quarta-feira, 7 de março de 2012

O Pequeno Grande Homem que Ruiu: A História de Samuel Bronston.

Quem assistiu as maiores superproduções do cinema lançados no início da década de 1960, como El-Cid (de Anthony Mann), A Queda do Império Romano (também de Mann), Rei dos Reis (de Nicholas Ray), e 55 Dias em Pequim (também de Ray), certamente viu nos créditos o nome de Samuel Bronston (1908-1994), magnata produtor de cinema que tinha sonhos de grandeza muito além de seu próprio tamanho. Nascido na Bessarábia (hoje República da Moldávia), Samuel era um homem baixo (cerca de 1,60 m de altura), mas compensava sua baixa estatura com um intenso espírito empreendedor e criativo. É assim que ele já foi definido por amigos e pessoas que o conheceram.

Vindo de uma família de nove irmãos, onde todos tiveram formação acadêmica, de onde vinham médicos, advogados, músicos e artistas, Samuel Bronston se formou no Sorbone University, em Ciências Políticas. Também se dedicou a música, como integrante da Orquestra Sinfônica de Páris, como Flautista, antes de iniciar sua carreira na produção de filmes. Para título de curiosidade, ele era sobrinho da famosa figura socialista Leon Trotsky (1879-1940), assassinado em 1940 por um estudante, cujo fato deu origem a um filme estrelado em 1972, O Assassinato de Trotsky (The Assassination of Trotsky), de Joseph Losey, com Richard Burton (como Trosky) e Alain Delon (como o jovem estudante).


Sugerir que Samuel Bronston era um visionário talvez seja um exagero, mas ele acreditava na proliferação do cinema como arte, e não havia nada de particularmente especial sobre a sua abordagem ao cinema. O que o caracterizou positivamente entre seus amigos e colegas na área cinematográfica foi seu otimismo inesgotável e sua consistência insaciável de gerar projetos que pareciam viáveis para ele.


Com U$$75.000 dólares conseguidos durante seu período na Holanda trabalhando na área empresarial da família, Bronston comprou uma casa confortável em Beverly Drive, em Los Angeles, onde ele ficou dois anos e meio sem concretizar algum tipo de trabalho, até que conheceu e travou amizade com o lendário produtor Budd Schulberg (1914-2009) que o levou a fazer um curso breve na Universidade de Columbia Studios para saber tudo que pudesse sobre a arte de se produzir filmes, onde Bronston produziu As aventuras de Martin Eden/ The Adventures of Martin Eden (Com Glenn Ford,1942) e Cidade Sem Homens/ City Without Men (1943), este último um filme de baixo orçamento estrelado por Linda Darnell (1924-1965) então em início de carreira. Foi durante este período que o Pequeno Bronston aprendeu rapidamente sobre a indústria cinematográfica.


Nos primeiros dias de sua sobrevivência, Bronston parecia agir como um camaleão astuto, tentando bajular e enganar as pessoas pelas ruas de Paris, por onde viveu durante três anos. Chegou à conclusão que poderia conseguir seus objetivos desde que fosse você o suficientemente simpático, e ao longo do tempo isto serviu como um treinamento ideal para os períodos que se seguiriam na Meca do Cinema. Chegou a participar, inclusive, de um ambicioso projeto para fotografar as maravilhas do Vaticano , isto lá pelos meados dos anos de 1930.


Após sua produção destacada de Jack London, em 1949, viajou por um período de dez anos por toda a Europa, penetrando na área cinematográfica de outros países para conseguir mais experiência. Durante este longo período, Bronston amou a Espanha, e quando finalmente se achou com firmeza para iniciar a fase de produções, inaugurou seus estúdios em terras espanholas. Em verdade, foi um pioneiro na prática de introduzir grande escala de produções na Espanha a fim de reduzir os enormes custos. O sucesso de seus filmes inspirou para ajudar a construir seu mega-gigantesco estúdio em Las Rozas perto de Madrid.


