domingo, 27 de agosto de 2017

Sargento York (1941): Obra Bélica com Misto de Canto Pastoral, com Gary Cooper Arrebatando seu Primeiro Oscar, Sob Direção de Howard Hawks.



1941 foi o ano do ataque japonês à Pearl Harbor, o que motivou a entrada dos Estados Unidos na II Guerra no ano seguinte. Entretanto, 1941 foi também o ano do lançamento de SARGENTO YORK (Sergeant York, 1941), dirigido e produzido pelo lendário Howard Hawks (1896-1977). A história real de Alvin C. York (1887-1964), fazendeiro do Tennessee, homem pacato, pacifista e religioso, que acaba se conscientizando da importância da guerra, tornando-se herói da I Guerra Mundial (1914-1918)e o soldado americano mais condecorado do conflito, matando 25 soldados alemães e capturando sozinho outros 132 inimigos. York compreende que, para conquistar a paz e a liberdade, às vezes pode ser preciso lutar com armas nas mãos.

O Verdadeiro Sargento Alvin C. York
(1887-1964)
York era um herói democrático, e a obra de Hawks fez questão de frisar que não há nenhuma noção aristocrática e nem hierarquia implicada em seu conceito de democracia. Alvin York, a quem o povo americano rendeu entusiásticas homenagens, era um homem simples e bastante comum, um camponês rústico e laborioso, com noção rígida do dever, que dava a sua honestidade estrutural uma feição muito marcada de puritanismo.  Em seu retumbante heroísmo no front, York não agiu levado por desejo de fama ou egocentrismo, e mesmo com o fim do conflito, seus ideais religiosos e ideológicos permaneceram os mesmos, onde deixou até mesmo  de aceitar pompas maiores, regressando a vida que sempre desejou: seus trabalhos rurais nos campos do Tennessee. 

O Cineasta Howard Hawks
Justamente por essa defesa do conceito democrático do herói e pela sua justificação ideológica da guerra, é que Sargento York age também como um filme de propaganda. A circunstância, no entanto, não lhe prejudica o mérito artístico e técnico. Trata-se de uma obra prima vista pela ótica de seu realizador, ou então, pela primorosa atuação do elenco. Howard Hawks realizou um filme autoral, principalmente pelo ritmo que nunca é acelerado e se mantém num compasso mais ou menos retardado, para se ajustar aos efeitos psicológicos do personagem, lento nas suas reações. 

Gary Cooper viveu o SARGENTO YORK (1941) no cinema
Há cenas magníficas na fita de Hawks, merecendo destaque como as mais belas e bem realizadas no cinema, através do ângulo da emoção, como as que seguem com a conversão de York, que nem sempre fora um homem pacífico e religioso. No começo, Alvin era um arruaceiro e bêbado, que arranjava confusões nos campos do Tennessee, para desgosto da mãe, uma mulher religiosa. A rebeldia e a fúria de York só são aplacadas quando, em certa noite chuvosa, um raio atinge seu rifle, sem que Alvin e seu burro em que estava montado fossem feridos. Ao ver o estado do rifle destruído, York interpretou isto como um sinal divino. Imediatamente, se dirige a um culto, onde é recebido e abençoado pelo pastor local. É daí, como em muitas outras sequencias que dão brilhantismo ao filme, é que a obra de Hawks se impõe com admirável coerência, onde as cenas são articuladas com muita habilidade pelo diretor.

Alvin York (Gary Cooper), bom com um rifle
bem antes de ingressar na guerra
Há sequencias que já parecem pré-anunciar outras passagens do filme. A cena inicial com o sermão baseado na parábola da ovelha perdida do Evangelho de Lucas - Capítulo 15 e versículos de 1 ao 7- prepara a cena de conversão do personagem principal. O concurso de tiro, onde Alvin abate um peru, já antecipa o que ele fará com os alemães no front. Destarte, SARGENTO YORK mostra uma feliz harmonia de conjunto, onde se tem uma aventura bélica adicionada a um canto pastoral com importante mensagem de fé, esperança, patriotismo, coragem, e otimismo – valores importantes para os americanos no então momento, que atravessavam os horrores da II Guerra Mundial.

O Fotógrafo Sol Polito
O Compositor Max Steiner
SARGENTO YORK foi levado às telas sob uma equipe técnica para ninguém botar defeito. Além da direção perfeita de Hawks, o cineasta John Huston (1906-1987) colaborou com o script (outros roteiristas foram Howard Koch, Harry Chandlee, e Abem Finkel), que teve como base dois livros sobre York e no diário de guerra do próprio biografado. Max Steiner (1888-1971) contribuiu com a trilha sonora, e Sol Polito (1892-1960) com a magistral fotografia em preto & branco, denegrido anos depois quando resolveram colorizar o filme por computador na década de 1980.

A Família de York: a mãe (Margaret Wycherly) e os irmãos George (Dickie Moore) e Rosie (June Lockhart).
A trama
Em 1916, no Tennessee, Alvin York (Gary Cooper) vive com sua mãe (Margaret Wycherly, 1881–1956) e os irmãos mais jovens, George (Dickie Moore, 1925-2015) e Rosie (June Lockhart), numa fazenda cujas terras não são boas para cultivo.  Juntamente com os amigos Ike Botkin (Ward Bond, 1903-1960) e Buck Lipscomb (Noah Beery Jr, 1913-1994), Alvin se mete em brigas e bebedeiras. Quando se apaixona pela bela Gracie Williams (Joan Leslie), York lhe diz que vai trabalhar para conseguir uma boa fazenda e, assim, poder casar-se com ela.  Ao participar de um concurso de tiro ao alvo, York ganha todos os prêmios, mas fica desapontado ao saber que Zeb Andrews (Robert Porterfield, 1905-1971), um fazendeiro um pouco mais abastado, comprara as terras que ele tinha em vista. Furioso, pretende matar Zeb em certa noite chuvosa, mas um raio atinge seu rifle sem feri-lo, e Alvin interpreta isso como um sinal de Deus. Ajudado pelo pastor Rosier Pile (Walter Brennan, 1894-1974), ele se volta para a religião, e assim, o antes arisco e encrenqueiro Alvin York se torna um homem pacífico e responsável.

York (Gary Cooper) com o amigo de farras e bebedeiras Ike Botkin (Ward Bond, em um desempenho bem humorado).
O Pastor Rosier Pile (Walter Brennan) e outros tentando conter a ira de Alvin (Gary Cooper).
Alvin se interessa por Gracie Williams (Joan Leslie).
Quando os Estados Unidos entram na I Guerra Mundial, Alvin encontra-se ensinando a Bíblia para um grupo de crianças.  Inicialmente, resiste à ideia de se alistar, pois matar é contra seus princípios religiosos.  Entretanto, aconselhado pelo pastor Pile, ele se despede da família e de Gracie, e se alista no exército. Durante os treinamentos, sua habilidade com o rifle chama a atenção do Oficial Comandante.  No entanto, ele recusa uma promoção, justificando que matar é contra seus princípios bíblicos.  O Oficial lhe entrega um livro sobre a história dos Estados Unidos, com informações sobre Daniel Boone e outros homens que, no passado, lutaram pela liberdade, e lhe dá uma licença de 10 dias para que ele o leia e pense a respeito. Depois de ler o referido livro, ele retorna ao exército convencido de que, muitas vezes, as pessoas devem lutar pela liberdade e pela Pátria.  Assim, após o período de treinamento, ele segue para o front, na França.

Alvin acaba aderindo a religião, se tornando um cristão convicto e pacifista.
Mesmo motivado pelas convicções religiosas, Alvin é obrigado a se alistar no Exército e lutar na guerra. Para isso, ele tem como conselheiro o Pastor Rosier Pile (Walter Brennan), que o orienta a como servir à Deus e a Pátria.
No front, York tem como companheiros de luta
"Pusher" Ross (George Tobias) e o Sargento Early (Joe Sawyer).
Em 8 de outubro de 1918, quando da ofensiva de Argonne, França,  Alvin York mata 25 alemães com 25 tiros e consegue capturar outros 132 soldados.  O então soldado é promovido a Sargento York e agraciado com a Medalha de Honra. Ao terminar a guerra, Alvin retorna à sua terra e aos braços de sua amada Gracie.  Uma vez lá, recebe do Estado do Tennessee, a título de doação, uma boa fazenda, como gratidão por seus atos de heroísmo e patriotismo.


O OSCAR PARA
GARY COOPER
Gary Cooper (1901-1961) era então o astro mais popular e requisitado em Hollywood no início da década de 1940, e estava sob contrato de Samuel Goldwyn (1879-1974) pela United Artists. A popularidade de Cooper era tanta que seu salário era maior até que o do Presidente dos Estados Unidos. Entretanto, seria a Warner a rodar o filme baseado nos feitos e heroísmo do Sargento Alvin. C. York. 

O verdadeiro Sargento York e sua mãe, em 1918.
O casamento do Sargento Alvin York e Grace Williams, tendo o governador do Estado do Tenneesse como testemunha, em 1919.
O Produtor Jesse L. Lasky promove o encontro entre Gary Cooper e Alvin C. York.
O verdadeiro Alvin York já tinha quase 55 anos quando SARGENTO YORK foi lançado nos cinemas americanos. Entretanto, uma cinebiografia sobre o herói já era planejada desde 1919 pelo produtor Jesse L. Lasky (1880-1958), com York fazendo o próprio papel, mas na ocasião ele recusou, alegando que sua farda “não estava à venda”. Na época em que vivia como um jovem fazendeiro no Tennessee e recrutado para o exército, Alvin tinha cerca de 20 e 21 anos de idade, e a Warner buscava astros mais próximos para desempenhar o biografado – entre eles Henry Fonda, Ronald Reagan (este mais de preferência com o estúdio), e James Stewart. Mas Alvin York reprovou todos os três e veio com a exigência de que o filme baseado em sua vida e em seus feitos gloriosos na I Guerra Mundial só seria rodado se Gary Cooper fizesse seu papel.  O mesmo Lasky estaria por trás da produção, juntamente com Hal B. Wallis e o diretor Howard Hawks.

Bette Davis visitou o amigo Gary Cooper no set de filmagem de SARGENTO YORK (1941).
Samuel Goldwyn.
A princípio, Cooper ficou com receio de interpretar uma celebridade que ainda estivesse viva e relutou bastante em pegar o papel. E ainda havia outro problema, porque Gary não era um ator contratado pela Warner e sim dos estúdios de Samuel Goldwyn. Mas após longas negociações entre os executivos da Warner e os executivos de Samuel Goldwyn, ficou resolvida que a empresa de Goldwyn cederia para Warner Brothers Gary Cooper para fazer Sargento York, e em troca, a contraparte emprestaria sua estrela de maior constelação, Bette Davis, para fazer Pérfida (The Little Foxes, 1941) de William Wyler, a ser realizado pela companhia de Samuel Goldwyn e distribuído pela RKO.

Gary Cooper e Alvin C. York.
Cooper, que já tinha 40 anos, era considerado velho para viver um jovem matuto do Tennessee, mas isto não impediu que o verdadeiro York requisitasse o astro para desempenhar seu papel, pois segundo palavras do próprio biografado, somente Gary Cooper exercia este poder. York participou como consultor técnico e acompanhou inúmeras filmagens ao lado de Howard Hawks. Mas certo dia, um membro da equipe, sem o menor tipo de noção ou tato, lhe perguntou quantos alemães ele havia matado. York começou a soluçar de forma tão veemente que acabou passando mal no set de filmagem. Este membro da equipe só não foi demitido porque, de forma muito nobre, York pediu que não o despedissem.

Joan Leslie, de 16 anos, viveu a personagem Gracie Williams, namorada de York.
Além da exigência de ter Gary Cooper fazendo seu papel, Alvin York ainda exigiu que parte das rendas do filme fosse beneficiada para a escola bíblica que ele havia construído no Tennessee, e que nenhuma atriz adepta do tabagismo interpretasse Gracie, sua esposa, muito embora Ann Sheridan e Jane Russell, fumantes inveteradas, fossem consideradas para o papel. A parte da esposa do biografado recaiu para a jovem Joan Leslie (1925-2015), de 16 anos, a mesma idade da verdadeira Gracie na época em que namorava York. 

Alvin York se torna o bastião de seu pelotão durante a Primeira Guerra Mundial...
matando 25 soldados alemães e capturando outros 132. Por sua bravura e coragem demonstradas no front...
SARGENTO YORK recebe as maiores condecorações e honras concedidas à um herói.
Cineastas como Victor Fleming, Michael Curtiz, Henry Koster, e Norman Taurog, se recusaram a dirigir o filme antes mesmo que o projeto fosse oferecido a Howard Hawks, que aprovou a atuação de Gary Cooper, sendo o diretor um dos grandes responsáveis pela sua indicação para um prêmio na Academia. A festa anual da premiação da Academia de Hollywood havia sido cancelada, pois dois meses antes, com o ataque a Pearl Harbor pelos japoneses, os Estados Unidos entraram na II Guerra. Mas Bete Davis, que era então presidente da Academia naquele ano, resolveu abrir a cerimônia para o público, vender entradas, e entregar os prêmios num grande auditório, e doar os lucros a Cruz Vermelha. Os diretores do evento, no entanto, acharam que, apesar da Guerra, a cerimônia deveria continuar, sendo privativa da indústria cinematográfica. Bette não concordou com isso e prontamente pediu renúncia do cargo. Ao jantar, compareceram 1.600 pessoas – recorde até então.

O regresso do Sargento Alvin York (Gary Cooper) aos Estados Unidos, e ao seio da família.
De volta ao lar, o Sargento York (Gary Cooper) recebe mais honrarias e condecorações.
Gary Cooper recebe sua primeira premiação ao Oscar nas mãos do Tenente James Stewart (que estava servindo na II Guerra) por seu desempenho como o SARGENTO YORK (1941).

