sábado, 3 de outubro de 2020

Os Impiedosos (1968): A Eficiência Cinematográfica da Ação Pelas Câmeras de Don Siegel.

 

Os Impiedosos (Madigan), realizado em 1968 por Don Siegel (1912-1991) é baseado ao estilo da série policial de TV Cidade Nua (1958-1963), bem como do filme homônimo de 1948 dirigido por Jules Dassin. De fato, tanto a série televisiva quanto a obra de Dassin não se diferem substancialmente ao filme de Siegel levando em conta as épocas de produção, as proposições realistas de ambas, e o ângulo dos personagens sobre os quais o roteiro centralizou o desenvolvimento da trama.  A diferença única é que MADIGAN não se compromete a comportamentos de boa conduta dos policiais, focalizando os personagens com elevada dose de crueza, aceitando-os como são e desvinculando-os de heroísmo cotidiano tão evidente nos filmes policiais. A propósito, a obra aqui resenhada é baseada em livro de Richard Dougherty (1921-1987). 

Os Detetives Rocco Bonaro (Harry Guardino) e Dan Madigan (Richard Widmark) tem uma importante tarefa...

levar para delegacia Barney Benesch (Steve Inhat) para uma inquirição de rotina, mas...

o criminoso consegue dominar os dois policiais...

Os detetives Dan Madigan (Richard Widmark, 1914-1998) e Rocco Bonaro (Harry Guardino, 1925-1995), da polícia de Nova York, tentam prender o marginal Barney Benesch (Steve Inhat, 1934-1972) para uma inquirição de rotina, sem saberem que ele é suspeito de assassinato. Ao chegarem à delegacia, os detetives são censurados e o comissário Anthony Russell (Henry Fonda, 1905-1982) dá a eles três dias para capturar o criminoso.

e os leva para o terraço do prédio, desarmando os detetives Bonaro e Madigan.
Henry Fonda como o comissário Anthony Russell...

cujo amigo, inspetor Charles Kane (James Whitmore) se envolve com fora da lei.

Paralelamente, Russell rumina alguns problemas. Sua amante, Tricia Bentley (Susan Clark) pensa em deixa-lo e seu amigo, o inspetor Charles Kane (James Whitmore, 1921-2009) envolve-se secretamente com um fora da lei. Enquanto isso, o próprio detetive Madigan enfrenta uma crise com sua esposa, Julia (Inger Stevens, 1935-1970), e o filme vai enfocando questões diversas do cotidiano. 

Susan Clark como a amante do comissário Russell.

O detetive Madigan é casado com Julia (Inger Stevens). O relacionamento anda em crise.

MADIGAN se tornou em realidade um thriller ágil e envolvente graças ao roteiro de Howard Rodman (1920-1985, creditado como Henry Simoun) e Abraham Polonsky (1910–1999), cineasta que foi vítima do macarthismo e dirigira em 1948 o policial A Força do Mal (Force of Evil) com John Garfield, mas que acabou boicotado pela distribuição. O script situa sua trama segundo as reações de dois personagens: o detetive Daniel Madigan, um policial eficiente, mas pouco escrupuloso, uma máquina realmente implacável, e seu superior, o comissário Anthony Russell, um homem confrontado com uma noção rígida do dever e da honestidade, levada ao ponto de torna-lo insensível e paradoxalmente menos vizinho da justiça que procura cativar.

Richard Widmark como o implacável detetive Daniel Madigan. 
Como foi dito, o compromisso que estabelece Os Impiedosos somente com realismo não permite que seus autores pretendessem conferir-lhes conteúdo sintomático de juízo sobre a instituição policial em si e sobre as que exercem. Sem dúvida, a obra de Siegel desejou propositalmente desmistificar a força policial, não os tornando vilões da sociedade, mas anti-heróis que para defender o povo precisa usar muitas vezes da violência e sem esperar méritos em troca (o que leva a reminiscência do amargo policial vivido por Robert Ryan em Cinzas que Queimam, de Nicholas Ray em 1951). As distorções comportamentais de Dan Madigan e de seu parceiro Rocco Bonaro não são apenas através dos hábitos violentos e do oportunismo de ambos, mas também do conceito absoluto do certo e errado que norteia os passos do comissário Russell, além de certa padronização de atitudes e de julgamentos tendente a interpretar a realidade segundo uma ótica discutível. 

O cineasta Donald (Don) Siegel.

