A MATAR OU MORRER, ELE DISSE. “ISTO É FALSO! OS AMIGOS SUPUNHAM QUE ELE ERA BOM COM A ARMA NA MÃO. ENTRETANTO ELE SAIU CORRENDO EM VOLTA, COMO UMA GALINHA ASSUSTADA, TENTANDO CONSEGUIR QUE AS PESSOAS O AJUDASSEM. EVENTUALMENTE SUA ESPOSA QUAKER DÁ-LHE CORAGEM. ISSO É TUDO RIDÍCULO...O HOMEM NÃO ERA PROFISSIONAL. EM RESPOSTA A MATAR OU MORRER, ALGUNS ANOS DEPOIS ELE DIRIGIU OUTRO GRANDE WESTERN ONDE COMEÇA O INFERNO, COM JOHN WAYNE INTERPRETANDO O VALENTE SHERIFF JOHN T. CHANCE. O MAIS CURIOSO NESTA HISTÓRIA É QUE FOI PRÓPRIO JOHN WAYNE QUEM RECEBEU, EM 1953 A ESTATUETA DO OSCAR, EM NOME DO AMIGO
    GARY COOPER, QUE SE ENCONTRAVA NO MÉXICO FILMANDO SANGUE DA TERRA.
    COMPARANDO OS DOIS WESTERNS AFIRMO: QUE TODO O HOMEM, ESSENCIALMENTE, TEM MEDO, POR ISSO MESMO TER MEDO É SINAL DE PERSEVERANÇA. DESTARTE O PAPEL DE GARY COOPER É MAIS HUMANO; ESTÁ MAIS PRÓXIMO DA REALIDADE, AO PASSO QUE O PAPEL DE JOHN WAYNE É UM PAPEL DE UM SUPER-HERÓI...
    A CANÇÃO DE DIMITRI TIOMKIN E NED WASHINGTON, DO NOT FORSAKE ME, OH MY DARLING, QUE PONTUA TODO FILME, MAGISTRALMENTE INTERPRETADA POR TEX RITTER, NÃO FOI UM GRANDE SUCESSO NA VOZ DELE, E SIM NA VOZ DE FRANKIE LAINE.
    POUCOS NOTARAM, MAS O GRANDE JACK ELAM, NÃO CREDITADO,FAZ UMA PONTA NO FILME. O MAIS ENGRAÇADO É QUE JACK, JÁ EM 1950, NO BOM WESTERN CORREIO DO INFERNO, TEM UM PAPEL DE DESTAQUE FAZENDO O PAPEL DE UM BANDIDO PSICOPATA. NÃO SEI PORQUE ELE ACEITOU FAZER ESSE MINÚSCULO PAPEL...
    VOCÊ DISSE QUE FOI O PRIMEIRO WESTERN PSICOLÓGICO, MAS NAVERDADE, OUTROS WESTERNS ANTERIORES A ESTE JÁ TINHA ESTA CONOTAÇÃO. ENTRE ELES, O MATADOR, SUA ÚNICA SAIDA E CONSCIÊNCIAS MORTAS.PENSO QUE MATAR OU MORRER AJUDOU A ESTABELERCER AS BASES DO CHAMADO WESTERN PSICOLÓGICO...
    UMA PEQUENA RESSALVA:GARY COOPER EM MATAR OU MORRER NÃO É XERIFE E SIM MARSHAL. QUE EM TERMOS DE HIERARQUIA É SUPERIOR AO XERIFE. MAS ESSA É UMA OUTRA HISTÓRIA.
    PARABÉNS MEU NOBILISSÍMO AMIGO!

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    1. Nobre PERITO Eddie Lancaster (com sua permissão, o alcunharei assim agora), falo, PERITO EM WESTERNS. Vc com sua cultura ilustrou meu artigo, o que valoriza ainda mais meu trabalho, e só tenho a agradecer a vc e claro, aos demais comentaristas.

