terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Um Conto sobre "Casablanca": Emoção e Solidariedade

Em matéria de Cinema, um assunto não se esgota: Casablanca/Idem, 1942, sucesso internacional lançado pela Warner, e que desde seu lançamento nos Estados Unidos, ocorrido a 26 de novembro de 1942, tornou-se através dos tempos um clássico da Sétima Arte, o cult-movie por excelência, devido principalmente a magistral direção do lendário e competente Michael Curtiz (1886-1962), cineasta de As Aventuras de Robin Hood e Capitão Blood (ambos estrelados por Errol Flynn), e entre inúmeras grandes obras - e também graças às magníficas interpretações de Humphrey Bogart (1899-1957), Ingrid Bergman (1915-1982), Paul Henreid (1908-1992), Claude Rains (1889-1967), e o vilânesco Conrad Veidt (1893-1943), além de um perfeito elenco de apoio muito comum nos filmes produzidos pela antiga Warner, nos anos de 1930/40.

Aqui no Rio de janeiro, seu lançamento foi feito nos Cinemas São Luiz e Vitória (em Copacabana, Tijuca, e outros bairros, entraria depois), em 2 de setembro de 1943. Na época, o São Luiz- que era a "menina dos olhos" do exibidor e empresário cearense Luiz Severiano Ribeiro (1886-1974, foto) - era o cinema preferido dos cariocas.

E repetiu-se aqui o sucesso de Nova York, Los Angeles, Chicago, Londres, Paris, e outras grandes cidades do Mundo, com exceção natural daqueles países do Eixo e seus simpatizantes.

Falou-se muito que na cena em que A Marselhesa era executada no Rick's muita gente chorava na platéia. Entretanto, a história não é bem essa...

Eis a verídica informação: quando a pedido de Victor Lazlo (Paul Henreid) e com total apoio e consentimento de Rick Blaine (Humphrey Bogart), o proprietário do estabelecimento, eis que a orquestra ataca La Marseillaise para abafar o som de uma canção alemã de guerra entoada pelo Major Strasseir (Conrad Veidt) e seus oficiais. Lazlo e Yvonne (interpretada pela francesa Madeleine LeBeau- foto- ainda viva e talvez a única sobrevivente do Cast), que era uma namoradinha "passa-tempo" de Rick, acabou chorando DE VERDADE na cena, pois o script não pedia isso, o que acabou contagiando o público ali presente, que fez coro com os dois e mais a cantora-guitarrista Andreya (Corrina Mura, 1909-1965), que cantava os versos de Rouget de Lisle. Este mesmo contágio acabou também acontecendo na platéia do São Luiz aqui no Rio de Janeiro, que aplaude entusiásticamente a cena, ouvindo-se emocionados "Vive La France!" por todos os lados, manifestação espontânea que se repetia a cada sessão do clássico de Curtiz, e que seria exibida todos os dias, o que levou Severiano Ribeiro a manter o filme em cartaz por uma segunda semana no São Luiz.

Jamais havia acontecido tal coisa antes, quebrando um tabu que o grande exibidor vinha mantendo desde a inauguração da casa em 22 de setembro de 1937.

Palmas de emoção e solidariedade, afinal eram períodos conturbados aqueles, a II Guerra Mundial.


BIBLIOGRAFIA: Revista Cinemin, nº 55, pag 32, Sessão ISTO NÃO É FITA, É FATO,com base em artigo escrito pelo saudoso e competente João Lepiane.


Produção e pesquisa de Paulo Telles
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sábado, 13 de novembro de 2010

O Western Americano e o Western Europeu- Conclusão

Terminando esta série de artigos sobre as diferenças entre o gênero estritamente feito nos EUA, mas que os europeus (italianos e espanhóis) moldaram que um pouco mais que realisticamente, vou falar sobre como os americanos reagiram ao sucesso dos europeus, o fim dos “faroestes spaghetti”, e a decadência do gênero nos EUA, embora com um “leve retorno” ao gênero no início dos anos de 1990.

Todo aquele sucesso dos westerns europeus acabou de fato provocando uma nova onda de faroestes americanos, pois aparentemente enciumados, Hollywood voltou a dar atenção ao gênero, mas desta vez, todos os clichês e moldes mitológicos do tema, e a legenda áurea de seus cowboys, eram substituídos por assuntos mais sérios e polêmicos dentro do Velho Oeste.
Nos Estados Unidos, a partir de 1964, foi feito faroestes quase que similares aos europeus, pois seus “mocinhos” já não eram os mocinhos dos áureos tempos, mas sim personagens perturbados, sofridos, e muitas vezes traumatizados, ou como outras vezes, pessoas frias que impunham o medo dentro de comunidades, como foi o caso de Yul Brynner (1915-1985) em Convite a um Pistoleiro (Invitation to a Gunfighter), que foi uma produção de Stanley Kramer. Já o diretor Martin Ritt resolveu seguir os passos de Sergio Leone, em Quatro Confissões (The Outrage), um western violento abordando estupro e assassinato, algo nada visto anteriormente nos faroestes americanos. No elenco, Paul Newman, Claire Bloom, Laurence Harvey e Edward G. Robinson.

