quarta-feira, 17 de outubro de 2018

O Editor do Espaço e seu Primeiro Livro: PALADINO DO OESTE (2018). E um Convite para os amigos e leitores.



Saudações aos amigos, leitores, e seguidores do blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema. Eu, Paulo Telles, conduzo como editor há 8 anos este espaço tentando levar até você fatos, curiosidades, e informações acerca da Sétima Arte, principalmente sobre os clássicos do cinema, diretores, e astros e estrelas que nos deixaram um legado de magia e luzes.   


Paulo Telles, o editor deste espaço, com Saulo Adami, durante a vinda do escritor catarinense ao Rio de Janeiro em 2015.
Um sonho muito acalentado por mim durante anos era de publicar um livro sobre cinema, mas através da amizade que solidei com o escritor catarinense Saulo Adami, amigo dileto já mencionado neste espaço (entrevistei-o na ocasião de sua vinda ao Rio de Janeiro, em agosto de 2015, quando fomos ao Planetário da Gávea para o lançamento de seu livro Homem não Entende nada! Arquivos Secretos do Planeta dos Macacos - 2015, Editora Estronho).  Durante sua estadia aqui em minha cidade, Saulo falou sobre a coleção que a Editora Estronho (São José dos Pinhais, Curitiba/PR), de propriedade de Marcelo Amado (o editor) publica sobre cinema e televisão. E falamos de um projeto que tudo tinha a ver com os propósitos oferecidos pela empresa.




A TV mundial vem encantando o público ao longo de quase 7 décadas e quase derrubou o cinema, se não fosse esta oferecer recursos estéticos como o CinemaScope para poder chamar de volta o público para as salas. Entretanto, é sobre este período televisivo que a coleção TV ESTRONHO (coordenado pelo próprio Saulo Adami) aborda em seus SETE VOLUMES, sendo que cinco já foram publicados, e eis aqui os títulos: Perdidos no Espaço (Carlos Gomes e Saulo Adami), Shazam, Xerife & Cia (Saulo Adami), Kung Fu (Saulo Adami), Ultraman (Danilo Sancinetti Modolo), O Incrível Hulk (Saulo Adami) – e agora com os lançamentos de O Vigilante Rodoviário (Carlos Gomes e Saulo Adami) e PALADINO DO OESTE (Paulo Telles & Saulo Adami).


Richard Boone, astro da série de TV PALADINO DO OESTE.

É sobre PALADINO DO OESTE, meu primeiro livro em parceria com o amigo Saulo que quero divulgar neste post. Assim como outros trabalhos da Coleção TV ESTRONHO, o presente livro falará sobre a série de TV que foi ao ar entre 1957 a 1963, em 6 temporadas e 225 episódios, e estrelada por Richard Boone (1917-1981), com direito ao tão atrativo GUIA DE EPISÓDIOS que não poderia deixar de faltar. Além disso, falamos sobre o gênero western e sua transição ao longo de cem anos de cinema, e a figura mítica do cowboy nas telas. Isso e muito mais será abordado no livro PALADINO DO OESTE – VOLUME 7 – COLEÇÃO TV ESTRONHO, 252 PÁGINAS (Editora Estronho, São José dos Pinhais, 2018). Trabalho de edição dos mais caprichados de Marcelo Amado e arte de capa nota 1.000 do ilustrador Eduardo Monteiro.

O livro já está em sua pré venda pelo site da loja da Editora Estronho: https://www.lojaestronho.com.br/, lembrando que Pré-venda com envio após dia 30 de outubro. Breve pode também ser adquirido com o próprio editor do FILMES ANTIGOS CLUB- A NOSTALGIA DO CINEMA.


CONVITE


O LANÇAMENTO OFICIAL de PALADINO DO OESTE terá lugar no evento LITERATIBA - Feira Literária de Curitiba, a ocorrer no próximo dia 2 de novembro, sexta feira, a partir das 9 horas da manhã, na PUCPR – BLOCO 02 (azul), na Rua Imaculada Conceição nº 1155 – Prado Velho – Curitiba/Paraná. Todos que moram na região ou mesmo nos arredores não deixem de comparecer e prestigiar não somente os escritores da Editora Estronho e a nós autores de PALADINO DO OESTE, mas também aos demais literatos que irão representar outras editoras divulgando seus trabalhos. Meus agradecimentos a Valter Cardoso, que é o coordenador desse evento.



