domingo, 28 de agosto de 2016

Ben-Hur: A Saga Imortal Através dos Tempos – Parte 2


Continuando a matéria sobre BEN-HUR onde já foi abordada sobre a origem do romance publicado em 1880 e escrito pelo General Lewis Wallace (1827-1905), militar e político americano, herói da União durante a Guerra Civil Americana (1861-1865), como também sobre as três versões cinematográficas (1907, 1926, e 1959), sendo que a mais popular é a dirigida por William Wyler e estrelada por Charlton Heston, insuperável em prêmios da Academia (11 Oscars), inesgotável em arte e estilo.

Agora em vista da nova versão que já chegou aos cinemas, sob direção do russo Timur Bekmambetov e  estrelada por Jack Huston no papel principal, Morgan Freeman como Ilderin, e o brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo, daremos prosseguimento a matéria contando sobre outras homenagens que a superprodução de Wyler recebeu ao redor do mundo e a essência do filme de 1959. Também será falado de versões do romance de Wallace em desenho animado, sendo que em uma delas o veterano Charlton Heston, então com 80 anos, emprestou sua voz para dublar o personagem. A versão televisiva de 2010 e comentários do editor sobre a nova versão também serão consideradas.

Fiquem agora com a segunda parte de BEN-HUR: A SAGA IMORTAL ATRAVÉS DOS TEMPOS.

Boa Leitura!
Por PAULO TELLES

A primeira Parte se encontra neste link: 



I –A ESSÊNCIA DE BEN-HUR DE 1959

Indelevelmente, de todos os superespetáculos épicos-religiosos que já assistimos – tais como Quo Vadis (1951), O Manto Sagrado (1953), e Os Dez Mandamentos (1956), todos estes espetaculares – inquestionavelmente Ben-Hur dirigido por William Wyler (1902-1981) talvez seja o Rei de todos os shows cinematográficos das grandes superproduções do cinema pós-moderno.  As mais devidas honras promovidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas a lhe conferir testifica a qualidade de obra prima da Sétima Arte.

Charlton Heston e William Wyler durante as filmagens.
Podem existir poucas pessoas no mundo que não apreciam o filme, entretanto, não há como negar que a fita de Wyler (um dos maiores artesãos que o cinema já possuiu, embora não gostasse de ser rotulado como um “autor”, segundo a crítica francesa) possui esplêndidas qualidades artesanais e que acabou constituindo num bom espetáculo de entretenimento popular, onde no Brasil (assim como pelo restante do mundo) ficou em cartaz por mais de 20 anos nas salas de cinema sempre em reprises constantes, especialmente durante os períodos de Semana Santa ou Natal. 

Stephen Boyd, Charlton Heston, Haya Harareet, e Ramon Novarro
(o "Ben-Hur" de 1926) - Na noite da premiere de BEN-HUR em 1959.
Ben-Hur é pictoricamente espetacular, graças à primorosa fotografia colorida de Robert Surtess (1906-1985), bastante valorizada pela câmera 65mm, além da cuidadosa e brilhante reconstituição de época de fastígio romano e dos primeiros anos do Cristianismo. Riqueza e pobreza, simplicidade e sofisticação, combinam-se para dar ao espetáculo uma impressão realística da Roma Antiga, garbosa e conquistadora, e da Judeia oprimida e conquistada.  E isso tudo acompanhado da marcante trilha sonora do incomparável Miklos Rozsa (1907-1995), que por sua composição para o filme acabou arrebatando o Oscar de melhor compositor de 1959. Rozsa se tornou um ás das composições cinematográficas para o gênero épico, pois já havia feito trilhas para os filmes Quo Vadis (1951), Ivanhoé, o Vingador do Rei (1952), e Os Cavaleiros da Távola Redonda (1953), e depois de sua premiação por Ben-Hur (o mesmo compositor já havia ganhado o mesmo prêmio pela composição para o filme Quando Fala o Coração em 1946), ainda comporia para El-Cid (1961) e Rei dos Reis (1961). 


Ben-Hur com sua amada romana Flávia (vivida pela italiana
Marina Berti). Um breve relacionamento em Roma, não
muito explorado na obra de Wyler.
Charlton Heston, Stephen Boyd, e Terence Longdon, numa cena
de BEN-HUR, 1959.
Ben-Hur preso as galés.
Sobre Ben-Hur de 1959, trata-se de um épico grandioso e espetacular sobre a agitada e emocionante vida de um príncipe hebreu que, devido a inesperadas circunstâncias, se torna escravo, nobre romano, e é aclamado como herói das corridas de quadrigas,  e cujo destino se cruza, por mais de uma vez, com o de Jesus Cristo. William Wyler, dispondo de um orçamento fantástico, assinou um filme admirável, pela sua dimensão aventureira, romântica, religiosa, mística e heroica, que continua até hoje, passados quase 60 anos de seu lançamento, impressionar pela sua grandiosidade espetacular e pela sua comovente dimensão humana. 