Siegel instruindo Widmark e Fonda em uma das rodagens de OS IMPIEDOSOS (1968).

Don Siegel realizou OS IMPIEDOSOS com o mesmo impacto que caracterizou sua versão de Os Assassinos (The Killers), feita para televisão em 1964, considerada até mesmo superior à primeira feita em 1946 dirigida por Robert Siodmak, com Burt Lancaster e Ava Gardner. No mesmo ano de 1968, juntou-se ao ator Clint Eastwood e realizaram Meu Nome é Coogan (Coogan’bluff), com Eastwood como o personagem título, tão violento e paradoxal quanto Madigan de Richard Widmark. Em 1971, Siegel ainda apresentaria para as telas outro inescrupuloso justiceiro das forças policiais, Harry Callaham (Harry, o Sujo) em Perseguidor Implacável (Dirty Harry), novamente estrelado por Eastwood em parceria com o cineasta.

Richard Widmark como Dan Madigan...

que tem que lidar com bookmakers para obter informações, e um deles é o anão Midget Castiglione (Michael Dunn).

Os Impiedosos é um filme dinâmico e com a eficiência cinematográfica que só os grandes filmes de ação possuem, e sem ambições de estabelecer revisões ou mesmo propor caminhos. Um roteiro dos mais eficientes, preciso no retrato psicológico dos personagens, assim como a eficiente direção de Siegel. A qualidade da fotografia de Russell Metty (1906–1978) com inteligente aproveitamento do quadro proporcionado pelo TechiniScope, e a movimentada trilha sonora assinada por Don Costa (1925-1983) faz com que MADIGAN seja um dos filmes criminais mais badalados do cinema. Os intérpretes também merecem seus destaques, em especial Widmark, Fonda, Guardino e Whitmore. 

Dan e Julia tentam salvar a relação.

O último confronto de Madigan

O cineasta Siegel teve cenas impostas ou cortadas pela produção, o que não impediu o sucesso de crítica e público, tanto que o próprio Widmark voltaria a interpretar o personagem numa série homônima para a TV entre 1972/73. Contudo o universo de Madigan na TV era diferente do filme de Siegel, já que na versão cinematográfica o detetive vem a falecer. Os Impiedosos foi rodado com raro esplendor em exteriores da cidade de Nova York.

Divulgação do filme pelos jornais cariocas em 1968

FICHA TÉCNICA

OS IMPIEDOSOS

(Madigan)

País – Estados Unidos

Ano – 1968

Gênero – Criminal/Ação

Direção - Don Siegel

Produção - Frank P. Rosenberg em produção e distribuição para Universal Pictures.

Roteiro - Howard Rodman (creditado como Henry Simoun) e Abraham Polonsky, baseado em romance de Richard Dougherty.

Música – Don Costa

Fotografia – Russell Metty, em cores 

Metragem - 101 minutos

ELENCO

Richard Widmark – Detetive Daniel Madigan

Henry Fonda – Comissário Anthony Russell

Inger Stevens – Julia Madigan

Harry Guardino – Detetive Rocco Bonaro

James Whitmore – Inspetor Chefe Charles Kane

Susan Clark – Tina Bentley

Michael Dunn -   Midget Castiglione

Steve Ihnat - Barney Benesch

Don Stroud – Hughie

Sheree North – Jonesy

Warren Stevens – Ben Williams

Raymond St. Jacques – Dr. Taylor

Bert Freed – Chefe dos Detetives Hap Lynch

Harry Bellaver – Mickey Dunn

Frank Marth – Tenente James Price

Virginia Gregg – Esther Newman

Produção e Pesquisa

PAULO TELLES


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sábado, 12 de setembro de 2020

Redator do Blog Em Live Com o Crítico Santista André Azenha, e Novo Livro do Entrevistador


Alô amigos e seguidores do blog FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA. É com imensa satisfação que na última quinta feira (10 de setembro de 2020), no horário das 19 horas, eu PAULO TELLES, redator do espaço, foi convidado pelo renomado crítico de cinema santista, jornalista, produtor e diretor do Santos Film FestFestival Internacional de Cinema de Santos, e escritor ANDRÉ AZENHA para uma live descontraída, onde teve como tema A ERA DE OURO DO CINEMA. Em 54 minutos, conversamos sobre a importância destes tempos idos da Sétima Arte, de seus cineastas, atores e atrizes, bem como também sobre meu trabalho na Web Rádio, onde produzo e apresento o CINE VINTAGE – A SALA DE CINEMA DAS NOITES DE DOMINGO, direcionada para as trilhas sonoras dos grandes clássicos da telona e sintonizada pela Web Rádio Vintage (https://webradiovintage.com/), e meu livro PALADINO DO OESTE (Editora Estronho, 2018), escrito com o escritor catarinense Saulo Adami e que pode ser adquirido através do espaço pelo link: http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/p/livro-paladino-do-oeste-paulo-telles.html.