E SARGENTO YORK concorreu para sete indicações: melhor filme, melhor diretor (Howard Hawks), melhor ator (Gary Cooper), melhor ator coadjuvante (Walter Brennan), melhor atriz coadjuvante (Margaret Wycherly), melhor montagem, e melhor roteiro adaptado. E o filme foi premiado com duas estatuetas: Melhor montagem (William Holmes, 1904-1978) e melhor ator do ano para Gary Cooper, que conquistou seu primeiro Oscar (o segundo viria 11 anos depois, por sua performance em Matar ou Morrer, de Fred Zinnemann). Ao receber a premiação das mãos de James Stewart, que então estava servindo como Tenente da Força Aérea e que havia vencido no ano anterior por seu papel em Núpcias de Escândalo (The Philadelphia Story), Gary Cooper dedicou o prêmio ao verdadeiro Sargento York, que estava na plateia. Cooper lamentou não poder ter se alistado na II Guerra como os demais astros de sua época devido à idade e a uma antiga lesão em seu quadril, mas sentiu que seu desempenho em SARGENTO YORK foi uma forma de contribuir para a causa. Cooper ainda ganhou pelo papel o Prêmio da Crítica de Nova York em 1941. 


Gary viria a dizer tempos depois:

- O Sargento Alvin C. York e eu tínhamos algumas coisas em comum antes mesmo que eu pudesse interpreta-lo: nós dois fomos criados nas montanhas. Ele vem das montanhas do Tennessee e eu das montanhas de Montana, e ambos aprendemos a andar e a atirar como parte do crescimento. “Sargento York” me deu um Oscar, mas não é por isso que seja meu filme favorito. Eu gostei do papel porque, no fundo, eu retratava um ícone que simbolizava o caráter e a grandeza dos Estados Unidos.

O Herói real e seu intérprete nas telas.
A estreia americana de SARGENTO YORK foi em Nova York, a 2 de julho de 1941, tendo como anfitriões Gary Cooper e o próprio Alvin. C. York. No Brasil, a obra de Howard Hawks chegou aos nossos cinemas em 1943, onde o público brasileiro prestigiou a quieta e energética atuação de Gary Cooper. Sua atuação foi base de um filme de inteligente manipulação a favor da causa americana na II Guerra, mas ao mesmo tempo, se tornou um delicioso entretenimento com misto de drama pastoral adicionada à uma eletrizante aventura bélica aos moldes da era de ouro de Hollywood.

O busto do Sargento Alvin C. York, no Tennessee.
E o autêntico Alvin Cullom York morreu em sua casa, em Nashville, Tennessee, a 2 de setembro de 1964, três anos depois da morte de Gary Cooper, seu intérprete no cinema, deixando sua esposa Gracie (falecida em 1984) e sete filhos. 

Divulgação do filme pelos jornais do Rio de Janeiro, em 1943.
FICHA TECNICA

SARGENTO YORK
(SERGEANT YORK)

País – Estados Unidos

Ano – 1941.

Gênero: Guerra/Biográfico

Direção: Howard Hawks.

Produção: Howard Hawks, Jesse Lasky, e Hal B. Wallis, para a Warner Brothers.

Roteiro: John Huston, Abem Finkel, Harry Chandlee, e Howard Koch, baseado no diário de Guerra do Sargento Alvin C. York.

Música: Max Steiner.

Fotografia: Sol Polito, em Preto & Branco.

Edição: William Holmes.

Metragem: 135 minutos.



ELENCO
Gary Cooper -  Alvin C. York
Walter Brennan - Pastor Rosier Pile
Joan Leslie      - Gracie Williams
George Tobias - Ross
Stanley Ridges -    Major Buxton
Margaret Wycherly      - Mãe de Alvin York
Ward Bond - Ike Botkin
Noah Beery Jr. - Buck Lipscomb
June Lockhart - Rosie York
Dickie Moore - George York
Clem Bevans - Zeke
Joe Sawyer      - Sgt. Early
Gig Young - Soldado
Harvey Stephens - Capt. Danforth
Carl Esmond - Major alemão
Pat Flaherty - Sgt. Harry Parsons
Frank Wilcox - Sargento
Charles Middleton - Alpinista
Charles Trowbridge - Cordell Hull
David Bruce - Bert Thomas
Robert Porterfield - Zeb Andrews
Erville Alderson - Nate Tomkins
Tully Marshall- Tio Lige
Douglas Wood - Major Hylan

PAULO TELLES
Produção e Pesquisa.

domingo, 6 de agosto de 2017

Robert Mitchum: A Vida e a Obra de um “Bad Boy” de Hollywood.


Ombros largos, olhos mortiços, uma voz de barítono que às vezes soava ameaçadora. Era um tipo realmente durão bem escalado para fazer heróis de guerra, cowboys, ou até mesmo vilões sedutores de pouca fala e bastante ação. Um astro de cinema que admitia não gostar de cinema e nem de assistir a seus próprios filmes, que só resolveu ser ator depois de ter assistido Rin Tin Tin : “Se um cachorro consegue, por que eu não?”.

Fez 125 filmes, muito além de sua expectativa, já que o homenageado deste artigo foi preso com maconha em 1948, acreditando que sua carreira por aí tivesse terminado. Mas para surpresa dele e da indústria cinematográfica, sua carreira viria a florescer e a se fortalecer por quase cinco décadas, até falecer em 1997.


Senhoras e Senhores, uma homenagem a ROBERT MITCHUM (1917-1997), que estaria completando nesta data de hoje, 6 de agosto de 2017, seu centenário de nascimento. A Vida e a Obra de um “Bad Boy” de Hollywood.


BIOGRAFIA 



Por Paulo Telles



Robert Charles Durman Mitchum nasceu em Bridgeport, Connecticut, Estados Unidos, em 6 de agosto de 1917, filho de Ann Harriet, imigrante norueguesa,  e James Thomas Mitchum, um trabalhador na área de estaleiros. Robert não conheceu o pai, pois James Thomas morreu imprensado entre dois vagões quando o futuro astro tinha apenas dois anos de idade. Robert e seus irmãos (incluindo John Mitchum, que também se tornaria ator) foram criados por sua mãe e pelo padrasto, um oficial do exército britânico.  A família viveu em Connecticut, Nova York, e Delaware.


O pequeno Robert Mitchum, aos 8 anos.
Robert Mitchum casou com Dorothy Spencer, em 1940, e tiveram três filhos.
Entretanto, Robert ao atingir a adolescência, se demostrou arredio na escola, levando-o a profundo desprezo por professores ou qualquer outra autoridade disciplinar. Isto fez com que o futuro ator passasse boa parte de sua adolescência em estrada aberta, e aos 15 anos, saiu de casa para ir à busca de aventuras. Chegou a ser preso por vadiagem e a cumprir pena acorrentado, mas Mitchum conseguiu escapar. Viajando de carona em trens de carga, chegou a Los Angeles sem imaginar em ser ator:

- Uma vez estava viajando num vagão de frigorífico comendo peras congeladas, e estava com tanto frio que enfiei jornais velhos nas calças para ficar mais quente. Um cara tinha feito fogo no vagão, e quando acordei minhas calças tinham se queimado. Lá estava eu, as duas da madrugada, numa cidade estranha e fria, e ainda por cima, nu. Meu desafio sempre foi esse: Você se meteu nisso, seu idiota, agora quero ver você sair! – Declarou Robert Mitchum anos depois em uma entrevista.


Robert Mitchum e sua esposa Dorothy, casados por mais de 50 anos.
O casal, com os filhos James e Christopher.
Antes que o mundo o conhecesse como um dos maiores astros de Hollywood, ele angariou a vida como ajudante de garçom, lavador de pratos, motorista de caminhão, salva-vidas, e estivador. Com o pouco dinheiro que juntou, chamou a namorada Dorothy, que conhecera no ginásio, e casaram-se em 1940. Dorothy Spence Mitchum (1919-2014) foi consorte de Robert por mais de cinquenta anos até o falecimento do ator, e tiveram três filhos que também vieram a serem atores: James Mitchum (nascido em 1941), Christopher Mitchum (nascido em 1943), e Trini Mitchum (nascido em 1954). 


Bob Mitchum, em sua época de Salva-Vidas.
O INÍCIO DA CARREIRA

Os Mitchum não tiveram tempo e dinheiro para organizar uma lua de mel, e Robert via que a vida se tornava mais difícil para o casal. Por isso, ele resolveu mudar de rumo. Como já havia feito parte de uma trupe de teatro amador em Long Beach, Califórnia, Robert acabou se inscrevendo nos estúdios de cinema para concorrer a pequenos papéis. 


Com Oliver Hardy: OS MESTRES DO BAILE (1943)
Em 1943, depois de algumas pontas em westerns B do cowboy Hopalong Cassidy (estrelado por William Boyd) e até mesmo em um filme da dupla Laurel & Hardy – os famosos O Gordo e o Magro – em Os Mestres do Baile (The Dancing Masters, de Malcolm St. Clair, 1943) , ganhou papéis maiores em filmes de baixo orçamento, como Aurora Sangrenta (Cry 'Havoc', de Richard Thorpe, 1943) e em A Batalha Final (Gung Ho!, de Ray Enright, 1943), estrelado por Randolph Scott. Estes dois exemplares de filmes bélicos fez com que a imagem de Robert Mitchum como um cara durão fosse notado pelos produtores. Não demoraria e Mitchum emplacaria no estrelato.


Mitchum em uma aventura do lendário Hopalong Cassidy (William Boyd), em 1943.
Em 1945, Mitchum foi o segundo nome do elenco na produção TAMBÉM SOMOS SERES HUMANOS (Story of G.I. Joe), dirigido por William A. Wellman (1896-1975) e tendo Burgess Meredith (1907-1997) no papel central.  Mitchum estourou no papel do rude e cansado tenente Walker, onde a trama versa sobre as memórias do correspondente de guerra Ernie Pyle (vivido por Meredith) durante a II Guerra. O desempenho de Bob Mitchum rendeu-lhe uma indicação para o Oscar em 1945. Entretanto, o ator não compareceu a cerimônia. 


Com Burgess Meredith: TAMBÉM SOMOS SERES HUMANOS (1945),
filme que deu a Mitchum uma indicação para o Oscar.
Mesmo não comparecendo ao evento do Oscar de 1945, sua indicação lhe rendeu vários convites e ótimos papéis. Entre 1945 a 1948, Robert Mitchum brilhou em ótimos filmes.


A OESTE DE PECOS (1945): Com Barbara Hale.
A Oeste de Pecos (West of the Pecos, 1945), direção de Edward Killy (1903–1981), traz Mitchum em seu primeiro western estrelar, ao lado de Barbara Hale (1922-2017).


NOITE DA ALMA (1946): Com Guy Madison
Noite da Alma (Till the End of Time, 1946), direção de Edward Dmytryk (1908–1999), onde entra em conflito com Guy Madison (1922-1996) pelo amor de Dorothy McGuire (1916-2001).


Mitchum como uma "sombra" nas vidas de Robert Taylor e
Katharine Hepburn, em CORRENTES OCULTAS (1946).
Correntes Ocultas (Undercurrent, 1946), suspense dirigido por Vincente Minnelli (1903-1986), onde Mitchum vive o irmão misterioso do psicopata Robert Taylor (1911-1969), que morre de ciúmes da esposa Katharine Hepburn (1908-2003).


Carregando Teresa Wright em SUA ÚNICA SAÍDA (1947).
Sua Única Saída (Pursued, 1947), espetacular western “noir” do lendário Raoul Walsh (1887-1980), com roteiro de Niven Busch (1903-1991), o mesmo autor de Duelo ao Sol (1946), em uma trama ao estilo “tragédia grega”, onde Mitchum se apaixona pela irmã de criação (Teresa Wright, 1918-2005), mas  terá que lutar contra os parentes da moça que se colocaram em seu caminho e consequentemente irá descobrir o que ocorreu de obscuro em sua vida quando criança.


Mitchum com seus dois "xarás" Robert Ryan e Robert Young no clássico RANCOR (1947).
RANCOR (Crossfire, 1947), espetacular criminal noir do diretor Edward Dmytryk, com roteiro do futuro cineasta Richard Brooks (1912-1992), onde Robert Mitchum estrela ao lado de outros dois “Roberts”: Robert Ryan (1909-1973) e Robert Young (1907-1998).  Clássico que introduziu como o tema o antissemitismo no cinema e que deu a Ryan uma indicação ao Oscar por sua atuação como o assassino antissemita, tendo Mitchum e Young respectivamente como um militar e um detetive a investigarem uma série de mortes.


Com Greer Garson e Richard Hart em SAGRADO E PROFANO (1947)
Sagrado e Profano (Desire Me, 1947), filme dirigido a quatro mãos não creditadas (George Cukor, Jack Conway, Mervyn LeRoy, e Victor Saville), onde a fenomenal Greer Garson (1904-1996) esta dividida entre o amor de seu marido (Mitchum), que foi baleado por tentar escapar de um campo de concentração durante a Guerra, e seu companheiro de cela, vivido por Richard Hart (1915-1951).


Com Jane Greer em FUGA AO PASSADO (1947)
FUGA AO PASSADO (Out of the Past, 1947), exercício de suspense “noir” dirigido por Jacques Tourneur  (1904–1977), onde Mitchum desempenha com Jane Greer (1924-2001) e Kirk Douglas, em uma das atmosferas mais clássicas do cinema.


O HOMEM QUE EU AMO (1948); William Holden e Loretta Young.
O Homem que eu Amo (Rachel and the Stranger, 1948), western modesto dirigido por Norman Foster (1903-1976), onde Mitchum interpreta um jovem viúvo que precisa de uma ajudante (Loretta Young, 1913-2000) que auxilie a cuidar da casa e de seu filho pequeno (Gary Grey, 1936-2006), mas que acaba tendo sérios conflitos com seu amigo William Holden (1918-1981) quando ambos se apaixonam pela moça.