Maria e José chegando a Belém para o Censo de Augusto,
e o nascimento do Redentor.
O Poder e a Glória de Roma.
O Ano do Senhor. É onde começa a história.
Entretanto, em sua essência, é muito mais do que um superespetáculo em sua grandeza épica de cenários, figurinos, e atores inesquecíveis, que fez arrastar multidões aos cinemas de todo mundo. É também um filme cuja história retrata a trajetória de um judeu que vive um conflito entre sua fé, seu patriotismo, nutrido posteriormente pelo desejo de vingança, e por fim ao amor e redenção.

OS TRÊS REIS MAGOS de BEN-HUR de 1959: Finlay Currie
(Balthazar), Richard Hale (Gaspar) e Reginald Lal Sing (Melchior)
Ben-Hur recebido em Roma.
Messala (Stephen Boyd) cruel com Tirzah (Cathy O' Donnell) e
Miriam (Martha Scott).
Sem dúvida, Charlton Heston dá vida ao personagem, em uma atuação segura, viril, e sólida, ao contrário do “quase menino” feito por Ramon Novarro na versão muda de 1926 dirigida por Fred Niblo. O Ben-Hur de Wyler já é um homem formado e bem feito como príncipe e homem de negócios em Jerusalém, mas de índole pacífica, que não esperaria jamais uma traição vinda de um amigo que o tem como um irmão. Stephen Boyd (1931-1977) também esta soberbo como o infame Messala, onde este ator irlandês conseguiu também atingir seu sucesso. 

Charlton Heston como Judah Ben-Hur.
Ben-Hur enfrentando nas pistas seu maior inimigo.
A essência do filme de 1959 não esta apenas na religiosidade e nos conflitos do personagem principal. A grande sequencia da Corrida de Quadrigas, anunciado pelo Departamento da MGM como o Climax Máximus da História do Cinema, foi essencial para o sucesso deste clássico, uma cena que dura apenas quinze minutos nas telas e que propriamente a corrida dita foi filmada em nove meses.  Do momento inicial das fanfarras até que o herói vence e é coroado pelos louros, a sequencia é empolgante e superlativa, seja pela beleza da sua composição plástica, seja pelo emprego admirável da câmera. Aplausos para Andrew Marton (1904-1992) e Yakima Canutt (1895-1986) que foram responsáveis pelo soberbo espetáculo, juntamente com o diretor William Wyler (embora não tenha dirigido esta cena marcante das corridas por determinação sua no contrato, já que o cineasta supervisionou a mesma sequencia na versão de 1926). 

Ben-Hur encontra Jesus de Nazaré.
Wyler realizou muito mais do que um filme ganhador de prêmios, ou um espetáculo grandioso ou visualmente bonito. Ele conseguiu realizar uma obra prima sobre as atitudes humanas através da fé ou do ódio, sendo assim uma poderosa essência de como uma obra cinematográfica pode levar um espectador a seus questionamentos ou reflexões. E não foi a toa, pois em 1995, durante as celebrações do Centenário do Cinema, Ben-Hur figurou numa lista de 45 filmes na categoria de Religião promovida pelo Vaticano, juntamente ao lado de obras culturais como O Evangelho Segundo São Mateus (1964), de Pier Paolo Pasolini, Nazarin (1959), de Luis Buñuel, e A Paixão de Joana D’Arc (1928), de Carl Dreyer. Afinal, trata-se de um filme capaz de subverter alguns dos preceitos mais fulcrais de todos os gêneros nos quais se insere, injetando ação em uma história religiosa e arrependimento em uma trama de vingança. No percurso, Ben-Hur transforma-se na obra cristã por excelência, pois indo além da encenação de um relato evangélico, busca traduzir fielmente a noção da misericórdia.


Uma das cenas mais memoráveis do clássico de 1959.
II –O CRISTO SEM FACE DE WYLER

Realmente tocante em sua essência é como o cineasta William Wyler apresentou Cristo do nascimento até sua crucificação, sendo que Jesus é um personagem incidental na trama, mas sua presença é marcante quando ela aparece. Entretanto, sua face nunca é mostrada.

Ben-Hur amparando Jesus durante sua caminhada ao Golghota.
A PAIXÃO DE CRISTO segundo William Wyler em BEN-HUR (1959)
A escolha de não mostrar o rosto de Jesus partiu de Wyler, como uma demonstração de respeito ao autor do romance que deu origem ao seu filme, Lewis Wallace (1827-1905). Considerava essa uma forma de referenciar a crença na divindade de Cristo. Nesse contexto, dar-lhe um rosto seria necessariamente torná-lo mundano segundo sua concepção. Entretanto, este pensamento não vinha só de Wyler. Muitos cineastas de sua época não ousavam mostrar uma face para Jesus se ele não fosse um personagem central, tal como ocorreu nas obras religiosas Quo Vadis (1951) e O Manto Sagrado (1953).