O outro, dos bons mas ignorado Rio Conchos (idem), dirigido por Gordon Douglas, de estrelado por Stuart Whitman e Richard Boone; e Crepúsculo de uma Raça (Cheyenne Autumm), último western dirigido pelo Mestre John Ford (1895-1973), onde ele defendeu a causa dos índios e procurava se redimir pela matança deles durante toda sua carreira. Como ele mesmo disse: “Matei mais índios no cinema do que o General Custer nos campos de batalha!”. O filme, com locações no Monument Valley – como grande parte dos westerns do diretor que faleceu em 1973- resultou lento e cansativo em seus quase 160 minutos de projeção, e nem o elenco all-star, como Richard Widmark (grande mocinho dos faroestes americanos da década de 1950), Carroll Baker, Ricardo Montalban, Gilbert Roland, Edward G. Robinson, Dolores Del Rio, e numa participação, James Stewart.


Mas nem todos em Hollywood queriam aceitar estas mudanças. Os heróis dos faroestes Classe B americanos (conforme explicado na parte 1), ainda representados por Rory Calhoun, Audie Murphy, e Dale Robertson (este ainda vivo), ainda preferiram ser os mocinhos “limpinhos e barbeados”, muito embora Murphy (que morreu em maio de 1971 num acidente aéreo) foi o mais assíduo e aproveitou o embalo dos westerns spaghetti e protagonizou Bandoleiro Temerário (The Texican), dirigido por Sidney Salkow e rodado na Espanha, onde ainda tinha no elenco (e como vilão) um ator ganhador do Oscar (e com a carreira em declínio) – Broderick Crawford (1911-1986).


Em 1969, Elvis Presley (1935-1977) também estrelou um western americano com moldes “Spaghetti”, Charro (idem). Elvis, cujo seu primeiro filme era um western (Ama-me com Ternura/Love-me Tender, 1956) e em 1960 foi o astro de Estrela de Fogo (Flaming Star), em papel reservado para Marlon Brando, não ficou nada mal como um pistoleiro a lá Django, com barba por fazer e tudo mais.

Ainda na década de 60, e em seus meados, a disputa continuava cada vez mais acirrada entre os americanos e europeus, e por isto, alguns diretores hollywoodianos deixaram o orgulho de lado e passaram a imitar os Spaghetti, como é o caso de A Marca do Vingador (Ride Beyond), estrelado pelo astro da série de TV O Homem do Rifle, Chuck Connors (1921-1992), e contando ainda com Michael Rennie, Bill Bixby (da série O Incrível Hulk), e Claude Akins, com quem tem com Connors uma sensacional cena de luta num saloon, onde é explícito a violência e o tema da vingança, muito comum nos faroestes italianos.


OS PROFISSIONAIS (The Professionals), de Richard Brooks, situou esta obra no México como a maioria dos concorrentes latinos, e estrelado por um elenco de primeira grandeza: Burt Lancaster, Lee Marvin, Robert Ryan, Jack Palance, e não por coincidência, uma atriz italiana, se não mais que a bella Claudia Cardinale.
SANGUE EM SONORA (Appaloosa), em 1966, dirigido por Sidney J. Furie, também utilizou locações mexicanas. Western racista e muito violento, estrelado por Marlon Brando e John Saxon.


E quem diria, o MAIS SPAGHETTI WESTERN AMERICANO DE TODOS: A MARCA DA FORCA (Hang em High), em 1968, produzido e estrelado por Clint Eastwood, já consagrado, que tão logo voltou ao Estados Unidos resolveu projetar uma película aos moldes de seu grande Mestre, Sergio Leone. Para dirigi-lo, Clint chamou Ted Post, um velho conhecido dos tempos em que ele estrelava a série de TV Couro Cru (Rawhide). A boa acolhida da maioria desses filmes deixou claro que o público agora dava preferência a faroestes mais realistas, e que aqueles “cowboys imaculados” portando revólveres reluzentes de coronha de marfim, estavam com seus dias contados.

Apesar daquela nova tendência, John Wayne (1907-1979), com seus faroestes tradicionais, ainda continuava sendo sinônimo de bilheteria. Com o sucesso estrondoso de Meu ódio será sua Herança (The Wild Bunch), em 1969, de Sam Peckimpah (1928-1983), os produtores acharam que era o momento oportuno para o veterano ator de 62 anos voltar ao seu habitat e experimentar o novo estilo. Wayne concordou, mas com uma condição: teria que ser a sua maneira.





O resultado foi Bravura Indômita (True Grit), dirigido por Henry Hathaway, não era propriamente um western desmistificador e nem muito violento, mas certamente, era diferente dos filmes que o velho Duke vinha fazendo por quase 40 anos. Seja como for, Wayne ficou perfeito no papel do delegado gordo, bêbado e falastrão, usando um tapa-olho, tão perfeito que acabou ganhando o Oscar de melhor ator do ano (que mereceria muito mais por Rastros de ódio/The Searchers, 1956 caso fosse indicado). Uma nova versão de Bravura Indômita em breve chegará aos nossos cinemas, com Jeff Bridges no papel que foi de Wayne.


