sábado, 10 de agosto de 2019

O Egípcio (1954): A Opulência de Uma Obra Prima Cinematográfica Nada Fiel ao Livro de Mika Waltari.


Foi incontestável o sucesso no Brasil do filme O EGÍPCIO (The Egyptian, 1954) dirigido por Michael Curtiz (1886-1962) com base no best seller publicado em 1945, de autoria do escritor finlandês Mika Waltari (1908-1979). Este sucesso todo por aqui (nas salas cariocas, lançado no Cine Palácio) deveu-se em grande parte ao enredo nada fidedigno do romance original e a opulência da produção, que levou muito ao gosto do público da época. Sem dúvida, constituiu um bom divertimento e, provavelmente, possa render até hoje algumas emoções. Mas desaponta aos leitores que conhecem profundamente o trabalho de Waltari e o livro original. Nos Estados Unidos, mesmo com todo o esplendor do CinemaScope em seus primeiros dias de vida, a obra de Curtiz não obteve o sucesso esperado. 


Mika Waltari, escritor, autor de O EGÍPCIO, publicado em 1945.
Capa de exemplar editado no Brasil, pertencente ao editor do espaço.
Para quem leu o romance, a fita de Curtiz não comunica ao espectador o mesmo impacto emocional que o livro oferece ante aos dramas e vicissitudes do personagem principal da trama, o médico egípcio Sinuhe.  É claro que O EGÍPCIO como obra cinematográfica demonstra a boa eficiência técnica do cineasta Michael Curtiz - um veterano que já contava com mais de 30 anos na indústria de Hollywood – além do esbanjamento de recursos materiais capazes de encher os olhos dos assistentes de direção.  Porém, tal fausto de requintes não esconde a falta de inspiração artística com que, de um modo ou de outro, obscureceu o notório cineasta de Casablanca (1942) e As Aventuras de Robin Hood (1938), resultando em O EGÍPCIO uma obra de ritmo instável. De fato, há momentos bastante apreciáveis, mas em outras ocasiões, o filme fica a beira da monotonia invencível. Em seus 140 minutos de projeção, O EGÍPCIO torna-se um filme, no mínimo, assistível pela curiosidade da direção e do elenco.

O diretor Michael Curtiz
A TRAMA

No Reinado do Faraó Akhnaton (Michael Wilding, 1912-1979), no Egito 13 séculos a.C, os adeptos do politeísmo lutam contra o monoteísmo incipiente. O próprio faraó acredita num único e verdadeiro Deus, assim como Sinuhe (Edmund Purdom, 1924-2009), seu médico, e ambos contrariam os conceitos dos sacerdotes. Sinuhe é urgentemente chamado para atender Akhnaton, que sofre de epilepsia (a doença sagrada do Antigo Egito). No meio destes acontecimentos, o médico se envolve com uma cortesã da Babilônia, Nefer (Bella Darvi, 1928-1971), cuja relação o faz cair em desgraça perante o Faraó.

O ator inglês Michael Wilding no papel do Faraó Akhnaton.
O médico Sinuhe (Edmund Purdom) e a cortesã Nefer (Bella Darvi)
O Faraó Akhnaton recebe seu comandante, Horemheb (Victor Mature) e seu médico Sinuhe (Edmund Purdom)
Obrigado a abandonar o Egito junto com seu criado Kaptha (Peter Ustinov, 1921-2004), anos depois retorna a sua terra natal, agora um importante e rico médico cirurgião. Volta para sua antiga namorada, Merit (Jean Simmons, 1929-2010), que será morta por suas convicções religiosas. Sinuhe, abandonado no Nilo ao nascer e ignorando ser filho do antigo Faraó, luta para impor o monoteísmo. Mas os conflitos se intensificam. Após a morte de Akhnaton, este é substituído no trono por  Horemreb (Victor Mature, 1913-1999), um oficial de sua guarda, acompanhado pela própria irmã do faraó, Baketamon (Gene Tierney, 1920-1991). Sinuhe se porá contra os novos regentes, ocasionando assim o seu exílio. 