Charlton Heston e Jeffrey Hunter (que foi "Cristo" em REI DOS REIS,
de Nicholas Ray, em 1961) num evento em 1962. Ao fundo, o perfil da
Senhora Heston, Ligia Clarke.
Cecil B. DeMille ousou fazer isso quando lançou sua obra mais importante sobre a vida de Jesus, O Rei dos Reis, em 1927, ainda na fase silenciosa do cinema, com H. B Warner no papel de Cristo. Depois de muito tempo, em 1961, Jesus voltou a ser o centro das atenções para uma fita própria, e Nicholas Ray lançou Rei dos Reis, onde Jeffrey Hunter foi o primeiro ator do cinema contemporâneo a expressar o rosto de Jesus Cristo, com sua apolínea beleza e olhos azuis que fez ser consagrado por alguns críticos como o “mais belo Cristo do Cinema”.

A FACE DE JESUS segundo William Wyler que as câmeras
não focalizaram, o ator Claude Heater, intérprete de Jesus no
BEN-HUR de 1959.
Claude Heater, ator, cantor, e barítono.
No caso do filme Ben-Hur de 1959, cabe aqui destacar a atuação de Claude Heater, que personificou o “Cristo sem face” para William Wyler. Heater nasceu a 25 de outubro de 1927, em Oakland, Califórnia. Sua família era de Mórmons e foi missionário até 19 anos quando decidiu se dedicar a música. Quando serviu na Marinha Americana, entre 1945 e 1946, Heater entrou num curso para aperfeiçoar sua voz, já que manifestava desejo de ser cantor. 

Claude Heater - conceituado barítono e artista.
Adquirindo voz e dicção perfeitas, principalmente como tenor, Claude Heater estreou na Broadway em 1950, onde cantava e fazia até shows de malabarismos. A carreira de Heater em outros espetáculos teatrais e nas óperas chegou tanto ao ápice que recebeu convites para trabalhar na Europa. No final da década de 1950, Claude Heater já era um nome conhecido entre todos os envolvidos nas camadas teatrais dos Estados Unidos e era requisitado frequentemente pelos dramaturgos para algum papel em operetas importantes.

Teste de Claude Heater para o papel de Jesus em BEN-HUR (1959)
Em uma coluna da famosa Louella Parsons (1881-1972), fofoqueira de Hollywood, datado de 31 de julho de 1958, ela menciona Heater: "A difícil tarefa de lançar o papel de Jesus em “Ben-Hur” foi concluída em Roma e surgiu de uma forma incomum. Harry Henningson, o gerente de produção, foi para o concerto de uma jovem cantora americana em Roma e ouviu Claude Heater, cuja voz não é apenas magnífica, mas ele tem um rosto espiritual bonito. Henningson disse a William Wyler e Sam Zimbalist sobre o jovem Heater, e como resultado, fizeram com ele um teste e lhe deram o papel de Jesus. Agora aqui a parte mais estranha: Wyler e Zimbalist tiveram que ir a Europa encontrar esse menino que nasceu em Oakland, Califórnia".

O SERMÃO DA MONTANHA - Uma das cenas em que o rosto de Cristo
nunca é focalizado na versão de BEN-HUR (1959).
Como havia restrições no cinema americano em não exibir a imagem de Jesus ou mesmo mostrar sua voz, a menos que Cristo fosse um personagem central, houve algumas discussões em se fazer duas versões para o filme de 1959. Entretanto, nas primeiras rodagens com Claude Heater, William Wyler ficou satisfeito com o resultado de não mostrar o rosto do cantor e barítono para as plateias, embora fosse um homem muito bonito. 

O diretor William Wyler dando instruções a Claude Heater.
Wyler jamais mostra o rosto do Cristo de Heater, mas lhe dá sempre uma suavidade confortadora, chegando a atingir uma elevação comovente tanto nas sequencias do julgamento de Jesus por Pilatos (Frank Thring), o caminho para o calvário, e a agonia na cruz. 

Jesus é julgado por Pilatos (Frank Thring)
A morte de Jesus.
Após seu trabalho em Ben-Hur de 1959, Heater nunca mais voltou ao cinema, se dedicando sempre ao teatro e as óperas, aonde no ramo teatral chegou também a dirigir grandes espetáculos tanto nos Estados Unidos como pelo resto da Europa. Mas realizou um trabalho na TV belga em 1970, Tristão e Isolda, onde fez o papel de Tristão.

Claude Heater em TRISTÃO E ISOLDA, filme para a televisão
belga em 1970.
Em 2003, Claude Heater e o astro Charlton Heston se reencontraram
em Los Angeles para uma exibição especial do clássico de Wyler.
Em 2003, Claude Heater e Charlton Heston se reencontraram num evento nas dependências da Academia de Artes e Ciências de Los Angeles, para uma exibição especial de Ben-Hur de William Wyler, como os dois últimos astros sobreviventes até então deste grandioso épico.  Heater ainda vive e ainda se dedica a trabalhos no teatro como tenor, produtor, e diretor, e tem um site que ele mesmo administra: http://www.claudeheater.com/


Charlton Heston colhendo os louros em Cannes para a
exibição de BEN-HUR.