A PARTIR DA DÉCADA DE 1970, Hollywood mergulhou de cabeça no Western violento e desmistificador (algo que não agradava John Wayne, este um tradicional e devoto admirador da legenda áurea do gênero), para competir com os europeus. Um bom exemplo disso é um western dirigido por Michael Winner (o mesmo de “Desejo de Matar”, com Charles Bronson), que escolheu a dedo dois dos maiores atores que o cinema já teve: Burt Lancaster (1913-1994) e Robert Ryan (1909-1973), amigos na vida real e que pela segunda vez voltavam a trabalhar juntos (a primeira foi também no Western “Os Profissionais” (1966), e a terceira e última no drama político “O assassinato de um Presidente” (1973), que foi o último filme de Ryan, que morreu em julho de 1973), em MATO EM NOME DA LEI/Lawman , em 1970. Lancaster ainda participaria em Quando os Bravos se encontram e A Vingança de Ulzana, que abusaram da violência ao extremo, temperando o filme com psicologia e racismo.

E OS FAROESTES ITALIANOS?


Enquanto isso, na Europa, os últimos cineastas a explorarem o estilo “tradicional” (que eles já consideravam violento), davam uma releitura em um estilo cômico (como nas séries de “Trinity”, com Terence Hill e Bud Spencer), mas depois de uma dúzia de filmes como estes, já mostravam sinais de extremo desgaste, e o tradicional Bang Bang à Italiana, apesar de ter durado bem, estava com seus dias contados como o gênero em geral (mesmo os americanos). Mas mesmo assim, os faroestes spaghetti poderiam contar com diretores como Sergio Corbucci, Sergio Leone, Duccio Tessari, entre outros, e mocinhos europeus como Franco Nero (que para quem não sabe, recentemente participou de uma minisérie sobre a vida de Santo Agostinho, interpretando o religioso na fase da velhice), Giuliano Gemma, Tomas Milian, Terence Hill, entre outros.
Entre 1963 a 1978, foram produzidos cerca de 600 westerns europeus. E foi nesse ano de 1978 que veio a acabar definitivamente a munição do Bang Bang à Italiana. Sella D’ Argento (Sela de Prata- 1978), dirigido por Lucio Fulci, e estrelado por Giuliano Gemma e Ettore Manni, é considerado oficialmente o último faroeste europeu do cinema.

Odiado pelos puristas e considerado trash pela crítica, mas queira ou não, os westerns spaghettis foram responsáveis pelo revigoramento dos faroestes de Hollywood, que não saíam dos mitos, e deram uma retomada. Se não fosse pelos europeus, teríamos sido privados de obras como “Meu ódio Será sua Herança”, “Josey Wales”, e “O Pequeno Grande Homem”.

CONTUDO, a retirada dos Westerns europeus não significou a vitória dos americanos. O premiado diretor Michael Cimino (5 Oscars por Franco-Atirador, incluindo melhor diretor) tinha a plena convicção que o western em estilo épico que estava prestes a dirigir para a United Artist seria um dos grandes ápices de sua carreira. O Portal do Paraíso, entretanto, não conseguiu repercussão nos Estados Unidos, embora os franceses tenham gostado. Isto motivou a expulsão de Cimino em Hollywood e o início da falência da United Artist. A maioria dos estúdios evitavam o gênero, e com isto, o Western, gênero americano por excelência, parecia estar com seus dias contados.


Em 1985, Clint Eastwood produziu e dirigiu O Cavaleiro Solitário” (Pale Rider), onde estrelou como um “Pistoleiro sem nome e sobrenatural”, mas um pistoleiro do bem. O roteiro escolhido por Eastwood era uma mistura de Shane e Matar ou Morrer, dois clássicos por excelência do gênero, mas nem por isso, fez tanto sucesso. Eastwood voltaria novamente ao gênero em 1992, dessa vez em um tema psicológico e desmistificador, em Os Imperdoáveis (Unforgiven), onde estrelou e dirigiu. No elenco, Gene Hackman como um bom vilão, Morgan Freeman, e o talentoso Richard Harris.


Aqui, Eastwood fazia o papel de um ex-pistoleiro frio e sanguinário perseguido pelos fantasmas do passado, que embora regenerado, volta a empregar em armas para ajudar uma prostituta que foi estraçalhada. O filme foi um grande sucesso de crítica e público, e possibilitou uma pequena volta ao gênero na década de 1990 aos cinemas (Wyatt Earp, Tombstone- A Justiça esta Chegando, Quatro Mulheres e um Destino, Rápida e Mortal, este estrelado por Sharon Stone), principalmente, graças aos 4 (quatro) Oscars conquistados, onde Clint Eastwood, então com mais de 30 anos em Hollywood, subiu ao palco para receber a estatueta de melhor diretor; Gene Hackman foi o melhor ator coadjuvante; OS IMPERDOÁVEIS ganhou o Oscar de melhor filme de 1992, além de quebra, ter ganho também um Oscar de melhor edição.



ARTIGOS ANTERIORES SOBRE O TEMA, ACESSEM:










BIBLIOGRAFIA: 100 ANOS DE WESTERN- Autor: Primaggio Mantovi- Editora Opera Graphica.


