sexta-feira, 11 de novembro de 2011

FITAS & FATOS: Wyatt Earp - Ficção e Realidade.

Há poucos dias, comentei um artigo no site “Histórias de Cinema”, do respeitado jornalista e escritor sobre o assunto, Professor A. C Gomes de Mattos, em um de seus posts intitulado” Western: Fantasia e Realidade”, onde expressei as linhas diferenciais que existem entre os filmes que Hollywood, durante muito tempo, promoveu em relação ao mitos do Velho Oeste Americano.

Antes mesmo do surgimento do cinema, tais personagens já eram laureados da legenda romântica de seus feitos por escritores bem parecidos com os nossos, que aqui chamamos de cordéis. Verdade que eles tinham capacidade de aumentar feitos (ou mesmo de inventar), e talvez alguns, deturpar os acontecimentos.

Quem nunca ouviu falar destes personagens reais do Velho Oeste, que se não fosse Hollywood ao longo de seus anos, não fez do que cultivá-los perante as plateias do mundo inteiro? Jesse James, Bat Masterson, Jane Calamity (Jane Calamidade), Wild Bill Hickcok, Buffalo Bill, e tantos outros, cujos os registros de seus feitos verdadeiros somente os historiadores conhecem, distante de toda legenda áurea que o cinema ilusionou. Contudo, sempre por traz dos mitos, há verdades bem distanciadas, e algumas vezes, nada heroicas.

Isto me fez refletir em postar alguns artigos que ao longo do tempo, farei. A partir deste momento, estou inaugurando FITAS & FATOS, onde além de comentar determinado filme ou evento histórico, traçarei também algumas comparações com a realidade segundo historiadores.

E nesta primeira sessão de artigos, o primeiro personagem que analisaremos será Wyatt Earp, um dos grandes mitos do Western, levado as telas do cinema inúmeras vezes, e que já foi encarnado por Randolph Scott, Henry Fonda, Burt Lancaster, James Garner, Kurt Russell, e Kevin Costner, e isto sem contar outros coadjuvantes que o interpretaram, como Will Geer em “Winchester 73”, de Anthony Mann.


O VERDADEIRO WYATT EARP

O Nome de Wyatt Earp (1848-1929) tornou-se popular da noite para o dia, no ano de 1931, quando o escritor Stuart Lake (1889-1964) publicou o livro “Wyatt Earp, Frontier Marshall” (Wyatt Earp, o Delegado da Fronteira), narrando as façanhas do então desconhecido Earp, que havia apenas dois anos, morrera de velhice. Diferente de outros mitos do oeste americano, cuja fama já havia alcançado ainda em vida, com Earp não assim se sucedeu.

O livro por ser quase inteiramente escrito na 1ª pessoa, fez crer a todos que se tratava de uma verdadeira autobiografia. Stuart Lake assegurava aos seus leitores ter transcrito para o papel as palavras que ouvira do próprio Wyatt. Sobre si mesmo e sobre os acontecimentos. Mas anos depois, enquanto o livro atingira seu sucesso editorial, Lake declarou que tudo que havia escrito era de sua autoria e de sua inteira responsabilidade. Desmentia sua afirmação anterior, revelando que Wyatt não lhe havia fornecido dado algum e que o livro divulgava apenas boatos. Wyatt Earp morreu em 1929, e obviamente, não pôde se defender.

Mas o que teria provocado tamanha atitude por parte de Stuart Lake? Simples. Alguém lhe havia informado que era falsa aquela narrativa de façanhas, que Wyatt Earp não havia sido o defensor da lei que fulminava os criminosos, implacável com os “Bad Man”, e nem o cavaleiro sem mácula isento dos mínimos defeitos humanos, como o livro levava a crer. E esta pessoa nada mais era que a própria cunhada do biografado, Allie Earp, mulher do irmão de Wyatt, Virgil, Xerife de Tombstone à época do famoso tiroteio (famoso graças aos filmes que Hollywood tanto produziu ao longo dos anos).

Allie Earp confiara a Frank Waters, um escritor que desencadeava velhas histórias do Oeste no início dos anos 30 - a versão fiel da vida dos Earp, de como eles eram em família, longe das luzes do mito. Da sua narrativa, crível como um livro de pequenos contos domésticos, vinha à tona não apenas que Wyatt não era o defensor implacável do livro de Stuart Lake, mas que devia ser o gênio mal da família, a ruína de seus irmãos, meros instrumentos de suas ambições. Muito mais de vilão do que de mocinho.

No entanto, muito poucos acreditaram nessa desmitificação. Na época, o cinema ainda estava a procura de heróis, não de personagens freudianos ( o que viria acontecer tempos depois), e já havia levado à glória a legenda de Wyatt Earp.

O Memorial de Allie Earp, desenterrado após mais de vinte anos dos arquivos do Arizona State Historical Association, estimulou a pesquisa de outros historiadores, dentre os quais deve ser destacado o nome do escritor Ed Bartholomew, que condensou em dois volumes os resultados dos vários anos destinados a essa pesquisa: “Wyatt Earp, The Untold Story” (A História de Wyatt Earp não contada), e Wyatt Earp, the Mann and the Myth (Wyatt Earp, o Homem e o Mito).

Surge então, a esquálida figura de um jogador inveterado, privado de escrúpulos, megalomaníaco, sedento de glória e poder, que tomava para si qualquer sombra de mérito que coubesse a seus irmãos.

Wyatt Earp não seria assim o legendário herói de filmes como Frontier Marshal (estrelado por Randolph Scott), ou Paixão dos fortes, de John Ford (protagonizado por Henry Fonda), ou ainda “Sem Lei e Sem Alma” (talvez aqui a personificação mais romântica de Earp feita por Burt Lancaster), mas o homem derrotado, envenenado pela frustração, capaz de matar quem se metesse em seu caminho, sob a máscara da lei, ou para se livrar de testemunhas perigosas, e quem sabe, para mostrar ao mundo que era alguém.


