quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

A Marca da Maldade: Orson Welles e o Último dos Clássicos "Noir" do Cinema.


Um magnífico estudo acurado sobre a natureza perversa do ser humano. Orson Welles (1915-1985) realiza de forma inteligente uma palestra em seus 106 minutos de projeção (versão remontada) na obra A Marca da Maldade (Touch of Evil) de 1958. Aliás, atuando também como ator no papel de Hank Quinlan, um policial pungente e corrupto que ele interpreta de forma soberba, traduzindo um resumo de tudo que Welles tem a pretensão de sugerir ao espectador, mais especificamente em relação às incoerências, hipocrisias, e contradições, que envolvem a natureza humana. Também assinala o retorno deste big cineasta a Hollywood após nove anos de ausência. A fita teve cenas acrescentadas e montagem adulterada pela Universal à revelia do diretor.

Em 1999, foi realizada uma remontagem segundo as intenções do cineasta (que falecera em 1985) e deixadas para herdeira do diretor, Rebecca Welles*1. Charlton Heston e Janet Leigh (na foto acima) estiveram presentes na cerimônia de lançamento que foi exibida especialmente por ocasião dos 40 anos da estréia da obra. Foi o próprio astro de Ben-Hur e Os Dez Mandamentos, quem sugeriu a Universal Pictures para que Welles assumisse a direção (anteriormente, Welles só atuaria como ator)*2. Em verdade, o estúdio teve medo, mas Welles cumpriu o tratado e realizou a obra no tempo certo dentro do orçamento estabelecido. Mas mesmo assim, a Universal mexeu no filme. Amigos de longa data de Welles participam da fita, alguns até não creditados. Participam Zsa Zsa Gabor como a dona do bordel, Keenan Wynn, Jospeph Cotten, e despontando Dennis Weaver (1924-2006) improvisadamente por instigação de Charlton Heston, no papel do atrapalhado e bitolado empregado do hotel.

Welles tinha apenas 41 anos quando desempenhou o papel do obeso policial Hank Quillan, e como se não bastasse, ainda usou uma maquiagem bem pesada. Numa das ultimas cenas, justamente em que seu personagem morre, Welles sofre um real acidente ao cair do rio e fraturar o braço. Janet Leigh também não teve tanta sorte, pois filmou Touch of Evil quando havia quebrado o braço esquerdo durante um programa de TV e passou grande parte da filmagem escondendo o problema.


Numa pequena cidade de fronteira mexicana, um vulto coloca uma bomba-relógio na mala de um conversível, fugindo em seguida. Um insuspeito e rico americano, Rudi Linnekar, e sua namorada, uma dançarina de strip-tease, entram no conversível e se dirigem à fronteira com os EUA.

Quando o conversível para no Posto de Fiscalização, chega também, a pé, Ramon Miguel 'Mike' Vargas (Charlton Heston), um honrado e incorruptível investigador mexicano do Departamento de Narcóticos, em companhia de sua bela mulher americana, Susan Vargas (Janet Leigh, 1927-2004), casados há poucos dias, que estão naquele momento curtindo a lua de mel.

Pouco depois de entrar em território americano, o conversível explode, matando seus ocupantes. Mike, Susan e outras testemunhas correm, juntamente com a polícia, até o local da explosão. O promotor Adair (Ray Collins,1899-1965) também chega naquele momento, criticando o fato de Hank Quinlan (Welles, sempre magistral!), um gordo policial malquisto da corporação e considerado um corrupto capitão de polícia texana, não ter aparecido. Vargas pede à esposa que para o hotel, e oferece seu apoio não oficial ao caso, como testemunha. Assim, planeja ir à Cidade do México como testemunha de acusação no julgamento de Grandi, um traficante de drogas que ajudara a colocar na prisão.



Enquanto isso, Susan é abordada por Pancho (Valentim de Vargas), um criminoso que a leva à presença do irmão de Grandi, “Tio” Joe Grandi (Akim Tamiroff, 1899–1972). Este a ameaça, com uma arma e um charuto aceso que quase a queima na boca, dizendo-lhe que o marido tem que ficar de fora do julgamento do irmão. Ela o lembra que, a essa altura, seu marido já deve estar à sua procura.


De volta ao hotel, Vargas encontra Susan, que acabara de chegar de seu encontro com “Tio” Grandi. Por questões de segurança, sugere que ela siga logo para a Cidade do México, onde ficará a aguardar pelo marido. Ao sair do hotel, Vargas é atacado por um jovem da gangue de “Tio” Grandi, que tenta lhe jogar ácido no rosto, mas Vargas se defende e sai ileso.


Quinlan e seu parceiro “sócio”, o Sargento Pete Menzies (Joseph Calleia, 1897–1975), juntamente com outros policiais, sob o pretexto de investigarem a explosão, vão até o Clube de Strip-Tease, onde conversam com a proprietária. Ao sair de lá, Quinlan vai ao bordel de Tanya (Marlene Dietrich, 1901-1992), sua antiga amante, onde lhe pergunta se ouviu alguma coisa a respeito do atentado à bomba, prometendo-lhe voltar mais tarde.

Na manhã seguinte, “Tio” Grandi planeja envolver Susan num crime de sexo e drogas, a fim de forçar Vargas a desistir de testemunhar contra seu irmão preso. Quinlan sugere a investigador mexicano que Susan estará mais segura no Motel Mirador, no México. Logo, Vargas aceita a sugestão sem saber que o Motel é de propriedade de Grandi.

Juntamente com Vargas, Quinlan procura Manolo Sanchez (Victor Millan, 1920-2009), um antigo empregado de Linnekar e amante da filha deste, Marcia (Joanna Moore, 1934-1997). Quinlan diz que Sanchez tinha motivos para acabar com a vida de Linnekar. Assim, Vargas sai por um instante, a fim de telefonar para Susan e, ao voltar, percebe que Quinlan forjou evidências que podem incriminar Sanchez.