Produção e pesquisa de Paulo Telles

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Minha Lista: Os Dez Melhores Filmes Infantis

Amanhã, dia 12, celebraremos o dia das crianças. Sou daqueles que pensam que cada um carrega uma criança dentro de si. Pensando nisso, fiz uma seleção pessoal de uma lista de dez filmes de temática infantil que considero os melhores que já assisti ao longo da minha vida. Não sei sua preferência ou se ela pode coincidir com a minha, mas na minha modesta opinião são filmes que poderíamos rever sempre, e não somente nesta época de celebração em homenagem as crianças, mas em qualquer época do ano.
Assim, aqui apresento os melhores filmes infantis de todos os tempos, de acordo com minha preferência:

1-O MÁGICO DE OZ (The Wizard of Oz- 1939)
Musical da Metro produzido em 1939, e estrelado por Judy Garland (1922-1969), baseado no livro (publicado em 1900) de L. Frank Baum (1856-1919), cujo os direitos autorais da obra a Metro Goldwyn Mayer havia comprado no ano anterior a produção deste filme. O Mágico de Oz narra a história da garotinha Dorothy (Garland) que sonha em conhecer um mundo além do arco-íris, onde fadas e bruxas convivessem como num livro. No meio de um tornado seu sonho se torna realidade, sua casa é levada para a Terra de Oz, mas a única coisa que a amedrontada Dorothy quer agora é voltar para casa e segue o caminho das pedras amarelas em busca do mágico que possa ajudá-la a regressar. No caminho encontra um espantalho que quer um cerébro, um homem de lata que quer um coração e um Leão covarde que almeja ser corajoso, todos descobrem que não precisam de nada daquilo, pois as virtudes que têm é muito mais do que imaginavam.
A produção, muito tumultuada, teve 5 diretores, sendo por fim creditado a Victor Fleming (1889-1949). Mesmo não sendo o primeiro filme produzido em Technicolor (como muitos acreditam), O Mágico de Oz faz um uso notável da técnica; as seqüências no Kansas possuem um preto-e-branco com tons em marrom, enquanto as cenas em Oz recebem as cores doTechnicolor. Ainda no elenco: Frank Morgan, Ray Bolger, Bert Lahr, Jack Haley, Bilie Burke, e Margaret Hamilton.

2-O PEQUENO POLEGAR (Tom Thumb- 1958)


Uma comédia musical produzida em 1958, e adaptada do clássico conto dos irmãos Grimm, onde certo dia um lenhador, o honesto Jonathan (Bernad Miles,1907-1991) poupa uma árvore especial a pedido da "Rainha da Floresta" ( a bela e prematuramente falecida June Thorburn, morta em um acidente aéreo em 1967 aos 36 anos de idade), que em sinal de agradecimento concede-lhe uma preciosa dádiva, um filho, uma vez que o casal de lenhadores há muito ansiavam ter mas sem resultado. Esse filho, porém, era tão pequenino tão pequenino que tinha o tamanho de um polegar! O “Pequeno Polegar” é desempenhado pelo dançarino da Metro Russ Tamblyn. No elenco ainda, Terry-Thomas (1911-1990) e um jovem e gorducho Peter Sellers (1925-1980), estes dois como os vilões engraçados da história, e deponta também Alan Young (da série de TV “Mister Ed”), que é o interesse amoroso da “Rainha da Floresta”. Vencedor do oscar de efeitos especiais. 3-O PÁSSARO AZUL (The Blue Bird- 1940) O Pássaro Azul, dirigido por Walter Lang (1896-1972), é um clássico em Technicolor para crianças, mas que também emociona os adultos. O típico filme da Sessão da Tarde que costuma reunir a família toda em frente à Tv. O filme narra a história da família Tyl, cujo patriarca (Russell Hicks, 1895-1957) é convocado para combater Napoleão e precisa deixar os filhos em casa sozinhos. A garota Mytyl (Shirley Temple) e seu irmão Tytyl (Johnny Russel) passam a viver algumas aventuras depois que o melhor amigo de Mytyl adoece e a menina empenha-se em capturar o conhecido "pássaro azul da felicidade" para presentear o garoto. Após receber a visita da fada Berylune (Jessie Ralph, 1864-1944), os meninos são enviados, juntamente com o seu gato Tyllete e cachorro Tylo, transformados em humanos, em busca do “pássaro azul” através do passado, do presente e do futuro.

Durante a viagem por muitos reinos com fadas, magias e personagens enigmáticos, as crianças passam pelas mais inusitadas situações, e vão sofrendo transformações — relacionadas às mudanças da infância para a juventude — e transformam os lugares por onde passam, como a emocionante cena em que Mytyl se despede dos avós, já mortos, e que voltam a dormir num banquinho porque só acordavam quando alguém lembrasse deles. A menina ainda consegue ver o irmão caçula que está para nascer em outros dos mundos. Quando voltam para casa, encontram um lugar muito diferente do início da aventura. Ainda no elenco, Nigel Bruce (1895-1953) e a ganhadora do Oscar Gale Sodergaard (1899-1985).
  4- AS SETE CARAS DO DR.LAO (Seven Faces of Dr. Lao- 1963)

Doutor Lao (Tony Randall, 1920-2004) é um velho chinês de 7.322 anos que chega a velha e empoeirada Arizona com o seu circo místico, causando um enorme alvoroço em toda a pequena população da cidade além de uma certa xenofobia. Todos ficam ansiosos por ver as maravilhas que o Dr. Lao promete trazer, sem imaginarem que as atrações anunciadas fazem parte da mente de cada uma das pessoas do Arizona, são criaturas formadas a partir dos problemas e sentimentos que os moradores da pequena cidade levam consigo.

