sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Uma Aventura na África: John Huston e Sua Exaltação aos Valores Humanos.

Lançado em 1951, Uma Aventura na África (The African Queen) foi dirigido pelo grande John Huston (1906-1987). Foi a fita que deu, merecidamente, o Oscar tão esperado para o pequeno, mas grande ator, Humphrey Bogart (1899-1957).

Adaptado por John Huston e James Agee (1905-1955), este um famoso escritor americano, e baseado no livro homônimo de C. S. Forester (1899-1966),
The African Queen é uma excelente produção anglo-americana. Magnificamente dirigida por um grande mestre, o filme passa-se na África Oriental em 1914, no início da 1ª Guerra Mundial, e conta a história de duas pessoas de classes e ideologias totalmente diferentes que, ao se verem obrigadas a fugirem dos alemães em um pequeno barco, terminam se respeitando e se apaixonando.

Rodada em plena África, onde a equipe enfrentou grandes dificuldades, essa apaixonante história de aventura e amor conta com a belíssima fotografia de Jack Cardiff (1914-2009), que tão bem consegue captar as belezas naturais do continente africano, tanto fauna quanto flora. A música de Allan Gray (1904-1973) é outro ponto alto do filme.

Falando nas dificuldades em se produzir tão grande espetáculo que se imortalizou nas telas, grande parte da película foi rodada em locações no antigo Congo Belga, hoje República Democrática do Congo, e no Lago Alberta em Uganda. Katharine Hepburn (1907-2003) escreveu um livro sobre os perigos, inconveniências, doenças da equipe, desinterias, calor, e os problemas de todo o restante do cast. Tais dificuldades também foram rememoradas por Peter Viertel (1920-2007), o segundo roteirista não creditado (e também marido de Deborah Kerr, morreu um mês depois da esposa). Viertel também foi colaborador de Huston, que juntando assim todas as suas lembranças quanto a produção deste clássico, formou um livro, que mais tarde foi vertida para o cinema, na obra Coração de Caçador (White Hunter, Black Heart), dirigido por Clint Eastwood em 1989.

É desnecessário comentar o primor que Huston dispunha para filmar grandes clássicos de aventura. Mais notável é mostrar dois ícones da maior grandeza do cinema (Bogart e Hepburn) como dois desajustados, cada um a seu modo, que não demoram se desaguam em situações cada vez mais tensas e cômicas. Aliás, o espírito do filme oscila entre o trágico e o cômico, fazendo toda a diferença entre outros trabalhos cujo tema é a selva africana e seus renomados aventureiros (alguém aí pensou em Allan Quatermain???).

Superando todos os obstáculos, Huston conseguiu fazer uma fita atraente, tanto pelas exóticas paisagens como pela emocionante trama, e transformando assim, num grande sucesso de público, crítica, e bilheteria.


A inglesa Rose Sayer (Katharine Hepburn) acompanha o irmão, o reverendo Samuel Sayer (Robert Morley, 1908-1992), enviado como missionário para uma região do Congo. Lá, eles fundam uma Igreja metodista, e ao longo de dez anos, vinham exercendo o trabalho de conversão dos nativos.


Com o início da Primeira Guerra Mundial, em 1914, os alemães destroem a aldeia, interrompendo de forma brusca a atividade missionária. Profundamente abalado e desequilibrado emocionalmente, o pastor Samuel morre pouco tempo depois. Diante do risco de uma incursão dos alemães, Rose decide acompanhar o aventureiro canadense Charlie Allnut (Bogart) em busca de um refúgio seguro.

Num velho e precário barco a motor que dá título original ao filme, inicia uma prolongada viagem ao Rio Congo, passando por múltiplas vicissitudes. O casal de heróis, apesar de suas inúmeras diferenças de opinião sobre os valores, enfrentam corajosamente o sol e a chuva, a fadiga, mosquitos, cascatas, corredeiras, o perigo de jacarés, e como não pode deixar de ser, o ataque do famigerado exército alemão.



É nessa convivência tumultuada que os dois descobrem o significado da amizade e do amor. De formação autoritária e puritana, Rose manifesta, inicialmente, certa discriminação pelos modos rústicos e vulgares do canadense Charlie. Indiferente aos seus problemas e sentimentos, procura impor seus projetos e pontos de vista ao companheiro de viagem. Este, por sua vez, se sente cada vez mais deprimido e solitário, o que faz com que ele recorra a bebida com intuito de afogar suas frustrações.

