domingo, 20 de novembro de 2016

Outros 15 Maiores e Inesquecíveis Compositores do Cinema Antigo.


O que seria da Sétima Arte sem o acompanhamento musical? É inegável que o cinema e a música são duas artes que caminham juntas, pois a trilha sonora de um filme fornece o clímax ideal no desenrolar de uma trama. Todas as expressões apresentadas num acorde de Trilha Sonora (ou como chamam os portugueses lá na terrinha, de Banda Sonora) realçam aventura, grandeza, tristeza, romance, amor e ódio no teor de uma obra cinematográfica. Sem a música, o cinema não seria uma arte completa a luz das plateias.

O que seriam estas cenas de ação sem o score dos grandes compositores? Pois o cinema antigo foi abençoado com muitos deles, que fizeram encantar o público com seus acordes. Cada um exercia seu repertório, cada um tinha seu estilo único e sua originalidade, e para os amantes das trilhas sonoras clássicas do cinema, dificilmente tal estilo passa desapercebidamente. Podemos reconhecer em cada um destes Mestres o seu estilo próprio, deixando um legado não somente importante para a Sétima Arte, mas também para a História da Música.

Paulo Telles


Assim começou a primeira parte de uma matéria iniciada a 17 de junho de 2013. Lá se vão três anos quando foi feita uma retrospectiva dos quinze principais compositores do cinema antigo. Claro que ficou faltando muitos destes principais colaboradores da Sétima Arte, que contribuíram com suas trilhas e fizeram o devaneio de muitos cinéfilos e apreciadores. Pois agora, nesse exato momento, será apresentado Outros Quinze grandes compositores das telas, que não foram pautados na primeira matéria de 2013.

Mestres como Alfred Newman, Miklos Rozsa, Bernard Herrmann, Victor Young, Max Steiner, Franz Waxman, Erich Wolfgang Korngold, Dimitri Tiomkin, Alex North, Elmer Bernstein, Jerry Goldsmith, Henry Mancini, Mario Nascimbene, Maurice Jarre, e Ennio Morricone, foram abordados no primeiro artigo, que pode ser lido para apreciação em:


Vamos agora prosseguir com o tema, e fazer uma retrospectiva de Outros Quinze Grandes Compositores.



NINO ROTA (1911-1979)

Nascido em Milão a 3 de dezembro de 1911, em Milão, Itália, veio de uma família de músicos. Ainda criança, mudou-se para Roma, conde completou seus estudos no Conservatório de Santa Cecília em 1929, com Alfredo Cassela. Há esa altura, já era um “menino prodígio”, famoso tanto como compositor como regente de orquestra. Seu primeiro oratório, L'infanzia di San Giovanni Battista, foi realizada em Milão, e em Paris em 1923. sua primeira comédia lírica, Il Principe Porcaro, foi composta em 1926.



Entre 1930 a 1932, Rota viveu nos Estados Unidos, onde ganhou uma bolsa de estudos na Universidade de Curtis Filadélfia, participando de aulas de composição ministradas por Rosario Scalero, e aulas de orquestra por Fritz Reiner. Voltando para Itália, se formou em Literatura pela Universidade de Milão. Em 1937, ele começou uma carreira docente que levou à direção do Bari Conservatory, um título que ocupou de 1950 até o fim de sua vida. Escreveu trilhas para várias óperas antes de iniciar no cinema. Seu trabalho no cinema remonta ao início dos anos de 1940.



Sua filmografia inclui os nomes de quase todos os diretores notáveis de seu tempo. O primeiro deles é Federico Fellini . Ele escreveu todas as trilhas sonoras para os filmes de Fellini, desde Abismo de um Sonho (Lo sceicco bianco) em 1952, até o Ensaio de Orquestra (Prova d'orchestra) em 1978. Outros diretores incluem Renato Castellani , Luchino Visconti , Franco Zeffirelli , Mario Monicelli , Francis Ford Coppola (Oscar de melhor trilha sonora original para O Poderoso Chefão II, em 1974), king Vidor , René Clément , Edward Dmytryk , e Eduardo de Filippo. Ele também compôs a música para muitas produções teatrais por Visconti, Zefirelli e de Eduardo di Filippo.