Bronston frequentemente trabalhou com uma equipe regular de artistas criativos: os diretores Anthony Mann (1906-1967) e Nicholas Ray (1911-1979) , os roteiristas Philip Yordan (1914-2003) e Jesse Lasky Jr (1910-1988), os compositores Miklós Rózsa (1907-1995) e Dimitri Tiomkin (1894-1979), os produtores Jaime Prades , Alan Brown e Michal Waszynski , o diretor de fotografia Robert Krasker (1913-1981) e o editor Robert Lawrence . Ele também favoreceu Charlton Heston e Sophia Loren como seus atores principais.


El Cid (1961) é geralmente reconhecido como sendo primeiro épico Bronston, mas na verdade Rei dos Reis/King of Kings (1961) merece essa honra. Lançado pela Metro Goldwyn-Mayer, o filme estrelado por Jeffrey Hunter(1925-1969) como Cristo e dirigido por Nicholas Ray, e tornou-se o peso das opiniões sem a menor cerimônia. Em uma avaliação, o New York Times apelidou o filme como “Eu era um adolescente Jesus”.


Para produção, Bronston, junto com o cineasta Nicholas Ray, chegou a ter uma audiência com o Papa João XXIII. Mas o público respondeu bem a religiosa produção que contava a vida de Jesus. Mas por outro lado, certos problemas entre a direção e a produção: Ray não demonstrava muito interesse pelo projeto, não que não quisesse filmar a vida do Redentor da Humanidade, pois na época Ray havia declarado que “Jesus também era um rebelde, mas com uma causa, e por isso foi vítima da injustiça social”, aliás, conhecemos muito bem Ray por demonstrar em seus filmes heróis sofredores que lutam por um objetivo. Mas Bronston, desde os primeiros dias de rodagem, interferia nos trâmites da direção, o que causava desconforto para o cineasta, que não foi até o fim do trabalho, embora devidamente creditado, onde podemos sentir a mão de Ray na cena do “Sermão da Montanha”, a mais bem elaborada na fita sacra. Mas mesmo com relativo sucesso de público e nenhuma quase da crítica, o filme não foi suficiente para se impor nas bilheterias.


O movimento de Bronston na Espanha, juntamente com um investimento seguido de US$ 6.000.000,00 em El Cid rapidamente solucionou a perda com o Rei dos Reis, e ressuscitou a reputação de Bronston dentro da indústria como um ás do investimento. El Cid, dirigido por Anthony Mann, arrecadou impressionantes US $ 26.000.000,00 só no mercado norte-americano e, pelo menos, um pouco mais que isso no restante do mundo, tornando um dos filmes mais bem sucedidos da época. Era o início da fase de ouro para o baixinho Bronston, uma fase que seria, infelizmente, bem breve.


Imediatamente após essa descarga inicial de sucesso, Bronston tentou garantir serviços com Charlton Heston para um próximo projeto; A Queda do Império Romano/The Fall of The Rome Empire (1964). Percebeu que o sucesso de El Cid tinha sido em grande parte devido ao poder de Heston como um ator de grande bilheteria (e campeão do Oscar não fazia muito tempo) – algo que segundo o produtor faltou em Rei dos Reis, por ter sido escalado um ator que foi ídolo de adolescentes como Jeffrey Hunter. Heston, no entanto, estava desinteressado no projeto, julgando-a muito perto de um “primo” de Ben-Hur (1959), seu filme que lhe valeu o Oscar de Melhor Ator e o consagrou definitivamente. Logo, a parte que coube à Heston foi para Stephen Boyd (1931-1977), que havia sido seu “inimigo” na retumbante superprodução dirigida por William Wyler (1902-1981), fazendo permanecer, como garantia, a bela Sophia Loren como estrela de sua nova e faraônica superprodução.

Como era de seu costume Bronston tinha mais de um projeto simultaneamente. Ele já havia começado a produção de A Queda do Império Romano para dar sequência à 55 dias em Peking/55 Days At Peking, e o produtor voltou sua atenção a Charlton Heston, que já estava com o roteiro em mãos (escrito pelo competente e politizado Philip Yordan, ganhador do Oscar por A Lança partida, e que também escreveu para Ray e Bronston Rei dos Reis). Além disso, Bronston, a custo, conseguiu contactar Nicholas Ray para este projeto épico. Apesar das diferenças de gênios, Ray aceitou, mas durante as filmagens de 55 Dias em Peking (último filme do cineasta), Ray teve um ataque cardíaco quase fatal, devido às pressões provocadas durante toda sua produção, e os constantes desentendimentos com o produtor.