Ao verificar que Vargas percebeu que as evidências foram forjadas, Quinlan procura “Tio” Grandi, já que ambos querem vê-lo longe do caso.

Enviados por “Tio”Grandi e sob a orientação de Quinlan, Pancho e seu grupo chegam ao Motel para aterrorizar Susan. Depois de cortarem sua linha telefônica, uma das líderes do grupo (Mercedes McCambridge, numa participação não creditada, no papel de lésbica) ameaça abrir a porta com uma chave-mestra para uma noite de orgias com drogas.


Vargas começa, por conta própria, a investigar Hank Quinlan, determinado a mostrar que ele forjou evidências contra Sanchez. Menzies procura Quinlan para lhe falar das intenções do investigador mexicano. Com isso, Quinlan corre até o hotel onde Vargas conversa com o promotor, e ao chegar lá, zomba do investigador mexicano, ao mesmo tempo em que o promotor, possivelmente com medo e ponta de puxa-saquismo, diz ter certeza de que Quinlan é um policial correto.

No Motel, Susan é drogada. Como parte do plano de “Tio” Grandi, ela é raptada e levada inconsciente para um apartamento do Hotel Ritz, de sua propriedade, onde é deixada semi-nua numa cama, ao lado dos restos de entorpecentes. Quinlan força “Tio” Grandi a telefonar para a polícia e dizer a Menzies que as autoridades podem encontrar Susan, a esposa do honesto policial Ramon Vargas, drogada no Hotel Ritz, com intenção de desmoralizar tanto a conduta do investigador mexicano quanto a integridade moral de sua esposa. Em seguida, o corrupto Quinlan mata o asqueroso “Tio” Grandi.


Al Schwartz (Mort Mills, 1919-2003) avisa Vargas que sua esposa encontra-se presa, acusada de envolvimento com drogas e de ter cometido um assassinato. Por outro lado, convencido de que Hank Quinlan tem a ver com o ocorrido, Menzies alia-se a Vargas para desmascará-lo.

O plano de Vargas consiste em Menzies usar um microfone escondido para gravar uma conversa com Quinlan que possa definitivamente incriminá-lo. Menzies consegue gravar a conversa, como planejado, mas é descoberto por Quinlan, que até aquele momento havia sido seu melhor amigo, e é morto por ele.


Vargas que vinha seguindo os dois, aparece de repente para capturar o gordo Quinlan, mas este aponta a arma em direção ao investigador mexicano, mas, embora mortalmente ferido, o ex "sócio" Menzies consegue matar o capitão de polícia corrupto. Schwartz chega com Susan num carro e corre para o local onde se acham Menzies e Quinlan, já jazigos ao chão. Vargas abraça sua mulher dizendo-lhe que, afinal, está tudo acabado. No último momento, chega ao local também Tanya, que já pressentindo o final de seu ex-amante, de certa forma vem a lamentar seu fim ao promotor Schwartz.

Num primeiro plano, o filme parece seguir algumas das mais básicas características dos filmes policiais noir da RKO: fotografia com ampla definição de claro e escuro; um crime como ponto de partida o desenrolar da trama e as investigações que se desenvolvem acerca delas; ambientes decadentes e imundos; imoralidade e corrupção; e cenas preferencialmente noturnas, permeiam toda a composição estética da obra.

Mas contrapondo entre outros clássicos noir, esta magnífica obra de Welles tem como protagonista um policial mexicano honesto que coloca a lei acima de tudo e interpretado muito bem por Charlton Heston, contudo um herói clássico que inexiste em outras produções ao estilo onde os “mocinhos” interpretados por Robert Mitchum, Humphrey Bogart, ou Robert Ryan, eram heróis atormentados que ainda assim desafiavam o sistema. Outro detalhe muito interessante de praxe nas fitas policiais noir são as femme fatale, a mulher que acaba seduzindo e atrapalhando a vida do personagem principal, onde aqui em A Marca da Maldade não existe. Mesmo assim, é considerado o último dos clássicos noir de Hollywood.


A Trilha Sonora de Henry Mancini (1924-1994) que veio até a se tornar um referencial ao estilo dos velhos filmes policiais, tem papel fundamental, uma vez que ela molda algumas cenas, participando delas ativamente, atuando como uma importante ferramenta de continuidade que claramente situa o espectador na trama.

Um filme sem dúvida com diálogo inovador para o público do final da década de 1950, que eram consideradas até então um tabu para o cinema norte-americano, mesmo com o Código Hayes estando já naquele tempo perdendo sua eficácia. Vemos palavras como baseado, entorpecentes, picada, entre outras que fazem parte do vocabulário dos viciados.

A versão proposta por Welles talvez seja um pouco mais direta e clara (onde não contava a trilha de Henry Mancini, introduzida pelo estúdio, que não sai nada mal), além da fotografia claro-escuro quase expressionista, os cortes abruptos, e o uso de câmera na mão. Com todos estes recursos dentro do baixo orçamento previsto para produção, Welles oferece ao mundo uma obra B de primeira (B = baixo orçamento) com requintes de produção Classe A, que se tornou uma das películas mais admiradas e assistidas em todos os tempos ao longo de mais de 50 anos de seu lançamento, com um tema bem pertinente ainda nos dias de hoje. Uma fita de referencia até mesmos para cineastas e críticos modernos, que consideram A MARCA DA MALDADE como um dos melhores trabalhos de Orson Welles, que se impõe como uma de suas obras de impacto técnico estarrecedor, reveladora de rara volúpia criativa em seus efeitos de câmera, som, e edição. Sem dúvida, um dos filmes capitais da moderna linguagem do cinema.