Entre os filmes mais famosos que tem sua composição destacam-se: A Estrada (La Strada, 1954); Guerra e Paz (War and Peace, 1956); As Noites de Cabiria (Le notti di Cabiria, 1957); A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960); Rocco e seus Irmãos (Rocco i suoi fratelli, 1960); Fellini 8/2 (8/2, 1963); Julieta dos Espíritos (Giulietta degli spiriti, 1965), Romeu e Julieta (Romeo and Juliet,1968); O Poderoso Chefão (The Godfather, 1972); Amacord (Amarcord, 1973); O Poderoso Chefão II (The Godfather – Parte 2, 1974); e Casanova de Fellini (Il Casanova di Federico Fellini, 1976). Nino Rota faleceu em Roma, a 10 de abril de 1979. 


JOHN WILLIAMS (nascido em 1932)

Poucas composições musicais permaneceram tão fortes em nossa memória quanto o ritmo aterrorizante de Tubarão (Jaws, 1975), de Steven Spielberg. Um dos mais consagrados compositores do cinema americano, detentor de um bom número de premiações com o Oscar Nascido a 8 de fevereiro de 1932, em Flushing, Queens, New York e formado pela UCLA, era pianista de jazz antes de compor temas para séries de TV.


Estreou no cinema compondo para o filme Meu Sangue me Condena (I Passed for White) em 1960, seguindo de Os Assassinos (The Killers, 1964), O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls, 1967), e O Destino de uma Paixão (Jane Eyre, 1970). Seus arranjos musicais para Um Violinista no Telhado (Fiddler on the Roof, 1971) lhe concederam seu primeiro Oscar.


Ganhou Oscar por Tubarão e pela trilha de Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977), mas perdeu em Contatos Imediatos do Terceiro Grau, também de 1977. Em 1979, ganhou pela trilha famosa do filme Superman – O Filme (Superman, 1978), arranjo que o consagraria e estaria ligado para sempre com o personagem dos quadrinhos. Em 1980, ganhou por O Império Contra Ataca (Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back), e em 1982, por ET, O Extraterrestre (ET).Poucas composições musicais permaneceram tão fortes em nossa memória quanto o ritmo aterrorizante de Tubarão (Jaws, 1975), de Steven Spielberg. Um dos mais consagrados compositores do cinema americano, detentor de um bom número de premiações com o Oscar Nascido a 8 de fevereiro de 1932, em Flushing, Queens, New York e formado pela UCLA, era pianista de jazz antes de compor temas para séries de TV. 


Estreou no cinema compondo para o filme Meu Sangue me Condena (I Passed for White) em 1960, seguindo de Os Assassinos (The Killers, 1964), O Vale das Bonecas (Valley of the Dolls, 1967), e O Destino de uma Paixão (Jane Eyre, 1970). Seus arranjos musicais para Um Violinista no Telhado (Fiddler on the Roof, 1971) lhe concederam seu primeiro Oscar.



Ganhou Oscar por Tubarão e pela trilha de Guerra nas Estrelas (Star Wars, 1977), mas perdeu em Contatos Imediatos do Terceiro Grau (Close Encounters of the Third Kind), também de 1977. Em 1979, ganhou pela trilha famosa do filme Superman – O Filme (Superman, 1978), arranjo que o consagraria e estaria ligado para sempre com o personagem dos quadrinhos. Em 1980, ganhou por O Império Contra Ataca (Star Wars: Episode V - The Empire Strikes Back), e em 1982, por ET, O Extraterrestre (ET).



Seus outros créditos incluem composições para os seguintes filmes: O Destino do Posseidon; Inferno na Torre; Terremoto; 1941-Uma Guerra muito Louca; Os Caçadores da Arca Perdida; Indiana Jones e o Templo da Perdição; Império do Sol; JFK,; Nascido em 4 de Julho; Esqueceram de Mim; A lista de Schindler. 


