domingo, 18 de março de 2012

Atlantic City, USA- Burt Lancaster na Obra Magistral de Louis Malle.

Burt Lancaster (1913-1994) concorreu em 1981 ao Oscar de melhor ator pelo velho e infeliz vigarista que vive de devaneios na obra de Louis Malle (1932-1995) ATLANTIC CITY, USA, de 1980. Magnífico criminal “noir” dos últimos tempos com clima romanesco considerado um dos melhores trabalhos do cineasta, e o segundo dos cinco filmes rodados pelo diretor na América entre 1978 e 1985, representou os EUA no Festival de Veneza de 1980, além de ter concorrido ao Oscar de melhor filme, direção, roteiro original, ator (Lancaster) e atriz (Susan Sarandon) de 1981, mesmo ano em que conquistou os prêmios de melhor roteiro e ator (Lancaster) da Crítica de Nova York.


A história começa quando o “hippie” Dave (Robert Joy) volta a Atlantic City para reencontrar a ex-mulher Sally (Susan Sarandon) que a trocara pela irmã mais nova dela, Chrissie (Holli McLaren), e vender um pacote de cocaína afanado de uma quadrilha da Filadélfia. Contrafeita, Sally, que estuda para ser “croupier” num dos cassinos recém abertos de Atlantic City, acolhe o rapaz e a irmã grávida em seu apartamento.



Sem saber, Sally é admirada por um vizinho, o velho Lou (Burt Lancaster), um misto de “gentleman” e vigarista que ainda sonha com o passado de “gangster” e vive com uma velha hipocondríaca entrevada, Grace (Kate Reid, 1930-1993).

Casualmente, Dave toma conhecimento que, no passado, o velho Lou trabalhara em Las Vegas, ligado ao crime organizado. Assim, aproxima-se dele, alegando que teria sido indicado por Harry Gopke, um velho amigo de Lou. Este o leva até seu apartamento, onde Dave divide a cocaína em dois pacotes, pede que Lou guarde por poucas horas um deles, e o convida para, juntos, irem até um luxuoso hotel onde um cliente o espera. Ao chegar ao local, Dave pede que Lou suba sozinho ao apartamento 307, pois ele não se acha convenientemente vestido para a ocasião.


Enquanto aguarda a volta de Lou, Dave é descoberto e assassinado por homens da máfia de Filadélfia. Ao sair do hotel com o produto da venda, Lou descobre que Dave foi morto, ao ver as autoridades recolherem seu corpo da rua.



Admirador de Sally, a quem costumava espiar através de uma janela que dava para o apartamento dela, Lou a procura e a ajuda nos assuntos legais relativos à obtenção das licenças necessárias à liberação do corpo e ao envio do mesmo para o Canadá, onde moram os pais do morto.

Ao descobrirem que Sally era casada com Dave, dois homens da máfia invadem e reviram todo o seu apartamento e a agridem quando a encontram na rua. Eles não imaginam que Lou é quem foi beneficiado com a cocaína roubada por Dave. Por outro lado, a ficha criminal do marido morto, faz com que a direção do cassino a despeça e a desligue do curso de formação de croupiers.

Ao voltar para casa, Sally toma conhecimento que Lou saíra com Dave, no dia em que este foi morto. Desconfiada, entra no apartamento de Lou, onde encontra uma balança de pesar cocaína com resíduos do produto, concluindo que ele deve estar com o dinheiro resultante de sua venda, tão procurado pela máfia. Na ocasião, descobre que Lou deixou o local em direção à Rodoviária.


Indo atrás dele, consegue evitar seu embarque num ônibus interestadual. Em seguida, cobra-lhe o dinheiro que deveria ser de Dave, e que, com sua morte, passaria automaticamente para suas mãos. Os dois discutem o assunto, enquanto caminham pela rua, quando são abordados pelos mafiosos. Lou os mata, em defesa própria e, em seguida, foge com Sally para uma cidade vizinha. A imprensa fala do crime e publica o retrato falado do suposto criminoso, alguém totalmente diferente dele.