O circo chinês oferece uma caravana de atrações mitológicas e semi-mitológicas. O que ninguém sabe é que o Doutor Lao além de dono do circo também atua como todas as atrações dele (Randall interpreta todos eles), mostrando seu talento em seus estranhos números, transformando-se em seis diferentes figuras míticas: o Pan, protetor dos animais e dos bosques; a Medusa, com sua cabeça cheia de serpentes e que só pode ser vista através de um espelho; o mágico Merlin, já um pouco enferrujado mas sempre usando sua mágica para o bem; o Abominável Homem das Neves; uma Serpente Gigante que visa refletir as imperfeições das pessoas e o adivinho Apolônio de Tiania. Dr. Lao acaba usando seus personagens para mudar a vida das pessoas, fazendo com que vejam a verdade e com que enxerguem melhor seus problemas. O Pã e sua flauta mágica hipnotizam Angela Benedict (Barbara Eden, da série de TV Jeannie é um gênio) fazendo com que ela descubra o valor do amor e desperte seus desejos escondidos; a Medusa testa a incredulidade da Senhora Kate Lindquist (Minerva Urecal, 1894-1966) que insiste em não olhá-la pelo espelho e acaba se transformando em pedra; com a Serpente, Doutor Lao toca em verdades salgadas demais para o vilão Clint Stark (Arthur O’ Connel, 1908-1981) que se acha perfeito mas descobre que não é bem assim; o Adivinho toca na parte mais triste da solteirona fútil Howard Cassin (Lee Patrick, 1902-1981) As Sete Faces do Doutor Lao é recheado de citações memoráveis como: "O mundo todo é um circo. Quando olhamos para um punhado de areia e vemos mais do que areia, vemos um mistério, o circo do Dr. Lao estará lá." A preocupação da historia é mostrar que o ser humano às vezes pode ter suas percepções meio distorcidas, pode estar preparados para acreditar em criaturas bizarras, mas não são capazes de ver o valor de uma comunidade, dos seus costumes e cultura, que moeda nenhuma poderá pagar. Um tipo de filme que bem que mereceria um Remake nos nossos dias. Ainda no elenco: John Doucette (1921-1994), Royal Dano (1922-1994), Noah Berry Jr (1913-1994), John Ericson é o jornalista galã interesse amoroso da personagem de Barbara Eden, e Argentina Brunetti (1907-2005).

5-MEU MELHOR COMPANHEIRO (Old Yeller- 1957)

Nenhum filme melhor que este mostra tanta emoção, esperança, coragem e amizade. Um conto clássico Disney que fala do amor de um garoto pelo seu cão. Meu Melhor Companheiro cativou o coração de milhões de pessoas e continua cativando até hoje, pois ainda é o melhor!
Estas são as palavras do renomado crítico de cinema americano Leonard Maltin. A história se passa por volta de 1860, no Texas. Travis (Tommy Kirk) é um garoto não quer nada com o cão que encontrou, mas Old Yeller prova que é um ótimo amigo, protegendo a sua família e salvando sua vida. Eles se tornam inseparáveis, dividindo momentos de alegria, experiências e lições de vida. O Elenco é composto de grandes conhecidos para os cinéfilos, para começar o eterno Daniel Boone da TV, Fess Parker (1924-2010) no papel do pai de Travis, a excelente Dorothy McGuire (1916-2001), no papel da mãe, e ainda Chuck Connors (1922-1991), que fez “O Homem do Rifle” na TV, e Jeff York (1912-1995). O Filme estreou no Brasil em 6 de janeiro de 1958.


6-AS AVENTURAS DE HUCKLEBERRY FINN (The Adventures of Huckleberry Finn- 1960)
As aventuras de um menino travesso que foge de sua casa e viaja pelo rio Mississippi na companhia de um escravo fugitivo. O jovem aventureiro Huckleberry Finn (Eddie Hodges), fugindo na sua jangada, pelo Rio Mississippi, juntamente com o seu companheiro Jim (o pugilista Archie Moore, falecido em 1998, que foi Campeão Mundial dos Pesos Pesados, entre 1952-1960) um escravo em fuga para não ser vendido, vão viver extraordinárias e arrepiantes aventuras, nesta sensacional viagem que nos levará a todos ao mundo da liberdade e da amizade sem limites. Esta versão (existem outras, inclusive uma com Mickey Rooney da década de 30) foi produzida pela Metro para comemorar os 75 anos do lançamento do clássico de Mark Twain (1835-1910) e foi um dos últimos filmes sob a direção do lendário Michael Curtiz (1886-1962), de Casablanca e As Aventuras de Robin Hood, que tem um grande elenco composto por Tony Randall, Neville Brand (1920-1992), Pat McComarck, Andy Devine (1905-1977), Sherry Jackson, John Carradine (1906-1988), Royal Dano, e em especial participação, Buster Keaton (1895-1966).