Meus agradecimentos infindáveis ao Saulo Adami e a Marcelo Amado por fazer parte desta empresa que tenta buscar um pouco de alegria e cultura para os amantes da mídia visual. Vida longa a ESTRONHO, e que venham muitas obras daqui para frente.

Paulo Telles
Editor do Blog Filmes Antigos Club – A Nostalgia do Cinema.
Apresentador do programa Cine Vintage (http://webradiovintage.com/)
Escritor - Radialista – Locutor
DRT 21959/RJ

sábado, 29 de setembro de 2018

Audazes e Malditos (1960): De John Ford, Um Western Com Mensagem Antirracista em Tom Eloquente e Comovedor.


AUDAZES E MALDITOS (Sergeant Rutledge, 1960) não está entre os filmes mais populares do Mestre John Ford (1895-1973) se for comparar com outras obras do cineasta. Mas é um filme na tradição admiravelmente humana deste grande diretor de tantos sucessos marcados, ainda mais por se tratar de uma mensagem antirracista em tom eloquente e comovedor, com engrandecimento do ser humano. Uma obra que faz do preconceito racial o seu tema, sendo esta uma das mais exaltadas e efetivas demonstrações do que há de irracional e desprezível no homem.


O diretor John Ford
O diretor John Ford, de braços cruzados, dirigindo uma cena de beijo entre Jeffrey Hunter e Constance Powers.
Ford orientando Billie Burke.
Os apreciadores do western talvez possam desenhar esta obra fordiana, achando que ela contém elementos alheios as características do gênero. Afinal, trata-se não apenas sobre um trabalho em prol dos negros (na época de sua realização, já havia se iniciado o movimento dos direitos civis nos Estados Unidos), mas também de um trabalho de linha jurídica, uma vez que a história é toda centrada no julgamento de um sargento negro, acusado injustamente de ter matado seu superior e violentado e assassinado a filha deste.


Woody Strode como o Sargento Braxton Rutledge, acusado de um crime que não cometeu...
... é levado a côrte marcial pelo seu regimento de cavalaria.
Assim, o que daria condição de fita do gênero, seria a situação do episódio no tempo e no espaço típico ao mesmo. Entretanto, através do depoimento de testemunhas, quando a ação vem a fugir do confinamento do tribunal para desenvolver-se no campo aberto, o hábil diretor Ford soube dar a história um toque inconfundível de western, onde não poderiam faltar os ingredientes que tanto nos aprofundamos, como a revolta dos índios e a ação da cavalaria. Mas AUDAZES E MALDITOS não nos relata episódios desta batalha, senão a luta heroica de um cidadão empenhado em afirmar-se como um soldado e um homem para fugir do estigma de “negro do charco” não seria o objetivo principal do tema.

No julgamento, o Sargento Rutledge é defendido por seu superior...
... o Tenente Thomas Cantrell, vivido por Jeffrey Hunter.

Na audiência, a hostilidade dos espectadores, que querem a pena de morte para Rutledge.
Tudo começa em 1866, um ano depois do término da Guerra Civil Americana (1861-1865), e depois da abolição da escravatura nos Estados Unidos. Negros que haviam sido escravos passam a integrar regimentos de cavalarias comandados por oficiais brancos. Mas nem por isso eles conseguem o respeito que merecem pela sociedade, já que preconceitos raciais levam um destes soldados, o 1º Sargento Braxton Rutledge (Woody Strode, 1914-1994) a ser acusado de um crime sórdido: estrangulamento de uma jovem, precedido de espancamento e estupro, seguido de assassinato do pai da vítima.

A jovem Mary Beecher (Constance Towers) acaba se solidarizando com Rutledge.
Rutledge tenta resistir a prisão...
... mas acaba convencendo o Tenente Cantrell de sua inocência.
Acusado injustamente e sem esperança de justiça, Rutledge foge e ocasionalmente trava encontro com Mary Beecher (Constance Towers), uma jovem que para em um posto de ferrovia e encontra o telegrafista morto em sua cabine, vítima dos apaches. Rutledge é ferido ao lutar com os índios e Mary resolve tratar de seu ferimento. Entretanto, é nesse meio tempo que o superior de Rutledge, o 1º Tenente Thomas Cantrell (Jeffrey Hunter, 1926-1969), oficial branco que comanda um regimento de soldados negros, vai encalço do sargento, onde o encontra junto a Mary Beecher, que a conhecera durante uma viagem de trem, iniciando um promissor romance. Mary, que havia ficado no Leste durante algum tempo, volta para o Oeste para rever o pai, mas fica ciente da situação violenta com os apaches, que resolveram declarar guerra aos brancos.