DIFERENÇAS ENTRE O FILME E O LIVRO

A adaptação cinematográfica do livro O EGÍPCIO para as telas talvez fosse o resultado dessa falta de impacto tão bem expresso no romance original, afinal, não é nada fácil adaptar um volumoso livro com mais de 500 páginas. Para tal, a trama teria que sofrer cortes incisivos para dar a película o tempo necessário ao cronograma sugerido pela produção. Seja como for, O EGIPCIO de Michael Curtiz é um filme pitoresco, esplendoroso, e pleno do fascinante clima de decadência e exotismo da civilização ancestral egípcia. Orçada em cinco milhões de dólares, esta superprodução de Darryl F. Zanuck (1902–1979) foi adaptada por Philip Dunne (1908–1992) e Casey Robinson (1903–1979).

Baketamon (Gene Tierney), irmã do Faraó, e Horemheb (Victor Mature), comandante das tropas egípcias.
Kaphta (Peter Ustinov), auxiliar de Sinuhe
Nefer (Bella Darvi) é uma cortesã da Babilônia que trará a desgraça para Sinuhe
Mas vale destacar alguns pontos a se diferenciar do filme e do livro de Mika Waltari, a começar pelo perfil do personagem central, o egípcio Sinuhe. No filme, Sinuhe demonstra uma ingenuidade fora do comum quando se trata de Nefer, a cortesã com quem ele se relaciona e que o desgraçou perante sua família e Akhnaton, fazendo perder seus bens e sua dignidade. Anos depois, ela tem uma doença, e depois de gastar fortuna com outros médicos sem resultados, ela recorre a Sinuhe, oferecendo a ele apenas o colar valioso que havia dado e que o médico ganhara do Faraó. Ao invés de pegar o colar de volta e faze-la pagar pelo tratamento, Sinuhe a perdoa e resolve trata-la gratuitamente. No livro, o médico vinga-se cruelmente de Nefer. 

Merit (Jean Simmons), o verdadeiro amor de Sinuhe...
que ajudará o médico a fugir do Egito.
Outro ponto que o filme de Curtiz não aborda com precisão e que é importante como pano de fundo para a trama são as guerras religiosas dos adeptos do monoteísmo e politeísmo no Antigo Egito, na trama encarada com similaridade a perseguição aos cristãos. Ao longo da trama, é apresentado uma “Cruz Copta” como o símbolo do deus dos monoteístas e que a personagem de Jean Simmons, Merit, usa como expressão de fé. Em realidade, a “Cruz Copta” era desconhecida até o terceiro século da Era Cristã. 

A Rainha Nefertiti (Anitra Stevens), o Faraó Akhnaton (Michael Wilding), sua irmã a Princesa Baketamon (Gene Tierney) e o Comandante dos Exércitos Horemheb (Victor Mature)
A mãe de Akhnaton, Taia (Judith Evelyn) e sua filha Baketamon (Gene Tierney)
Horemheb (Victor Mature) comanda o ataque contra os adeptos do monoteísmo, tendo Merit como uma de suas principais vítimas
Num diálogo realizado entre Akhnaton e Sinuhe, o faraó moribundo ressalva da importância do Deus único, do perdão e do amor pelo próximo, bem coerente com o Cristianismo, mas não com o pensamento monoteísta dos egípcios de 13 séculos a.C. O perfil de Akhnaton proposto pelo livro foge profundamente do perfil apresentado por Michael Wilding, que parece dar ao personagem um tom de santidade cristã, muito incoerente com o Egito Antigo.

Bella Darvi como Nefer
Gene Tierney é a princesa Baketamon, que breve...
reinará o Egito com o novo Faraó, Horemheb (Victor Mature)

O verdadeiro amor de Sinuhe no filme é Merit, mas no romance original ele tem três envolvimentos amorosos: Merit, Nefer, e Minea, uma virgem votada para os deuses e pronta para ser sacrificada na Ilha de Creta, mas que o médico acaba salvando-lhe a vida. Outro grande erro crasso da produção cinematográfica é quando o Sinuhe volta a sua pátria-mãe, e para obter o perdão do Faraó, ele dá a Horemheb, general dos exércitos, uma espada de ferro feita pelos hititas, provando que esta civilização tem uma tecnologia militar superior a dos egípcios. No entanto, o ferro já era conhecido por este povo na época de Akhnaton. No livro de Waltari, Sinuhe após sua partida do Egito, infiltra-se em novas terras estrangeiras e em diversas aventuras, fazendo amizade com um poderoso monarca.


