domingo, 21 de maio de 2017

Os Canhões de Navarone (1961): Uma Missão Suicida e Quase Impossível, em Fita de Aventura Bélica Dirigida Pelo Injustiçado J. Lee Thompson.



Em 1943, os nazistas ocuparam a Ilha de Navarone, localizado no Mar Egeu, com o intuito de bloquear as forças inglesas infiltradas em Kheros, perto da Turquia. Na Ilha de Navarone, foi instalado, em alto penhasco, dois potentes canhões para destruir os navios aliados. Sob o comando do Major inglês Roy “Lucky” Franklin (Anthony Quayle, 1913-1989), forma-se uma unidade de sabotagem encarregada de penetrar na ilha e arrasar a fortaleza inimiga. 


Gregory Peck é o Capitão Keith Mallory, um ex- alpinista.
Peck como Mallory, e seus colegas Brown (Stanley Baker) e Miller (David Niven)

Anthony Quinn como Andrea Starvos, membro da Resistência Grega, ótimo matador.
Além do inglês Franklin, participam da arriscada missão o ex-alpinista americano, Capitão Keith Mallory (Gregory Peck, 1916-2003); um membro da Resistência Grega, Andrea Starvos (Anthony Quinn, 1915-2001); um especialista em explosivos, o cabo inglês Miller (David Niven, 1910-1983); o telegrafista e atirador de elite Brown (Stanley Baker, 1928-1977); e um jovem grego perito em matar, o soldado Spyros Pappadimos (James Darren, o Tony Newman da série de TV O Túnel do Tempo). Ao longo do caminho, juntam-se ao grupo, Maria Pappadimos (Irene Papas), irmã mais velha do soldado Spyros, e Anna (Gia Scala, 1934-1972), uma jovem grega torturada pelos nazistas.  Quando o major Franklin é ferido, o capitão Mallory assume o comando, surgindo tensões entre este e o cabo Miller, especialmente quando tomam conhecimento de que há um traidor entre eles.


Stanley Baker é Brown, telegrafista do grupo e matador de elite.
James Darren é o soldado Spyrus Pappadimus, um perito em matar.
Irene Papas é Maria Pappadimus, que pertence a Resistência Grega.
Assim inicia a energética aventura de OS CANHÕES DE NAVARONE (The Guns of Navarone, 1961), uma das mais populares ações de guerra já realizadas para o cinema, com merecidos 13 milhões de dólares arrecadados só no mercado norte-americano desde sua estreia, em 1961. Os Canhões de Navarone mostra o cotidiano de um grupo de seis oficiais e soldados aliados que recebem uma missão tida por todos como impossível e suicida: chegar a ilha grega de Navarone dominada pelos nazistas, e destruir os poderosíssimos, moderníssimos, gigantescos canhões que dominam toda uma área do Mar Egeu e não permitem a passagem por ali dos navios aliados. O Comando tem prazo curtíssimo para executar a tarefa: dentro de seis dias, os nazistas invadirão outra ilha da região onde há dois mil soldados ingleses; para que eles possam ser retirados de lá dentro do prazo, Os Canhões de Navarone terão que ser destruídos antes do sexto dia.


O Produtor e Roteirista Carl Foreman, dialogando com o diretor J. Lee Thompson e o ator David Niven. 
Brown (Stanley Baker), Spyrus (James Darren) e Miller (David Niven)
Anna (Gia Scala), que pertence a Resistência, sentada à mesa com Spyrus (James Darren), Miller (David Niven) e Mallory (Gregory Peck)
Escrito e produzido por Carl Foreman (1914-1984), o célebre roteirista de Matar ou Morrer (1952) e A Ponte do Rio Kwai (1957), o espetáculo dirigido por J. Lee Thompson (1914-2002) foi rodado nas locações da Ilha de Rhodes, na Grécia, concorrendo para o Oscar (inclusive de melhor filme), mas acabou arrebatando a estatueta de melhores efeitos especiais. Em realidade, uma premiação muito justa, tendo em vista a estrepitosa galeria de cenas de combate e explosões (efeitos, para sua época, muito impressionantes). Mas para isso, foram necessários dois anos de filmagem para levar para as telas o magnífico Best Seller (publicado em 1957) do consagrado Alistair MacLean (1922-1987), o mesmo autor de O Desafio das Águias e Estação Polar Zebra, dois de seus romances que também viraram filmes. MacLean ainda daria uma sequencia literária para a saga de Navarone, Comando 10 de Navarone (Force 10 to Navarone), publicado em 1968 e que somente dez anos depois seria trasladado para o cinema, sob direção de Guy Hamilton, com Robert Shaw no papel de Mallory e Harrison Ford como Barnsby.