Com Robert Preston: SANGUE NA LUA (1948)
SANGUE NA LUA (Blood on the Moon, 1948), primeiro dos dois westerns dirigido por Robert Wise (1914-2005) – o segundo foi Tributo a Um Homem Mau, em 1957, com James Cagney – onde Mitchum vive um estranho que chega a uma cidade para se juntar à um velho amigo, assumindo que é um pistoleiro contratado. Ao perceber a natureza ilícita do negócio ante esse seu amigo e os colonos, que estão sendo usados, os dois procurarão resolver a situação o tanto quanto possível. Com Robert Preston (1918-1987) e Barbara Bel Geddes (1922-2005).




 A PRISÃO POR PORTE DE MACONHA
Robert Mitchum lavando o chão de sua própria cela na cadeia.
Em fevereiro de 1949, uma foto saiu estampada em muitos jornais americanos, com Robert Mitchum de calça jeans lavando o chão da cadeia do Condado de Los Angeles. Havia acabado de ser condenado a sessenta dias de prisão, com mais dois anos de suspensão condicional, acusado de conspiração para arranjar maconha. Isso era considerado um comportamento escandaloso naquele tempo, mas o produtor David O’ Selznick (1902-1965), que possuía metade do contrato do ator, correu o risco de garantir que o jovem Mitchum sairia “um homem melhor dessa experiência”.



Robert Mitchum, até então o mais novo astro e o mais novo tipo cinematográfico – cínico, lacônico, e sexy para as mulheres – com um salário de 3.250 dólares por semana, foi apanhado quando tentava fumar um cigarro de maconha.  As circunstâncias da prisão são até hoje um tanto desconhecidas, sabendo-se apenas que dois detetives estavam fazendo escuta do lado de um chalé, de três quartos em Laurel Canyon, e tentaram forçar a porta, que foi aberta pela dançarina Vickie Evans. Seguiram-na até a sala onde encontraram a dona da casa, a atriz Lila Leeds, um corretor de imóveis, e Robert Mitchum, que no momento de sua prisão, declarou: Bem, este é o fim amargo de minha carreira, de meu lar, e de meu casamento. 


Mitchum durante a primeira audiência, ao lado de seu advogado,
Jerry Giesler.
A maconha era um assunto tão exótico nos anos de 1940 que a revista Time se sentiu compelida a incluir no noticiário sobre a prisão do ator com uma nota explicativa: “Maconha, uma droga extraída do cânhamo, que diz produzir estado de excitação”. Mitchum declarou abertamente que fumava maconha desde criança e que era normal onde fora criado. Mas em Hollywood, o assunto “drogas” lembrava escândalos desastrosos na “Meca cinematográfica”, como ocorreram na década de 1920 e que vieram a influenciar até mesmo o surgimento do Código Hays de conduta e censura na década seguinte.


Jerry Giesler, o advogado de Robert Mitchum.
Para defender Mitchum, convocaram o brilhante advogado Jerry Giesler (1886-1962), famoso entre as celebridades, o mesmo que advogou para Errol Flynn (acusado de estuprar duas adolescentes em seu iate) e Charlie Chaplin (no caso de paternidade cuja amante declarava estar grávida). Em ambos os casos, Giesler teve êxito. No dia do julgamento, Robert Mitchum ouviu o juiz perguntar qual era sua profissão, e Mitchum respondeu: “ex-ator”, acreditando que sua carreira em Hollywood terminara. Mas Giesler chegou à conclusão de que o ator havia caído em uma arapuca:

- Sua atribulação – declarou Giesler um tanto misterioso- parece ser resultado de um desejo deliberado de alguém que lhe deseja mal.


Mitchum e seu advogado Jerry Giesler.
Ainda de acordo com a defesa de Giesler, Dorothy, a mulher de Mitchum, estava passando uns dias no Leste, e o ator foi convidado para uma festa em Laurel Canyon. Logo que chegou, lhe deram um baseado. “segundos depois a porta foi arrombada” – disse Giesler no tribunal. Mitchum e outras pessoas foram apanhadas com cigarros que tinham acabado de acender. E isso não foi tudo. Segundo ainda o advogado do ator, o lugar estava com escutas, havia um microfone na parede. Entretanto, o mais estranho ainda é de a imprensa saber do caso antes mesmo da polícia invadir a casa. Parece plausível, mas nem Giesler nem ninguém mencionou quem poderia querer prejudicar a carreira de Bob Mitchum e por que.


Primeira página do Jornal O GLOBO a destacar a prisão de
Robert Mitchum, em 1948.

Mitchum e sua esposa Dorothy.
Mitchum foi aconselhado a não comparecer em uma segunda audiência com o júri. Quando o tribunal condenou o ator, Giesler desistiu de um julgamento por júri popular e sem pleitear culpa ou inocência para o cliente, solicitou ao juiz que se decidisse baseado no que o promotor havia fornecido como prova. Assim, Jerry Giesler conseguiu evitar um julgamento espetacular, mas o preço foi a prisão por sessenta dias (menos dez dias por bom comportamento) para Bob. O fato é que ninguém nunca soube quem queria ver Mitchum preso ou ver essa prisão receber melhor publicidade.


Já em casa, com sua esposa Dorothy.
Seja como for, Mitchum enfrentou a situação com decisão e coragem, e ao sair da cadeia, saiu como uma espécie de herói do povo, durão, cínico, e lacônico, como era antes de ser preso.  O ator declarou ao sair da prisão:

- Tive privacidade lá dentro. Ninguém me invejava, e ninguém queria nada de mim. Ninguém pedia as minhas grades ou o prato de pudim que passava pela abertura da porta. A prisão é como Palm Springs, só que sem o lixo de lá.

Ao contrário do que se pudesse imaginar, nas décadas que se seguiriam, sua carreira se fortaleceria. 



Com Myrna Loy em O VALE DA TERNURA (1949)
O FIM DA DÉCADA DE 1940

Após cumprir sua sentença de prisão, Robert Mitchum voltou mais fortalecido para Hollywood. Mesmo com suas declarações antihollywoodianas, os produtores o requisitaram para bons trabalhos. Bob sabia que a “cidade das redes” e a “capital dos sonhos e do glamour” o tinham em elevada cota, mas o ator sempre ironizou:

- Os produtores sempre dizem que precisam de alguém com estilo Robert Mitchum. Eu sou o único disponível.


Com Greer Garson - CAIS DA MALDIÇÃO (1949)
Janet Leigh sentada no ombro de Mitchum em
DUAS VIDAS SE ENCONTRAM (1949).
Em 1949, Bob atuou para o cineasta Lewis Milestone (1895-1980) para o singelo O Vale da Ternura (The Red Pony), onde contracenou com Myrna Loy (1905-1993). Encerrando sua década de estreia, Mitchum atuou em dois filmes importantes, ainda em 1949: O Cais da Maldição (The Big Steal), de Don Siegel (1912-1991), com Jane Greer e William Bendix (1906-1964), bom criminal – e no conto de Natal Duas Vidas se Encontram (Holiday Affair), de Don Hartman (1900-1958), com Janet Leigh (1927-2004) e Wendell Corey (1914-1968). 





A DÉCADA DE 1950

Robert Mitchum entrou na década de 1950 em grande estilo, firmando seu nome como astro de primeira grandeza na indústria cinematográfica, obtendo grandes rendimentos como campeão de bilheteria. Foi neste período que ele emplacou nos maiores filmes de sucesso trabalhando com grandes diretores (Josef von Sternberg, Nicholas Ray, John Huston, entre outros), e onde destacaremos os trabalhos mais importantes de sua carreira.


Com Jane Russell: SEU TIPO DE MULHER (1961)
SEU TIPO DE MULHER (His Kind of Woman, 1951)- criminal com toques de humor e aventura dirigido por John Farrow (1904-1963), traz Mitchum como um agente que vai encalço de um chefe do crime e conta com a ajuda de uma cantora (Jane Russell, 1921-2011) e de um ator de cinema (Vincent Price, 1911-1993) para desbarata-lo e a toda sua quadrilha.


Com Robert Ryan: A ESTRADA DOS HOMENS SEM LEI (1951)
A ESTRADA DOS HOMENS SEM LEI (The Racket, 1951) - um dos mais fascinantes filmes criminais “noir”, inicialmente dirigido sem créditos por Nicholas Ray, mas que acabou nas mãos de John Cromwell (1886-1979) que recebeu pelos créditos pela direção. A trama sobre um policial durão, o Capitão Thomas McQueeg (Mitchum), quer de qualquer maneira colocar o gângster Nick Scanlon (Robert Ryan, 1909-1973) atrás das grades, numa cidade onde impera a corrupção. McQueeg persuade Irene Hayes (Lizabeth Scott, 1922-2015), uma frequentadora do clube de Scalon, a depor. Quando Scanlon sabe que Irene vai delatá-lo para o juiz, decide calá-la para sempre. Até mesmo McQueeg tenta poupar a moça das garras de Scanlon, e consegue que os próprios gangsteres fiquem contra o chefe.


Com Gloria Grahame: MACAO (1952)
MACAO (Macao, 1952) – clássico “noir” visualmente dramático e sensual dirigido por Joseph von Sternberg (1894-1969). A trama se passa na costa sul da China, onde se agrupa uma série de pitorescos personagens que encenam um jogo de subterfúgios nas casas de jogos, hotéis, ruas e docas da colônia portuguesa. O diretor Nicholas Ray realizaria posteriormente novos "takes" para complementar este filme, contudo sem os créditos merecidos. Com Mitchum, Jane Russell, William Bendix, e Gloria Grahame (1924-1981).


Com o diretor Nicholas Ray, num intervalo de filmagem para
PAIXÃO DE BRAVO (1952).
PAIXÃO DE BRAVO (The Lusty Men, 1952) – dirigido por Nicholas Ray (1911-1979), trata-se de um “faroeste dos tempos modernos” em forma de drama, com Mitchum interpretando um cavaleiro de rodeios, que ao se machucar em uma apresentação, fica afastado das competições e retorna para sua cidade natal. Lá, ele arruma emprego em um rancho e torna-se amigo de seu patrão (Arthur Kennedy, 1914-1990), também interessado em rodeios, cuja esposa (Susan Hayward, 1918-1975), por sentir a falta de atenção do marido, acaba aos poucos nos braços de Mitchum.


Com Susan Hayward: FEITIÇO BRANCO (1953)
FEITIÇO BRANCO (White Witch Doctor, 1953)- dirigido por Henry Hathaway (1898–1985), traz novamente o casal Mitchum e Susan Hayward, que haviam atuado juntos em Paixão de Bravo no ano anterior. Uma enfermeira jovem e bonita (Hayward) chega ao Congo, em 1907, com o nobre propósito de difundir a medicina dos brancos entre os supersticiosos nativos. Enquanto cumpre sua tarefa altruística, ela tem que lidar com os curandeiros que passam a persegui-la e com sua súbita paixão por um caçador (Mitchum) mais interessado em encontrar ouro.


Com Jean Simmons: ALMA EM PÂNICO (1953).
ALMA EM PÂNICO (Angel Face, 1953) – Drama com ares de suspense dirigido pelo renomado Otto Preminger (1905-1986). Quando Sra. Tremayne aparece misteriosamente envenenada por gás, o motorista de ambulância Frank Jessup (Robert Mitchum) acaba conhecendo a sua enteada Diane (Jean Simmons, 1929-2010), bela, refinada e sensual moça que rapidamente se apaixona pelo motorista. Debaixo da influência sedutora de Diane, Frank logo se torna o chofer do Sr. Tremayne, mas ele começa a suspeitar das intenções da doce namorada. Quando ele demonstra sinais de querer sair do relacionamento, Diane executa um plano para envolvê-lo tão profundamente que ele nunca conseguirá pular fora. Durante as filmagens, Otto Preminger exigiu mais realismo na cena em que Mitchum tem que esbofetear Jean Simmons. As repetidas tomadas a mando de Preminger chegaram a tamanho absurdo que Jean não suportou tantos tapas de Bob, levando a atriz ao choro. Irritado, Mitchum partiu pra cima do diretor. Uma obra-prima do gênero “noir”, realizada pelo mestre Preminger.

Marilyn Monroe e Robert Mitchum:
O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (1953).
 The man of the West
ROBERT MITHUM & MARILYN MONROE

O rio das almas perdidas
E outros WESTERNS com BOB MITCHUM na década de 50.
Com Marilyn Monroe: O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (1953).
A imagem de Robert Mitchum também ficou bem associada aos westerns. Em 1954, o diretor Otto Preminger (1905-1986), que havia apanhado de Bob durante as filmagens de Alma em Pânico, não se importou em escala-lo para seu novo filme, O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (River of No Return, 1954). Mitchum, por sua vez, esqueceu o incidente e se uniu a Marilyn Monroe (1926-1962), que atravessava sua escalada cinematográfica. Marcado pelo perfeccionismo do cineasta, este western romântico quase não chegou ao fim, pois tanto Monroe quanto Mitchum por pouco não morreram afogados durante as filmagens, novamente graças ao impulso do diretor Preminger em querer “mais realismo” nas cenas. Mas tantas exigências resultaram num filme ágil, que prende a atenção e, entre bons momentos de ação e interpretações convincentes, se apresenta como um entretenimento competente e atraente.


Com Marilyn e Tommy Rettig: O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (1953).
A clássica cena final de O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (1953)
Em 1875, durante a corrida do ouro nos Estados Unidos, Matt Calder (Robert Mitchum), um ex-presidiário que recentemente saiu da cadeia, reencontra Mark Calder (Tommy Rettig, 1941-1996), seu jovem filho que nada sabe do seu passado. Com ele planeja se estabelecer como fazendeiro. Algum tempo depois os dois socorrem Kay Weston (Marilyn Monroe), uma cantora de saloon que conheciam, e Harry Weston (Rory Calhoun, 1922-1999), seu namorado, quando tentavam atravessar um perigoso rio em uma balsa. Mas Harry está tão ansioso em registrar uma concessão de ouro que ele diz que ganhou em um jogo que fere Matt, que o salvou, pois quer um cavalo e uma arma a qualquer custo. Kay fica então no rancho cuidando de Matt e Mark, enquanto Harry vai embora sozinho, mas prometendo voltar. Entretanto, os índios chegam ao local e os três são obrigados a fugir por um rio com perigosas corredeiras. Mas o rancheiro está determinado em chegar ao seu destino, para se vingar.