O ELENCO


O EGÍPCIO foi um dos primeiros espetáculos feitos em CinemaScope. Para o  papel de Sinuhe estava escalado Marlon Brando, que de início ficou interessado pelo personagem. Para a parte de Nefer, Marilyn Monroe estava escalada, mas na última hora o produtor e chefão da 20th Century Fox, Darryl Zanuck, tirou-a do papel e deu à polonesa Bella Darvi, uma atriz inexperiente que  sequer dominava o inglês. Brando fez uma audiência com a novata atriz a mando de Zanuck, que deixava bem claro que Darvi era sua nova protegida. Mesmo com os atropelos do inglês e do forte sotaque polonês, Darvi ganhou o papel de Nefer, para desagrado de Brando que se retirou das filmagens. Às pressas, recrutaram o jovem Edmund Purdom para o papel de Sinuhe.

Jean Simmons bate papo com Edmund Purdom no set de filmagem
Victor Mature como Horemheb. De um filho de fabricantes de queijo à Comandante dos Exércitos Imperiais.
Mature e Jean Simmons descontraídos numa pausa para filmagens.
Porém, Purdom foi escolhido não por seu grande talento ou fama (ao longo da carreira, foi um ator tão problemático que até mesmo sua homenagem no famoso “Calçadão da Fama” de Hollywood foi removida, direcionando seus trabalhos na Europa), mas por ser o único ator da Fox que cabia perfeitamente no caro figurino feito inicialmente para Brando. Na realidade, o cast de O EGÍPCIO pode ser tida como notável, embora, numa apreciação geral, todos se conduzem satisfatoriamente. 

Edmund Purdom, em papel reservado para Marlon Brando
Peter Ustinov, com Purdom e Jean Simmons. Sob um prisma analítico, Ustinov foi a melhor interpretação do filme
Gene Tierney não convence como uma princesa egípcia.
Sob o prisma analítico, a melhor interpretação foi sem dúvida a de Peter Ustinov como Kaptah, o criado de Sinuhe, oferecendo ao personagem uma atuação bem humorada. Gene Tierney não convence em nenhum momento como uma princesa Egípcia, irmã do Faraó. Victor Mature, sempre Victor Mature, com sua boa estampa e carisma. Jean Simmons, mesmo uma ótima atriz, parece viver com indiferença sua Merit. Michael Wilding, então marido de Elizabeth Taylor, não impressiona como o Faraó Akhnaton. Purdom como Sinuhe tem pouco brilho, mas uma atuação correta. Bella Darvi, a mais sofrível das atuações. Atriz de carreira breve em Hollywood aventurou-se mais tarde em filmes europeus de gostos duvidosos. Levando uma vida desregrada e viciada em jogos e cassinos, acabou cometendo suicídio a 11 de setembro de 1971, ao ligar o gás de cozinha e por a cabeça dentro do forno.

Bella Darvi e o diretor Michael Curtiz
Bella Darvi e o produtor Darryl F. Zanuck
Ainda no elenco, despontam nomes como John Carradine (1906-1988), Henry Daniell (1894-1963), Judith Evelyn (1913–1967), Carl Benton Reid (1893–1973), Michael Ansara (1922-2013), Tommy Rettig (1941–1996), Mike Mazurki (1907-1990), e Leo Gordon (1922-2000). Destaque para o espetacular score musical de Alfred Newman (1900-1970) e Bernard Herrmann (1911-1975). Fotografia de Leon Shamroy (1901-1974).