Anthony Quinn em um show de interpretação, como Andrea Starvos, prestes a dar um bote contra os nazistas.
O Cabo Miller (David Niven), o Capitão Mallory (Gregory Peck) e o aventureiro grego Andrea Starvos (Anthony Quinn): Uma missão suicida. 
Os aventureiros sabotadores, com a missão de destruir OS CANHÕES DE NAVARONE (1961)
O elogio maior que se pode e deve fazer para OS CANHÕES DE NAVARONE é o espectador não sentir sua longa projeção (155 minutos), onde acompanha com atenção e interesse todo o desenvolvimento da trama. Por natureza, pode ocorrer como em tantas obras primas do cinema, algum tipo de deficiência em sua realização, o que não impede que ele constitua num entretenimento válido para aqueles que apreciam as dramáticas aventuras sobre a II Guerra Mundial. Narrando uma história que em realidade acaba cedendo à ficção, esta é suplantada com frequência inverossímil e fantasiosa, fazendo com que o espectador aceite o comportamento dos personagens como eles são narrados e apresentados para o agrado do público. 


Os canhões que precisam ser destruídos.
O Cabo Miller (David Niven) descobre um traidor no grupo. Quem será?
Com a missão cumprida, Mallory (Peck) e Miller (Niven), enfim, resgatados no mar.
Tudo porque os efeitos especiais que causaram tanta sensação em sua época hoje estão óbvios e obsoletos. Fica difícil o público de hoje não achar meio ridícula as cenas com miniaturas, com efeitos artificiais, cenas pintadas que eram colocadas em cima de outras, realmente fotografadas, e alguns cenários obviamente feitos em estúdio. Por outro lado, grandes estruturas como o próprio canhão tiveram que ser realmente construídas, que se realizados hoje, seriam feitos por meio de computação digital. Algumas cenas foram realmente perigosas, como a tempestade no mar, que foi feita em estúdio, mas as ondas eram tão fortes que David Niven quase morreu afogado, ou feitas em locação, como a escalada do penhasco, realizada em parte por estúdio e em locação. O curioso é que não chovia quando rodaram. A chuva foi colocada depois com uso de truques.


O grupo chega à Grécia.
Jensen (James Robertson Justice), representante do Governo Britânico, o Major Franklin (Anthony Quayle), comandante oficial da missão, e Mallory (Gregory Peck). James Robertson Justice também foi o responsável pela narração inicial.



Contudo, apesar de ser uma história fascinante, não se trata de um evento real. Não existe a Ilha de Navarone, nem a história é baseada em fatos verossímeis, mas sim de um dado real. A Inglaterra realmente trabalhou com pequenos comandos, grupos treinados para missões especificas, realmente houve uma resistência grega formada por guerrilheiros, mas eram divididos entre os comunistas e os de Direita, que nunca se entenderam. A Grécia antes da Guerra era uma ditadura, até a Itália resolver invadi-la. Foi apenas vagamente inspirado numa batalha famosa que foi a de Leros. Mas, de resto, é ficção. É a primeira das grandes aventuras bélicas com elenco internacional. Carl Foreman, pela sua própria formação, não era capaz de escrever uma mera aventura sem trazer uma mensagem, uma moral. Na época de seu lançamento, foi criticado por apresentar recados contra a guerra (que curiosamente hoje mantém o filme atual e superior a outros). Fala da futilidade da guerra, de como os dois lados sempre perdem, discute a necessidade ou validade dos delatores e a traição (um tema importante para Foreman, já que ele foi delatado como comunista nos inquéritos do governo durante a época do Caça às Bruxas). O que poucos percebem, entretanto, é a pretensão do roteiro de ser uma versão moderna da história mitológica de Jasão e os Argonautas (Os Canhões em si equivalentes ao mito do Minotauro), e com toques de Édipo, pretenciosamente chamada de A Lenda de Navarone.