Enquanto não chegam a cidade para o julgamento, Cantrell e seu regimento enfrentam o ataque dos índios apaches.
Woody Strode. Jeffrey Hunter, e Constance Towers:           
AUDAZES E MALDITOS(1960), de John Ford.

Numa tentativa de fuga de Rutledge, Cantrell tenta abatê-lo, mas é impedido por Mary Beecher.
Após muitas discussões com Rutledge e Mary, o Tenente Cantrell acaba se convencendo da inocência do sargento e se voluntaria a defendê-lo em seu julgamento. Mas até lá, muitos incidentes vão ocorrer com o trio e o regimento. Ataques seguidos dos apaches atrasam a jornada, e neste ínterim, Rutledge ainda não está convencido da ajuda de Cantrell e consegue escapar durante um confronto forçado com os índios, mas retorna quando reflete que seria muito pior fugir, pois estaria assumindo a culpa, além do amor próprio e pelo seu regimento de cavalaria. É o sargento que descobre o paradeiro do pai de Mary, encontrado sem vida, morto pelos apaches.

O julgamento é presidido pelo neurastênico Coronel Otis Forgate, vivido por Willis Bouchey.
A veterana Billie Burke como a esposa de Otis, Cordelia, parte humorística deste western de Ford.
Carleton Young é o advogado racista e cruel promotor do caso.
No julgamento presidido por um neurastênico juiz, Coronel Otis Forgate (Willis Bouchey, 1907-1977) que vive chamando atenção da inconveniente esposa, Cordelia (Billie Burke, 1884-1970), Rutledge é defendido implacavelmente por Cantrell, e ambos terão que enfrentar a perspicácia de um promotor que odeia negros, Capitão Shattuck (Carlenton Young, 1905-1994) que utiliza meios brutais para acusar o sargento. Em sucessivos Flash-Backs, são reconstituídos os fatos em debate.

Mary Beecher é uma das testemunhas de defesa, que testifica a coragem e a bravura do Sargento Rutledge.
Mary chega a pedir a Cantrell para não levar Rutledge a julgamento, mas como oficial, ele esta na obrigação e cumprimento do dever.
Por certo o argumento com base no romance de James Warner Bellah (1899–1976) redigido pelo próprio autor junto ao produtor Willis Goldbeck (1898–1979) apresenta deficiências. De início, dificilmente o espectador poderá acreditar que aquela figura estoica sentada no banco dos réus seja capaz dos hediondos crimes que lhe imputam. E o final parece ter mais um toque de artificialismo e falsidade. No mais, John Ford combina soberbamente os elementos intrínsecos da história com ação movimentada e a beleza plástica das imagens. Tecnicamente mais enfeitado que a maioria dos filmes do cineasta, contém algumas das sequências de antologia, num relato tenso, épico, bem humorado, e de solene eloquência dramática.

Woody Strode tem a melhor atuação do filme.
A gigantesca e estoica figura de Strode em AUDAZES E MALDITOS tem dignidade em seu desempenho.
O que nas mãos de outro diretor poderia ser simples truques e artifícios, nas mãos de Ford adquire uma qualidade de inevitável precisão e naturalidade. Assim é que fiel a sua tradição, o cineasta explora admiravelmente inúmeros detalhes humanos, ridiculamente ingênuos, mordazmente humanos, que o espectador pode perceber e apreciar sem reservas. Estas pequenas vinhetas de conduta estão a cargo de Willis Bouchey e Billie Burke, que mesmo dentro de um enredo sério fazem o objeto humorístico da trama. Ele como o juiz da corte que julgará o Sargento Rutledge e ela como sua esposa meio senil, que faz mais por atrapalhar o andamento da sessão.