*1-No canal Telecine Cult foi exibida o Making Of do filme, ao contrário do lançamento em DVD, que foi proibido pela filha de Welles, Rebecca (com Rita Hayworth), herdeira do cineasta.
*2- Segundo site IMDB


A MARCA DA MALDADE – FICHA TÉCNICA
Título original: (Touch of Evil)
Lançamento: 1958 (EUA)
Direção: Orson Welles
Elenco
Orson Welles .... Capitão Hank Quinlan
Charlton Heston .... Ramon Miguel Vargas
Janet Leigh .... Susan Vargas
Joseph Calleia .... Sargento Pete Menzies
Akim Tamiroff .... "Uncle Joe" Grandi
Joanna Cook Moore .... Marcia Linnekar
Marlene Dietrich .... Tanya
Victor Millan .... Manelo Sanchez.
Duração: 95 min (lançamento em 1958)- 106 minutos (versão do diretor lançado em 1999 e lançado em DVD)
Gênero: Policial/Noir

36 comentários:

  1. Meu amigo Ivan, sim. Alguns até consideram o filme melhor que Citizen Kane, mas nem por isso, menosprezando o grande clássico que deu á Welles o devido reconhecimento.

    Se me perguntar se prefiro entre um ou outro, sou partidário ao Touch of Evil. Foi o primeiro filme que assisti de Welles em toda minha vida. Depois que vim à assistir Cidadão Kane, que aplaudi sentado, ao contrário da obra aqui em temática no post, que aplaudi de pé.

    Bom, é um ponto de vista.

    Paulo Néry

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    1. Ressalvando..

      Há críticos e pessoas que eu mesmo conheci que tem na MARCA DA MALDADE a obra prima de Welles, seguido de CIDADÃO KANE.

      Paulo

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    2. Amigão, quando trato de cineastas não são devidamente os renomados, mas posso citar um cuja entrevista li há anos que considerou A MARCA DA MALDADE superior a CITIZEN KANE: Quentin Tarantino.

      Acredito porque se forem notar, há muitas influências desta obra de Welles nas fitas de Quentin. Quanto a críticos, vou citar dois, que não são conhecidos, mas escrevem ou escreviam para fanzines, que os conheci pessoalmente, que se chamam Rogério Prado do Amaral e Carlos Lopes, ambos jornalistas que achavam Cidadão Kane “cerebral” demais.

      Por outro lado, argumentando com eles, simplesmente disse que se não cerebral ao menos estava fazendo alusão a um ilustre jornalista chamado WILLIAM RANDOLPH HEARST, que foi nos EUA um Poderoso Magnata da Imprensa, que ferrou com a carreira de Johnny MacBrown por ter tido um caso com a namoradinha jovem de William, a atriz Marion Davies, que como a namoradinha de Charles Forrest Kane no filme(a cantora de ópera), era medíocre e não tinha talento, e não sobreviveu ao cinema falado.

      Em papos de amigos, que não costumam também ser grandes cinéfilos, já vi fazerem menção de A MARCA DA MALDADE ser melhor que o consagrado Citizen Kane, que ao contrário do filme aqui em tema, não foi reconhecido como obra magistral tempos depois e ainda tentaram boicotar de todas as maneiras. Touch of Evil, ao invés, já causou frisson desde o seu lançamento.

      Paulo Néry

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    3. Ah e outra coisa que pensei, talvez mesmo por não serem "grandes cinéfilos", não conheçam tão aprofundadamente a obra tida como Máxima de Welles, rs!

      Paulo

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    4. Ivan, sem dúvida ficaríamos sem uma grande obra prima e o mundo não conheceria. William Randolph não era mole, e sabia que o filme fazia, além de uma alusão a sua pessoa, uma crítica ferrenha ao seu comportamento, logo ele ofereceu dinheiro ao estúdio para destruir todos os negativos originais, que graças aos céus não cedeu as pressões do dito cujo.

      Paulo Néry

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    5. Nobre Paulo e Terrível Ivanov. Longe de mim querer dar a palavra final numa discussão que envolve cinéfilos como vocês e ainda o Nahud. Como sou daqueles que não entendem a comparação de A Marca da Maldade com Kane e foram citados críticos, cineastas e amigos, creio que se é para entrar na área das posições de terceiro devemos chegar até a Sight and Sound. Em 1952 saiu pela primeira vez a lista decenal dessa publicação inglesa que solicitou a 250 críticos e cineastas para indicar os dez melhores filmes de todos os tempos. Kane não entrou numa lista visivelmente acadêmica. Dez anos depois, 1962, Kane é o primeirão. 1972 e Kane na cabeça de novo (já com a turma do Cahiers votando) e Welles meteu lá de quebra também o The Magnificent Ambersons em oitavo. 1982 e olha o Kane de novo em primeiro aí gente! 1992 e ganha um doce quem adivinhar que filme ganhou. Acertou quem falou que foi o filme que Hearst queria incinerar. Em 1992 foi o ano em que apareceu o primeiro western na lista e claro que foi o melhor de todos os tempos Rastros e Ódio. Em 1992 a Sight and Sound decidiu dividir o pool em duas listas, a dos críticos e a dos cineastas. Um LP do Wando para quem adivinhar qual filme da RKO ficou em primeiro nas duas listas. Wando pra todo mundo que lembrou de Charles Foster Randolph Hearst Bob Marinho Kane. Em 2002 a história se repetiu e mais ainda, sempre inventando a Sight and Sound pediu também a indicação dos dez melhores diretores. Welles nas duas, rotundamente absoluto. E claro que ele não foi o melhor nas duas listas devido a A Marca Da Maldade.
      Portando amigos, De Gustibus et coloribus non est disputandum, como diria um pernóstico cinéfilo que conheci aqui em são Paulo, mas francamente, não dá para comparar The Touch of Devil com Cidadão Kane.
      O Geraldo José de Almeida diria: quiuiéissominhagente...
      O Silvio Luiz diria peloamordos meusfilhinhos...
      O abominável Neto diria: birincadeira...
      E já que falei de gente do futebol. Conheci um outro cinéfilo que dava suas pinceladas no futebol e que sempre defendeu que Ademir da Guia era melhor que Pelé. parece essa comparação entre Kane e A Marca da Maldade. The Touch of Devil poderia ser honrosamente o cracaço Ademir da Guia, mas Pelé foi incomparável.
      Termino dizendo que Kane não é dos filmes que mais gosto de assistir mas se alguém quiser aprender a fazer cinema, Kane é a aula magna.
      Em tempo. Em 2012 teremos a sétima edição da lista da Sight and Sound e já prevejo muita discussão.
      Abraços do Darci Fonseca - CINEWESTERNMANIA