Assim, os destinos de Lou e de Sally se cruzaram. Lou melhora o seu “status”, e planeja abandonar a companheira entravada para fugir e viver com Sally.

No motel onde se hospedam, Lou vê quando Sally retira de sua bolsa quase todo o dinheiro amealhado com a venda da cocaína. Comportando-se como se nada tivesse visto, ele ainda lhe oferece a chave do carro para que ela vá embora. Ao pegar o carro com todo aquele dinheiro, ela só pensa em viajar para Mônaco na esperança de realizar seu grande sonho, o de conseguir trabalhar como croupier no cassino de Monte Carlo. Enquanto isso, Lou retorna à Atlantic City, onde retoma sua antiga vida de gângster aposentado, a para companheira Grace.


Um requintado e um emocionante estudo de uma cidade em processo de transição, habitada por perdedores, falsários, mentirosos, sonhadores, que restaram de seus dias de glória, trazendo o talentoso Lancaster numa das suas mais admiráveis atuações de sua carreira.

Procurando fugir dos clichês e sempre atento aos detalhes, Malle desenvolve a relação entre um velho e decadente gângster, representando o passado, e uma bela mulher, que mora no mesmo edifício, representando os jovens vindos de todos os recantos do país em busca de seus sonhos e objetivos, isto é, o presente. Para materializar tais personagens, o diretor confiou os dois principais papéis a Burt Lancaster, na época com 67 anos, e à Susan Sarandon, 33 anos mais nova. Ambos apresentam atuações excepcionais, com uma sensibilidade fora do comum, tendo os dois sido, merecidamente, indicados ao Oscar. A trilha Sonora é assinada por Michel Legrand.


FICHA TÉCNICA
ATLANTIC CITY- USA
Título no Brasil: Atlantic City
Título Original: Atlantic City
País de Origem: EUA / Canadá / França
Gênero: Crime | Drama | Romance
Ano: 1980
Direção: Louis Malle.
Tempo de Duração: 104 minutos
Elenco
Burt Lancaster ... Lou Pascal
Susan Sarandon ... Sally Matthews
Michel Piccoli ... Joseph
Hollis McLaren ... Chrissie
Robert Joy ... Dave Matthews
Moses Znaimer ... Felix
Robert Goulet ... Singer in hospital (special guest star)
Al Waxman ... Alfie (special appearance by)
Kate Reid ... Grace Pinza
Angus MacInnes ... Vinnie
Sean Sullivan ... Buddy
Wallace Shawn ... Waiter

Produção e pesquisa de Paulo Telles

14 comentários:

  1. Vi esse filme tempo, mas lembro que a atuação de Lancaster se destacava. Malle é um diretor brilhante.

    O Falcão Maltês

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    1. Sensacional, vale a pena vc rever, Nahud.

      Paulo Néry

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  2. É um belo filme que se destaca entre diversos outros que mostram como "Las Vegas" é mesmo "A Cidade do Pecado".

    De Louis Malle assisti apenas os filmes da fase americana, como o fraco "Alta Incompetência", o sensível "Pretty Baby" e o interessante drama "A Baía do Ódio".

    Tenho curiosidade em conferir "Meu Jantar com André", sempre li ótimas críticas sobre este filme.

    Abraço

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    1. Obrigado Hugo pela participação, é imensamente importante. Um forte abraço

      Paulo Néry

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  3. ATLANTIC CITY É UM ESTUPENDO FILME.BURT LANCASTER E SUSAN SARADON DOMINAM O FILME PLENAMENTE, NUM VERDADEIRO DUELO DE INTERPRETAÇÕES.LOUIS MALLE ESTÁ MAGNÍFICO,NO SEU MELHOR TRABALHO...
    CENAS MEMORÁVEIS, ESPECIALMENTE, A CENA DE VOYERISMO.QUEM NÃO GOSTARIA DE VER A GRANDE SUSAN SARANDON LIMPANDO E ACARICIANDO SEUS BELOS SEIOS!
    UMA OBSERVAÇÃO, MEU CARO PAULO: VOCÊ DISSE QUE ATLANTIC CITY REPRESENTOU O ESTADOS UNIDOS NO FESTIVAL DE CINEMA DE VENEZA.PARA MIM SOA ESTRANHO,PORQUE ATLANTIC CITY É UM FILME CANADENSE - UMA CO-PRODUÇÃO CANADÁ-FRANÇA!
    PARABÉNS, PELO POST!