JEROME MOROSS (1913-1983)

Nascido a 1º de agosto de 1913, no Brooklyn, Nova York, aos 18 anos já era um formando pela Universidade de Nova York. Sendo uma criança prodígio, com 5 anos já era pianista, e com 8 anos de idade, já fazia composições. Seu primeiro trabalho “adulto”, intitulado Hinos, foi realizada em público quando ele tinha 16 anos, trabalho esse conduzido por Bernard Herrmann. Outras composições teatrais incluindo Everlasting Blues (1932) e Beguine (1934), foram notáveis para seu uso de expressões folclóricas americanas.



Ele compôs para muitos espetáculos na Broadway em 1935. No cinema, estreou em Hollywood na década de 1940, como arranjador e compositor colaborando com grandes nomes dos Soundtracks, como Hugo Friedhofer e Franz Waxman. Seus próprios resultados como compositor de cinema incluem obras como O Rebelde Orgulhoso (The Proud Rebel, 1958), O Senhor da Guerra (The War Lord, 1965), e Rachel, Rachel (1968). Foi indicado para o Oscar de melhor composição pela trilha monumental e poderosa para Da Terra Nascem os Homens (The Big Country, 1958).



Além de seus significativos trabalhos para o cinema, Moross também compôs para séries de televisão, e seus melhores trabalhos na mídia foram para Gunsmoke (1955-1975) e Caravana (Wagon Train, 1957-1965). Jerome Moross faleceu a 25 de julho de 1983, na Florida. 


 JERRY FIELDING (1922-1980)

Músico de Jazz, diretor de banda, e compositor de cinema e televisão. Assim se resume este talento das trilhas que colaborou regularmente para os cineastas Sam Peckinpah, Clint Eastwood, e Michael Winner.  Jerry nasceu Joshua Itzhak Feldman, a 17 de junho de 1922, em Pittsburgh, Pensilvânia. Ele aprendeu a tocar clarinete e se juntou a uma banda de escola. Se juntou ao Instituto Carnegie para Instrumentistas, mas acabou saindo devido a problemas de saúde, que praticamente o agravaram durante toda sua vida. Depois de se recuperar, ele trabalhou no Teatro Stanley em Pittsburgh. Jerry deixou sua cidade natal aos 17 anos para se juntar à banda de swing de Ray Alvino, em seguida, executando arranjos para bandas de jazz de Los Angeles como os de Claude Thornhill , Jimmie Lunceford , Tommy Dorsey , Charlie Barnet e Les Brown .


No início da década de 1950, foi parar na TV após um bom período no Rádio, onde compôs e fez arranjos para vários programas populares americanos. Na telinha, participou de vários arranjos e chegou a ter um programa que levava o seu nome, The Jerry Fielding Show, que durou 14 episódios em 1952. Em seguida, compôs para a série de TV The Life of Riley (1953-1957). Entre 1959 a 1960, fez arranjos para o show de Betty Hutton.



Com a sombra do Macarthismo pairando nos Estados Unidos, Fielding se tornou uma das vítimas ao ter seu nome na lista negra. Somente em 1960 é que ele pôde trabalhar sossegadamente, que graças ao amigo Dalton Trumbo (outro perseguido pelo Marcarthismo) pôde compor para o cineasta Otto Preminger o filme Tempestade Sobre Washington (Advise & Consent) em 1962. Mesmo compondo pela primeira vez no cinema, Fielding ainda foi prolífero na televisão, pois compôs trilhas para as mais famosas séries da TV, como Missão Impossível, Jornada nas Estrelas, e Guerra, Sombra, e Água Fresca, ambas em 1966. No ano seguinte, se aliou pela primeira vez a Sam Peckinpah, para um programa de TV intitulado ABC Stage 67: Wine Noon, série esta dirigida por Peckinpah. Foi o início de uma parceria prolífera, porém tumultuada. Juntos, Fielding comporia os maiores sucessos deste grande diretor, a começar com Meu ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch, 1969), sucedendo-se: Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia (Bring Me the Head of Alfredo Garcia, 1974); e Pat Garret e Billy The Kid (Pat Garrett e Billy the Kid, 1973).