Live ocorrida no facebook e pelo canal do youtube em 10 de setembro de 2020 - Paulo Telles entrevistado pelo crítico André Azenha.

Ao longo de toda entrevista, abordei minhas reminiscências sobre meu início pela paixão do cinema, através da televisão nos anos de 1980, que servia de Videoteca para muitas emissoras abertas, sendo que cada uma delas tinha várias sessões de cinema pela TV, o que me fez lembrar o querido e saudoso Artur da Távola (1936-2008), que costumava dizer que a telinha fazia para seu público um serviço de videoteca, levando a assistirmos velhos filmes sob novos olhos. Isto porque a televisão era recheada de filmes do período de ouro de Hollywood, num tempo que não tínhamos TV por assinatura ou a cabo, e muito menos internet, com streaming ou canais como Netflix. E as vídeo-locadoras pelo Brasil, ainda no VHS, ainda estavam em expansão. 

Divulgação pelo jornal A TRIBUNA de santos, anunciando a live. Meus agradecimentos ao jornal impresso por esta nota.

A importância autoral dos grandes diretores também foi mencionada, entre os quais Cecil B DeMille (o diretor das massas), Nicholas Ray (o diretor da juventude oprimida, idolatrado pela turma francesa do Cahiers du Cinema), John Ford (um artista que não utilizava a palavra arte, e um poeta que não falava de poesia, segundo François Truffaut), e William Wyler (que não admitia ser rotulado o autor de seus filmes). Falamos também da importância de divulgar os filmes clássicos e dar a eles maior interesse pelos canais e dispositivos modernos, como a Netflix e o Amazon Prime, que podem muito bem conciliar o antigo com o novo, afinal, tem gente que se interessa pelos filmes clássicos das décadas de 1930, 40 e 50. 

Esta live com André Azenha foi um dos melhores momentos em que eu tive com alguém tão inteirado na famosa arte da máquina dos sonhos. Um momento marcante que espero dividir mais vezes tanto com seu entrevistador como para seu público, e só posso agradecer ao crítico santista por esta oportunidade.

Abaixo, divulgo os canais do crítico de cinema André Azenha:

BLOG HISTÓRIAS DO CINEMA POR ANDRÉ AZENHA - https://historiasdocinema.com/

HISTÓRIAS DO CINEMA NO FACEBOOK - https://www.facebook.com/historiasdocinemaporandreazenha

CANAL HISTÓRIAS DO CINEMA NO YOUTUBE

https://www.youtube.com/user/cinezc

LIVE ANDRÉ AZENHA COM PAULO TELLES – A ERA DE OURO DO CINEMA

https://www.youtube.com/watch?v=PZ4KaAFikq4


Batman, a Série Animada: Análise Acurada Sobre Tema em Novo Livro de André Azenha.

André Azenha lançará em outubro seu novo livro, referente ao desenho BATMAN, A SÉRIE ANIMADA. Grande pesquisador e fã figadal do Homem Morcego, Azenha lançará seu mais recente livro, Batman: A Série Animada – Uma Revolução dos Heróis na TV (Editora Amavisse, 2020). Em sua obra, o jornalista faz uma análise acurada do personagem que passa pela história do Batman desde os seus primórdios até a década de 1990, quando foi lançada a série animada apresentada originalmente nos Estados Unidos entre 1992 a 1995 e que fez muito sucesso (exibida no Brasil a partir de 1993 pelo SBT).

O autor apresenta os contextos e as principais características do expressionismo alemão e sua influência, os filmes noir, passa pela obra cinematográfica de Tim Burton (1989) e chega à análise do seriado animado. “Este livro é a minha dissertação de mestrado, mas adaptado, com o intuito de servir de pesquisa para acadêmicos, estudantes, mas também agradar aos fãs do Batman, de histórias em quadrinhos, de heróis em geral e quem deseja conhecer mais sobre o personagem e esse programa televisivo que marcou gerações”- ressalta André Azenha.