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    1. Verdade amigo Eddie!

      Mas chequei esta informação numa sinopse feita pelo saudoso PAULO PERDIGÃO no jornal O Globo, em 1990. mas vou procurar saber melhor sobre o fato e farei uma observação especial aqui nos comentários.

      Grande abraço

      Paulo Néry

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  4. Ola,já estou de filme praticamente visto através de tua brilhante sinopse e excelentes fotografias. Lou foi com certeza um grande 'gentleman' ao deixar dinheiro e carro para Sally,e voltar para sua antiga vida e companheira doente.Não se encontram mais homens como este hoje em dia.Adorei o filme.Grande abraço.

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    1. Minha amiga Su, o Velho Lou, apesar de seu passado marginalesco, foi um amante a moda antiga, não é mesmo? carismático como só Burt Lancaster pôde reproduzir.

      Abraços amiga

      Paulo

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  5. Meu pré-conceito sempre me travou para esse filme. Preciso rever isso.....urgente.

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    1. O preconceito sempre prejudica a análise de um filme, portanto, rever é fundamental, Renato. Valeu!

      Paulo

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  6. Não acompanhei muito, em termos de assistir a filmes, a carreira de Louis Malle, vendo dele apenas Menina Bonita.

    Uma das coisas que muito lamento é não ter visto a Atlantic City, já que tive inumeras oportunidades e as deixei passar.

    Agora, que desejo vê-lo, está difífil, já que as locadoras desapareceram e dificilmente acharei copia pirata para adquirir.

    Uma fita com um teor deste, com Lancaster e com a ótima Saradon, não pode ser ruim.
    Somente em ler a postagem já me deu uma noção do quanto é bom o trabalho destes atores e como deve ser boa a direção deste frances.

    Vou rebuscar umas listas de fornecedores de filmes que tenho arquivadas e ver se o encontro para adquiri-lo, pois sei irei ter grandes alegria em ver o Lancaster em ação.
    Falo isso pois o vi ao lado de Douglas em Os Ultimos Durões, que foi uma delicia!
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Louis Malle era um cineasta de primeira mão. Com Burt Lancaster, o filme, que tinha tudo para ser um enorme sucesso (como de fato foi), acabou se tornando um verdadeiro must.

      OS ÚLTIMOS DURÕES já foi até matéria aqui neste blog, e foi um dos últimos trabalhos deste ator extraordinário junto com Kirk Douglas, muito embora o relacionamento pessoal entre os dois fora da tela não era das mais agradáveis, contrastante com as atuações nas telas.

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  7. Excelente descrição da narrativa Paulo...deu uma vontade absurda de revê-lo agora! Um dos grandes filmes de Louis Malle, um cara que deixou uma bela filmografia.

    Da fase americana eu também gosto de "Perdas e Danos". Jeremy Irons e Juliette Binoche magníficos!

    Lancaster deixou saudade e Surandon no auge de sua sensualidade. Michel Piccoli também esta notável. Estou querendo assistir "Habemus Papam" me recomenda?

    Gosto do clima gangster moderno da fita.

    Abraço.

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    1. Rodrigo, o tema deve ser bastante interessante. Não assisti ao "Hebemus Papam", mas temas que envolvem a Igreja sempre chamam minha atenção. Acho que devemos assistir.

      Quanto ao filme em post e sobre Malle, tudo aqui creio já foi falado, pois não há como refutar sua obra, bem como este clássico estrelado pelo grande Lancaster, um dos grandes tributos do cinema.

      Um forte abraço, Rodrigo

      Paulo Néry

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