7-ET- O EXTRATERRESTRE (E. T- The Extra Terrestrial- 1982)
É considerado um dos maiores sucessos de bilheteria da história do cinema, sendo o primeiro filme a ultrapassar a marca 700 milhões de dólares. Um alienígena perdido na Terra faz amizade com um garoto de dez anos (Henry Thomas), que o protege de todas as formas para evitar que ele seja capturado e transformado em cobaia pelo serviço secreto americano. O menino ajuda o ET a regressar ao seu planeta. Um filme que até hoje emociona crianças e adultos e vem atravessando gerações. No elenco: Peter Coyote, C. Thomas Howell, Debra Winger, e Drew Barrymore, então com 7 anos, vindo de uma dinastia de atores consagrados do teatro e da TV, os Barrymore (sobrinha neta do consagrado Lionel Barrymore (1878-1954) e neta do grande astro do cinema antigo (que depois decaiu) John Barrymore (1882-1942), este um grande amigo de peito e de copo de Errol Flynn). 8-A FANTÁSTICA FÁBRICA DE CHOCOLATE (Willy Wonka & the Chocolate Factory- 1971)
Baseado no livro "Charlie e a Fábrica de Chocolate", com adaptação para o cinema do próprio autor Roald Dahl (1916-1990), A Fantástica Fábrica de Chocolate é um conto de fadas para crianças e adultos, recheado de piadas, referências e citações. Quando foi lançado originalmente nos cinemas americanos, a responsável pela sua distribuição foi a Paramount Pictures, porém, todas as exibições posteriores, seja ela na TV, em vídeo ou nos próprios cinemas, foram realizadas pela Warner Bros.
A história tem início quando Willy Wonka (Gene Wilder), recluso por anos em sua fábrica de chocolate, anuncia que cinco sortudos terão a chance de fazer um tour pelo local e ver de perto os segredos de seus doces maravilhosos. Melhor do que isso: um dos visitantes ganhará suprimentos do chocolate Wonka para toda a vida. Para selecionar os candidatos, cinco bilhetes foram aleatoriamente colocados dentro das embalagens dos chocolates, transformando Wonka numa verdadeira febre mundial. Os chocólatras começaram a procurar desesperadamente os sonhados bilhetes.

Ninguém gostaria desse prêmio mais do que o jovem Charlie Bucket (Peter Ostrum, em sua única aparição nos cinemas; depois, se tornaria um veterinário), um entregador de jornais que mora com a mãe e os quatro avós num único cômodo. Sua família é tão pobre que até mesmo comprar uma barra é um sacrifício, quanto mais comprar barras suficientes para encontrar um dos cinco cartões dourados que dão direito à visita.

A fábrica parece um sonho em cores psicodélicas: um rio de chocolate com cachoeira, árvores, flores, cogumelos... enfim, tudo comestível. Os ajudantes de Wonka são anões de rosto laranja e cabelo verde chamados de Oompa Loompas. A grande decepção das crianças é que Willy Wonka, ao invés de ser um homem benevolente, é uma espécie de pan moderno: imprevisível, encrenqueiro, uma figura manipuladora. As crianças, ao mesmo tempo em que mergulham de cabeça nos seus desejos, pagam um preço por isso, deixando a fábrica com aparência do Jardim do Éden: encantador, mas território da serpente. É, na verdade, uma espécie de provação onde a criança só sai vitoriosa se não violar nenhuma das regras impostas por Wonka. Claro que nosso pequeno Charlie sairá vencedor, enquanto as outras crianças amargarão um triste destino sendo "expulsas" da fábrica humilhantemente, enquanto os Oompa Loompas limpam a sujeira.
O filme soa como uma lição de moral com sua mensagem que prega os bons comportamentos. "Se você fizer direitinho a lição, ganha um chocolate". Mas o filme emociona, faz rir e possui um raro senso de limites para seu humor negro. Situações fortes são tratadas com uma leveza incomum. Como bom exemplo disso, temos a cena do resgate, onde uma mulher tem seu marido seqüestrado e deve pagar como resgate sua caixa recém adquirida dos famosos chocolates. Quando confrontada sobre a escolha entre o marido e os chocolates pede tempo para pensar. No elenco, ainda, Peter Ostrum, Roy Kinnear. 9-ESQUECERAM DE MIM 1 (Home Alone- 1990) Foi o filme que revelou Macaulay Culkin. O menino-prodígio que ficou estigmatizado para sempre no papel de Kevin, um garoto de oito anos, esquecido em casa pela família às vésperas de uma viagem para Paris na época do Natal. Kevin passa a administrar a casa do seu jeito. Então, entra em cena uma dupla de meliantes, Harry (Joe Pesci) e Marv (Daniel Stern), que planeja roubar a mansão. Porém, os bandidos não contavam com a esperteza do garoto, que os obriga a cair em várias armadilhas. Ainda no elenco: John Heard, Catharine O’ Hara, e com a participação de John Candy (1950-1994).
10-O JARDIM SECRETO (The Secret Garden- 1993)
No início do século XX, Mary Lennox (Kate Maberly) vivia na Índia com seus pais, que não lhe davam muita atenção. Porém um estouro de elefantes os mata e, seis meses depois, Mary desembarca em Liverpool, na Inglaterra, para viver com Lorde Archibald Craven (John Lynch), seu tio, na mansão Misselthwaite, uma construção feita de pedra, madeira e metal na qual existem segredos e antigas feridas.
Mary estava assustada naquele solar com várias dezenas de quartos e era incrivelmente mimada, pois lhe desagradava a idéia de vestir suas roupas, já que na Índia isto era tarefa de suas aias. A mansão é administrada pela Sra. Medlock (Maggie Smith), uma rigorosa e fria governanta. Lorde Craven perdeu a mulher há dez anos e nunca mais conseguiu superar a tragédia. Para piorar Colin Craven (Heydon Prowse), seu filho, também sobre de extrema apatia, sempre recolhido no seu quarto. Mais uma vez negligenciada, Mary passa a explorar a propriedade e descobre um jardim abandonado. Entusiasmada com a descoberta, Mary decide restaurar o lugar com a ajuda do filho de um dos serviçais da casa, conquistando assim a atenção do primo doente. Juntos eles desafiam as regras da casa e o velho jardim se transforma em um lugar mágico, cheio de flores, surpresas e alegria. O jardim secreto é um lugar fantástico onde não existe tristeza e arrependimento, um lugar onde a força da amizade pode trazer de volta a beleza da vida. Enfim, outro de muitos filmes infantis que leva o espectador a reflexão, pois quem sabe não tenhamos nosso próprio “Jardim Secreto”?
Está aberto uma enquete semanal sobre o tema deste artigo. Caso nenhum destes seja um dos seus preferidos, o espaço de comentários esta a disposição para leitores e seguidores exercerem sua expressão e dar sua indicação. Afinal, já dei a minha, rs. Feliz dia das crianças!!! Saúde e Paz. 