Robert Mitchum em DOMINADOS PELO TERROR (1954)
No mesmo ano, Mitchum fez outro western, DOMINADOS PELO TERROR (Track of the Cat, 1954), produzido pela empresa de John Wayne, a Batjac e dirigido por William A. Wellman (1896-1975). Mitchum interpreta um papel vilânesco, como Curt Bridges, um dos três filhos da severa matriarca Ma Bridges (Beulah Bondi, 1889-1981) e seu marido, fraco e alcoólatra (Philip Tonge, 1897-1959). Com o gado do rancho sendo atacado pelo fugaz felino matador, Bridges e seus dois irmãos, Arthur (William Hopper, 1915-1970) e Harold (Tab Hunter), são forçados a enfrentar a fera para salvar a herança da família. Teresa Wright (1918-2005) é sua amarga irmã solteirona e Diana Lynn (1926-1971) é a jovem vizinha que desperta tensões – e paixões – inflamadas em meio à crescente crise familiar.


Com Barbara Lawrence: ARMADO ATÉ OS DENTES (1955).
ARMADO ATÉ OS DENTES (Man with the Gun, 1955) – dirigido por Richard Wilson (1915-1991), este faroeste tem como trama um pistoleiro, Clint Tollinger (Mitchum), contratado por um grupo de cidadãos de bem para que imponha a ordem e a lei na cidade de Sheridan. O personagem mortífero de Tollinger - que tem uma filha desaparecida há anos e uma esposa convertida numa mulher de má reputação e vida fácil. Tollinger transformará a vida dos habitantes de Sheridan num inferno. Western exótico, com um enredo fantástico.


Com Ursula Thiess (2ª Senhora Robert Taylor) e Gilbert Roland:
O BANDIDO (1956).
O BANDIDO (Bandido!, 1956) – dirigido por Richard Fleischer (1916-2006), sua trama versa durante a Revolução Mexicana, onde um mercenário norte-americano (Mitchum) junta-se a um líder rebelde (Gilbert Roland, 1905-1994) com o objetivo de roubar um carregamento de armas.


Com Julie London: NAS MARGENS DO RIO GRANDE (1959)
NAS MARGENS DO RIO GRANDE (The Wonderful Country, 1959)- dirigido por Robert Parrish (1916-1995). Após vingar a morte de seu pai, Martin Brady (Mitchum) refugia-se no México. Anos depois, ele tem de voltar a seu país a mando de seu atual patrão para comprar armas no Texas. Lá, recusa-se a cooperar com o exército americano e ainda se envolve com a bela Ellen (Julie London, 1926-2000), mulher de um major local.


Robert Mitchum é O MENSAGEIRO DO DIABO (1956).
OUTROS TRABALHOS MARCANTES DE MITCHUM NA DÉCADA DE 1950.
Seguindo as orientações do diretor e ator Charles Laughton:
O MENSAGEIRO DO DIABO (1956).
Em 1955, o ator Charles Laughton (1899-1962) dirigiu O MENSAGEIRO DO DIABO (The Night of the Hunter, 1955). Na época de seu lançamento, o filme foi considerado um fracasso de bilheteria, tendo sido também ignorado pela crítica. O recebimento do filme foi tão decepcionante e frustrante para o brilhante ator inglês Laughton que o mesmo nunca mais dirigiu outro longa-metragem. Revisto e redescoberto ao longo dos anos, o thriller de 1955 é, hoje, tido como uma obra-prima essencial da sétima arte e há mais de cinco décadas impressiona audiências do mundo inteiro.


Com Shelley Winters: O MENSAGEIRO DO DIABO (1956).
Baseado em romance de Davis Grubb (1919-1980), conta a história de um assassino de viúvas ricas (Mitchum) que, ao sair da prisão, persegue uma família para encontrar o dinheiro que o pai, que conhecera na cadeia, havia guardado em lugar não revelado. Robert Mitchum, no papel do cínico psicopata obcecado pela ideia de encontrar o tesouro escondido, tem um desempenho soberbo como um fanático religioso, onde os destaques também ficam por conta de Shelley Winters (1920-2006) e da lendária Lillian Gish (1893-1993).


Com Deborah Kerr: O CÉU É TESTEMUNHA (1957).
Em 1957, o cineasta John Huston (1906-1987) dirigiu uma de suas grandes obras, O CÉU É TESTEMUNHA (Heaven Knows, Mr. Allison, 1957), baseado em romance de Charles Shaw (1900-1955), narrando a aventura do Capitão Allison (Robert Mitchum), dos Fuzileiros Navais, que fica sozinho em uma ilha japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, após o naufrágio de seu navio. Enquanto tenta passar despercebido pelos nipônicos do local, ele acaba conhecendo uma religiosa católica, a Irmã Angela (Deborah Kerr, 1921-2007), com quem vive grandes momentos - e o amor da Irmã por Deus será testado frente ao grande homem personificado pelo capitão que entra em sua vida.


Com Rita Hayworth e Jack Lemmon: LÁBIOS DE FOGO (1957).
LÁBIOS DE FOGO (Fire Down Below, 1957), dirigido por Robert Parrish, é uma trama sensual trazendo Mitchum, Rita Hayworth (1918-1987) e Jack Lemmon (1925-2001) em um triangulo amoroso, com muitos conflitos e confusões. 


A RAPOSA DO MAR (1957).
A RAPOSA DO MAR (The Enemy Below, 1957), dirigido e produzido por Dick Powell (1904-1963) se tornou um dos maiores clássicos estrelados por Robert Mitchum, sobre um destroyer americano e um submarino alemão que se envolvem em uma impressionante caçada no fundo do mar. A disputa é tão acirrada que os capitães tentam prever as manobras do outro, e qualquer erro pode se tornar fatal. Dick Powell deixou o público decidir o final de A Raposa do Mar. Ele rodou dois finais, e em uma exibição pré-lançamento, o público votou qual o final preferido. O final escolhido ganhou por voto unânime. Mitchum e Curd Jurgens (1915-1982) são os astros deste marcante drama de estratégia da II Guerra Mundial.


Com Robert Wagner: RAPOSAS DO ESPAÇO (1958).
RAPOSAS DO ESPAÇO (The Hunters, 1958) – também dirigido por Dick Powell, é considerado um dos primeiros filmes a mostrar uma guerra do ponto de vista do combate aéreo, e também um dos mais realistas, sendo predecessor de filmes sobre aviação como Top Gun. A história se passa durante a Guerra da Coréia (1950-1953), e Mitchum é um piloto corajoso e competente que acredita que algo está faltando em sua vida. Ele acaba se envolvendo com a mulher de outro piloto. Quando a guerra explode já não há mais espaço para sentimentos pessoais e ele deverá abandona-la para liderar um esquadrão. Com Robert Wagner, May Britt, e Richard Egan (1921-1987). 


Com Gia Scala: AS COLINAS DA IRA (1959).
AS COLINAS DA IRA (The Angry Hills, 1959) – Encerrando com chave de ouro a década de 1950, Bob Mitchum atua para o cineasta Robert Aldrich (1918-1983) neste espetacular filme bélico baseado no romance de Leon Uris (1924-2003), onde a trama se passa na Grécia de 1941, onde os aliados empreendiam uma ação corajosa, mas desesperada, contra os nazistas, que esquadrinham tudo desde o norte até Atenas, uma cidade indefesa à espera dos invasores.


AS COLINAS DA IRA (1959).
Antes disto chega à cidade Mike Morrison (Mitchum), um correspondente de guerra americano. Ele fica com a posse de uma lista de 16 líderes gregos, que concorda em entregar para a inteligência britânica. Tentando impedir que Conrad Heisler (Stanley Baker, 1928-1976), o chefe da Gestapo local, e um colunista, Dimitrios Tassos (Theodore Bikel, 1924-2015), obtenham a lista, Mike se envolve com membros da resistência grega, particularmente com a bela Eleftheria (Gia Scala, 1934-1972). Mike desce as montanhas e, ao voltar para Atenas, não se vê perseguido apenas pelos alemães, que sabem da existência da lista, mas também por Lisa Kyriakides (Elisabeth Müller, 1926-2006), uma charmosa viúva.


A DÉCADA DE 1960
A década de 1960 foi igualmente produtiva para Robert Mitchum, que já se consagrara como um astro definitivo do cinema, e como na década anterior, ele continuou atuando para grandes diretores.

Mitchum com Deborah Kerr e Peter Ustinov:
O PEREGRINO DA ESPERANÇA (1960)
Em O PEREGRINO DA ESPERANÇA (The Sundowners, 1960), Mitchum volta a contracenar com a amiga Deborah Kerr, em um filme do renomado diretor Fred Zinnemann (1907-1997), no papel de Paddy Carmody , um nômade que junto com sua esposa Ida (Kerr) e de seu filho Sean (Michael Anderson Jr) caminha pelo deserto da Austrália, parando sempre em um local ou outro para pernoitar. Entretanto, mãe e filho são visionários e querem comprar uma nova fazenda para tentar prosperar, mas Paddy não gosta da ideia e prefere continuar com seu jeito nômade de ser, até o dia que em que participa de uma competição. No elenco, destaques para Peter Ustinov (1921-2004) e Glynis Johns.  O papel de Paddy estava destinado para Gary Cooper, que por motivos de saúde, teve que largar o projeto. 

Cary Grant, Deborah Kerr, Mitchum e Jean Simmons:
DO OUTRO LADO, UM PECADO (1960)
Ainda em 1960, Mitchum contracena novamente com Deborah Kerr, na comédia DO OUTRO LADO, UM PECADO (The Grass Is Greener, 1960), com Jean Simmons e Cary Grant (1904-1986), comédia razoável dirigido por Stanley Donen. Em 1961, Mitchum novamente investe na comédia em DOIS PRACINHAS DO BARULHO (The Last Time I Saw Archie, 1961), dirigido pelo ator Jack Webb (1920-1982), que também atua ao lado de Mitchum, e ainda no elenco Martha Hyer (1924-2014). 


Com George Peppard: HERANÇA DA CARNE (1960)
Em 1960, Robert Mitchum foi escalado para o filme de Vincente Minnelli (1903-1986) A HERANÇA DA CARNE (Home from the Hill, 1969), obra baseada no romance de William Humphrey (1924-1997), sobre uma família abastada, marcada por conflitos, segredos e muitos rancores. Tudo isso vem à tona quando o filho (George Hamilton) vive a transição da adolescência para a idade adulta e tenta ser aceito pelo universo masculino, nos moldes cultivados pelo pai (Mitchum). No elenco, Eleanor Parker (1922-2013) e George Peppard (1928-1994). 

Mitchum como um psicopata em CÍRCULO DO MEDO (1962)
CIRCULO DO MEDO
GREGORY PECK E ROBERT MITCHUM

Em 1962, o diretor J. Lee Thompson colocou Robert Mitchum para antagonizar com Gregory Peck (1916-2003) no suspense criminal O CÍRCULO DO MEDO (Cape Fear, 1962), exercício de tensão e mistério onde Bob interpreta um psicopata que ao sair da prisão resolve se vingar de seu advogado (Gregory Peck) que perdeu a causa que o levou a condenação, aterrorizando a ele, sua esposa (Polly Bergen, 1930-2014), e a filha pequena (Lori Martin, 1947-2010).

Com Martin Balsan e Gregory Peck: CÍRCULO DO MEDO (1962)
Mitchum e Peck em luta mortal: CÍRCULO DO MEDO (1962)
Mitchum, a princípio, não se interessou em fazer o filme. O produtor  Sy Bartlett (1900–1978), desesperado com a recusa do ator, apelou para uma das maiores fraquezas de Robert Mitchum que o levou a um severo tratamento em 1984: o copo. Bartlett enviou uma caixa de bebida e um buquê de flores. Mitchum, durão como era, acabou se rendendo. No meio da noite, ligou para Bartlett:

- Cheirei as flores e bebi o uísque. Agora acho que tenho que fazer o filme, não é?

Mitchum como o General Norman Cota: O MAIS LONGO DOS DIAS
(1962) - Superprodução Milionária da 20th Century Fox.
O MAIS LONGO DOS DIAS
MITCHUM E GRANDE ELENCO.
Ainda em 1962, Mitchum integraria na superprodução milionária e bélica de Darryl F. Zanuck (1902-1979)para a Fox, O MAIS LONGO DOS DIAS (The Longest Day, 1962), a saga épica que conta as últimas horas para do DIA-D, operação realizada a 6 de junho de 1944 que marcou o começo do fim da II Guerra Mundial, quando as forças aliadas invadiram a Normandia, baseado em livro de Cornellius Ryan (1920-1974). Elenco multiestrelar que além de contar com Robert Mitchum ainda figuram John Wayne, Henry Fonda, Robert Ryan, Rod Steiger, Richard Burton, Mel Ferrer, Sean Connery, Jeffrey Hunter, Roddy McDowall, Curd Jurgens, Peter Lawford, Robert Wagner, entre outros.

Com Jeffrey Hunter: O MAIS LONGO DOS DIAS (1962)
Foi o filme em preto & branco mais caro já realizado (US$ 10 milhões), e o filme em preto & branco que maior renda obteve na história do cinema (US$ 17, 5 milhões só no mercado norte-americano), chegando a competir ao Oscar de melhor filme de 1962 (mas perdeu para Lawrence da Arábia, de David Lean), mas em compensação conquistou os Oscares de melhores efeitos especiais e melhor fotografia em preto & branco.  O MAIS LONGO DOS DIAS foi dirigido por cinco diretores: Ken Annakin, Andrew Marton, Bernard Vicky, Gerd Oswald, e Darryl F. Zanuck (este não creditado).