O estudo que Azenha realizou em Batman: A Série Animada – Uma Revolução dos Heróis na TV é um daqueles trabalhos em que o pesquisador ou fã dos quadrinhos se pergunta: por que eu não pensei nisso? Nessa obra, ele nos convida a viajarmos no tempo para uma experiência de descoberta do Cavaleiro de Gotham e das revistas em quadrinhos, além das inovações de Batman A Série Animada, com influências do expressionismo alemão e do film noir” - avalia o Professor e Mestre em Comunicação Celso Ronald, autor do texto da quarta capa.

O livro é editado pela Amavisse, o selo de publicações acadêmicas da Editora Patuá, uma pequena editora independente que, apesar disso, já ganhou três vezes o Prêmio Jabuti (com mais de 10 indicações), duas vezes o Prêmio São Paulo de Literatura (com mais oito indicações) e o Prêmio Casa de Las Américas, de Cuba, como melhor romance de 2018, além de alguns outros prêmios que ganhou ou esteve finalista ou semifinalista.

A pré-venda de Batman. A Série Animada – Uma Revolução dos Heróis na TV é realizada pelo link https://www.editoragataria.com.br/produto/542035/batman-a-serie-animada-uma-revolucao-dos-herois-na-tv. A previsão de entrega para quem adquirir o livro na pré-venda será a partir da segunda quinzena de outubro. O preço do exemplar é R$ 40,00. Vale a pena aquisição e leitura, seja pela trajetória e importância do Homem-Morcego na cultura pop, seja pela primorosa pesquisa de grande empenho e dedicação de seu autor. 

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sábado, 22 de agosto de 2020

Nas Garras da Ambição (1955) – Mentalidades e Interesses Opostos num Western de Raoul Walsh.

A trajetória do cineasta Raoul Walsh (1887-1980) confunde-se com a própria origem do cinema americano. Filho de um desenhista de uma famosa casa de moda masculina passou sua infância no centro de Manhattan conhecendo grandes celebridades que eram clientes do seu pai. Adolescente, foi morar no México e em Cuba até se tornar cavaleiro e vaqueiro no Oeste dos Estados Unidos. Em Hollywood, iniciou sua vida como dublê, já que tinha perícia como vaqueiro tornando-se também ator de alguns curtas. Mas foi o lendário ator Douglas Fairbanks (1883-1939) que lhe deu o primeiro impulso, ao convida-lo para dirigir O Ladrão de Bagdá (The Thief of Bagdad) em 1924, ainda na fase silenciosa do cinema. Desde então, a carreira do diretor foi muito bem sucedida, até 1964 quando resolveu se aposentar.

O Cineasta Raoul Walsh

As experiências como vaqueiro muito influenciaram Raoul Walsh a dirigir grandes clássicos do western americano, e o nome do cineasta está marcantemente vinculado ao gênero, indiscutivelmente. Contudo, nem sempre pode se exigir que as histórias do fascinante Velho Oeste sejam diferentes. O cinema apresentou e vem apresentando ao longo de toda sua carreira uma quantidade infinita de produções ao estilo tão explorado e inesgotável.

Clark Gable, Jane Russell e Robert Ryan, astros do Western de Raoul Walsh NAS GARRAS DA AMBIÇÃO (1955) desembarcando no Novo México para as filmagens.

NAS GARRAS DA AMBIÇÃO (The Tall Men) realizado em 1955 por Walsh, detém todas as qualidades que renderam ao diretor sua notoriedade na história da Sétima Arte. No entanto, o cineasta preocupou-se mais em estudar as personalidades dos personagens do que propriamente com ação, elementos estes muito caracterizados nos westerns. Mas isto é apenas um detalhe em vista do conflito de mentalidades e pensamentos dos dois personagens centrais da história, vividos por Clark Gable (1901-1960) e Robert Ryan (1909-1973), dois rivais cujo único interesse em comum é pela personagem vivida pela estonteante Jane Russell (1921-2011). 