Enquanto Rose, com um comportamento insensível e recatado, controla de forma rígida suas manifestações de feminilidade, Charlie, o “capitão” do barco, por sua vez mostra pouco apreço por sua dignidade pessoal. A inglesa almeja uma conduta angelicalmente superior; o canadense, por sua vez, depreciava seus valores humanos.

Entretanto, na convivência do dia a dia, Rose vai aprendendo a respeitar o homem que se empenhara em auxiliá-la, dispondo-se a dividir com ele todas as tarefas, mesmo as mais rudes. Por seu turno, a constante presença feminina funciona como um estímulo para que Charlie recupere progressivamente a auto-estima e passe a ter um comportamento mais digno.
Estimulado pela companheira Rose, ele enfrenta com coragem os riscos e encontra os meios adequados para vencer todas as dificuldades. Os dois acabam sendo beneficiados por esta convivência diária. O encontro acidental, resultantes de circunstâncias adversas, vai transformando a viagem numa experiência e compreensão cada vez mais profunda para ambos.


Ao longo de toda a jornada, os dois vão se sentindo, estimulados, a lutarem juntos pela sobrevivência, confiantes no amparo recíproco e confortados pelos laços de amizade plena e mútua. Por isso, esta obra imortal de John Huston faz um convite à reflexão, através de uma exaltação aos valores humanos de solidariedade, apreço, respeito, e amor recíproco.


Ficha técnica: Uma Aventura na África (The African Queen) – Estados Unidos/Reino Unido, 1951. Dir.: John Huston. Elenco: Humphrey Bogart, Katharine Hepburn, Robert Morley, Peter Bull, Theodore Bikel, Walter Gotell.
PRÊMIOS
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Ator (Humphrey Bogart)
INDICAÇÕES
Academia de Artes Cinematográficas de Hollywood, EUA
Oscar de Melhor Atriz (Katharine Hepburn)
Oscar de Melhor Direção (John Huston)
Oscar de Melhor Roteiro
Academia Britânica de Cinema e Televisão, Inglaterra
Prêmio de Melhor Filme
Prêmio de Melhor Ator Estrangeiro (Humphrey Bogart)

30 comentários:

  1. Adoro o estilo Bogart.....Talvez, faltem hoje atores com essa linha. Clooney, a meu ver, é o que mais se aproxima. Mas, ainda anos a distância.

    Abraços

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    1. Bogart tinha mais que estilo, nobre Renato. Concordo quando vc diz que falta atores com essa linha, como Bogart, Cooper, Stewart, etc. Acho que Clooney estaria mais para Cary Grant, mas ainda assim, estaria a uma boa distância. Um forte abraço.

      Paulo Néry

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  2. PAULO, GRANDE ARTIGO - PARABÉNS! INFELIZMENTE,NOS DIAS DE HOJE, NÃO TEM ATORES QUE PODEMOS,MESMO DE LONGE, IGUALAR AO GRANDE BOGART. BOGART ESTAVA A DUAS DOSES DE BURBONS À FRENTE DA "HUMANIDADE"...

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    1. Não existe possibilidade, Edivaldo. Bogart era indubitavelmente único!e Ms Hepburn uma verdadeira dama.

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  3. PAULO, EM TEMPO: MUITO OBRIGADO PELO CALDERÃO DE CHÁ PELA DIVULGAÇÃO DA NOSSA PÁGINA DO CINECLUBE DOS AMIGOS DO WESTERN-CAW NO FACEBOOK!

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    1. Eu que agradeço, nobre Edivaldo! faço questão de divulgar tudo que se relaciona ao cinema e a nostalgia. Um forte abraço e sucesso!

      Paulo Néry

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    2. Todo mês terá divulgação aqui, só me mandar o programa que publico.

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  4. Olá
    Amigo
    Fiquei muito honrado em ver minha foto publicada no seu Blog ( Joaquim Murietta - do Blog As Aventura de Joaquim Murietta ) Estou na Programação do Mês de fevereiro de 2012 do Cine Clube dos Amigos do Western - CAW -
    Um grande Abraço
    Joaquim Murietta

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    1. Saudações, amigo Joaquim Murieta!!!
      Quero que saiba desde já que a honra é toda minha, meu nobre. Doravante, este blog o qual edito com muita satisfação divulgará as programações do CINECLUBE DOS AMIGOS DO WESTERN. Seja muito bem vindo amigo e conto com sua participação.
      Um forte abraço carioca de um eterno admirador do gênero.