O diretor J. Lee Thompson. Um cineasta injustiçado.


A atriz inglesa de origem italiana Gia Scala, que morreu prematuramente em 1972.
Foi o chefe da Columbia na época, Mike Frankovich (1909-1992), que  encaminhou para Carl Foreman o projeto. Foreman, a princípio, contratou o diretor inglês de comédias Alexander MacKendrick para dirigir o filme. Mas os atores não o aceitaram e MacKendrick foi mandado embora. Gregory Peck tinha direito a aprovar o diretor que quisesse e acabou selecionando outro britânico, J. Lee Thompson, achando que este mostrava sensibilidade e capacidade para cenas de ação (como o fez em Sangue Sobre a Índia, com Lauren Bacall). De fato, Lee Thompson é subestimado até hoje e não figura entre os grandes diretores do século XX. Em todas as entrevistas e documentários a respeito do filme, o elenco é unânime em elogiar a competência do cineasta, habilidade em conduzir atores, e seu método de ensaiar de manhã durante umas três horas, fazendo as marcações e explicando tudo para os astros.



James Darren, David Niven, Gia Scala
Gregory Peck e Anthony Quayle
Irene Papas
No elenco, vale mencionar a participação breve de Richard Harris (1930-2002) como Barnsby, um oficial aliado, personagem que teria maior destaque na sequencia da aventura em Comando 10 de Navarone, aqui vivido por Harrison Ford. A grega Irene Papas e a inglesa de origem italiana Gia Scala (atriz prematuramente falecida em 1972) participam de um elenco quase todo masculino, como duas integrantes da resistência que colaboraram com os aventureiros sabotadores. Em destaque, além da fotografia do especialista Oswald Morris (1915-2014), ainda tem o marcante comentário musical do Mestre Dimitri Tiomkin (1899-1979), o mesmo compositor de Matar ou Morrer a quem Carl Foreman confiou um de seus scores mais elaborados e criativos. Os Canhões de Navarone estreou nas salas cariocas em setembro de 1962, e até os dias de hoje, apesar dos efeitos especiais já estarem ultrapassados, é graças a seu enredo de exuberante aventura que a obra de J. Lee Thompson figura entre um dos maiores espetáculos de ação já produzidos sobre a II Guerra Mundial, a exemplo de Os Doze Condenados (1967) e O Desafio das Águias (1968).  


Richard Harris, em breve participação
Gregory Peck e David Niven

O Fotógrafo Oswald Morris (de óculos), acompanhando os ângulos para as filmagens, com o diretor J. Lee Thompson e Gregory Peck.
A divulgação do filme nos jornais cariocas. OS CANHÕES DE NAVARONE estreou nos cinemas do Rio de Janeiro em 7 de Setembro de 1962.
FICHA TÉCNICA
OS CANHÕES DE NAVARONE
(THE GUNS OF NAVARONE)

País – Estados Unidos/Inglaterra
Gênero – Aventura/Guerra
Ano de Produção – 1961
Direção: J. Lee Thompson
Produção: Carl Foreman, Leon Becker, e Cecil Ford, para a Colúmbia Pictures.
Roteiro: Carl Foreman, baseado no livro de Alistair MacLean.
Fotografia- Oswald Morris, em Cores
Música- Dimitri Tiomkin
Metragem – 155 minutos