Heston concordou em fazer o filme contando sobre a Rebelião dos Boxers de 1900, mas para isso, Bronston derrubou alguns dos cenários então construídos para "Queda" , a fim de acomodar a construção da Cidade Proibida dos chineses na época dos boxers para a nova produção, o maior cenário até então construído para um filme - um recorde que Bronston iria quebrar um ano depois, quando ele ordenou a construção de uma réplica quase exata do fórum romano em A Queda do Império Romano.


Enquanto Bronston acreditava estar certo de que ele seria capaz de reverter os lucros de uma superprodução para o próximo projeto, este ciclo precário de giro financeiro permaneceu renovável, mas infelizmente para Bronston, 55 Dias em Pequim não funcionou tão bem nas bilheterias como El Cid, colocando uma pressão sobre próximo projeto do estúdio, A Queda do Império Romano.

Quando “Doc” Erikson, o produtor de Design, apresentou a Bronston um orçamento de US$ 9.000.000,00 (nove milhões) para este último projeto - dos quais o produtor só tinha garantido sete milhões e meio à sua disposição imediata - ele meticulosamente passou a trabalhar na aquisição de mais investimentos de fora para fazer a diferença ao invés de reduzir custos para se adequar aos fundos de seu capital.


Contudo, nada saiu certo, e o retorno que Bronston poderia esperar, não se sucedeu.

O custo faraônico da construção dos estúdios de cinema e, o inevitável fracasso de bilheteria de A Queda do Império Romano, deixaram Bronston em dificuldades financeiras e, em 1964, ele teve que parar todas as atividades empresariais.

A Empresa de Samuel Bronston declarou falência a 5 de junho de 1964 afirmando que ele tinha uma dívida de U$$ 564.775 mil ao seu credor, Pierre S. du Pont . Uma petição em agosto de 1964 declarou a Bronston Distributors, Inc. (uma empresa privada) a pagar a Paramount o valor de U$$ 6.75 milhões dólares, e a Pierre S. Du Pont, U$$ 323.191 mil dólares.


Dois anos mais tarde, ele foi interrogado durante uma audiência, pelo advogado de um dos seus credores com uma série de perguntas sobre as muitas contas bancárias que tinha na Europa. Um deles perguntou se ele havia tido uma conta na Suíça . "A empresa tinha uma conta em Zurique , durante seis meses ", ele respondeu, e respondeu também a todas as outras questões relativas a bancos suíços, cujas contas estavam em vermelho.

Mais tarde, foi descoberta que ele havia tido uma conta bancária pessoal muito ativa na Genebra durante os anos em que administrava suas produtoras de filmes na Europa. Ele foi condenado por perjúrio por procuradores federais, que argumentavam que a sua resposta, enquanto verdadeira em si e por si somente, tinha a real intenção de enganar ou iludir.


Todas as apelações a favor de Bronston foram em vão, e a Suprema Corte manteve a condenação contra Bronston, que foi anulada somente a 10 de janeiro de 1973. A justiça aplicou sua decisão julgando que o produtor fez suas declarações em ipisis literis da verdade ainda que dando respostas tecnicamente enganosas, para evitar de ser processado por perjúrio, o que acabou se formando uma parte importante da jurisprudência desde então.



A falência e ação penal devastou sua carreira cinematográfica. Ele completou em 1964, O Mundo do Circo/Circus Word, com John Wayne, Rita Hayworth, e Claudia Cardinale. Nem o “Duke”, nem Rita, nem Henry Hathaway (o diretor), ou Richard Talmadge (diretor de segunda unidade) conseguiram salvar a fita que deu a bancarrota final para Bronston. Deve ter sido praga do querido Frank Capra, segundo informações do saudoso João Lepiane quando escreveu uma matéria sobre Rita Hayworth na saudosa (e não canso de mencionar) revista Cinemim, nº 64 (agosto/setembro de 1990), que era ele sido escolhido para dirigir o filme, chegando a viajar para Madrid. Entretanto, as maquinações do roteirista James Edward Grant junto com Wayne, e para completar o trio, Samuel Bronston, levaram o notável cineasta de A Mulher faz o Homem e O Galante Mr .Deeds a ser afastado.