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    6. Nobre Darci, se forem ler o artigo por inteiro, não faço em nenhum momento menção de CIDADÃO KANE, contudo, creio mesmo que levantei uma polêmica, ao mencionar A MARCA DA MALDADE como o melhor trabalho do diretor, uma polêmica que espero agora ter corrigido, pois o texto final já foi alterado como “um dos melhores trabalhos de Orson Welles”.

      O que aconteceu com CIDADÃO KANE foi o mesmo que aconteceu com RASTROS DE ÓDIO, pois quando foram lançados, nenhum dos dois teve repercussão de clássico, e só foram reconhecidos como obras primas tempos depois.

      Em 1952, ainda era recente para CIDADÃO KANE ter seu devido reconhecimento. Tenho uma revista de 1979 sobre cinema que fala da morte de John Wayne e expressa sua filmografia. Fala de DEPOIS DO VENDAVAL, FORTE APACHE, HATARI, EL DORADO como os filmes magistrais de sua carreira, mas em nenhum momento RASTROS DE ÓDIO é mencionado como uma das obras primas que o eterno “Duke” estrelou, aliás, nem o título brasileiro é citado, somente o original, THE SEARCHERS.

      Como arte, aula sobre cinema, concordo, Darci, que CITIZEN KANE tem muito a oferecer, mas na opinião deste editor, em termos de ação emoção, aventura, thriller, A MARCA A MALDADE tem a oferecer ainda mais, e não há mesmo como comparar, pois são obras bem distintas, e momentos bem diferentes.

      Não vamos, pois, injustiçar KANE, que merece reconhecimento sem dúvida. Mas a MARCA, também acho que merece.

      Abraços

      Paulo Néry

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    7. Paulo, em 1979 Jean-Luc Godard já havia surpreendido o mundo ao dizer que chorara de emoção ao ver Ethan Edwards elevar a pequena Debbie e dizer a imortal frase Let's go home, Debbie. 20 anos antes, pouco antes de morrer, André Bazin já havia deixado claro a importância desse western de John Ford. Em 1982 foi o quinto colocado na lista da Sight and Sound. Portanto em 1979 o que houve nessa publicação que você possui foi um desses lapsos lamentáveis. Você não deixa de ter razão pois mamutes como o livro The Pictorial Story of the Talkies, de Daniel Blum, editado em 1958, ignora solenemente Rastros de Ódio. Nem a reedição desse livro em 1968 corrige o lapso.
      Ao citar as listas da Sight and Sound procurei deixar claro que se levarmos em consideração opiniões de terceiros a polêmica acaba. Welles renegou Soberba e deixou documentos discordando da edição de The Touch of Evil, o que quer dizer que esse é um filme menos pessoal dele e mais da Universal. Por outro lado, somos sempre influenciados de uma forma ou de outra por críticos e autores famosos até chegarmos às nossas opiniões próprias. Para que essa influência inexista não deveríamos ler nada nem ninguém, o que é impossível. E nossas opiniões, mesmo depois de formadas, podem mudar com o tempo, já lembrava Raul Seixas, que bebia muito. Falo isso porque você citou Tarantino sem sabermos se ele fez a afirmação em seu estado normal e o estado normal de Tarantino não é o que normalmente merece ser chamado de normal.
      Numa coisa estamos de pleno acordo: Kane merece o reconhecimento (de melhor filme de todos os tempos), como você diz. A Marca da Maldade, por sua vez, não teve o reconhecimento de um juri de 1500 artistas, críticos e historiadores que atendendo solicitação da American Film Institute construíram a lista dos 100 melhores filmes norte-americanos de todos os tempos. The Touch of Evil não entrou na lista enquanto Kane está lá em primeiro lugar. Quanta gente injusta, heim?
      Um abraço cinéfilo do Darci Fonseca - CINEWESTERNMANIA

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    8. Pois é, nobre Darci, injustiças sempre ocorrem ao longo de 100 anos de cinema. Voltando um pouco a RASTROS DE ÓDIO, a revista que neste momento que digito se encontra a minha frente é a edição de cinema da Revista Fiesta, ano I, nº 8, de 1979, uma edição especial sobre o “Duke” que foi lançada rapidamente tão logo o mundo tomou conhecimento de seu falecimento, com direito a biografia, pôster, e claro, filmografia. Relendo a revista, que já tenho comigo há anos, folheei e constatei que RASTROS DE ÓDIO não figura mesmo sequer uma mençãozinha.

      Jean Luc-Godard como vc deve saber, odiava de morte John Wayne por suas posições políticas e reacionárias. Quem poderia contrariar Godard a respeito desta afirmação, logo ele que seria o último a falar bem de John Wayne e de sua atuação em THE SERACHERS, a que considero a melhor de toda sua carreira, e como sempre costumo dizer, mereceria uma indicação ou mesmo o Oscar por Ethan Edwards.