Gregory Peck – Capitão Keith Mallory
David Niven – Cabo Miller
Anthony Quinn – Andrea Starvos
Stanley Baker – Brown
Anthony Quayle – Major Roy “Lucky” Franklin
James Darren – Soldado Pappadimos
Irene Papas – Maria Pappadimos
Gia Scala – Anna
James Robertson Justice – Jensen/Narrador
Richard Harris – Barnsby
Bryan Foris – Corby
Allan Cuthbertson – Baker
Percy Herbert – Sargento Grogan
Walter Gotell – Muesel
Tutte Lemkow – Nicolai
       Albert Lieven – Comandante
Norman Wooland – Capitão do Grupo
Victor Beaumont – Oficial Alemão
Wolf Frees – Rádio Operador
Bob Simmons – Soldado Alemão em Navarone

PESQUISA E PRODUCAO DE
PAULO TELLES

terça-feira, 16 de maio de 2017

Editora Estronho lança Livros sobre Cinema e Séries Clássicas da TV.


Matéria Extraordinária.

Ler é um dos hobbies mais apraz que alguém pode desfrutar. E quando se fala em arte, como o Cinema, por exemplo, há editores e escritores que fazem de tudo para levar para seus leitores o máximo da informação. E é justamente isso que faz a EDITORA ESTRONHO, de responsabilidade do Sr. Marcelo Amado, editor da empresa. Um espaço fantástico onde não somente o cinema, mas a televisão e as histórias em quadrinhos também tem vez.



Se você aprecia literatura sobre cinema e televisão e quer ficar bem atualizado, você veio ao lugar certo, a EDITORA ESTRONHO. A empresa disponibiliza para os aficionados vários livros acerca da TV e da Sétima Arte. No site da loja, poderemos encontrar títulos como HOMEM NÃO ENTENDE NADA! ARQUIVOS SECRETOS DO PLANETA DOS MACACOS, publicado pela editora em 2015 e de autoria do amigo Saulo Adami. Outras obras que merecem atenção em matéria de cinema são: CINEMAS DE HORROR, de autoria de Demian Garcia; ERA UMA VEZ NO SPAGHETTI WESTERN, de autoria de Rodrigo Carneiro; CASABLANCA: A CRIAÇÃO DE UMA OBRA-PRIMA INVOLUNTÁRIA DO CINEMA, de Renzo Mora; e entre outros, não pode deixar de ser mencionado, ENSAIOS DO CINEMA BRASILEIRO 1 – DOS FILMES SILENCIOSOS À PORNOCHANCHADA , de autoria de Andrea Ormond.

Já a televisão presta seu serviço através da coleção TV ESTRONHO, trabalho que vai resgatar as inesquecíveis e clássicas séries da TV. Dois volumes até agora foram publicados: PERDIDOS NO ESPAÇO, assinado por Saulo Adami e Carlos Gomes foi o primeiro a ser lançado. O livro conta com o guia de episódios, e fala da disputa judicial pela autoria da trama, além de curiosidades e depoimentos de fãs brasileiros apaixonados pela série; e SHAZAN, XERIFE & CIA, também de Saulo Adami, sobre a série brasileira de TV estrelada por Paulo José e Flávio Migliaccio na década de 1970. Dentro da coleção TV ESTRONHO, ainda virão como temas as séries: Kung Fu, O Incrível Hulk, Ultraman, A Noviça Voadora, Jornada nas Estrelas, O Túnel do Tempo, e entre outras, Paladino do Oeste, assinado por Saulo Adami e Paulo Telles, editor deste blog.




O site da loja encontra todos estes livros e muito mais através do link:

Não deixem estar atentos as promoções da loja, e os pedidos também podem ser realizados pelo telefone (41) 3098-7710, sempre entre 9h às 18h – de segunda a sexta, e aos sábados entre 10h às 13h. Uma oportunidade exclusiva para todos aqueles que amam cinema e TV, e estarem a par de curiosidades e informações mais precisas, com todo teor de diversão cultural levado até você com imenso primor e qualidade, para leitores de bom gosto. Este espaço, o Blog FILMES ANTIGOS CLUB - A NOSTALGIA DO CINEMA, tem o prazer de fazer a divulgação de todos os trabalhos da Editora Estronho em sua ala direita. 