Jeffrey Hunter e sua esposa Dusty num intervalo das filmagens.
Jeffrey Hunter em AUDAZES E MALDITOS (1960) de John Ford.
Embora Jeffrey Hunter (que aqui desempenha para Ford pela terceira e última vez, e que no ano seguinte seria escalado para viver Jesus Cristo em Rei dos Reis, de Nicholas Ray) e Constance Towers (que atuou para o diretor em Marcha de Heróis em 1958) sejam os nomes estrelares e apareçam eficientemente na película, a grande interpretação fica por conta do ex-atleta Woody Strode. Gigantesca figura de ébano, Strode tinha dignidade e, sobretudo, era um ator de densidade dramática, capaz de carregar em seus ombros o filme todo. Uma extraordinária interpretação deste que foi um dos atores negros mais talentosos do cinema e na TV, falecido em 1994.


AUDAZES E MALDITOS, apesar de ignorado por alguns críticos, é uma obra admirável, que merece destaque entre tantas obras que compõem a criação máxima do Mestre John Ford, recomendável sem reservas para todos os públicos.



AUDAZES E MALDITOS chegou as salas do Rio de Janeiro em fevereiro de 1961, mas em março de 1960, Jeffrey Hunter e Constance Towers foram capa da revista FILMELÂNDIA, publicada pela extinta Rio Gráfica Editora.
FICHA TÉCNICA
AUDAZES E MALDITOS
(SERGEANT RUTLEDGE)

País – Estados Unidos

Ano – 1960

Gênero – Western

Direção – John Ford

Produção – Patrick Ford e Willis Goldbeck para a Warner Bros.

Roteiro – James Warner Bellah e Willis Goldbeck, com base em livro de James Warner Bellah

Música – Howard Jackson

Fotografia – Bert Glennon, em Cores

Metragem – 111 minutos.

elEnco

JEFFREY HUNTER – 1º Tenente Thomas Cantrell

CONSTANCE TOWERS – Mary Beecher

WOODY STRODE – 1º Sargento Braxton Rutledge

BILLIE BURKE – Senhora Cordelia Fosgate

JUANO HERNANDEZ – Sargento Matthew Luke Skikdmore

WILLIS BOUCHEY – Coronel Otis Fosgate, o juiz

CARLETON YOUNG – Capitão Shattuck, promotor do caso

JUDSON PRATT – Tenente Mulqueen

CHUCK HAYWARD – Capitão Dickinson

WILLIAM HENRY – Capitão Dawyer

JAMES JOHNSON – Trompetista

RAFER JOHNSON – Cabo Krump

MAE MARSH – Senhora Nellie Hackett

TOBY MICHAELS – Lucy Dabney, a vítima

CHUCK ROBERSON – Membro da Côrte Marcial

CHARLES SEEL – Dr. Walter Eckner

CLIF LYONS – Sr. Sam Beecher

FRED LIBBY – Sr. Chandler Humble

ED SHAW – Cris Humble

Produção e Pesquisa
PAULO TELLES

Próxima Matéria Será Sobre

RITA HAYWORTH
Vida e Obra de uma das mais belas estrelas do Cinema, em celebração de seu centenário de nascimento.

NUNCA HOUVE UMA MULHER COMO RITA.

sábado, 15 de setembro de 2018

Fugindo do Inferno (1963): Espetacular Suspense de Guerra, Com Elenco e Direção Igualmente Espetacular.


É sabido que durante a II Guerra Mundial (1939-1945), o regulamento militar exigia dos oficiais capturados pelos inimigos o máximo empenho em fugir, ou caso isso fosse impossível, atrapalhar a vigilância rotineira dos campos de concentração. Para imobilizar os prisioneiros aliados que já tinham tentado fugir de outros campos da Gestapo e da SS, os nazistas criaram a Stalag Luft III, o mais vigiado dos campos de concentração militares. Pois foi justamente ali, diante do nariz de guardas alemães que fiscalizavam 24 horas por dia, que se concretizou a mais espetacular, ousada, e espantosa fuga em massa que se tem notícia nos registros históricos de guerra.