      Mas claro, no momento seguinte ao lançamento desta obra, não consideraram o filme assim tão importante a ponto de dar uma indicação a Wayne.

      Quanto a MARCA DA MALDADE, bem verdade que se nota a interferência do estúdio no trabalho de Welles, mas claro que ao longo de nossas leituras e conhecimentos, não há como não se deixar influenciar a menos que vc desista e deixe de conhecer.

      Não sou fã de Tarantino e não aprecio seus trabalhos, mas no entanto não duvido que ele venha a admirar este trabalho de Welles não pelo fato de admira-lo, mas porque certamente ele viu em Touch Of Evil uma produção de baixo orçamento, e sabemos que Taran foi influenciado por filmes B e por Roger Corman.

      É uma pena, mas não deixa de ser um filme badalado, Darci. Tivemos aqui um prefeito aqui no Rio de Janeiro chamado Paulo Conde, que numa entrevista para sua candidatura (afinal estávamos em épocas de eleições, em 1996) a repórter perguntou cada um de seus gostos, que incluíam sobre pratos, hobbies, esporte, e filmes.

      Ela perguntou a ele qual o filme preferido e ele respondeu: A MARCA DA MALDADE, com Charlton Heston e direção de Orson Welles. Ele acabou ganhando no primeiro e segundo turno. Quem sabe, esta preferência não o ajudou a se eleger? Rsrsrsrsrrsrsrsrrsrsrsrsrsrsrsrsrsr....

      Brincadeiras a parte, sim, muita injustiça, que cometeram uma grande maldade com a MARCA DA MALDADE, RSRS.

      Abraços de iguais cinéfilos, Darci.

      Paulo Néry.

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  2. Paulo, nem sempre a tal versão do diretor é melhor que a do estúdio. A Universal editou o filme e Welles quase que o renegou. A começar pela trilha sonora que na versão de 1999 é muito inferior. O que Henry Mancini fez para a Marca da Maldade, especialmente acompanhando o fantástico movimento de câmara foi magnífico e valorizou sobremaneira aquela introdução. Welles queria sons e não música; queria rádios tocando e o que se ouve na dita versão do diretor é uma saturação sonora. Welles conheceu e bem a criatividade de Mancini e deve como todo mundo ter se espantado ao ouvir Peter Gunn pela primeira vez.
    Mesmo alterado do jeito que Welles teria sugerido, A Marca da Maldade conserva suas grandes qualidades, mas como disse o incrédulo Ivan: melhor que Kane, nem por brincadeira.
    Belo post sobre um filme importante de Welles, cujo segundo melhor é aquele que não é dele, mas é todo ele: O Terceiro Homem. Mas como diria Charles Gavin, isso já é outra história...
    Darci Fonseca - CINEWESTERNMANIA

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    1. Darci, isso é a mais absoluta verdade. Versão do diretor muitas vezes não é grande coisa, e muita gente se empolga esperando ver algo ainda maior.

      Pois bem, se entende porque de Wells de quase ter renegado sua obra ao reconhecer o trabalho do grande Mancini, que em verdade, só veio a realçar todo o filme. Fica eletrizante quando acompanhamos as cenas, ao som tremendo com a rádio ligada tocando algo um ritmo, diria, bem alucinante, já que trata-se de uma orgia. Mas com todas estas mudanças com a reedição, é como bem disse, Professor!

      Olhe, o TERCEIRO HOMEM considero superior a KANE. Aplaudo de pé. No decorrer dos comentários talvez explique por que não coloco este no patamar.

      Paulo Néry

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  3. Kane e "A Marca" são obras primas incontestáveis de Orson Welles.

    Parabéns por mais um artigo detalhado Paulo.

    Um cult magistral. Clássico que aprecio muito.

    Abraço.

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    1. Verdade, amigo Rodrigo, mas como disse o Mestre Darci do CINEWESTERNMANIA, ainda tem o Terceiro Tiro, e é uma obra Wellesiana (tero que acabei de inventar) que não pode ser ignorada e também assistida. Um abraço!

      Paulo Néry

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  4. PAULO, GRANDE POST!
    A MARCA DA MALDADE É, SEM DÚVIDAS NENHUMA, UM EXCELENTE POLICIAL NOIR - FORA DE SÉRIE.
    ACREDITO TAMBÉM QUE FOI NESSE FILME HITCHCOK DESCOBRIU JANET LEIGH PARA FAZER O PAPEL DE MARION CRANE. ALIÁS A MARAVILHOSA JANET, NA CENA DO CHUVEIRO, FEZ A SEQUÊNCIA MAIS ELETRIZANTE DO CINEMA...
    VOCÊ CITOU JOANNA MOORE, UMA LINDA LOIRA DA UNIVERSAL, QUE NÃO VINGOU. ELA CASOU-SE COM O ASTRO RYAN O'NEAL, E É MAIS CONHECIDA POR SER MÃE DE TATUM O'NEAL. OUTRA LOIRA NÃO CITADA POR VOCÊ, JOI LANSING, TAMBÉM BONITA, QUE FEZ VÁRIOS FILMES E VÁRIAS PARTICIPAÇÕES EM SÉRIES DE TV, MAS POUCO CONHECIDA...
    QUEM TAMBÉM FAZ UMA PONTA SEM SE CREDITADO É JOHN DIERKES, QUE FAZ UM PAPEL DE POLICIAL,É CONHECIDO PELOS EXPERTOS DO GÊNERO WESTERN. JOHN É MORGAN RYKER DO SUPERESTIMADO OS BRUTOS TAMBÉM AMAM...