      Paulo Néry

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  5. Caro amigo Paulo, sempre somos perguntados a respeito das sequências inesquecíveis do cinema. Uma delas é sem dúvida a cena final desta obra-prima que você focalizou. Impossível não se emocionar quando o capitão do navio, Theodore Bikel, promove o casamento de Charlie e Rose. Bogey está soberbo, ninguém faria melhor que ele um personagem tão adoravelmente desprezível. Mas há Katharine Hepburn no filme. Com Kate em cena nada mais merece ser olhado, a não ser cada gesto, palavra ou olhar da maior de todas as atrizes.
    Um abraço.

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    1. Darci, talvez o Bogart seja um personagem desprezível aos olhos dos altivos sem dúvida.

      A Rose, a personagem de Kate Hepburn, era uma altiva, motivada por sua crença religiosa e formação puritana, mas percebe-se que era tão pobre coitada quanto o próprio Charlie de Bogart.

      Valeu, Darci!!! abraços

      Paulo Néry

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  6. Amigo Nery?

    Sabe o que fiz, antes de ler o texto de Uma Aventura na Africa?

    Muito bem; do lado direito, onde tem Idolos Imortais. Eu dei uma clicada em Ava Gardner.

    Amigo; vão ter que preparar algo mais belo que aquele monstro de mulher porque, igual a ela, rosto como aquele, corpo como aquele, instinto e fome de viver como aquele, vai ter que nascer. Ela é muito linda!!!

    Faça o que eu fiz e tenha um close da mais perfeita mulher que a terra ja propduziu.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Amigo, sei o que bem diz, Ava era linda e por que não dizer...faminta?

      Ainda será matéria deste espaço as confusões que Ava se meteu aqui no Rio de Janeiro, só estou querendo pesquisar mais para saber o que, de fato, realmente houve.

      Mas isto é outra história. Vamos nos concentrar em UMA AVENTURA NA ÁFRICA

      Abraços, meu nobre

      Paulo Nery

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  7. Clássico absoluto, primorosa aula de roteiro, direção, atuação, edição, fotografia... Meu Deus, este filme, genialmente simples, é mesmo perfeito em dimensões nababescas! Excelente recordação de um grande momento do Cinema,meu caro Paulo(viste a postagem sobre os anos 80 e o comercial homenageando Ferris Bueller?!)!

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    1. Saudações meu bom nobre Dil, do Blog MORCEGOS!

      Comentei seu último post, e cheguei a ver a postagem dos anos 80 e o comercial homenageando Ferris, mas ainda não pude comentar, e o farei até este final de semana.

      Quanto ao teu comentário, esta obra é toda uma verdadeira aula de cinema. Nem mais, e nem menos.

      Um forte abraço

      Paulo Néry

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  8. Ainda não contabilizei quantos trabalhos Bogard fez sob as ordens de Houston. Acho que tres ou acima disso.

    Deveria haver uma simbiose entre eles, pois seus trabalhos juntos sempre rendiam frutos acima do esperado.

    E a junção Houston, Bogard e a formidável Hepburn não poderia deixar de render algo com menor valor.

    Uma Aventura na Africa prima pelos valores pessoais, num conflito intimo de egos oriundos de comportamentos opostos e que a situação que envolve os dois os arrastaram a um termo comum de entendimento como unica condição para suas sobrevivencias.

    O cenario natural deu enlevo especial à fita de Houston, assim como os astros que encabeçam a fita souberam valorizar cada segundo de suas interpretações, fazendo com que o filme se tornasse algo único no genero.

    Sim, porque nunca mais se viu nada que parecesse com Uma Aventura na Africa, nem mesmo o filme de Eastwood que, mesmo mais moderno para os nossos dias (foi feito 38 anos depois), traz qualquer rastro do filme que o originou.

    Ainda no resplendor de sua beleza austera, Hepburn novamente dá um show de interpretação aliado à sua beleza natural, enquanto Bogard viveria apenas mais seis anos de sua vida, uma trajetoria pincelada por vicios vorazes, que foram aos poucos lhe arrancando um pouco de vida a cada dia que se passava.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Nobre Jurandir, contei 6 filmes em uma das mais perfeitas parcerias entre ator e diretor, sendo que o primeiro filme de Huston foi RELÍQUIA MACABRA com Bogie.