      Eddie, interessante, mas embora goste muito de Charlton Heston, não vejo carisma nele nesse papel. Montgomery Clift poderia ser, mas faltaria algo imprescindível em qualquer mocinho do gênero, que é a masculinidade para compor o papel. Peck e Kirk Douglas poderiam se encaixar bem neste perfil.

      Van Cleef fez besteira pela vaidade e deu abertura para Bridges, mas por outro lado, bem possível que se fez a coisa certa, pois ambos foram bem sucedidos em suas carreiras, e Cleef se tornaria famoso graças a parceria com Sergio Leone em dois clássicos do western italiano – TRES HOMENS EM CONFLITO E POR UNS DÓLARES A MAIS, ambos estrelados por Clint Eastwood.

      Para Frank Miller ou capanga, na ocasião, qualquer intérprete “bom vilão” poderia se encaixar. Royal Dano era ótimo ator, assim como encaixaria Hugh O’ Brian, Peter Graves e Fess Parker, que fariam sucesso muito mais na TV. No filme, esta Robert Wilke, outro bom vilão que “amamos odiar”, além de Cleef e o outro cujo nome não me recordo.

      Mas eddie, o que dizer de John Wayne?

      Fico imaginando como era difícil lidar como um cara como Wayne. Amamos a ele e seus filmes, mas ser amigo de uma pessoa cujas convicções além de serem diferentes da sua, ser intransigente e radical somente uma pessoa com um super-equilíbrio para lidar. Wayne trabalhou com atores cujos pensamentos eram inteiramente diferentes, como Robert Ryan, Kirk Douglas (que não o suportava), Dean Martin, Frank Sinatra, e só para exemplificar estes que souberam passar por cima e ser o máximo de seu profissionalismo.

      Mas sei desta história curiosa do Oscar ganho por Cooper, que não pôde estar presente a cerimônia porque estava filmando SANGUE DA TERRA no México, com Barbara Stanwyck e Anthony Quinn, e Wayne recebeu a estatueta pelo amigo. As sim, Cooper também era republicano, mas ao contrário de Wayne, não era a favor da comissão de McCharty.

      Valeu pela diferença entre XERIFE E MARSHALL nobre Eddie, não te digo que vc é mesmo um perito?

      Obrigado pelos acréscimos.

      Paulo

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  10. PAULO, MAIS UMA RESSALVA: NÃO É PROPRIAMENTE DITO UMA CARTA QUE O MARSHAL WILL KANE ESCREVE E SIM UM PEQUENO TESTAMENTO: UMA DISPOSIÇÃO DE ÚLTIMA VONTADE...
    GO A AHEAD, MY FRIEND!

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  11. Nery,

    Se não fosse quase que um sentimento pessoal, eu diria que não haveria outro ator tão apto a interpretar o Kane como Gary Cooper.

    Perfeitamente que Gregory Peck foi um magnifico, extraordinário, um fantastico ator e que fez muito maravilhosamente cada papel que lhe caiu nas mãos. Isso é um fato que cinéfilo algum pode negar.

    Mas Gary Cooper me pareceu ser o homem certo que nasceu para fazer aquele papel. Incrivel eu dizer isso! Eu que sou o amante do cinema que tem no Cooper seu Idolo numero um, mas que um dia disse que ele poucos papéis fez na carreira que justificasse eu o amar tanto como ator.

    Mas uma certa vez falei que quando lhe dão bons papeis, quando ele é bem dirigido, quando ele agarra o personagem como se o desejasse devorá-lo, ele faz muito mais do que sempre fez nos filmes simples que fez.

    Vou ser claro mais um pouco: as caras, os olhares, as dores que sente, as expressões diversas que o velho Cooper deixar plantear no seu rosto neste filme, é alguma coisa de maravilhoso.
    Ele dá o tom da fita com sua interpretação acima de sua média e não ganha um Oscar àtoa. Aquele premio ele o arrancou de suas entranhas, por sua interpretação, por seu denodo travestido de Will Kane.