O filme em cartaz nas salas cariocas em 1955
FICHA TÉCNICA
O EGÍPCIO
(The Egyptian)

Ano de Produção: 1954
País: Estados Unidos
Direção: Michael Curtiz
Gênero: Épico
Produção: Darryl F. Zanuck, em produção e distribuição para 20th Century Fox.
Roteiro: Philip Dunne e Casey Robinson, com base no livro de Mika Waltari.
Fotografia: Leon Shamroy (em cores)
Música: Alfred Newman e Bernard Herrmann
Metragem: 140 minutos


O ELENCO
Jean Simmons – Merit
Victor Mature – Horemheb
Gene Tierney – Baketamon
Michael Wilding – Faraó Akhnaton
Bella Darvi – Nefer
Peter Ustinov – Kaphta
Edmund Purdom – Sinuhe, o egípcio.
Judith Evelyn – Taia
Henry Daniell – Mekere
John Carradine – Ladrão de Túmulos
Carl Benton Reid – Senmut
Tommy Rettig – Thoth
Anitra Stevens - Rainha Nefertiti
Leo Gordon – Soldado do Faraó
Mike Mazurki – Guardião da Casa dos Mortos
Michael Ansara – Comandante Hitita
Ian MacDonald – Capitão Sírio


PAULO TELLES
Produção e Pesquisa




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sábado, 18 de maio de 2019

Lex Barker: Vida e Carreira do Mais Belo Tarzan das Telas.


Neste corrente ano de 2019, o ator Lex Barker (1919-1973) estaria completando seu centésimo aniversário. Alto, bonito, culto, e fluente em quatro idiomas, Barker foi também o protagonista de um dos escândalos mais famosos de Hollywood, envolvendo a atriz Lana Turner (1921-1995), sua então esposa, e a filha dela. Até hoje, não se sabe o que verdadeiramente aconteceu, pois os relatos biográficos são muito controversos. Mas certamente, é mais lembrado como um dos mais famosos e queridos intérpretes de TARZAN no cinema, e por muitas fãs, como o mais belo. Vamos relembrar um pouco da vida e da carreira de Lex Barker em Hollywood e também no cinema europeu. 

Por Paulo Telles.



Lex Barker aos 8 anos de idade. 
Lex Barker nasceu Alexander Crichlow Barker Jr em 8 de maio de 1919, em Rye, Nova York. Vindo de uma família abastada e proeminente, Barker era descendente direto do fundador de Rhode Island - o Cônsul Roger Williams. Lex foi excepcional nos esportes tais como o Futebol e Atletismo quando ainda cursava o ensino secundário e, posteriormente, a Universidade de Phillips-Exeter, em Fessenden. Foi a Princeton com a intenção de tornar-se ator, a contragosto de seus pais que o queriam nos negócios da família. Descoberto por um agente de talentos, este o convidou para ir a Hollywood fazer um teste na 20th Century Fox. A família não aprovou e acabou deserdando-o quando deixou bem claro suas pretensões na vida. 

O jovem Lex Barker.
Para bancar seus sustentos sem o apoio familiar, Barker trabalhava numa fábrica de aço de dia e a noite estudava engenharia. Realizado os testes na Fox, Lex atuou em pontas sem créditos. Em fevereiro de 1941, quase um ano antes do ataque japonês a Pearl Harbor, Barker adiou seus projetos como ator e se alistou no Exército dos Estados Unidos. Lutou na Sicília, onde foi ferido na cabeça e na perna. Tempos depois, foi promovido a Major de Infantaria. 

Voltando para os Estados Unidos, Barker recuperou-se em um hospital militar no Arkansas. Ao entrar para reserva, ele viajou para Los Angeles. Conseguiu ponta no filme Sonhos de Uma Estrela (Doll Face, 1945) musical de Lewis Seiler, com Vivian Blaine e Carmen Miranda. Não recebendo muitas propostas no estúdio da raposa, tentou melhor sorte na RKO


INTRODUÇÃO AO CINEMA
Barker malhando para encarar as câmeras, em seu papel mais famoso.
No novo estúdio, Barker teve mais oportunidades, mesmo ganhando papéis pequenos. Foi o que ocorreu em Ambiciosa (The Farmer's Daughter, 1947) de C. H. Porter, com Loretta Young e Joseph Cotten, e Rancor (Crossfire, 1947) de Edward Dmytryk, com Robert Mitchum e Robert Ryan. Em 1948, foi notado no faroeste A Volta dos Homens Maus (Return of the Bad Men, 1948) de Ray Enright, com Randolph Scott.
TARZAN


Com a saída de Johnny Weissmuller (1904-1984) no papel de Tarzan, o produtor Sol Lesser (1890-1980) acionou o diretor Lee Sholem (1913-2000) para promover um teste na busca pelo próximo Homem Macaco. Para isso, Sholem convocou uma reunião com agentes cinematográficos e introduziu dentro dos estúdios da RKO uma sala para a realização de testes com possíveis candidatos. Ele chegou a entrevistar cerca de cem atores e atletas para o papel, mas nenhum atendeu as expectativas. 