      Para completar, ainda veio a força feminina com a diva Kate Hepburn completar esta TRINDADE. Talvez, meu amigo Ju, seja este o grande e primordial segredo do sucesso desta obra.

      Não poderia evidentemente desvalorizar a trama, que reflete aquilo em todos nós. Quem não esquece dos preconceitos nos momentos de perigo, e acaba assim aprendendo os verdadeiros valores de companheirismo e entendimento? Sem dúvida foi à proposta de Huston ao filmar esta magnífica fita.

      Verdade que foi um dos últimos grandes momentos do eterno Bogart, bem lembrado. Durante as filmagens, sabe-se que Bogie e Huston adoravam beber nas folgas, naquele calor africano de rachar que não era brincadeira. Dois homens fortes que adoravam os prazeres da vida, beber, jogar, fumar, e conversar.

      Claro que tudo isto acaba tendo um preço, mas sem dúvida, uma parceria cativante como aquela entre Wayne & Ford. Impecáveis!

      Paulo Néry

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  9. Graças à sua excelente postagem, adivinha o que descobri, amigo Paulo: tenho esta obra-prima do Houston em DVD ainda lacrado (coisas de colecionador: compra e não tem tempo de rever...)! Assisti-la-ei hoje mesmo, ré, ré!

    És fã do James Bond assim como eu? Pois tem postagem sobre "ocara" lá nos Morcegos! Corre lá! Abração!

    P.S.: obrigado pelo aviso de que o comercial não estava mais aparecendo (ai, ai, esta internet está cada dia mais chata quanto aos tais direito$ autorai$!) - já consegui um link com o comercial por inteiro (se ainda não viu, vê antes que a "roda viva" das grandes corporações tirem do ar de novo!)!

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    1. rrsrsr, amigo Dil, sei como é isso. Também tenho alguns dvds que nem pude deslacrar por pura falta de tempo para assistir. Quem sabe, nestas folgas de carnaval, não me surja um tempo de ver?

      Entre eles estão alguns filmes de 007. Vou lá agora, meu nobre. Vou ver este link antes que saia do ar de novo.

      Forte abraço amigão

      Paulo

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  10. maravilha de filme, de direcao e de atores!!!!

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    1. Bem verdade, ricardo! Repito: é uma aula de cinema.

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  11. Excelente filme, esse, amigo. Passar, aqui, é sempre um prazeer.

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  12. Um grande clássico do cinema, com os inesquecíveis Humphrey Bogart e Katharine Hepburn.

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  13. Mais uma vez excelente artigo Paulo. Adoro “The African Queen”, que de certa forma é pai de Caçadores Da Arca Perdida (um pouco de Allan Quatermain também) ou de qualquer boa aventura que veio depois, este filme ensinou a eles.

    Incrível como Humphrey Bogart e Katharine Hepburn tem química. Adoro a cena em que ela se livra das cachaças do herói, rs! Huston no auge, o mais delicioso filme dele com Bogart, embora meu favorito sempre será 'O Falcão Maltês' e 'O Tesouro de Sierra Madre' ainda é sensacional, mas este é uma delícia. Um tour na selva, rs!

    Graças a Deus que a Paramount lançou em DVD, Comprei já tem um tempo.

    Abs.

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    1. Nobre Rodrigo Mendes!

      Gostei da tua observação! Talvez seja o pai dos grandes filmes de aventura como Indiana Jones. Mas independente disso, vemos aqui uma sintonia perfeita numa única obra jamais vista antes e depois, a começar com a direção de um perfeccionista como John Huston, que legou grandes obras para o mundo da cinematografia, um roteiro cativante, e claro, a química ente dois sagrados ícones da Sétima Arte numa perfeita parceria romântica.

      Gosto muito dos dois que mencionou, o FALCÃO MALTÊS (Ou RELÍQUIA MACABRA), e o TESOURO DE SIERRA MADRE, um filme também muito imitado posteriormente por conta do tema, que fala sobre a ambição e cobiça. Uma obra de Anthony Mann, O PREÇO DE UM HOMEM, um Western com James Stewart, Janet Leigh, e Robert Ryan, leva reminiscências desta obra de Huston. Sensacional!!!

      Abraços!

      Paulo Néry

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  14. O grande segredo de Bogart como ator, era que ele reprentava ele mesmo nos filmes em que atuava.

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