III – A GLÓRIA EM CANNES

A posição de Ben-Hur na História da Sétima Arte corresponde no setor material aquela que Cidadão Kane (de Orson Welles, 1941) representa no plano estritamente artístico. Se a obra de Welles reuniu todos os recursos de expressão até então utilizados por diversas escolas no campo visual e sonoro, se tornando o coroamento de sua época e o resumo final de uma fase de investigações estilísticas do cinema, Ben-Hur de William Wyler por sua vez marcou o ponto alto até então na exploração das possibilidades técnicas e materiais da Sétima Arte.

Charlton Heston, Stephen Boyd, e William Wyler.

O cineasta Wyler em ação.
Esta produção colossal reduz as dimensões liliputianas tudo que se fez até hoje em matéria de superespetáculos, mesmo com obras modernas como O Gladiador, de 2000. Afinal, foram dez anos de preparos, um ano para elaborar o roteiro e mais um ano consumido de filmagens. Cem mil figurantes (e tudo sem efeito de computador ou efeitos visuais modernos). Um equipamento elétrico capaz de iluminar uma cidade grande. 375.000 metros de rolo de película. 50 galeras de tamanho real construídas especialmente para as sequencias da batalha naval num lago artificial dos estúdios de Cinecittá, em Roma. Seis câmeras gigantes de 65, ao custo de cada uma US$ 100.000 dólares. Quarteirões inteiros da velha Jerusalém reconstruídos.  

Todo o Cast e equipe posando para uma foto na Arena das corridas.
Cenários com mais 3 hectares para a famosa corrida de quadrigas. Todo esse enorme esforço teve bom resultado. Ben-Hur de William Wyler obteve sucesso comercial nos Estados Unidos, na Inglaterra, e no Japão, indicando que a Metro não teve dificuldades em recuperar mais do que os bons US$ 15.000.000 de dólares de sua produção (uma quantia titânica para a época, ainda mais para um estúdio a beira da falência).

William Wyler se "arriscando" a conduzir uma das quadrigas
Falando aos jornalistas no XIII Festival de Cannes em maio de 1960 quando o filme abriu o evento, William Wyler, falando num francês praticamente sem sotaque, chamou a atenção para o fato de ser o filme, assim como o romance original de Lewis Wallace, uma história de aventuras, antes de tudo, não se devendo excluir do gênero o estilo mais do que ela comporta. E ainda frisou aos jornalistas franceses que seu filme tinha uma profunda mensagem política, pregação de paz e concórdia mundial, sendo uma mensagem de 2000 anos e hoje essencial diante do domínio bélico armazenado pelas nações.

O cineasta Wyler ainda declarou em Cannes:

Jerusalém conquistava para lutar contra os romanos, a liberdade. Hoje, luta  para manter a liberdade ameaçada pelo árabes”. 

Jack Hawkins, Haya Harareet, e Charlton Heston, em intervalo
de filmagem.
Judah e Esther (Haya Harareet)
Wyler ainda deplorou o fato de o filme ter sido proibido pela República Árabe Unida, por dois motivos: havia uma atriz israelense no elenco, Haya Harareet, que viveu Esther (a amada de Ben-Hur) e a caracterização do ator inglês Hugh Griffith (1912-1980), que deu vida ao Xeique Ilderin. Sua atuação considerada pitoresca e divertida por Wyler rendeu ao ator o Oscar de melhor ator coadjuvante, mas os árabes não gostaram nem um pouco da interpretação feita pelo ator inglês. Griffith não estava presente na cerimônia de premiação, sendo representado pelo cineasta para o recebimento do Oscar. 

Ben-Hur e o Xeique Ilderin (Hugh Griffith)
Por conta desses boicotes promovidos pelos árabes a sua obra cinematográfica, o cineasta ainda falou:

São boicotadas na República Árabe Unida as obras em que participaram Edward G. Robinson e Elizabeth Taylor, porque esses artistas contribuíram para a criação e o desenvolvimento do Estado de Israel. Ora, assim sendo, também deveriam ser interditados pelos árabes todos os filmes de Hollywood, pois neles há sempre um ator, um diretor, um produtor ou técnico, que de uma maneira ou outra, ajudaram o Estado de Israel”. 

Charlton Heston carregando o filho Fraser, que cumprimenta
William Wyler, numa pausa das filmagens. 
Apesar dos protestos e críticas bem construtivas do inteligente cineasta contra a ridícula censura, a noite em Cannes foi memorável, e Ben-Hur de 1959 foi aplaudido de pé por mais de 200.000 espectadores e convidados em um dos mais badalados festivais de cinema do mundo.

Charlton Heston e sua publicidade para BEN-HUR, em 1960.
IV- CHARLTON HESTON


A força de Ben-Hur, através de Charlton Heston.
Charlton Heston é uma fortaleza – Declarou William Wyler – ele não poderia ter dado conta de seu papel se não fosse um homem de excepcional força física e resistência, além de ser um ator talentoso. O seu desempenho foi de alto nível. Assim o cineasta William Wyler definiu Charlton Heston.  