Na década de 1970, se aliou a outro grande diretor, Michael Winner, para quem compôs Mato em Nome da Lei (Lawman, 1971), Renegado Impiedoso (Chato’s Land, 1972), Assassino a Preço Fixo (The Mechanic, 1972), e Scorpio (Scorpio, 1973). Com o ator e cineasta Clint Eastwood, compôs para os filmes Josey Wales – O Fora da Lei (The Outlaw Josey Wales), trilha que lhe rendeu sua terceira e última indicação ao Oscar em 1976; Sem Medo da Morte (The Enforcer, 1976); e Rota Suicida (The Gauntlet, 1977). Após diversos problemas cardíacos, Jerry Fielding morreu de um ataque fulminante do coração, a 17 de fevereiro de 1980, aos 57 anos de idade. 



BURT BACHARACH (nascido em 1928)

Algumas das canções conhecidas no cinema foram compostas por Burt Bacharach, nascido a 12 de maio de 1928, como Walk on By, Do You Know the Way to San Jose?, e I’Il Never Fall In Love Again. Filho de um colunista de jornal, começou como pianista de boate e depois resolveu estudar música clássica. Foi maestro e arranjador de Vic Damone e Marlene Dietrich.



A música de Bacharach tem sido interpretada por diversos cantores famosos, incluindo, os Beatles, os Carpenters, Aretha Franklin, Jack Jones, Tom Jones, Dusty Springfield, Luther Vandross, e especialmente Dionne Warwick, que gravou demos para ele. A sua música é venerada por um estilo sofisticado, melodias marcantes de atmosfera clássica, além do uso de formas de compasso como 5/4 ou 7/4. Ele teve um total de 52 sucessos emplacados no "Top 40". Além disso, muitas das suas canções foram adaptadas por artistas de jazz da época, como Stan Getz e Wes Montgomery. A composição de David/Bacharach My Little Red Book, gravada pelos Manfred Mann em 1965, tornou-se um marco do rock.



Bacharach escreveu uma série de canções de sucesso com o letrista Hal David. A dupla recebeu três indicações consecutivas com o Oscar de melhor música entre 1965 e 1967, e os dois receberam a estatueta em 1969 por Raindrops Keep Fallin on My Head, para o filme Butch Cassidy, filme que deu a Bacharach o Oscar de melhor trilha sonora do ano. Em 1981, foi novamente premiado com o Oscar pela canção Best That You Can Do, do filme Arthur, o Milionário Sedutor (Arthur). Entre suas fascinantes composições para Sétima Arte destacam-se: Cassino Royale (1967); Horizonte Perdido (1973); e A Dor do Amor (1990). 



HUGO FRIEDHOFER (1901-1981)

Um nome bem caracterizado nos créditos dos grandes clássicos de Hollywood, Hugo Friedhofer nasceu a 3 de maio de 1901, em San Francisco, Califórnia. Começou estudar violoncelo aos 13 anos de idade, e aos dezessete foi expulso da escola por defender um professor demitido por suas crenças liberais. Depois disso, foi trabalhar como violoncelista para orquestra sinfônica de San Francisco. Casou-se muito jovem, ao 19 anos, e teve um filho com 22. Não demora muito e Friedhofer usa sua experiência musical para tocar em orquestras de teatro e em salas de cinema onde eram exibidos na ocasião os filmes mudos.


Chegando a Los Angeles na década de 1920, veio a se tornar amigo do músico violinista, George Lipschultz, que passou a ser o diretor musical da 20th Century Fox. Em 1929, Lipschultz pediu a Hugo que ocupasse o lugar de um músico para gravar em um pequeno estúdio uma música de cinema. Esse foi o começo da carreira de Freidhofer em filmes. Entretanto, quando a Fox resolveu assumir este pequeno estúdio, Friedhofer e outros músicos estavam na rua. Mas ele foi levado por Erich Korngold, um compositor relativamente novo no cinema (compôs As Aventuras de Robin Hood, em 1938) e que era integrante da Warner Bross, onde Max Steiner era o chefe musical do estúdio. Logo Hugo foi contratado pela WB, depois de organizar partituras para musicais e orquestrar principalmente para estes dois compositores.  


