sábado, 17 de fevereiro de 2018

Editor do Blog “Filmes Antigos Club” Transmitirá o Programa “Cine Vintage” pela Rádio Vintage Na Web.



Aos amigos, leitores, e seguidores do presente espaço FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA. Eu, Paulo Telles, editor deste blog, tenho a imensa satisfação de comunicar que estarei comandando a partir deste domingo, 18 de fevereiro de 2018, um programa na WEB RÁDIO VINTAGE (http://webradiovintage.com/), o CINE VINTAGE, que divulgará as maiores trilhas sonoras da história da Sétima Arte e seus inesquecíveis temas, com os imortais compositores que deram seus talentos na música para dar vida as grandes produções do cinema.  

Locutor e apresentador Sérgio Cortêz, proprietário da Web Rádio Vintage, acessado em http://webradiovintage.com/
Tudo isto é possível graças ao convite feito no fim do ano passado por um amigo e colega da ESCOLA DE RÁDIO DO RIO DE JANEIRO (dirigida Mestre Ruy Jobim), Sérgio Cortêz, com quem tive prazer de conhecê-lo durante um curso sobre Web-Rádio administrado por outro grande comunicador da rádio carioca, Carlos Mayrink.  Cortêz é o fundador da “Web Rádio Vintage” e locutor também formado (como eu) pela “Escola de Rádio” do Mestre Ruy. Quem acessar neste instante a “Web Rádio Vintage”, vai se deparar com grandes sucessos do passado, desde as décadas de 1950 e caminhando até os anos de 1990 ou 2000, sempre com músicas de qualidade selecionadas com todo primor e esmero por Cortêz e sua equipe. O editor do blog “Filmes Antigos Club” garante e testifica que o ouvinte vai resgatar grandes emoções vividas e sentidas ao longo da programação através desta nova emissora de rádio pela internet.


Site da Web  Rádio Vintage: http://webradiovintage.com/

A ideia de criar a “Web Rádio Vintage” partiu de duas premissas para Cortêz: Uma era pelo seu idealizador se sentir mal com a qualidade da música atual, achando melhor lançar uma rádio que pudesse dar prioridade aos grandes clássicos da música e seus inesquecíveis cantores e compositores. E depois, como dizia o saudoso Tim Maia, o excesso de “meias cuecas” na programação das emissoras abertas.  A “Web Rádio Vintage” toca “músicas lentas”, mas prioriza canções mais animadas - por essa razão há tanto dos gêneros Disco e Rock espalhados na sua programação.


Beco da Poesia: outro espaço de Sérgio Cortêz, dedicado a poemas e escritos diversos, acessado em http://thaistaranto.blogspot.com.br/


Sérgio Cortêz também é escritor, poeta, e compositor, e além de administrar a “Web Rádio Vintage” (juntamente com sua esposa, Thais Taranto, que é responsável pela arte gráfica da página), ele também tem um blog de poemas e contos, BECO DA POESIA, que pode ser acessado em http://thaistaranto.blogspot.com.br/, merecendo toda a atenção dos leitores, sobretudo para aqueles que amam e curtem escritos poéticos e literatura.

Os maiores compositores do cinema você encontra no Cine Vintage, pela Web Rádio.

Sobre o
Cine Vintage, que já faz parte da programação de Domingo pela “Web Rádio Vintage”, estarei comandando este evento que irá ao ar sempre aos Domingos, a partir das 22 horas, levando para os seus ouvintes trilhas sonoras e temas de grandes filmes que compuseram a história do cinema.  Certamente participarão grandes nomes dos soundtracks, como Ennio Morricone, Elmer Bernstein, Maurice Jarre, Jerry Goldsmith, Nino Rota, Alfred Newman, Victor Young, Miklos Rozsa, e muitos mais! Ao longo da semana, o Cine Vintage terá duas reprises: as Quintas, às 22 horas, e aos Sábados, às 19 horas.