Agradecimentos ao amigo Saulo Adami e ao Editor Marcelo Amado por prestar este panfleto, imprescindível não somente para os amantes da TV e do Cinema, mas também para todos os pesquisadores que venham a se interessar por ambos os assuntos.

Paulo Telles –
DRT-21959/RJ
Editor do Blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema

sexta-feira, 12 de maio de 2017

Jake Grandão (1971): John Wayne em uma Aventura Cheia de Contagiante Ação, ao Velho e Bom Estilo "Fordiano", Sem Ser um Filme de John Ford.


Considerado o mais animado e genuíno Western dentre os quais estrelou, John Wayne (1907-1979), após sua conquista com o Oscar de melhor ator no ano anterior por Bravura Indômita, optou por fazer uma espécie de homenagem ao bom e velho estilo de seu compadre e amigo, o Mestre John Ford (1895-1973), ao estrelar JAKE GRANDÃO (Big Jake), em 1971. Muito mais superior do que Jamais Foram Vencidos (1969), Chisum (1970), e Rio Lobo (1971), a aventura da vez ancorada pelo Duke é traçada em linha reta e cheia de ação, contagiada por bom humor e às vezes por lirismo rústico, bem aos moldes dos grandes trabalhos do diretor Ford. E o melhor de tudo isso, é que Jake Grandão tem, de fato, o clima festivo que tão bem caracterizou o trabalho deste cineasta, como se fosse uma "reunião de família", tirando férias em passagem pelo México (onde o filme foi inteiramente rodado). 


John Wayne como Jacob "Big Jake" McCandles
Big Jake volta por uns instantes ao lar, para rever sua esposa Martha (Maureen O' Hara), que requer sua ajuda.
E também não é para menos: O produtor-executivo Michael Wayne (1934-2003) – filho mais velho de John que agora comandava a Batjac, a velha empresa de seu pai -Patrick Wayne, e até mesmo John Ethan Wayne, filho caçula de Duke, então com oito anos, estiveram envolvidos na produção de Jack Grandão. E é importante dizer que velhos companheiros de John Wayne na Ford’s Stock Company, como sua amiga Maureen O’ Hara (1920-2015), com quem o ator fez os clássicos Rio Bravo (1950), Depois do Vendaval (1952), Asas de Águia (1955), e Quando um Homem é Homem (1963) – e também Harry Carey Jr (1921-2012), Hank Worden (1901-1992), John Agar (1921-2002), o fotógrafo William Clothier (1903-1996), e o diretor de segunda unidade Cliff Lyons (1901-1974) – todos antigos colaboradores do Mestre em muitos de seus grandes e inesquecíveis clássicos, fizeram parte desta empreitada. Logo, podemos dizer que Big Jake, assim como outros westerns estrelados por Wayne, como Caminhos Ásperos (1953), Fúria no Alaska (1960), e Os Comancheros (1961), é um dos mais “fordianos” faroestes que o cineasta John Ford não dirigiu.


Maureen O' Hara é Martha McCandles, disposta a pagar o resgate pelo neto raptado, mas para isso, ela pede ajuda à um "desagradável homem"...
...o marido, Jacob McClandles, conhecido como Big Jake (John Wayne).
Aos 65 anos de idade, o bom e velho Duke retoma a pista legendária dos justiceiros do Oeste que tão bem o consagrou. Wayne, no papel do aventureiro Jacob “Big Jake”  McCandles, em realidade um rico barão do gado, afastado de sua casa no Texas, da mulher Martha (Maureen O’ Hara), e dos filhos James (Patrick Wayne, também filho do “Grande John”), Jeff (Bobby Vinton), e Michael (Christopher Mitchum, filho do lendário ator Robert Mitchum, com quem Wayne contracenou em El-Dorado, em 1967. O papel havia sido oferecido à Jeff Bridges, que se recusou a trabalhar com Wayne), é chamado pela esposa, que a contragosto, por achar o marido uma pessoa “desagradável demais”, vai precisar de sua ajuda. O neto que Jake ainda não conhece, chamado de “Pequeno Jake”, foi raptado pelo bando de John Fain (Richard Boone, 1917-1981), um renegado que agora provoca pânico nos arredores do Rio Grande com sua quadrilha de facínoras. Boone, formidável vilão no cinema e herói como o Paladino do Oeste na TV, foi um amigo querido de John Wayne na vida real, com quem havia contracenado em O Alamo (1960), e ainda contracenaria em 1976 no último trabalho de Duke, no derradeiro O Último Pistoleiro, de Don Siegel. 