WYATT EARP E O MITO NO CINEMA

Do Earp mítico baseado na legenda romântica de Stuart Lake a um estudo aprofundado e freudiano que veríamos anos depois, eis alguns dos mais importantes filmes sobre o Marshall, e que o tem tanto como protagonista.

A Lei da Fronteira/ Frontier Marshall / 1939 (Randolph Scott), Horas de Perigo / Tombstone, The Town Too Tough to Die / 1942 (Richard Dix), Paixão dos Fortes / My Darling Clementine / 1946 (Henry Fonda), Winchester 73 / Winchester 73 / 1950 (Will Geer), Duelo de Morte / Law and Order / 1953 (Ronald Reagan), De Homem Para Homem / Gun Belt / 1953 (James Millican), Ases do Gatilho / Masterson of Kansas / 1954 (Bruce Cowling), Sem Lei e Sem Alma / Gunfight at O.K. Corral / 1957 (Burt Lancaster), A Morte a Cada Passo / Badman’s Country / 1958 (Buster Crabbe), Valentão é Apelido / Alias Jesse James / 1959 (Hugh O’Brian), Crepúsculo de uma Raça / Cheyenne Autumn / 1964 (James Stewart), Os Reis do Faroeste / The Outlaw is Coming / 1964 (Bill Canfield), A Hora da Pistola / Hour of the Gun / 1967 (James Garner), Tombstone, A Justiça Está Chegando / Tombstone / 1993 (Kurt Russell), Wyatt Earp / Wyatt Earp / 1994 (Kevin Costner), sem que a verdade completa sobre sua vida fosse abordada, ainda assim, mantendo a áurea romântica do personagem promovida desde o início de suas produções cinematográficas. Listarei aqui os seis principais em que Earp tem o papel definitivo principal.


1- A LEI DA FRONTEIRA (Frontier Marshall) -1939

Na realidade, existem duas versões deste filme realizadas num curto espaço de tempo de cinco anos. A primeira versão data de 1934, e estrelado por George O’ Brien (1899-1985), interpretando Michael Wyatt, e Alan Edwards (1892-1954) como Doc Warren (em vez de Doc Holliday).


Foi em realidade a primeira película a registrar as “façanhas” da dupla Earp/Hollyday, contudo sem fazer menções de seus verdadeiros nomes. Em 1939, usufruindo de seus verdadeiros nomes, Wyatt Earp foi interpretado pelo querido Randolph Scott (1898-1987) e Doc Holliday por Cesar Romero (1908-1994), que anos depois seria o "Coringa" da série de TV Batman (1966-1968).

Realizada justamente no décimo ano de aniversário da morte de Wyatt, o filme celebrou como um dos primeiros westerns a romancear de modos bem exagerados as aventuras dos “heróis” de Tombstone. O filme foi dirigido por Allan Dwan.


2- PAIXÃO DOS FORTES (My Darling Clementine)- 1946.

Obra prima do Mestre John Ford (1895-1973), que segue ipisis literis a sua própria afirmação: Publique-se a lenda, pois é ela mais forte que os fatos.

Aqui, vemos Henry Fonda (1905-1982) personificando Earp como um homem rude, porém dentro da lei e sonhando pela justiça dentro de uma comunidade onde impera a violência e o jogo. Novamente, as figuras centrais se concentram em Doc e Wyatt. O cinema foi propagando a “amizade” entre estes dois ícones, quando na realidade ambos só tinham o gosto pelo jogo, mas eram bem diferentes. Contudo, se tornou um dos grandes westerns do Mestre Ford, devido a sua simplicidade, poesia, e grandes interpretações, com destaque maior para Fonda.

Doc Holliday foi interpretado por Victor Mature (1913-1999), que aqui, em vez de ser um dentista (como era de fato), é um médico. Outra coisa a fugir dos eventos realísticos é o fato de Holliday nesta obra de Ford morrer no confronto de Tombstone, quando na realidade, o verdadeiro Holliday sobreviveu e só veio a falecer seis anos depois, em um sanatório, a 8 de novembro de 1887, de tuberculose.

3-SEM LEI E SEM ALMA (Gunfight the Ok Corral) 1956

Talvez a personificação mais santificável de Wyatt Earp esteja nesta obra de John Sturges (1910-1992), com um desempenho de primeira grandeza por parte de Burt Lancaster (1913-1994) e onde Kirk Douglas interpreta com estilo Doc Holliday. Ao contrário do verdadeiro Wyatt Earp, o Wyatt de Burt odeia jogo e é o “cara mais certinho do mundo”, o típico “Senhor Virtude”, como ironiza Kate Fischer (Jo Van Fleet, 1914–1996) ao seu companheiro Doc Holliday (Douglas). Outra "fantasia" a fugir da verdade sobre Wyatt é o fato dele ser um tremendo solteirão neste filme, para justificar sua relação amorosa com uma jogadora profissional, Laura Denbow, personagem fictícia interpretada pela bela Rhonda Fleming. Wyatt Earp é, aqui, um homem correto da lei, sensível e romântico, sem as rudezas da personificação de Henry Fonda em My Darling Clementine. Um cavaleiro romântico e do bem, que quer as coisas dentro da lei e da ordem do primitivo oeste, o oposto do verdadeiro personagem.

Destaque para a trilha sonora de Dimitri Tiomkin (1894-1979) e a canção “Gunfight of The Ok Corral” cantada pelo fenomenal Frankie Laine (1913-2007), famoso cantor de boas baladas ao estilo do Velho Oeste. Certamente, Sem Lei e Sem Alma é um dos grandes westerns Classe A de todos os tempos.

4-A HORA DA PISTOLA (Hour of Gun) – 1966

Dez anos depois, o cineasta John Sturges resolveu dirigir uma nova versão do célebre tiroteio e da vida de Holliday e Earp, intitulado “A Hora da Pistola”. Dessa vez, Wyatt é interpretado por James Garner (fisicamente o que se aproximou da aparência física real do personagem).