Circus Word foi uma história originalmente escrita por Nicholas Ray, que vendeu os direitos a Bronston, e consumiu vários milhões de dólares na produção e fabulosas verbas de publicidade no seu lançamento, mas os resultados foram um mega-desastre de proporções irreparáveis.


NÃO EXISTE GÊNIO DE PUBLICIDADE que consiga vender um mau produto, gaste o quanto gastar, o que em definitivo, levou Samuel Bronston, talvez o mais extravagante, perdulário, e desorganizado produtor de cinema a uma ruina definitiva, perdendo todo o controle sobre seus filmes anteriores.


Bronston só produziria mais três filmes apenas: Terra Selvagem/ Savage Pampas (1966), filmado na Argentina , com Robert Taylor , Dr. Coppelius (1966) e Fort Saganne (1984), um filme francês com Gérard Depardieu e Catherine Deneuve . Um épico planejado sobre a vida de Isabel de Espanha nunca se materializou.

Nos últimos doze anos de vida, Samuel Bronston nunca parou e não ficava com sua mente inativa, e ainda sonhava com um grande retorno as telas, embora o aparecimento da doença de Alzheimer o fez reduzir suas atividades e eventualmente acabar com sua capacidade de conduzir os negócios que poderiam ter obtido uma recuperação de suas perdas. Ele morreu de pneumonia em 12 de janeiro de 1994, aos 85 anos, no Hopsital Mercy, em Sacramento na Califórnia e, onde foi socorrido por seu filho médico, o Dr. William Bronston. Conforme seu pedido, foi enterrado em Madrid, no cemitério de Laz Rozas.


Nos anos que se sucederam ao seu falecimento, a importância do legado cinematográfico de Samuel Bronston é de extrema admiração artística por grande parte dos amantes da Sétima Arte. Poucos de seus filmes foram acalorados pelos críticos durante o lançamento original nos cinemas: lamentável, embora não surpreendente. O ciúme é, muitas vezes, acompanhada por uma incômoda língua. E há muito de inveja na mantra pessoal de Bronston, um homem cujo épico idealismo foi ligado a uma necessidade decisiva para fazer as coisas à sua própria maneira e sem qualquer pensamento ou preocupação com a interpretação dos atores, ou percepção de como os altos investimentos não calculados podem ruir um grande império, até pior do que a própria Queda do Império Romano que, por ironia, acabou sendo a dele também.

Samuel Bronston era um fracasso? A pergunta invariavelmente surge. Financeiramente, parece haver pouco debate. No entanto, a medida de um homem só pode ser encontrada em sua carteira ou também em sua extravagância? O Grande talento de Bronston para o mundo será sempre os quatro épicos ele deixou para trás: Rei dos Reis, El Cid, 55 Dias em Pequim, e A Queda do Império Romano. Estas nobres fitas não são apenas grandiosas em tamanho, mas também em alcance e estilo. Elas falam sobre a capacidade de Bronston sonhar com vontade sobre as civilizações do mundo antigo ao seu sentido histórico, a sua paixão pela vida, e ao seu compromisso com a qualidade, muito embora não seja um sonho concretizado pelo diretor visto as perdas e os problemas financeiros que teria.


Samuel Bronston era um egoísta? Talvez – mas desde quando o orgulho pessoal é um mal imperecível, especialmente quando é acoplada a genialidade incrível que deu de si próprio à seus Filmes?

Samuel Bronston era um vigarista? Talvez ... mas que realmente acreditava na sinceridade de suas habilidades para “vender” para qualquer pessoa e em qualquer empreendimento durante sua vida. Bronston foi predado por aqueles mais próximos a ele durante seu breve período de ouro na Espanha, que o tem como um “cordeiro em sacrifício” do que um ambicioso e ganancioso produtor.