Então, preparem suas pipocas!!! Aguardarei vocês na nova sala de cinema da web rádio, relembrando grandes nomes da música para o cinema e tocando temas inesquecíveis, sempre é claro, com breves comentários. O banner da “Web Rádio Vintage” esta localizado na ala direita deste espaço, e para conhecer mais a sua programação (de qualidade!!!), basta clicar na imagem que abrirá diretamente uma janela para a emissora. Como foi dito anteriormente, o Cine Vintage não seria possível se não fosse o convite do amigo Sérgio Cortêz, que merece nossos sinceros aplausos por levar uma alternativa ao público de entretenimento e qualidade pelas redes virtuais. E meus sinceros agradecimentos por fazer parte do cast desta Web Rádio que tem tudo para florescer e fazer sucesso.Obrigado e espero todos no CINE VINTAGE.


Para acompanhar o programa, acesse na Web Radio Vintage pelo link:



Paulo Telles
Editor do Blog 
FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA
Apresentador do Programa da Web Rádio 
CINE VINTAGE
DRT 21959/RJ

domingo, 4 de fevereiro de 2018

Farrapo Humano (1945): Billy Wilder Leva Ray Milland à “Bebedeira” e ao Oscar.


FARRAPO HUMANO (The Lost Weekend), produzido em 1945 e dirigido por Billy Wilder (1906-2002) tinha tudo para fracassar na época de sua realização por conta de um tema polêmico, o vício do álcool. Não era uma temática que o público de outrora tinha interesse ou, pelo menos, queria evitar maiores escândalos. Entretanto, o cineasta Wilder, um gênio bem a frente de seu tempo, ousou assim mesmo levar as telas o deprimente romance de Charles Jackson (1903-1968), sobre um escritor alcoólatra em processo de autodestruição.  Entretanto, não foi fácil o diretor levar a cabo uma de suas grandes realizações. 

O Cineasta Billy Wilder
O Roteirista Charles Brackett, colaborador de Billy Wilder.
O Romance de Charles Jackson no qual baseou o filme.
Viajando para Nova York onde comprou os direitos do livro de Jackson, Wilder se deparou de frente com Frank Freeman, que era chefe de produção da Paramount, estúdio que produziria e faria sua distribuição. Freeman não concordou em nenhum momento em levar o romance para o cinema, mas graças a Barney Balaban, que era presidente da companhia em Nova York, este aprovou o projeto e Wilder pôde levar adiante as filmagens daquele que seria uma de suas gloriosas obras primas de sucesso. 

Billy Wilder dirigindo Ray Milland e Doris Dowling
Ray Milland em sua atuação mais marcante:
FARRAPO HUMANO (1945)
Não fazia muito tempo, Wilder havia testemunhado, sentido e sobrevivido ao alcoolismo de Raymond Chandler, com quem trabalhou no roteiro de Pacto de Sangue (Double Indemnity, 1944). Charles Brackett (1892-1969), parceiro fixo do cineasta e que faria o script para Farrapo Humano, teve uma experiência ainda mais dolorosa: sua esposa e filha eram alcóolatras. A filha morreu ao cair de uma escada, embriagada. Em realidade, o sério e centrado Brackett parecia atrair os literatos alcóolatras de Hollywood. Tinha cuidado de Scott Fitzgerald em muitas de suas várias bebedeiras, e ainda cuidou de Bob Benchley, Dorothy Parker, e Dashiell Hammett.

Ray Milland como Don Birman, escritor arruinado que se submete ao vício do álcool... 
...que tem o apoio do irmão Wick (Phillip Terry) e da namorada Helen (Jane Wyman) para ser livrar da dipsomania.
O assunto era descaradamente cruel e não havia modo de tratar o assunto de forma sutil. Wilder se consagrou ao realizar uma obra em estilo cruel e cínico, opressiva e exasperante, ao retratar a decadência de um escritor falido, Don Birman (Ray Milland, 1905-1986), que caminha nas ruas de uma Nova York deserta aos finais de semana, sem rumo e sem trégua, trajeto que o leva dos bares para os hospitais, e daí a um possível suicídio. Longe por algumas horas da vigilância do irmão Wick (Phillip Terry, 1909-1993), e da namorada Helen St. James (Jane Wyman, 1917-2007), mas também sem dinheiro para comprar bebida, Birman entrega-se a uma busca mais desesperada que acaba por envolver o próprio espectador numa atmosfera de crescente e insuportável dramaticidade.

Como meio de obter bebida, Birman chega ao cúmulo de penhorar sua ferramenta de trabalho...
... e sair em busca de alguma loja de penhores.
Milland durante as filmagens em plena Terceira Avenida, em Nova York, num dia de domingo.