Ben-Hur subjugado pelos romanos.
Ben-Hur como remador das galés.
Heston, por sua vez, definiu a si mesmo quando entrevistado em janeiro de 1960:“Conservo-me em boa forma com exercícios. Exercícios enfadonhos e detestáveis. Minha alimentação se resume a bifes e saladas, e tomo constantemente banhos a vapor. Tudo isso me aborrece, mas tenho que estar em forma para ajustar aos meus papéis. Dirigir aquela quadriga em “Ben-Hur” não foi brincadeira, e não tive substitutos na maioria das cenas".

Ben-Hur Vitorioso.
E Heston ainda falou mais sobre seu trabalho em Ben-Hur:

 “Passei nove meses em ensaios e filmagens, em loucas corridas naquela quadriga e fugindo daquela galera em fogo com vigas em brasa desabando sobre mim. Quando ao fim de semana anunciava meu desejo de dar um passeio a cavalo, o diretor (Wyler) e o produtor (Sam Zimbalist) se alarmavam: “Você esta louco, Chuck! Você pode se machucar!””

Adotado por Quintus Árrius, assume Ben-Hur uma identidade romana:
QUINTUS ÁRRIUS, O MOÇO.
Ben-Hur finalmente conquista a liberdade através do
cônsul Quintus Árrius (Jack Hawkins)
Quando Heston foi questionado sobre isso e de declarar estar um pouco farto dos filmes épicos, tendo a oportunidade em atuar em um novo filme do gênero, El-Cid, de Anthony Mann, prestes a ser rodado na Espanha:

“Sim, é verdade que falei que estava um pouco cansado de trabalhar no estilo épico. Eu queria um papel que pudesse me fazer por as mãos no bolso. Não há bolsos em túnicas, togas, mantas, ou batinas como devem saber. Na verdade atuei em um não faz muito tempo: “O NAVIO CONDENADO”, com Gary Cooper, mas infelizmente ninguém foi assisti-lo. E os produtores disseram: “ Estão vendo? Ponham Heston com roupas modernas que ele fracassa””.

Ben-Hur, o Herói símbolo de luta pela liberdade.
Ainda na mesma entrevista, Heston declara:-“Sei que não sou uma grande atração de bilheteria, mas não sou falsamente modesto. Acho que me saí bem em “BEN-HUR”, e acredito nas minhas próprias opiniões. Me lembro bem do que aconteceu durante as filmagens de “DA TERRA NASCEM OS HOMENS”, sob direção de William Wyler. Discordei dele no desempenho de uma cena e discutimos. Entretanto, tirei uma lição com isso, visto que Wyler me fez lembrar de seu currículo e de toda sua obra cinematográfica, sendo que três deles foram premiados com o Oscar. Logo, só pude me calar e dizer a Wyler que faria o que ele quisesse”.

Pôncio Pilatos (Frank Thring) e Judah Ben-Hur (Charlton Heston)
Por sua atuação na obra de Wyler, Heston ganhou o Oscar de melhor ator de 1959. Na premiação, dedicou a estatueta a Sam Zimbalist, produtor do épico, que morreu de um súbito ataque do coração perto do fim das filmagens. O astro se imortalizou no papel de Ben-Hur e se consagraria ainda mais em outros personagens épicos e históricos. Havia interpretado Moisés em Os Dez Mandamentos (1956), o Presidente Andrew Jackson em O Destino me Persegue (1953) e em Lafitte, o Corsário (1958), e ainda seria El-Cid (1961), Michelangelo em Agonia e Êxtase (1965), São João Batista em A Maior História de Todos os Tempos (1965), Cardeal Richelieu em Os Três Mosqueteiros (1974), e São Thomas Morus na refilmagem para a TV de O Homem que não Vendeu sua Alma, em 1988. Um ator como poucos que exercia carisma em seus desempenhos, e convencia como ninguém como o herói épico ou ícone histórico por excelência.

O jornalista Artur da Távola (1936-2008)

V- ARTUR DA TÁVOLA SOBRE BEN-HUR DE 1959

Depois de 20 anos em temporadas nos cinemas brasileiros (muitos destes já extintos), e principalmente em exibições nas épocas de Semana Santa ou Natal, Ben-Hur estreou na TV brasileira em início de setembro de 1984, pela Rede Globo de Televisão, sendo o épico de William Wyler de quase 4 horas de projeção exibido em duas partes no horário nobre. 