Em 1937, Friedhofer compôs sua primeira trilha para um filme, As Aventuras de Marco Polo (The Adventures of Marco Polo), estrelado por Gary Cooper. Embora ele ainda estivesse empregado como um orquestrador, ele gradualmente recebeu mais atribuições como compositor, tanto Alfred Newman o recomendou para esse primeiro trabalho. Entretanto apesar de ter composto para A Lei do Mais Forte (The Oklahoma Kid, 1939), A Marca do Zorro (The Mark of Zorro, 1940 – com Alfred Newman, este creditado), e A Estrada de Santa Fé (Santa Fe Trail, 1940), Hugo Friedhofer não recebeu os devidos créditos, como também não receberia nenhum credito por Gilda (1946). Em verdade, Hugo não teve créditos em 120 filmes que ele compôs ou ajudou a compor.


Rompendo com a Warner, Friedhofer se tornou um freelancer, mas Alfred Newman novamente indicou-o para Samuel Goldwyn, para quem compôs sua primeira trilha (e creditada), As Aventuras de Marco Polo. Dessa vez, ele faria a trilha para uma obra prima de William Wyler, Os Melhores Anos de Nossas Vidas (The Best Years of Our Lives), em 1946, onde pela primeira vez Freidhofer pôde mostrar sua pontuação e o reconhecimento, onde acabou por conquistar um Oscar pela sua composição. Outros créditos por suas composições se seguiriam com uma obra de Alfred Hitchcock, Um Barco e Nove Destinos (Lifeboat, 1944); os deliciosos acordes de natal com Um Anjo Caiu do Céu (The Bishop's Wife, 1944); e a música que parece elevar ao céu em Joana D’Arc (Joana D’Arc, 1948), estrelado por Ingrid Bergman. Em 1954, compôs para o western de Robert Aldrich Vera Cruz (Vera Cruz, 1954), estrelado por Burt Lancaster e Gary Cooper. 


Para a 20th Century Fox, na década de 1950, Freidhofer compôs ainda para estes grandes clássicos:  A Lei do Bravo (White Feather, 1955); As Sete Cidades do Ouro (Seven Cities of Gold, 1956); Tarde Demais Para Esquecer (An Affair to Remember, 1957); E Agora Brilha o Sol (The Sun Also Rises, 1957); O Bárbaro e a Gueixa (The Barbarian and the Geisha, 1958), este um veículo destinado a John Wayne e dirigido por John Huston; e Três Encontros com o Destino (In Love and War, 1958), A Face Oculta (One Eyed-Jacks, 1961). Hugo Friedhofer morreu a 17 de maio de 1981, após sequelas devido a uma queda. 


ARTHUR FREED (1894-1973)


Dono de um instinto excepcional para descobrir talentos, estimulou a carreira de Vincente Minelli, Gene Kelly, e Judy Garland, e foi responsável pela parte do leão da Metro nos musicais mais destacados dos anos de 1940 e 1950. Nascido a 9 de setembro de 1894, em Charleston, Freed foi contratado para escrever as canções do inovador Melodia da Broadway (The Broadway Melody) em 1929. 



Compôs um extraordinário número de canções, que incluem Singing In The Rain e You Are My Lucky Star, antes de se associar como produtor do clássico O Mágico de Oz (The Wizard of Oz, 1939, tendo produzido depois dezenas de clássicos musicais como Agora Seremos Felizes (Meet Me in St. Louis, 1944), Um Dia em Nova York (On the Town, 1949), Sinfonia em Paris (An American in Paris, 1951), Cantando na Chuva (Singin' in the Rain, 1952), e Gigi (Gigi, 1958).




Seu toque de Midas era tal que recebeu carta branca para fazer musicais experimentais, como Uma Cabana no Céu (Cabin in the Sky, 1943), composto por um elenco de artistas negros, e o surrealista e extravagante Yolanda e o Ladrão (Yolanda and the Thief, 1945), estrelado por Fred Astaire.  Arthur Freed, que foi um dos mais importantes produtores de cinema dos Estados Unidos, morreu a 12 de abril de 1973.