Rodado em locações de Nova York, FARRAPO HUMANO é uma obra noir sem contextos criminais. A atmosfera muitas vezes sinistra da ambientação ao qual o personagem central muitas vezes frequenta realça o clima de decadência a que é submetido. O bar de Nat (Howard da Silva, 1909-1986), que em alguns momentos procura ser paternal com Birman, é frequentado por vários tipos, desde os mais “sociais” até escórias. O elevado da Terceira Avenida, pavor e pesadelo dos doentes da ala psiquiátrica do Hospital  Belleuve, não foi ignorado na trama. 

O Barman Nat (Howard Da Silva), que entende o problema de Birman e as vezes o aconselha a largar o vício.
Doris Dowling é Glória, frequentadora do bar de Nat e de queda por Birman.
Uma cena marcante tem Ray Milland, com barba por fazer, caminhando pela Terceira Avenida tentando penhorar sua máquina de escrever, sem notar que todas as lojas de penhor estão fechadas devido a um feriado (e com Milland realmente se arrastando da famosa Rua 55 até a 110, enquanto a câmera de Wilder o seguia, escondida dentro de um caminhão de padaria. A cena foi filmada num domingo).  Mas é a sequencia de Birman gritando no terror de um delirium tremens, enquanto que um morcego imaginário perseguia uma mosca imaginária na escuridão do apartamento que recebeu maior impacto em FARRAPO HUMANO.  

O Deliriun Tremens de Birman
Helen tenta ajudar o namorado Birman...
... que não consegue largar o vício.
A estreia de FARRAPO HUMANO em Santa Bárbara, Califórnia, foi recebida com risinhos, gargalhadas, e cartões dizendo que o filme era repugnante. O pessimista Frank Freeman, que desde o início não aprovou de levar o livro de Charles Jackson às telas, parecia triunfante e chegou a declarar que deveriam arquivar, abandonar, e “matar” o filme de Wilder. Houve até um boato de que o gangster Frank Costello, representando a indústria de bebidas, pagaria a Paramount a soma de 3 milhões de dólares para destruir o negativo. Mas nenhum apelo contra a obra de Billy Wilder fez efeito, ao contrário. Seis meses depois, Barney Balaban, ardoroso defensor do cineasta, chegou à conclusão de que fazer filmes para depois arquiva-los seria um desperdício, então ordenou a distribuição de FARRAPO HUMANO no outono de 1945, obtendo imediatamente críticas positivas e uma surpreendente acolhida do público.


Mesmo internado em um hospício, Birman não consegue ter paz com Nolan (Frank Finlay), um enfermeiro que mais o prejudica do que ajuda.
A devotada Helen St. James (Jane Wyman) não desiste de Birman e ainda tem esperanças de reabilitar o namorado.
FARRAPO HUMANO conquistou quatro Oscars: Melhor filme de 1945, Melhor Diretor (Billy Wilder), Melhor Roteiro (Charles Brackett), e Melhor Ator (Ray Milland). Milland recebeu merecidamente o prêmio, sua interpretação sustentou todo o filme. O primeiro convidado para fazer o papel foi Jose Ferrer, que não pôde aceitar a parte de Don Birman devido a um contrato com a Broadway. A escolha de Ray Milland para o papel foi considerada ousada, pois o público estava acostumado em vê-lo como galã em comédias leves. Mas Wilder e Brackett já vinham trabalhando com ele, e sabiam de suas grandes possibilidades. Durante algum tempo, o ator estudou o comportamento de bêbados em bares e nas ruas. Entretanto, ganhar a estatueta de Melhor Ator lhe rendeu, durante muitos anos, ser vítima de piadas e brincadeiras sobre alcoólatras. 

Ray Milland e seu Oscar de Melhor Ator de 1945 por FARRAPO HUMANO.
O filme de Wilder, em grande cartaz nos Estados Unidos.
Certamente, FARRAPO HUMANO é o maior impacto que o cinema teve na abordagem na dipsomania, ou da degradação humana que o diretor Billy Wilder voltaria a tratar em Crepúsculo dos Deuses (1950) e A Montanha dos Sete Abutres (1951). O Score musical é do húngaro Miklos Rozsa (1907-1995). FARRAPO HUMANO chegou às salas de cinema do Rio de Janeiro em agosto de 1946.