Então, é Samuel Bronston uma figura trágica? Dificilmente - pois há poucos homens, tanto em seu apogeu, ou mesmo durante seus últimos anos, que teria tanto empenho até em seu último sopro de vida. No coração e na mente, Bronston estava sempre a um passo de sua grande aventura fílmica. Ele nunca parou de planejar. Ele nunca parou de sonhar. Mas o sonho também se limita, até que o sonhador deixa de existir.

O mundo do entretenimento hoje não produziu mais um Samuel Bronston desde então. É bastante improvável que a geração de amanhã de futuros cineastas o fará, pois, quando tudo estiver dito, feito, e escrito, os críticos e os aproveitadores vão perder o interesse. O outro lado do “Sucesso” de Bronston é, talvez, melhor destilado nestas simples e poucas palavras de Benjamin Disraeli: "O legado dos heróis é a memória de um grande nome e da herança de um grande exemplo."

Nesse contexto, Samuel Bronston foi um dos melhores, ao menos, como herança, as épicas produções de esplendor que tão bem o conhecemos



Produção e pesquisa de Paulo Telles

20 comentários:

  1. ASSIM COMO SAMUEL BROSTON, ESTE É UM GRANDE POST, PARABÉNS!
    SAMUEL BROSTON ERA UM ARROJADO,QUE,TAL QUAL O IMPÉRIO ROMANO,IRONICAMENTE DEGRINGOLOU,
    TODAVIA NOS LEGOU GRANDE FILMES!IPSO FACTO EU DIRIA, SAMUEL RUIU, MAS SUAS OBRAS CONTINUAM DE PÉ!

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    1. Continuam de pé e ainda a disposição do público e dos cinéfilos de plantão.

      Ainda bem.

      Paulo

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  2. Bronston era genial. Um diretor nos moldes de Selznick e Goldwyn. Pena que focava seu talento somente para superproduções. Deveria ter investido em filmes simples. Considero O MUNDO DO CIRCO e 55 DIAS EM PEQUIM péssimos...

    O Falcão Maltês

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    1. Nahud, venho à concordar que as ambas mencionadas fitas por vc foram péssimas produções, principalmente THE CIRCUS WORLD que foi a ruína definitiva para Bronston.

      Fora isso, sem dúvida era genial, mas com tanta mania de grandeza, não havia como ruir a menos que soubesse investir no que estava fazendo, e sem dúvida, ele não se importou. Por isso, acabou perdendo o controle.

      Paulo Néry

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  3. Seu blog está cada vez mais bacana. Gosto muito do seu espaço (já conhecia) por aqui. Deixo poucos comentários por total falta de tempo, mas tenho que agradecer por sua visita e espero fazer uma boa parceria com seu blog em algum momento.

    Grande abraço.
    Maxx
    http://telecinebrasil.blogspot.com/

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    1. Saudações Maxx
      Agradeço do fundo da alma, e coloco aqui seu espaço no nosso blogrool, pois merece ser divulgado. Um forte abraço

      Paulo Néry

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  4. Mas que aula de cinema é essa que acabei de ter? Que post incrível Paulo, Parabéns por nos trazer tanto conhecimento. Informações mais que importantes para qualquer cinéfilo. Gosto muito do filme O REI DOS REIS mas ainda por incrível que pareça não o tenho. Não assisti 55 DIAS EM PEQUIM, e hoje agora pouco acabei de sair da americanas onde peguei na mão A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO e não comprei (preferi Quo Vadis) graças a um Post seu de tempos atras.
    Parabéns pelo Post mais uma vez...

    Me desculpe pela ausência nesses últimos dias, mas depois que as aulas voltaram, o tempo nem sempre me permite... abração

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    1. Salve Jefferson, que sumiço, hein?
      Bronston tem um legado de três grandes filmes - O REI DOS REIS, EL CID, e A QUEDA DO IMPÉRIO ROMANO.

      55 DIAS EM PEKING vc encontrará muitas irregularidades históricas e uma exaltação ao Imperialismo Britânico, algo hoje tido como politicamente incorreto.

      Os Boxers não eram os débeis mentais como aparecem na fita, aliás a última do Mestre Nicholas Ray, que poderia ter encerrado sua brilhante carreira de cineasta com um filme bem melhor. Mas vale como curiosidade.