Jacob e seu filho James McCandles, vivido por Patrick Wayne, filho de John Wayne.
Jacob e seu filho Michael McCandles, interpretado por Christopher Mitchum.


Jacob e seus dois filhos na caçada aos raptores do menino

Um dos monólogos do personagem de Boone, direcionado ao capataz Bert Ryan (vivido por John Agar), é uma das mais sugestivas em um filme, quando ele saca de seu revólver e o mata, pronto para assaltar a casa dos McCandles:
“O Pior que quando se tem muito dinheiro, tem sempre alguém querendo tirar da gente” – É o que John Fain declara a Bert antes deste ser morto. Curiosamente, John Agar e Richard Boone já se defrontaram em um faroeste – Crimes Vingados, em 1956 – onde Agar interpretava um xerife que acaba liquidando em um duelo o bandido vivido por Boone. Em Big Jakeas situações entre os dois atores se invertem. 


Richard Boone é John Fain, renegado e líder de quadrilha, que raptou o neto de Big Jake.
Fain e sua quadrilha, que espalha pânico pelas fronteiras do Texas e México. 
John Wayne & Richard Boone: inimigos em Big Jake, amigos na vida real.
A aventura já começa com um verdadeiro massacre, onde Fain e seus homens matam a maioria dos rancheiros e ainda exige um milhão de dólares pelo resgate do menino. De prontidão, Jake cede aos apelos da esposa Martha, que não a via há anos. De primeira impressão, a narrativa sugestiona com que Jake Grandão seja até uma sequencia de Quando um Homem é um Homem, último faroeste que havia reunido Wayne e Maureen oito anos antes. 


Os McCandles em missão de resgate.
O "Pequeno Jake", neto de Jacob, vivido por Ethan Wayne, filho caçula do Duke.

John Doucette é Buck Dugan, chefe dos Texas Rangers, que também tenta salvar o menino, contudo sem sucesso.
A caçada a Fain e seus asseclas para resgatar o menino se processa sem a força trágica de Rastros de Ódio, clássico de John Ford estrelado por Wayne em 1956 – mas com vigor e rispidez que normalmente não seria esperado do diretor George Sherman. A trama se passa em 1909, portanto se torna distanciado da mitologia do Velho Oeste, onde Big Jake estabelece curioso paralelismo entre a vida selvagem dos últimos pistoleiros e o mundo exterior em completo desenvolvimento, com automóveis competindo até mesmo com os cavalos. Mesmo com estas diferenças, o cavalo de John Wayne é ainda muito mais eficiente do que os calhambeques e as motocicletas que começam a invadir a fronteira. Uma parábola da fábula “a tartaruga e a lebre” se faz pertinente nesta aventura, pois o bom e velho Duke, com sua montaria, chega mesmo na frente de tudo e todos para decidir todas as paradas, mesmo a base de socos, do palavrão, e do “tudo ou nada!”. Monólogos, nem pensar! É o que ordena o figurino do faroeste verdadeiro e do melhor da Sétima Arte no quesito das aventuras. Juntamente com dois de seus filhos, James e Michael, Jacob “Big Jake” parte para alcançar a quadrilha de Fain, e ainda tem o auxílio do amigo apache Sam Sharpnose (Bruce Cabot, 1904-1972, em seu último desempenho para o cinema). Jake passa a frente dos Texas Rangers, liderados por Buck Dugan (John Doucette, 1921-1994), que também buscam a quadrilha, levando uma mala cheia de dinheiro para o resgate. A partir daí, uma maratona movimentada de ação se processa em todo percurso da fita, até o menino ser resgatado pelo avô e os tios, liquidando Fain e toda a quadrilha. 