Miklos Rozsa escreveu a trilha para
FARRAPO HUMANO (1945)
A Obra de Billy Wilder chegou as nossas salas cariocas em agosto de 1946.
FICHA TECNICA
FARRAPO HUMANO
(THE LOST WEEKEND)

País- Estados Unidos
Ano de Produção – 1945
Gênero – Drama
Direção – Billy Wilder
Produção – Charles Brackett, em produção e distribuição da Paramount Pictures.
Roteiro – Charles Brackett e Billy Wilder, baseado no romance de Charles Jackson
Fotografia - John F. Seitz, em Preto & Branco
Música – Miklos Rozsa
Metragem – 101 minutos

ELENCO PRINCIPAL

Ray Milland – Don Birman
Jane Wyman – Helen St. James
Phillip Terry – Wick Birman
Howard Da Silva – Nat, o Barman
Doris Dowlling – Gloria
Frank Faylen – Bim Nolan
Mary Young – Senhora Deveridge
Anita Sharp-Bolster – Senhora Foley
Lilian Fontaine – Senhora St. James
Frank Orth – Atendente do teatro de ópera
Lewis Russell – Senhor St. James

Produção e Pesquisa de

PAULO TELLES

domingo, 21 de janeiro de 2018

A Revolta dos Escravos (1960): Rhonda Fleming Em Uma Versão Peplum da Obra Literária do Cardeal Nicholas Wiseman.


Em 1854, o Cardeal inglês Nicholas Wiseman (1802-1865) lançou seu romance Fabíola (também conhecido como A Igreja das Catacumbas) onde trata sobre a perseguição à igreja cristã primitiva e aos seus mártires, na visão de uma jovem e culta aristocrata romana. O livro foi adaptado três vezes para as telas de cinema. Em 1918, na Itália, com direção de Enrico Guazzoni, e na França em 1949 no auge do expressionismo, com direção de Alessandro Blasetti e estrelado por Michèle Morgan e Henri Vidal. 

Cardeal Nicholas Wiseman, autor do romance Fabíola, também intitulado A Igreja das Catacumbas, publicado em 1854.
A REVOLTA DOS ESCRAVOS (1960), adaptação peplum do romance do Cardeal Wiseman.
A REVOLTA DOS ESCRAVOS (La Rivolta Degli Schiavi), com direção de Nunzio Malasomma (1894-1974) foi a terceira adaptação do romance de Wiseman. Com roteiro de Stefano Strucchi, Duccio Tessari (1926-1994) e Daniel Mainwaring (1902-1977), que fez os diálogos em inglês, ainda fica distante de se considerar uma obra prima, onde oferece mais divertimento e expansão de músculos do que simplesmente apresentar uma história de cunho religioso, tal como procede tanto no livro como nas duas adaptações anteriores para o cinema. E também pudera, pois em 1960, época de sua produção, o cinema italiano introduziu o chamado cinema peplum, ou como aqui chamamos no Brasil de produção Espadas & Sandálias.

Rhonda Fleming, estrela de Hollywood, estrelando um épico Peplum. Ela interpreta Cláudia, uma dama da aristocracia romana, que vai se apaixonar por...
...Víbio, seu escravo, vivido por Lang Jeffries, que se tornaria marido de Rhonda Fleming na vida real.
Nessa época, o modismo dos filmes Espadas & Sandálias invadiam os cinemas pelo mundo. Eram produções com aventuras épicas geralmente baseadas em temas mitológicos ou bíblicos passados na Antiguidade, com heróis de força suprema, cujos intérpretes em sua grande maioria eram fisiculturistas norte-americanos, como Steve Reeves, Mark Forest, Gordon Scott, Gordon Mitchell, Reg Park, Ed Fury, Richard Harrison, e Dan Vadis. O cineasta Malasomma não buscou nenhum fortão para ser sua estrela, mas sim uma diva de Hollywood, a estonteante Rhonda Fleming, que desembarcou na Itália junto com quem seria seu terceiro marido, o inexpressivo Lang Jeffries (1930-1987), que seria seu galã na trama. 