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    1. Salve Eddie! Sempre em colaboração colocando uns adicionais pos-post. Rs, muito bem, amigo. Bem provável, já que Janet Leigh demonstrou atuar muito bem como uma mulher aterrorizada por uma gangue. Quem sabe, o Hitch não imaginou como estaria ela aterrorizada sob o olhar de uma faca em sua direção, tal como a vemos na cena do chuveiro e PSICOSE?

      A JOANA MORRE já a vi atuar em alguns filmes e séries de TV e foi esposa mesmo de Ryan o Neal, e da relação teve Tatum. Ela morreu de câncer e 1997, e JOY LANSSING, aqueles belos e fartos seios (não existia silicone, por favor, amigos) foi uma das mulheres mais exuberantes do cinema, mas sempre fazia papéis secundários ou de suporte, como a vemos em VAMOS CASAR OUTRA VEZ, com Sinatra e Dean Martin, em 1965. Morreu em 1972, e cãncer, e sinceramente difícil de acreditar que faleceu tão precocemente.

      JOHN DIERKES é o eterno vilão ou ajudante do vilão em inúmeros westerns...

      Paulo Néry

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  5. Ola,estou aqui para agradecer mais uma vez a homenagem que me fizestes na postagem da Ava.Estando naquela data numa LanHouse da praia de Capão da canoa não consegui de maneira nenhuma entrar nesta página de comentários ,de maneira que só me foi possível agradecer-te através de meu blog.Agora em casa e com muito atraso,quero dizer que adorei fazer parte do conjunto do excelente post.Muitissimo obrigado meu querido amigo.Grande aberaço.

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    1. Amiga, acredite, vc merece e faz parte desta Família. Grande abraço Su e bom fim de semana.

      Paulo Néry

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  6. O melhor filme norte-americano de todos os tempos (supera CIDADÃO KANE, do mesmo Welles). Sombrio, tenso, forte... Com uma abertura sensacional e soberbas atuações de Welles e Akim Tamiroff. Bravo, Néry.

    O Falcão Maltês

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    1. Nahud, particularmente também assim considero. Obrigado pelo seu comentário. Abraços.

      Paulo Néry

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  7. Como sempre, vc fez uma crítica muito competente do filme, adicionando dados sobre os atores, isso é muito legal.
    É uma honra ter alguém do seu patamar de conhecimento lendo as coisinhas que escrevo, fico até encabulada, sabia? Sobre aquilo das letras anti spam no seu caso que sempre atualiza o blog, eu acho que é melhor mesmo apagar algum post indesejável do que exigir tantas letrinhas, né? superabraço procê

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  8. PS: nossa, está muuuuuuuito melhor agora para postar! Gracias!

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    1. Amiga Neve, agradeço os comentário. Fui ver nas configurações o dispositivo e agora ficou bem fácil. Abraços

      Paulo Néry

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  9. Vou ser reu confesso: pouco conheço mais a fundo as obras de Welles. Assisti a Grilões do Passado há muito tempo e dele tenho poucas lembranças. Entretanto me pareceu um bom trabalho deste.

    Assisti a Othello e não o aprovei, tanto quanto não aprovei A Dama de Shangai.

    Soberba eu comecei a assistir, assim como A Marca da Maldade, mas não fui adiante em nenhum dos dois casos. O prmeiro por acha-lo enfadonho e o segundo por não conseguir acompanhar legenda/filme.

    Como sempre tive boas informações de A Marca da Maldade, ando à espera que o mesmo volte a passar sem legendas e com qualidade na dublagem, para melhor apreciá-lo.

    O que sei de forma concreta para informar é que não consigo entender o extraordinário valor dado a Cidadão Kane, filme que já vi mais de quatro vezes, na tentativa vã de localizar nele onde está o que o projeta como a melhor pelicula já feita.

    Confesso que, por mais que me esforçasse, não encontrei nela o que tantos encontraram, deixando de compreender a tão acirrada empatia que tantos têm por uma fita tão normal, sem grandes desempenhos e despojada de bom teor como espetáculo.

    Notei na fita, depois de ler muito sobre algumas qualidades especiais na sua confecção, que ela tinha mesmo alguns apanhados de angulos, nitidez e que, repito, se não chamado a atenção não observaria absolutamente nada anormal, e que, observado nas repetições vistas, realmente não vi em outros da época.

    Pormenores que não enlevam tanto assim a fita e que seria apenas coisa para que a Academia lhe premiasse por tais inovações. E fato que não aconteceu, a não ser lhe dar um premio unico, talvez até merecido, por roteiro original.

    Não o taxo de um filme negativo, ruim, sem qualidade, mal feito ou coisa assim. Muito ao contrário. Ele é um filme muito assistivel, com um padrão de feitio inovador e com algumas, mas sem exageros, qualidades.

    No entanto, qualificar esta pelicula como a melhor coisa que o cinema já fez é insultar O FALCÃO MALTEZ, O SEGREDO DAS JOIAS, O GRANDE GOLPE, BEN HUR, E O VENTO LEVOU, SHANE, O VIOLINISTA, além de mais umas cinco ou mais dezenas de fitas que justificam suas qualidades e, no entanto, jamais foram premiadas com o garbo de Kane.

    Se este fato se desse apenas com uns poucos cinéfilos ou críticos, eu poderia taxar o instante como o que acontece com um jogo de futebol, uma musica, um astro, uma cor, ou seja, como preferencia e gosto individual.

    Mas parece que, em se tratando de Cidadão Kane, a coisa é quase que Universal, o que posso creditar ao fato de situações extras tela ocorrida com a fita e os problemas gerais que ela enfrentou para ir a publico.

    Tais fatos despertam atenção em dobro e terminam por crivar no espetáculo, ou no que seja, uma marca que o individualiza e o eterniza sem que tantas qualidades o envolvam.