Outros Trabalhos.
Com Shirley Maclaine: DOIS NA GANGORRA (1963)
Em 1963, Mitchum atuou com Shirley Maclaine em DOIS NA GANGORRA (Two for the Seesaw, 1963), dirigido por Robert Wise (1914-2005), um drama romântico onde Mitchum vive um advogado que está em processo de divórcio e anda amargurado, quando então conhece Gittel (MacLaine), iniciando com um relacionamento repleto de altos e baixos.

Com Elsa Martinelli e Jack Hawkins: MALDITA AVENTURA (1963)
No mesmo ano, Mitchum ainda atua em breve participação na obra de John Huston A LISTA DE ADRIAN MESSENGER (The List of Adrian Messenger, 1963). Ainda em 1963, Mitchum estrela MALDITA AVENTURA (Rampage, 1963), do diretor Phil Karlson (1908-1985), ao lado de Jack Hawkins (1910-1973), Elsa Martinelli (1935-2017), e Sabu (1924-1963), aqui em seu penúltimo filme.

Mais westerns

EL- DORADO
Dois Titãs no gênero juntos:
ROBERT Mitchum e JOHN wayne
Com John Wayne: EL DORADO (1967)
Em 1967, os astros Robert Mitchum e John Wayne (1907-1979) se encontram no magnífico western EL- DORADO (EL-DORADO, 1967), do diretor Howard Hawks (1896-1977), que o cineasta resolveu fazer uma espécie de remake de outra obra de sua autoria e no mesmo gênero – ONDE COMEÇA O INFERNO (Rio Bravo), realizado em 1959, com John Wayne e Dean Martin. Mitchum praticamente repete o papel de Martin, onde interpreta um xerife bêbado e decadente.

Lobby Card de EL DORADO (1967)
Entretanto, a princípio, Howard Hawks não queria Robert Mitchum em seu filme. Quando da fase de pré-produção para El-DORADO e fase de pré-montagem do elenco principal, Hawks sabia que não seria fácil conseguir um ator que não se intimidasse com a presença em cena de John Wayne. Para o papel do xerife bêbado J.P. Harrah o primeiro nome imaginado foi o de Robert Mitchum, imediatamente vetado pelo diretor. Hawks sempre promoveu um ambiente de camaradagem nos sets de filmagem e conhecia bastante bem a fama de encrenqueiro de Bob. Mais que isso, Hawks não admitia bebida enquanto filmava e Mitchum carregava a fama de não admitir ficar longe do álcool e de um cigarrinho especial. Nomes após nomes, alguns de prestígio, foram sendo descartados, até que voltou a ser sugerido o nome de Mitchum. Nenhuma duvida pairava quanto ao talento do ator, sem dúvida já um dos grandes nomes em Hollywood.

Wayne e Bob Mitchum se deram muito bem durante as
filmagens de EL DORADO (1967). Duke o considerava um
bom ator.
Logo nas primeiras conversas entre Hawks e Mitchum para delinear o personagem J.P. Harrah, o diretor ficou surpreso com o interesse e colaboração de Bob. O cineasta sempre gostou de improvisos e permitia sugestões dos atores principais na composição dos personagens. Quando das primeiras tomadas com Mitchum, a surpresa de Hawks virou admiração, não só pelo talento, mas  principalmente pelo empenho do ator se entregando totalmente ao personagem e pela criatividade na invenção de situações não previstas em roteiro. Verdadeiramente arrebatado com o ator, Hawks não se conteve e ao final de uma sequência chamou Mitchum num canto e lhe disse:

- Bob, você é uma fraude! A maior fraude que eu já encontrei na minha vida!

Sem se abalar Mitchum perguntou:

 - Por que você está dizendo isso Howard?

Hawks respondeu:

- Porque você cria esse ar de quem não está nem aí para nada, mas se aplica totalmente ao trabalho. Você é o ator mais dedicado que eu conheço.

Tentando manter a reputação que sempre carregou, Bob disse:

- Mas não conta isso pra ninguém, ok?

A pintura de Olaf Wieghorst homenageia nos créditos de abertura dois grandes astros representantes do estilo do homem másculo e durão no cinema, aludindo-os como dois poderosos cavalos mustang em conflito:       JOHN WAYNE & ROBERT MITCHUM.
Com James Caan, Arthur Hunnicutt, e Wayne:
EL DORADO (1967).



EL DORADO é o segundo filme da trilogia do diretor Hawks que enfoca xerifes enfrentando situações de grande perigo (o primeiro, Onde Começa o Inferno, o terceiro seria Rio Lobo, em 1970, todos estrelados por Wayne). O roteiro é uma adaptação de Leigh Brackett (1915-1978) para o livro The Stars in Their Courses, de Harry Brown. Nelson Riddle (1921-1985) escreveu a trilha sonora. O filme foi realizado em Technicolor e as pinturas originais da abertura foram creditadas a Olaf Wieghorst (1899-1988), mostrando inclusive a pintura de dois cavalos selvagens se digladiando no momento em que se abrem os créditos para Wayne e Mitchum, aludindo-os como “dois poderosos mustangues” de pura raça e valor no meio cinematográfico, representantes do estilo do homem durão e másculo nas telas. O poema recitado pelo personagem de James Caan, por exemplo,  é de Edgar Allan Poe. Na cidade de El Dorado, o xerife bêbado e sem qualquer dignidade (Mitchum) é ajudado por um pistoleiro (Wayne), um jovem que prefere facas a revólveres (James Cann) e um veterano combatente da guerra contra os índios (Arthur Hunnicutt, 1910-1979), a se recuperar na luta contra um fazendeiro inescrupuloso (Edward Asner).
Mais Westerns de Robert Mitchum
Com Kirk Douglas e Richard Widmark: DESBRAVANDO O OESTE (1967)
Ainda na década de 1960, Mitchum ainda estaria à frente em alguns filmes no gênero western. Em 1967, Bob integra o elenco de DESBRAVANDO O OESTE (The Way West, 1967), fazendo o triunvirato para com dois consagrados astros da época: Kirk Douglas e Richard Widmark (1914-2008). Dirigido por Andrew V. McLaglen (1920-2014) em um tom épico e até ousado, o filme é apenas mediano.

Com Yul Brynner: VILA, O CAUDILHO (1968)
Com Dean Martin: PÔQUER DE SANGUE (1968)
Em 1968, Bob atua com Yul Brynner (1920-1985) e Charles Bronson (1921-2003) no movimentado VILA, O CAUDILHO (Villa Rides, 1968), dirigido por Buzz Kulik (1922–1999). No mesmo ano, outra fita do gênero dirigida pelo ótimo Henry Hathaway (1898-1985), PÔQUER DE SANGUE (5 Card Stud) traz Mitchum praticamente revivendo o personagem que fez em O Mensageiro do Diabo, de Charles Laughton, realizado 13 anos antes – um pastor fanático que mata aos poucos cinco integrantes de um jogo de pôquer que assassinaram seu irmão. Enquanto Mitchum é o vilão, Dean Martin (1917-1995) é o mocinho da trama, enquanto a bela Inger Stevens (1934-1970) é o interesse amoroso de Martin.

Apertando a mão de George Kennedy, sob testemunha de Lois Nettleton: BASTA, EU SOU A LEI (1969)
Em 1969, o diretor Burt Kennedy (1922–2001) realiza dois faroestes onde teve Robert Mitchum como astro: O PISTOLEIRO MARCADO (Young Billy Young, 1969), com Angie Dickinson e Robert Walker Jr – e no humorístico BASTA, EU SOU A LEI (The Good Guys and the Bad Guys), com o delegado Mitchum se associando ao bandido George Kennedy (1925-2016) para enfrentar um bando de jovens criminosos liderados pelo vilão David Carradine (1936-2009).

A BATALHA DE ÂNZIO
Com Reni Santoni e Peter Falk: A BATALHA DE ANZIO (1968)
Dirigido por Edward Dmytryk (1908–1999), A BATALHA DE ÂNZIO (Anzio) É uma superprodução italiana produzida por Dino De Laurentiis (1919–2010), que conta o desembarque das tropas aliadas em Anzio, na Itália em 1944. O correspondente de guerra americano Dick Ennis (Mitchum) e seu amigo Rabinoff (Peter Falk, 1927-2011) relatam ao comandante de Anzio, o general Lesley (Arthur Kennedy, 1914-1990), que a estrada para Roma está liberada. Mas, ao invés de ir para Roma, Lesley decide erguer uma fortaleza na costa, para depois descobrir que os alemães os aprisionara, fechando a saída da praia de Anzio. Espetáculo grandioso que conta ainda com a breve participação de Robert Ryan como o General Carson.


Mitchum visitando as tropas no Vietnã, em 1967.
HERÓI NO VIETNÃ
De espírito arredio, Robert Mitchum foi a Guerra do Vietnã. Em 1966 e 1967, o Departamento de Estado Americano pediu ao ator que fosse ao Vietnã ajudar a levantar o moral das tropas. Por isso, Mitchum recebeu uma patente simbólica de coronel e não só visitou nas frentes de combate como também participou de 152 missões como observador. Ao voltar, deu centenas de telefonemas para transmitir recados dos militares às suas famílias. 



CERIMÔNIA SECRETA
Com Mia Farrow: CERIMÔNIA SECRETA (1968)
Em 1968, Robert Mitchum contracenou com Elizabeth Taylor (1932-2011) e Mia Farrow no polêmico CERIMÔNIA SECRETA (Secret Ceremony), do diretor Joseph Losey (1909–1984), onde Mitchum vive um caso de incesto com sua sobrinha (Mia Farrow) e terá que enfrentar a fúria de uma prostituta madura vivida por Elizabeth Taylor, que vê na moça  supostamente  sua filha que havia morrido quando criança. 

OS ANOS 1970 E 80
A FILHA DE RYAN
Mitchum na obra monumental de 
David Lean.
Fora dos padrões de papéis que desempenhou em quase trinta anos de carreira, Robert Mitchum aceitou fazer um intelectual pacífico na obra monumental de David Lean (1908-1991) A FILHA DE RYAN (Ryan’s Daughter) em 1970. O papel foi pensado para Richard Burton, Richard Harris, ou Peter O’ Toole, mas nenhum deles estava disponível, e Anthony Havelock-Allen, produtor do filme, sugeriu Robert Mitchum.

Robert Mitchum como um professor provinciano e calmo, diferente
de outros personagens predecessores.
Mitchum vive o professor Charles Shaugnessy, que em 1916 vai para uma pequena aldeia da Irlanda para lecionar, e conhece a jovem Rosy Ryan (Sarah Miles), filha de Thomas (Leo McKern, 1920-2002), um importante líder de comunidade. Charles e Rosy se apaixonam, mesmo com a tamanha diferença de idade que existe entre os dois. Rosy se declara apaixonada. Um dos importantes monólogos do filme é citado por Charles (Mitchum) que diz com voz suave e pausada para a jovem amada:

Não é um crime ser jovem, mas talvez devesse ser crime um homem de meia idade roubar a juventude de uma garota. Você nasceu para ver o mundo, Rosy, não para ficar aqui. Já eu nasci para isso.

O Professor e Rosy, em noite de núpcias: A FILHA DE RYAN (1970)
Ao contrário do professor calmo e provinciano feito por Mitchum, a jovem Rosy feita por Miles é mais inquieta e exuberante. Casam-se, mas na noite de núpcias, Charles se revela um péssimo amante, para decepção de Rosy, que mais tarde encontra no traumático Major Doryan (Christopher Jones, 1941-2014) um relacionamento perfeito, levando ela ao adultério. Não demora e os aldeões descobrem toda a história, tentando linchar Rosy, mas o professor Charles intervém, mesmo correndo o risco de também ser agredido. Outro monólogo interessante no filme, feito pelo padre interpretado por Trevor Howard (1913-1988) se dirige a turba de linchadores da comunidade: Seres insignificantes que, juntos, agem como enxame de gafanhotos.

Com Sarah Miles: A FILHA DE RYAN (1970)
Em A FILHA DE RYAN, David Lean deu dimensões épicas a uma história de amor. Trata-se de um dos filmes mais bonitos do cineasta britânico e o menos conhecido da segunda fase da carreira do diretor, por seu ritmo lento e proposital, onde Robert Mitchum não decepcionou em sua interpretação. 

MAIS FILMES
A MANCHA DO PASSADO (1971)
Atravessando os anos de 1970, Robert Mitchum, com quase 55 anos de idade, aumentou seu ritmo de trabalho. Fez para Herbert B. Leonard (1922–2006) A MANCHA DO PASSADO (Going Home, 1971), onde interpreta um pai que tem conflito com o filho Jan-Michael Vincent.

A DIVINA IRA (1972)
Em 1972, Mitchum interpreta um padre “armado até os dentes” e reencontra com a amiga Rita Hayworth (numa participação especial e já adoentada pelo Alzheimer) no violento western A DIVINA IRA (The Wrath of God), dirigido por Ralph Nelson (1916-1987), que traz como vilão Frank Langella.

OPERAÇÃO YAKUZA (1974)
Em 1974, Mitchum integra num valoroso filme de ação, OPERAÇÃO YAKUZA (The Yakuza), dirigido pelo renomado Sydney Pollack (1934–2008), sobre um agente americano que volta ao Japão para resgatar a filha de seu melhor amigo (Brian Keith, 1921-1997), mas que acaba se vendo num jogo entre mafiosos japoneses.