 GEORGE GERSHWIN (1898-1937)

Nascido a 26 de setembro de 1898, no Brooklyn, Nova York, interessou-se por música aos 12 anos e sua primeira composição, Swanee, ocorreu em 1919. Escreveu uma série de composições que fizeram muito sucesso na Broadway, geralmente em parceria com seu irmão Ira, um brilhante letrista. Muitas de saus melodias, sublimes e eternas, foram ouvidas em quase 50 filmes. Clássicos com Embraceable You, The Man I Love, e Someone to Watch Over me, eram apresentados com frequência, enquanto seu trabalho orquestral, Rhapsody in Blu, foi apresentado quatro vezes, a primeira em O Rei do Jazz (King of Jazz), de 1929.



Rapsódia Azul (Raphsody In Blue) também foi o título de sua cinebiografia levada as telas em 1945 e estrelado por Robert Alda no papel de Gershwin. A ópera Porgy and Bess foi filmada em 1959. A peça Girl Crazy foi encenada três vezes e ele produziu trilhas originais para dois filmes de Fred Astaire: Cativa e Cativante (A Damsel in Distress, 1937), que apresentava A Foggy Day; e Vamos Dançar (Shall We Dance, 1937).



Sua trilha para Goldwyn Follies (The Goldwyn Follies, 1938), trazia Love Is Here To Stay, que foi cantada por Gene Kelly em Sinfonia em Paris, em 1952. Sua morte, ocorrida a 11 de julho de 1937, vitimado por um tumor cerebral com apenas 38 anos de idade, foi uma perda irreparável para a música americana. Contudo, até hoje, o cinema e sua música são influenciados pelos arranjos e pelo legado de George Gershwin.




QUINCY JONES (nascido em 1933)

Um guru de enorme talento e influencia na música americana, Quincy Jones nasceu a 14 de março de 1933, em Chicago. Jones é mais conhecido como executivo da indústria fonográfica, produtor e compositor. Aos 10 anos, cantava em um quarteto gospel em Seatle, quando se tornou de um jovem chamado Ray Charles, com quem mais tarde faria turnê.



Depois de frequentar a Breklee School of Music, em Boston, tocou trompete com Lionel Hampton antes de se estabelecer em Paris, onde trabalhou como arranjador, maestro, e compositor durante seis anos. Produziu seu primeiro sucesso, It’s My Party, em 1963, e dois anos mais tarde, trabalhou com Sidney Lumet na trilha sonora para O Homem do Prego (The Pawnbroker, 1965), a primeira de três bem sucedidas parcerias.



Foi responsável por outras trilhas memoráveis, entre elas a música sinistra de A Sangue Frio (Point Blank, 1967), No Calor da Noite (In the Heat of the Night, 1967), e no movimentado western O Ouro de Mackenna (Mackenna’s Gold, 1969). Com A Cor Púrpura (The Color Purple, 1985), Jones saciou um antigo desejo ao produzir um romance de Alice Walker. Quincy Jones ainda foi tema de um documentário, Listen Up, produzido em 1990.


MICHEL LEGRAND (nascido em 1932)

Legrand é conhecido internacionalmente desde que colaborou com o cineasta de Novelle Vague Jacques Demy pela sua trilha sonora para Os Guarda Chuvas do Amor (Les Parapluies de Cherbourg), tremendo sucesso mundial em 1964. Filho prodígio do igualmente compositor de cinema Raymond Legrand (1908-1974), era estudante do Conservatório de Paris aos 11 anos de idade.



Cantor, autor de músicas e líder de banda antes de entrar para o cinema, Michel Legrand é conhecido pelo seu lirismo exuberante e romântico em suas trilhas, laureados pelos Oscars por The Windmills of Your Mind do filme Crown, o Magnífico (Crown, 1968), e pela trilha sonora de O Verão de 42 (Summer of 42, 1971), além dos arranjos e trilha para Yentl (1983), estrelado por Barbra Streisand.