    Esta é minha definitiva posição quanto à pelicula em pauta, apesar de meu dever teria sido COMENTAR A MARCA DA MALDADE, fato pelo qual ora me desculpo como o editor.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Meu nobre baiano, uma coisa que pensei ao ler seu comentário, Jurandir: será que a fama e o sucesso de CIDADÃO KANE não estaria por traz de sua produção e de todos os problemas que enfrentou do que, propriamente, pela fita em si?

      Como falei para o Ivan, acho o filme interessante e não descarto a sua importância na hierarquia de outros grandes clássicos da Sétima Arte.

      Entretanto, considero um pouco de exagero do amigo quando declara que CIDADÃO KANE esta insultando outros clássicos, já que cada um tem sua importância na cinematografia mundial, mas claro, a ótica vai de cada um.

      Mas vamos esperar seu parecer quanto A MARCA DA MALDADE, nobre Jurandir. Desculpas aceitas e como já conversamos pelo telefone, motivos compreendidos.

      Um Abraço

      Paulo Néry

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  10. Nery:

    Sobre o primeiro tópico de sua resposta após o meu comentário, foi exatamente isso que eu pus quando falei sobre Cidadão Kane, sem mais nem menos. Fatos na produção, assim como toda controversia que ele abocanhou apos seu termino, o fizeram ser o que é.

    Agora; quanto a responder a tantos e a tantas opiniões já definidas, vou procurar não entrar em celeuma com quem quer que seja. Vou citar somente;
    "No meu ver, na minha concepção de não critico, de não cientista de cinema, de não muita coisa senão um mero apreciador da setima arte, Cidadão Kane não tem para mim o mesmo valor cinematográfico que muitos outros filmes têm.
    Ele não é um filme sem valor. Muito ao contrário. É até um bom filme e tem alguns méritos de produção.

    Porém, não credito a ele toda esta avalanche de nobreza que os grandes do mundo critico do cinema credita.
    Para mim Cidadão Kane é um filme comum, dotado de alguns novos conceitos de filmagem e nada, mas nada mesmo, além disso"

    Não pretendo mais me indispor com opinião de quem quer que seja. Se uma grande maioria de criticos e gente mestrada em cinema põe tando crédito no filme em pauta, esta é a visão e versão deles, enquanto eu tenho a minha exclusiva e que não escondo, também, de ninguém.

    Em resumo; não valorizo ou caracterizo um filme pelo que dizem, pelas criticas positivas ou negativas que recebem, nem pela avalanche de posições de criticos, estes que vão uns aderindo às opiniões dos outros.

    Meu parecer sobre uma fita ele é dado por mim, exclusivamente por mim. E faço isto pelo que vejo e acho nela, pela qualidade que tem sobre o que meu intimo lhe seleciona, pelo conteudo que ela me apresenta, ou seja, pelo conjunto de sua confecção.

    Não tenho hábitos de aceitar opiniões anversas à minha, já que tenho eu ela própria.

    Sei que muitos irão me taxar de muito rigosoro no que ponho aqui, ou até de radical.
    E fica muito difícil para mim alterar estas suposições. Mas, na realidade, eu não fui nem teitei ser assim tão rigoroso ou mesmo radical, fazendo somente expor minha visão.

    Entretanto, eu não posso negar que administrei um comentário dotado de um vigor próprio de minha forma de ser, porém sem qualquer intuito de atingir ou ferir determinação de qualquer pessoa pois, cada um tem o direito de ser exatamente como o é.
    jurandir_lima@bol.com.br

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  11. Nery;

    Deixei este tópico para fazer um toque à parte.

    Quando falei sobre Cidadão Kane insultar outros classicos (podes reler meu comentário) e citei títulos, eu disse, exatamente, o seguinte;
    "Qualificar Cidadão Kane como a melhor pelicula que o cinema já fez é insultar ...(e citei alguns titulos).

    Observar que não citei que "Cidadão Kane insulta qualquer filme".

    OBS; esta nota foi posta apenas para mera observação.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Jurandir, vc simplesmente é honesto em seu ponto de vista e pensamos de igual para igual, pois também não dou tantos louros para esta obra, e nem digo que seja desmerecedor, mas claro, cada um, seja crítico, mestre ou doutor em cinema, OU NÃO, tem sua ótica certamente.

      Mas longe de mim tal pronunciamento. Cidadão Kane pode ser um ótimo filme, mas não é o melhor do mundo e nem o melhor já realizado.

      Se tivesse que fazer uma votação para escolhermos apenas um entre mais de 500.000 filmes(isto é chute) ao longo de 100 anos de História do cinema, acho que escolheria INTOLERÂNCIA de D. W. Griffith por tratar de todo tipo dela ao longo de cada época, no entanto acho isto tremendamente impossível, pois cada obra prima tem uma função e uma temática, certo Jurandir?

      Paulo Néry

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  12. Nery?

    Olha: vai anotando tudo que a ENCICLOPÉDIA Eddie Lancaster diz. O homem é terrivel e tem uma cabeça formidável!

    Viu quantas informações ligeiras e seguidas ele forneceu em um trecho minimo de escrita?!
    Pois saiba que este camarada, este bom camarada, já me resolveu inumeras duvidas que tinha e que não achava onde encontrá-las.

    Pois na peça magnifica do Lancaster eu as encontrei, e quase que todas, já que ele não conseguiu me responder uma, que também considero muito difícil, que foi sobre um filme Russo chamado O QUADAGÉSIMO PRIMEIRO.

    Super descupável.
    Estejamos constantemente em sintonia com quem tanto nos tem a dar.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Amigo Jurandir, a proposta do espaço aqui tem sido esta. Através de comentários, somos privilegiados com o conhecimento primoroso do Edivaldo. Teremos em breve aqui muitas novidades. Só aguardar.

      Paulo

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  13. Nery;

    Vou ser mais uma vez franco contigo e com quem ler este, assim como meus comentários.