Com Charlote Rampling: O ÚLTIMO DOS VALENTÕES (1975)

Com James Stewart e Harry Andrews: A ARTE DE MATAR (1978)
Em 1975, Mitchum interpreta o lendário detetive Philip Marlowe em O ÚLTIMO DOS VALENTÕES (Farewell, My Lovely), de Dick Richards, remake de Até a Vista, Querida (Murder, My Sweet, 1944), de Edward Dmytryk, onde Marlowe foi vivido por Dick Powell. No elenco, Charlotte Rampling, e Sylvester Stallone ainda em início de carreira. Em 1978, Mitchum voltaria a personificar Marlowe em A ARTE DE MATAR (The Big Sleep), refilmagem de A BEIRA DO ABISMO (The Big Sleep), clássico de Howard Hawks de 1946 onde Humphrey Bogart interpretou o personagem. Dirigido por Michael Winner (1935-2013), teve no elenco Sarah Miles (de A Filha de Ryan), Richard Boone (1916-1981), Joan Collins, e como participação especial, James Stewart (1908-1997).

MIDWAY (1976)

Com Ray Milland: O ÚLTIMO MAGNATA (1976)
Entre 1976, Bob Mitchum integraria em outro filme sobre a II Guerra Mundial, MIDWAY (Midway), de Jack Smight (1925–2003), com um elenco all-star composto por Charlton Heston, Henry Fonda, James Coburn, Glenn Ford, Robert Wagner, e Toshiro Mifune. No mesmo ano, fez para Elia Kazan (1909-2003) O ÚLTIMO MAGNATA (The Last Tycoon), baseado na obra de F. Scott Fitzgerald (1896–1940), também com elenco magistral – Tony Curtis, Jeanne Moreau, Robert De Niro, Jack Nicholson, Ray Milland, Dana Andrews. 

Com Kaye Luke: ASSASSINATO EM AMSTERDAM (1977)
ASSASSINATO EM AMSTERDAM (The Amsterdam Kill, 1977), de Robert Clouse (1928–1997), filme razoável de ação, onde contracena com Leslie Nielsen (1926-2010), Richard Egan (1921-1987) e Bradford Dillman. 

A Televisão e Mais Cinema
AO PASSO DA MORTE (1982) - Filme para televisão.
Foi na década de 1980 que Mitchum também investiu na televisão. Estreou na telinha em O PASSO DA MORTE (One Shoe Makes It Murder) em 1982, filme detetivesco de William Hale, contracenando com Angie Dickinson e Mel Ferrer. No ano seguinte, atuou em UM ASSASSINO NA FAMÍLIA (A Killer in the Family), de Richard T. Heffron (1930–2007), onde interpretou um presidiário fugitivo que força os filhos a agirem fora da lei, com James Spader e Eric Stoltz.


Com James Spader: UM ASSASSINO NA FAMÍLIA (1983).
Para a TV.
Robert Mitchum ainda participou de duas minisséries para a TV. NORTE E SUL (North and South), em 1985 e dirigido por Douglas Heyes (1919–1993), e SANGUE, SUOR, E LÁGRIMAS (War and Remembrance), produzido em 1988 em 12 capítulos, com Jane Seymour e Polly Bergen.

SANGUE, SUOR, E LÁGRIMAS  - minissérie para televisão em 1988
O EMBAIXADOR (1984)
Com Nastassja Kinski e John Savage: OS AMANTES DE MARIA (1984)
Voltando ao cinema, em 1984, Mitchum atuou para o cineasta russo Andrey Konchalovskiy em OS AMANTES DE MARIA (Maria's Lovers), onde foi coadjuvante de Nastassja Kinski e John Savage. No mesmo ano, fez para J. Lee Thompson (1914–2002) O EMBAIXADOR (The Ambassador), extraído do livro de Elmore Leonard (1925–2013), e tendo Ellen Burstyn e Rock Hudson (em seu último filme). 


Com Bill Murray e John Glover: OS FANTASMAS CONTRA ATACAM (1988)
Em 1988, Mitchum integrou no elenco de OS FANTASMAS CONTRA ATACAM (Scrooged), de Richard Donnen, comédia natalina baseada em Charles Dickens tendo Bill Murray e Karen Allen nos papéis principais. Retornando para a TV, EM 1989, ainda fez para Lee H. Katzin (1935–2002) ARMADILHA DE MORTE/De Olhos Vendados (Jake Spanner, Private Eye), para o canal Turner (TNT), onde Mitchum vive um velho detetive com tons de nostalgia e onde o ator pôde contracenar com o irmão mais novo, John Mitchum (1919-2001) e o filho mais velho James Mitchum – e com um time de veteranos dos bons tempos: Ernest Borgnine (1917-2012), Dick Van Patten (1928–2015), Edie Adams (1927–2008), o jogador de Basquete Kareem Abdul-Jabbar, Terry Moore, Stella Stevens, Nita Talbot, e Sheree North (1932-2005).




Pontos de Vista de Robert Mitchum sobre Hollywood, o Cinema, e a TV.
Ao longo de toda a carreira, Mitchum alegou jamais gostar de Hollywood. Quando já consagrado, gostava de dividir seu tempo entre seu sítio em Maryland e sua casa em Santa Bárbara. Assumia publicamente jamais gostar da indústria cinematográfica:

-A indústria do cinema acabou, os poucos que manjavam no negócio foram afastados, despedidos dos estúdios, e estão na fila de desempregados.

Também não gostava de frequentas salas de cinema.

- Fui duas vezes ao cinema em dez anos. Nunca se encontra lugar para estacionar.  – Disse Mitchum numa comitiva à Imprensa em 1984 quando foi lançado Os Amantes de Maria.

Sobre televisão, Bob alegou não querer fazer trabalhos na telinha, mas acabou fazendo e com sucesso. Suas atuações na minissérie Sangue, Suor, e Lágrimas (1988) e Norte e Sul (1985) foram elogiadas pela crítica. 

Em 1984, concedendo entrevista durante sua homenagem no
Calçadão da Fama, em Hollywood.
PRÊMIOS
Sua evidente má vontade para com Hollywood teve resposta. Ele jamais ganhou um Oscar e nem voltou a ser indicado depois de Também Somos Seres Humanos (1945), muito embora houvesse boatos no Show Business que suas interpretações em Peregrino da Esperança (1960), A Filha de Ryan (1970), e O Último dos Valentões (1975) seriam premiadas. Até mesmo uma estrela no Calçadão da Fama de Hollywood, Bob Mitchum só conseguiu em 1984. Voltou sua ironia quando perguntado do por que da demora na homenagem:
- Não sei, pensei que já tivesse uma. Até o Rin Tin Tin tem a sua!


ÚLTIMOS ANOS
Em sua última década, Robert Mitchum, com mais de 70 anos, ainda era ativo no cinema e na televisão. Em 1990, filmou na França VERDADEIRAMENTE PERIGOSA (Présumé dangereux), do cineasta francês Georges Lautner (1926–2013). Mas em 1991, fez uma ponta significativa no remake de um de seus sucessos, Círculo do Medo (1962) – CABO DO MEDO (Cape Fear, 1991), de Martin Scorsese, onde Robert De Niro repetiu o papel de Mitchum na versão clássica, e Nick Nolte o de Gregory Peck, que também faz breve aparição na refilmagem. A crítica não pôde evitar comparações com as duas versões: pontos para Bob Mitchum no papel do ex-presidiário que procura vingança.

VERDADEIRAMENTE PERIGOSA - Filme francês de 1990.
Com o diretor Martin Scorsese e Nick Nolte durante as gravações de
CABO DO MEDO (1991) 


Em 1993, Mitchum narrou em off o western TOMBSTONE – A JUSTIÇA ESTÁ CHEGANDO (Tombstone), mais uma versão sobre a vida de Wyatt Earp no cinema, sem qualquer legenda romântica, com Kurt Russell no papel do implacável “Leão de Tombstone”. Entre 1992 a 1994, Mitchum foi um dos astros da série de TV African Skies, produção canadense jamais apresentado no Brasil, sobre dois adolescentes (um branco e o outro negro), que vivem na África do Sul no pós-Apartheid e suas dificuldades em viver num mundo de preconceitos.

Com duas beldades na série canadense AFRICAN SKIES (1992 a 1994)
O HOMEM MORTO (1995) - Último trabalho de Mitchum no cinema.
Em 1995, contracenou com Johnny Depp em O HOMEM MORTO (Dead Man, 1995), de Jim Jarmusch, que foi sua despedida definitiva na Sétima Arte. Na televisão, em 1997, Mitchum interpretou o cineasta George Stevens em JAMES DEAN – LIVE FAST, DIE YOUNG, do diretor Mohammed Rustam, filme para o canal HBO, uma biografia sobre o ídolo rebelde do cinema. A neta de Bob, Carrie Mitchum, interpreta a atriz Pier Angeli, com Casper Van Dien como James Dean.

Mitchum se despediu das artes cênicas, interpretando o
cineasta George Stevens em JAMES DEAN-LIVE FAST, DIE YOUNG
em 1997.
Robert Mitchum, que tinha como hobbies o saxofone e a poesia, e era do Partido Republicano, morreu na manhã de 1º de julho de 1997, um mês antes de completar 80 anos, em sua casa em Santa Bárbara, Califórnia. O ator sofria de enfisema e tinha câncer no pulmão. Seu corpo foi cremado e suas cinzas espalhadas no Oceano Pacífico pela viúva Dorothy, em companhia da amiga Jane Russell. Por insistência do ator, não foi realizado nenhum serviço memorial. Entretanto, o legado no cinema de Robert Mitchum, suas interpretações e seus filmes, são registros que perpetuarão por toda uma existência, enquanto existirem estudiosos sobre cinema, fãs, e amantes da Sétima Arte.



FILMOGRAFIA


1943: A COMÉDIA HUMANA (The Human Comedy) – MGM - Direção: Clarence Brown. Elenco: Mickey Rooney, Frank Morgan, Marsha Hunt, Robert Mitchum (não creditado).

1943: MANTENHO A ORDEM (Hoppy Serves a Writ) – UNITED ARTISTS- Direção: George Archainbaud. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, Jay Kirby, Victor Jory, George Reeves, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: ARTILHEIRO AÉREO (Aerial Gunner) – PARAMOUNT – Direção: William H. Pine. Elenco: Chester Morris, Richard Arlen, Jimmy Lydon, Armelita Ward, Dick Purcell, Robert Mitchum (não creditado).


Robert Mitchum em atrito com Hopalong Cassidy (William Boyd)

1943: PATRULHA FRONTEIRIÇA (Border Patrol) – UNITED ARTISTS – Direção: Lesley Selander. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, Jay Kirby, Russell Simpson, George Reeves, Duncan Renaldo, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: FOLOW THE BAND – UNIVERSAL – Direção: Jean Yarbrough. Elenco: Eddie Quillan, Mary Beth Hughes, Leon Errol, Anne Roney, Samuel S. Hinds, Robert Mitchum (como Bob Mitchum)

1943: MINEIRO MISTERIOSO (The Leather Burners) – UNITED ARTISTS – Direção: Joseph Henabery. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, Jay Kirby, Victor Jory, George Givot, George Reeves, Robert Mitchum (não creditado)

1943: REVÓLVERES E LAÇOS (Colt Comrades) – UNITED ARTISTS – Direção: Lesley Selander. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, Jay Kirby, Teddi Sherman, Victor Jory, George Reeves, Douglas Fowley, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: JAMAIS FOMOS VENCIDOS (We've Never Been Licked) – UNIVERSAL – Direção: John Rawlins. Elenco: Richard Quine, Anne Gwynne, Noah Berry Jr, William Frowley, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: LONE STAR TRAIL – UNIVERSAL. Direção: Ray Taylor. Elenco: Johnny Mack Brown, Tex Ritter, Fuzzy Knight, Jennifer Holt, George Eldredge, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).




1943: BEYOND THE LAST FRONTIER – REPUBLIC PICTURES – Direção: Howard Bretherton. Elenco: Eddie Drew, Smiley Burnette, Lorraine Miller, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: CORVETAS EM AÇÃO (Corvette K-225) – UNIVERSAL – Direção: Richard Rosson, Howard Hawks. Elenco: Randolph Scott, James Brown, Ella Raines, Barry Fitzgerald, Andy Devine, Fuzzy Knight, Noah Beery Jr., Robert Mitchum (não creditado).

1943: FAZENDA 20 (Bar 20) – UNITED ARTISTS – Direção: Lesley Selander. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, George Reeves, Dustine Farnum, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: BEM AVENTURADOS OS QUE AMAM (Doughboys in Ireland) – COLÚMBIA – Direção: Lew Landers. Elenco: Kenny Baker, Jeff Donnell, Lynn Merrick, Guy Bonham, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: O ENGANADOR (False Colors) – UNITED – Direção: George Archainbaud. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, Jimmy Rogers,  Douglass Dumbrille, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: OS MESTRES DO BAILE (The Dancing Masters) - 20th Century Fox. Direção: Malcolm St. Clair. Elenco: Stan Laurel, Oliver Hardy, Trudy Marshall, Robert Bailey, Matt Briggs, Robert Mitchum (não creditado).

1943: AURORA SANGRENTA (Cry 'Havoc') – MGM – Direção: Richard Thorpe. Elenco: Margaret Sullavan, Ann Sothern, Joan Blondell, Fay Bainter, Ella Raines, Robert Mitchum (não creditado).


1943: CAVALEIRO DA FRONTEIRA (Riders of the Deadline) – UNITED – Direção: Lesley Selander. Elenco: William Boyd, Andy Clyde, Jimmy Rogers, Frances Woodward, Robert Mitchum (como Bob Mitchum).

1943: A BATALHA FINAL ( Gung Ho!) – UNIVERSAL. Direção: Ray Enright. Elenco: Randolph Scott, Alan Curtis, Noah Beery Jr., J. Carrol Naish, Rod Cameron, Sam Levene, Robert Mitchum, Milburn Stone.

1944: UMA ESTRANHA AVENTURA (When Strangers Marry) – MONOGRAM. Direção: William Castle. Elenco: Dean Jagger, Kim Hunter, Robert Mitchum, Neil Hamilton.