A TRAMA

Escrito por Borden Chase (1901-1971) e Sydney Boehm (1908-1990), o filme narra a trajetória de dois irmãos, Ben Allyson (Clark Gable) e Clint Allyson (Cameron Mitchell, 1918-1994), que arruinados com a Guerra Civil Americana (1861-1865), tornam-se bandidos e passam vários meses efetuando roubos. Eles viajam para Mineral City, no território de Montana, onde assaltam Nathan Stark (Robert Ryan), comerciante bem sucedido, e o forçam a acompanhá-los até uma cabana distante. Pretendendo liberta-lo no dia seguinte, os dois irmãos são surpreendidos quando Stark lhes oferece uma parceria em seu esquema para conduzir um enorme rebanho de gado para o Texas, onde poderão comprá-lo a um custo baixo.

Ben Allysson (Clark Gable) e seu irmão caçula Clint (Cameron Mitchell), desejosos em recuperar seus prejuízos pela Guerra da Secessão...

...assaltam o rico comerciante Nathan Stark (Robert Ryan).

Os homens começam a longa viagem para o Texas e durante uma nevasca, são forçados a parar em Timpas Grove. Lá, eles encontram um grupo de colonos que estavam indo para a Califórnia, e entre eles, uma bela mulher, Nella Turner (Jane Russell). Ben e Stark se sentem atraídos por ela, mas Nella vem a preferir Ben.

Stark, no entanto, oferece aos dois irmãos uma proposta tentadora e inimaginável...

...conduzir um enorme rebanho de gado para o Texas!

Contudo, as ambições de Ben são pequenas. Homem sem ganâncias, afirma para Nella que tudo o que ele quer é uma vida tranquila em um rancho no Texas. Nella, em contrapartida, relata como a dura vida de um fazendeiro matou sua mãe e diz que seu sonho é bem maior.  Não havendo mais entendimento, Ben e Nella se separam.  Ambos partem para a Califórnia, seguindo destinos diferentes, e lá, Nella reencontra Nathan Stark, por quem se sente atraída, já que ao contrário de Ben, tem ambições muito além dos seus limites.Embora Nella se mostre perplexa pelo fato de Stark tentar transformá-la em uma dama, ela reconhece que ele poderá fazer com que seus grandes sonhos se realizem. Logo em seguida, Stark compra um enorme rebanho de gado e juntamente com Ben começa a levar o gado para Montana, consternado por saber que Nella está acompanhada do rival. 

Ben vem a conhecer Nella Turner (Jane Russell), uma mulher forte com grandes ambições.



Ben e Nella se apaixonam, mas não demora muito e os dois percebem que tem finalidades bem diferentes na vida. 

Nella reencontra Nathan Stark, por quem se sente atraída, por causa de suas elevadas ambições.

A viagem prossegue com muitos incidentes e, muitas vezes, Clint, o irmão mais novo de Ben, rapaz de temperamento impulsivo, não hesita em provocar Stark. Quando Clint provoca Nella enquanto ela se banha em um rio, Stark intervém e, mais tarde, irritado, Clint tenta mata-lo. Ben intervém e, sentindo-se envergonhado por suas ações, Clint foge, sendo encontrado pelo irmão dois dias depois. Mais tarde, Clint é morto pelos índios Sioux.

Ben se alia a Stark na condução do gado, mas ele não contava com a presença de Nella.

Robert Ryan é Nathan Stark, comerciante rico e ambicioso

A viagem é cheia de incidentes, e tanto Stark quanto Ben precisam defender a manada, com a ajuda do irmão de Ben, Clint (Cameron Mitchell).

Clint se apraz em provocar Stark, até que um dia este lhe dá uma lição. Mais tarde, Clint é morto pelos Sioux.

Após sepultar o irmão, Ben descobre que os Siouxs os cercaram, forçando-os a passar por um túnel para chegarem à Montana. Como o Canyon se mostra perfeitamente localizado para uma emboscada, para evitar que os Sioux os abatam, Ben ordena que provoquem o estouro da boiada através da passagem. A estratégia de Ben funciona e o grupo sobrevive sem perder muito gado. Stark e Nella seguem na frente para Mineral City, a fim de venderem o rebanho, enquanto Ben e os demais cuidam para que os animais descansem. 

Clark Gable é Ben Allysson, ex-confederado. Um homem com ambições, mas sem ganâncias de Poder.

EM ANALISE

Sem dúvida Raoul Walsh nos trouxe um bom western, mas de longe chega a ser um dos mais excelentes do diretor de Embrutecidos pela Violência (1950) e O Intrépido General Custer (1941). Walsh preocupou-se mais em mostrar a faceta dos personagens do que propor uma história de ação dentro de um conteúdo psicológico ou moral. E mesmo sendo um dos grandes artesões do cinema, Walsh não conseguiu o suficiente apresentar sensibilidade para retirar calor humano nos personagens, ou mesmo fixar o conteúdo poético da paisagem.