Paul Brickhill, aviador que testemunhou os eventos da audaciosa fuga e que escreveu o livro The Great Escape, dando origem ao filme.
O roteirista James Clavell
O cineasta John Sturges
Paul Brickhill (1916-1991), testemunha ocular do evento, estava confinado no campo, mas não participou da fuga. Entretanto, reconstituiu a façanha dos fugitivos em um livro que os roteiristas James Clavell (1921-1994) e W. R. Burnett (1899-1982) adaptaram em 1962 para o cinema – FUGINDO DO INFERNO (The Great Escape, 1963). Um mega-superespetáculo de 168 minutos de projeção, produzido e dirigido por John Sturges (1910-1992), resultando em uma das mais vibrantes aventuras de guerra da história do cinema, onde o diretor pôde repetir com sucesso a tensão temperada com farsa e deboche de seu trabalho anterior, Sete Homens e Um Destino (1960), do qual tomou além do tom da narrativa, três atores (Steve McQueen, James Coburn, e Charles Bronson), e o comentário musical de Elmer Bersntein (1922-2004). 

O diretor Sturges, com três dos astros do filme: Steve McQueen, James Coburn, e Charles Bronson, que atuaram para o diretor em Sete Homens e Um Destino, em 1960.
A chegada dos aliados ao campo de concentração.

Aparentemente, FUGINDO DO INFERNO não apresenta novidades em sua narrativa, já que foram contadas inúmeras vezes no cinema mais ou menos os mesmos incidentes (Inferno 17, de Billy Wilder, 1953). Mas o que dá força dramática a obra de Sturges para prender o interesse do público é a esplendida qualidade técnica do cineasta. Sem recorrer a efeitos especiais ou visuais extraordinários, atendo-se apenas aos recursos comuns da linguagem cinematográfica, Sturges narra sua história com um sentido dinâmico de reportagem, empregando um estilo cuja sobriedade tem suficiente impacto para levar o espectador à emoção. 
O diretor John Sturges dando um "retoque" no astro Steve McQueen.

Talvez a menor falha, mas percebível, em FUGINDO DO INFERNO, seja ela abordar apenas superficialmente a psicologia dos prisioneiros de guerra. O público fica apenas sabendo que é o dever de um oficial tudo fazer para escapar da prisão a fim de embaraçar e manter o inimigo ocupado da sua guarda. A obra de Sturges não explora convenientemente esse ângulo, fixando-se exclusivamente na execução do plano de fuga.  Assim, FUGINDO DO INFERNO  conta-nos a história de um ousado plano de fuga executado por um grupo de aviadores aliados recolhidos a um campo de concentração nazista, e que terminou irônica e dramaticamente num atentado a dignidade humana.



Bartlett "Operador X" (Richard Attemborough) é a mente e o chefe de tão audaciosa fuga.
John Leyton e Charles Bronson são os "Reis dos Túneis".
Charles Bronson é Denny, um dos "Reis dos Túneis", que apesar de sua perícia é o mais amedrontado do grupo, pois tem claustrofobia.
Os fatos, incrivelmente surpreendentes, ocorreram de forma verídica. Em 1942, cerca de 600 oficiais britânicos e americanos da Força Aérea, detidos no Stalag Luft III, inconformados com a captura, passaram quase um ano preparando a fuga através de três túneis cavados dez metros abaixo do solo, com extensão superior a cem metros cada. Os oficias aliados estavam indignados com a prisão não porque foram extirpados de sua liberdade, mas porque de acordo com seu pensamento, a briga lá fora estava boa. A operação de fuga foi logo alcunhada de Operação X. Enquanto um grupo se revezava dia e noite nas escavações, outro forjava passes e documentos, manufaturavam mapas, e numa alfaiataria clandestina, faziam de velhos uniformes rasgados, trajes civis, e isto porque o problema maior existia após passar pela cerca de arame farpado: a perseguição massiva dos nazistas por toda a Alemanha, através dos canais de comunicação existentes, e também pelas rodovias e estradas de ferro.

Richard Attemborough é o "Operador X".
James Garner é Hendley 'The Scrounger'
Donald Pleseance é Blythe 'The Forger'
Como resultado de tão empenhada façanha que exigiu tanta perseverança, otimismo e engenho, o sucesso da operação foi parcial. Dos 250 prisioneiros escalados para a evasão, apenas 76 conseguiram atravessar o túnel. Quase todos, menos dois – recolhidos por um cargueiro do Mar do Norte – acabaram recapturados, e 50 foram sumariamente fuzilados, depois de uma fantástica caçada que mobilizou o surpreendente número de cinco milhões de alemães. 