PRODUÇÃO E PESQUISA PAULO TELLES

REFERÊNCIAS: SITE INFANT TV WIKIPEDIA ENCICLOPÉDIA SITE ADORO CINEMA GUIA DE VÍDEO ABRIL CULTURAL (livro)- ANO 1990 E 1995

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os 50 anos de “Spartacus” com Kirk Douglas

No dia 6 de Outubro de 1960, em Nova York, se deu a pré-estréia de “Spartacus”, a superprodução dirigida por Stanley Kubrick (1928-1999) e estrelado por Kirk Douglas, ganhadora de 4 Oscars: melhor ator coadjuvante (Peter Ustinov, 1921-2004), melhor direção de arte colorida, melhor fotografia colorida e melhor figurino colorido. Portanto, há 50 anos, estreava um dos maiores épicos da História do Cinema (No dia 7 de outubro de 1960, pré estréia em Los Angeles. No Brasil, sua estréia foi a 17 de novembro de 1960).
Entretanto, é bem difícil explicar a saga de todo o projeto que levou a materializar, mas reza a lenda em Hollywood que Kirk Douglas, empolgado com o sucesso de Ben-Hur, de William Wyler (1902-1981), realizado no ano anterior, queria também produzir um épico aos moldes do diretor. Bem verdade que Kirk queria o papel principal de Ben-Hur no filme de Wyler, mas este já havia preterido a Charlton Heston, e ofereceu a Douglas o segundo papel principal, do infame vilão Messala (que havia sido recusado por Robert Ryan), mas Kirk não aceitou, sendo este papel aceito depois por Stephen Boyd.




Recusando o papel de coadjuvante no épico de Wyler, Douglas, sob a égide de sua produtora, a Bryna Production Company, quis dar uma resposta ao então campeão absoluto dos Oscars (até 1998, quando Titanic empatou), e resolveu produzir um épico bem diferente dos que vinham sendo produzidos naquela época. Grande parte dos épicos que vinha sendo lançados ao longo dos anos de 1950 era, geralmente, de teor bíblico. Mas Kirk queria realizar algo que não tivesse tom religioso.


Sendo assim, Douglas negociou os direitos da controversa história da obra literária lançada em 1952, escrita por Howard Fast (1914-2003- foto), que tornou-se uma leitura popular nos meios comunistas.


Aliás, a história de Spartacus já havia sido filmada na Europa, em 1953, sob o mesmo título (nos EUA, como “Sins of Rome”), e com a direção de Riccardo Freda (1909-1999), estrelado pelo astro italiano Massimo Girotti (1918-2003) no papel do herói-escravo, e a bela deusa francesa Ludmilla Tchérina (1924-2004) desempenhando Varínia, mulher de Spartacus.


Para adaptar o romance de Fast, Kirk contratou Dalton Trumbo (1905-1976), um dos DEZ DE HOLLYWOOD, que havia sido preso por se recusar a cooperar para o Comitê de Atividades Antiamericanas e teve que escrever roteiros sob pseudônimos por mais de uma década. Logo, Kirk Douglas também entrou para a história por ajudar a destruir a lista negra ao permitir que um dos perseguidos pelo "Caça as Bruxas" usasse seu próprio nome nos créditos de Spartacus.


Em verdade, Trumbo colocou uma sutil referência aos espiões da era McCarthy. Perto ao final do filme, após a revolta ser esmagada, o tirânico general Marcus Licínio Crassus (Laurence Olivier, 1907-1989, foto) anuncia ameaçadoramente: “Em cada cidade e província, lista de desleais foram compiladas”.


A colunista Hedda Hopper e ex-atriz (1885-1966 - foto) denunciou Kirk Douglas por contratar Trumbo e a Legião Americana fez piquete na pré-estréia em Los Angeles, no dia 7 de outubro de 1960. O Bom Douglas não se deixou intimidar, e mandou uma resposta para Hedda e seus aliados, contratando Dalton Trumbo para escrever o roteiro de mais dois filmes para ele.


Com seus 12 milhões de dólares, Spartacus foi um dos mais custosos filmes daquele então período. O orçamento começou a subir quando o diretor Anthony Mann (1906-1967), o realizador de El-Cid de 1961, foi despedido depois das filmagens já iniciadas, após longa discussão com Kirk Douglas. Logo, Mann foi substituído por Stanley Kubrick, que havia dirigido Douglas em Glória feita de Sangue dois anos antes. Kubrick foi contratado apenas para dirigir, e não ser o “autor”, mas mostrou seu talento em um grande número de inventivas seqüências. As lutas de Gladiadores, algumas vezes de chocante violência, têm uma vívida proximidade e a climática batalha entre escravos e as legiões romanas- com mais de dez mil extras na cena- tem uma grandeza de tirar o fôlego.