1944: NOIVAS À VAREJO (Girl Rush) – RKO – Direção: Gordon Douglas. Elenco: Wally Brown, Alan Carney, Frances Langford, Barbara Jo Allen, Robert Mitchum, Peter Hurst.

1944: TRINTA SEGUNDOS SOBRE TÓQUIO (Thirty Seconds Over Tokyo) – MGM – Direção: Mervyn LeRoy. Elenco: Spencer Tracy, Van Johnson, Robert Walker, Don DeFore, Phyllis Thaxter, Stephen McNally, Robert Mitchum, Donald Curtis.

1944: NEVADA (Nevada) – RKO – Direção: Edward Killy. Elenco: Robert Mitchum, Anne Jeffreys, Guinn 'Big Boy' Williams, Nancy Gates, Richard Martin.


Poster de TAMBÉM SOMOS SERES HUMANOS (1945)

1945: TAMBÉM SOMOS SERES HUMANOS (The Story of G.I. Joe) – UNITED – Direção: William A. Wellman. Elenco: Burgess Meredith, Robert Mitchum, Freddie Steele, Wally Cassell, John R. Reilly.

1945: A OESTE DE PECOS (West of the Pecos) – RKO – Direção: Edward Killy. Elenco: Robert Mitchum, Barbara Hale, Richard Martin, Thurston Hall, Rita Corday, Bill Williams.

1946: NOITE NA ALMA (Till the End of Time) – RKO – Direção: Edward Dmytryk. Elenco: Dorothy McGuire, Guy Madison, Robert Mitchum, Bill Williams, Tom Tully, Jean Porter.

1946: CORRENTES OCULTAS (Undercurrent) – MGM – Direção: Vincente Minnelli. Elenco: Robert Taylor, Katharine Hepburn, Robert Mitchum, Edmund Gwenn, Marjorie Main, Jayne Meadows, Clinton Sundberg.

1946: ANGÚSTIA (The Locket) – RKO – Direção: John Brahm. Elenco: Laraine Day, Brian Aherne, Robert Mitchum, Gene Raymond, Sharyn Moffett.


Poster de SANGUE NA LUA (1947)

1947: SUA ÚNICA SAÍDA (Pursued) – WARNER – Direção: Raoul Walsh. Elenco: Robert Mitchum, Teresa Wright, Judith Anderson, Dean Jagger, Alan Hale, John Rodney, Harry Carey Jr.

1947: RANCOR (Crossfire) – RKO- Direção: Edward Dmytryk. Elenco: Robert Young, Robert Mitchum, Robert Ryan, Gloria Grahame, Paul Kelly, Sam Levene, Lex Barker, Jacqueline White.

1947: SAGRADO E PROFANO (Desire Me) – MGM – Direções não creditadas: George Cukor, Jack Conway, Mervyn LeRoy, Victor Saville. Elenco: Greer Garson, Robert Mitchum, Richard Hart, Morris Ankrum, George Zucco, Cecil Humphreys.

1947: FUGA AO PASSADO (Out of the Past) – RKO – Direção: Jacques Tourneur. Elenco: Robert Mitchum, Jane Greer, Kirk Douglas, Rhonda Fleming, Richard Webb, Steve Brodie, Virginia Huston.

1948: O HOMEM QUE EU AMO (Rachel and the Stranger) – RKO – Direção: Norman Foster. Elenco: Loretta Young, Robert Mitchum, William Holden, Gary Gray, Tom Tully, Sara Haden.


Poster de SANGUE NA LUA (1948)

1948: SANGUE NA LUA (Blood on the Moon) – RKO – Direção: Robert Wise. Elenco: Robert Mitchum, Barbara Bell Gaddes, Robert Preston, Walter Brennan, Phyllis Thaxter, Frank Faylen.

1949: O VALE DA TERNURA (The Red Pony) – REPUBLIC -  Direção: Lewis Milestone. Elenco: Myrna Loy, Robert Mitchum, Louis Calhern, Shepperd Strudwick, Peter Miles, Margaret Hamilton.

1949: CAIS DA MALDIÇÃO (The Big Steal) – RKO – Direção: Don Siegel. Elenco: Robert Mitchum, Jane Greer, William Bendix, Patric Knowles, Ramon Novarro, John Qualen.

1949: DUAS VIDAS SE ENCONTRAM (Holiday Affair) – RKO – Direção: Don Hartman. Elenco: Robert Mitchum, Janet Leigh, Wendell Corey, Gordon Gebert, Esther Dale, Harry Morgan.

1950: TRÁGICO DESTINO (Where Danger Lives) – RKO – Direção: John Farrow. Elenco: Robert Mitchum,   Faith Domergue, Claude Rains, Maureen O'Sullivan, Charles Kemper.

1951: ORGULHO E ÓDIO (My Forbidden Past) – RKO. Direção: Robert Stevenson. Elenco: Robert Mitchum, Ava Gardner, Melvyn Douglas, Lucile Watson, Janis Carter.

1951: SEU TIPO DE MULHER (His Kind of Woman) – RKO – Direção: John Farrow, Richard Fleischer (não creditado). Elenco: Robert Mitchum, Jane Russell, Vincent Price, Tim Holt, Charles McGraw, Marjorie Reynolds, Raymond Burr, Jim Backus.


 O Diretor John Cromwell reunindo o cast principal de A ESTRADA
DOS HOMENS SEM LEI (1951): Robert Ryan, Lizabeth Scott, Robert Mitchum.


1951: A ESTRADA DOS HOMENS SEM LEI (The Racket) – RKO. Direção: John Cromwell, Mel Ferrer (não creditado), e Nicholas Ray (não creditado). Robert Mitchum, Lizabeth Scott, Robert Ryan, William Talman, Ray Collins, Joyce Mackenzie, Robert Hutton, William Conrad. Walter Sand.

1952: MACAO (Macao) – RKO -  Direção: Josef von Sternberg e Nicholas Ray (não creditado). Elenco: Robert Mitchum, Jane Russell, William Bendix, Gloria Grahame, Thomas Gomez, Brad Dexter, Philip Ahn, Vladimir Sokoloff.

1952: MURALHAS DE SANGUE (One Minute to Zero) – RKO – Direção: Tay Garnett. Elenco: Robert Mitchum, Ann Blyth, William Talman, Charles McGraw, Margaret Sheridan, Richard Egan, Eduard Franz.

1952: PAIXÃO DE BRAVO (The Lusty Men) – RKO – Direção: Nicholas Ray. Elenco: Robert Mitchum, Susan Hayward, Arthur Kennedy, Arthur Hunnicutt, Frank Faylen, Walter Coy, Carol Nugent.

1952: ALMA EM PÂNICO (Angel Face) – RKO – Direção: Otto Preminger. Elenco: Robert Mitchum, Jean Simmons, Mona Freeman, Herbert Marshall, Leon Ames, Barbara O'Neil, Kenneth Tobey.

1953: BONITA E AUDACIOSA (She Couldn't Say No) – RKO- Direção: Lloyd Bacon. Elenco: Robert Mitchum, Jean Simmons, Arthur Hunnicutt, Edgar Buchanan, Wallace Ford

1953: A ÚLTIMA CHANCE (Second Chance) – RKO –Direção: Rudolph Maté. Elenco: Robert Mitchum, Linda Darnell, Jack Palance, Sandro Giglio, Rodolfo Hoyos Jr., Roy Roberts.

1954: FEITIÇO BRANCO (White Witch Doctor) – 20th Century Fox – Direção: Henry Hathaway. Elenco: Robert Mitchum, Susan Hayward, Walter Slezak, Mashood Ajala, Timothy Carey.


Poster de O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (1954)

1954: O RIO DAS ALMAS PERDIDAS (River of No Return) - 20th Century Fox -  Direção:  Otto Preminger e Jean Negulesco (não creditado). Elenco: Robert Mitchum, Marilyn Monroe, Rory Calhoun, Tommy Rettig. Murvyn Vye, Douglas Spencer, Hal Baylor.

1954: DOMINADOS PELO TERROR (Track of the Cat) – WARNER/BATJAC – Direção: William A. Wellman. Elenco: Robert Mitchum, Teresa Wright, Diana Lynn, Tab Hunter, Beulah Bondi, Philip Tonge, William Hopper, Carl  Switzer.

1955: NÃO SERÁS UM ESTRANHO (Not as a Stranger) – UNITED ARTISTS – Direção: Stanley Kramer. Elenco: Robert Mitchum, Olivia De Havilland, Frank Sinatra, Gloria Grahame, Broderick Crawford, Charles Bickford, Myron McCormick, Lon Chaney Jr., Harry Morgan.

1955: O MENSAGEIRO DO DIABO (The Night of the Hunter) – UNITED ARTISTS – Direção: Charles Laughton. Elenco: Robert Mitchum, Shelley Winters, Lillian Gish, James Gleason, Evelyn Varden, Peter Graves, Billy Chapin, Sally Jane Bruce.

1955: ARMADO ATÉ OS DENTES (Man with the Gun) – UNITED ARTISTS – Direção: Richard Wilson. Elenco: Robert Mitchum, Jan Sterling, Karen Sharpe, Henry Hull, Emile Meyer, John Lupton, Barbara Lawrence, Ted de Corsia, Leo Gordon.


Poster de TRAMAS E TRAIÇÕES (1956)

1956: TRAMAS E TRAIÇÕES (Foreign Intrigue) – UNITED/AVON – Direção: Sheldon Reynolds. Elenco: Robert Mitchum, Geneviève Page, Ingrid Thulin, Frédéric O'Brady, Eugene Deckers, Inga Tidblad.

1956: O BANDIDO (Bandido!) – UNITED ARTISTS – Direção: Richard Fleischer. Elenco: Robert Mitchum, Gilbert Roland, Ursula Thiess, Zachary Scott, Rodolfo Acosta, Henry Brandon, Douglas Fowley.

Poster de O CÉU É TESTEMUNHA (1957)

1957: O CÉU É TESTEMUNHA (Heaven Knows, Mr. Allison) – 20th Century Fox – Direção: John Huston. Elenco: Robert Mitchum e Deborah Kerr.

1957: LÁBIOS DE FOGO (Fire Down Below) – COLUMBIA – Direção: Robert Parrish. Elenco: Robert Mitchum, Rita Hayworth, Jack Lemmon, Herbert Lom, Bonar Colleano, Bernard Lee, Edric Connor, Peter Illing, Anthony Newley.

1957: A RAPOSA DO MAR (The Enemy Below) – 20th Century Fox – Direção: Dick Powell. Elenco: Robert Mitchum, Curd Jurgens, David Hedison, Theodore Bikel, Russell Collins, Kurt Kreuger, Frank Albertson.

1958: A LEI DA MONTANHA (Thunder Road) – UNITED ARTISTS – Direção: Arthur Ripley. Elenco: Robert Mitchum, Gene Barry, Jacques Aubuchon, Keely Smith, Trevor Bardette, Sandra Knight.

1958: RAPOSAS DO ESPAÇO (The Hunters) – 20th Century Fox – Direção: Dick Powell. Elenco: Robert Mitchum, Robert Wagner, Richard Egan, May Britt, Lee Philips, John Gabriel, Stacy Harris, Victor Sen Yung.

1959: AS COLINAS DA IRA (The Angry Hills) – MGM – Direção: Robert Aldrich. Elenco: Robert Mitchum, Stanley Baker, Elisabeth Müller, Gia Scala, Theodore Bikel, Sebastian Cabot, Peter Illing.

1959: NAS MARGENS DO RIO GRANDE (The Wonderful Country) – UNITED ARTISTS – Direção: Robert Parrish. Elenco: Robert Mitchum, Julie London, Gary Merrill, Albert Decker, Jack Oakie, Charles McGraw.

1960: HERANÇA DA CARNE (Home from the Hill) – MGM – Direção: Vincente Minnelli. Elenco: Robert Mitchum, Eleanor Parker, George Hamilton, George Peppard, Everett Sloane, Luana Patten, Anne Seymour, Constance Ford.

1960: A NOITE DOS LUTADORES (A Terrible Beauty) – UNITED ARTISTS – Direção: Tay Garnet. Elenco: Robert Mitchum, Richard Harris, Anne Heywood, Dan O'Herlihy, Cyril Cusack, Niall MacGinnis.

1960: O PEREGRINO DA ESPERANÇA (The Sundowners) – WARNER – Direção: Fred Zinnemann. Elenco: Robert Mitchum, Deborah Kerr, Peter Ustinov, Michael Anderson Jr, Glynis Johns, Dina Merrill, Chips Rafferty, Wylie Watson,   Ronald Fraser.

1960: DO OUTRO LADO, UM PECADO (The Grass Is Greener) – UNIVERSAL – Direção: Stanley Donen. Elenco: Cary Grant, Deborah Kerr, Robert Mitchum, Jean Simmons, Moray Watson.

1961: DOIS PRACINHAS DO BARULHO (The Last Time I Saw Archie) – UNITED ARTISTS – Direção: Jack Webb. Elenco: Robert Mitchum, Jack Webb, Martha Hyer, France Nuyen, Louis Nye.


Poster de O CÍRCULO DO MEDO (1962)

1962: O CÍRCULO DO MEDO (Cape Fear ) -  UNIVERSAL – Direção: J. Lee Thompson. Elenco: Gregory Peck, Robert Mitchum, Polly Bergen, Lori Martin, Martin Balsam, Jack Kruschen, Telly Savalas, Barrie Chase, Edward Platt.

1962: O MAIS LONGO DOS DIAS (The Longest Day) – 20th  Century Fox – Direção:  Ken Annakin, Andrew Marton, e Bernhard Wicki, Darryl F. Zanuck (não creditado). Elenco: John Wayne, Robert Mitchum, Henry Fonda, Robert Ryan, Richard Burton, Rod Steiger, Edmond O’ Brien, Mel Ferrer, Jeffrey Hunter, Sean Connery, Peter Lawford, Robert Wagner, Leo Genn, E GRANDE ELENCO.