    Gosto de sua maneira de ser; meu companheiro Nary é direto, franco, acima de sincero com seus comandos, solta o que sente e o que seu interior administra.

    Isto é um sinal de que estamos todos, nós outros, lidando com um homem de bom indice de caráter, com um homem digno, sincero e franco.
    Me sinto bem falando tudo isso porque eu sou igualzinho a ti: digo o que sinto sem me entusiasmar com profissionais ou doutores de cinema ou os ditos mestres na arte.

    Ora, digno Paulo Nery; se eles o são, nós também o somos.
    Já observaste atentamente a um comentário do Fonseca, a uma boa analisada do nosso amigo Ivan Peixoto?Já paraste, com calma, para ler algo que tu escreves? Tem um comentarista que não tenho contato com ele e que se chama LaMarque ou algo assim;pois você já parou para analisar um comentário desta pessoa? Já atentaste para os comentários do tal SC?

    O que quero mostrar é como temos pçessoas muito boas ao nosso redor. Pessoas com senso de qualificativo, gente de mente excelente, pessoas de capacidade que, se não observarmos atentamente, não lhes iremos dar o real valor que têm.

    Pois é isso que tento mostrar. Que o mundo não deve girar apenas sobre NOMES QUE SOUBERAM E TIVERAM OPORTUNIDADE DE FAZER SEUS NOMES.
    Tem muita gente pequena e no anonimato que é tão boa, ou melhor que muitos DITOS PROFISSIONAIS.
    Então indago para ti, oh! querido amigo; porque temos eu, tu, o Ivan, o Darci e muitos outros seguir opinioes formadas, a partir de quando todos estes que cito são homens inteligentissimos e que têm também suas formidáveis opiniões?


    E com honras por sermos mais sinceros e não nos deixarmos nos guiar por criticas às quais não concordamos.

    Afinal, acho, como sei que também o Peixoto acha, que o que vale é o parecer individual de cada um. Ninguém pode ir a favor de NNN so porque fulano é XXX e tem um nome importante no mundo das artes, (falo ora de cinema).

    Nada disso. Ele tem uma opinião, como eu e tu temos, também, uma opinião. Ninguém sabe mais que ninguem. Na verdade, ELES tiveram mais chances que nós, se infiltrando num meio onde nós não temos alcance.

    Mas, nem por isso eles devem se considerar maiores sabedores que eu, que tu, que o Darci, que o Lancaster, que o Peixoto ou mesmno o Nahud e muitos outros.

    Como podem achar que são maiorais, se todos temos o dom do pensamento, do gosto, da opinião, além de sermos todos iguais?

    Acho que me fiz entender. Não queria nada além disso. E este espaço, conforme aprovas, é exatamente para o que estamos fazendo.
    jurandir_lima@bol.com.br

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    1. Meu amigo Jurandir, desde os seus primeiros comentários aqui no espaço do Filmes Antigos Club vc vem demonstrando não somente ter o dom da palavra, mas sua integridade é inabalavelmente impar quando vem a expor sua opinião sem rodeios (que estes fiquem apenas com os peões).

      Com toda sinceridade, temos um circulo de ouro a nossa volta, pois os nomes que tão bem citastes são integrantes desta távola. Sim, amigo, li os comentários e sempre vejo no blog do nosso estimado Darci, a quem ainda devo uma visita, pois há três dias ando ocupado com tarefas de prioridade máxima que sabendo dos novos tópicos deste mestre, assim como do Nahud que toda semana vem postando novos assuntos no espaço dele, infelizmente não tive nem de comentar e nem de ver os comentários destes nobres homens.

      Quanto à fama vir a proceder aos graus mais elevados do topo absoluto da lista entre os maiores clássicos da Sétima Arte, o melhor filme de todos os tempos, a quintessência das obras cinematográficas, percebemos que cada um ocupa seu espaço, contudo não significa que o espaço do espectador possa ser o mesmo segundo a ótica do crítico de cinema, que em verdade, esta ganhando para isso.

      A Crítica serve, na minha opinião, como uma base, uma referência para que o público possa ter uma idéia da obra, o que não quer dizer, nunca amigo Ju, que seja a palavra final. Afinal, quem lota os cinemas não é a crítica, mas o público, e quando este responde, se vê a faturação nas bilheterias. Portanto o mundo nunca gira em torno de críticos, que de um modo e de outro até vem a influenciar, mas é preciso antes de mais nada, analisar e ter nossa própria visão. Não digo com isto, evidentemente, que desprezemos o trabalho deles, ao contrário. São estes os mesmos que anos depois vem a laurear clássicos como CIDADÃO KANE e RASTROS DE ÓDIO, que na época de seus lançamentos, foram massacrados, e anos depois foram reconhecidos como obras primas do cinema. Dá para entender isso, meu amigo? Pois é, o que significa que eles não estão acima de nós e nem nós deles, são meros humanos que releem e depois vem a mudar suas opiniões, o que é compreensível.

      Como te disse, vc se fez entender muito bem, e como diria o Rolando Lero feito pelo saudoso Rogério Cardoso da Escolinha do Professor Raimundo: “captei sua mensagem, oh amado guru”.

      É...acho que era assim...

      Paulo Néry

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  14. Oi, Paulo, está tubo bem com você? Anda sumido, passei para deixar meu abraço e desejo um ótimo domingo.

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    1. Olá Bia, Desejo uma ótima semana para vc.

      Paulo

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    2. Obrigado a todos, e parabéns por todos os comentários.

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  15. Bom acho que hoje vou surtar vendo todos estes filmes do meu amado CHARLTON HESTON está de parabéns este Blog. Filmes Antigos Club.

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    1. Seja bem vinda Van. Abraços do editor e seu amigo no facebook.

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