Jane Russell como Nella Turner, objeto de paixão de dois homens com mentalidades e interesses opostos.

A trama gira em torno de um transporte de gado ao longo de seus 125 minutos de projeção. O ponto de partida é a aliança entre dois homens para tal empresa, mesmo sabendo que são diferentes entre si. De um lado está Ben Allyson, um ex-confederado da Guerra Civil Americana que se alia a um negociante ambicioso ao extremo, que antes o procurara roubar. De outro, Nathan Stark, este mesmo negociante que lhe propõe uma sociedade inimaginável. Ben quer apenas viver tranquilo seus dias, enquanto Stark deseja Poder e ser o dono de todo território de Montana. E para não faltar um toque feminino, surge Nella Turner, uma mulher que vai com um e volta com o outro, cavando ainda mais a atmosfera entre os dois homens, de mentalidades e interesses opostos.

Robert Ryan, Clark Gable, Jane Russel e Ben Nye (chefe de maquiagem) durante intervalo de descanso no set.

Mas Ben e Stark não são inimigos tenazes, pois a rivalidade que os dois se dispõem por Nella chega a ser de modo desportivo. Na cena final, quando finalmente Stark tem a chance de desforrar Ben, ele se dirige para alguns homens da lei com estas palavras, sobre o rival:

- Ali vai um homem que sempre respeitei. Ele é aquilo que um menino gostaria de ser quando crescer, e gostaria de ter sido quando já está velho. 

Cameron Mitchell revisa o script, na presença de Clark Gable, em intervalo do set de NAS GARRAS DA AMBIÇÃO (1955)

NAS GARRAS DA AMBIÇÃO é baseado em livro de Heck Allen (1912-1991). É um western que sugere mais uma reflexão sobre a ambição do ser humano e como este a encara (ou como ele define o que seja ambição), ao invés de ação (que está implantada em algumas cenas de tiroteios e no estouro da boiada). Embora não se trate de uma obra das mais fascinantes de Walsh, sua direção é de primeira linha, assim como a fotografia, assinada por Leo Tover (1902-1964), onde são destacadas as belezas das paisagens nevadas e montanhosas de Montana, assim como aquelas que se passam no Texas, com suas belas pradarias e seus rios, valorizado ainda mais pelo CinemaScope. Na área técnica, merece ainda ser citada a trilha sonora do mestre Victor Young (1900-1956), perfeitamente adaptada às imagens e situações.

NAS GARRAS DA AMBIÇÃO em divulgação pelos jornais do Rio de Janeiro em 1956

FICHA TECNICA


NAS GARRAS DA AMBICAO

(The Tall Men)

ANO DE PRODUÇÃO – 1955

PAÍS – ESTADOS UNIDOS

DIREÇÃO - RAOUL WALSH

PRODUÇÃO - WILLIAM A. BACHER E WILLIAM B. HAWKS, EM PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DA 20TH CENTURY FOX.

ROTEIRO – BORDEN CHASE E SYDNEY BOEHM, COM BASE EM LIVRO DE HECK ALLEN

MÚSICA – VICTOR YOUNG

FOTOGRAFIA -  LEO TOVER (Em Cores)

METRAGEM – 125 MINUTOS

ELENCO

                              CLARK GABLE – BEN ALLYSON

JANE RUSSELL – NELLA TURNER

ROBERT RYAN – NATHAN STARK

CAMERON MITCHELL – CLINT ALLYSON

JUAN GARCIA – LUIZ

ARGENTINA BRUNETTI - MARIA

HARRY SHANNON – SAM

EMILE MAYER – CHIKASAW CHARLIE

STEVE DARRELL – CORONEL NORRIS

ROBERT ADLER – WRANGLER

FRANK BAKER – BARTENDER SALOON

MAE MARSH – IMIGRANTE

RUSSELL SIMPSON – IMIGRANTE

WILL WRIGHT- GUS BARTENDER

CHUCK ROBERSON – ALVA JOHNSON

Produção e Pesquisa

PAULO TELLES


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sábado, 13 de junho de 2020

Blog Filmes Antigos Club Completa 10 anos.