Bruce Cabot, em sua última atuação para o cinema, no papel de Sam Shapnose, ex-batedor e amigo de Jacob.

Enfim, o encontro entre avô e neto, em momento de perigo.
O "Pequeno Jake" é salvo pelo avô, o "Grande Jake".
Para os amantes dos faroestes, Jake Grandão tem certamente um significado muito especial, principalmente para os amantes do cineasta John Ford. Na época da realização de Big Jake, o lendário diretor já estava aposentado (seu último filme, 7 Mulheres, foi realizado em 1966), doente e quase cego, entretanto, sua aposentadoria afastou o homem de seus trabalhos, mas não afastou e nem impediu a transferência de seu espírito inconfundível a sobrevivência de seu universo cinematográfico. Ele continuou dando vida aos filmes de Wayne e aos dirigidos pelo seu afilhado, o diretor Andrew V. McLaglen, discípulo do Mestre. Para aqueles que se privam da intimidade do universo fordiano, Big Jake já começa antes mesmo do filme começar, pois em realidade, é apenas mais uma peça monumental, cuja saga começou em 1939 e tem o título de Stagecoach, por nós aqui intitulado de No Tempo das Diligências.


O Diretor George Sherman
A Família McCandles
Patrick Wayne e Maureen O' Hara, brincando com o filho de Patrick em um intervalo das filmagens.
John Wayne convocou um bom especialista em westerns, o veterano e experiente George Sherman (1908-1991) para cuidar de todos os detalhes técnicos da direção. Artesão impessoal, mas correto e conhecedor da linguagem do gênero, Sherman deu conta da missão, adornando a narrativa com firmeza no que se trata com a violência, deixando Wayne livre para cuidar do que diz respeito a John Ford. Jake Grandão foi o último filme dirigido por Sherman para o cinema (chegou a dirigir alguns trabalhos para TV até 1978), que na época das filmagens não se encontrava bem de saúde. Filmar no México foi difícil para o cineasta e ele teve que se afastar em alguns momentos de suas funções, e John Wayne assumiu a direção. Quando o filme foi concluído, Wayne, que era amigo de longa data de Sherman, não quis ser creditado como diretor, passando total crédito a George Sherman. JAKE GRANDÃO foi a 26ª maior bilheteria nos Estados Unidos em 1971, colocando John Wayne ao topo dos astros campeões de renda no mesmo ano. O filme foi lançado nos cinemas do Rio de Janeiro em maio de 1972. A trilha sonora é de Elmer Bernstein (1922-2004). 


John Wayne & Maureen O' Hara, pela última vez parceiros nas telas.
Por breves momentos, o Duke aposentou o cavalo e aderiu à uma motocicleta, em uma folga das filmagens de JAKE GRANDÃO.

Divulgação do filme nos cinemas cariocas, em maio de 1972.
FICHA TECNICA


JAKE GRANDAO

(Big Jake)

País – Estados Unidos

Ano: 1971

Gênero: Western

Direção: George Sherman, e John Wayne (não creditado)

Produção: Michael Wayne, para Batjac Produções e Cinema Center Films (John Wayne como Produtor Executivo)

Roteiro: Harry Julian Fink e Rita M. Fink

Fotografia: William Clothier, em cores

Música: Elmer Bernstein

Metragem: 110 minutos



ELENCO
John Wayne – Jacob “Big Jake” McCandles

Richard Boone – John Fain

Maureen O’ Hara – Martha McCandles

Patrick Wayne – James McCandles

Christopher Mitchum – Michael McCandles

Bobby Vinton – Jeff McCandles

Bruce Cabot – Sam Sharpnose

Ethan Wayne – Pequeno Jake

Glenn Corbert – O’Brien

John Doucette – Buck Dugan

Harry Carey Jr – Pop Dawson

Jim Davis – Líder de Linchamento

John Agar – Bert Ryan

Gregg Palmer – John Goodfellow

Dean Smith – Kid Duffy

Hank Worden – Hank

Roy Jenson – Homem de Fain

PRODUÇÃO & PESQUISA

PAULO TELLES

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