Compôs para filmes ingleses, norte-americanos, e franceses. Incluem trabalhos como: O Mensageiro (1971), O Ocaso de uma Estrela (1972), e Atlantic City (1980). Atualmente está compondo para um filme francês a ser lançado em 2017, Les Gardiennes, do diretor Xavier Beauvois.



RICHARD RODGERS (1902-1979)

Richard Rodgers foi o criador de muitos dos mais famosos musicais da Broadway e de Hollywood, inicialmente com letras compostas por Lorenz Art, e depois por Oscar Hammerstein II. Precisou de esperar o advento dos filmes sonoros para que este nova-iorquino nascido a 28 de junho de 1902 pudesse estrear no cinema, com Primavera de Amor (Spring Is Here, 1930).



Em sua carreira, alternando com facilidade obras para o teatro e para o cinema, compôs muitas canções marcantes Isn’t It Romantic do filme Ama-me Esta Noite (Love-me Tonight, 1932), a vencedora do Oscar It’s Might As Well Be Spring, do filme Corações Enamorados (State Fair, 1945), além de canções para Dançarina Russa (On Your Toes, 1939), Sangue de Artista (Babs in Arms, 1939), e Os Gregos eram Assim (The Boys from Syracuse, 1940). Em 1953, Tom Drake e Mickey Rooney interpretaram respectivamente Rodgers e Lorenz Hart no filme Main Street to Broadway, dirigido por Tay Garnett.


Seu incomparável currículo segue com Oklahoma (1955), Carrossel (1956), O Rei e Eu (1956), Meus Dois Carinhos (1956), No Sul do Pacífico (1958), Flor de Lotus (1961), e A Mais Querida do Mundo (1962). Foi agraciado com o grande sucesso de A Noviça Rebelde (The Sound of Music) em 1965. Richard Rodgers faleceu a 30 de dezembro de 1979. 


JULE STYNE (1905-1994)

Sua família emigrou da Grã-Bretanha para os Estados Unidos quando ele era criança. Um prodígio no piano, nascido a 31 de dezembro de 1905 em Londres, já se apresentava com orquestras sinfônicas quando já tinha 8 anos de idade. Formou uma banda em 1922, e alcançou sucesso com a co-autoria de música Sunday.


Na década de 1930, era professor de canto de estrelas como Shirley Temple. Logo passou a escrever músicas para os filmes de Hollywood, incluindo It’s Magic, para a estreia de Doris Day em Romance em Alto Mar (Romance on the High Seas), em 1948. Em 1947, trabalhou com Sammy Cahn na peça musical High Button Shoes. Mais tarde, com o letrista Leo Robin, escreveu Os Homens Preferem as Louras (Gentlemen Prefer Blondes, 1953). Seus trabalhos feitos em parceria com Betty Comden e Adolphe Green nos anos 50 continuam populares.


Ganhou o Oscar pela música título de A Fonte dos Desejos (Three Coins in the Fountain) em 1954. Styne era capaz de composições altamente efervescentes, como se percebe nas trilhas de Em Busca de um Sonho (Gypsy, 1962) e Funny Girl – A Garota Genial (Funny Girl, 1968). Jule Styne faleceu a 20 de setembro de 1994. 



LALO SCHIFRIN (nascido em 1932)

Lalo Schifrin é pianista, arranjador, diretor e compositor argentino de música clássica, jazz e música popular que ficou famoso pelas suas composições de temas para seriados de televisão e também para o cinema. Entre os seus maiores êxitos estão composições de tema para os seriados Missão Impossível, Mannix e Dirty Harry, Bullit, entre outros, para o cinema, além de vários álbuns solos de músicas variadas.