Já faz muito tempo. Dez anos é uma vida em atividade, e o espaço BLOG FILMES ANTIGO CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, não poderia ser exceção.  Criado durante o evento da Copa do Mundo da África do Sul em 8 de junho de  2010, era na realidade adjunto a outro espaço hoje extinto, que era reservado para compra, venda e troca de DVDS de filmes antigos e raros entre colecionadores, e no começo era chamado de Filmes Antigos Club Artigos. O espaço que originou este blog era destinado para ser uma página sobre meras e curtas curiosidades acerca do cinema antigo, mas ao longo do tempo foi se transformando em um espaço amplo de interatividade e conhecimento sobre o assunto, postando sobre resenha de filmes famosos, biografias de astros e diretores, e claro, tentando preservar a memória e a cultura cinematográfica. Ao longo destes últimos dez anos, o blog e eu como redator fomos renovando de acordo com a interatividade de parceiros que prestigiam o espaço aqui presente. Vieram novas oportunidades, novos leitores, novos críticos, e novos apoiadores que vem ajudando a preservar de um modo ou de outro a página aqui homenageada.


Fac -Simile da primeira postagem em 8 de junho de 2010

O Blog
FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, bem como seu idealizador, não se contentou apenas a contar histórias e resenhas, bastidores e curiosidades, mas também ser interativo perante seus leitores. E não bastando apenas dividir opiniões e informações através de suas postagens, também vem colaborando e contribuindo para outras mídias. A web rádio e a literatura nos últimos anos vêm sendo um vínculo especial para com o espaço.  Ambas as mídias tem dado seu figadal apoio ao cinema através de suas respectivas empresas com seus mais fiéis amigos e colaboradores. Por isso, em celebração aos dez anos do blog FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, como editor presto um tributo a alguns destes apoiadores que nos últimos anos vem valorizando o blog e interagindo para preservação e memória da Sétima Arte. 

O editor com os amigos e companheiros, os escritores Carlos Gomes e Saulo Adami. Curitiba 2018.
Não é de desconhecimento por parte dos leitores minha estima e admiração pelo escritor catarinense Saulo Adami, que em 2014 colaborou para o artigo PLANETA DOS MACACOS – COMO TUDO COMEÇOU (publicado em 27 de outubro de 2014), e desde então fixamos parceria que foi se estendendo também nos livros. Foi graças a ele que em 2018 lancei meu primeiro livro em coautoria, PALADINO DO OESTE (Editora Estronho, São José dos Pinhais, 2018), na verdade um item da coleção “de Fã para Fã”, voltado à memória dos grandes clássicos da televisão. O livro remete na estruturação da cultuada série de TV Paladino do Oeste (Have Gun Will Travel), do gênero Western, que foi ao ar originalmente entre 1957 e 1963 e que era estrelada pelo inesquecível Richard Boone (1917-1981). Estive no lançamento em Curitiba durante a Literatiba 2018, onde voltei a encontrar outro grande amigo das letras, o escritor Carlos Gomes, que estava lançando outra obra da coleção, O Vigilante Rodoviário. Ainda interagindo na literatura sobre cinema e TV, eu e Saulo lançaremos breve TARZAN VAI AO CINEMA, pela mesma Editora Estronho (presidida por Marcelo Amado) e ainda um ensaio sobre a série televisiva estrelada por Ron Ely para a coleção “De Fã para Fã”. Meus agradecimentos a você, Saulo Adami, parceiro e irmão de jornada, muito obrigado!

Fac -simile da apresentação do artigo PLANETA DOS MACACOS - COMO TUDO COMEÇOU, com a colaboração de Saulo Adami, em 2014.
PALADINO DO OESTE - meu primeiro livro, escrito com Saulo Adami,
para a Editora Estronho.
O livro PALADINO DO OESTE pode ser encontrado pelo site da loja da Editora Estronho(https://www.lojaestronho.com.br/) ou diretamente por este blog. Mais informações acessar em: http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/p/livro-paladino-do-oeste-paulo-telles.html