1962: DOIS NA GANGORRA (Two for the Seesaw) – UNITED ARTISTS – Direção: Robert Wise. Elenco: Robert Mitchum, Shirley MacLaine, Edmon Ryan, Elisabeth Fraser, Eddie Firestone.

1963: A LISTA DE ADRIAN MESSENGER (The List of Adrian Messenger) – UNIVERSAL – Direção:  John Huston. Elenco: Tony Curtis, Kirk Douglas, Burt Lancaster, Robert Mitchum, Frank Sinatra, George C. Scott, Dana Wynter, Clive Brook, Gladys Cooper, Herbert Marshall.

1963: MALDITA AVENTURA (Rampage) – WARNER – Direção: Phil Karlson. Elenco: Robert Mitchum, Elsa Martinelli, Jack Hawkins, Sabu, Émile Genest, Stefan Schnabel, Sylva Koscina.

1964: AS DUAS FACES DA LEI (Man in the Middle)- 20th Century Fox/Pennebaker – Direção: Guy Hamilton. Elenco: Robert Mitchum, France Nuyen, Barry Sullivan, Trevor Howard, Keenan Wynn, Sam Wanamaker,   Alexander Knox.

1964: A SENHORA E SEUS MARIDOS (What a Way to Go!) 20th Century Fox – Direção: J. Lee Thompson. Elenco: Shirley MacLaine, Paul Newman, Robert Mitchum, Dean Martin, Gene Kelly, Robert Cummings, Dick Van Dyke, Reginald Gardiner.

1965: NA VASTIDÃO DA ÁFRICA (Mister Moses) - UNITED ARTISTS – Direção: Ronald Neame. Elenco: Robert Mitchum, Carroll Baker, Ian Bannen, Alexander Knox, Raymond St. Jacques, Orlando Martins.


Poster de EL DORADO (1967)

1967: EL DORADO (El Dorado) – PARAMOUNT – Direção: Howard Hawks. Elenco: John Wayne, Robert Mitchum, James Caan, Charlene Holt, Paul Fix, Arthur Hunnicutt, Michele Carey, R.G. Armstrong, Edward Asner, Christopher George.

1967: DESBRAVANDO O OESTE (The Way West) – UNITED ARTISTS- Direção:  Andrew V. McLaglen: Elenco: Robert Mitchum, Kirk Douglas, Richard Widmark, Lola Albright, Sally Field, Katherine Justice, Jack Elam, Michael McGreevey, Harry Carey Jr.

1968: VILA, O CAUDILHO (Villa Rides) – PARAMOUNT – Direção: Buzz Kulik. Elenco: Yul Brynner, Robert Mitchum, Charles Bronson, Maria Grazia Buccella, Herbert Lom, Robert Viharo, Frank Wolff, Alexander Knox, Robert Carricart,  Fernando Rey, Julio Peña.

1968: A BATALHA DE ANZIO (Anzio/ Lo sbarco di Anzio) - Columbia Pictures Corporation e Dino de Laurentiis Cinematográfica. Direção:  Duilio Coletti e Edward Dmytryk. Elenco: Robert Mitchum, Peter Falk, Earl Holliman, Mark Damon, Robert Ryan, Reni Santoni, Arthur Kennedy.




1968: PÔQUER DE SANGUE (5 Card Stud) – PARAMOUNT – Direção: Henry Hathaway. Elenco: Dean Martin, Robert Mitchum, Inger Stevens, Roddy McDowall, Katherine Justice, John Anderson, Ruth Springford, Yaphet Kotto, Denver Pyle.

1968:  CERIMÔNIA SECRETA (Secret Ceremony) – UNIVERSAL -  Direção:  Joseph Losey. Elenco: Elizabeth Taylor, Mia Farrow, Robert Mitchum, Peggy Ashcroft, Pamela Brown.

1969: PISTOLEIRO MARCADO (Young Billy Young) – UNITED ARTISTS – Direção: Burt Kennedy. Elenco: Robert Mitchum, Angie Dickinson, Robert Walker Jr., David Carradine, Jack Kelly, John Anderson, Paul Fix, Willis Bouchey, Rodolfo Acosta.

1969: BASTA, EU SOU A LEI! (The Good Guys and the Bad Guys) – WARNER – Direção: Burt Kennedy. Elenco: Robert Mitchum, George Kennedy, Martin Balsam, David Carradine, Tina Louise, Douglas Fowley, Lois Nettleton, John Davis Chandler, John Carradine, Marie Windsor, Dick Peabody,   Kathleen Freeman.



Lobby de A FILHA DE RYAN (1970)

1970: A FILHA DE RYAN (Ryan's Daughter) – MGM – Direção: David Lean. Elenco: Robert Mitchum, Trevor Howard, Sarah Miles, Christopher Jones, John Mills, Leo McKern, Barry Foster.

1971: A MANCHA DO PASSADO (Going Home) – MGM – Direção: Herbert B. Leonard. Elenco: Robert Mitchum, Brenda Vaccaro, Jan-Michael Vincent, Jason Bernard, Sally Kirkland, Josh Mostel

1972: A DIVINA IRA (The Wrath of God) – MGM – Direção:  Ralph Nelson. Elenco: Robert Mitchum, Frank Langella, Rita Hayworth, John Colicos, Victor Buono, Ken Hutchison, Paula Pritchett, Gregory Sierra

1973: OS AMIGOS DE EDDIE COYLE (The Friends of Eddie Coyle) – PARAMOUNT – Direção de Peter Yates. Elenco: Robert Mitchum, Peter Boyle, Richard Jordan, Steven Keats, Alex Rocco, Joe Santos, Mitchell Ryan.


Poster de OPERAÇÃO YAKUZA (1974)

1974: OPERAÇÃO YAKUZA (The Yakuza)- WARNER – Direção:  Sydney Pollack. Elenco: Robert Mitchum, Brian Keith, Ken Takakura, Herb Edelman, Richard Jordan.

1975: O ÚLTIMO DOS VALENTÕES (Farewell, My Lovely) –ITC – Direção: Dick Richards. Elenco: Robert Mitchum, Charlotte Rampling, John Ireland, Sylvia Miles, Anthony Zerbe, Harry Dean Stanton, Sylvester Stallone, Jack O'Halloran.

1976: MIDWAY ( Midway) – UNIVERSAL – Direção: Jack Smight. Elenco: Charlton Heston, Henry Fonda, Toshiro Mifune, James Coburn, Glenn Ford, Edward Albert, Robert Mitchum, Cliff Robertson, Robert Webber, James Shigeta.

1976: O ÚLTIMO MAGNATA ( The Last Tycoon)- PARAMOUNT – Direção:  Elia Kazan. Elenco: Robert De Niro, Tony Curtis, Robert Mitchum, Jeanne Moreau,   Jack Nicholson, Donald Pleasence, Ray Milland, Dana Andrews, Ingrid Boulting, Peter Strauss, Theresa Russell.

1977: ASSASSINATO EM AMSTERDAM (The Amsterdam Kill) – COLUMBIA – Direção: Robert Clouse. Elenco: Robert Mitchum, Richard Egan, Leslie Nielsen, Bradford Dillman, Keye Luke, George Cheung.

1978: MATILDA (Matilda) – AIP – Direção: Daniel Mann. Elenco: Elliott Gould, Clive Revill, Harry Guardino, Roy Clark, Karen Carlson, Robert Mitchum, Lionel Stander.

1978: A ARTE DE MATAR (The Big Sleep) - ITC – Direção: Michael Winner. Elenco: Robert Mitchum, Sarah Miles, Richard Boone, Candy Clark, Joan Collins, Edward Fox, Oliver Reed, John Mills, James Stewart, Harry Andrews.

1979: MISSÃO: ASSASSINAR HITLER (Steiner - Das Eiserne Kreuz) -  Palladium Film – Direção: Andrew V. McLaglen. Elenco: Richard Burton, Rod Steiger, Robert Mitchum, Helmut Griem, Klaus Löwitsch, Michael Parks.

1980: AGÊNCIA DE ASSASSINOS (Agency) – FILMS RSL – Direção: George Kaczender. Elenco: Robert Mitchum, Lee Majors, Valerie Perrine,  Alexandra Stewart, Saul Rubinek.

1980: ASSASSINATO NA NOITE (Nightkill) – CINE ART FILM- Direção: Ted Post. Elenco: Robert Mitchum, Jacilyn Smith, Mike Connors, James Franciscus, Fritz Weaver, Sybil Danning, Michael Anderson Jr.

1982: O CAMPEÃO DA TEMPORADA (That Championship Season) – Direção: Jason Miller. Elenco: Bruce Dern, Stacy Keach, Robert Mitchum, Martin Sheen, Paul Sorvino, Arthur Franz.


Poster de O EMBAIXADOR (1984)

1984: O EMBAIXADOR (The Ambassador) – CANNON GROUP – Direção: J. Lee Thompson. Elenco: Robert Mitchum, Ellen Burstyn, Rock Hudson, Fabio Testi, Donald Pleasence, Chelli Goldenberg.

1984: OS AMANTES DE MARIA (Maria’s Lovers) – CANNON GROUP – Direção de Andrei Konchalovsky. Elenco: Nastassja Kinski, John Savage, Robert Mitchum, Keith Carradine, Anita Morris, Bud Cort

1988: O ELÉTRICO MR. NORTH (Mr. North) - Cineplex Odeon Films  - Direção: Danny Huston: Elenco: Anthony Edwards, Robert Mitchum, Lauren Bacall, Harry Dean Stanton, Anjelica Huston, Mary Stuart Masterson, Virginia Madsen, David Warner.

1988: OS FANTASMAS CONTRA ATACAM - (Scrooged) – PARAMOUNT – Direção:  Richard Donner. Elenco: Bill Murray, Karen Allen, John Forsythe, John Glover, Bobcat Goldthwait, David Johansen, Carol Kane, Robert Mitchum, Michael J. Pollard.



1990: UMA CARONA PARA O INFERNO - (Midnight Ride) – CANNON GROUP – Direção: Bob Bralver. Elenco: Michael Dudikoff, Mark Hamill, Savina Gersak, Robert Mitchum.

1991: CABO DO MEDO (Cape Fear) – UNIVERSAL- Direção: Martin Scorsese. Elenco: Robert De Niro, Nick Nolte, Jessica Lange, Juliette Lewis, Joe Don Baker, Robert Mitchum, Gregory Peck, Martin Balsan, Illeana Douglas.

1993: UMA MULHER DESEJADA (Woman of Desire) - Millennium Films. Elenco: Bo Derek, Jeff Fahey, Steven Bauer, Robert Mitchum, Thomas Hall

1994: TOMBSTONE – A JUSTIÇA ESTA CHEGANDO – BUENA VISTA – Direção: George P. Cosmatos.Elenco: Kurt Rusell, Val Kilmer, Sam Elliott, Bill Paxton, Powers Boothe, Michael Biehn, Charlton Heston, Jason Priestley. Narração de Robert Mitchum.

1995: LOUCADEMIA DE BOMBEIROS (Backfire!) – SULTAN FILMS – Direção: A. Dean Bell. Elenco: Josh Mosby, Robert Mitchum, Kathy Ireland, Telly Savalas, Shelley Winters, Mary McCormack.

O HOMEM MORTO (1995)

1995: O HOMEM MORTO (Dead Man) – PANDORA FILM- Direção de Jim Jarmusch. Elenco: Johnny Depp, Gary Farmer, Crispin Glover, Lance Henriksen, Robert Mitchum, John Hurt.




 TELEVISÃO
1982:AO PASSO DA MORTE - One Shoe Makes It Murder - (Tele-Filme) - Direção: William Hale. Elenco: Robert Mitchum, Angie Dickinson, Mel Ferrer.

1983: THE WINDS OF WAR (Minissérie)

1983: UM ASSASSINO NA FAMÍLIA - A Killer in the Family (Tele-Filme) – Direção: Richard T. Heffron. Elenco: Robert Mitchum, James Spader, Eric Stoltz

1985:  NORTE E SUL - North and South (Mini-série)

1988: SANGUE, SUOR E LÁGRIMAS - War and Remembrance (Minissérie)

1989: A IRMANDADE DA ROSA - The Brotherhood of the Rose (Minissérie)

1989 - ARMADILHA DA MORTE ou DE OLHOS VENDADOS (Título da TV Brasileira) – Jake Spanner, Private Eye – Direção: Lee H. Katzin. Canal Turner.

1990- A FAMILY FOR JOE (Série de TV)

1992/1994 – AFRICAN SKIES (Série de TV)

1995- MARSHAL – JUSTICEIRO IMPLACÁVEL (Série de TV)

1997: JAMES DEAN – LIVE FAST, DIE YOUNG – Telefilme para HBO – Direção: Mohammed Rustam. Elenco: Casper Van Dien, Carrie Mitchum, Diane Ladd, Mike Connors,  Robert Mitchum, Connie Stevens, Casey Kasem

Poster de ARMADILHA DA MORTE (1989)- TV
Aparições em TV

AFI's 100 Years... 100 Thrills: America's Most Heart-Pounding Movies (2001)
The Annual Academy Awards (1953)
Episódios:
The 39th Annual Academy Awards (1967), Robert Mitchum - Co-Apresentador: Figurinos
The 55th Annual Academy Awards (1983), Robert Mitchum - Co-Apresentador: Melhor Atriz Coadjuvante
The 70th Annual Academy Awards (1998), Robert Mitchum - Tributo em Memória (imagens de arquivo)

Para esta biografia, o autor /editor se utilizou das seguintes fontes:


LIVRO: CIDADE DAS REDES, A HOLLYWOOD NOS ANOS 40 – de Otto Friedrich – Cia das Letras, 1994.

JORNAL O GLOBO – 2 DE JULHO DE 1997

JORNAL O GLOBO – 16 DE SETEMBRO DE 1948

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