Sturges, diferentemente com que havia feito dez anos antes em sua obra Sem lei e Sem alma, optou em substituir a legenda romântica pelo realismo dos eventos. Wyatt ainda era o correto homem da lei, contudo mais rude e amargo do que Burt Lancaster. Sua amizade com Doc Holliday (Jason Robards, 1922-2000) é evidentemente contrastante neste filme. Doc que na realidade incentiva Wyatt a matar Ike Clanton (Robert Ryan, 1909-1973) e seus asseclas. Ryan desempenha Clanton de maneira refinada e cínica, ao contrário de Walter Brennan de Paixão dos Fortes, rústico selvagem e traiçoeiro.


Wyatt Earp e seu amigo Doc estão dispostos a realizarem a vingança após os conflitos que acabaram com O. K. Corral, já que os familiares de Earp foram assassinados pelos perigosos irmãos Clanton. Porém, seu principal alvo (que é Ike) ainda está vivo e pronto para atacar. Talvez tenha sido a primeira vez no cinema que ousou a apresentar a vida de Wyatt e o célebre tiroteio um pouco mais fidedigno aos fatos. A magnífica Trilha Sonora de Jerry Goldsmith (1929-2004) garantiu também a popularidade deste western.

Há críticos que afirmam que A Hora da Pistola é uma continuação de Sem Lei e Sem Alma por se tratar do mesmo cineasta que realizou ambos os westerns, entretanto isto não é verdade já que as duas versões diferenciam bastante, bem com o as interpretações e a situação dos roteiros, uma vez que na versão estrelada por Burt Lancaster e Kirk Douglas, ao fim, tudo indicava que tinham resolvido a parada de vez, já que Ike e seus homens foram mortos no duelo (e ambos se despedem, para talvez não mais se verem), enquanto que a versão de Garner e Robards parte do ponto inicial do duelo, e ao longo da obra vão atrás de Clanton e seus capangas a todo custo, sedentos de vingança.


Em 1987, 21 anos depois, Garner voltaria a interpretar Earp, no fictício Assassinato em Hollywood, contracenando com Bruce Willis que desempenha o famoso ator de westerns mudos Tom Mix (1880-1940), onde os dois se unem numa história detetivesca de ação e mistério, dirigido por Blake Edwards (1922-2010), que resultou um dos poucos fracassos de bilheteria do renomado diretor.

5- TOMBSTONE, A JUSTIÇA ESTA CHEGANDO (Tombstone) – 1994

Após o lançamento de Os Imperdoáveis de Clint Eastwood, em 1992 que se tornou um grande sucesso de crítica e público (além de ter ganhado o Oscar de melhor filme), houve em Hollywood uma empolgação de se produzir mais westerns, já que o gênero estava praticamente extinto havia alguns anos, desencadeando uma volta triunfal ao velho estilo cinematográfico. Só em 1994, houve duas tremendas superproduções a contar só a vida de Wyatt Earp, e uma delas foi Tombstone, a Justiça esta chegando.

O cinema, em realidade, não tem pretensão de desmistificar, pois antes de tudo é uma máquina de sonhos. Esta regra se seguiu quando mesmo os avanços da História e das informações confirmaram que os míticos eventos não eram, em absoluto, acontecimentos reais. No entanto, a personificação de Earp aqui se seguiu aos mesmos moldes de Fonda em Paixão dos Fortes e de James Garner em Hora da Pistola.

Kurt Russel faz aqui uma interpretação bastante sóbria (ainda que um pouco infidedigna) de Earp, mas o destaque principal esta em Val Kilmer como Doc Holiday, numa narrativa ágil e uma trilha sonora empolgante, além a belíssima narração em off de Robert Mitchum (1917-1997), e com a participação do bom e velho Charlton Heston, como um rancheiro que recebe os irmãos Earp em sua casa. A Direção a cargo de George Pan Cosmatos.

6-WYATT EARP (Idem) – 1994

Um verdadeiro épico em superprodução contando a saga do marshal com quase 4 horas de duração (talvez o western mais longo do cinema), desde sua adolescência do Missouri, até suas atividades como delegado federal no Arizona. Produção de 50 milhões de dólares, fracassou na bilheteria nos EUA, e foi o início da bancarrota para Kevin Costner, que no ano seguinte declinaria de vez com o absurdo Waterworld - O segredo das águas.

Costner, além de desempenhar o próprio Earp, também produziu o filme. Na época do lançamento, ouviu-se dizer que ele empenhou-se muito em pesquisas em várias bibliotecas do Oeste e em outros registros históricos sobre Wyatt. Imaginamos, então, que ele tenha também tido acesso aos documentos da cunhada de Wyatt, Allie Earp.

O que aconteceu que Costner, amante de filmes clássicos e admirador de outras versões sobre a vida do famoso delegado, tentou unir a característica quase imaculada de Earp das antigas produções hollywoodianas com os eventos reais conforme sua real biografia. Infelizmente, resultou um filme pesado, lento, e cansativo, e se tornou bem inferior a Tombstone, a Justiça esta chegando, lançado no mesmo ano de 1994. No destaque, Dennis Quaid no papel de Doc Holliday. Direção de Lawrence Kasdan (de Silverado, outro faroeste com Costner, bem melhor sucedido).


WYATT EARP: A SÉRIE DE TV COM HUGH O’ BRIAN


Estreando em 6 de setembro de 1955, The Life and Legend of Wyatt Earp (no Brasil, Wyatt Earp) foi a primeira série de western adulta na história da televisão americana (lembremos anteriormente das infantis, como Rin Tin Tin, The Lone Ranger, e Cisco Kid, devidamente destinado para o público infantil). Chegou a bater na audiência de Gunsmoke, estrelado por James Arness (1923-2011) por quatro dias.