    E quando digo que ele nasceu para aquele papel, não o falo sem base e sim mergulhado na realidade.
    Pode-se observar que desde 1952, portanto ná 60 anos, aquela interpretação de Kane jamais sofreu um arranhão sequer por parte de critico algum, por mais exigente e intolerante que este possa ser.

    Cooper traz o filme para cima de si, e nos assistimos a Matar ou Morrer olhando quase que simplesmente Gary Cooper trabalhar. Isso é um fato que muito pouco se vê num filme, principalmente num faroeste.
    Magnifica sua performance, sua interpretação, sua atuação
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Por isso mesmo, nobre Jurandir, que a atuação de Gary Cooper neste eterno clássico é ainda bem atual. O filme não tem artifícios como em muitos outros clássicos da época, muito embora estes mesmos sejam também alicerces da Sétima Arte.

      Quanto a mim, gosto de filmes que tenham artifícios, pois afinal tudo faz parte de um sonho, mas quando se trata de filmes sem este mecanismo, terá que ser um trabalho elaborado para prender o espectador, e fazer unir a ficção e a realidade de nossa época, e isto é um trabalho difícil. Foi o que fez Zinnermann e sua equipe em High Noon, pois qualquer um com bons olhos e bons ouvidos pode se sentir na pele de Will Kane, pedir ajuda, ser recusado ou ignorado, ou ainda, enfrentar todo um sistema. NÃO É MOLE!

      Gary Cooper, com certeza, teve sua melhor atuação desde SARGENTO YORK. Era um ator natural, como dizia seu amigo Charles Laughton, que dizia que Cooper fazia tudo naturalmente enquanto outros faziam “o diabo” para interpretar.

      Paulo

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  12. Caro Rodrigo Mendes:

    Sou um detalhista por excelencia e um apreciador das belas frases que vejo.

    Li seu muito bem delineado comentário e observei a frase seguinte; CENÁRIO ÁRIDO DESTE GENERO FASCINANTE.

    Puxa vida! Isto é uma beleza de achado! Sou um apreciador de ditos belos e positivos, onde o portugues é posto de uma forma que ele, que já é lindo, fica mais lindo ainda!

    Me sinto, às vezes, chateado comigo mesmo por não conseguir achar um linguajar tão bem posto e inédito como este.

    Parabens pelo seu comentário e acredite; não estou pondo eligios no seu comentário de graça. Ele realmente é bem feito e o complemento com esta frase o torna ainda mais perfeito.

    Apenas a titulo de observação: o magnifico A Um Passo da Eternidade foi feito logo após o termino de Matar ou Morrer.

    O que quer dizer que o homem/diretor Zinnemann foi um privilegiado por fazer em dois anos seguidos filmes destes calibres, além de filmes premiadissimos.
    Forte abraço do novo amigo
    jurandir_lima@bol.com.br

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  13. Meu caro Jura, alguns criticos afirmaram que o Gary Cooper ganhou o Oscar, graças à excelente montagem de Elmon Williams!
    Eu não concordo!!!!!!!!!!
    Abraços.

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  14. Lancaster;

    O Cooper pode ter feito papeis muito comuns em toda sua carreira. Mas por critica nesta interpretação é gostar muito de aparecer.
    E conosco, que gostamos e entendemos um pouco da setima arte, esses criticos (que o que merecem é serem criticados) não arrancam nada. Somos sempre sinceros; foi bem, foi bem. Foi mal, foi mal. Esse é nosso lema.
    Grande abraço Lancaster
    jurandir_lima@bol.com.br

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  15. Paulo, muito obrigado pela alcunha de perito em westerns. Ma acho que todos nós somos peritos em westerns! O nosso escopo é trocar informações, ou seja, trocar chumbos na sua melhor interpretação.
    Mais uma curiosidade: Numa de suas andanças pela cidade à procura de ajuda Will Kane tromba com alguns meninos, entre eles aquele que agarra em suas calças è Lee Aaker, o famoso Cabo Rusty de As Aventuras de Rin Tin Tin!
    Quem tem um papel importante na trama e está muito bem a mexicana Katy Jurado;outro que merece ser citado é Tom London, que interpreta o braço direito da Helen Ramirez!