O grupo preparando o terreno para a fuga audaciosa.
Steve McQueen é Hilts 'The Cooler King", isto porque sempre carrega uma luva e uma bola de Beisebol. O mais ousado e indisciplinado do grupo, que enfrenta diretamente... 
... os oficiais nazistas.
Três etapas dividem a narrativa: a chegada dos prisioneiros e o reconhecimento do campo; a preparação e a execução da fuga subterrânea; a dispersão dos fugitivos e a busca impiedosa em todas as vias e saídas pelos nazistas. Mas é a última fase a mais eletrizante de todas, graças aos desatinos de Hilts The Cooler King, o mais rebelde e indisciplinado do grupo, personagem vivido por Steve McQueen (1930-1980), que com motocicleta dispara pelos montes suíços.

Hendley e Blythe conseguem escapar do campo de concentração.

David McCallum é Ahsley The Pit 'Dispersal'

A proeza de Steve McQueen com a motocicleta em FUGINDO DO INFERNO (1963). O ator dispensou dublês para a cena.

O elenco é todo masculino. Além dos já citados McQueen, James Coburn (1928-2002), e Charles Bronson (1921-2003) – este o mais amedrontado dos fugitivos – temos Richard Attemborough (1923-2014) como o chefe da Operação X; Donald Pleasence (1919-1995), James Garner (1928-2014), David McCallum, James Donald (1917-1993), John Leyton, e Jud Taylor (1932-2008). Locações autênticas na Baviera emolduraram a espetaculosidade deste grande campeão de bilheteria nos cinemas (no Brasil, chegou em julho de 1964). 

Apesar da tão bem sucedida fuga do campo de concentração, Hendley é ferido e recapturado, e seu amigo Blythe morto pelos nazistas.
O 'Operador X', idealizador da fuga, também não teve sorte.
FUGINDO DO INFERNO (1963): um grupo de aviadores aliados recolhidos a um campo de concentração nazista, e que terminou irônica e dramaticamente num atentado a dignidade humana.
Quando exibido pela TV americana na década de 1970, registrou 31.3 pontos de audiência, e até hoje, além de ser uma referência nos cinematográficos espetáculos de ação, é uma das películas mais apreciadas e assistidas da história, o que corrobora sua qualidade de cinema de aventura, mesmo passados mais de cinquenta anos de seu lançamento.  Em 1988, um dos atores do clássico, Jud Taylor, junto ao cineasta Paul Wendklos, realizaram para a televisão uma sequencia da trama – FUGINDO DO INFERNO II – A VERDADEIRA HISTÓRIA (The Great Escape II – The Untold Story), estrelado por Christopher Reeve e Donald Pleseance, que também participou do filme de 1963.

Em cartaz no Rio de Janeiro em julho de 1964.
FICHA TÉCNICA
Fugindo do inferno
(THE GREAT ESCAPE)

PAÍS – ESTADOS UNIDOS.

ANO – 1963

GÊNERO - GUERRA/AÇÃO

DIREÇÃO – JOHN STURGES.

PRODUÇÃO – JOHN STURGES, JAMES CLAVELL e WALTER MIRISCH para a UNITED ARTISTS.

ROTEIRO – JAMES CLAVELL e W. R. BURNETT, baseado no livro The Great Escape, de PAUL BRICKHILL.

FOTOGRAFIA – DANIEL L. FAPP, em CORES.

MÚSICA – ELMER BERNSTEIN.


TEMPO DE PROJEÇÃO – 168 MINUTOS.


ELENCO

STEVE McQUEEN – HILTS “THE COOLER KING”

JAMES GARNER – HENDLEY “THE SCROUNGER”

RICHARD ATTEMBOROUGH – BARTLETT “OPERADOR X”

JAMES DONALD – RAMSEY “THE SBO”

CHARLES BRONSON – DANNY “O REI DO TÚNEL 1”

DONALD PLESEANCE – BYTHE “THE FORGER”

JAMES COBURN – SEGDWICK “MANUFACTURER”

HANNES MESSEMER – VON LUG “THE KOMMANDANT”

DAVID MAcCALLUM- ASLHEY PIT “DISPERSAL”

GORDON JACKSON – MaCDONALD “INTELIGENCE”

JOHN LEYTON – WILLIE “O REI DO TÚNEL 2”

JUD TAYLOR – GOFF

WILLIAM RUSSELL – SORREN

LAWRENCE MONTAIGNE – HAYNES

KARL – OTTO ALBERTY – OFICIAL NAZISTA

PAULO TELLES
Produção e Pesquisa