A série, como não podia deixar de mostrar, tinha o célebre delegado de Dodge City e de Tombstone que foi aqui vivido por Hugh O’ Brian (ainda vivo, hoje com 86 anos), domando os desordeiros e implantando a lei e a ordem. A produção esforçou-se para recriar vestuários e cenários iguais aos autênticos, chegando a minúcias como a de fabricar uma arma idêntica à que Wyatt usava: a Buntiline Special. A série durou seis temporadas (1955 a 1961) num total de 226 episódios, todos em preto & branco.

Hugh O`Brian, nasceu em 19 de abril de 1925, em Rochester, Nova York. Foi descoberto para a televisão pela atriz e diretora Ida Lupino (1918-1995), que lhe abriu as portas para um contrato com a Universal Studios, mas ficando restrito a papéis secundários em filmes como Red Ball Express”, Son of Ali Baba e “Seminole. Ao término do contrato com a Universal, em 1955, estabeleceu um grande sucesso na televisão com a série de TV Wyatt Earp por um período de seis anos. Direcionou seus talentos como cantor e atuou em espetáculos da Broadway. Permaneceu como astro nas décadas de 1960 a 1970, com muitos trabalhos no teatro e na televisão. Um solteiro convicto, casou-se em 2006, aos 81 anos, com Virginia Barber, companheira de um relacionamento de 18 anos.

Mas em 1994 (mesmo ano das duas produções mais recentes do personagem lançados no cinema, com Kurt Russell e Kevin Costner), O’ Brian retornou ao papel na Tv que o tanto afamou num longa especial chamado Wyatt Earp, retorno a Tombstone, onde já velho e aposentado retorna para enfrentar um antigo inimigo, e recorda fatos do passado, em flashbacks dos episódios antigos da série.


OUTROS FATOS REAIS E A “AMIZADE” ENTRE DOC E WYATT.

Wyatt Earp não foi o destemido Henry Fonda, e tampouco o galante e correto Burt Lancaster nos filmes como já foi aqui falado. Ate mesmo “amizade” entre Wyatt Earp e Doc Holliday é discutida, pois ambos eram muito diferentes, em diversos aspectos, sobretudo de berço que cada um teve: Wyatt era filho de rudes camponeses pioneiros e John Holliday provinha de uma conhecida família de elite da Georgia.


Dentista diplomado, mas tuberculoso, Doc partiu para Dallas, em 1872, para mudar de ares. Todavia as pessoas temiam ser tratadas por mãos de quem tossia e cuspia sangue e, assim, John perdeu seus clientes e acabou entregando-se no jogo.

Naquele mundo de violência, onde a troca de tiros era a regra e quem fossem o mais rápido no gatilho imperava, Doc, débil como uma criança e atormentado pelo medo mórbido de ser espancado, pôde contar somente, com o seu revólver para se defender.

Considerando-se já um homem morto, agia friamente diante do perigo. Não respeitava a própria vida e bebia muito. Estranhamente, embora o destruindo mais depressa, o álcool lhe infundia energia e confiança, e isso era a mais absoluta verdade.

Wyatt o conheceu em Fort Griffin, talvez numa mesa de jogo, não se sabe ao certo. Depois disso, Doc foi preso por homicídio. Wyatt o reencontrou em Dodge e se uniram graças à paixão que ambos sentiam pelo jogo.

Na única vez em que tentaram conversar, em 1882, descobriram tantas divergências entre si, que preferiram não se falar mais. Logo, o que os dois tinham, de fato em comum, era o amor ao jogo e a bebida.

OS ÚLTIMOS ANOS DE WYATT, SEUS IRMÃOS & FAMÍLIA

A realidade dos fatos, é que não houve, sem dúvida, nenhum evento heroico quanto ao tiroteio/massacre do “duelo” de OK Corral, ocorrido em 26 de outubro de 1881. Wyatt Earp e Doc Holliday foram presos, e os irmãos de Wyatt, Virgil e Morgan foram feridos, e ficaram sob os cuidados de Allie Earp, esposa de Virgil.

De Tombstone, Wyatt e sua família terminaram a suas aventuras no Arizona. Solto, Wyatt atravessou a fronteira do colorado. A vida de Wyatt se reduziu a vagabundagem dos jogadores profissionais. Certa vez, um homem chamado Bob Paul chegou de Denver com o pedido de extradição de Wyatt, Warren (irmão de Wyatt) e Doc Holliday, que foram acusados de triplo homicídio. Entretanto, o Governador Pitkin, talvez influenciado por altos expoentes da maçonaria que protegiam Wyatt (que aliás, Wyatt fazia parte), não quis aceita-lo.

Em novembro de 1887, Doc Holliday morreu de tuberculose num sanatório de Glenwood Spiring, no Colorado. E os Earp prosseguiram longe de Wyatt. Virgil reconstruiu uma vida respeitável ao lado de Allie, vindo a falecer de pneumonia em 1905, em Goldfield (Nevada). A pequena e fiel Allie ainda lhe sobreviveu até o ano de 1947.

Jim Earp, o irmão mais velho de Wyatt, morreu em Los Angeles, em 1926. Warren, por sua vez, voltou para o Arizona e entregou-se à bebida, vindo a morrer em 1900, assassinado por um cowboy chamado Johnny Boyet, que costumava procura-lo sempre que estava bêbado.


E WYATT?

Em 1882, ao chegar em São Francisco, se casou com sua ex-amante de Tombstone, Sadie, cujo verdadeiro nome era Josephine Sarah Marcus. Após três anos de vagabundagem, publicou a sua fantasiosa autobiografia no jornal Weekly Examiner, de São Francisco, que lhe proporcionou, por algum tempo, aquela popularidade que sempre buscou em vida. Detalhe: Wyatt se casou com Sadie sem obter o divórcio de sua primeira esposa.

Em 2 de dezembro de 1896, em São Francisco, deu-se o famoso encontro entre os boxeadores Tom Sharkey e Bob Fitzsimmons. O árbitro foi Wyatt Earp, que foi multado em 50 dólares por ter conduzido a luta com sua Buntline especial no coldre. Os dois lutadores trocaram golpes irregulares, sem que Wyatt intervisse.