Barker entra em ação como o Rei das Selvas.
Os testes já estavam no fim quando Lex Barker, então com 28 anos e aspirante a ator na RKO, foi reparado pelo diretor em um dos corredores da companhia. Sholem o convidou para ir a seu escritório e logo foi perguntando:
- Onde você esteve todo este tempo, rapaz? Você é bem alto.

Barker prontamente respondeu:
- Tenho 1m93.

Sholem não perdeu tempo e foi logo objetivo:
- Você gostaria de ser Tarzan? Um corpo atlético é que não lhe falta.
- Gostaria sim – respondeu Barker.
-Ótimo! – Exclamou felicíssimo Sholem – O papel é seu.


Brenda Joyce (em seu último papel como Jane), a macaca Chita, e Barker, em foto publicitária para
TARZAN E A FONTE MÁGICA (1949) - O primeiro filme de Lex Barker como Tarzan.
Barker e o escritor Edgar Rice Burroughs, o criador de Tarzan.
O diretor tratou de ligar rapidamente para Lesser, comunicando que a busca pelo novo Tarzan havia chegado ao fim na descoberta por Lex Barker. Quando o produtor viu o jovem ator, concordou prontamente com a escolha de Sholem, e Barker foi contratado após os devidos testes. Como Tarzan, seu primeiro trabalho foi em Tarzan e a Montanha Secreta (Tarzan's Magic Fountain, 1949), com Lee Sholem na direção e roteiro de Curt Siodmak (1902-2000) e Harry Chandlee (1882-1956). Como nas produções anteriores, os roteiristas procuraram usar algumas peculiaridades dos livros de Edgar Rice Burroughs (1875-1950). Avaliado por alguns críticos como jovem demais para viver o Homem Macaco, Barker chegou a declarar: Se meus músculos aguentarem, e minha cintura estiver baixa, eu posso interpretar Tarzan até aos 50 anos.


Poster de TARZAN E A MONTANHA SECRETA (1949)
Cartaz de TARZAN NA TERRA SELVAGEM (1952), levado na TV
brasileira como TARZAN EM PERIGO.
Lançado em janeiro de 1949, Tarzan e a Montanha Secreta foi bem recepcionado. O The Hollywood Reporter escreveu: A história poderia reivindicar uma substância dramática mais completa, mas suas deficiências são amplamente compensadas em fundos de produção e em imagens de animais em cenas surpreendentes.  E Lex Barker recebeu críticas positivas: Quanto ao Tarzan de Barker, é igual a qualquer um dentro da memória deste crítico, e temos medo de que o personagem volte para Elmo Lincoln. O belo físico de Barker se encaixa na descrição de Burroughs, e ele é ator suficiente para tornar o Homem da Selva mais animado do que ele já foi.


Poster de TARZAN E A MULHER DIABO (1953)
Com Denise Darcel, em TARZAN E AS ESCRAVAS (1950)
Entre 1950 a 1953, Barker ainda atuou em mais 4 (quatro) produções como Tarzan: Tarzan e a Escrava/ Tarzan and the Slave Girl (1950, direção de Lee Sholem); Tarzan na Terra Selvagem / Tarzan's Peril (1951, direção de Byron Haskin): Tarzan e a Fúria Selvagem/ Tarzan's Savage Fury (1952, direção de Cy Endfield); Tarzan e a Mulher Diabo/ Tarzan and the She-Devil (1953, direção de Kurt Neumann).