Kubrick trabalhou com um elenco all-star, e, sobretudo, a vitalidade real do filme vem dos atores ingleses- Laurence Olivier, Charles Laughton (1899-1962), e Peter Ustinov- interpretando personagens muito além do nobre Spartacus. A bela e talentosa Jean Simmons (1929-2010), interpretando a mulher do herói, Varínia. Aliás, sobre esta personagem, uma história curiosa: a própria Simmons, além de Ingrid Bergman, Jeanne Moreau, e Elsa Martinelli, haviam recusado o papel, sendo escolhida uma atriz alemã, Sabine Bethmann, mas quando Stanley Kubrick tomou as rédeas da direção, não gostou de sua atuação, e resolveu novamente oferecer o papel a Simmons, que por fim aceitou.

Peter Ustinov recebeu um Oscar de ator coadjuvante por seu retrato refinado do servil, astuto, e covarde negociante de escravos Lentulos Batiatus (no livro de Fast, Batiatus é rude, violento e grosseiro. Ustinov já havia sido indicado ao Oscar da mesma categoria em 1951, pela sua atuação inesquecível do Imperador Nero em Quo Vadis e ganharia mais um prêmio na mesma categoria pelo papel de vigarista na comédia Topkapi, em 1964 ), mas é equiparado por Olivier como o arrogante Crassus, e Charles Laughton dá um show de interpretação como o pragmático senador da república Gracchus.

A TRILHA SONORA ficou a encargo de Alex North, que também era versado em compor músicas para filmes de época (Cleópatra, Crepúsculo de uma Raça, Agonia e Êxtase). North, que morreu em 1991, foi contratado por Kirk Douglas para escrever a trilha sonora de Spartacus. “O que eu tentei fazer no filme foi capturar o sentimento da Roma pré-cristã, usando técnicas musicais contemporâneas. Isso pode parecer estranho, mas há uma boa razão. A Luta pela liberdade e dignidade humana, o tema de Spartacus, é pertinente no mundo de hoje”- declarou North, em uma entrevista pouco depois do lançamento do filme em 1960.


Tudo parecia estar em ordem, mas até chegar ao seu molde definitivo, a produção sofreu sérias alterações. Além da mudança de direção, o roteiro teve que sofrer algumas mudanças. Uma série de cenas tiveram que ser reescritas por Peter Ustinov, pois Charles Laughton (foto) havia rejeitado o script original.


Draba- personagem interpretado por Woody Strode (1914-1994), por sinal um excelente ator negro que além de filmes para o cinema, também fez vários trabalhos competentes na TV- é morto na arena depois de atacar Crassus, que assistia ao combate entre ele e Spartacus. Seu corpo está pendurado de cabeça para baixo para que seja visto pelos demais gladiadores como um aviso para que não ousem enfrentar Roma. Originalmente, seria colocado um boneco que serviria como réplica de Strode, mas quando viram que o efeito não foi satisfatório, ele mesmo ficou pendurado de cabeça para baixo, e cordas amarradas nos tornozelos, tudo sem dublê. Como os gladiadores lentamente desfilam para ver seu corpo balançar, Strode não se mexe ou se contraí. De acordo com o filho do finado ator, Kalai Strode, a réplica não utilizada ficou pendurada na entrada de uma das salas da Universal Studios durante vários anos.


A Versão original da película incluía uma cena em que Crassus (Laurence Olivier) tenta seduzir Antoninus (o já saudoso Tony Curtis) quando este lhe banha. Mas, evidentemente e como se poderia mesmo esperar, o Código de produção (muito embora o Código Hays- vide artigo sobre o assunto em http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/2010/06/o-codigo-hays.html -já demonstrasse certa fragilidade) e a Liga da Decência se opuseram. Em um ponto os censores sugeriram que seria bom se a referência na cena de uma preferência por "ostras e caracóis" fosse alterado para "trufas e alcachofras". A cena foi cortada para o primeiro lançamento em 1960, sendo recuperada e adicionada na versão restaurada em 1991, com 13 minutos a mais. No entanto, o som tinha sido perdido com o tempo e o diálogo tinha de ser dublado. Tony Curtis foi capaz de refazer o seu papel, mas Olivier tinha morrido em 1989. Logo, Anthony Hopkins foi escolhido para ocupar o papel de Olivier na dublagem.


Dos 167 dias que Stanley Kubrick rodou para filmar este grandioso épico, seis semanas foram gastas para dirigir uma seqüência elaborada da batalha em que 8.500 figurantes recriaram o confronto entre as tropas romanas e o exército de escravos de Spartacus. Várias cenas da batalha provocou a ira da Legião da Decência, e tiveram de ser cortadas (se perderam, não foram encontradas para a restauração de 1991). Estes incluem cenas de homens sendo desmembrados (anões com torsos falso e um ator com apenas um braço)
Enfim, os cinéfilos de todo mundo devem festejar o cinqüentenário de uma das grandes relíquias da Sétima Arte, que apesar de todas as suas dificuldades na produção, se tornou um marco na cinematografia mundial. Parabéns, e vida longa a Spartacus!!!!



Produção e pesquisa de Paulo Telles