No oitavo round, quando Sharkey foi derrubado, Wyatt interrompeu a luta, desqualificando Fitzsimmons por desfechar um suposto golpe baixo. Obviamente, foi o fim-do-mundo. Dizem que Wyatt apostara uma boa soma em Sharkey e fizera com que seus amigos também apostassem nele. A verdade é que os 10.000 dólares do prêmio não foram entregues ao vencedor, e o caso foi parar no Tribunal.

Dizia a notícia do jornal Chronicler de 9 de dezembro do corrente ano: “Crescem as dificuldades do Terror de Tombstone”. As dificuldades em questão eram duas denúncias por dívidas não pagas. Wyatt sempre se declarava assim em sua defesa: “Possuo apenas a roupa que estou usando”.



No ano seguinte, em 1897, Wyatt e sua segunda mulher, Sadie, se transferiram para Nome, no Alaska, onde abriram o Dexter Saloon. Certa noite, depois de ter bebido além da conta, Wyatt resolveu mostrar aos clientes por que ficara famoso no Arizona, com sua Buntline Especial. O Marshal Federal Albert Lowe arrancou-lhe a arma e o esbofeteou. O “Terror de Tombstone” não reagiu.

Em 1900, o jornal Arizona Daily Citizen noticiou o fato de que Wyatt, no hipódromo de San Francisco, chegou às vias de fato com um famoso dono de cavalos, Tom Mulqueen, e como foi logo derrubado, voltando Wyatt, assim, para casa com os dois olhos roxos.

Em 26 de julho de 1911, o Arizona Star noticiou de Los Angeles que, Wyatt Earp, o famoso pistoleiro, e outros dois, Walter Scott e Edward Dean, haviam sido presoso por uma tentativa de fraude de 25.000 dólares contra J. W. Patterson. Contra ele pesava ainda acusação de vagabundagem. Não se sabe como terminou o caso.


E QUANTO A MATTIE EARP, A PRIMEIRA ESPOSA???

Mattie, a primeira e abandonada esposa de Wyatt (cujo verdadeiro nome era Celia Ann "Mattie" Earp), nunca mais tornou a vê-lo. De Colton, para onde Wyatt a “despachou” sem meios, após a morte de Morgan, Mattie voltou para o Arizona mais precisamente para Globe, onde Kate “nariguda”, a “viúva” de Doc Holliday, dirigia uma pensão.

Mattie parecia um fantasma...Wyatt a havia destruído.


Depois disso, Kate fechou a pensão e se mudou para o pequeno centro de minério de Pinal, onde começou a descer, um por um, todos os degraus da degradação humana.
Atingindo o auge do desespero, Mattie se suicidou em 7 de julho de 1888, ingerindo uma dose forte de láudano. Talvez de todos os crimes cometidos por Wyatt Earp, este seja, sem dúvida, o mais cruel.

Wyatt Earp morreu de morte natural em 1929, pouco antes que Stuart Lake, o escritor, publicasse a falsa biografia que o celebrizaria e que faria de Wyatt o protótipo do herói do Oeste, que o cinema promoveu através de inúmeros westerns. Tanto a Sétima Arte quanto a televisão lhe ergueram um monumento que o mundo admira. Mas, lamentavelmente, a História registrou no seu pedestal as palavras que um certo juiz escreveu ao fim do inquérito sobre a morte de Mattie Earp aos pais desta, ao lhes informar do ocorrido: WYATT EARP...BÍGAMO, TRAPACEIRO E VELHACO.

CONCLUSÃO: Apesar de todas estas desmistificações, é imperativo dizer que o cinema, antes de tudo, é uma máquina de sonhos. Os westerns foram avançando, evoluindo de acordo com o tempo e com o grau de desenvolvimento do público, que vinha exigindo mais realismo no Gênero. Mas ainda assim, os faroestes a moda de John Wayne, Randolph Scott, Audie Murphy, Joel McCrea, entre tantos outros, continuam a ser os mais badalados por todos os fãs do Western.

PRODUÇÃO E PESQUISA DE PAULO TELLES


Fontes de Referência e Pesquisa- Bibliografia
“O Homem do O.K Corral”, de Rino Albertarelli- Editora Ebal (1974)

25 comentários:

  1. Imagino o trabalho que deve ter sido esta pesquisa e estudos para que se conseguisse chegar ao resultado desta postagem.
    Um verdadeiro trabalho jornalístico e arqueológico para se fechar uma reportagem perfeita sobre um assunto que diga-se de
    passagem é muito complexo e cheio de controvérsias por existirem muitas lacunas carentes de informações.
    Parabéns por essa realização.

    www.bangbangitaliana.blogspot.com

    ResponderExcluir
  2. Um dos maiores peritos de Western à Italiana no Brasil, o prezado Edezio Sanchez, do Blog "Bang Bang à Italiana no Brasil". Tudo jóia?

    Agradeço tão belo e incentivador comentário, amigo. Tem muitas coisas, que de fato, eu desconhecia a respeito de Wyatt e vim a saber ao longo da pesquisa.

    Forte abraço, Sanchez, seu espaço esta fenomenal!!!

    Paulo Néry

    PS- Para quem quiser conhecer tudo sobre os faroestes europeus, indico com louvor este blog: www.bangbangitaliana.blogspot.com. Não Percam!!!!

    ResponderExcluir
  3. Fabuloso post,Paulo. Super detalhado. O meu favorito é SEM LEI E SEM ALMA.

    O Falcão Maltês

    ResponderExcluir
  4. Para mim é difícil dizer qual é o meu preferido, Nahud, já que SEM LEI E SEM ALMA admiro muito pela legenda romântica, tal como PAIXÃO DOS FORTES, que é uma obra prima por excelência. Mas meus prediletos são A HORA DA PISTOLA e TOMBSTONE.