      Apareça, nobre, vc é mais uma luz no setor dos comentários. Um forte abraço

      Paulo Néry

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    2. PS- O retrato feito por Bronston para os boxers fogem do evento histórico.

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  5. Ola,Não conhecia nem metade desta historia que brilhantemente nos apresentastes.Tuas pesquisas e teu conhecimento vem nos enriquecendo cada vez mais.Da parte que me toca fico muito feliz de ter-te conhecido e ao teu excepcional blog.Meu grande abraço.

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  6. Um forte abraço minha amiga, fique na paz.

    Paulo

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  7. ESTE COMENTÁRIO TEM DUAS PARTES.

    Parte 1;


    O homenzinho teve cabeça, paciencia e lutou pelo que acreditava.
    Agora; se o dono do negócio não está à frente dele e deixa a coisa rolar à vontade e disposição de empregados, por certo que o negócio rui. E ruiu, mas não por suas exigencias, suas cobranças e pressões.

    Nunca achei um defeito em O Rei dos Reis.
    Oscar para Hunter? Jamais. Nunca iriam dar um Oscar para um rapaz que interpretasse Jesus, mesmo com o bom desempenho dele. Heston que fosse, naquele papel, não ganharia nada. Mas que King of Kings foi um muito bom filme, isso foi. Agora, se ele não deu o retorno esperado, carece de um estudo mais profundo.

    Tanto que Heston, além de Ben Hur, e mesmo fazendo sempre filmes de qualidade, jamais foi, sequer, classificado para outro Oscar.
    Hur foi uma excessão, um conjunto de qualidades que fez o filme ser tudo o que foi, ou seja; direção (que não foi só Wyler), os bons trabalhos dos atores, os cenários, a musica memorável do Rozca, e muito mais.
    A este, negar todos os Oscars's que recebeu, seria mentir e enganar demais a todo o mundo.

    Mas Hunter, no papel de Cristo, ganhar estatueta? Nunca. Mesmo com todo o louvor que eu dou ao filme, porque ele é sim um grande filme.

    O cinema é incrivel. Não digo o cinema para nós cinéfilos e sim para os que criam, que gastam, que investem.
    O caso da A Queda do Imperio Romano, que por acaso é um bom filme, não rendeu o esperado.
    Mas...e porque?
    Está na cara. Só não vê quem é cego. Não se podia gastar muito menos na produção?
    O que ocorreria? Menor pressão para todos os lados, até mesmo para o próprio produtor. E afirmo; A Queda só tem um defeito; ele somente é um pouco longo demais. Mas é um bom filme sim, bem dirigido, bem interpretado, mas com despesas imensas!

    E coisa muito semelhante aconteceu com Cleópatra, onde investiu-se além da conta, fez-se um filme que não se pode dizer que é ruim, mas que a renda não suplantou os gastos pelo faraonismo da produção.

    E o caso de 55 Dias? O que aconteceu que não rendeu o que se esperava?
    Ai, aí entra tema. O tema deste filme não é merecedor de investimentos fantasticos para sua produção por ser algo totalmente fora do universo americano. E se um filme se sai bem em bilheteiria nos EUA, no resto do mundo vai ocorrer o mesmo ou mais. Mas se ocorre ao contrário, a saga da fita tem destino igual.
    jurandir_lima@bol.com.br

    SEGUE COM A PARTE 2

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    1. Meu querido amigo Jurandir, particularmente gosto muito do filme REI DOS REIS, mas só tem um pequeno problema este filme: ele quebra um pouco a fidedignidade do Evangelho por ocultar o verdadeiro motivo da crucificação de cristo.

      Se notar bem, não há o julgamento de Jesus por Pilatos perante a plateia dos judeus que pediam sua morte. Isto não ocorre, Jurandir, porque tanto Ray quanto Bronston não queriam mexer com as autoridades judaicas do mundo, querendo imputar a morte de Jesus Cristo pelos judeus. O filme foi realizado em 1961, três anos antes do Concílio Vaticano II que tratou de várias mudanças dentro da Igreja Católica, inclusive culpar os judeus pela morte de Jesus. Logo, se notar no REI DOS REIS, Ray e Bronston quiseram declarar que foi o Império Romano que matou Cristo. Mas isto é matéria que vou elaborar muito em breve com os filmes que enfocaram a Paixão de Jesus.