BEN-HUR (1959): Sucesso nos cinemas de todo o Brasil até as
décadas de 1970 e início de 80
O sucesso do filme de William Wyler foi tão estrondoso após
o seu lançamento que o público carioca exigiu mais alguns dias
de exibição
Na coluna do saudoso jornalista, crítico, escritor, político, e notável humanista, o saudoso Artur da Távola (1936-2008), em um de seus artigos dominicais no Jornal O Globo, pela “Revista da TV” a 9 de setembro de 1984, dedicou umas breves linhas para falar de Ben-Hur com Charlton Heston em sua primeira exibição pela TV brasileira.  Abaixo, será reproduzida a pequena matéria que o grande crítico escreveu sobre a obra prima de William Wyler:

Charlton Heston é BEN-HUR (1959)
Ben-Hur Não Envelheceu

De Artur da Távola
(originalmente de sua coluna da “Revista da TV”, Jornal O Globo, a 9/9/1984, domingo).

Uma das oportunidades trazidas pela televisão é a de funcionar como cinemateca. Permite ver velhos filmes com outros (novos) olhos. O caso de Ben-Hur é bastante expressivo. Revi-o esta semana. Cresceu em meu conceito. O mesmo ocorrera este ano com filmes como Dr.Jivago e Guerra e Paz. Revê-los levou-me a considera-los melhores que a época do lançamento.

Por causa do gênero sempre semelhante e das concessões ao grandioso que Hollywood precisava fazer devido à sua vinculação ao gosto médio do mercado mundial, a gente se acostumou a ver os filmes épicos ou bíblicos todos da mesma maneira. E não são. Ben-Hur possui sequencias lindíssimas e intensas, não tivesse a dirigi-lo o Mestre William Wyler.

Vendo esses filmes hoje sem a preocupação artística ou puramente artística da época de sua exibição, mas apreciando-os pelo exercício mitológico neles contido, devo confessar a alegria por realizar uma leitura completamente nova, surpreendente até para mim.
Artur da Távola




Vi- CHARLTON HESTON VOLTA A INTERPRETAR O PERSONAGEM EM DESENHO ANIMADO.

Cartaz divulgando o desenho, tendo Charlton Heston emprestando
sua voz ao personagem.
Em 2003, Charlton Heston, que completava então 80 anos, voltou a viver o personagem que o consagrou nas telas de cinema, Judah Ben-Hur, num desenho animado baseado no clássico romance literário de Lewis Wallace: Ben-Hur- Um Conto de Cristo.  O filho do ator, Fraser Heston, foi um dos produtores executivos da animação (que teve o roteiro da escritora Abi Estrin Cunningham) que trazia de volta o pai ao personagem apenas em dublagem. A direção ficou a cargo de William R. Kowalchuk Jr.

O próprio Heston faz a apresentação do desenho animado.
O desenho teve a apresentação do próprio Charlton Heston, que fez questão de explicar a essência da obra original de Wallace, que como militar e estrategista de guerra, poderia ter redigido uma obra sobre guerreiros e batalhas. Contudo, o escritor decidiu escrever uma história de fé, amor, perdão, e redenção. Ele ainda disse que as adaptações podiam variar de acordo com cada roteirista, podendo até mesmo ao fim Ben-Hur e Messala se perdoar e reconciliarem.

O desenho BEN-HUR, realizado em 2003.
O anime foi produzido por uma empresa cristã canadense, a Agamemnon Films. Heston era um dos poucos sobreviventes do filme que o consagrou em 1959, e para substituir os atores já falecidos da obra original de William Wyler em suas respectivas partes para a animação, como Stephen Boyd, Jack Hawkins, Cathy O’ Donnell, Hugh Griffith, ou Finlay Currie - entraram Duncan Fraser (como Messala), Richard Newman (como Quintus Árrius), Willow Johnson (como Tirzah), Dale Wilson (como Xeique Ilderin), e Long John Baldry (como Balthazar) que emprestaram suas vozes para esses personagens. O desenho difere muito do filme de 1959 (e tem metragem de 80 minutos), tendo uma linguagem mais apurada para o público infantil, mas a essência da obra de Wallace prevalece, onde Charlton Heston emprestou sua voz ao personagem principal em uma de suas últimas e marcantes atividades artísticas.

Poster da minissérie para a TV de 2010.
ViI- A MINISSÉRIE TELEVISIVA DE 2010

Joseph Morgan é Ben-Hur na versão televisiva canadense
de 2010, tendo ainda Kristin Kreug como Tirzah e Alex Kingston
como a mãe do herói, Ruth.
Em 2010, a emissora televisiva canadense CBC produziu (em preparo de dois anos) a primeira adaptação para TV do romance de Lewis Wallace Ben-Hur. A adaptação ficou a cargo de Alan Sharp, com direção de Steve Shill e produção de David Wyler, filho do cineasta William Wyler (diretor do clássico de 1959), para a Muse Entertainment, empresa canadense, em associação à Drimtim Entertainment, da Espanha, Zak Productions, de Marrocos, e Akkord Film, da Alemanha.