    ResponderExcluir
  5. Paulo, estou tirando meu Stetson. Belíssimo post mostrando que nem sempre vale o "print the legend". Earp e Holliday não eram bem aquilo que o cinema mostrou.
    Darci Fonseca - CINEWESTERNMANIA

    ResponderExcluir
  6. Saudações Darci Fonseca, do Blog CINEWESTERMANIA - Outro perito em Western para quem também eu tiro minha Stetson, como também para o espetacular blog que sigo sempre e que recomendo a todos darem uma passada e ficarem, pois quem quiser saber mais sobre faroestes,THIS IS THE MAN. Aqui vai o endereço: http://www.cinewesternmania.com/.

    Quanto ao posto, se vê bem que não somente não eram "bem aquilo" conforme o cinema propagou, como eles eram bem piores do que a própria História poderia imaginar, antes é claro, de apurar os fatos. Grato Darci, forte abraço

    Paulo Néry

    ResponderExcluir
  7. Conheci a trajetória de Wyatt Earp pelo épico quase interminável de Kevin Costner (o megalomaníaco).

    ResponderExcluir
  8. É Gil..quem sabe os dois não tem muito em comum, não é mesmo? rs. Mas é uma pena.

    ResponderExcluir
  9. Nery;

    Deixei para fazer este comentário logo após rever, com mais calma e detalhes, A Hora da Pistola, que tinha gravado.
    Mesmo aos pedaços, eu já conhecia boa parte desta historia de Earp, o Wyatt.
    Hoje entretanto, sei bastante, dado a tudo o
    que acabo de ler. Esta é uma matéria que deixei passar sem conhece-la, fato que passa a me deixar mais atento a tudo o que sai neste maravilhoso blog.
    De um modo geral, Wyatt Earp era exatamente o que citou o tal juiz aos pais de Mattie; Que Earp era um bigamo, velhaco e trapaceiro.
    Se desde o primeiro filme sobre este homem já se sabia a verdade de sua vida, conforme alguém que viveu muito perto dele, a Allie Earp, então tudo o que sempre vimos foi nada mais que mentiras. Então pergunto; qual a razão de Kostner fazer tantas pesquisas para encarnar a fantasia Earp e no filme de Kasdan ele quase nada, ou nada mesmo, alterar de tudo o que já se viu? E olhe que eu cria que o filme de Kasdan era o melhor que já se havia sido feito sobre o facinora, já que tudo que sabemos dele é uma mentira.
    Para completar,no inicio de A Hora da Pistola
    cita-se claro que aquilo tudo ali ERA BASEADO EM FATOS REAIS.Deus, Nery! Como mentem para nós! E até que é um filmezinho bem feito, conforme tudo o que Sturges fez, mas tem ainda muitos pecados. Ora; se Earp e Doc se viram pouco mais de duas ou tres vezes, nesta fita Doc é um segundo protagonista. Mais ainda; o bom desempenho de Ryan, como Ike, está acima de tudo o que já haviamos visto dele em todos os filmes sobre este tema.
    Já no filme de Kasdan, Kostner parece querer mostrar um Earp mais introspectivo, mais sério, sisudo. Até que ele não está mal, mas repete todas as inverdades de outras fitas. E até vemos ares de que a narrativa de Allie faz sentido, já que na fita de Kasdan ela solta o verbo em cima de Wyatt. Lembra-se? Se não é a própria é uma das cunhadas do velhaco.
    De qualquer forma, além de ser verdade que Sem Lei e Sem Alma é o mais romântico e certinho filme sobre Earp, Hollywood, como profetas na matéria, não tem o menor interesse em deixar de mostrar o que os cinéfilos querem ver. Imagine se fosse feito uma fita em cima de tudo o que a Allie falou de seu cunhado, coisa que não duvido nada, já que ela era esposa de Virgil e via como ele, Wyatt, administrava a vida dos irmãos. Um fato cuja pontinha podemos ver no filme de Kasdan.
    Bacana esta matéria, Nery. Bacana e elucidativa, já que todos tinhamos esta criatura como um legitimo herói do velho Oeste.
    jurandir_lima@bol.com.br

    ResponderExcluir
  10. Prezado amigo Edelzio;

    Lamento bastante minha seara sobre faroeste colocar muito de lado os filmes spaghetty, fato que me afasta um pouco de seu bom blog.
    Porém aqui eu venho é vos apertar a mão num gesto de pura congratulação por este trecho posto sobre o trabalho de nosso Nery onde, com poucas palavras, despeja todo seu sentimento pelo post em tão reduzido trecho. Uma coisa que tento fazer, mas que nunca consigo, que é dizer tudo isso, que é tanto, em breves parágrafos.
    Abraço e parabens, amigo. Belas, corretas, perfeitas e bem enquadradas vossas palavras.
    jurandir_lima@bol.com.br

    ResponderExcluir
  11. Saudações Jurandir

    Kostner quis com certeza unir o real com o imaginário que por muito tempo imaculou Wyatt Earp, sem contar que ele é fã dos filmes clássicos e de toda legenda romântica do Western.

    As pesquisas eu sei que foram intensas, e na época do lançamento deste filme, eu li uma matéria a respeito. Infelizmente, foi o primeiro fracasso dele em Hollywood, e depois viria o filme que o derrotou definitivamente das bilheterias, WATERWOOD. Seja como for, ainda era o Wyatt tão corretinho que nos acostumamos a ver ao longo dos anos, e possivelmente, creio que o desastre ainda seria pior se decidisse contar a verdadeira história.

    A HORA DA PISTOLA, Jurandir, ainda que o prólogo avisa que os eventos são baseados em fatos reais, é ainda o que mais que se aproxima dos eventos realísticos do famoso tiroteio(só por isso também, de resto...), mas foge evidentemente das reais causas do mesmo. Pelo menos, vemos James Garner numa interpretação nada romântica do personagem. Ele é amargurado, e quer fazer justiça pelos seus meios. Quanto a amizade com Doc, notamos que virou uma tradição, uma lenda, e tal como Kostner e Lawrence Kasdan, John Sturges também optou em misturar 20 ou 30% de verdade e o restante tudo baseado na legenda. Lenda esta sustentada desde os primórdios do século passado através de contos escritos e, depois, a Sétima Arte alavancou.