DEPOIS DE TARZAN, NOVOS PAPÉIS

Após cinco filmes estrelando como o personagem de Edgar Rice Burroughs, Barker desfez contrato com Sol Lesser e partiu para outros trabalhos em diversas companhias cinematográficas, realizando uma variedade de papéis heroicos, principalmente em faroestes, como Torrentes de Vingança (Thunder Over the Plains, 1953) de Andre De Toth, onde o astro briga com Randolph Scott pelo amor de Phyllis Kirk. A seguir vieram também O Morro da Traição (The Yellow Mountain, 1954) de Jesse Hibbs, A Caravana da Morte (The Man from Bitter Ridge, 1954) de Jack Arnold, e A Mestiça do Mississipi (Duel on the Mississippi, 1955) de William Castle - todos do gênero Western.


Barker com Jeff Chandler, durante um intervalo de
BARCOS AO MAR (1956)

Encarando Randolph Scott, e Phyllis Kirk:
TORRENTES DA VINGANÇA (1953)
Em 1956, elencou no clássico bélico Barcos ao Mar (Away All Boats, 1956) de Joseph Pevney, contracenando com Jeff Chandler, Julie Adams, George Nader, Richard Boone, e Jock Mahoney, que mais tarde também seria um famoso intérprete de Tarzan.


A VIDA PESSOAL E UM ESCÂNDALO. 

Lex Barker foi casado cinco vezes, sendo duas com as atrizes Arlene Dahl (que mais tarde se casaria com o ator Fernando Lamas) e Lana Turner (1921-1995). Ficou também casado por sete anos com a atriz espanhola Carmen Cervera, que fora Miss Espanha e de quem se divorciou em 1973. Lex teve dois filhos do primeiro casamento com Constanze Thurlow, e outro de sua união com Irene Labhart, que morreu em 1962. Irene descobriu que tinha Leucemia, e veio a falecer. Com todos os cuidados, Barker demonstrou ser um marido dedicado e esteve com ela até o seu fim.


Com Lana Turner, uma de suas cinco esposas.
A relação com sua terceira esposa, Lana Turner, foi polêmica e até hoje é controversa. De acordo com alegações detalhadas em um livro escrito pela filha da atriz, Cheryl Crane, publicado quinze anos depois da morte de Barker, Lana ordenou que o ator saísse de sua casa com uma arma apontada para ele. Cheryl, que tinha apenas 13 anos na época, acusou Lex de molesta-la sexualmente durante três anos. O divórcio entre Lana e Barker seguiu rapidamente, e muito embora a acusação de assédio não tenha sido arquivada, o registro de divórcio (ocorrido em 1957) não alude à alegação.


Com a atriz espanhola Carmen Cervera, outra de suas esposas.
Muitas biografias são controversas quando se trata de Lana Turner. Linda e talentosa, Lana também era uma mulher que encontrava nos romances proibidos uma excitante emoção. Ela mesma admitia que não conseguisse viver para um só homem. Todavia, também foi criticada por suas escolhas, que incluíam até mesmo Lex Barker.

CARREIRA NA EUROPA E BRASIL
A partir de 1957, a carreira de Barker em Hollywood ficou abalada. Sendo fluente em quatro idiomas (francês, espanhol, italiano e alemão), e com dezesseis trabalhos em seu currículo, o ator mudou-se para a Europa, onde por lá encontrou enorme popularidade, estrelando mais de 40 filmes europeus.


Como o ciumento marido de Anita Ekberg em A DOCE VIDA (1962).
obra de Federico Fellini.
Com a recém falecida Chelo Alonso, em A ESPADA DO SARRACENO (1959).
Na Itália, ele teve um papel curto, mas convincente como o noivo ciumento de Anita Ekberg na obra prima de Federico Fellini (1920-1993) A Doce Vida (La Dolce Vita, 1960). Curiosamente, Barker interpreta um personagem que parece fazer alusão a ele, pois no momento em que os paparazzi estão a postos para presenciar algum rompante entre ele e a noiva, um deles dispara um comentário dirigido ao personagem de Lex:

- ... E pensar que já foi Tarzan!

Nos estúdios de Cinecittà, Lex protagonizou aventuras Capa & Espada, como A Espada do Sarraceno (La Scimitarra del Sarraceno, 1959) de Piero Pierotti, Os Piratas da Costa (I Pirati della Costa, 1960) de Domenico Paolella, e Robin Hood e os Piratas (Robin Hood e i Pirati, 1960) de Giorgio Simonelli.       