Seria Joseph Morgan uma cópia juvenil de Charlton Heston?
Para o papel-título convocaram o inglês Joseph Morgan, de 28 anos, que fisicamente lembra um “Charlton Heston juvenil”, magro e louro embora não tão alto quanto o intérprete da versão cinematográfica de 1959. Até o figurino de Morgan lembra o utilizado por Heston em sua versão clássica. Contudo, sua atuação como o herói de Lewis Wallace é sem o brilho e a solidez que tanto consagrou o astro da versão absoluta para o cinema que tantos louros obteve da Academia de Artes e Ciências 50 anos antes. 


Stephen Campbell Moore é Messala.
Kristin Kreug, Simon Andreu, e Alex Kingston - BEN-HUR (2010)
A versão televisiva de 2010 esta disponível em DVD no Brasil.
Filmada em Marrocos, a produção também traz no elenco os atores Stephen Campbell Moore, que interpreta Messala;  Emily VanCamp no papel de Esther; Ray Winstone como Quintus Árrius; Kristin Kreuk, a Lana Wood da série de TV Smalville, como Tirzah; Ben Cross como o imperador Tibério; Alex Kingston como Ruth, aqui o nome dada a mãe de Ben-Hur; Simon Andreu  como Simonides; e o paquistanês Art Malik como o Xeique Ilderin. 



 ViII- BEN-HUR 2016
Uma Crítica do Editor.



Com um orçamento de 100 milhões de dólares, este é o remake mais recente (seus produtores alegam que é um reboot, ou seja, uma releitura do personagem) e polêmico do livro de Lewis Wallace, que até aqui, já tem quatro versões cinematográficas, uma para a TV como minissérie, e outras poucas adaptações em desenho animado, sendo que a mais popular é o desenho produzido em 2003 e que tem Charlton Heston dublando o personagem.


Jack Huston, Toby Kebbell, e o diretor Timur Bekmambetov.
BEN-HUR (2016)
Desta vez, a religiosidade esta mais ativa, afinal a obra presente foi produzida por especialistas em filmes religiosos, liderados pela atriz Roman Downey, que produz filmes para católicos ou crentes consumidores, e O Filho de Deus foi uma destas fitas já produzidas. O cineasta desta nova versão é o russo Timur Bekmambetov, emigrado para os Estados Unidos e que por lá fez O Procurado com Angelina Jolie, Guardiões da Noite, e Abraham Lincoln Caçador de Vampiros. Em verdade, é um mestre nos efeitos digitais, testificado na Corrida de Quadrigas (e não bigas!), contudo tudo margeia a falsidade e artifícios, e não como no filme de 1959 dirigido pelo Mestre Wyler, que foi tudo íntegro, pra valer, e a custoso trabalho de operários, dublês, e mesmo dos atores principais para a sequencia, e no caso Charlton Heston e Stephen Boyd, que precisaram de três meses de treino com Yakima Canutt.


Jack Huston é o novo BEN-HUR (2016)
A corrida de Quadrigas foi filmada no mesmo estúdio da versão de 1959, em Cinecittá, próximo à Roma. Contudo, a corrida de 1959 supera a de 2016, por justamente ser mais longa e de ter o maior número de figurantes, sem precisar dos recursos digitais para ampliar plateias de um estádio (como feito em Gladiador, de Ridley Scott, em 2000). 



Nesta versão de 2016, a adaptação feita por Keith R. Clarke e John Ridley colocam Ben-Hur e Messala como irmãos adotivos. No filme de 1959, eram amigos de infância, “como se fossem irmãos”, e o roteiro frisava que o comportamento de Messala sofreu transformação quando este se deixou guiar pela corrupção romana. Pelo fato dos dois já terem sido amigos, e Messala levar a cabo todo ódio que sentia pelo ex-amigo que jurou vingança, torna a obra clássica de William Wyler muito mais dramática. 


Judah Ben-Hur é traído pelo irmão romano.
Morgan Freeman é o Xeique Ilderin.
No novo filme, não existem personagens centrais que são muito importantes para a trama, como o cônsul Quintus Árrius, vivido por Jack Hawkins na versão de 1959. Ele era o esteio do personagem principal, pois este acabou lhe salvando a vida durante o ataque pirata nas galés. Aqui, esse personagem foi eliminado, e o esteio se transferiu para o Xeique Ilderin, que na versão de 2016, é vivido pelo talentoso Morgan Freeman. 


Ilderin ajuda Ben-Hur a executar sua vingança.
BEN-HUR (2016)
Ben-Hur escapa de um naufrágio após sua galera onde estava aprisionado ser destruída, e vai parar as margens de uma praia, onde é salvo por Ilderin. Este o ampara e começa a treina-lo para um dos esportes mais violentos da antiguidade, as corridas de quadrigas, e só assim, ele conseguirá sua revanche contra o irmão Messala e decidirá os pontos. No filme original de 1959, assim como no romance original de Wallace, Ben-Hur se torna um atleta na modalidade em Roma, e quando conhece o llderin ele já é um auriga experiente. 