Locutor Sérgio Cortêz, outro amigo e parceiro do blog
Outro amigo e parceiro que não pode ficar de fora dessa homenagem de uma década de blog é o radialista, escritor e professor Sérgio Cortez, que foi meu colega da Escola de Rádio (ER) e me fez o convite para produzir o Cine Vintage – A Sala de Cinema das Noites de Domingo, programa pela web rádio que já está em sua terceira temporada e que desde 2018 vai ao ar todos os domingos às 22 horas (com reprise nas quintas feiras, às 22 horas, e sábados, às 16h50) pela WEB RÁDIO VINTAGE (https://webradiovintage.com/). O Cine Vintage é voltado para apresentação das maiores trilhas sonoras da história do cinema, assinadas pelos mais célebres mestres da composição cinematográfica, como Alfred Newman, Bernard Herrmann, Jerry Goldsmith, John Barry, Miklos Rozsa, Dimitri Tiomkin, entre outros. Através do Cine Vintage, minha parceria com Sérgio se tornou permanente e nossos espaços interagem entre si tanto pelo amor ao cinema e a música (quem ainda não acessou o site da Web Rádio Vintage não sabe o que está perdendo, pois é uma programação de qualidade ao longo de 24 horas direto pela internet). Com Sérgio ainda colaboro com muito gosto na coluna Cine Rádio, para a revista digital e gratuita NOVA REVISTA DO RÁDIO, cuja publicação pode ser acessada aqui mesmo neste espaço (http://articlesfilmesantigosclub.blogspot.com/p/nova-revista-do-radio-cine-radio.html) e que oferece para seus leitores matérias e reportagens com primeiríssima qualidade, e também no setor de notícias da rádio. Muito obrigado Sérgio por esta sociedade que certamente renderá sempre frutos para nossos respectivos projetos. 

Página da Web Rádio Vintage, que pode ser acessada em: https://webradiovintage.com/

Paulo Telles e Sérgio Cortêz na Escola de Rádio. Rio de Janeiro, 2015.
Aproveitando o ensejo para expressar meus totais agradecimentos também a outros espaços e blogueiros que escrevem sobre cinema e que são parceiros nas divulgações desses espaço. E por que não se lembrar daqueles que comentam e leem nossos artigos, leitores e seguidores que vem contribuindo com suas opiniões ao longo destes dez anos de BLOG FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA? A TODOS os meus mais sinceros agradecimentos por suas participações e interatividade.

 MATÉRIAS A SEREM REEDITADAS EM 2020
Matéria em homenagem a Clint Eastwood para julho, atualizada e reeditada.
Além de produzir novas resenhas de filmes clássicos e biografias de estrelas do cinema, o blog FILMES ANTIGOS CLUB também irá reeditar e atualizar alguns tópicos que foram publicados ao longo desses dez anos de existência. Matérias sobre os filmes Matar ou Morrer (1952, de Fred Zinnemann), A Grande Ilusão (1949, de Robert Rossen), Rastros de Ódio (1956, de John Ford), O Último Hurrah (1958, de Ford), e A Marca da Maldade (1958, de Orson Welles) serão revistas e atualizadas no blog. Para o mês de julho, retomaremos a vida, carreira e obra de Clint Eastwood, que completou 90 anos no último dia 31 de maio, sendo relembrada em novo tópico, em tributo a esta legenda da Sétima Arte.

ARTIGOS MAIS LIDOS E VISITADOS AO LONGO DE DEZ ANOS ON LINE
Fac-simile do artigo O WESTERN AMERICANO E O WESTERN EUROPEU, publicado em 3 partes. Uma das primeiras matérias do espaço, em 2010.
Vale ressaltar que as matérias mais lidas e comentadas ao longo destes dez anos não nos fogem do registro. Uma das primeiras matérias do espaço publicadas entre junho e novembro de 2010 resgatava as lembranças dos faroestes: O Western Americano e o Western Europeu. Também relembramos alguns dos épicos mitológicos através do herói Hércules no cinema: O Mitológico Hércules no Cinema e Seus Principais Intérpretes. Foi falado sobre a saída do ator Pernell Roberts na série de Tv Bonanza, publicado em 2012, todas merecedoras de excesso de comentários e visita de leitores. Entre as biografias, a mais comentada e visitada é a de Jerry Lewis, publicada em 2016 em ocasião do aniversário de 90 anos do comediante, que morreu no ano seguinte, aos 91 anos em agosto de 2017. 

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O FILMES ANTIGOS CLUB – A NOSTALGIA DO CINEMA, agora tem mais um espaço para sua divulgação. Para ficar a par das matérias e tópicos já publicados ou ainda aqueles que estão para serem publicados.  https://www.instagram.com/blogfilmesantigosclub/
Vida longa e Próspera ao Blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema.
Paulo Telles
Redator/Editor do Blog Filmes Antigos Club - A Nostalgia do Cinema



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