ROBIN HOOD E OS PIRATAS (1960)
O INVISÍVEL DR. MABUSE (1962).
Entretanto, foi na Alemanha que ele obteve maior sucesso, estrelando dois filmes com base nas histórias do Dr. Mabuse (anteriormente filmadas por Fritz Lang): Nas Garras do Dr. Mabuse (Im Stahlnetz des Dr. Mabuse, 1961) e O Invisível Dr. Mabuse (Die unsichtbaren Krallen des Dr. Mabuse, 1962), ambos de Harald Reinl (1908-1986).


Como Old Shatterhand, ao lado do índio Winnetou (Pierre Brice):
A LEI DOS APACHES (1963), uma das sete aventuras em série em
que participou, rodadas na Alemanha.
Barker, implacável como Old Shatterhand, com base nos romances
de Karl May.
Ainda na Alemanha, estrelou uma série treze filmes ao lado do francês Pierre Brice (1929-2015) com base nos romances do escritor alemão Karl May (1842-1912), com as aventuras do índio Winnetou e seu amigo Old Shatterhand, que fez muito sucesso ao longo da década de 1960. Filmou no Brasil Folia de Assassinos (Gern hab' ich die Frauen gekillt, 1966), de Alberto Cardone e Robert Lynn, uma trama de espionagem com vários episódios onde Barker é um agente americano que investiga um crime no Rio de Janeiro em pleno carnaval carioca.


Registro de Lex Barker no Rio de janeiro, onde filmou FOLIA DE ASSASSINOS (1966),
passeando pelo Aterro do Flamengo de carro e encontrando com Klaus Kinski no Pão de Açúcar.
Em 1966, Lex recebeu o Prêmio Bambi como “Melhor Ator Estrangeiro” na Alemanha. Ele voltava aos Estados Unidos de vez em quando e fazia participações especiais pela TV, como nas séries O Rei dos Ladrões (It Takes a Thief, 1968-1970) com Robert Wagner, e F.B.I (1965-1974) com Efrem Zimbalist Jr. Mas a Europa, especialmente a Alemanha, foi seu lar profissional  e artístico pelo resto da vida. Entretanto, voltou a fixar moradia nos Estados Unidos em 1972. 

INFARTO: THE END.
Com a noiva Karen Kondazian, poucos dias antes de sua morte.

Em 11 de maio de 1973, três dias depois de seu 54º aniversário, Lex Barker morreu de um ataque cardíaco fulminante enquanto caminhava por uma rua de Nova York. O ator estava indo se encontrar com a jovem atriz Karen Kondazian, de quem estava noivo e tinha planos para casar. Seu funeral foi restrito para família e amigos mais chegados. Lex Barker foi o décimo ator oficial a caracterizar Tarzan nas telas, e sua bela aparência e físico ajudaram a torna-lo como um dos mais populares intérpretes do herói na Sétima Arte.



Filmografia Parcial
Ambiciosa (1947)
Dick Tracy versus Gruezone (1947)
Lar, Meu Tormento (1947)
Rancor (1947)
Tarzan e a fonte mágica (1949)
Tarzan e as escravas (1951)
Tarzan em perigo (1952)
Tarzan e a fúria selvagem (1952)
Tarzan e a mulher diabo (1953)
O morro da traição (1953)
A Mestiça do Mississipi (1953)
Tambores chamam para a guerra (1957)
A garota das meias pretas (1958)
La dolce vita (1960)
Piratas das Costas (1960)
O Terror do Máscara Vermelha (1961)
Robin Hood e o pirata (1961)
O invisível Dr. Mabuse (1962)
A Lei dos Apaches (1963)
Old Shatterhand (1963)
Winnetou (1964)
O Tesouro dos Renegados (1964)
Winnetou e a Mestiça (1965)
Aoom (1970)


Paulo Telles

Produção e Pesquisa.



EXTRA

ESPECIAL HOMENAGEM À DORIS DAY NO 
CINE VINTAGE.


CINE VINTAGE –DOMINGO - 
19 DE MAIO 2019-
 DOMINGO - ÀS 22 HORAS.


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REPRISE DO ESPECIAL NAS QUINTAS FEIRAS (dia 23 de maio - 22 HORAS) E SÁBADO (dia 25 de maio - 17 HORAS)