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    1. Amigo Eddie, vc é um ser humano nobremente modesto, mas vc tem intenso conhecimento sobre Western e isto é muito admirável. Obrigado por tantos acréscimos que só fazem valorizar o nosso espaço. Um forte abraço.

      Paulo Néry

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  16. Sabe Lancaster?

    Gosto de trocar comentários contigo porque é um homem que sabe sempre o que fala, que entende de cinema como poucos e que me sinto bem trocando conversas e falando de cinema.

    Por esta razão não me ponha reparos sempre que eu me reportar ao amigo com alguma matéria ou algo onde respalde duvidas em mim e que deseje saná-la.

    Não acompanhei a carreira de Dorothy Dandridge (se é que se escreve assim). Vais logo entender porque Dandridge.

    Sei que era africana lindissima, boa atriz e que funcionou muito bem em Hollywood.
    Vi com ela apenas 2 filmes; Carmem Jones/54, do chatissimo Preminger, e também A Ilha Nos Trópicos/57, do Rossen. Um filme com um cenário lindissimo e com o Stephen Boyd no elenco e também o Harry Belafonte.

    Muito bem: toquei em seu nome para chegar em Katy Jurado, outra atriz de um outro centro que triunfou na meca do cinema e que até foi casada com magnifico Borgnine.

    O que quero falar desta excelente atriz Jurado, em comparação com a africana Dandridge, já que Katy era mexicana, é que ela, a Katy, era uma atriz de muitas qualidades.
    A Jurado, fez grandes filmes e emprestou seu talento a personagens marcantes, como no caso de em A Lança Partida, Matar ou Morrer e Homens das Terras Bravas, para citar alguns.

    Ao contrário de Dandridge, a Katy somente interpretou papéis de mulheres fortes, enquanto a outra, mesmo muito bela e boa atriz, faleceu cedo e, além de deixar uma filmografia curta, nunca fez um papel que se assemelhasse a qualquer desta mexicana formidável e geniosa.

    Uma mulher para se ter respeito pelo que fez, pelo que foi e pelo que conquistou com seu talento. E isto em terreno onde sempre foi difícil conquistas por quem não era branco.
    Sabes do que falo perfeitamente porque, até o Poitier, não se sagrou o que foi sem a interferencia de muito racismo.
    Assim, quando alguém de cor se sobressai na América do Norte, é porque tem, de fato, muita bagagem.
    Abraço do bahiano
    jurandir_lima@bol.com.br
    jurandir_lima@bol.com.br

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  17. Adorei Matar ou Morrer. Um dos melhores faroestes já produzidos, que acabou inaugurando o western psicológico. O relógio exibido a toda hora é angustiante.

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    1. Um verdadeiro clássico, não é, Gilberto! Valeu pelo comentário, grande abraço!

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  18. Paulo, gostei muito do novo visual. Eu tenho um pouco de dificuldade em ler em sites de fundo escuro demais, e assim, fica mais fácil ler, pra mim, pelo menos.
    Quanto a Matar ou Morrer, faz parte do meu top 10. Um filme realmente indispensável a todo cinéfilo que se preze. Pra assistir e reassistir muitas vezes.

    Abraço!

    Lemarc

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    1. Saudações, Lemarc, como tem passado? Obrigado pelos comentários. Esta película também faz honrosamente parte dos meus dez westerns preferidos. Considero Will Kane o herói mais humano e realista do gênero.

      Um forte abraço e tudo de bom!

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