Lalo Schifrin nasceu em Bueno Aires, Argentina, a 21 de junho de 1932. Iniciou desde muito cedo seus estudos musicais incentivado principalmente pelo seu pai que era um violinista sinfônico. Em 1952 foi estudar no Conservatório de Paris e participou ativamente da vida jazzísticas das noites parisienses. Depois dos estudos retornou a sua terra natal, Buenos Aires, onde formou uma big band. Em 1956 conheceu o famoso trompetista Dizzy Gillespie e logo começou a escrever as canções para ele. Nessa mesma época ficou amigo do músico espanhol Xavier Cugat e também passou a fazer arranjos musicais. Com um bom currículo de trabalho, Lalo se mudou para Nova York em 1960 e se uniu ao quinteto de Gillespie para gravar Gillespiana que acabou fazendo um grande sucesso e passou a ser o diretor musical de Gillespie até 1962.



Lalo se mudou para Hollywood na década de 1960, onde passou a fazer temas para os seriados de televisão e obteve um êxito estrondoso com as composições para a série Missão Impossível, The Big Valley, e Mannix. No Cinema, seus principais sucessos são para os filmes Rebeldia Indomável (1967), Meu Nome é Coogan (1968), Bullitt (1969), A Marca da Brutalidade (1972), e O Homem que Burlou a Máfia (1973). 



FRANK De VOL (1911-1999)

Filho de um músico dono de uma orquestra que tocava em um cinema, Herman Frank DeVol (as vezes creditado apenas como DeVol) nasceu a 20 de setembro de 1911, no Oeste de Virginia. Seus pais queriam que ele fosse um advogado, mas ele queria uma carreira musical. De Vol era membro do sindicato dos músicos desde a idade de 14 anos e trabalhou para seu pai na orquestra que ele dirigia na sala de cinema. Seus instrumentos foram violino, e o saxofone, em primeiro lugar.


Após vários trabalhos com bandas e também na rádio, seja compondo músicas ou fazendo arranjos, ele se integrou no cinema para fazer composições para grandes filmes. Em 1955, Frank De Vol inicia a primeira colaboração com Robert Aldrich no filme O Beijo Fatal (Kiss Me Deadly- 1955). Os filmes entre a colaboração com De Vol/Aldrich: Que Teria Acontecido a Baby Jane? (What Ever Happened to Baby Jane?, 1962), Os Doze Condenados (The Dirty Dozen, 1967), O Imperador do Norte (Emperor of The Nort Pole, 1973), Golpe Baixo (The Longest Yard, 1974), Cidade dos Anjos (Hustle, 1975), Os Rapazes do Coro (The Choirboys, 1977), O Rabino e o Pistoleiro (The Frisco Kid, 1979) e Garotas Duras na Queda (…All the Marbles, 1981), o último filme de Robert Aldrich.


No Brasil tornou-se muito popular o tema The Fuzz, composta pelo compositor originalmente para o filme Acontece Cada Coisa (The Happening, 1967) e utilizada na abertura do Jornal Nacional até hoje. Frank DeVol faleceu a 27 de outubro de 1999. 



ANGELO FRANCESCO LAVAGNINO (1909-1987)

Um compositor pouco conhecido, mas que ao se assistir algumas produções épicas italianas com certeza já se ouviu suas composições ou viu seu nome nos créditos de abertura. Lavagnino nasceu a 22 de fevereiro de 1909, em Genoa, Itália. Formou-se em violino e se aperfeiçoou nas composições de Giuseppe Verdi, de quem teve grande influência, no Conservatório de Milão. Lavagnino merece um lugar especial na música de cinema por sua contribuição também para os documentários e cine-jornais italianos. Segundo o compositor, o principal colaborador de um musico não é o diretor da orquestra, e sim o engenheiro de som, e Lavagnino muito realizou assumindo este papel.



Perito em música clássica, ele chegou a escrever um concerto para violino e orquestra, e até uma missa para coro e orquestra. Ele começou a compor para o cinema em 1951, para o diretor Orson Welles a obra Othelo. Desde então, ele escreveu música para centenas de filmes, entre os quais: Meu Filho Nero (1956), A Maja Desnuda (1958), Os Últimos Dias de Pompeia (1958), A Vênus Imperial (1960), O Colosso de Rhodes (1960), Esther e o Rei (1960), A Revolta dos Escravos (1961), Os Dez Gladiadores (1963). Morreu em 21 de agosto de 1987.


Produção e Pesquisa: PAULO TELLES

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