Ben-Hur pronto para a Corrida de Quadrigas.
Rodrigo Santoro e Jack Huston na divulgação do filme em São Paulo.
E quanto aos atores? Morgan Freeman dispensa comentários por seu brilhantismo em qualquer papel, onde pode valorizar um pouco o filme. Mas voltemos nossas atenções ao britânico Jack Huston, que interpreta Judah Ben-Hur. Oriundo do clã dos Huston – neto do lendário cineasta John Huston (1906-1987) e sobrinho da atriz Angelica Huston – Jack pode ser carismático, mas não convence nada em um papel que exige certa virilidade e atletismo. Mesmo o ar voluntarioso de Charlton Heston  fazia o espectador se convencer de que ele sabia conciliar seu porte físico à sua arte dramática para o papel. Por isso que até hoje fica difícil de imaginar outro ator que não seja Charlton para Ben-Hur, que pudesse ser altivo, mas ao mesmo tempo, soubesse ser humano e sofrido. Logo, Jack Huston não se encaixa em nenhum momento como o personagem de Lewis Wallace, embora seja um bom ator. 


Toby Kebbell é um violento Messala.
Haluk Belginer é Simonides. Nazarin Boniadi é Esther.
Toby Kebbell vive Messala, que aqui ganha até um sobrenome, Messala Severus, muito mais violento que Stephen Boyd da versão de 1959. Já a atriz Nazanin Boniadi que faz a Esther (aqui esposa de Ben-Hur) não tem a beleza da israelense Haya Harareet que foi a Esther de Wyler na versão de 1959, mas executa bem a sua parte. Ayelet Zurer, atriz também israelense, vive a mãe do herói, que na versão atual recebe o nome de Naomi (na versão de 1959, a personagem vivida por Martha Scott recebe o nome de Miriam, e na versão televisiva de 2010, o nome de Ruth). 


O brasileiro Rodrigo Santoro como Jesus Cristo.
Rodrigo Santoro, um dos pontos positivos do filme.
Deus tem um Plano Pra você
E nosso Rodrigo Santoro? Juntamente com Morgan Freeman, Santoro é um dos poucos que sustenta esta versão atual, mesmo atuando em quatro cenas como Jesus Cristo, incluindo a morte na cruz. Mesmo que ao contrário de Claude Heater, onde pode mostrar finalmente o “rosto de Jesus”, as cenas não são tão memoráveis como as de 1959, embora nesta adaptação atual tenha uma mensagem do Redentor para com o herói quando este lhe dá água no caminho do deserto e lhe diz: “Deus tem um plano pra você”. Isso já era perceptível mesmo na versão de William Wyler, sem qualquer dialogo entre Ben-Hur e Cristo.


Ben-Hur tenta ajudar Jesus no caminho do Calvário.
A Paixão de Cristo na versão de BEN-HUR 2016

Em suma, a versão atual de 2016, em nenhuma circunstância, pode ser comparada com as versões cinematográficas anteriores (1907, 1926, e 1959 principalmente). Seus produtores e o diretor alertam que se trata de outro universo para a história escrita por Lewis Wallace no século retrasado. Vale lembrar que mesmo  se tratando de um remake, isto sem dúvida não isentará a superioridade do filme dirigido por William Wyler, que obteve as láureas máximas da Sétima Arte, consagradamente uma obra prima do cinema. Além disso, refilmagens tem 95% de chances de não darem certo, e tendo em vista esta estimativa, os mais saudosistas não tem o que temer nada, e podem e até devem assistir a nova versão de 2016 sem receios. Para os mais jovens, pode apetecer a curiosidade de conhecer a versão de Wyler (disponível em DVD e Blu-Ray no Brasil pela Warner) depois de conhecer a versão moderna do diretor russo Timur Bekmambetov, pois são justamente os remakes que podem motivar a curiosidade de conhecer uma versão anterior da mesma trama.



Então, sem preconceitos ou receios, podemos assistir esta nova adaptação para as telas de um grande clássico da literatura mundial publicada em 1880, se tornando um dos livros mais vendidos e lidos de toda a História. É verdade que não temos um ator a altura do papel como Charlton Heston, e nem um diretor versátil e de índole criativa como William Wyler, mas para os modernos padrões cinematográficos, tem ótimos atores como Morgan Freeman e o brasileiro Rodrigo Santoro, e um roteiro no mínimo interessante. A trilha sonora de Marco Beltrami não transmite a mesma emoção da versão de Wyler composta por Miklos Rozsa em 1959. A atual adaptação pode ser sim um bom filme, mas não passará disso, pois a versão cinematográfica estrelada por Heston ainda é uma obra insuperável e inesgotável, persistindo as ações do tempo e do vento. Alguém se habilita a fazer uma nova versão da pintura Monalisa de Leonardo Da Vinci? Pode sair bonito, mas nunca será como o original, e muito menos superior. 


Por Paulo Telles


Assista ao trailer do novo filme
Legendado




ESPECIAL: TRAILER ORIGINAL DO
FILME DE 1959
Estrelando CHARLTON HESTON.
Dirigido por WILLIAM WYLER


PRODUÇÃO E PESQUISA
PAULO TELLES

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