Um dos personagens centrais é São Sebastião, vivido pelo italiano Ettore Manni. Sebastião é Oficial da Guarda Imperial e amigo de Cláudia, e junto com Agnes (Wandisa Guida), ele auxilia os cristãos oprimidos. 
Mas A REVOLTA DOS ESCRAVOS, salvo algumas situações, foge completamente da história original. No romance não existe o personagem Víbio, interesse amoroso da heroína (como também não existe o gladiador heróico na adaptação de Alessandro Blasetti em 1949). O cardeal Wiseman apresenta Fabíola como uma mulher independente e sem relacionamentos amorosos, culta e arrogante, uma dama que se apraz com festejos palacianos e que anda em alto estilo na sociedade de Roma. Contudo, aos poucos, ela vai cedendo seu espírito e compreendendo a fé cristã, principalmente quando um de seus amigos mais queridos, o Tribuno Sebastião, chefe da guarda pessoal do imperador Maximiniano, é morto por conta de suas convicções cristãs. 

O Tribuno Sebastião (Ettore Manni) apesar de participar das badalações sociais dos aristocratas, não esquece seu dever de ajudar os irmãos na fé. Ele tem o apoio...
...da amiga Agnes (Wandisa Guida), mulher rica e prima de Cláudia.
Cláudius (Gino Cervi) enfrenta o Imperador Maximiniano (Dario Moreno).
Até o nome da personagem central na versão de Malasomma é alterado, de Fabíola para Cláudia. Mas o diretor não tinha nenhuma preocupação em realizar um trabalho profundo, mas de rotina, embarcando no modismo dos Peplums.  A história passa-se na Roma do terceiro século da Era Cristã, durante o império de Maximiniano (Dario Moreno, 1921-1968). A perseguição aos cristãos se alastra na grande metrópole e a segurança pessoal do imperador já não era o suficiente para se proteger de ataques e traições. Era ainda preciso confiar em soldados que vinham da África para garantir a proteção do imperador, onde se destaca Iface (Vanoye Aikens, 1922-2013), que acompanha Maximiniano sempre em sua rotina no palácio.

Corvino (Serge Gainsbough), Chefe da Polícia do Imperador, é detido pelo gigante Cátulo (Burt Nelson) durante tentativa de espionagem.
Enquanto Sebastião dribla os homens de Corvino...
...Víbio lidera a Revolta dos Escravos.
Cláudia (Rhonda Fleming), dama da sociedade romana de caráter fútil, filha de Cláudius (Gino Cervi, 1901-1974), um dos mais poderosos homens de Roma, ganha do pai um escravo como presente de aniversário, Víbio (Lang Jeffries). Ela intenciona transformar o escravo em gladiador para se divertir com ele, mas Víbio não cede aos caprichos de sua dama, que manda açoita-lo. Contudo, o escravo é salvo por Sebastião (Ettore Manni, 1927-1979), respeitado comandante da Guarda Pretoriana e amigo de Cláudia, e pela prima desta, Agnes (Wandisa Guida). Ambos ocultamente cristãos resolvem ajudar o escravo sem conhecimento de Cláudia.



Os métodos bárbaros de Corvino (Serge Gainsbough) para torturar cristãos ou qualquer outro que atravesse seu caminho.
Quando o cerco aos cristãos se aperta por obra de Valério (Fernando Rey, 1917-1994) e do chefe da polícia secreta, Corvino (Serge Gainsbough, 1928-1991), Agnes e Sebastião são presos. Cláudia, com intenção de salvar a prima, acompanha Víbio, que pretende resgatar os cristãos liderando uma revolta de escravos, juntamente com seu parceiro de luta Cátulo (Burt Nelson, 1932-1998), um gladiador  de forte temperamento que também segue o cristianismo. Mas Víbio e sua dama acabam nas masmorras. Durante os acontecimentos, o pai de Cláudia é assassinado por conspiração de Maximiniano e Corvino. Quando conseguem fugir do ergástulo, Víbio e Cláudia passam a liderar uma rebelião contra Maxminiano e seu império. 


O martírio de São Sebastião em A REVOLTA DOS ESCRAVOS (1960).
Este foi o dia de um Império Ameaçador.
Aos poucos, Cláudia vai compreendo o significado da fé cristão junto com Víbio, que agora nutrem sentimento de amor um pelo outro. Como último recurso para salvar sua prima Agnes e seu amigo Sebastião, Cláudia tenta interceder junto a Maximiniano para que poupe a vida dos dois, mas em vão. Sebastião é levado a um bosque para ser flechado pelos arqueiros de Iface, enquanto Agnes é morta no Coliseu. Víbio e seus homens irrompem com violência contra todos os homens de Corvino, sem se preocupar em não dar a outra face.