    Eu percebo que Kasdan, em sua versão, quis dar uma pitada de realidade quanto a relação entre Wyatt e sua cunhada. O filme, ao longo de suas 4 horas, não mostra se casando com a amante, o que vem a confirmar que ele era mesmo um bígamo. A atuação de Costern lembra até um pouco de Fonda em PAIXÃO DOS FORTES, pois este também era sisudo e sério, contudo, um paladino da lei, trabalhando pela justiça e pelo certo.

    Se fosse feito um filme "ipisis literis" sobre a vida deste famoso ícone, detalhes por detalhes em sua vida, possivelmente além de desagradar as platéias, também poderia desagradar grande parte do povo americano, que o tem como uma figura de grande admiração entre os personagens da História Americana.

    Forte abraço e obrigado, Jurandir

    Paulo Néry

    ResponderExcluir
  12. MATÉRIA EXCELENTE A RESPEITO DE WYATT EARP. O WESTERN QUE MAIS SE APROXIMA DOS FATOS VERDADEIROS É O WESTERN DE KEVIN COSTNER, QUE NOS DEU ATÉ AGORA O MELHOR WESTERN DO SÉCULO XXI, PACTO DE JUSTIÇA...
    COMO VOCÊ CITOU HUGH O'BRIAN, QUERO DIZER TAMBÉM QUE A GALERIA DO CINECLUBE DOS AMIGOS DO WESTERN-CAW,TEM DUAS FOTOS AUTOGRAFADAS, COM DEDICATÓRIA.
    VIVENDO E APRENDENDO, GRANDE TRABALHO!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Sensacional, Eddie! Hugh O' Brian é uma verdadeira lenda da TV mundial.

      Excluir
  13. IA ESQUECENDO DE SALIENTAR QUE OS MEUS FAVORITOS DO TEMA EM EPÍGRAFE SÃO:PAIXÃO DOS FORTES E SEM LEI E SEM ALMA!
    ABRAÇOS.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. SEM LEI E SEM ALMA também gosto muito, até um pouco mais que a obra de John Ford, que também é inesquecível. Mas meu preferido é a A HORA DA PISTOLA, com James Garner, Robards, e o notável Robert Ryan.

      Excluir
  14. EM TEMPO: COMO VOCÊ PASSOU BATIDO ACREDITO QUE NÃO TENHA ASSISTIDO O WESTERN O MASSACRE DOS PISTOLEIROS(DOC)-1971, COM STACY KEACH,HARRIS YULIN E FAYE DANAWAY, POR ISSO MESMO VOU FALAR A RESPEITO...
    TRATA-SE DE UM WESTERN BEM DIRIGIDO POR FRANK PERRY QUE RETRATA A VIDA E O DUELO DO O.K. CORRAL, PORÉM O MAIS FOCALIZADO É DOC HOLLYDAY, BEM INTERPRETADO POR STACY KEACH, E SUA AMANTE KATIE "BIG NOSE" ELDER, INTERPRTADA PELA MARAVILHOSA FAYE DANAWAY.
    O FILME MOSTRA O WESTERN COMO ELE REALMENTE ERA E NÃO SOFISTICADO COMO GERALMENTE É-NOS APRESENTADO: MULHERES FEIAS, MORMENTE AS PROSTITUTAS, HOMENS FEIOS TAMBÉM, EM SUMA, UM OESTE BASTANTE RÚSTICO E POERENTO.. FAYE TEVE UMA MAQUIAGEM PESADA, PARA SE PARECER MAIS COM A VERDADEIRA KATIE NARIGUDA, CONSEQUENTEMENTE FAYE TEVE O SEU NARIZ AUMENTADO, MESMO ASSIM CONTINUA BONITA, APARECENDO, EM TRAJES SUMÁRIOS, INCLUSIVE, DA CINTURA PRÁ CIMA...
    ESSE WESTERN NOS APRESENTA O DOC MAIS BEM PARECIDO COM O VERDADEIRO JOHN H. HOLLYDAY,RETRATADO NO CINEMA...
    CURIOSIDADES:
    NO FILME A LEI DA FRONTEIRA(FRONTIER MARSHAL), O NOME DOC HOLLYDAY TEM SEU NOME GRAFADO NA SUA LÁPIDE COMO DOC HALLYDAY. TALVEZ PARA NÃO PAGAR DIREITOS AUTORAIS OU COISA QUE O VALHA;
    NO FILME OS FILHOS DE KATIE ELDER, COM JOHN WAYNE E DEAN MARTIN, O INJUSTIÇADO HENRY HATHAWAY, COLOCA A KATIE, QUE É MÃE DOS QUATRO PERSONAGENS, COMO UMA MULHER HONESTA E DE GRANDE CARATER, SE QUER FAZENDO MENÇÃO QUE KATIE FORA UMA PROSTITUTA.MAS,SUTILMENTE, COLOCA QUATRO IRMÃOS COMPLETAMENTE DIFERENTES, EM TERMOS FÍSICOS. PARA UM BOM ENTENDOR UM RISCO É FRANCISCO...JÁ PENSOU JOHN WAYNE TENDO COMO IRMÃO O DEAN MARTIN?

    ResponderExcluir
  15. ...ERRATA - UM OESTE COMO REALMENTE ERA E NÃO WESTERN;POEIRENTO NÃO COMO FOI ESCRITO...
    EDDIE LANCASTER.