      Sem dúvida, Charlton Heston jamais foi indicado para sequer outro Oscar, por estranho que possa parecer, mas foi astro absoluto de bilheteria na década de 1960.

      Mas vc viu aqui neste artigo que não basta um grande nome, e Bronston acreditou piamente nisto. A ruína de CLEÓPATRA com Elizabeth Taylor é uma prova cabal disso e quase faliu definitivamente a 20ª Century Fox, e estavam três nomes de grande repercussão no então momento em Hollywood: Richard Burton, Elizabeth Taylor e Rex Harrison, muito embora os dois primeiros se tornariam os alvos da atenção da Imprensa sensacionalista da época, devido ao adultério de Liz com Burton.
      Bronston puramente via mais quantidade do que qualidade. Mas tamanho do que tudo que existe a frente. Não é difícil de entender o Samuel. Não basta ter energia criativa, não basta ter espírito de liderança, não basta ter garra e partir para o empenho de lidar com uma superprodução e ter dinheiro, mas principalmente é preciso agir pela ótica aguçada, saber planejar e investir, e sobretudo, analisar se vale mesmo a pena colocar um produto que ele acredita estar certo, não é mesmo? Mas a visão de Bronston era bem limitada, logo como seria ele um visionário?

      Estava longe de ser um DeMille.
      Paulo.

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  8. Parte 2

    O mesmo com O Mundo do Circo. Não adianta por Duke, Heston, Cooper, ou qualquer grande astro fora de sua seara, achando que um nome famoso no elenco chama publico. O publico não é bobo e o Duke sempre foi bem nas bilheirias fazendo faroestes. Ah! mas tinha mais a Rita e a Cardinali. E daí? O que adiante tudo isso se não se tem algo de qualidade imbutido no seio de tantos astros.

    O que acabou com Bronston foi sua mania de grandeza. Ele não deixou de ser um De Mille mais atual, mais moderno e extravagante como o outro não era.

    Cansei de ver cenas de filmes de De Mille que cansava por serem longas e rodadas num único cenário.
    Mas o homem sabia fazer a coisa. Saida do marasmo, da lentidão, da cena longuissima, e logo uma bela cena ou uma cena de ação se suscedia. E o publico sempre vibrava e o dinheiro entrava.
    E ele faliu? Quando de Mille faliu?
    Todos os seus filmes deram ou não deram lucros satisfatórios?

    Apenas em Os 10 Mandamentos/56, ele abriu mais um pouco a mão. Mesmo assim, somemos os minutos em que foram rodadas cenas num único cenário, que era aquele palácio do Faraó.

    Um homem inteligente. Um sábio. Um excelente administrador do dinheiro que tinha em mãos para uma produção. E todos, mas todos os seus filmes renderam. Uns um pouco mais, outros um pouco menos.

    Sinceramente não vejo onde por tantos defeitos assim no homem/empresário Samuel Bronston. Egoista? Mesquinho? Avarento? Ciumento?
    Quem afinal, neste mundo é Santo Total?

    Não. Apenas um homem que não tinha, ou não se preocupava muito com possiveis negativos resultados. Investia demais, sempre achando que tudo o que fazia cairia nas graças do publico.

    Seu grande erro foi pensar alto demais, investir alto demais, achar que seus investimentos voltariam tão altos quanto foi.

    Economia e moderação foi a trilha na qual o pequeno homem do cinema não soube trilhar.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, achei bem pertinente e interessante sua comparação de Bronston com DeMille.

      DeMille também, evidentemente, tinha suas extravagâncias, e mesmo hoje em Hollywood, não existe um produtor de cinema que não aja assim, pois isto é até natural. O problema não é ser extravagante, mas sim como lidar com uma série de fatores, que vem desde a um bom roteiro até o quanto pode realmente se gastar.

      Cecil B. DeMille neste âmbito foi imensamente brilhante e era bem assessorado. Já Bronston era bem assessorado (pelo menos com diretores, compositores e roteiristas), mas não tinha o gênio experiente de DeMille, que praticamente inventou o cinema, já que foi um dos grandes pioneiros da Sétima Arte.