Cláudia colabora com os cristãos e enfrenta Corvino e Iface (Vanoye Aikens)
Cláudia e Vibio nutrem uma intensa paixão.
E não dar a outra face parece o mérito maior de A Revolta dos Escravos, que foge da espiritualidade dando lugar para uma aventura exuberante de músculos, suor, e sangue. Os “escravos” do título original são cristãos de força e luta que mesmo desobedecendo a lei de amor ao próximo e amor ao inimigo conforme os princípios básicos da fé cristã, estão unidos para salvar uns aos outros. Mas como é cinema, os produtores resolveram levar um enredo aventuresco, justificando a ação e ignorando ao máximo o romance de Wiseman, que segue em seu original a história do sacrifício dos mártires cristãos. Mesmo com a gratuidade da violência, A REVOLTA DOS ESCRAVOS nos fornece alguns momentos de reflexão, principalmente através dos personagens Agnes e Sebastião (São Sebastião e Santa Agnes ou Inês, canonizados pela Igreja Católica e celebrados em liturgia respectivamente nos dias 20 e 21 de janeiro). 


Ettore Manni esta muito bem como São Sebastião, valente e destemido tal como se imagina de um militar romano em defesa dos oprimidos da fé. Rhonda Fleming uma radiosa patrícia romana. Lang Jeffies, um ator inexpressivo, não convence como um herói a liderar uma rebelião. Dario Moreno, um ator mais voltado para comédias cha cha cha, faz um Maximiniano que estereotipa os imperadores da Roma Antiga, afetado que se coça e arranha o tempo todo. E Serge Gainsbough emoldura a máscara sádica e meio efeminada de um Corvino que foi intrigante na corte do imperador.

Cláudia é encarcerada junto com sua serva Liubaia (Dolores Francine)

Víbio depara-se com o corpo de Agnes e dos demais cristãos mortos no Coliseu.
A Revolta dos Escravos faz parte de um time de filmes que não tem qualquer compromisso com a História ou com o livro do qual saiu sua adaptação. Um espetáculo onde a grandiosidade e o uso da força bruta são seus méritos maiores. Apesar das falhas, é valorizada pela presença e beleza de Rhonda Fleming, e pela trilha musical de Angelo Francesco Lavagnino (1909-1987), mestre italiano que se inspirou em missas para fazer suas composições. No Brasil, A Revolta dos Escravos chegou às salas cariocas em novembro de 1961.  

Divulgação do filme nas salas de cinema do Rio de Janeiro pelos jornais em fins de 1961.

Ficha TECNICA

A REVOLTA DOS ESCRAVOS
(La Rivolta Degli Schiavi)
PAÍS - ITÁLIA
ANO – 1960
GÊNERO – ÉPICO/AVENTURA/RELIGIÃO
DIREÇÃO: NUNZIO MALASOMMA
ROTEIRO: STEFANO STRUCCHI, DUCCIO TESSARI, E DANIEL MAINSWARING, COM BASE NO ROMANCE “FABÍOLA” DE NICHOLAS WISEMAN.
PRODUÇÃO: PAOLA MOFFA, EM DISTRIBUIÇÃO PELA UNITED ARTIST
FOTOGRAFIA: CECILIO PANIAGUA, EM CORES
MÚSICA – ANGELO FRANCESCO LAVAGNINO
METRAGEM – 98 MINUTOS

ELENCO
RHONDA FLEMING – CLÁUDIA
LANG JEFFRIES – VÍBIO
GINO CERVI – CLÁUDIOS
DARIO MORENO – IMPERADOR MAXIMINIANO
ETTORE MANNI – SÃO SEBASTIÃO
WANDISA GUIDA – SANTA AGNES
FERNANDO REY – VALÉRIO
SERGE GAINSBOUGH – CORVINO
JOSE NIETO – SEXTO
BRENNO HOFFMAN – PRETORIANO
ANTONIO CASAS – TORTULIO
JULIO PENA – TORQUATO
RAFAEL RIVELLES – BISPO RUTILIO
VANOYENS AIKENS – IFAGE
DOLORES FRANCINE – LIUBAIA
BURT NELSON -  CÁTULO

Produção e pesquisa de 
PAULO TELLES