    ResponderExcluir
  16. PAULO, COMO VOCÊ NÃO CITOU, ACREDITO QUE NÃO TENHA ASSISTIDO AO FILME MASSACRE DOS PISTOLEIROS(DOC)-1971, COM STACY KEACH, HARRIS YULIN, E A MARAVILHOSA FAYE DUNAWAY. DENOMINADOS PELOS CRÍTICOS COMO ANTI-WESTERN,ESSE É O FILME QUE MAIS RETRATA O "GUNSLIGER" DOC HOLLYDAY E SEU RELACIONAMENTO COM WYATT EARP E MORMENTE COM SUA NAMORADA A PROSTITUTA KATIE "BIG NOUSE" ELDER.O DIRETOR FRANK PERRY PROCUROU DAR MAIS AUTENCIDADE AO VELHO OESTE,APRESENTANDO UM OESTE EMPOEIRADO, COM MULHERES FEIAS,ESPECIALMENTE AS PROSTITUTAS, E TAMBÉM HOMENS FEIOS. EM TERMOS FISIONÔMICOS STACY KEACH ESTÁ MUITO PARECIDO COM O VERDADEIRO DOC HOLLYDAY. TENTARAM TORNAR FEIA A FEYE DUNAWAY, AUMENTANDO-LHE O NARIZ,E MESMO ASSIM NÃO CONSIGUIRAM. ESSE ANTI-WESTERN É APRESENTADO PELO DIRETOR COMO UMA TRAGÉDIA CLÁSSICA, MOSTRANDO DOC COMO UM HERÓI CANSADO,TUBERCULOSO E ARREPENDIDO, NÃO TENDO A EXUBERÂNCIA PRIMÁRIA DOS PISTOLEIROS TRADICIONAIS.DOC APESAR DE NÃO SER ARROGANTE, ESTÁ SEMPRE VESTIDO DE PRETO, CUJOS MOVIMENTOS PARECE MAIS DE UMA SOMBRA E NÃO DE UM SER VIVO. A MORBIDÊS DO SEU OLHAR É ALGO QUE CHAMA MUITO ATENÇÃO...
    CURIOSIDADES: NO WESTERN A LEI DA FRONTEIRA, TALVEZ POR PROBLEMAS DE DIREITOS AUTORAIS, O PERSONAGEM E GRAFADO COMO DOC HALLYDAY, NA SUA LÁPIDE CONSTA ESSA GRAFIA;
    KATIE NARIGUDA ELDER É UMA PROSTITUTA, MAS NO WESTERN OS FILHOS DE KATIE ELDER NÃO TOCA NO ASSUNTO, APRESENTANDO UMA KATIE HONESTA E DE ILIBADA REPUTAÇÃO. PORÉM SUTILMENTE O INJUSTIÇADO HENRY HATHAWAY, COLOCOU 4 FILHOS FISIONOMICAMENTE DIFERENTES...E-NOS DIFICIL ACREDITAR JOHN WAYNE E DEAN MARTIN, COMO IRMÃOS - PARA UM BOM ENTENDEDOR UM RISCO É FRANCISCO;E,
    OS ESTADUNIDENSES CONSIDERAM HUGH O'BRIEN O MELHOR WYATT EARP DO CINEMA.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Salve meu nobre Eddie! Em verdade, não assisti O MASSACRE DOS PISTOLEIROS, e pelo enredo que me apresenta, fiquei com vontade de conhecer. Se tivesse conhecimento, evidentemente enquadraria neste artigo. A Considerar tão realisticamente não só os fatos que vem a ser fantasiados, como também as características dos personagens que distanciam muito das belas prostitutas e dos limpinhos e laureados bandidos do Velho Oeste nos filmes, esta obra que me aponta parece ser de grande relevância demonstrando mais autênticidade.

      ASSISTI recentemente A LEI DA FRONTEIRA. Gostei, embora venha a ser um pouco parecido com PAIXÃO DOS FORTES, de John Ford, o que explica que ambos foram baseados nos contos de Stuart Lake sobre Wyatt.

      AGORA NOVIDADE PARA MIM É saber que a Katie Elder dos "Filhos de Katie Elder", com o "Duke" faz referência a Katie de Doc Holliday. Muito interessante. Pelo que soube, a verdadeira Katie não teve sorte e acabou seus dias num bordel fétido, e se teve realmente filhos, acho que a História americana não conta.

      Hugh O' Brien ele foi um ótimo Wyatt, na famosa série de TV nos anos de 1950.

      Abraços

      Paulo

      Excluir
    2. estranho..mal se conheçem e participam de um tiroteio como amigos?claro que eram amigos! não precisa muito para perceber que Doc e wyatt eram inseparaveis!!!

      Excluir
  17. Caro anônimo, isto é percebível graças aos recursos hollywoodianos que vem a mais imprimir as lendas do que os fatos, aliás, é um pensamento de destaque no clássico de John Ford O HOMEM QUE MATOU O FACÍNORA: "No oeste, quando a lenda vira fato, se imprime a lenda". Antes de Hollywood corroborar com os mitos, o Velho Oeste já adiantava.

    Paulo Néry

    ResponderExcluir
  18. mto bom o seu blog!!!!!!! parabéns pela pesquisa e pelas imagens!!

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Muito Obrigado, Angélica. Seja bem vinda sempre, saudações do editor.

      Excluir
  19. promeira visita ao seu blog muito bom conheço os do darci fonseca e do a.c.gomes de mato voltarei a visitar sempre josé simões filho de guaçui ES

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Agradeço José Simões. Acho-o que o conheço pelo Facebook. A.C Gomes de Mattos é um Grande Mestre.

      Saudações do Editor.

      Excluir

NOTAS DE OBSERVAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO DE COMENTÁRIOS.

1)Os Comentários postados serão analisados para sua devida publicação. Não é permitido ofensas ou palavras de baixo teor. É Importante que o comentarista se identifique para fins de interação entre o leitor e o editor. Comentários postados por "Anônimos" sem uma identificação ou mesmo um pseudônimo NÃO SERÃO PUBLICADOS.

2)Anúncios e propagandas não são tolerados neste setor de comentários, pois o mesmo é reservado apenas para falar e discutir as matérias publicadas no espaço. Caso queira fazer uma divulgação, mande um email para filmesantigosclub@hotmail.com. Grato.

O EDITOR


“Posso não Concordar com o que você diz, mas defenderei até a morte seu direito de dize-la”

VOLTAIRE

Outras Matérias

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...