      DeMille pensava alto, mas com sabedoria, ao passo que Bronston confiava apenas nos altos lucros, que nunca foi necessariamente um retorno para quem assim investe.

      Paulo

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  9. Nery;

    Quanto à religiosidade, o motivo que levou Cristo à crucifixação, toda humanidade sabe, não fosse o filme de Gibsson, que foi Roma a culpada por tal ato.

    A Igreja (nem gosto de tocar neste ponto de Jesus Cristo, porque eu tenho uma visão muito alternativa de tudo que se sabe por aí)é, praticamente a unica culpada por termos a vida de Cristo dentro do angulo que conhecemos.

    Na verdade (droga, lá vou eu) o filme de Gibson é o menos errôneo de tudo o que se fez sobre a vida deste Homem.
    Cristo foi um homem como um outro homem qualquer. Dotado, certo, de algumas qualidades que o faziam se sobrepor aos demais.
    No entanto Ele passou por aqui tudo que todos nós passamos.

    Veja sua morte. Ele sofreu. Veja seu caso com Madalena. Existiu. Veja sua ira quando fizeram na Igreja palco de mercado e de lugar para negocios excusos. Ele reagiu como fera.

    Enfim; Cristo hoje é para nós como a Igreja, esta bendita Igreja, quer que seja. Somos manuseados pelos seus ditames, por suas posições, pelo que eles querem que saibamos de Jesus, pelo que eles fizeram Cristo ser.

    Cristo nem nasceu a 25 de dezembro.
    Olha; é melhor eu me calar.
    Mas acho que Cristo, como homem feito pela Igreja, sentilentalista que sou e crente em tudo isso que se espalha por aí, que adoro e me emociono demais, que Rei dos Reis foi tudo de Cristo como se sabe dele. E muito bem feito e muito lindo!

    Que não venham dizer que falo tudo isso de Rei dos Reis porque sou fã de Ray. Sou mesmo. Mas o filme é uma pedra preciosa. Somente aquele sermão na montanha pagaria por qualquer coisa contra esta bela obra.

    Sem falar na posição que Scorcese viu da realidade da vida de Jesus. Ele viu um pouco, talvez até muito de verdade.
    Por isso a Igreja caiu de cacete sobre o filme e quase ele não é exibido. Porque será?

    Tem muita carne debaixo deste angu,caro amigo Paulo Nery.
    Não queria entrar nesta seara. Mas entrei UM POUCO, UM POUQUINHO SO.
    Isto porque se eu por aqui no seu blog, que não foi feito para isso, tudo o que tenho conhecimento e imagino sobre a vida de Jesus, o pau vai comer no seu blog. E não quero isso.
    Então é melhor eu parar por aqui.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Nobre Ju, creio que estamos saindo do tema do artigo, no entanto será publicada na semana de Páscoa um artigo que enfocará os principais filmes sobre Jesus, onde será analisado por cada um de nós as mais famosas produções tiradas dos textos sacros.

      O Cinema é a melodia do olhar
      O Cinema é Nicholas Ray.

      Paulo Néry

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  10. Desculpe, Nery;

    Sabia que estava fazendo isto. Mas foi a empolgação do instante no atinente ao filme O Rei dos Reis do Nicholas.

    Além do mais, sempre é um hábito meu fugir dos assuntos da pauta e trilhar para outro que, ainda que paralelo, não é o do tema.

    Vou fazer o possível para tal ocorrencia não voltar a se repetir.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    Respostas
    1. Tudo bem Jurandir, é bom fugir um pouco do tema as vezes, sempre muito cordial amigo.

      Paulo

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  11. Jefferson Claiton;

    Li seu comentário e ouvi que gostas muito de O Rei dos Reis e que não o tem.

    Pois olha; eu o tenho. Se for do interesse do companheiro basta mandar seu desejo de possui-lo para meu email abaixo e descrever seu endereço completo.

    Farei isso com o maior prazer, já que muitos companheiros têm feito o mesmo comigo, e até o próprio Nery já me mandou um filme que era louco para ver.
    Estou à disposição do amigo. Abraço
    jurandir_lima@bol.com.br

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